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Resenhas 16fev • 2018

Todas as Garotas Desaparecidas, por Megan Miranda

Um dos gêneros que mais vem me ganhando de uns tempos pra cá é o de mistério. Livros como Filme Noturno e O Casal que Mora ao Lado realmente ascenderam a minha vontade de conhecer mais história cheias de suspense, e foi isso que me levou a leitura de Todas as Garotas Desaparecidas. A sinopse me agarrou logo de cara, afinal de contas, eu adoro uma história de mistério centrada numa cidade pequena onde todos sabem os segredos uns dos outros. E a leitura desse livro foi legal, mas tiveram alguns pontos que impediram o livro de chegar aonde eu gostaria que ele tivesse chegado

Nicolette Farrell deixou a pequena cidade de Cooley Ridge há muito anos, depois que sua melhor amiga desaparece sem deixar rastros. Agora, já adulta e com uma vida bem ajustada com um emprego estável e um noivado com um advogado bem sucedido, ela se vê forçada a voltar a cidade natal para cuidar de seu pai, que sofre de demência. Mas o desaparecimento de uma jovem força Nicolette a se perguntar se os segredos de seu passado são bem mais sombrios do que ela imaginava. Leia mais

Resenhas 03fev • 2018

Brumas do Tempo, por Karen Marie Moning

Lembra aquele papo que o primeiro livro nunca é tão bom quanto o segundo em séries de romance de época? Vocês lembram também que eu amei ler Guerreiro Domado e que ele era o segundo livro da série Highlanders, porque eu consegui ler os livros na ordem errada?! Bem, eu queria começar essa resenha dizendo que a minha teoria estava errada, mas não está. Apesar de eu ter adorado toda a fantasia de Brumas do Tempo, o enredo tem vários pequenos problemas que me incomodaram bastante e fizeram com que a sua leitura fosse um pouco mais complicada do que eu estava esperando.

Não vou mentir, eu realmente amei a parte histórica e fantasiosa do livro. A ideia de trabalhar a “viagem do tempo” e misturar isso com a cultura folclórica das fadas que, pelo menos naquela época, era algo muito forte nas terras escocesas, foi simplesmente sensacional. Eu amei que Moning tenha focado em explorar a liberdade da cultura da época, fugindo muito do enredo engessado dos britânicos e seus salões de baile. Vocês acham que já viram de tudo em um romance de época, mas a verdade mesmo é que o mundo só é revelado a você depois de se apaixonar por um bom escocês – e de raiz, viu? Com um clã enorme e kilt.

O problema de Brumas do Tempo está no desenvolvimento do enredo, o que em romances de época é bastante comum no primeiro livro. Eu tenho para mim que, quando Moning começou essa série, ela estava muito impactada com o universo mágico da Escócia e acabou colocando mais plots no livro do que ele realmente precisava. O começo de Brumas do Tempo é confuso, cheio de informações que não se conectam e coisas mal explicadas. Você não entende bem o que está acontecendo até a metade do livro e mesmo depois disso, é difícil da história te prender, por mais que os personagens principais sejam muito bons. Leia mais

Resenhas 30jan • 2018

Guerreiro Domado, por Karen Marie Moning

Vocês devem estar se perguntando porque eu estou resenhando o segundo livro ao invés do primeiro, não é mesmo? Acontece que eu peguei o segundo por engano e só percebi isso quando estava quase na metade da leitura – e isso porque tem um “livro 2” enorme escrito na capa. Acontece com mais frequência do que eu deixo vocês ficarem sabendo, não vou mentir. Mas, agora que eu já li o segundo livro, eu pensei: “Porque não falar dessa leitura maravilhosa de uma vez?”, e aqui estou eu para contar para vocês por que o romance de Karen Marie Moning se tornou um dos meus amorzinhos literários.

Primeiro de tudo, se você é um grande leitor de romance de época, é importante saber que Karen Marie Moning não escreve o tipo de romance que estamos acostumados a ler, como Julia Quinn e Sarah Maclean, por exemplo. Então se você pegou este livro esperando encontrar os grandes salões de baile britânicos, eu já aviso que vai se surpreender. O enredo de Moning se passa na Escócia de 1500, no século 14. É importante frisar esse período porque, nesta época, a Escócia ainda sofria um pouco de influencia da cultura nórdica então boa parte de Guerreiro Domado ainda faz fortes referencias culturais a esse período.

Uma das coisas que eu mais gostei da escrita de Karen Marie Moning foi o cuidado que ela teve para ambientar a sociedade da época e nos explicar a cultura do povo que ela estava retratando na sua história. Ter um personagem principal que era visto como um Berserker e ver a forma como a autora trabalhou essa “fantasia” dentro do romance foi muito interessante. Apesar de parecer que ela está criando um conto de fadas, Moning apenas usou e abusou de um período cultural muito forte da Escócia e criou em cima disso um romance que não só me tirou o folêgo, mas fez com que eu me apaixonasse pela escrita dela. Leia mais

Resenhas 30set • 2017

O Sorriso da Hiena, por Gustavo Ávila

O Sorriso da Hiena é um livro de literatura policial escrito pelo brasileiro Gustavo Ávila. Primeiramente lançado de forma independente, Gustavo conseguiu alcançar o público chamando atenção da editora Record, suas vendas e a críticas lhe renderam uma republicação em 2017 sob o selo Verus. Centrado em uma série de assassinatos envolvendo crianças, o livro é uma viagem pelas questões de ética profissional e a moral humana.

“A mulher encarou o filho, tentando fazê-lo se acalmar, aquele olhar materno com efeito sedativo, tranquilizador, quase como um abraço. Piscou com força para fazer cessar as lágrimas, como quem tenta dizer que vai ficar tudo bem, que vai acabar logo. E foi assim que os olhos de sua mãe, que sempre conseguiram dizer tudo sem precisar de uma palavra sequer, silenciaram para sempre ao som de uma arma de brinquedo.”

Eu simplesmente adorei a leitura de O Sorriso da Hiena, a trama criada pelo Gustavo conseguiu ser eletrizante do início ao fim, os cliffhangers deixados ao final dos capítulos me levaram a não querer largar o livro. A ambientação foi o que eu mais gostei. A descrição das cenas foi extremamente vívida, era como se eu fosse transportada para dentro do livro, alguns lugares me lembravam minha cidade, andando na rua eu sentia que podia cruzar com o Artur ou o William a qualquer segundo. Toda a trama que cerca David, e o motivo para ele cometer tais assassinatos, possui uma profundidade muito boa para quem quiser explorar, o maior mérito do livro em minha opinião.

“E a dor, Sr. William, ela é contagiosa feito uma doença. Lá dentro a única coisa que eu aprendi foi a passar a minha pra frente, na esperança de que ela sumisse de vez. Mas ela não sumiu. E, não importava quantas vezes eu machucasse alguém, a minha dor continuava em mim.”

A moralidade é posta em prova durante toda a leitura. David tem um objetivo ‘nobre’ para realizar os assassinatos, ele precisa saber qual a origem do mal. Até que ponto a dor empregada na infância faz com que a criança se torne um agente da violência mantendo esse ciclo sem fim? Para descobrir a resposta ele entra em contato com um prestigioso psicólogo, William, seu doutorado analisava casos reais de crianças que passaram por situações violentas na infância, levantando perguntas sobre a relevância de eventos violentos no desenvolvimento de traumas e na moldação do caráter. David comete os assassinatos e encaminha as crianças para o psicólogo na busca de entender se ele é um monstro insensível por conta do que passou na infância, ou se o é por natureza.

Todas as famílias são diferentes, o ritual é sempre o mesmo e as vítimas são os pais. As crianças, amarradas em uma cadeira, se vêem obrigadas a assistir a morte dos pais. William é um exemplo de profissional e de cidadão, é atencioso com os pacientes, realiza trabalhos voluntários, é amado pela noiva e amigos, e tudo isso começa a ruir quando ele vê a chance de realizar o seu estudo, mesmo que os caminhos que o levaram a essa chance sejam sujos de sangue.

– Por que fica escuro de noite?

–  Por que você acha que fica escuro à noite, Luiza?

–  Eu perguntei primeiro.

Então eu expliquei, inclusive com desenhos, que era quando o sol estava do outro lado da Terra. Que ele dava a volta para iluminar o outro lado.

Ela me chamou de mentiroso.

Eu perguntei por quê.

Ela me disse que Felipe, um dos seus pais, tinha lhe dito outra coisa.

Em suas palavras:

–   A noite é escura porque é quando as cores dormem.”

Gustavo também soube trazer a narrativa policial para a realidade do nosso país. A dificuldade que a polícia encontra durante a investigação, a falta de intercambio entre as polícias de zonas afastadas e os interesses econômicos interferindo no processo, são exemplos de como a história cabia em nossa realidade. Em tempos onde muitos escritores vivem tendo a literatura americana como base, saber adaptar o gênero para a nossa cultura é essencial. O livro também é corajoso em matar personagens e descrever cenas mais sangrentas, senti o nervoso da situação na pele em diversos trechos.

A minha única crítica negativa é que o autor foi um pouco explicativo demais em algumas partes, o autismo do detetive Artur é um exemplo. Caberia deixar subentendido ao leitor, o escritor já havia deixado pistas o suficiente, uma coisa ínfima perto da qualidade do livro. Se você é fã do gênero, ou está a fim de se aventurar nesse tipo de literatura, O Sorriso da Hiena é uma ótima pedida. Você vai se deparar com um livro excelente, e o melhor de tudo? É literatura nacional.

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Resenhas 23set • 2017

Casada até Quarta, Catherine Bybee

Eu não sei vocês, mas nos últimos meses eu tenho tido muito problema com autores que não gostam de se aprofundar nos seus personagens. Catherine Bybee, apesar de ter uma escrita deliciosa, comete esse mesmo erro em seu romance Casada até Quarta, o primeiro livro da série Noivas da Semana. Apesar de ter um enredo divertido e diálogos interessantes, o livro não se aprofunda nos personagens, não entrega uma trama elaborada e acaba entrando para o time de livros que a gente costuma ler quando não tem outra coisa melhor para fazer – o que eu considero uma pena porque, volto a repetir, a escrita da autora é realmente muito boa.

Lançado no Brasil sob o selo Verus, Casada até Quarta vai contar a história de Blake Harrison, um nobre britânico, muito charmoso e convenientemente muito rico que precisa se casar urgentemente para atender as exigências do testamente do seu pai. Para conseguir garantir a sua fortuna, Blake resolve apelar para a agência de casamentos de Sam Elliot, a quem ele acredita ser um homem. Quando Blake conhece Sam, ele não fica apenas surpreendido com o fato de ser uma mulher, mas também pelo fato de a mesma ser inteligente, sagaz e extremamente bonita. Sam não estava no menu de opções de Blake até o magnata britânico lhe fazer uma proposta irrecusável. Com uma aliança no dedo e um marido altamente sexy ao seu lado, o maior problema de Sam não será convencer as pessoas do seu casamento de fachada, mas sim resistir a atração que sente por Blake.

Eu gostei muito da proposta desse enredo. Um dos motivos para eu ter escolhido Catherine Bybee foi por ter achado esse enredo criativo e com todos os elementos que conseguiriam me prender em um romance desse estilo. Mas apesar da leitura ter sido muito agradável, o fato do livro ter menos de duzentas páginas me incomodou bastante. Logo que eu comecei a leitura, eu já percebi que teria o problema dos capítulos corridos. Diálogos curtos, informações jogadas a torto e a direito e as narrativas pouco exploradas sobre o background dos personagens. Acredito que hoje, esse seja o meu maior problema com romances que fazem parte de séries descontinuadas: eu sou o tipo de leitura que precisa imergir na história e romances curtos nunca conseguem me satisfazer neste ponto.

“[…] havia trabalhado arduamente para conquistar sua reputação de canalha sem sentimentos, e não precisava estragar tudo fingindo estar apaixonado para que uma mulher subisse ao altar com ele.”

A narrativa em terceira pessoa, apesar de muito bem trabalhada pela autora, não contribui muito para que o leitor consiga se aprofundar nos personagens. As informações são jogadas ao longo do enredo, mas não permite que a gente, enquanto leitor, sinta o que o personagem está sentindo. Com o background de Sam e Blake, eu realmente queria ter tido a oportunidade de ter acompanhado o romance dos dois do ponto de vista deles mesmos, talvez em uma narrativa alternada ou pelo menos do ponto de vista de um dos dois, porque não? Eu senti bastante falta de conseguir identificar – ou mesmo sentir – no enredo o sentimento dos personagens. Confesso que apesar de ter “engolido” o romance, eu não acreditei que eles estavam realmente apaixonados.

Casada até Quarta tem uma trama bastante interessante, se ignorarmos o fato de ser um enredo rápido. Eu gostei da forma como a autora trabalhou elementos simples para prender a minha atenção até o final da leitura, que no final, eu tenho que admitir que funcionaram muito bem.  Sam e Blake não vivem um romance que é construído apenas em cima da conveniência do casamento. Eu gostei da forma como eles encararam certos obstáculos juntos e a forma como construíram o relacionamento a base de confiança. Esse tipo de relacionamento deveria ser muito mais explorado em livros do gênero, ao invés do clássico homem-rico-gostoso-controlador-de-tudo.

“Isso é perigoso. O desejo deles era real, pelo menos para ela.”

O que eu posso dizer? Casada até Quarta é um ótimo livro para você ler quando está com aquela boa e velha ressaca literária. É um livro com bons diálogos, com uma escrita deliciosa e com personagens que certamente vão te arrancar boas risadas – ou pelo menos te deixar com aquela sensação gostosa dentro do peito depois de uma leitura agradável. Para a minha primeira experiência lendo Catherine Bybee, eu devo dizer que gostei muito mais de Casada até Quarta do que eu estava esperando e quero muito acompanhar os próximos lançamentos dessa série.

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Lançamentos Notícias 12fev • 2017

Chegaram os lançamentos de Fevereiro

 

Não sei vocês, mas eu já estava morrendo de ansiedade para saber os lançamentos de fevereiro. Este mês tem muita coisa bacana chegando nas livrarias, principalmente se você acompanha alguma série em especial, tipo a série dos Maddox da Jamie Mcguire ou Outlander da Diana Galbadon – se vocês não acompanham, eu super recomendo, ambas as séries tem personagens maravilhosos, viu?

A nossa queria e amada Darkside Books chega em fevereiro com dois novos lançamentos ótimos: Edgar Allan Poe e Frankenstein – ambas edições maravilhosas, capa dura, aquela coisa linda que dá até vontade de chorar. Não tem como não surtar, não é mesmo? Mas não acabou ainda não.

A editora Arqueiro, minha editora maravilhosa, lançadora dos romances de época mais lindos do mundo estará lançando em fevereiro uma caixa muito especial com os quatro livros da série Smythe-Smith – se você já leu alguma coisa da JQ, com certeza esse sobrenome vai lhe soar bastante familiar – e eu já estou me desdobrando para conseguir comprar essa caixa maravilhosa.

Confiram abaixo alguns outros lançamentos que vocês irão encontrar nas livras neste mês. Ah, e não deixem de comentar quais são os livros que vocês pretendem comprar, tá?

Resenhas 02jan • 2017

O Garoto do Cachecol Vermelho, por Ana Beatriz Brandão

Esta é a minha primeira leitura de Ana Beatriz Brandão. Apesar de já conhecer um pouco do trabalho dela há algum tempo, foi só quando a Record anunciou o lançamento de O Garoto do Cachecol Vermelho que eu agarrei a oportunidade de conhecer a escrita da autora. Infelizmente, por mais agradável que a escrita da Ana se apresentasse para mim, alguns pontos do livro não conseguiram me ganhar e me deixaram bastante frustrada com a leitura.

O Garoto do Cachecol Vermelho é um romance que se passa na cidade de São Paulo e vai contar a história de Melissa, uma jovem garota rica, bailarina, que não está medindo esforços para ser transferida para Julliard. Mimada e acostumada com todos fazendo as suas vontades, Melissa se sente desafiada ao conhecer Daniel, um doce músico que tem como objetivo mostrar para ela que o mundo é muito mais do que ela consegue ver com os olhos.

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Dizer que o enredo de O Garoto do Cachecol Vermelho não me lembra os roteiros de novela seria mentira. Quantas vezes as televisões já não trouxeram para as telas dois jovens adolescentes, de “mundos” diferentes que, no começo se odeiam, mas no fim acabam encontrando um “amor” tão lindo quanto qualquer outro romance? Podemos dizer que o enredo do livro é basicamente este, mas com uma pitada muito grande de drama combinado com personagens vazios.

A escrita de Ana Beatriz não é ruim, acredito que a autora – talvez no futuro – consiga criar enredos mais consistentes, com personagens reais e mais fáceis da gente se identificar. Porém, quando se trata de O Garoto do Cachecol Vermelho, acredito que o desespero para dar ao enredo uma emoção verdadeira tenha jogado a história de amor de Melissa e Daniel por água abaixo. A autora conseguiu usar todos os elementos mais aleatórios possíveis para construir a história, criando uma base dramática que já não se sustentava nos primeiros capítulos e que só piorava conforme a leitura avançava.

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O enredo de O Garoto do Cachecol Vermelho é bagunçado. Os capítulos pulam de uma cena para a outra sem nenhuma continuação e as introduções se repetem mais de uma vez ao longo dos capítulos, dificultando acompanhar os acontecimentos do livro e, principalmente, o desenvolvimento da história. Eu senti que estava lendo uma fanfic, pois os erros de continuação e de construção dos personagens são bem semelhantes aqueles que eu encontrava quando costumava me aventurar no mundo das fanfics do McFly.

A forma como o enredo se desenvolveu me causou um grande desespero. Tudo acontecia muito rápido, tão rápido que eu não conseguia nem ao menos assimilar de onde é que aquilo tinha vindo. Além disso, a autora inseriu vários elementos dramáticos na história para “fortalecer” o drama que só me fizeram questionar o porquê eu ainda estava tentando chegar ao final do livro. Nada do que estava ali fazia sentido para mim, por mais que a autora tentasse me provar que conseguia me emocionar com aquela história, eu só não conseguia entender o livro.

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A personagem principal, Melissa, é irritante. Ela foi escrita para ser a pessoa mais insuportável que você conheceu, mas ao mesmo tempo, mostrar que tem qualidades como ser humano despertadas pelo amor de Daniel. Tudo bem, eu consigo comprar esse tipo de enredo, mas se analisarmos a personagem de uma forma mais profunda, logo percebemos que o seu egoísmo e ego continuam intactos. Houveram pontos no livro em que a autora tentou construir um “background” para justificar ou ao menos dar base para o comportamento agressivo da personagem, porém, as informações foram tão bagunçadas e sem nexo que isso simplesmente não me convenceu.

O romance entre os personagens principais era um copilado de todas as cenas mais clichés de romances que nós já conhecemos. Todo aquele envolvimento entre os dois simplesmente não me convencia enquanto leitora, principalmente porque não havia nenhuma química entre os personagens e os diálogos também não ajudavam nem um pouco a construir o relacionamento dos dois. O tempo todo, durante o enredo, eu sentia que os dois personagens estavam sendo forçados a gostar um do outro e a ficarem juntos, o que tornou a leitura ainda mais difícil para mim.

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Eu esperava muito mais de O Garoto do Cachecol Vermelho do que a autora conseguiu me entregar. Eu não consegui me envolver com a história que estava sendo contada, os personagens me pareciam completamente irreais para o que estava sendo apresentado na história. A autora colocou muito mais informação do que o enredo realmente precisava, não deixando que a história caminhasse por si só ao longo dos capítulos. Tudo em O Garoto do Cachecol Vermelho soou forçado, contraditório e, principalmente, irreal.

Quando eu não gosto muito de um livro, eu gosto que levem em consideração que a minha vivencia enquanto leitora provavelmente é muito diferente da do autor do livro. No caso, Ana Beatriz tem 16 anos e na fase em que ela está na vida provavelmente esses enredos são tudo o que aquecem seu coração. Eu tenho 25 anos, e minhas experiências até agora pedem uma leitura mais real, casais com os quais eu consiga me identificar ou pelo menos acreditar no amor que me está sendo vendido. No caso de O Garoto do Cachecol Vermelho, não foi o que aconteceu, ainda assim eu não pretendo desistir dos livros da Ana Beatriz e espero que ela ainda me surpreenda com as suas histórias.

Resenhas 21dez • 2016

Suzy e as Águas-vivas, por Ali Benjamin

O que eu mais gosto no mundo da literatura é a oportunidade de conhecer novos autores e novas histórias. E esse, foi um dos maiores motivos de eu ter escolhido Suzy e as Águas-vivas como uma das minhas leituras. Romance de estreia de Ali Benjamin e eleito um dos melhores livros do ano pelo New York Times, o livro foi recentemente publicado no Brasil pela Verus Editora e já conquistou os leitores brasileiros com seu enredo emocionante e sua personagem principal encantadora.

Suzy e as Águas-vivas é um Young Adult que conta a história da Suzy, uma criança inteligente e bastante que criativa que, quando recebe a notícia de que sua melhor amiga – ou ex melhor amiga – havia morrido afogada durante as férias de verão, resolve se fechar dentro do seu mundo. O problema é que Suzy acredita que Franny, sua melhor amiga, pode ter morrido por outro motivo, afinal, ela sempre foi uma ótima nadadora. E é em uma visita ao aquário organizado pela escola que ela percebe que, talvez, Franny possa ter sido picada por uma água-viva e que essa talvez seja a explicação mais plausível para o que aconteceu, mesmo ela precisando encontrar uma forma de provar isso.

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Eu nunca li um livro como Suzy e as Águas-vivas, uma montanha russa emocional tão complexa e tão simples ao mesmo tempo. A narrativa do livro é feita em primeira pessoa, do ponto de vista da Suzy junto com alguns flashbacks da amizade dela com Franny. Confesso que o começo do livro me pareceu um pouco cansativo, principalmente porque eu ainda não estava entendendo onde a autora queria chegar com todas as informações que ela estava me dando. Mas tão logo as coisas começaram a se encaixar, o enredo do livro me envolveu de tal forma, que eu só consegui largar quando terminei.

A verdade é que quando eu comecei a ler Suzy e as Águas-vivas, eu não pensei que esse livro iria me destruir tanto por dentro quanto me destruiu. Eu sabia que ele poderia ser um livro triste, mas não que iria me deixar emocionalmente abalada como deixou. Eu já li muitos livros desse estilo, mas nenhum deles me fez ter tanta vontade de abraçar um personagem e dizer que tudo ia ficar bem. Era desesperador você conseguir entender e sentir tudo o que a Suzy estava sentindo e simplesmente não poder fazer nada a respeito. E a autora ainda colocava as situações de uma forma tão simples, que meu peito doía com tudo o que eu lia.

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Ali Benjamin tem uma escrita que é impossível de descrever. Seu jeito leve de contar a história nos envolve em uma narrativa que, a princípio, me pareceu bastante inocente, mas que foi se mostrando tão intensa e tão cheia de detalhes ao longo de cada capítulo que foi praticamente impossível não me entregar a essa leitura. Eu gostei bastante de como o enredo se desenvolveu, de como ela criou um contraste de como Suzy se sentia antes da amiga falecer e de como ela se sentia agora que ela já não estava mais viva. Isso me fez mergulhar ainda mais na história e conseguir entender a personagem principal como um todo.

Um dos pontos mais positivos do livro é que a autora aborda o bullying de uma maneira que eu não estava esperando. Principalmente porque ele acontecia de uma forma tão sutil que, se eu fosse uma pessoa de fora observando, jamais conseguiria perceber. A construção da personagem também foi muito cuidadosa, e eu gostei bastante que Ali Benjamin optou por fugir dos estereótipos e nos dar uma personagem muito ligada a ciência e com os cabelos rebeldes, crespos e que sofria o mesmo tipo de “criticas” que algumas pessoas semelhantes sofrem.

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Eu nunca pensei que eu fosse gostar tanto de uma leitura, principalmente porque quando eu comecei a ler Suzy e as Águas-vivas, eu não estava com as expectativas tão altas sobre o livro. Ainda assim, Ali Benjamin encontrou a fórmula perfeita para contar uma história e me fez chorar muito mais do que eu estava preparada. É simplesmente desesperador você ver a personagem principal sofrer da forma como ela estava sofrendo e perceber que as pessoas a volta dela não entendem, não percebem. Algo que, se pararmos para pensar, acontece com muitas pessoas.

Suzy e as Águas-vivas foi um dos melhores Young Adults que eu já li nos últimos tempos. Com um enredo envolvente e uma personagem principal que é impossível não amar, Ali Benjamin mostrou que veio para se tornar uma das nossas escritoras favoritas e eu mal posso esperar para que a Verus Editora consiga trazer outras publicações dela aqui para o Brasil. Se você é um leitor que ama Young Adult, esse é um livro que realmente não pode faltar na sua estante.

Resenhas 07nov • 2016

Amor Plus Size, por Larissa Siriani

Vou confessar que faz muito tempo que eu estava curiosa para conhecer o trabalho da Larissa Siriani. Sempre vejo o trabalho dela sendo divulgado nas redes sociais, mas eu nunca tive oportunidade até a Verus Editora anunciar que o mais novo livro da autora, Amor Plus Size, seria lançado pelo selo. O enredo me chamou atenção por tratar de “gordofobia” e “autoaceitação”, um tema que eu vejo ser muito pouco discutido no mundo literário e que precisa ganhar mais espaço entre os leitores, principalmente por causa da representatividade.

Amor Plus Size vai contar a história da Maitê, uma adolescente que vem lutando constantemente para aceitar os seus mais de cem quilos. Com dezessete anos e poucos amigos, Maitê leva uma vida que se divide entre as piadas dos amigos da escola, a pressão da mãe para que ela emagreça e as suas inseguranças enquanto adolescente. Até que, em meio a toda a confusão de sua vida de ensino médio, um acontecimento pode mudar completamente como ela vê a si mesma e como as pessoas a veem.

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Amor Plus Size é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Maitê, que é a nossa personagem principal. Para esse tipo de livro, com essa temática, eu gosto que a narrativa seja em primeira pessoa, porque eu gosto de ver como o personagem reage em determinadas situações. Porém, no caso de Amor Plus Size, eu achei que a personagem principal tinha uma narrativa muito infantil e clichê, como se eu tivesse assistindo um capítulo de malhação, entendem? Os estereótipos do livro são muito exagerados, o que deixou o enredo enjoado e os personagens desinteressantes a ponto de a história ser completamente previsível e acabar se perdendo na mensagem principal.

O enredo não é de todo ruim. Larissa é uma autora que tem muito potencial, mas acho que faltou um pouco mais de cuidado tanto no desenvolvimento da história, quando na criação dos seus personagens. Em alguns pontos, o enredo do livro ficava muito parado e, em outros, ele parecia estar correndo uma maratona. Não consegui encontrar um ritmo para fazer a leitura de Amor Plus Size, todos os “pontos” da história começavam num capítulo e quando você começava a se envolver, ele era resolvido tão rápido que você nem ao menos sabia dizer o que aconteceu.

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Maitê é uma personagem interessante, mas ainda assim, contém muitas falhas. O livro vem com uma mensagem de aceitação que eu não consegui encontrar na personagem principal até que outras pessoas começaram a aceita-la. Eu sei que ela me dizia o tempo todo no livro que estava bem com o seu corpo, mas eu não conseguia sentir isso na narrativa da autora. Além disso, ela tem um comportamento muito imaturo para alguém que tenta passar outro tipo de comportamento. Durante toda a leitura eu senti um certo tipo de “preconceito” da parte dela com outros personagens, talvez como uma forma de escudo para os seus próprios problemas.

Um ponto que me incomodou muito no livro foi o exagero na criação da antagonista do livro, Maria Eduarda, e a utilização de slut-shaming em alguns pontos do livro. Acho que não existe a menor necessidade de você diminuir um personagem de todas as formas possíveis para mostrar que ele está errado em suas atitudes. Me incomodou muito quando, durante a leitura, eu me deparei com a personagem principal se referindo a uma outra personagem, como “vadia”, sendo que ela nem ao menos teve contato com essa personagem para dizer tal coisa.  O que eu quero dizer é que, em vários pontos do livro a autora quer ensinar as pessoas a se amarem como são, mas ao mesmo tempo ela faz isso denegrindo outros estereótipos.

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A parte do livro que mais me tocou foi o relacionamento da Maitê com a mãe, afinal, mais importante do que a aceitação das outras pessoas, ela precisava da aceitação dentro de casa. Ainda assim, acho que a relação delas poderia ter sido tratada de forma mais aprofundada do que realmente foi. A autora deu muito foco ao romance do livro, ao convívio social da personagem e negligenciou bastante o relacionamento dela com a própria família, principalmente quando ela tinha ali um plot com muito potencial, que já conseguiu me tocar e me emocionar em poucos capítulos.

Em geral Amor Plus Size nada mais é do que uma grande filosofia de malhação, que são aquelas histórias românticas onde a personagem principal se descobre apaixonada por uma outra pessoa, que faz toda uma diferença na sua vida etc. Particularmente, eu não gosto muito desse tipo de enredo porque desde a primeira página eu sabia como a história ia se desenvolver. Eu ainda estou muito na expectativa de pegar um livro que não trate uma personagem gorda como coitadinha, como cinderela, mas sim como uma pessoa linda e maravilhosa que ela é, independente do peso, da cor do cabelo etc, o que eu não vi em Amor Plus Size, infelizmente.

Não digo que não é uma leitura válida, porque precisamos muito de mais personagens plus size no universo literário, mas eu acho que a Larissa não entregou muito bem o que estava prometendo na contracapa, deixando algumas falhas no enredo e nos personagens. Ainda assim, acredito que seus próximos trabalhos tenham potencial e espero muito ler outro trabalho dela em breve.

Resenhas 20set • 2016

A Garota do Calendário Abril, por Audrey Carlan

Se você está chegando aqui agora, e não tem acompanhado as resenhas de A Garota do Calendário, deixe-me atualizá-lo do que estamos falando, certo? Mia Saunders precisa de 1 milhão de dólares para pagar a dívida do seu pai com um agiota. Para isso, ela arruma trabalho como acompanhante de luxo na empresa de sua tia afim de pagar a sua dívida mensalmente. A cada mês ela se encontrará em uma nova cidade acompanhada de um homem rico, com quem ela não precisa transar se ela não quiser. Até o presente momento já passamos por Janeiro, Fevereiro e Março, onde tivemos a chance de conhecer homens lindos e sensuais que, contribuíram para a vida de Mia de alguma forma.

Em Abril, nossa heroína tem como cliente um astro do beisebol, Mason, de Boston, que precisa desesperadamente que Mia finja ser sua namorada para melhorar a sua imagem pública. Seria tudo muito fácil, se Mason não fosse o tipo de cara que não consegue ouvir não de uma mulher. Além de ter que lidar com o temperamento difícil do seu mais novo cliente, Mia também que terá que lidar com seus próprios sentimentos, principalmente quando se trata de Wes, o cara que conhecemos em Janeiro e deixou uma marca em Mia que ela mesma não estava preparada.

Garota do Calendário Abril

Preciso começar essa resenha dizendo que A Garota do Calendário tem potencial para ser um livro que vai muito além de sexo, embora a ideia central do livro seja justamente o erotismo do enredo. Porque? Bem, mais uma vez a autora coloca a personagem em uma situação que potencializa seu crescimento no enredo, mas de alguma forma, isso não acontece. Eu realmente estava com grandes esperanças para o cliente de Abril, principalmente porque a situação era completamente diferente dos clientes anteriores – e isso é tudo o que eu posso falar sem spoilers.

Em A Garota do Calendário Abril a autora nos presenteia com um grande conflito emocional envolvendo nossa personagem principal e o cliente de Janeiro, Wes. Apesar de eu gostar da química entre os dois, o relacionamento vem fugindo do controle desde que ele reapareceu no mês anterior, Março. Sempre achei que Mia tivesse controle do que queria e dos seus objetivos, mas acho que quando se trata de relacionamentos, ela tem tendência a meter os pés pelas mãos – e que mulher não faz isso, certo? O problema é que tudo para ela sempre se resume a vontade sexual, o que a leva a tomar decisões que, do meu ponto de vista, a torna infiel ao que diz sentir.

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O sexo de A Garota do Calendário Abril, aos poucos começa a deixar de ser um elemento divertido e instigante na história, para se tornar algo repetitivo e um tanto sem graça. Mason, cliente deste livro, tem uma personalidade agressiva, de homem machista que acha que as mulheres são simples objetos para o seu próprio prazer. Não gostei dele, e nem de como ele se desenvolveu ao longo do livro. Levantar essa bandeira de “mulher certa” e essa mulher certa ter um estereótipo imposto pela sociedade não me agradou. Sabe o “bela, recatada e do lar”? Basicamente.

O enredo teve várias cenas que me deixaram bastante incomodadas durante a leitura. Primeiro, as investidas e os diálogos de Mason e Mia.  No começo as piadas eram engraçadas, mas aos poucos tudo se tornou repetitivo e junto com isso, o enredo se tornou bastante previsível. O que eu realmente não esperava era rever o cliente de Fevereiro, e não gostei nada dos motivos pelo qual o personagem foi trazido de volta a trama. Achei que ele teve um “closer” no segundo livro que foi suficiente.

Garota do Calendário Abril

O único ponto positivo desse quarto volume, e ainda o motivo de eu continuar lendo essa série, é o fato de que Mia é uma personagem fácil de você se identificar. Mesmo com todas as decisões tomadas, eu consigo entender os incômodos que ela tem em relação a Wes, e as inseguranças que ela carrega consigo desde o começo do livro. Ainda assim, acho que Abril foi o mês de menor desenvolvimento da personagem, talvez porque não era esse o foco que a autora tinha para esse livro, ou o próximo volume nos apresentará um desafio ainda mais complicado.

A Garota do Calendário é uma série que desafia qualquer leitor que não goste muito de erotismo, mas ainda assim, se você conseguir focar nos pontos positivos que a autora traz para o enredo, pode ser uma leitura bastante agradável. A escrita da Audrey Carlan não decepciona, e a personagem principal tem o ponto positivo de ser fácil de se identificar. E se você já é um leitor que curte livros com esse tom mais erótico, A Garota do Calendário é uma série que você precisa ter na estante.

Resenhas 19ago • 2016

A Garota do Calendário Março, por Audrey Carlan

Quem está pronto para acompanhar mais uma aventura da nossa queria Mia Saunders? Em Fevereiro acompanhamos Mia sendo musa de um artista francês que, definitivamente, a ajudou a conhecer muito mais sobre si mesma. Essa foi a última missão da nossa heroína antes de embarcar em uma nova aventura, e eu confesso que fiquei muito curiosa para saber quem Audrey Carlan estava preparando para nos apresentar em no mês de Março, e acreditem, eu me surpreendi mais com esse terceiro livro do que eu esperava.

Em Março, Mia viaja para Chicago, a cidade dos ventos, para conhecer ninguém menos do que Anthony Fasano, ex-boxeador, herdeiro de uma cadeia de restaurantes e dono de um corpo moreno que é puro músculo. A missão da nossa heroína durante todo o mês de Março, é convencer a família de Anthony que ela está completamente apaixonada por ele e que os dois estão prestes a dar o passo mais importante de suas vidas. A princípio Mia não entende como um homem tão lindo pode precisar fingir para a família, mas logo ela vai descobrir que tem mais coisas por trás dessa história do que ela imagina.

A Garota do Calendário Março

Confesso que esse enredo me surpreendeu bem mais que os dois primeiros volumes da série, principalmente porque esse enredo gira em torno de uma história completamente diferente do que todos os leitores estavam esperando. O foco de A Garota do Calendário Março não está apenas nos problemas financeiros de Mia, mas também nos problemas de família do seu novo cliente e nos motivos dele ter escolhido contratar uma acompanhante para desempenhar o papel de noiva. Honestamente? Melhor cliente até então, embora Wes ainda seja o meu favorito, Anthony ganhou seu lugar no meu coração.

Gostei muito de como a autora caminhou com a história nesse terceiro volume, principalmente porque deu uma “aliviada” na questão sexual da história. Acho que se eu pegasse mais um livro onde a personagem principal se envolvia sexualmente com mais um cliente, sinceramente? Eu desistiria de tudo. Achei muito importante que, depois de dois primeiros volumes intensos, finalmente a autora nos deu um enredo que aborda assuntos que vão além da vida sexual ativa da personagem, ou da sua situação financeira.

A Garota do Calendário Março

Nesse terceiro volume, não vi muita evolução da Mia como personagem. Quero dizer, tivemos um encontro dela com o agiota que colocou o pai dela no hospital, mas esse foi o único “ponto alto” da personagem durante o enredo. Os personagens secundários como Tony, Hector e Angelina ganharam muito mais destaque para mim e foram bem mais interessantes. Acho que essa foi a única parte frustrante do enredo. Eu queria mais desafio para mia, e, no entanto, as coisas continuam basicamente as mesmas.

Eu gostei de ter conhecido um pouco mais da família da Mia nesse volume, embora tenha sido por poucas páginas. Acredito que já tenha comentado isso em outras resenhas, mas acho que a autora está focando demais no “trabalho” da Mia e muito pouco na parte emocional. Eu sinto que está faltando profundidade na personagem, relacionamento com a família e amigos. Eu sei que isso existe no livro, mas não acho que esteja sendo explorado da forma que deveria.

A Garota do Calendário Março

Eu realmente espero que a autora, em algum dos volumes, crie uma reviravolta impressionante para o livro. Porque, honestamente, a ideia por trás de A Garota do Calendário não é ruim, mas até então eu acho que ainda está faltando alguma coisa no enredo. Não sei, é meio chato pensar que tudo se resume a ela conhecer caras lindos e maravilhosos, ter experiências sexuais perfeitas e ganhar uma boa quantia de dinheiro no final. Estou esperando algo mais desafiador do enredo, algo que realmente me faça querer continuar acompanhando a série.

Confesso que não estou com grandes expectativas sobre o quarto livro da série. Eu realmente espero que a leitura do mês de Abril me traga algo mais interessante para resenhar para vocês, ou que ao menos me surpreenda como leitora, de alguma forma. Ainda assim, tiro meu chapéu para a autora pela criatividade ao criar esse enredo, embora ele tenha potencial para muito mais do que realmente é.

beda-2016

Resenhas 29jun • 2016

No Limite do Desejo, por Katie McGarry

No Limite do Desejo não era uma leitura que eu estava programando para fazer agora, mas quando a vida te dá oportunidades de fazer leituras que você sabe que vai enrolar o máximo que puder, você sai da sua zona de conforto e encara esse desafio. E foi isso que eu fiz. Para quem está vendo a capa de No Limite do Desejo pela primeira vez, é preciso saber que ele é o quarto livro da série No Limite, mas que não é necessário ler os anteriores para entender a história. Assim como em outros New Adults, essa série tem um volume focado em cada personagem da história e nesse volume nós vamos conhecer a história de Haley e West.

No Limite do Desejo conta a história de Haley, uma campeã de kickboxing que, depois de sofrer uma tragédia, decide abandonar de vez o mundo das lutas. Sua vida não está fácil. Com o pai desempregado, ela precisa se dedicar na escola para conseguir uma bolsa na faculdade e ainda dar duro no emprego para conseguir gorjetas suficientes para ajudar em casa. Tudo começa a ficar ainda mais complicado quando seu caminho se cruza com o de West Young e ele, sem pensar, resolve que é uma boa ideia aceitar uma luta de MMA em homenagem a ela.  É assim que Hayle acaba voltando ao ringue, para treinar West. Mas o que deveria ser apenas sobre mantê-lo em pé durante a luta, acaba se tornando algo mais e de repente Hayle se vê lidando com sentimentos que ela não esperava sentir.

No Limite do Desejo

Eu comecei a leitura desse livro com muitas expectativas, principalmente porque eu li muitos elogios sobre essa autora e os seus personagens. Meu primeiro, e talvez principal, problema com o livro foi a narrativa em primeira pessoa com o ponto de vista dividido entre os personagens principais. Se não fosse a indicação em cada capítulo, eu jamais saberia diferenciar a narrativa do ponto de vista da Haley, com a narrativa do ponto de vista do West. Ambos tinham vozes muito parecidas e isso me deixava completamente agoniada e às vezes perdida na história. Além disso, a transição de um ponto de vista para o outro é feito de supetão, no meio de um diálogo ou de uma cena importante, o que me deixava irritada porque acontecia sempre que eu começava a me conectar com o narrador-personagem.

O enredo tem um desenvolvimento muito desconexo. Hora a história flui de uma forma boa, hora a autora se atropela nas informações e muitas coisas começam a acontecer ao mesmo tempo. Os personagens principais pareciam perdidos dentro das suas próprias histórias individuais, nenhum dos dois tinha uma personalidade com a qual eu conseguisse me identificar. Nós tínhamos muitos elementos importantes a serem trabalhados dentro da história, mas eles foram se perdendo ao longo dos capítulos e com eles, a minha vontade de continuar a leitura.

No Limite do Desejo

Não vou mentir, os diálogos são deploráveis. No Limite do Desejo me entregou tudo o que tinha de mais clichê dentro de um romance. Personagens que no começo resistem um ao outro, mas de uma hora para outra resolvem se entregar a uma paixão avassaladora. Dizeres dramáticos e cenas dramáticas que deixariam nosso querido Shakespeare revirando no túmulo. Não é um romance que você compra facilmente, principalmente quando fica muito claro que os personagens funcionam muito melhor como parceiros do que como um casal. Era tudo muito “fantasiado” entende? Eles mal se conheceram e já se queria para a vida inteira, mas tinha aquela enrolação onde um ficava negando seus desejos para o outro, enquanto o outro fazia de tudo para mostrar que eles mereciam uma chance de ficarem juntos. Foi entediante, de verdade.

É fato que nem tudo em No Limite do Desejo é ruim. Analisando de forma individual, os personagens são interessantes, principalmente Haley. A autora tentou criar uma personagem feminina que consegue aguentar qualquer tipo de coisa, e apesar de não ter trabalhado muito bem as fraquezas da personagem, para então fazer com que ela evoluísse, a sua linha do tempo é até mesmo que “satisfatória”, digamos assim. Gostei dos obstáculos que ela superou, gostei de como ela superou. Poderia ter sido melhor? Com certeza, mas considerando o rumo do livro, não acho que iria conseguir algo muito melhor do que aquilo.

No Limite do Desejo

West Young definitivamente não é minha nova paixão, prefiro continuar com todos os meus Maddox. Mas eu tenho que dar um crédito para o rapaz, não é qualquer um que topa pegar briga por uma menina que mal conhece. Uma pena que o personagem não foi bem desenvolvido, ficando para mim apenas como “o saco de pancadas que ama a Haley”. A verdade é que não tem nada nele que eu já não tenha visto em outros livros. Não tem nada nele que me faça pensar nele como uma figura romântica. West é só mais um cara rico com problemas com os pais e que busca na Haley algum tipo de salvação. E é isso. Apenas isso.

Não sei como são os outros livros da Katie McGarry, mas No Limite do Desejo definitivamente não foi um dos meus favoritos. Eu queria um New Adult um pouco mais desafiador, com segredos e dilemas que realmente me fizessem ficar chocada ou ao menos impactada com a história. Os personagens poderiam ser mais realistas também, assim como todos os elementos que compunham a história. Acho que faltou desenvolvimento e muita revisão nesse livro. Acredito que, se você é um leitor que apenas gosta de ler New Adult, esse livro não te terá o menor defeito para você, mas se você procura por um romance que te desafie, com certeza essa não vai ser a melhor escolha de leitura.

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