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Resenhas 13nov • 2017

Tartarugas Até Lá Embaixo, por John Green

Tartarugas Até Lá Embaixo foi um livro muito esperado para aqueles que são leitores inquestionáveis dos livros do John Green. É difícil escolher as palavras certas para descrever a minha experiência de leitura com esse livro quando anos atrás o autor havia se tornado um dos meus favoritos. Publicado no Brasil pela editora Intrínseca, Tartarugas Até Lá Embaixo não chega nem perto de ser uma experiência de leitura agradável. Com uma personagem principal passiva e uma narrativa lenta e cansativa, o livro acaba não entregando tudo o que se espera de “o autor de A Culpa é das Estrelas”.

Meu primeiro problema com Tartarugas Até Lá Embaixo começou logo na parte “sick-lit” do livro. Acredito que nós devemos, supostamente, entender que a Aza tem TOC e que ela vem sofrendo com a doença há algum tempo. O problema é que o autor não desenvolve o quadro dela de uma forma inteligente, deixando o leitor preso nos sintomas e nas crises de ansiedade sem entender muito bem o que está acontecendo. Eu mesma demorei algum tempo para me ambientar no que a personagem estava dizendo quando se tratava do distúrbio que ela tinha.

A narrativa em primeira pessoa, do ponto de vista da Aza, é bastante claustrofóbica. A personagem tem divagações profundas sobre a sua doença e faz com que o leitor fique preso dentro do seu redemoinho de preocupações. Em geral, para um livro onde a ansiedade é um dos temas principais, isso não é ruim. O problema começa quando a personagem principal não tem nenhum tipo de evolução durante mais da metade do livro e você se vê preso a um enredo que não caminha para lugar nenhum, e isso torna Tartarugas Até Lá Embaixo um dos livros mais cansativos que eu já li este ano.

“É muito estranho: sabemos que a nossa cabeça é doida, mas mesmo assim não conseguimos fazer nada em relação a isso, entende? Não é que a gente se iluda achando que comportamentos desse tipo são normais. A gente sabe que tem um problema. Só não consegue descobrir o que fazer para consertá-lo.”

Comparado com outros livros do John Green, o enredo de Tartarugas Até Lá Embaixo é muito fraco e pouco desenvolvido. O autor faz referências excessivas a Star Wars e, tudo bem, eu sou muito fã da franquia também, mas iniciar diálogos intermináveis sobre o universo de Star Wars sem que o assunto agregasse de alguma forma ao enredo foi um verdadeiro tiro no pé. Eu sei que a ideia era ajudar na construção da Daisy, a melhor amiga da personagem principal, mas já ficou claro que ela era muito fã de Star Wars no começo do livro, não precisava forçar tanto.

Aliás, para uma personagem secundária, Daisy roubou completamente o livro para mim. Na verdade, eu queria que Tartarugas Até Lá Embaixo fosse sobre ela e não sobre a Aza. Os diálogos da Aza eram cansativos, ainda mais quando eu já estava na cabeça demais por mais tempo do que é saudável para alguém e os diálogos com a Daisy foram o meu bote salva-vidas nesse livro. Eu sei que provavelmente Green não tinha a intenção de que uma personagem secundária tirasse o foco dos problemas da personagem principal, mas Daisy era um alívio para mim sempre que ela aparecia no livro.

“O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha senão senti-lo.”

Eu passei boa parte de Tartarugas Até Lá Embaixo achando que o livro não ia chegar a lugar nenhum – e não chegou. Mesmo quando conhecemos Davis e devemos acreditar que ele e Aza se entendem de uma forma única, eu sentia que alguma coisa não estava muito certa nesse “romance”. O relacionamento parecia muito fora de contexto se você juntasse com tudo o que estava acontecendo, em segundo plano, na vida do Davis. E, no final, as coisas ficaram quase que “por isso mesmo”. É como se o livro tivesse terminado de uma forma bem abrupta e vários pontos soltos foram deixados, embora eu possa afirmar que John Green tentou dar um final aos seus personagens.

Tartarugas Até Lá Embaixo foi uma leitura um pouco torturante para mim. Eu esperava compreender melhor a Aza de alguma forma, mas quando eu cheguei ao final do livro eu só consegui sentir raiva dela. Eu conseguia visualizar os seus problemas e entender todas as suas crises, mas no final eu só conseguia vê-la como uma garota egoísta que só pensava nos próprios problemas. Digo, como pode uma pessoa que diz querer melhorar não fazer o mínimo de esforço para tomar ao menos os medicamentos? Eu não consegui me conectar com isso.

Eu esperava algo muito mais desafiador do que cansativo quando eu li Tartarugas Até Lá Embaixo, mas John Green conseguiu me desapontar em todos os quesitos em que, anos atrás, fez com que eu me apaixonasse pela escrita dele. Os personagens são fracos e vazios, o enredo não prende e não faz com que você queira levar a leitura até o final e a história em si é uma forçação de barra atrás da outra. Definitivamente, Tartarugas Até Lá Embaixo não é o livro pra mim – e digo isso porque nem o título do livro eu consegui entender muito bem.

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Resenhas 23ago • 2016

Raio de Sol, por Kim Holden

Raio de Sol (Bright Side #1) é o primeiro livro da série de mesmo nome da autora americana Kim Holden, cuja história contada é a de Kate – não Katherine, pois sua mãe nunca teria lhe nomeado desta forma. O livro veio ao Brasil editado pela Planeta, sob o selo Outro Planeta, da mesma e possuí 441 páginas. Nele, conhecemos a trajetória de Kate, Katherine, Raio de Sol ou Katie, que vê sua vida mudar ao sair da Califórnia para estudar em Grant, Minnesota.

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Kate Sedgwick (Raio de Sol), teve uma vida difícil e precisou crescer rápido: sem pai, com uma mãe alheia ao seu papel e uma irmã pequena para cuidar. Apesar desse passado emotivo, forte e consideravelmente difícil, a garota se mostra extremamente otimista a respeito de tudo, sendo, por isso, apelidada de Raio de Sol, por ser exatamente assim vista pelas pessoas com quem encontra e convive. E nem mesmo seu humor seco e sarcástico levam sua personalidade para um lado pesado: muito pelo contrário, já que é impossível enxergar como negativa uma garota que customiza suas próprias blusas e atura pagar uma conta gigantesca de sushi que ela nem come, por ser vegetariana, com suas economias do cartão de crédito de emergência.

Figuras como uma tia problemática, um melhor amigo rockstar, um namorado super gente boa e pai de uma menininha fofa, uma colega de quarto super peste, um novo melhor amigo gay, dentre outros tipos específicos aparecem na história. A construção dos personagens é razoável, e durante a leitura vemos que eles se encaixam e, no contexto, funcionam. Infelizmente, por conta da minha atenção ter sido tomada totalmente por outros aspectos do livro, não consigo traçar um perfil dos personagens para descrevê-los, com exceção da própria Kate, já que a menina é protagonista e acabou me recebendo um pouco de atenção especial da minha parte. O ritmo da história é um pouco lento, e, para leitores emotivos, talvez emoções sejam ativadas com o teor de drama envolvido. Talvez…

“Segredos. Todo mundo tem um. Alguns são maiores que os outros. Alguns, quando revelados, podem curar você…E outros podem acabar com você.” – Kim Holden, na contracapa do livro.

Na capa lemos o seguinte texto: “Todo mundo tem um segredo. O dela é sempre ver o lado bom das coisas”. E, dessa necessidade que a autora sentiu em falar sobre segredos e reforçar que todo mundo tem, ou que vão existir muitos na história, você já vai com aquela expectativa. Pelo menos eu fui, e me dei um pouco mal: os segredos até estão lá, mas não tão escondidos…foi algo como: gato escondido com o rabo de fora. E isso também serviu para que o famigerado desânimo me atingisse.

Um outro ponto que gostaria de citar, é o fato de que por mais legal que eu tenha achado o livro, os personagens e o enredo, tive muito a sensação de déjà vu. A todo momento eu me recordava de um livro, de um filme, todos destinados ao público adolescente, ou no máximo jovem adulto, talvez pela situação da Kate saindo de casa e pegando a estrada sozinha (aquele ar de independência), o fator Califórnia, ou o drama de largar seu melhor amigo – e ter tido um envolvimento físico com ele – e ambos seguirem rumos diferentes, mas tentando salvar a amizade; a vida universitária e as novas amizades, então?! Juro que tentei evitar, mas era impossível parar as imagens de filmes e histórias que já li antes.

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Sei que, para uma leitura ser efetiva, proveitosa, precisamos estar abertos ao que o autor nos propõe e às possibilidades que a história traz. Infelizmente, talvez o momento não tenha sido propício para que esse livro fosse minha leitura, mesmo com a boa vontade que tive e com o esforço e a soma do deja vú: acabei sentindo um pequeno desânimo. Queria novidade e cadê?

Por conta de todo esse meu relato, eu não posso dizer que essa leitura me agradou. Não teve como, nem mesmo com muita tentativa, e esse não é o livro que eu vá querer pegar e dar uma segunda chance: magoou *insira carinha triste aqui*. Por mais que alguns aspectos tenham sido legais, como a personalidade e história da Kate, a relação dela com o Gus, com os amigos que foi fazendo na faculdade e sua forma de lidar com tudo eles foram escassos perto do que me incomodou.

Espero, sinceramente, que só eu tenha tido esse problema com o livro, porque é bem ruim se decepcionar com uma leitura quando você cria um tiquinho de nada de expectativa. E olhem como sou: a sequência do livro, intitulada Gus (Bright Side #2) foi lançada pela autora no ano passado, 2015, que traz Gus como principal, me chamou um pouquinho de atenção, da mesma forma que Raio de Sol havia chamado. E agora, José?!

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Resenhas 06dez • 2015

Uma vida para sempre, por Simone Taietti

Uma vida para sempre é uma publicação de 2014, sob o selo Novos Talentos, da editora Novo Século e, por fim, publicado pela Simone Taietti. Um livro que traz romance, drama, boa escrita e personagens bem construídos, além da história de Ethel, uma jovem que vive com CIPA: sigla inglesa para Insensibilidade congênita à dor e Anidrose. Vive também com os super cuidados da mãe, que a coloca quase numa bolha, e seus amigos são os pacientes do hospital em que se trata.

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Apesar de não sentir dores físicas, Ethel é humana: suas condições a tornaram forte, porém não inabalável. Além disso, Ethel é ciente de que a morte vem para todos, que não há mistério sobre, e se considera boa em lidar e ajudar pessoas a lidarem com o tema. É tão boa nisso, que sabe que sua morte não tarda: é o esperado para alguém com suas condições, oras. Toda essa habilidade em lidar com morte parece começar a se modificar quando Max, um de seus amigos e paciente do hospital, morre, e suas certezas continuam se modificando enquanto/quando ela conhece Vitor. Mudanças acontecem em sua vida, mudanças significativas e, a menina acaba nos ensinando o quão fortes podemos ser, o quão frágil é a vida, e como é difícil ler esse livro sem ficar com o coração apertado, desculpa.

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A personagem principal do livro tem dezessete anos, super inteligente, mas que não estudou sempre em escola por conta de suas condições e acabou se isolando de todos – menos dos pacientes, quase todos, que ela conhece no hospital. É uma personagem forte e sábia, filha de uma professora e orfã de pai. Perdeu contato com Catarina, que costumava ser sua melhor amiga. Enquanto Ethel só quer ter um restinho de vida “normal”, sua mãe parece não conseguir deixar a proteção de lado, mantendo-a em casa e apenas querendo que a filha tenha amizades comuns a alguém de sua idade. A entrada de Vitor na história acaba dando um grande up no enredo, já que é uma pessoa completamente nova na vida de Ethel, e em uma situação que ela não esperava.

 

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Com uma escrita excelente, Simone Taietti nos lembra o quão importante é viver, o quão finita é a vida e como as coisas podem ser vistas de pontos de vista diferentes. Eu não sei nem descrever. O livro é narrado em primeira pessoa, em forma de diário de Ethel. Inicialmente, a leitura não me prendeu muito, confesso, mas isso mudou completamente quase quando cheguei à metade do enredo. Talvez porque eu tenha começado a compreender Ethel melhor, e eu realmente me apeguei à personagem. A capa desse livro me parece tão sutil, nem parecia que o texto por dentro me faria sentir um turbilhão de coisas, viu?!

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É um pouco difícil não lembrar de um outro livro do gênero sick-lit, o famoso A Culpa é das Estrelas, porque temos itens em comum. Apesar disso, não é nenhuma cópia: Uma vida para sempre tem um enredo original, consegue passar uma boa mensagem e me deixou atordoada (de um jeito bom, eu juro), pensativa. Reconheço, não é a primeira vez, que foi uma uma resenha difícil de fazer porque o livro mexeu comigo e eu tive dificuldades em focar em alguns aspectos que poderiam ser ditos aqui: eu poderia ter falado mais sobre os personagens do que ter explicado como o livro me fez pensar em coisas, por exemplo. É um livro que pretendo fazer uma daquelas releituras, sabe? Enfim, recomendo para aqueles que gostam de romance, de um drama, de reflexões e, claro, de um nacional bem escrito.

 

Resenhas 04nov • 2015

Tudo e Todas As Coisas, por Nicola Yoon

Que tal falarmos hoje sobre um livro que veio para derrubar todos os forninhos? Uma das coisas que me fazem amar a Editora Novo Conceito, é como ela é capaz de encontrar aqueles livros esmagadores, que fazem o nosso coração apertar e nos deixam com o coração na mão. E dessa vez, ela vai trazer para gente, em 2016, um livro que vai deixar todo mundo enlouquecido numa livraria, juntando moedinha e pedindo pelo amor de Deus pra ter na estante. Estou falando de Tudo e Todas As Coisas da Nicola Yoon

Madeline é uma menina de 18 anos que sofre de uma doença chamada IDCG. Essa doença faz com que ela tenha alergia a praticamente tudo, impossibilitando que ela saia de casa e tenha uma vida normal como todos os outros adolescentes. Para Madeline, viver é algo complicado. Sua casa é milimétricamente limpa, as paredes do seu quarto são brancas e ela passa os dias na companhia da sua mãe e da sua enfermeira, Carla. Seu passatempo são os livros. Lê-los é um processo e além disso, ela costuma resenhar todos eles.

Tudo e Todas As Coisas

Sua rotina começa a ficar diferente quando os novos vizinhos chegam. Curiosa, ela começa a observar a rotina dos novos vizinhos, e acaba começando uma amizade virtual com o filho do casal, Olly. O problema é que conversar com Olly pela internet não é o suficiente pra ela. Madeline quer conhece-lo. E com a ajuda da sua enfermeira, ela consegue encontrar com o garoto dentro de casa com a única condição de que eles não podem se tocar. O único problema é: como o corpo frágil de Madeline pode aguentar toda a paixão que sente por Olly? Será possível para ela viver uma história de amor sem colocar sua saúde em risco?

Um enredo de arrepiar até o último fio de cabelo do seu corpo, não? Tudo e Todas as Coisas é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Madeline e combinado com uma escrita envolvente e maravilhosa da Nicola Yoon, acompanhamos todos os anseios e medos dessa personagem como se estivéssemos do lado dela durante todo o enredo. Sabe aquela sensação de mergulhar na história e conseguir visualizar cada uma das cenas do livro? É exatamente isso que aconteceu comigo durante a leitura de Tudo e Todas As Coisas.

Tudo e Todas As Coisas

Confesso que eu fiquei um pouco preocupada ao me ver lendo outro sick-lit. Durante muito tempo eu procurei evitar um pouco essas leituras por encontrar sempre enredos parecidos. Porém, Nicola Yoon trás algo a mais para nós, uma personagem que não pode, em hipótese alguma ter contato físico com outra pessoa. O impacto que essas limitações têm na história é simplesmente arrebatador. Eu conseguia sentir a tristeza da personagem, a falta que ela sentia das coisas que ela não teve chance de conhecer.

A mãe dela foi uma das personagens que eu mais gostei quando se trata da construção do enredo. Depois de ter perdido o marido e filho, era muito natural que ela fosse protetora com a filha doente. Por mais que eu não concordasse com certas coisas dentro da história, eu conseguia ver o lado dela. Afinal, qual mãe não protegeria um filho que precisa de proteção?

Tudo e Todas As Coisas

Maddy, diminutivo para Madeline, é encantadoramente madura, provavelmente derivado dos livros que leu durante toda a sua vida. Quando ela se apaixona, fica impossível não torcer para que aconteça alguma coisa que permita que ela vá viver essa paixão. Essa leitura é uma mistura de emoções tão intensas que fica difícil colocar em palavras. Precisa ser lido! Vocês precisam desesperadamente ler este livro!

Os capítulos do livro não são muito grandes, mas todas as informações neles compõem a história muito bem. O romance – que era uma das minhas maiores preocupações no livro – não é forçado, pelo contrário, é tão lindo de você ver acontecendo que seu coração vai derretendo aos poucos. Dá muita vontade de apertar aqueles dois de tão lindo que é esse romance. Fora aquele desespero de querer vê-los juntos, prefiro nem dizer como eu fiquei desesperada – sério!

Tudo e Todas As Coisas

A escrita da Nicola é algo que eu nunca tinha experimentado antes. Ela tem um jeito muito dela de contar uma história, e que acabou combinando perfeitamente com o enredo e todo o universo que ela construiu para a história. É muito raro pra mim encontrar uma autora que consiga me ganhar de primeira, mas Nicola Yoon tem aquele algo mais que eu adoro!

Felizmente, Tudo e Todas As Coisas estará nas livrarias em 2016 pelo selo da Novo Conceito. Queria muito agradecer à Editora por ter enviado uma cópia sem edição dessa história maravilhosa e ter dado ao La Oliphant a oportunidade de compartilhar com vocês a maravilha que é este enredo. Adivinha quem vai ficar roendo todas as unhas até ver esse livro em todas as livrarias? Eu!

Imagens via: graceslibrary

Resenhas 04out • 2015

Zac e Mia, por A.J. Betts

Escrito pela escritora australiana A.J.Betts, Zac e Mia é um romance bem realista, com pitadas bem administradas de drama, publicado aqui no Brasil pela Novo Conceito. O livro possui 288 páginas, é dividido em quatro partes e sua narração é revezada por ambos os personagens principais que, inclusive, nomeiam a obra. São eles Zac, um garoto de 17 anos que já passou e ainda passa por um longo e esgotante tratamento contra a leucemia, e Mia, uma portadora de osteorssarcoma da mesma idade, porém com um nível de aceitação bem diferente em relação à doença que possui.

Tudo começa quando Zac ganha uma nova vizinha de quarto no hospital e, até aí, nada novo sob o sol. O único problema é a Lady Gaga em volume exorbitante, que acaba servindo como pretexto para que ambos comecem a se comunicar, inicialmente por meio de batidas. Toc, toc, toc: não era Morse, não tinha significado; mas significou o começo da amizade entre um ótimo esportista, viciado em buscar estatísticas e depoimentos de portadores de câncer no Google e uma garota revoltada, que vive das aparências típicas da vida de uma adolescente popular, bonita e com um namorado digno de tais aparências.

Zac e Mia

Nas quatro partes em que o livro é dividido, vemos o desenrolar dessa história. Passamos pela relação de Zac (Helga, para os mais íntimos) com o hospital, local que já está tão acostumado a habitar, por conta das diversas sessões de quimioterapia e quarentenas; com as enfermeiras, sendo Nina, a enfermeira dos prendedores infantis, a mais presente em sua rotina, e com outros pacientes mais jovens, como Cam, o surfista – já que não é um hospital infantil e Zac é o paciente mais jovem em tratamento. Temos contato com a rotina da mãe de Zac, sua acompanhante diária e que “não larga o osso” nem quando o próprio filho a “expulsa”, que vive na base do chá, bolinhos e palavras cruzadas.

Conhecemos Mia um pouco mais a fundo, assim como seu relacionamento conturbado com sua mãe e sua vida de fachada cheia de amigos incontáveis e likes no Facebook, eventos em que ela nunca está presente e mentiras sobre sua perna que sempre está dolorida, nunca com um câncer localizado.

Zac e Mia

Zac e Mia é o tipo de livro que pode ser facilmente comparado com A Culpa é das Estrelas – e eu juro que comparei quando li a sinopse. Não só comparei, mas também pensei que seria um daqueles sick-lits dramáticos e enjoativos que me fariam chorar ou achar o drama exagerado. Se eu estava erradinha? Mas é claro que estava, pois Zac & Mia pode até se encaixar na mesma categoria de A Culpa é das Estrelas, mas é completamente diferente. A começar pelo desenvolvimento da relação entre os personagens, que acontece em seu próprio tempo, sem empurrõezinhos da parte da autora com o intuito de correr com o enredo e entregar cenas de romance para o leitor.

A narrativa é espontânea, o que não significa que a autora deixa de lado tudo o que precisa ser dito, ou mesmo as palavras que podem facilmente conferir uma carga extra de drama, e a melhor parte é que ela as aplica com sabedoria. Pois é, meus amigos.

Zac e Mia

Os personagens são bem construídos, assim como seus relacionamentos. A relação de Zac com sua família é incrível, e é fácil perceber que nenhum laço, nenhum personagem nesse núcleo é forçado. É legal ver a dinâmica entre os pais dele, seu irmão mais velho Evan e sua irmã mais velha Bec, casada e grávida, e seu dia-a-dia em uma fazenda com mini-zoo e oliveiras. Da mesma forma, é maravilhosa a construção do vínculo entre Mia Phillips e sua mãe, que passa, do nada para, de pouco a pouco, algo bem melhor que isso e, se eu der qualquer informação a mais sobre essa parte, será spoiler.

Zac e Mia

Também gostaria de citar a forma com que a autora lida com o tema morte, num livro que fala sobre câncer e tudo mais. Não, ela não usa esses itens de forma melosa e abusiva, falando disso o tempo todo e utilizando como argumento para que os personagens sejam chatos e mimizentos, o que eles não são, definitivamente.

Enfim, Zac eMia é um livro que eu recomendo bastante, tanto por ser bem escrito, planejado e executado, quanto por ter mexido bastante comigo, que sou bem envolvida no universo oncológico, de forma positiva e nada piegas. Recomendo para quem procura um drama ou romance – ou mix entre os dois – com certo realismo, mas na medida certa. Aquele pézinho na realidade e cabeça nas nuvens, sabe?! Enfim, leiam, mas preparem seus lencinhos e não se esqueçam de voltar aqui para que me contem o que acharam da leitura (talvez a gente se abrace por causa do final, hoho). Não é uma história isenta da possibilidade de algumas lágrimas caírem, fica a dica.

Resenhas 30jun • 2015

Como Viver Eternamente, por Sally Nicholls

Como Viver Eternamente é um Sick-Lit escrito pela autora Sally Nicholls e publicado no Brasil pela Editora Geração. A autora escreveu este livro quando tinha apenas vinte e seis anos e já foi publicado em 16 países.

Sam é um garoto de onze anos quase como qualquer outro – curioso e cheio de perguntas a serem respondidas. A única diferença é que ele foi diagnosticado com leucemia e por isso precisa de um acompanhamento médico, o que o impede de ir para a escola com os outros garotos, mas ao mesmo tempo, não o impede de viver.

Em uma atividade passada por sua professora particular, Sam começa uma espécie de diário pessoal, onde rascunha um pouco sobre a sua vida como um garoto de onze anos, sua experiência com a sua doença e todas as perguntas que ele gostaria que fossem respondidas. É ao longo dessa narrativa que vamos conhecendo um pouco mais sobre este personagem e podemos descobrir se é realmente possível viver eternamente.

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A narrativa do livro é toda feita em primeira pessoa, do ponto de vista de Sam. Acompanhamos desde antes do inicio das anotações, até quando as mesmas terminam. O que mais me encantou nessa narrativa, foi a forma simples e delicada que a autora escreveu contar os fatos na visão de um garoto de onze anos. Do meu ponto de vista, não há o que criticar, porque é exatamente essa narrativa que faz este livro ser absolutamente encantador.

“Não preciso ir para o hospital nunca mais. O Dr. Bill me prometeu. Tenho de ir à clínica – e só. Se eu ficar bem doente mesmo, posso ficar em casa. Isso porque vou morrer. Provavelmente.”

O enredo é o mais simples que vocês podem imaginar, mas é uma simplicidade que comove. Meu primeiro contato com esse livro foi através de outras resenhas, eu não sabia o que esperar desse sick-lit depois de já ter lido tantos parecidos, mas Sally Nicholls encontrou a sua própria forma de ganhar meu coração e me fazer chorar durante toda a leitura.

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Ao contrário do que todo mundo pensa, este não é um daqueles sick-lits como A Culpa é das Estrelas. Não estamos falando de um romance, mas sim de um garoto de onze anos, pequeno para a sua idade, de cabelos castanhos que estão crescendo aos poucos que resolve contar, por si só, um pouco da sua vida. Se isso inclui a experiência com a leucemia? Com certeza, mas a beleza dessa história vai muito mais além de tratamentos médicos e hospitais.

“Na minha velha escola, costumávamos preparar ciclos de vida. Sei tudo sobre o ciclo da água, o ciclo do carbono e o ciclo do nascimento das estrelas. Tem a ver com coisas velhas que morrem e coisas novas que nascem. Velhas estrelas formando novas. Folhas mortas se transformando em plantinhas. Pode ser algo que morre ou pode ser algo que nasce. Depende do ângulo que se escolhe.”

Sam é de uma inocência que te emociona do primeiro capítulo ao último. Eu me conectei de tal forma com o personagem que conseguia visualizar com perfeição cada uma das cenas, como se fizesse parte dela. A sua simplicidade em ver as coisas que estavam a sua volta fazia o meu coração doer, e sinceramente? Esse livro foi uma das minhas leituras mais difíceis.

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Por mais que o livro fosse narrado do ponto de vista do Sam, a sua narrativa era muito sincera, então eu conseguia visualizar com muita clareza os personagens secundários da história, principalmente a relação que os seus pais tinham com a doença dele. Não era uma situação fácil, e cada um deles tentava lidar da melhor maneira possível, o que me fez entender que cada pessoa tem a sua própria forma de lidar com a dor.

“Não tem sentido ter desejos se a gente pelo menos não tentar realizá-los.”

A amizade dele com Félix foi o que mais me tocou durante todo o livro. E eu confesso que é muito difícil escrever essa resenha sem ter vontade de chorar e sem dar nenhum spoiler da história. Mas, na simplicidade e limitações da amizade deles, acho que ambos encontram uma forma própria de passar pela doença sem se sentir realmente doentes. Pra mim isso foi ápice de lindeza dessa história.

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Como Viver Eternamente foi a minha primeira experiência de leitura com a Sally Nicholls e eu não tenho palavras para descrever o quão maravilhada eu estou com a escrita dessa autora. Com a sua narrativa simples e com o seu enredo encantador, ela deu vida a um personagem que nos ensina muito mais do que só a vida de um garoto de onze anos, mas também nos mostra a apreciar nossos sonhos e a nossa vida.

Sei que muitos já estão saturados de sick-lit, mas se você ainda não colocou Como Viver Eternamente na estante, acho que deveria realmente dar mais uma chance a esse gênero literário e ler este livro em particular. É uma leitura que vai surpreender a todos.

Resenhas 28abr • 2015

A Mais Pura Verdade, por Dan Gemeinhart

A Mais Pura Verdade é um Sick-Lit escrito pelo autor Dan Gemeinhart e publicado no Brasil pela Editora Novo Conceito. Este é o primeiro livro do autor publicado no Brasil e também é o seu livro de estreia.

Mark é apenas um garoto comum como todos os outros. Possui um cachorro chamado Beau e uma melhor amiga chamada Jesse. Seus pais são amorosos e o conhecendo pessoalmente diria que ele tem uma vida bem feliz. Seu maior sonho é poder escalar uma montanha, mas não é isso que faz dele diferente dos outros garotos.

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Ele tem câncer. E depois de anos de tratamento e a ideia de que já havia vencido a doença, Mark descobre que seu câncer está de volta e decide então fugir de casa para realizar o seu sonho. Deixando para trás a família e a melhor amiga, ele parte na companhia de seu cachorro em direção a uma aventura para chegar ao topo do Monte Rainier.

O livro trabalha com dois tipos de narrativas distintas. A primeira, e também a narrativa principal, é em primeira pessoa narrada pelo próprio Mark contando detalhadamente cada passo de sua jornada. A segunda é em terceira pessoa, onde o autor revela o impacto que a fuga de Mark tem em sua família e principalmente na sua melhor amiga.

“Na manhã seguinte, eu estava duro, dolorido e morrendo de fome – mas estava vivo, e mais determinado do que nunca a chegar ao fim da minha missão. Não havia chegado até aqui e sobrevivido a tudo isso só para desistir agora. Essa é a mais pura verdade.”

O enredo se desenvolve de forma que o leitor simplesmente não consegue deixar o livro de lado até que o personagem principal chegue ao seu destino. Porém, duas coisas me deixaram muito incomodada na forma que o autor escolheu desenvolver a história: Os fatos importantes nunca são revelados pelo personagem principal durante a sua narrativa, mas nos pequenos trechos em terceira pessoa que aparecem entre os capítulos do livro. O autor também inseriu muitas referencias ao título do livro dentro da narrativa, ou seja, em vários capítulos há a frase “E essa é a mais pura verdade”.

Eu não entendi muito bem qual a necessidade que o autor encontrou de fazer toda essa referência ao livro, mas apesar de ter me incomodado um pouco na leitura, não foi o suficiente pra que eu não desse uma chance ao seu enredo e personagens. Pelo contrário, a ideia geral do livro é simplesmente fascinante.

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Preciso dizer que Mark é um personagem que me deixou completamente agoniada do inicio ao fim do livro, principalmente porque nos primeiros capítulos eu não tinha ideia do porque ele queria tanto fugir e deixar tudo para trás, e conforme seu personagem ia se desenvolvendo na história e enfrentando cada dificuldade, eu tinha uma vontade enorme de abraçá-lo.

Apesar do autor não ter dado tanto foco em Jess, ela foi uma personagem que me conquistou. Mesmo sabendo dos riscos que o melhor amigos estava correndo, ela fez o que era necessário para apoiá-lo até onde era possível, e acho que é necessário ser uma amiga muito verdadeira e fiel para se dispor a fazer algo assim. Além disso, temos também o Beau, o cachorro de Mark que o acompanha durante toda a sua jornada e que é um personagem não só encantador, mas também fundamental para deixar a história ainda mais emocionante.

“Mas é o que ele tem. E os hospitais são um saco. E os tratamentos são um saco. Os amigos vendo tudo isso são um saco. Ver seus pais chorarem é um saco. Então, talvez ele só queira escalar uma montanha e desaparecer.”

Antes de finalmente me dedicar à leitura de A Mais Pura Verdade, eu passei semanas acompanhando as resenhas e as impressões de outros blogs literários para ter uma ideia do que me aguardava ao ler este livro. E sinceramente? Foi uma leitura que, apesar dos seus altos e baixos, valeu muito a pena pra mim. Dan Gemeinhart tem uma escrita que te induz a sentir tudo o que o personagem está sentindo e isso é simplesmente maravilhos.

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Em muitos pontos do livro eu senti vontade de chorar. No começo eu não entendia o que o Mark queria com tudo aquilo, mas assim que eu consegui me colocar no lugar do personagem e sentir tudo aquilo que ele sentia, não consegui evitar e chorar. Não tem como, não com uma leitura tão emocionante como é A Mais Pura Verdade.

Confesso que foi realmente uma surpresa pra mim gostar tanto desse livro quando eu gostei, e me emocionar tanto quanto eu me emocionei. É um enredo simples, uma leitura fácil de se envolver e também um dos livros mais emocionantes que você vai ler nos últimos tempos. É certo que todos os leitores de A Culpa É das Estrelas, vão se apaixonar por Dan Gemeinhart tanto quanto se apaixonaram por John Green.

Resenhas 26abr • 2015

Uma História de Amor e TOC, por Corey Ann Haydu

Uma História de Amor e TOC é um sick-lit escrito pela autora Corey Ann Haydu e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. Este é o primeiro livro da autora publicado no Brasil, também sendo o seu livro de estreia.

Depois de um término de namoro conturbado, Bea começou a fazer visitas frequentes a Dra. Pat para tratar de seus problemas de compulsão. Quando tem crises de ansiedade, Bea sente a necessidade de se preencher de informações sobre outras pessoas, observando-as e também anotando-as em um caderno particular. É exatamente isso que acontece em relação a Austin, um paciente de sua psicóloga que Bea tem uma profunda obsessão. Ela procura saber o máximo sobre ele e a esposa através de suas sessões com a Dra. Pat e anota tudo em um pequeno caderno.

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Quando começa a frequentar um grupo de apoio, Bea acaba se aproximando de Beck, um jovem da mesma idade que ela que também sofre de TOC. Ao contrário de Bea, Beck tem compulsão por malhar e limpeza, lavando as mãos sempre 8 vezes, durante 8 minutos e por aí vai. Ao se envolver cada vez mais com o garoto, Bea começa a se apaixonar, mas seria essa paixão o suficiente para fazê-la parar com suas compulsões e deixar Austin para trás?! Será que Beck seria capaz de entender o seu TOC?!

O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Bea. Passamos todos os capítulos do livro imergindo nas suas compulsões e conhecendo melhor o que causa toda a sua ansiedade. Por um lado, achei essa escolha de narrativa perfeita para a história. Acompanhar Bea desde o começo do livro me fez entender o que a deixava nervosa, de onde vinha sua ansiedade e porque ela tinha aquela necessidade absurda de ver Austin ou de reler suas anotações sobre ele.

“Acho que para algumas meninas se apaixonar é uma espécie de fraqueza, uma vontade de desistir de todo o resto. Mas pra mim, na minha forma e corpo e coração, se apaixonar é o oposto. É a coisa mais forte que já fiz.”

Porém, apesar da narrativa ter valorizado a história, o desenvolvimento do enredo me incomodou um pouco. Tudo acontece em um ritmo lento e os personagens se desenvolvem muito pouco ao longo da história. Apesar do curto espaço de tempo em que se passa a história, a autora vai deixando algumas informações sobre a personagem para o final, o que faz com que a gente demore um pouco para entender os fins de muita coisa que acontece no livro.

Particularmente, eu gostei muito dos personagens. Tenho pra mim que Bea é desafiadora, tanto para quem está lendo, quanto para os outros personagens do livro. Apesar de ter consciência de suas compulsões, ela parece ter medo de admitir para si mesma que precisa de ajuda, que precisa melhorar e que o tipo de compulsão que ela tem não é seguro para ela, nem para as outras pessoas.

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Em alguns pontos do livro, isso me deixou um pouco incomodada. Durante vários capítulos, quando eu pensei que ela ia ter ao menos uma pequena evolução, ela sempre voltava para a estaca zero sem nem ao menos tentar ou se esforçar, e isso me fazia questionar se em algum ponto da história ela se daria conta do que estava fazendo.

Um personagem que gostei muito foi Beck, e queria demais me aprofundar nele dentro da história. Sua compulsão era complicada. Ele tinha necessidade malhar, então seu corpo acabava sendo igual a de um fisiculturista. Ele chamava a atenção na rua por causa do seu tamanho e a sua necessidade de sempre se manter na regra do oito. Achei que a compulsão dele, de todas apresentadas durante a história, era a mais interessante, e foi uma pena que a autora não tivesse explorado isso ao máximo.

“É uma pergunta que tenho me feito também, mas ninguém jamais a fez em voz alta. Nem mesmo a Dra. Pat. Acho que quando você tem esse rótulo de TOC as pessoas param de perguntar sobre os seus motivos, uma vez que tudo o que você faz é por causa do transtorno.”

Outros elementos complementam bem a história, dando um pouco mais de realidade ao enredo. Quando Bea compartilha alguns de seus sentimentos com a sua melhor amiga, Lisha, eu realmente fico me perguntando se a amiga tem consciência do que esta realmente acontecendo, ou se por ser amiga, ela se encontra em total estado de negação durante a história. É algo que acontece muito com pacientes reais de TOC. Às vezes você incentiva o paciente a agir de uma maneira para que ele se sinta bem, sem nem ao menos perceber que está só piorando a situação.

Ler Uma História de Amor e TOC me deixou completamente paranoica em relação ao assunto. Imergi tanto nas compulsões da Bea que não consigo evitar de policiar a minha própria ansiedade. E acho que esse era o objetivo da autora, certo? Ela criou um enredo que, sem você perceber, vai te dando toda a experiência de uma pessoa que sofre de TOC e faz com que a gente seja capaz de sentir toda a angústia e o desespero que eles sentem na vida real.

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Por essa experiência posso dizer que o livro teve a sua “missão cumprida”, principalmente por acabar com o mito de que TOC está relacionado apenas a síndrome de limpeza, quando na verdade existe todo o tipo de compulsão que precisa ser tratada e que passam despercebidas aos nossos olhos por falta de conhecimento.

É uma leitura intensa, que vai te deixar com uma tremenda falta de ar em alguns trechos, mas que realmente vale a pena como experiência. Mudei completamente a minha visão sobre o que é TOC depois dessa leitura, e recomendo demais para qualquer leitor que esteja preparado para mergulhar na cabeça de personagens que características envolventes e intensas.

Resenhas 08mar • 2015

Amy e Matthew, por Cammie McGovern

Amy e Matthew é um sick-lit escrito pela autora Cammie McGovern e publicado no Brasil pela editora Galera Record.

Amy não é uma adolescente como todas as outras. Nascida com uma doença conhecida como Hemiplegia, ela possui parte do seu corpo paralisado, o que lhe dá muita dificuldade para realizar atividades que outros adolescentes executam com facilidade. Quando conhece Matthew, ela percebe que passou boa parte da sua vida preocupada demais com a sua vida acadêmica, e decide que está na hora de tentar fazer alguns novos amigos.

É então que ela e Matthew começam a passar algum tempo juntos, e conforme vão se conhecendo, uma amizade vai surgindo entre eles. Porém, Matthew também possui seus próprios problemas e conflitos, e – de certa forma – isso acaba interferindo na amizade que ele tem com Amy, e também com outras pessoas. Conforme o relacionamento dos dois vai se desenvolvendo, eles constroem uma amizade sincera, onde a verdade é sempre a base de tudo entre eles. Mas será que essa amizade poderia ser algo mais?

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A narrativa do livro é feita em terceira pessoa, basicamente alternando o foco da narrativa entre Amy e Matthew durante os capítulos. O enredo se desenvolve de forma bem lenta, o que me deixou muito perdida durante a leitura. A autora demora a dar informações na história, como a doença de Amy, por exemplo. Tudo acontece bem devagar ao longo dos capítulos e por mais que o cenário proposto seja interessante, a lentidão do desenvolvimento da história deixou a narrativa bem cansativa.

Confesso que eu não entendi muito bem porque Cammie McGovern decidiu narrar a história dessa forma, com esses elementos. Ao longo do livro, a autora dá várias características da deficiência de Amy, como se esperasse que os leitores tentassem adivinhar do que ela estava falando. Os personagens, apesar de conectados, estavam meio perdidos dentro da história e durante boa parte do livro eu me senti perdida nos acontecimentos.

“Concluí que é possível amar alguém por razões inteiramente altruístas, por todas as suas falas e fraquezas, e ainda assim não ter este amor correspondido. É triste, talvez, mas não trágico, a menos que você fique buscando seus afetos esquivos para sempre.”

Amy é uma personagem que possui uma deficiência chamada Hemiplegia. Nas descrições da autora, ela se comunica através de um teclado – “Pathway”- que reproduzia uma voz robotizada, tinha dificuldades para se alimentar e precisava do auxilio de um andador para conseguir se locomover – sempre muito devagar. Amy tem uma personalidade muito confusa, na verdade. Ao mesmo tempo que ela quer conquistar sua independência como individuo, ela se sente inibida pela outras pessoas, como se não quisesse que outras pessoas se sentissem mal por suas conquistas.

Matthew, por outro lado, é um personagem tão fechado no seu próprio muito, que eu não consegui concluir muita coisa sobre ele, a não ser o fato de que ele se sente muito desconfortável com o envolvimento de Amy com seus problemas, mas é educado demais para admitir para si mesmo como se sente em relação a toda a situação entre eles. Assim como Amy, Matthew também possui suas próprias deficiências, e por isso, amizade com a garota funciona como uma válvula de escape para todas as suas inseguranças.

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Os personagens de Cammie McGovern são similares, mas com problemas diferentes. A autora tem uma escrita agradável, mas não conseguiu vender bem seus personagens ao longo da narrativa. Como tudo se desenvolvia muito devagar, eu senti muita dificuldade em imaginar e sentir tudo o que estava escrito, e como a personalidade dos personagens ficava muito superficial na narrativa em terceira pessoa, eu não consegui me conectar com eles.

A amizade entre os dois adolescentes é o ponto mais positivo do livro. Mesmo com problemas diferentes, a deficiência de Amy nunca chegou a ser um problema para Matthew – quase como se ela nem mesmo existisse – e isso tornou a relação dos dois ainda mais interessante. Conforme a história se desenvolve, os personagens vão ficando mais confortáveis na presença um do outro, e assim, nesses diálogos de amizade é que conseguimos ter uma visão melhor de como eles se sentem em relação ao outro.

“Amy desviou o olhar, de modo que foi impossível dizer o que ela estava pensando. Já não era muito fácil, com sua gama limitada de expressões, mas se olhasse nos olhos dela, em geral, conseguia entender.”

Preciso confessar que Amy e Matthew não foi a minha leitura favorita por diversas razões muito particulares. Quando finalmente descobri a doença da Amy e fui pesquisar a respeito, senti que a autora descreveu uma coisa completamente diferente e exagerada do que a deficiência em si realmente é. E isso me deixou muito incomodada, porque eu estava imaginando uma coisa e quando eu fui tentar entender, não era bem aquilo que tinha sido passado.

A narrativa também foi outro ponto que não me agradou. Eu conseguia ver onde que a autora queria chegar com a história, mas eu me sentia perdida em como ela fazia o enredo caminhar para aquilo. O vai e volta do foco da narrativa me deixou meio tonta. Em um momento estávamos emergindo nos sentimentos de Amy em relação a todo o cenário, e de repente, em um parágrafo o foco se voltava para Matthew e eu me perdia completamente.

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Minha opinião é que a história em geral, o enredo proposto, não é ruim. Pelo contrário, é até bonito o que a autora tentou abordar no livro. Porém, a história não foi bem organizada ao ser escrita. Ela queria focar tanto no fato de que os personagens tinham dificuldades a serem superadas, que ela esqueceu de outros elementos e informações que talvez deixassem a história mais completa.

Por fim, Cammie McGovern não me agradou tanto quanto eu gostaria, mas também não me decepcionou a ponto de eu nunca mais querer ler nada dela. Eu acho que Amy e Matthew é um livro para quem estava sentindo falta de um romance que lembre A Culpa é das Estrelas ou Eleanor & Park, e se é isso que você está procurando para a sua próxima leitura, este livro é uma ótima escolha de leitura.

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