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Resenhas 11jul • 2017

Victoria e o Patife, por Meg Cabot

Como escrever uma resenha sobre um livro que você gostou, mas que ao mesmo tempo, não gostou tanto? Victória e o Patife era um romance de época que eu estava muito ansiosa para ler. Primeiro porque é um romance de época, e todo mundo sabe que eu jamais deixaria passar um livro do gênero. Segundo, é Meg Cabot, e apesar de eu não ser a maior fã da autora, os livros dela sempre me conquistam. O problema é que apesar de ser uma leitura prazerosa, Victoria e o Patife não tem os elementos que normalmente prendem o leitor em um enredo e conforme a história caminhava eu não sabia dizer se estava mais irritada com a personagem principal ou com a autora.

Victoria é uma jovem de 16 anos que está voltando da índia para ter a sua primeira temporada em Londres. Ela é filha de um duque e acabou herdando a fortuna do pai, suficiente para conseguir para ela um bom marido. É abordo do navio Harmonia que ela conhece Lorde Malfrey, de quem fica noiva antes mesmo de chegar em solo inglês. Mas não é o noivo que ganha a atenção de Victoria, mas sim o capitão do navio, Jacob Carstairs, o homem que está determinado a provar para Victoria que seu futuro marido não era digno dela e, no processo, ainda tirar a jovem do sério.

Victoria e o Patife tem diálogos divertidos acompanhados da escrita leve e simples de Meg Cabot que nós já conhecemos e adoramos. O problema é que a escrita é realmente simples demais. Tudo no livro acontece muito rápido, não dando tempo para os personagens se desenvolverem ou mesmo se conhecerem melhor. As cenas pulam de uma para outra sem aviso, e não tem como você saber o que está acontecendo na história até que venha uma cena muito óbvia. Além disso, o plot é meio infantil demais para um juvenil de romance de época, como se eu tivesse lendo a história de dois personagens de 12 anos de idade, ao invés de 16.

É preciso lembrar que, mesmo naquela época, era pedido das jovens uma certa maturidade que você jamais irá encontrar em Victoria. Além de ser extremamente insuportável, a personagem é mimada e egoísta, sempre colocando os desejos dela em primeiro lugar, mesmo em momentos em que ela achava que estava ajudando o próximo. Vocês já leram um personagem com uma voz aguda e insuportável? Era exatamente assim que eu via Victoria durante a leitura, e por mais que eu tentasse entender a sua imaturidade e petulância, não consegui encontrar nada na personagem que me fizesse gostar dela.

O enredo de Victoria e o Patife não tem nada que realmente prenda o leitor. Toda a história gira em torno da birra de Victoria insistindo para se casar com Lorde Malfrey, um homem que mal conhecia e de quem havia ficado noiva simplesmente para implicar com o tal Capitão Carstairs. O enredo não se desenvolve fora disso. O leitor não vê as coisas realmente acontecerem, mas elas acontecem porque a autora nos diz que elas aconteceram. Foi bastante frustrante, principalmente porque a sensação era de que nunca ia acontecer nada e o livro parecia nunca chegar ao final.

O romance é bastante fraco, eu devo dizer. Mas eu já esperava que fosse considerando que as cenas não eram muito trabalhadas e os personagens não muito desenvolvidos. Eu fiquei impressionada com a facilidade que a personagem principal tinha de mudar seu interesse amoroso ao longo do livro. Uma hora ela estava jurada de amor pelo conde, no outro ela já não tinha mais certeza dos seus sentimentos. Era confuso, pouco profundo e, no final, não me convenceu. Mesmo sendo um Young Adult, acredito que pelo menos o romance poderia ter sido um pouco mais desenvolvido pela autora.

Os diálogos eram “legais”, – porque eu realmente não consigo pensar em outra palavra agora – mas não acrescentavam muito a história. Tudo que era dito pelos personagens soava muito superficial e irrelevante para a história. E a forma como Meg Cabot construiu a personagem principal me incomodou muito. No final Victoria não amadurece ou aprende com os seus erros, mas continua sendo a mesma pessoa mimada e cheia de si do começo do livro.

Eu queria muito que Victoria e o Patife fosse mais do que um romance de época para adolescentes. Eu realmente queria que o livro tivesse explorado mais a personagem principal e a sua vida na Índia, ou o fato do noivo dela não ser realmente quem ele dizia ser. Acho que tudo teria sido mais agradável se a autora tivesse buscado escrever os capítulos com mais paciência, do que simplesmente criar uma história superficial. Espero mesmo que os próximos livros dela, neste mesmo gênero, tenham personagens bem mais interessantes.

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