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Resenhas 27out • 2017

Um Acordo de Cavalheiros, por Lucy Vargas

Romances de época dominam a minha estante desde que o primeiro livro da Julia Quinn, O Duque e Eu, se tornou popular entre os leitores brasileiros. Além de heroínas independentes e determinadas, o gênero aborta do romance em sua forma mais pura, algo que eu gosto muito e que não consigo encontrar em outros gêneros literários.

Quando a Record anunciou o lançamento de Um Acordo de Cavalheiros, eu não podia deixar passar a oportunidade de ler um nacional do meu gênero favorito, não é mesmo? Infelizmente, a escrita de Lucy Vargas não me conquistou tanto quanto eu gostaria e, com um enredo muito lento e cheio de informações confusas, Um Acordo de Cavalheiros, acabou não sendo tudo aquilo que eu estava esperando.

Um Acordo de Cavalheiros conta a história de Dorothy Miller, uma jovem dama de companhia que acaba se envolvendo com o infame Tristan Thorne, também conhecido como o conde de Wintry. Por mais avisada que Dorothy estivesse sobre não se envolver com o homem em questão, nossa heroína sempre esteve determinada a manter a sua independência e, assim, ela acaba envolvida em um acordo com o conde que pode mudar para sempre seus planos.

“- Eu não podia matá-lo, Dot. Não porque subitamente me arrependi de meus pecados. Foi só por você. Não podia mágoa – lá assim. Não aguentaria vê – lá machucada e saber que eu causei isso. Não importa o quanto ele mereça, só você importa para mim. Não quere que ele seja meu presente, quero que seja você. E só posso tê-la em meu futuro se abrir mão de todo resto.”

Eu tinha todas as expectativas para esse livro, principalmente por ser um nacional e, apesar de ter um começo envolvente, Um Acordo de Cavalheiros não entrega tudo o que promete. Meu primeiro problema com o livro foi a quantidade de informação que a autora joga em cima do leitor ao longo dos capítulos intermináveis. Conhecemos diversos personagens que não tem nenhum tipo de função na história e somos apresentados a dois personagens principais com diversas complicações que parecem ser resolvidas de um capítulo para o outro sem nenhuma explicação.

Apesar de eu gostar da escrita de Vargas, Um Acordo de Cavalheiros tem muito mais páginas do que realmente precisa. Em menos de 100 páginas eu já tinha acompanhado diversos dramas entre os personagens principais e secundários e nenhum deles caminhava para a conclusão da história ou ajudava na construção da personagem. Com isso, a leitura foi ficando cansativa demais, como se a história fosse ficar dando volta naquela brincadeira de gato e rato de Dorothy e Tristan que, no começo era até engraçado, mas depois de um certo ponto começou a ser mais do que irritante.

“— Às vezes a vida é mais do que queremos, querida. Temos certos deveres.
— Eu só tenho visto os deveres. Às vezes, as pessoas também precisam conseguir o que querem.
— E para ter o que querem, precisam sacrificar algo.”

Dorothy tinha tudo para ser uma personagem interessante, mas ela acabou se revelando uma heroína bastante sem graça. Dorothy é uma personagem bastante passiva, embora eu tenha tido a impressão de que essa não era a intenção da autora. Todo o drama que ela cria em torno de Tristan Thorne não me parece uma atitude de uma heroína independente e que sabe o que quer. E acreditem, a última coisa que Dorothy sabe durante todo o enredo é o que ela realmente quer. Eu me senti cansada demais acompanhando as idas e vindas dela e Tristan, o que acontece muitas vezes antes mesmo de você chegar na metade do livro.

O romance não me convenceu, mesmo eu tendo todo o tipo de expectativas nele. O último suspiro que poderia me salvar do tédio que era essa história sem fim. Mas Dorothy e Tristan são um casal muito chato, com problemas sérios de comunicação e com a falta daquela boa e velha química. Por mais que eu conseguisse imaginar os dois juntos, nunca os vi como um casal que pudesse realmente se completar. A parte emocional do relacionamento dos dois foi muito pouco trabalhada e talvez isso tenha sido o maior erro da autora quando se trata do romance do livro.

Eu queria muito gostar de Um Acordo de Cavalheiros, mas acho que o enredo não entregou o que eu mais gosto em romances de época. Eu senti falta da emoção da leitura e de personagens fervorosamente apaixonados um pelo outro, mas ainda assim, a escrita de Lucy Vargas tem muito potencial e eu espero ver mais do trabalho dela sendo publicado pelo selo Record em breve.

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