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Lançamentos Notícias 26jul • 2017

Darklove anuncia o seu primeiro livro de SciFi e a gente tá surtando!

Teriam nossos sonhos se tornado realidade? A nova aposta do selo Darklove parece ser algo que todos os leitores precisam conferir. Lançado originalmente através de financiamento coletivo pela plataforma Kickstarter, A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil conquistou a crítica especializada e os ainda mais exigentes fãs do gênero, sendo indicado para prêmios respeitados, como o Arthur C. Clarke Award e o Hugo Award.

O gatilho principal deste enredo é a construção de um túnel espacial que permitirá ao pequeno planeta do título participar de uma aliança galáctica. Mas, muito além de uma história sobre viagem espacial na nave espacial Andarilha, ele traz elementos essenciais em qualquer narrativa sci-fi muito bem representados, com personagens instigantes, complexos e tridimensionais.

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Em algum lugar no nosso céu lotado, uma equipe de construtores de buracos de minhoca viaja de planeta em planeta, a caminho do trabalho de suas vidas. Para grande parte da galáxia a humanidade é uma espécie menor, e uma nave construtora toda remendada é uma mero pontinho no mapa estelar. Esse é o tipo comum de nave, somente tentando ir daqui para lá.

No entanto, todas as viagens deixam suas marcas, e até mesmo as mais simples pessoas têm histórias que valem a pena ser contadas. Uma jovem marciana desejando que a vastidão do espaço a afaste da vida que ela deixou para trás. Uma piloto alienígena levando a vida longe de sua própria espécie. Um capitão pacifista, esperando o retorno de um ente querido da guerra.

Em um cenário de culturas interessantes e mundos distantes, essa história entrelaça as aventuras de nove personagens distintos, cada um em sua própria jornada.

Becky Chambers segue os passos da pioneira Ursula K. Le Guin (A Mão Esquerda da Escuridão e Despossuídos), e inclusive presta homenagem à inventora do ansible, um dispositivo de comunicação interplanetária, em sua obra. A visão feminina e acurada de autoras como Becky e Ursula permite desconstruir velhos clichês e quem sai ganhando são os amantes da literatura sci-fi — de todos os gêneros e espécies.

Acreditem quando eu digo que nós temos todos os motivos para estarmos animados com este lançamento. O livro tem sido muito bem recomendado no Goodreads, tendo uma avaliação de 4.19 e muitos leitores dizendo que foi um dos melhores livros de sci-fi já lidos até agora. Uma história que explora gênero, raça, sexualidade e política, A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é o primeiro livro da série Wayfarers e chega as livrarias em Agosto/17.

Confira a resenha de outros livros publicados pelo selo Darklove clicando aqui.

Resenhas 26nov • 2015

O Projeto Ascendant, por Drew Chapman

O Projeto Ascendant foi o livro que eu escolhi para sair da minha zona de conforto literária. Eu não sabia muito sobre o livro, não conhecia o autor e poucas vezes tinha explorado enredos similares. A verdade é que eu queria uma leitura que me desafiasse de alguma forma, e eu posso afirmar sem nenhum receio que, Drew Chapman conseguiu ir muito além do que eu estava buscando e me surpreendeu com um enredo de tirar o fôlego, cheio de altos e baixos e que deixa qualquer leitor de ressaca literária.

Publicado no Brasil pela Editora Record, O Projeto Ascendant é narrado em terceira pessoa e vai contar a história de Garrett Reilly, um analista financeiro que tem a habilidade de conseguir identificar padrões. Foi por causa dessa habilidade que ele conseguiu perceber que títulos da dívida externa americana estavam sendo vendidos no mercado, o que poderia desestruturar completamente a economia americana. O que Garrett não esperava era que essa informação pudesse envolve-lo em algo muito maior e muito mais perigoso.

O Projeto Ascendant

Há uma guerra sendo travada. Uma guerra que não é divulgada no noticiário, mas que está acontecendo e pode colocar a vida de muitas pessoas em risco. Para impedir que essa guerra tome proporções maiores, as Forças Armadas precisam de alguém diferente, alguém que não seja militar e que tenha conhecimento e capacidade para derrotar o inimigo e acabar com essa guerra silenciosa. Correndo contra o tempo, Garrett precisa tomar decisões importantes. Seria ele a pessoa certa para tomar a frente do Projeto Ascendent e acabar com essa guerra? Ele seria capaz de colocar de lado o seu ódio pelas Forças Armadas e ajudar a salvar seu país?

Drew Chapman é um autor simplesmente inacreditável. Durante todo o livro você vai recebendo diversas informações, se aprofunda em personagens e – às vezes – se questiona do porque o autor estar te dando uma quantidade tão grande de informações e personagens que parecem ser irrelevantes para a história. Mas, conforme os capítulos vão se desenvolvendo, as peças desse quebra cabeça vão se encaixando e você começa a entender para onde o enredo irá caminhar. E mesmo quando você acha que pode prever os próximos passos, os personagens te surpreendem de tal forma, que você não consegue deixar o livro de lado.

O Projeto Ascendant

Eu não esperava gostar tanto desse enredo como eu gostei. Primeiro porque Sci-fi não é um estilo de leitura que tem frequência na minha estante, e segundo, porque é muito difícil pra mim me conectar com personagens assim. Mas, Drew Chapman tem um jeito muito particular de contar uma história. Sua escrita é mais densa, cheia de detalhes e informações que compõe o enredo. Nada ali é demais. Não tem um detalhe contado que não é fundamental para que o enredo tenha o desfecho perfeito, sem pontas soltas. É fascinante ver que cada detalhe foi pensado para esse livro.

O Projeto Ascendent tem um enredo muito original. Desde o começo da história você se vê envolvido com o que está acontecendo nos Estados Unidos. Você quer entender como funciona essa guerra e o porquê de ela estar acontecendo. Porém, o que realmente faz com que você não abandone o livro é a forma inteligente e desafiadora que as coisas acontecem. Não teve um momento em que eu consegui conter o meu choque e animação com as informações. Minha expressão de: “Meu Deus, isso tá realmente acontecendo?” era constante e eu me sentia cada vez mais atiçada para descobrir o que vinha a seguir.

O Projeto Ascendant

Não houve tédio nesse enredo. A cada capítulo um detalhe novo, algo que me fazia ficar ainda mais desesperada para descobrir como esse livro iria terminar. Os personagens são maravilhosos, muito bem construídos, cada um com uma personalidade própria, com detalhes explorados ao longo do livro e sem fazer com que o enredo perca o foco ou deixe alguma ponta solta. Garrett Reilly me lembrou muito Sherlock, só de muito mais arrogante, muito mais babaca e muito mais impetuoso. Ele é o tipo de personagem que a gente se apaixona sem perceber, que deixa a história mais interessante e que faz com que queiramos mais a cada capítulo.

Por outro lado, Drew Chapman criou outros personagens, além do principal, e fez questão de desenvolvê-los com cuidado, não deixando que ninguém ficasse apagado ou esquecido durante o enredo. Todos tiveram a sua contribuição dentro da história. Apesar de Garret Reilly ser o personagem principal, o foco nem sempre estava nele. Ele não era a única peça de um grande quebra cabeça, apesar de ser a mais importante. E, talvez, o fato de eu poder me envolver com todos os personagens do livro, seja o motivo de O Projeto Ascendant ter sido uma leitura tão incrível.

O Projeto Ascendant

Acho que vale a pena ressaltar que até mesmo o romance do livro – que eu não sei se pode ser chamado de romance – é muito bem construído. Alexis, que seria o par romântico de Garrett na história, é muito interessante e uma das personagens femininas da história que eu mais gostei, principalmente por ser independente e não se deixar levar pelos seus impulsos. Além disso, temos Hu Mei, uma personagem que eu não vou falar muito sobre, mas que derrubou forninhos nesse livro e deixou muito dos personagens chocados com o que ela é capaz de fazer.

E agora vamos a melhor notícia de todos os tempos: A Fox comprou os direitos do livro para transformá-lo em uma série de TV. Não é a melhor notícia de todos os tempos? Confesso que eu já consigo imaginar o cast completo desse livro, e estou torcendo para que eles mantenham a série fiel ao livro, afinal, não tem nada nesse enredo que precise ser melhorado ou alterado.

Resenhas 08ago • 2015

Brilhantes, por Marcus Sakey

Brilhantes é o primeiro volume de uma duologia sci-fi escrita pelo autor Marcus Sakey e publicada no Brasil pela Editora Galera Record. O autor é considerado o mestre do suspense moderno e o livro já possui os direitos para o cinema comprados, com rumores de que Jared Leto será o protagonista. (Amém!)

Em 1980 algumas crianças começaram a apresentar sinais de inteligência avançada. Esse um por cento da população foi denominado “Brilhantes” e passaram a ser vistos com desconfiança e medo pela sociedade, pois estes começam a temer a forma como esse dom pode ser utilizado. Para tentar controlar os Brilhantes, a sociedade teve que se adaptar e assim foram surgindo testes para identificá-los, academias para treiná-los e uma organização para caçar e punir aqueles que infringem a lei.

Brilhantes

Um dos agentes dessa organização é Nick Cooper, um dos primeiros brilhantes nascidos. Seu trabalho é identificar e capturar os terroristas superdotados e colocá-los sob a custódia do governo. Considerado um traidor da sua própria espécie, Cooper precisa concentrar todas as suas energias em capturar John Smith, responsável pelo maior ataque terrorista dos últimos tempos. Para impedir que Smith comece uma guerra civil, Nick Cooper irá precisar se infiltrar em mundo e começar uma caçada que irá levá-lo por um caminho que o obrigará a ir contra tudo aquilo que ele acredita.

Havia muito tempo que eu não embarcava em uma leitura tão intensa e com uma escrita tão envolvente que eu nem ao menos percebi que havia passado o dia todo trancada no quarto imersa nesse universo fascinante criado por Sakey. Narrado em terceira pessoa, o autor nos convida a conhecer um pouco do universo onde, humanos e brilhantes precisam encontrar uma forma de existir de forma saudável.

Brilhantes

Dizer que o enredo é maravilhoso não chega nem perto do que eu queria poder descrever em palavras. Além de uma escrita envolvente e fluida, o autor cria um universo com detalhes espetaculares onde o leitor pode se sentir parte da história, mesmo sendo apenas um observador dos acontecimentos eletrizantes que sucedem a cada capítulo do livro.

A escrita do autor é muito criativa, leve e não faz com que a gente se sinta cansado durante a leitura. Uma das coisas que mais me deixou preocupada durante a história era que ele não conseguisse me integrar de tudo o que estava acontecendo no universo e que isso acabasse deixando o enredo maçante por precisa de tantas explicações e informações. Mas Marcus Sakey sabia exatamente o que estava fazendo quando escreveu Brilhantes e não deixou nenhuma ponta solta dentro da história e tomou todo o cuidado para inserir as informações sobre o universo de forma que o leitor pudesse compreender com facilidade o universo em que estava entrando.

Brilhantes

A leitura de Brilhantes me levou de volta as aventuras da minha infância. Eu não sei bem se essa era a intenção do autor, mas durante toda a leitura eu senti que o universo de X-Men e Sherlock Holmes tinham colidido e virado algo simplesmente fantástico. A grande base da história é criar um universo onde humanos e esquisitos – como algumas pessoas se referem aos brilhantes – possam coexistir. A partir disso precisamos começar a pensar em questões sociais, políticas e mesmo que você seja um leitor apenas interessado nas maravilhosas cenas de ação que este livro tem, não existe possibilidade nenhuma de você não se envolver completamente com a história.

Cooper foi um personagem que me lembrou muito Sherlock, principalmente por causa da sua habilidade excepcional de analisar pessoas e conseguir decifrá-las com imensa facilidade. Ele não é um personagem qualquer. Possui experiência de campo no trabalho que realiza, é considerado um dos melhores agentes da DAR, possui uma família e uma causa pela qual acredita valer a pena morrer e até mesmo matar. Nick é aquele personagem principal que faz a sua pele arrepiar durante a leitura, porque em nenhum momento você consegue dizer até onde ele está disposto a ir, até que ele simplesmente te surpreende.

Brilhantes

O livro não é apenas uma imersão em um universo onde pessoas superdotadas tem o poder de mudar o mundo que conhecemos. John Smith, por exemplo, é um bom personagem para nos fazer refletir que, talvez, o nosso medo do desconhecido acabe criando nossos maiores inimigos. É preciso destacar que Smith é um vilão desafiador, que você não consegue simplesmente odiar ou amar com tanta facilidade. O cara tem uma personalidade própria, um jeito de agir que te deixa impressionado e ao mesmo tempo chocado. Do meu ponto de vista, Smith e Cooper são duas faces diferentes da mesma moeda.

Com todo esse universo complexo e cheio de informações, me surpreendeu muito que o autor não tenha aberto mão dos diálogos de humor bem construídos. Apesar do enredo crítico da história, Sakey fez questão de incluir personagens que dessem um tom um pouco mais leve ao livro, fazendo com que o leitor tivesse alguns momentos engraçados para rir sozinho em meio aquele turbilhão de cenas de ação e coisas explodindo. De tudo, isso foi o que mais me agradou na escrita dele em si.

Brilhantes

Queria poder dizer para vocês um publico específico que com certeza irá se apaixonar por esse livro, mas confesso que Brilhantes deveria ser uma leitura obrigatória para todos aqueles que gostam de um bom livro. Não se trata apenas de um romance ou de um livro de ação muito bem escrito.

O autor consegue colocar nas entrelinhas do livro elementos que obrigam o leitor a refletir sobre aquele universo e escolher – ou não – um lado. Essa com certeza foi uma das leituras mais intensas e fantásticas já vista neste blog, e por isso eu mal posso esperar pelo lançamento do segundo – e último – volume.

 

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