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Resenhas 05out • 2017

Branco Como a Neve, por Salla Simukka

Branco Como A Neve foi uma leitura complicada de descrever. Primeiramente porque suspense é um gênero literário que eu ainda não estou completamente familiarizado, segundamente porque, e eu não sei isso vai fazer muito sentido, eu ainda não consegui largar da sensação de que o livro que eu li era só metade de um livro maior. Eu tive a mesma sensação quando li Vermelho como O Sangue, então provavelmente é alguma coisa com o estilo narrativo da autora, mas ainda assim é uma sensação muito esquisita.

Branco Como A Neve continua a história de Lumikki Andersson, uma jovem estudante de uma escola de arte que se vê envolvida com assuntos bem mais complicados do que ela gostaria. Dessa vez, Lumikki está de férias em Praga, se recuperando dos acontecimentos do primeiro livro, quando é abordada por Zelenka, uma misteriosa jovem que diz ser sua irmã. Lumikki, que sabe como a sua família é complicada no que diz respeito a segredos, decide investigar se a afirmação de Zelenka é verdadeira. Mas a aparição de Zelenka acaba levando Lumikki para dentro de um mistério mais perigoso do que ela poderia ter imaginado.

Quem leu Vermelho Como O Sangue sabe que Lumikki é uma personagem um tanto quanto fria e impessoal. Pessoalmente, eu gostei da personalidade antissocial dela, e esse segundo livro até conseguiu introduzir detalhes do passado dela que apresentaram um lado novo da personalidade dela. Mas o problema com esse jeito frio dela é que narração do livro fica um pouco monótona. Ela é tão racional e centrada que a narração contêm quase nenhuma emoção. Eu entendo que isso é parte da personagem, e que quando a emoção acontece, ela é até bastante efetiva, mas no geral a leitura do livro é clínica demais pro meu gosto.

Os outros personagens do livro simplesmente não são importantes o bastante para serem mencionados. O livro passa muito pouco tempo com eles, praticamente só os momentos em que eles interagem com a Lumikki. Zelenka é provavelmente a maior personagem depois de Lumikki e apesar de achar a história dela interessante, o livro não soube apresentar o arco dela de uma forma envolvente. Esse é um dos maiores problemas que eu tive com o livro, o fato de que ele não mostra tanto da história quanto eu gostaria. Em um ponto do livro, a narração explica uma conversa que Lumikki tem com outro personagem, e eu ainda não entendi porque o livro não poderia ter simplesmente nos mostrar a tal conversa

Outro problema que o livro tem, e que também estava presente no primeiro livro da série, é que ele é simplesmente curto demais. A história chega em um momento interessante e você, o leitor, fala “Opa, agora assim a história vai ficar séria!”, mas esse momento vem praticamente no final do livro. Eu falei no começo da resenha que o livro parece ser apenas uma parte de um livro maior, e é exatamente isso que parece. Que alguém editou um livro grande porque não tinha tempo de ler ele inteiro. Apesar de ter alguns elementos muito legais, a história parece incompleta, e acaba rápido demais.

Além disso, além do fato de terem a mesma protagonista, eu não vi quase conexão nenhuma entre o primeiro e o segundo livro. Considerando os acontecimentos do primeiro livro, era de se esperar que eles tivessem algum tipo de impacto emocional na Lumikki, mas não. Ela está basicamente no mesmo lugar emocionalmente e mentalmente que ela estava no primeiro livro. Exceto por ser talvez um pouco mais aberta a se aproximar das pessoas, mas nem mesmo isso é tão aparente.

Se Branco Como A Neve fosse talvez umas 50 e poucas páginas mais longo, e a narração fosse menos focada nos pensamentos de Lumikki e mais nos outros personagens, ele seria uma leitura bem mais marcante. O livro tem bons momentos, principalmente os flashbacks sobre o passado emocional de Lumikki, mas no geral, é uma história esquecível. Eu sei que a série ainda tem mais um volume, Preto Como o Ébano, mas eu não consigo reunir interesse para continuar acompanhando essa trilogia. É realmente uma pena porque eu queria muito gostar dessa história, mas eu simplesmente não consegui.

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Resenhas 03abr • 2017

Vermelho como Sangue, por Salla Simukka

Vermelho como Sangue é um romance policial nórdico, escrito pela premiada Salla Simukka e faz parte da série Branca de Neve. Apesar de ser direcionado para o público mais jovem, Vermelho como Sangue pode também ser uma boa leitura para os adultos.

Narrado em terceira pessoa, Vermelho como Sangue tem como personagem principal a misteriosa Lumikki Andersson. Lumikki é uma adolescente de dezessete anos que estuda numa escola de arte de grande prestígio na Finlândia. Com uma história de vida misteriosa, Lumikki segue uma rotina discreta, sem amigos, festas ou outras coisas comuns para sua idade. No entanto tudo isso muda quando ela encontra, na sala de fotografia, várias notas de quinhentos euros sujas de sangue.

Apesar de se direcionado ao público jovem, Vermelho como Sangue não esconde o lado sombrio nem mascara as personalidades das personagens. Sua história envolvente e intrigante é “baseada” no famoso Branca de Neve, sem necessariamente utilizar a estrutura de um conto de fadas.

Lumikki, que é Branca de Neve em Finlandês, passa longe da mocinha da fábula. Decidida, corajosa e antissocial, ela carrega junto as dores de uma infância sofrida e traumática. A vida passada da personagem é mostrada em flashes durante a trama, como se fosse um filme.

Ao começar a ler Vermelho como Sangue, eu sentia que a história passava bem perto da realidade. A máfia, as mortes e o drama do primeiro capítulo, faz com que o enredo pareça um “filme biográfico”. No entanto, no decorrer da trama comecei a notar algumas características clichês nas personagens. Lumikki é muito desenvolvida para uma adolescente (só falta ter uns poderes mutantes) e seus colegas de escola são tão clichês (descolado, patricinha, arruaceiro, lerdo,…), que você já começa a descobrir como será o final.

Apesar das críticas negativas, Vermelho como Sangue me pegou um pouco de surpresa pois eu não esperava uma narrativa tão boa. A organização dos capítulos por datas possibilita que a cronologia seja acompanhada pelo leitor, sem aquela confusão tão comum nos romances policiais. Além disso, ele captou a minha atenção e despertou sempre uma curiosidade para o próximo capítulo.

Apesar de não ser fã de excesso de detalhes, a falta de explicação em momentos importantes me deixou um pouco irritada. No entanto, alguns pontos não foram expostos propositalmente, o que despertou uma vontade de correr para o próximo livro e matar logo a curiosidade. Apesar do instinto louco de devorar o livro, indico que você se atenha às particularidades de Vermelho como Sangue. Vale super a pena a leitura, mas já separe um espaço no seu cronograma para mais dois exemplares da série.

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