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Resenhas 15set • 2017

Graça e Maldição, por Laure Eve

Eu queria ter uma ideia formada sobre esse livro, mas por mais que eu tente, eu não consigo. Não sei afirmar o que a Laure Eve pretendia quando escreveu Graça & Maldição, mas eu preciso admitir que quando dizem que é um “crepúsculo só que muito ruim”, eu sou obrigada a concordar. Primeiro, o livro é um grande clichê tentando desesperadamente não ser um clichê. Os diálogos adolescentes com aquela profundidade filosófica reviram o estômago e uma personagem principal que não tem nenhuma personalidade só contribuíram ainda mais para que Graça & Maldição fosse mais uma leitura frustrada e entediante para a minha estante.

Mas vamos começar do começo, certo? Os Grace são tipo uma entidade. Todos querem estar com eles, todos querem ser eles. E mesmo as pessoas que não falam muito sobre eles, tem algum tipo de desejo secreto em relação a eles. Existem vários boatos de que eles são bruxos, mas nunca foi confirmado isso. Quando River se muda para a cidade e começa a frequentar a escola dos Grace, ela acaba ficando completamente fascinada por eles também – para não dizer obcecada, até que um dia ela finalmente consegue o passaporte de ouro para andar com os irmãos Fenrin, Thalia e Summer Grace. O problema é que, assim como a família Grace, River também tem os seus segredos e, conforme a trama se desenvolve, as coisas vão ficando cada vez mais obscuras.

Não se enganem, é o que eu digo. Graça & Maldição não é um grande mistério, muito menos um thriller. Também não é um livro sobrenatural sobre magia Wicca, como eu erradamente acreditei que seria. Apesar de Lauren Eve ter uma escrita muito gostosa, a construção do enredo é completamente confusa. Começando pelo enredo, com diversos time-jumps aleatórios que te deixam completamente perdido. Em um capítulo você está lidando com uma situação, no começo do outro já se passou uma semana ou até mesmo um mês e o narrador simplesmente joga na sua cara o que aconteceu nesse meio tempo com flashbacks inseridos no meio do texto sem nenhum aviso. Horrível, não é? Então, fica muito pior.

“Todos diziam que eles eram envolvidos com bruxaria. Eu queria desesperadamente acreditar nisso.”

Os diálogos são o cúmulo do clichê. Vão desde conversas pseudo profundas sobre a vida e a morte, desde discussões vagas sobre As Virgens Suicidas (Sim, o livro). E a autora não economiza nem um pouco nas piadas sem graça e naqueles “momentos” entre a personagem principal e o “crush” dela, seguido por um diálogo completamente estúpido e irrelevante para a história. Eu achei que já tínhamos superado o herói por quem “todas as garotas da escola eram apaixonadas”, mas claramente o mundo todo seguiu em frente, menos a Laure Eve. De verdade que só eu não aguento mais um suposto mocinho que é adorado por todo mundo, que tem todas as garotas a sua disposição e uma heroína esquisita à espera do príncipe encantado? Achei entediante.

Mas as tragédias desse enredo não param por aí. O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da River, mas logo de cara você percebe que ela não é uma narradora confiável porque nem mesmo ela consegue dizer com total certeza o que está acontecendo. E se a narradora não tem certeza, como é que eu vou ter? O plot sobre os Grace serem ou não bruxos é um labirinto sem saída. Você pula de capítulo para capítulo sem ter certeza nem de uma coisa e muito menos da outra e, quando a autora começa a ficar sem saída, o enredo tem uma reviravolta completamente aleatória e sem nenhuma explicação. É igual série cancelada antes da hora onde eles filmam um final de qualquer jeito só para encerrar o assunto? Laure Eve faz isso em Graça & Maldição, só que muito mal.

“O sorriso ameaçava partir meu rosto caso eu não o deixasse vir à superfície, então eu sorri. Eu tinha muitos bons motivos para não fazer aquilo.”

Eu odiei a River como personagem do começo ao fim. Primeiro porque ela passava várias páginas descrevendo o cheiro de baunilha do Fenrin, seus cabelos dourados e seu corpo musculoso. E depois porque ela simplesmente não era verdadeira com ninguém, nem mesmo com ela mesma. Ela “bancava” a descolada sem ninguém estar pedindo isso dela, mesmo quando as pessoas diziam que ela poderia se mostrar sem medo. As próprias paranoias e obsessões que ela criava na própria cabeça eram seriamente perturbadoras e o fato da autora não dar nenhum tipo de explicação para esse comportamento só pioravam as coisas.

E os Grace? Não sei se é educado chamar eles de “a versão pobre dos Cullen”, mas eu não consigo pensar numa referência melhor. Não fica claro no livro se eles têm ou não consciência do que são, ou do que eles fazem com as pessoas, mas eu certamente não gostei dessa vibe “poderosa” que a autora criou para eles no livro. Principalmente quando eles não estavam realmente fazendo alguma coisa para merecerem aquilo. Digo, tudo em torno deles é baseado em boatos claramente distorcidos conforme foram passando de boca em boca. Além disso, a forma passiva com que eles lidam com tudo me deixou muito nervosa – ficou bem claro que nada daquilo ia acabar bem no final das contas.

Mais um dia se vai, e mais uma vez eu estou frustrada com livros sobrenaturais voltados para bruxaria. Eu realmente não sei porque os autores acham que é necessário criar um plot tão complicado, ou tão cheio de coisas aleatórias para se falar de magia. Digo, tem tanto material maravilhoso para pesquisar. Além disso, a autora me fez o favor de deixar isso no ar. Em nenhum momento eu tive certeza do que estava acontecendo, se os personagens eram x ou y e isso foi a cereja do bolo para a minha frustração com essa história. Eu vou entender muito as pessoas que gostarem desse livro, porque eu consigo entender muito bem o porquê, mas eu consigo ver uma boa quantidade de pessoas se frustrando com esse enredo, então leia sabendo que tem boas chances de você não gostar.

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