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Entrevistas 04jan • 2018

Angie Thomas: a romancista que transformou o racismo e a violência policial em um bestseller

Esse ano foi bem importante para Angie Thomas, afinal, seu primeiro livro foi publicado, teve lugar garantido nas estantes de mais pessoas do que ela poderia imaginar e, como a cereja do bolo, ainda se tornou bestseller. Você já deve ter visto, pela nossa resenha, que isso tudo tem uma justificativa muito boa para ter acontecido, já que O Ódio Que Você Semeia tem tudo de bom e mais um pouco. Oi? Ainda não tá sabendo? Então eu te dou uns minutinhos para se atualizar com a resenha e voltar aqui, ou, se você já leu, conferir pra ver se nós pensamos parecido ou não!

Como vocês sabem, e é de costume por aqui, gostamos de ir atrás dos autores que passam pelo blog.  E Angie Thomas, se destacando do jeito que se destacou, não poderia ficar de fora do nosso radar. Confira essa matéria do The Guardian e entenda como a autora chamou nossa atenção com O Ódio Que Você Semeia, virou uma queridinha logo em sua estreia e está nos deixando na mais pura ansiedade por seus próximos trabalhos, que devem ser tão maravilhosos quanto o primeiro.

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Resenhas 11nov • 2017

O Beijo Traiçoeiro, por Erin Beaty

O Beijo Traiçoeiro chega às livrarias brasileiras pelas mãos da editora Seguinte e traz para os leitores de romance tudo aquilo que estávamos sentindo falta no mundo literário. Elevando as expectativas dos leitores apaixonados de Jane Austen e conquistando o leitor desde o primeiro capítulo do livro, a escrita de Erin Beaty não deixa a desejar e entrega muito mais do que um romance maravilhoso e personagens que roubam a cena a cada capítulo. O primeiro livro da série de mesmo não é brincadeira, promete o que cumpre e ainda deixa com um gostinho de “quero mais”.

O Beijo Traiçoeiro não é uma leitura com a qual eu esteja sabendo lidar, confesso. Comecei o livro achando que ia me deparar com mais um clichê romântico como todos os outros, mas terminei completamente destruída, desejando conseguir apagar a memória da leitura apenas pelo prazer de ter essa primeira experiência de novo. Erin Beaty definitivamente me pegou de surpresa com essa escrita envolvente, mas principalmente com um enredo que tem uma reviravolta atrás da outra para deixar o leitor preso até a última página.

O livro é narrado em terceira pessoa, alternando o foco entre os personagens principais do livro. Erin tem uma escrita muito leve, mas que consegue te envolver desde o primeiro capítulo. Isso acontece porque a autora trabalha muito bem os seus diálogos, jogando o leitor de um parágrafo para o outro apenas pela curiosidade de saber o que a heroína deste livro, Sage Fowler, irá fazer a seguir.  As falas são inteligentes e acompanhadas das descrições de Erin Beaty, eu consegui me sentir dentro do livro, sentada ao lado da personagem principal, participando de tudo o que estava acontecendo.

“- Ser casamenteira é basicamente um trabalho de interpretar pessoas, coletar informações e tentar entendê-las, e você tem talento para isso. Além do mais, não é uma rejeição de verdade se você não pretendia se casar. Pense nisso como um jogo que ganha quem tiver a pontuação mais baixa.”

Sendo o primeiro livro da autora a ser publicado, tanto aqui no Brasil quanto lá fora, eu tenho que dizer que Erin Beaty sabia muito bem o que estava fazendo quando escreveu O Beijo Traiçoeiro. O enredo do livro se desenvolve em um ritmo gostoso, as cenas não são corridas demais ou lentas demais e a autora nos dá a quantidade de informação necessária para entendermos o universo em que estamos e os personagens que estamos acompanhando. Eu gostei muito de não ter nenhum tipo de exagero e de não ir muito além do que é necessário – um erro que muitos autores iniciantes cometem.

O Beijo Traiçoeiro tem um enredo com reviravoltas que fariam Jane Austen levantar do túmulo apenas para aplaudir Erin Beaty. Não tem nada que eu ame mais em um livro do que quando o autor consegue me enganar direitinho e eu termino um capítulo com a sensação de “eu nunca conseguiria prever isso”.  E Beaty entregou isso com tanta maestria que eu não conseguiria colocar em palavras nessa resenha. Quando eu achei que tinha pegado todo o plot do livro, ela jogou bem na minha cara quem era a rainha dessa leitura, e eu só podia louvar essa mulher maravilhosa!

“Representamos vários papéis durante ao longo da vida… Isso não faz com que todos sejam mentira.”

Sage Fowler é a melhor heroína que eu poderia querer em um livro de romance. Ela não só é independente como não deixa ninguém a diminuir por ser mulher. Inteligente, corajosa e até mesmo um pouco teimosa, Sage prova desde o primeiro capítulo que não está disposta a deixar de ser quem é para conseguir um marido e isso é o que fez com que eu me apaixonasse por ela. Fazia muito tempo que eu não lia uma personagem feminina que mantinha sua independência sem perder seu coração, por isso, quando o romance do livro acontece, você tem a plena certeza de que Sage vai fazer a melhor escolha possível.

E eu nem preciso falar sobre Ash Carter, não é mesmo? Roubou meu coração no minuto em que ele e Sage se conheceram e eu achei ótimo que a autora tenha trabalhado o romance entre eles em cima da amizade que eles foram construindo ao longo dos capítulos. Eu gosto da forma como eles respeitam a opinião um do outro e tentando encontrar uma solução que esteja boa para os dois. Além disso, eu gosto muito da forma como Ash respeita e apoia as decisões de Sage, mesmo quando ele não concorda com ela. Ele a deixa livre para ser ativa nas decisões, para dar ideias e fazer as escolhas que ela julga serem melhores para ela. Como é que esse não vai ser o OTP mais lindo do mundo?! Não tem como.

O Beijo Traiçoeiro foi uma leitura que eu não só amei como já estou me preparando para começar novamente. É o tipo de livro que você coloca na estante para ler mais uma vez – ou ler sempre que pude, se você for como eu. Erin Beaty acertou demais nesse romance de estreia, conquistou meu coração e eu mal posso esperar para que a editora Seguinte lançar a continuação dessa história.

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Resenhas 23set • 2017

Casada até Quarta, Catherine Bybee

Eu não sei vocês, mas nos últimos meses eu tenho tido muito problema com autores que não gostam de se aprofundar nos seus personagens. Catherine Bybee, apesar de ter uma escrita deliciosa, comete esse mesmo erro em seu romance Casada até Quarta, o primeiro livro da série Noivas da Semana. Apesar de ter um enredo divertido e diálogos interessantes, o livro não se aprofunda nos personagens, não entrega uma trama elaborada e acaba entrando para o time de livros que a gente costuma ler quando não tem outra coisa melhor para fazer – o que eu considero uma pena porque, volto a repetir, a escrita da autora é realmente muito boa.

Lançado no Brasil sob o selo Verus, Casada até Quarta vai contar a história de Blake Harrison, um nobre britânico, muito charmoso e convenientemente muito rico que precisa se casar urgentemente para atender as exigências do testamente do seu pai. Para conseguir garantir a sua fortuna, Blake resolve apelar para a agência de casamentos de Sam Elliot, a quem ele acredita ser um homem. Quando Blake conhece Sam, ele não fica apenas surpreendido com o fato de ser uma mulher, mas também pelo fato de a mesma ser inteligente, sagaz e extremamente bonita. Sam não estava no menu de opções de Blake até o magnata britânico lhe fazer uma proposta irrecusável. Com uma aliança no dedo e um marido altamente sexy ao seu lado, o maior problema de Sam não será convencer as pessoas do seu casamento de fachada, mas sim resistir a atração que sente por Blake.

Eu gostei muito da proposta desse enredo. Um dos motivos para eu ter escolhido Catherine Bybee foi por ter achado esse enredo criativo e com todos os elementos que conseguiriam me prender em um romance desse estilo. Mas apesar da leitura ter sido muito agradável, o fato do livro ter menos de duzentas páginas me incomodou bastante. Logo que eu comecei a leitura, eu já percebi que teria o problema dos capítulos corridos. Diálogos curtos, informações jogadas a torto e a direito e as narrativas pouco exploradas sobre o background dos personagens. Acredito que hoje, esse seja o meu maior problema com romances que fazem parte de séries descontinuadas: eu sou o tipo de leitura que precisa imergir na história e romances curtos nunca conseguem me satisfazer neste ponto.

“[…] havia trabalhado arduamente para conquistar sua reputação de canalha sem sentimentos, e não precisava estragar tudo fingindo estar apaixonado para que uma mulher subisse ao altar com ele.”

A narrativa em terceira pessoa, apesar de muito bem trabalhada pela autora, não contribui muito para que o leitor consiga se aprofundar nos personagens. As informações são jogadas ao longo do enredo, mas não permite que a gente, enquanto leitor, sinta o que o personagem está sentindo. Com o background de Sam e Blake, eu realmente queria ter tido a oportunidade de ter acompanhado o romance dos dois do ponto de vista deles mesmos, talvez em uma narrativa alternada ou pelo menos do ponto de vista de um dos dois, porque não? Eu senti bastante falta de conseguir identificar – ou mesmo sentir – no enredo o sentimento dos personagens. Confesso que apesar de ter “engolido” o romance, eu não acreditei que eles estavam realmente apaixonados.

Casada até Quarta tem uma trama bastante interessante, se ignorarmos o fato de ser um enredo rápido. Eu gostei da forma como a autora trabalhou elementos simples para prender a minha atenção até o final da leitura, que no final, eu tenho que admitir que funcionaram muito bem.  Sam e Blake não vivem um romance que é construído apenas em cima da conveniência do casamento. Eu gostei da forma como eles encararam certos obstáculos juntos e a forma como construíram o relacionamento a base de confiança. Esse tipo de relacionamento deveria ser muito mais explorado em livros do gênero, ao invés do clássico homem-rico-gostoso-controlador-de-tudo.

“Isso é perigoso. O desejo deles era real, pelo menos para ela.”

O que eu posso dizer? Casada até Quarta é um ótimo livro para você ler quando está com aquela boa e velha ressaca literária. É um livro com bons diálogos, com uma escrita deliciosa e com personagens que certamente vão te arrancar boas risadas – ou pelo menos te deixar com aquela sensação gostosa dentro do peito depois de uma leitura agradável. Para a minha primeira experiência lendo Catherine Bybee, eu devo dizer que gostei muito mais de Casada até Quarta do que eu estava esperando e quero muito acompanhar os próximos lançamentos dessa série.

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Resenhas 31ago • 2017

Nossas Noites, por Kent Haruf

Nossas Noites não é nem de longe um livro que eu leria sem uma indicação, escolhendo por conta própria em uma livraria. Acredito que, assim como você, a zona de conforto literária é suficiente com todos esses livros de romance adolescente e fantasia a nossa disposição. Por isso, quando fiz a leitura de Nossas Noites, um livro completamente fora da minha zona de conforto, eu fiquei completamente surpresa com o enredo criado por Kent Haruf. Nossas Noites não apenas um romance, mas uma carta de amor para todos aqueles que já envelheceram e todos aqueles que ainda vão envelhecer. Um enredo simples, poético, capaz de envolver o leitor da primeira até a última linha.

Nossas Noites conta a história de dois idosos, Addie e Louis que, há muito, não tem a companhia de outra pessoa que não sejam seus próprios filhos. A vida dos dois é solitária, pacata, limitada a cidade onde vivem e as pessoas que conhecem. Tudo muda quando Addie resolve ir à casa de Louis fazer a proposta de que eles passem as noites juntos. Não de uma forma sexual, apenas pela companhia, pelo trazer de ter alguém com quem dividir as noites solitárias. No começo, Louis acha a proposta estranha, mas acaba aceitando e conforme os dias passam, a amizade e o companheirismo entre ele e Addie cresce, mas não demora muito até eles precisarem lidar com as más línguas da cidade.

Eu não esperava que Nossas Noites fosse me encantar e me surpreender da forma que aconteceu. Quando eu recebi o livro tinha todo o tipo de expectativa em cima da história, mas a escrita de Kent Haruf é completamente diferente de tudo o que eu li até hoje e me pegou de surpresa, uma surpresa boa da qual eu nunca vou me arrepender. Nossas Noites foi uma leitura completamente fora de tudo o que eu estou acostumada, o enredo tem uma estrutura de escrita completamente diferente, os personagens são construídos de uma forma diferente e a escrita de Haruf é a benção literária que eu tanto estive esperando.

“Estou adorando, disse ela. Está sendo melhor do que eu esperava. É uma espécie de mistério. Eu gosto da amizade que estamos criando. Gosto do tempo que passamos juntos. De ficar aqui no escuro da noite. Das conversas. De ouvir você respirar ao meu lado quando eu acordo.”

Sabe quando dizem que você precisa encontrar o livro certo para fazer você gostar de um gênero ou de um tipo de leitura? Nossas Noites foi exatamente isso na minha vida literária. A narrativa de Kent Haruf é livre de longas descrições e travessões ou pontuações extremas. A leitura flui através de diálogos entre os personagens principais onde, por mais incrível que pareça, você consegue identificar quem está falando o que sem que o autor precise te dizer isso. Aliás, o autor não te diz nada, mas os personagens sim. O enredo nada mais é do que navegar no que os personagens têm a dizer, sem se aprofundar em informações desnecessárias, apenas o necessário para que você se envolva e se emocione com a história que está sendo contada.

Essa foi a primeira vez que eu me deparei com uma leitura com uma estrutura completamente diferente. Eu não tinha travessões, eu não tinha aquelas longas descrições do ambiente, da cidade e de todas aquelas coisas que normalmente só estão ali para ocupar espaço no enredo. Em Nossas Noites eu não precisei de nada disso. Eu estava na companhia de Addie e Louis e o que eles me contavam, o que eles conversavam eram suficientes para que eu me emocionasse, para que eu conseguisse entende-los e sentir junto com eles. Nossas Noites não é uma história cheia de altos e baixos irreais, aqueles que te provocam emoções pesadas. O livro é uma narrativa simples sobre o que é viver, errar e mesmo depois de anos ainda desejar o amor como se fosse a primeira vez.

“Quem imaginaria que, a essa altura da vida, nós ainda poderíamos ter algo desse tipo? Que afinal ainda existe, sim, espaço para mudanças e entusiasmos na nossa vida. E que nós ainda não estamos acabados nem física nem espiritualmente.”

Addie e Louis são personagens que representam todos nós. Eu, você e as pessoas que você conhece. A história deles nada mais é do que uma mensagem deixada pelo autor sobre como o amor não se perde com o tempo. Eu me envolvi no sentimento deles, na forma como eles ainda conseguiam descobrir coisas mesmo depois de já terem visto muita coisa. Haruf escreveu um livro que mostra a vida muito além do que nós exploramos até hoje, uma vida onde você não precisa se limitar ao que dizem a você, onde você pode continuar buscando e desejando algo novo até o seu último suspiro. E se isso não é a coisa mais linda que um autor pode fazer por nós, eu realmente não sei o que seria.

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Resenhas 15mar • 2017

Só por uma Noite, por Monique e Mônica Sperandio

Só por uma Noite é um livro nacional, escrito por 4 mãos, que foi lançado no ano passado. O livro traz a história da adolescente Samanta Caliari e de suas 4 amigas Natália, Daphne, Marina e Vicky. Tudo começa quando Vicky morre (não é spoiler) e deixa uma lista de desafios para as amigas cumprirem em uma noite.

Narrada do ponto de vista de Sam, Só por uma Noite é um romance adolescente bem leve, com uma boa estrutura de escrita. Sam, Daph, Nat e Marina, viveram momentos decisivos em suas vidas e os compartilharam apenas com Vicky, que era o elo entre as 4 amigas. Ao saber que ia morrer, Vicky entrega uma lista com os segredos para Nat, que fica com a missão de fazer com que cada uma das amigas revele o seu.

“Estou feliz. Estou confiante. Estou com elas. E sei que qualquer coisa que aconteça essa noite, nos unirá ainda mais.”

A intenção da lista é desafiar as amigas e fazer com que elas tomem coragem e se abram, não só umas para as outras, mas também para o mundo. O prólogo já mostra o desafio de Sam sendo cumprido. Ela deve se declarar para o melhor amigo, Gustavo, por quem é apaixonada há 3 anos.

Com uma narrativa envolvente e objetiva, Só por uma Noite consegue prender o leitor do início ao fim. Durante toda a noite as meninas mudam o visual, bebem (um ponto a ser revisto), invadem cemitério, choram loucamente, etc. Apesar de não ser parte do público alvo do livro, Só por uma Noite me fez relembrar minha adolescência. O jeito que a personagem principal pensa, os sonhos e o mundo onde tudo é ruim mas sempre tudo termina bem, traz um pouco da esperança e fé dessa fase.

No entanto, apesar de todos os pontos positivos, Só por uma Noite comete alguns deslizes grosseiros, que precisavam ser evitados. Durante a trama, vemos pensamentos bem primitivos em relação a sexualidade de algumas personagens. Em uma passagem bem marcante, logo no início da narrativa, uma foto nua de uma ex namorada do Gustavo é exibida no telão do aniversário de 15 anos da Vicky. A culpa acaba sendo jogada para cima da garota. A partir dali a menina é xingada, desrespeitada, acusada de roubar o namorado das outras, etc. Foi um choque ver isso em momento onde estamos tentando caminhar contra esses pensamentos.

“— Essa garota, que se chama Yasmin, estudava com a gente na outra escola e ela era uma total promíscua, sabe.”

Em outras passagens as personagens também ofendem outras meninas, e ninguém as corrige. No meu ver, acaba tornando coisas que já sabemos ser fatais, em coisas banais do “dia a dia”. Escrito pelas gêmeas curitibanas Monique e Mônica Sperandio, Só por uma Noite tinha tudo para ser um ótimo livro adolescente, se passasse por uma revisão e edição mais rigorosa.

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Resenhas 16fev • 2017

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, Por Mo Daviau

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo, o título foi o motivo de ter escolhido o livro. Já imaginava uma versão masculina de O Diário de Bridget Jones, com uma máquina do tempo no meio. Só que não foi exatamente assim…

O livro conta a história de Karl Bender, um ex guitarrista famoso (ou ex famoso guitarrista?), dono de um bar na cidade de Chicago. Solitário e decadente, Karl passa a maior parte dos seus dias cuidando do bar até a chegada de Wayne DeMint. Wayne, um homem bem sucedido que também é infeliz com a vida que leva, encontra no bar, e em Karl, um motivo para ser feliz (ou pelo menos tentar).

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Tudo muda na rotina de Karl e Wayne quando, misteriosamente, Karl é sugado para passado. Ao contar para Wayne o que aconteceu, eles descobrem que dentro do armário de Karl existia um buraco de minhoca capaz de dobrar o tempo. Logo surge uma ideia de negócio: vender shows de Rock que aconteceram no passado.

“Se você pudesse voltar no tempo e ver qualquer banda tocar, qual escolheria?”

Apesar da diversão e dos altos ganhos, Wayne ainda não está satisfeito. Burlando a principal regra do uso do buraco, ele resolve voltar ao ano de 1980 e salvar John Lennon (quem nunca?). O único problema é que Karl programa o ano errado, e Wayne fica perdido no passado. Aí sim a história começa…

30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo exigiu da minha pessoa muita atenção. Por se passar em três realidades diferentes (passado, presente e futuro), o livro pode parecer um pouco confuso, mas não é (juro!). O início da história é muito vaga e fica difícil de entender a linha dos fatos. A partir do segundo capítulo, tudo fica mais leve, clean e super divertido.

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30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo me lembrou Guia do Mochileiro das Galáxias, pois mistura comédia, romance e coisas improváveis em um mesmo pacote. O livro também fala de assuntos sérios como feminismo, bullying e depressão. Aborda também filosofia, nos levando a refletir o tempo todo sobre nosso estilo de vida.

Escrito pela norte americana Mo Daviau,  30 e Poucos Anos e uma Máquina do Tempo dispensa qualquer explicação técnica dos fatos. As coisa acontecem e ponto. Ótima leitura para quem gosta de rock e fantasia uma viagem no tempo (eu super!). Recomendo também para o pessoal do romance e para quem está procurando uma leitura mais leve e divertida. Eu adorei o livro e só não ganhou nota máxima devido à confusão do primeiro capítulo. Divirtam-se e comentem!

Resenhas 07fev • 2017

O Clube de Leitura de Jane Austen, por Karen Joy Fowler

O Clube de Leitura de Jane Austen sempre foi um dos meus filmes favoritos, por isso quando o livro que inspirou o filme foi lançado aqui no Brasil, o tomei como uma leitura obrigatória, afinal que fã de Jane Austen não gostaria de ler um livro que é nada mais do que um longo debate sobre os personagens que tanto amamos, não é mesmo? Confesso que esse era exatamente o meu pensamento quando finalmente peguei o livro da Karen Joy Fowler mas, infelizmente, o livro não atingiu minha expectativas.

O Clube de Leitura de Jane Austen conta a história de cinco mulheres e um cara que se reúnem para ler todos os romances de Austen. Cada personagem tem seus próprios dilemas que são apresentados ao longo enredo e mesclado com os dilemas enfrentados pelos personagens de Jane Austen em seus enredos. O interessante do livro de Karen Joy Fowler é ver como as histórias criadas por Austen podem influenciar na vida dos seus leitores e fazê-los perceber que mesmo estando há séculos de distância da autora, a ficção da época e a realidade deles ainda são bem similares.

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A escrita de Fowler não é ruim, pelo contrário, a narrativa do livro é bem leve e gostosa de se ler. Nos primeiros capítulos, eu realmente me prendi a história por causa da forma que a narrativa do livro foi construída pela autora, porém o que quebrou todo o encanto com o livro foi o enredo que, não tem um desenvolvimento muito interessante e não faz com que o leitor tenha o desejo de descobrir o que acontece no capítulo seguinte. No meu caso, por mais que a escrita do livro fosse agradável, eu senti que o enredo estava se arrastando entre um capítulo e outro.

O Clube de Leitura de Jane Austen fala muito sobre a vida dos membros do clube, narrando praticamente todos os pontos importantes das suas vidas desde a adolescência até o presente – basicamente construindo os personagens para o leitor ao longo dos capítulos. Em partes isso não é um ponto tão negativo, mas ao mesmo tempo o enredo parece ficar preso dentro dessa narrativa em terceira pessoa e não caminhar para as coisas que acontecem no presente dos personagens.

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A parte mais interessante do livro é, em si, os momentos em que os personagens estão discutindo os romances de Austen. Acredito que este tenha sido um dos poucos pontos do enredo em que eu realmente consegui me conectar com os personagens e com os diálogos do livro. As observações feitas pelos personagens eram realmente interessantes e realmente criavam um diálogo sobre os clássicos da autora. O mês de Emma acabou sendo um dos meus favoritos, principalmente por terem citados alguns pontos do enredo do livro de Austen que eu mais gosto.

Em geral, eu gostei bastante do livro, mas não consegui ser impactada por ele da forma que eu gostaria. Os personagens são interessantes, mas ao mesmo tempo não possuem características que fazem com que o leitor se apaixone ou se envolva com a história. Acho que O Clube de Leitura de Jane Austen é mais um livro para apreciarmos a escrita da autora e falarmos um pouco mais sobre os personagens que tanto nos marcaram ao longo de tantos anos.

Resenhas 13nov • 2016

As Letras do Amor, por Paula Ottoni

Antes de iniciar a resenha, de fato, preciso dizer uma coisa: eita. Dito isso, continuemos com a programação normal, e essa vai ser grandinha, já aviso.

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  1. Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. 2. Afeição, grande amizade, ligação espiritual. 3. O tempo em que se ama.

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  1. Uma das cidades mais românticas do mundo. 2. Palavra cuja inversão de letras é amor. 3. Onde ambos os significados se misturam numa louca experiência intensa.

As Letras do Amor foi lançado esse ano pela Novo Conceito e é obra da Paula Ottoni – que tem outros livros publicados de forma independente, para quem tiver interesse. Em As Letras do Amor conhecemos Bianca, Miguel e Enzo e temos a oportunidade de checar de perto a saga da personagem principal na intensa decisão que precisa tomar: tentar salvar seu relacionamento de um ano com Miguel ou se permitir viver com Enzo um amor que promete acender sua vida, como tecnicamente já o faz mesmo sem permissão?

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A história começa a ser narrada ainda no Brasil, quando Bianca decide ir morar com seu namorado na Itália, abandonando seu curso de graduação que não é bem o que ela quer fazer, seus pais que só brigam e estão ao pé de um divórcio, seus dois irmãos mais novos que não a deixam em paz e sua melhor amiga Mari – que chama mais atenção dos garotos do que a própria Bianca-, menina linda e de bom coração. A coisa que poderia impedir Bianca de seguir Miguel nessa viagem é o medo de uma vida de casal cheia de responsabilidades na qual que o papel de esposa lhe caiba.

Esse medo de Bianca é confirmado quando, já na Itália ela nota que Miguel, que foi aprender a cuidar de negócios com o intuito de cuidar dos negócios de família quando voltassem ao Brasil, apenas vive para os negócios e para baladas e não lhe dá atenção. Por outro lado, temos Enzo, melhor amigo de Miguel, que cede seu apartamento para que o casal de amigos dividam com ele até que voltem ao Brasil. Enzo é o extremo oposto de Miguel, atencioso e preocupado, não enche a cara, volta cedo das baladas e gosta de coisas em comum com Bianca. Já sabemos o que acontece? Indecisão: o sentimento entre ele e a menina surge e aí…pano pra manga.

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Tentar enxergar uma faísca e se esforçar para transformá-la em fogo ou mergulhar um incêndio inteiro? Basicamente, essa é a sensação que tive das duas opções de Bianca. Obviamente achei Miguel um idiota e eu quis, muitas vezes, bater na Bianca. Inclusive, eu quis bater nela quando ela começou a jogar Mari para cima de Enzo e continuou mesmo sabendo que estava começando a se arrepender. Enfim, Bianca é vacilou várias vezes, na minha opinião.

Bônus? Cada início de capítulo possuía duas indicações de músicas para serem escutadas durante a leitura, então dá para montar uma playlist legal. Outro bônus: a autora parece saber ambientar bem a história na Itália, mas depois eu descobri que a Paula, de herança italiana não tem só o sobrenome: ela também tem cidadania e já morou lá! O livro conta com muito conflito, muito romance e cenários de encher os olhos de qualquer apaixonado por viagens ou pela própria Itália.

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A partir da metade a história me pareceu andar mais rápido, ainda que com as descrições detalhadas de Bianca. Até entendo: a história tem sua narração em primeira pessoa, muitos conflitos e estes condizem com a idade e com o momento da vida da personagem, mas acredito que alguns trechos, por exemplo, ficaram…demais. Excessivos. Exemplo disso foi a questão da honestidade de Miguel (não vou especificar para evitar spoilers, então acho que honestidade resume bem), que quanto mais se esticava pelo livro, mais impaciente eu ficava por falta de dados concretos e que ao fim, nem surpresa e nem aliviada eu fiquei: apenas senti indiferença. O desfecho da história também não me foi tão surpreendente assim, mas gostei da observação da personagem sobre ter sido não apenas um romance, mas também uma história de amor-próprio.

No geral, eu diria que a leitura no todo foi massante. Não nego que aproveitei as partes boas: em alguns capítulos, até mesmo em capítulos seguidos, eu não conseguia parar a leitura e a curiosidade me arrebatava. Em outros, entretanto, não conseguia não deixar o livro de lado e buscar outra atividade, ou até me forçava a ler na esperança de que a continuação fosse melhor. Essa inconsistência do livro fez com que minha leitura demorasse muito. Muito mesmo. Levei semanas – e não culpo a faculdade ou outros afazeres, apenas pausei a leitura diversas vezes. Quando me aproximei do fim, comemorei um pouco. Fico feliz de ter conseguido ler mais um nacional, apesar deste não ter me agradado tanto quanto eu esperei que fosse, mas é a vida, não? A própria Bianca me mostrou que as coisas funcionam assim.

 

Resenhas 07nov • 2016

Amor Plus Size, por Larissa Siriani

Vou confessar que faz muito tempo que eu estava curiosa para conhecer o trabalho da Larissa Siriani. Sempre vejo o trabalho dela sendo divulgado nas redes sociais, mas eu nunca tive oportunidade até a Verus Editora anunciar que o mais novo livro da autora, Amor Plus Size, seria lançado pelo selo. O enredo me chamou atenção por tratar de “gordofobia” e “autoaceitação”, um tema que eu vejo ser muito pouco discutido no mundo literário e que precisa ganhar mais espaço entre os leitores, principalmente por causa da representatividade.

Amor Plus Size vai contar a história da Maitê, uma adolescente que vem lutando constantemente para aceitar os seus mais de cem quilos. Com dezessete anos e poucos amigos, Maitê leva uma vida que se divide entre as piadas dos amigos da escola, a pressão da mãe para que ela emagreça e as suas inseguranças enquanto adolescente. Até que, em meio a toda a confusão de sua vida de ensino médio, um acontecimento pode mudar completamente como ela vê a si mesma e como as pessoas a veem.

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Amor Plus Size é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Maitê, que é a nossa personagem principal. Para esse tipo de livro, com essa temática, eu gosto que a narrativa seja em primeira pessoa, porque eu gosto de ver como o personagem reage em determinadas situações. Porém, no caso de Amor Plus Size, eu achei que a personagem principal tinha uma narrativa muito infantil e clichê, como se eu tivesse assistindo um capítulo de malhação, entendem? Os estereótipos do livro são muito exagerados, o que deixou o enredo enjoado e os personagens desinteressantes a ponto de a história ser completamente previsível e acabar se perdendo na mensagem principal.

O enredo não é de todo ruim. Larissa é uma autora que tem muito potencial, mas acho que faltou um pouco mais de cuidado tanto no desenvolvimento da história, quando na criação dos seus personagens. Em alguns pontos, o enredo do livro ficava muito parado e, em outros, ele parecia estar correndo uma maratona. Não consegui encontrar um ritmo para fazer a leitura de Amor Plus Size, todos os “pontos” da história começavam num capítulo e quando você começava a se envolver, ele era resolvido tão rápido que você nem ao menos sabia dizer o que aconteceu.

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Maitê é uma personagem interessante, mas ainda assim, contém muitas falhas. O livro vem com uma mensagem de aceitação que eu não consegui encontrar na personagem principal até que outras pessoas começaram a aceita-la. Eu sei que ela me dizia o tempo todo no livro que estava bem com o seu corpo, mas eu não conseguia sentir isso na narrativa da autora. Além disso, ela tem um comportamento muito imaturo para alguém que tenta passar outro tipo de comportamento. Durante toda a leitura eu senti um certo tipo de “preconceito” da parte dela com outros personagens, talvez como uma forma de escudo para os seus próprios problemas.

Um ponto que me incomodou muito no livro foi o exagero na criação da antagonista do livro, Maria Eduarda, e a utilização de slut-shaming em alguns pontos do livro. Acho que não existe a menor necessidade de você diminuir um personagem de todas as formas possíveis para mostrar que ele está errado em suas atitudes. Me incomodou muito quando, durante a leitura, eu me deparei com a personagem principal se referindo a uma outra personagem, como “vadia”, sendo que ela nem ao menos teve contato com essa personagem para dizer tal coisa.  O que eu quero dizer é que, em vários pontos do livro a autora quer ensinar as pessoas a se amarem como são, mas ao mesmo tempo ela faz isso denegrindo outros estereótipos.

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A parte do livro que mais me tocou foi o relacionamento da Maitê com a mãe, afinal, mais importante do que a aceitação das outras pessoas, ela precisava da aceitação dentro de casa. Ainda assim, acho que a relação delas poderia ter sido tratada de forma mais aprofundada do que realmente foi. A autora deu muito foco ao romance do livro, ao convívio social da personagem e negligenciou bastante o relacionamento dela com a própria família, principalmente quando ela tinha ali um plot com muito potencial, que já conseguiu me tocar e me emocionar em poucos capítulos.

Em geral Amor Plus Size nada mais é do que uma grande filosofia de malhação, que são aquelas histórias românticas onde a personagem principal se descobre apaixonada por uma outra pessoa, que faz toda uma diferença na sua vida etc. Particularmente, eu não gosto muito desse tipo de enredo porque desde a primeira página eu sabia como a história ia se desenvolver. Eu ainda estou muito na expectativa de pegar um livro que não trate uma personagem gorda como coitadinha, como cinderela, mas sim como uma pessoa linda e maravilhosa que ela é, independente do peso, da cor do cabelo etc, o que eu não vi em Amor Plus Size, infelizmente.

Não digo que não é uma leitura válida, porque precisamos muito de mais personagens plus size no universo literário, mas eu acho que a Larissa não entregou muito bem o que estava prometendo na contracapa, deixando algumas falhas no enredo e nos personagens. Ainda assim, acredito que seus próximos trabalhos tenham potencial e espero muito ler outro trabalho dela em breve.

Resenhas 04nov • 2016

Boa Noite, por Pam Gonçalves

Boa Noite é um romance nacional, e é o livro de estréia de Pam Gonçalves, youtuber e criadora do blog Garota It. O livro, publicado em 2016 pela Galera Record, conta a história de Alina, uma jovem que se muda de sua cidade pequena para cursar Engenharia da Computação na capital. Alina se torna a mais nova moradora da República das Loucuras, e divide a casa com um grupo de personagens bem divertidos.

Mas nem tudo são flores na vida de Alina. Pra começo de conversa, ela precisa lidar com a pressão de ser uma mulher em curso predominantemente masculino, e aguentar o preconceito dos colegas de classes, e até de alguns professores. Competitiva por natureza, Alina vê esse desprezo como motivação para ir ainda melhor do que eles nas matérias, e forma uma rápida afinidade com as outras poucas meninas da turma.

As coisas se complicam ainda mais quando uma página de fofocas é criada e posts sobre drogas e abuso começam a aparecer. Alina, que nunca foi exatamente social, nunca imaginou que iria estar bem no meio desse tipo de escândalo, nem que poderia utilizar toda a sua inteligencia para fazer a diferença, e quem sabe até salvar algumas vidas.

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Segundo livro de youtuber que eu resenho aqui no blog. Eu já conhecia o blog e o canal da Pam, então eu estava bem animado pra ler o livro dela. Fico muito feliz em falar que ele não me decepcionou nem um pouco. Como eu falei na resenha de Azeitona, existe um estigma quanto a livros de youtubers, mas acho que já dá pra deixar esse preconceito bobo de lado, né? Os dois livros de youtubers que eu li até agora me agradaram!

Pra começar, a escrita da Pam é muito boa. Ela passa muito bem a personalidade da Alina, e de todos os outros personagens, além de contar a história de uma forma bem leve e agradável. Não só isso, ela também retrata muito bem os temas mais sérios do livro, principalmente a questão do machismo e do abuso sexual (apesar de que eu gostaria que ela tivesse apontado que não é só mulher que é estrupada, nem é só homem que estupra, mas tudo bem).

A leitura de Boa Noite é bem leve, daqueles livros que você lê em um dia se não tiver nada de importante pra fazer. Mesmo quando o livro toca naqueles pontos mais pesados, ele nunca fica difícil de ler. É sempre legal quando um livro consegue passar uma mensagem importante e ainda ser uma experiencia de leitura agradável, porque assim os leitores recebem a mensagem melhor.

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Alina é uma boa protagonista. No começo do livro, ela é uma menina inteligente, mas um pouco ingênua, e que não tem muita desenvoltura em situações mais sociais. Ao longo do livro, podemos vê-la se tornando uma pessoa mais decidida e determinada. Gostei bastante de ver como ela demonstra seus princípios e sua fibra moral. Acredito que ela seria uma ótima personagem para as leitoras mais nova terem como exemplo.

Os outros personagens também são bem legais. Os colegas de república de Alina são todos bem divertidos e me fizeram rir bastante. A Pam falou em um vídeo que se ela fosse fazer um spin off do livro, seria com a personagem Manu, e eu gostaria muito de ler, nem que seja só um conto. Ela foi uma das personagens que eu mais gostei, e seria ótimo ler mais um pouco sobre ela.

De resto, os outros são mais personagens de apoio mesmo. Excluindo alguns que acabam sendo antagonistas (claro que eu não vou dar spoiler), a maioria só aparece um pouco, mas todos são bons. Não consigo imaginar que a história seria a mesma sem nenhum deles, pra vocês terem uma noção da importância deles para o plot geral do livro.

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No geral, Boa Noite foi uma surpresa muito agradável. Eu estava meio preocupado, porque tinha esperanças bem grandes já que venho acompanhando os trabalhos da Pam faz tempo, mas acabei a leitura mais do que satisfeito com o livro. Imagino que, com a experiencia, os livros da Pam vão ficar ainda melhores e eu vou com certeza estar aguardando o próximo com muita ansiedade.

E vocês? Já leram Boa Noite? Acompanham o canal da Pam? Conta pra gente nos comentários!

Resenhas 14out • 2016

Eu Estou Aqui, por Clélie Avit

Faz algum tempo que eu não me aventuro em livros dramáticos, mas quando eu vi a capa de Eu Estou Aqui, simplesmente soube que eu precisava dar uma chance a esse enredo. O livro conta a história de Elsa, uma montanhista que está em coma há cinco meses sem grandes esperanças de melhora. Elsa consegue ouvir o que as pessoas falam ao seu redor, mas não consegue reagir, não consegue acordar. É quando Thibault, um homem sofrendo com o fato de seu irmão bêbado ter matado duas pessoas, entra em sua vida.

Thibault passa a visitar Elsa todos os dias e encontra nela um conforto que jamais encontrou em outras pessoas. Aos poucos, o envolvimento dos dois vai tendo efeito sob Elsa, e a cada visita, Thibault procura incentivar cada vez mais os sentidos da moça, e aos poucos, seus sentimentos por ela vão se transformando em algo que ele jamais poderia imaginar. Tudo fica ainda mais complicado quando a família da moça começa a discutir a possibilidade de desligar seus aparelhos, e a sobrevivência de Elsa passa estar nas mãos da única pessoa que ela conhece apenas a voz.

Eu Estou Aqui Clélie Avit

Meu coração está completamente destruído depois de ler esse livro. Completamente diferente do que eu estava esperando para um enredo tão simples e ao mesmo tempo tão cheio de emoção. Eu Estou Aqui é narrado em primeira pessoa, e tem o ponto de vista dividido entre os personagens principais, Elsa e Thibault, de forma que é impossível o leitor não se envolver com as emoções dos personagens e com o que acontece entre eles ao longo do enredo.

Clélie Avit tem uma escrita tão emocionante que meu coração chega a doer. O enredo do livro não é complexo, a leitura flui muito rápido e os capítulos também não são muito longos. No começo eu achei que, por ser uma leitura rápida, eu não iria me envolver tanto com a história. E como eu estava enganada sobre isso. A cada capítulo, seja de qual ponto de vista fosse, eu me via mais envolvida com a história de ambos os personagens do livro. Sem perceber, a autora foi criando em mim um desespero para que Elsa acordasse e finalmente pudesse olhar nos olhos de Thibault que eu não consigo colocar em palavras.

Eu Estou Aqui Clélie Avit

Eu Estou Aqui é um livro que traz personagens com dores reais, principalmente Thibault, que estava enfrentando o conflito familiar de ter um irmão no hospital que, por culpa da bebida, atropelou e matou duas adolescentes de quatorze anos. Além disso ele enfrentava seu divórcio, o vício no trabalho para esconder suas dores e também o vazio da solidão que ele sentia em sua vida. No começo do livro eu o achei muito grosseiro, mas conforme o conheci melhor, entendi que a raiva era um reflexo da dor que ele sentia no peito.

Elsa, por outro lado, me deixou desesperada desde o primeiro capítulo. O fato de ela só conseguir descrever seus próprios pensamentos e as poucas coisas que sabia sobre o que ouvia era desesperador, ainda mais quando entravam na discussão sobre desligar ou não os aparelhos. Eu sabia que ela queria acordar, eu via o seu desespero, as suas tentativas, aquele grito que ela não conseguia dar, mas o fato de que as pessoas no livro não podiam ouvi-la me deixava muito nervosa.

Eu Estou Aqui Clélie Avit

Eu Estou Aqui foi uma montanha russa emocional que me pegou de surpresa. Clélie Avit criou um enredo simples, de leitura fácil, mas que ao mesmo tempo questiona nossa crença na vida, nos nossos familiares, nos médicos e nos obriga a ter esperança de que as coisas vão melhorar. Até mesmo os personagens secundários desempenharam um papel importante no enredo para nos obrigar a pensar que 2% de chance é melhor do que 0%, e que não podemos abrir mão da esperança sem ao menos esgotar todas as nossas alternativas.

A verdade é que esse livro em si já vale muito a pena só pela a escrita de Clélie Avit, mas é importante dizer que o enredo em si, mesmo com seu desenvolvimento corrido, tem uma carga emocional que nenhum leitor espera encontrar num enredo. Eu normalmente não me interesso por livros tão dramáticos assim, mas  Eu Estou Aqui me conquistou desde a primeira página, e é uma leitura que eu recomendo demais para quem quer muito sair da sua zona de conforto literária.

Resenhas 17set • 2016

O Ano Em Que Te Conheci, por Cecelia Ahren

Eu desenvolvi um apego com os enredos de Cecelia Ahren desde que ela me conquistou com seu livro, A Lista. Porém, assim como todos os autores que eu conheço, não são todos os livros que eu vou ler e que vão se tornar o meu mais novo amor literário. E foi exatamente o que aconteceu em O Ano Em Que Te Conheci, lançado pela Novo Conceito este ano. Apesar de uma sinopse com muito potencial, o livro se perdeu ao longo da narrativa, e eu vou explicar para vocês porquê.

O Ano Em Que Te Conheci é um romance narrado durante as quatro estações do ano, começando com o inverno. Neste enredo conhecemos Jasmine, uma mulher cuja vida gira em torno do seu trabalho que, de uma hora pra outra, se vê desempregada e presa há uma licença de 12 meses – que significa que ela não pode ser contratada por outra empresa até que o prazo acabe. Assim, a sua vida é tomada por um grande tédio, fazendo com que as atenções de Jasmine se voltem para o seu vizinho, Matt, que aparentemente está enfrentando os mesmos problemas. Com seu programa na rádio sofrendo problemas e a sua relação com a família em estado de calamidade porque ele vive chegando bêbado em casa, Matt se encontra mais perdido do que Jasmine. E o que era para ser apenas uma espiada pela janela, acaba se tornando em uma grande jornada para ambos.

Ano em que Te Conheci

Um enredo de potencial incrível, vocês não acham? Pena que a autora não conseguiu entregar tudo o que prometeu na contracapa. Primeiro, o livro é narrado apenas do ponto de vista de Jasmine e, por isso, só conseguimos ver a história a partir da personagem, não tendo chance de aprofundar nos personagens secundários da trama. Jasmine também é uma personagem que pensa muito, e como estamos sempre na cabeça dela, acabamos presos em seus monólogos intermináveis sobre sua família, seu emprego, seu jardim. Isso me deixou completamente entediada com o livro.

O desenvolvimento do enredo foi uma decepção. Apesar de eu conseguir perceber a passagem de tempo na história, eu não sentia que a narrativa estava desenvolvendo, muito menos os seus personagens. A história inteira parecia girar em torno dos conflitos internos de Jasmine e a sua obsessão disfarçada de ódio por Matt. Isso me desanimou um pouco com a leitura, tanto que demorei mais de três dias para conseguir finalmente terminar o livro.

Ano em que Te Conheci

O relacionamento que eu esperava ver acontecendo entre Jasmine e Matt nunca aconteceu, os personagens secundários nunca foram propriamente apresentados ou tiveram grande influência no enredo. Em algum momento, sinto que a autor não sabia mais para onde levar a história, ou não conseguia criar um gancho para que o enredo tivesse o seu ponto chave. Digo, eu não posso dizer que o que Jasmine e Matt tiveram era realmente uma amizade, quando em mais de 200 páginas, a personagem só sabia listar as coisas que ela não gostava nele.

O papel de Matt no livro, e até mesmo de outros personagens, é um borrão para mim. Como o livro foi narrado em primeira pessoa e não teve narrativa alternada, o personagem não foi muito bem apresentado dentro do enredo, e conseguimos saber dele apenas o que Jasmine queria nos mostrar e alguns poucos diálogos inseridos no meio dos monólogos intermináveis da personagem principal. Achei que foi um personagem desperdiçado considerando que ele tinha uma história interessante, conflitante e com potencial para agregar muito ao enredo.

Ano em que Te Conheci

Infelizmente Cecelia Ahren perdeu muitos pontos comigo em O Ano Em Que Te Conheci. A escolha da narrativa em primeira pessoa não foi muito feliz, e a forma como o enredo se desenvolveu ao longo dos capítulos não compensou em nada a falta de destaque dos personagens secundários do livro. O Ano Em Que Te Conheci foi enredo que deixou diversos buracos na história, faltaram personagens, um clímax para a trama e desenvolvimento para os personagens – coisa que eu sempre julguei ser o forte dessa autora.

Acredito que, se você é um leitor que gosta de romances ou está apenas em busca de uma leitura para se distrair, talvez O Ano Em Que Te Conheci seja um bom livro para se colocar na estante. No meu caso, senti que Cecelia Ahren deixou muito a desejar, podendo ter explorado o livro de formas diferentes, com outra escolha de narrativa e um foco maior nos outros personagens do livro. Espero que os próximos lançamentos  da autora compensem as falhas desse romance.

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