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Resenhas 07set • 2017

Londres é Nossa, por Sarra Manning

Londres é o melhor lugar do mundo para mim. Já foi palco dos meus maiores romances vividos ao lado do Danny Jones nas fanfics de McFly que eu lia lá pelos meus quinze anos – era uma época maravilhosa, devo dizer. Então como eu poderia deixar passar a leitura de Londres É Nossa? Sarra Manning é uma autora que eu sempre recomendo para quem gosta de um bom romance, e como já era esperado, ela não só entregou o que eu esperava do enredo, como superou completamente as minhas expectativas. Estou completamente apaixonada pela Sunny e todos os outros personagens de Londres É Nossa, e tenho certeza que você vai se apaixonar também.

Sunny não é uma menina que gosta de se arriscar. Mark é seu primeiro namorado, estão juntos há oito meses e ela tem plena certeza de que o ama e que, por isso, ele é a pessoa perfeita para perder a virgindade. O que Sunny não esperava era receber uma foto do seu namorado – aka amor da sua vida – beijando outra garota. É claro que Mark teria uma explicação muito boa para aquilo, então o melhor a fazer seria ir até ele e perguntar o que estava acontecendo. É assim que Sunny se vê correndo por toda Londres com dois franceses muito engraçados tentando encontrar seu namorando – ou ex-namorado – para ouvir o que ele tem a dizer sobre a tal garota.

Londres É Nossa tem tudo e um pouco mais de tudo aquilo que eu sempre quis no enredo de um livro. Para começar, nós temos a Sunny, uma garota londrina negra em um enredo que não foi escrito com o objetivo de falar sobre racismo. Eu sei, falar sobre esse tópico é importante, mas vocês não enjoam de só ter personagens negras em livros quando a temática do livro é justamente essa? Quero dizer, eu ansiava há muito tempo por uma personagem negra que vivesse no enredo as mesmas experiencias que as incontáveis personagens brancas que temos por aí. E a Sarra Manning me deu isso de uma forma tão maravilhosa que eu ainda não sei como vou colocar em palavras.

“Não sou essa garota. Não sou a garota que acredita cegamente em tudo que o namorado diz e faz porque não aguenta ficar sem namorado. Uma garota triste. Não sou ela de jeito nenhum.”

A narrativa do livro se dá em primeira pessoa e, de cabeça, nós mergulhamos na vida da personagem principal que é uma adolescente comum, com as mesmas inseguranças que qualquer um de nós já teve como adolescente. O que eu mais gostei da Sunny como personagem, é que ela vive as mesmas experiencias de um adolescente comum, ela tem as mesmas dúvidas, ela faz os mesmos questionamentos e ela acaba amadurecendo com tudo o que acontece com ela durante o livro. Acompanhar o desenrolar desse enredo foi como reviver toda a minha adolescência e amadurecer junto com a personagem da Sarra.

Londres É Nossa não economiza nem um pouco na diversidade dos seus personagens e nas referências maravilhosas de Rupaul’s Drag Race e Meninas Malvadas. Honestamente? Livro me ganhou na primeira Drag que apareceu no enredo. É muito interessante quando você pega uma leitura que não se limita a estereótipos e nem utiliza as minorias como forma de vitimização.  Londres É Nossa é um enredo que trata todo mundo como seres humanos, que mostram um lado mais natural de todos os seus personagens e não cai naquela discussão chata do “politicamente correto”. Todos os personagens são fáceis de você se identificar e amar profundamente.

Mark está tocando meu braço. Como se ele ainda pudesse tocar em mim, quando na verdade não pode, não mais. E, de repente, fico contente por não ter dormido, pois sinto como se minha pele estivesse do avesso e não me importo com mais nada.”

Sarra Manning aborda muito no enredo a questão do feminismo de um ponto de vista muito mais leve e muito mais didático do que outros livros. Durante todo o enredo nós acompanhamos Sunny na sua busca pelo namorado e a cada acontecimento, nós conseguimos ver a personagem crescer e amadurecer, mas sem precisar ficar levantando a bandeira feminista o tempo todo. É um processo bastante natural do livro. Nós começamos com uma personagem chamando outra garota – que ela nem conhece – de “vagabunda” e acompanhamos todo o desenvolvimento da história até ela entender que chamar alguém de “vagabunda” não é nem um pouco legal. Afinal, não tem como você saber a história da pessoa até que ela te conte, não é mesmo?!

Londres É Nossa é um enredo muito inteligente, com uma discussão muito saudável sobre homossexualidade, racismo, feminismo e outros assuntos que hoje em dia lutamos para ver mais na literatura. Achei maravilhoso que a autora tenha escolhido fazer essas abordagens dentro de um romance adolescente com personagens comuns, que vivem as mesmas experiências que eu um dia vivi. É uma leitura que é impossível de você não gostar. Afinal, como você não ama uma personagem que coloca “terminar com o namorado” e “lavar a louça” na mesma lista?

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Resenhas 17nov • 2014

Onde Deixarei Meu Coração, por Sarra Manning

Onde Deixarei Meu Coração, é um romance adolescente escrito pela autora Sarra Manning (Os Adoráveis) e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. O livro conta a história de Bea, uma adolescente de 17 anos que se julga muito sem graça para alguém de sua Idade, mas que anseia pelo dia que conseguirá dar o seu grito de liberdade e se afastar da mãe controladora.

A primeira coisa que descobrimos sobre Bea é que ela se sente completamente entediada no mundo em que vive, se limitando a um grupo de amigos pequeno e a sua rotina de adolescente obediente que se mantém longe de garotos ou qualquer problema. Ela não gosta dessa vida, mas também não acredita que possa ter mais do que isso, não enquanto morar com sua mãe e não ter coragem de impor suas vontades.

Tudo muda quando Ruby, uma das garotas mais populares do colégio, de repente resolve que Bea é a pessoa perfeita para ser a mais nova integrante de seu grupo. Apesar de se sentir constantemente deslocada e desconfortável, Bea se deixa levar pelas oportunidades que o mundo de Ruby oferece, mas no meio de todo esse novo universo, ela acaba descobrindo mais de si mesma do que esperava.

“Porque eu não tinha uma vida, eu era monótona. Tudo a meu respeito era sem graça. Eu tinha até o número de sutiã mais sem graça do mundo, tmanho médio. Mas o negócio era que eu não queria fazer o que as outras garotas da minha idade faziam, que era ficar bêbada, dar uns amassos nos garotos e arrumar problemas com os pais. Quero dizer, pra quê? Você só acabava de ressaca, com chupões e sem mesada.” 

Meu primeiro medos sobre esse livro era o clichê do personagem principal se buscando ao longo do enredo. Meu segundo medo era de não gostar tanto da escrita de Sarra Manning como gostei em Os Adoráveis, e a personagem não ser tão encantadora ou envolvente. Bem, todos esses medos foram superados logo nos primeiros capítulos do livro.

Bea é uma personagem sem graça, e isso é o mais interessante a seu respeito. Durante os primeiros capítulos da história, Sarra Manning consegue fazer com que o leitor absorva todo o universo de Bea e perceba que ela não é muito mais do que uma garota apaixonada por Frances, que morre de vontade de conhecer o pai biológico e que não tem certeza se possui realmente alguma amiga.

E isso combinou perfeitamente com a narrativa em primeira pessoa. Desde o primeiro capítulo, acompanhamos a personagem evoluir de uma adolescente que se deixava levar pelas escolhas da mãe ou de qualquer outra pessoa, para alguém que realmente consegue tomar uma decisão sozinha e arcar com as consequências. E isso foi o que me fez simplesmente me apaixonar por Onde Deixarei Meu Coração.

“Não quero beijar garotos estranhos em quartos estranhos – discursei. – Eu quero romance. Quero ser louca por um garoto e que ele seja louco por mim também, assim, mesmo que a gente acabe cometendo um erro, ele não me abandone num piscar de olhos. Mas romance parece estar tão fora de moda quanto usar vestidos da Primark.”

O enredo também aborda outros assuntos, como gravidez na adolescência, namoro a distância, mas principalmente personalidade. Durante todo o decorrer do livro, Bea nos leva para dentro de uma relação complicada com a sua mãe que, se recusa a revelar a identidade do seu pai biológico, além de ser extremamente controladora, com medo de que ela engravide ainda adolescente e tenha a mesma vida que ela.

Não é um livro que vai te causar grandes impactos, nem te fazer passar horas chorando por causa dos personagens. Se trata de um livro que eu definiria como minimalista, que te ganha na simplicidade da narrativa e que se desenvolve num ritmo único, mas não monótono.

Sarra Manning conseguiu me ganhar com seus personagens, história e sugou para Paris e seus encantos sem nem pensar duas vezes. É uma leitura que eu recomendo para todos os fãs de um bom romance adolescente, principalmente se você se encantou com livros como Anna e o Beijo Frances.

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