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Resenhas 25maio • 2016

Dama da Meia-Noite, por Cassandra Clare

Dama da Meia-Noite é uma fantasia urbana, escrita pela autora Cassandra Clare, publicada no Brasil em 2016, pela Galera Record. O livro é o primeiro da série Os Artifícios das Trevas, trilogia que faz parte do universo das Crônicas dos Caçadores de Sombras, criado por Cassandra Clare, que também inclui as séries Os Intrumentos Mortais e As Peças Infernais, todos lançados no Brasil pela Galera Record.

O livro tem como protagonista Emma Carstairs, uma Nephilim (humanos com sangue de anjo)  que apareceu pela primeira vez em Cidade do Fogo Celestial, último livro da série Os Instrumentos Mortais, onde Emma perdeu os pais durante os eventos da guerra entre Sebastian Morgenstern e a Clave. Agora com 17 anos, Emma vive no Instituto de Los Angeles com seu melhor amigo Julian Blackthorn. Emma e Julia não são apenas amigos, são também parabatai, guerreiros Caçadores de Sombras que juram lutarem juntos até a morte.

Após a morte de seus pais, Emma descobre que a investigação do assassinato deles revela que eles morreram sobre circunstancias misteriosas, e decide investigar o caso sozinha. Anos depois, uma série de assassinatos, com características parecidas com as do assassinato de seus pais, parece apontar que Sebastian Morgenstern não foi o responsável pela morte deles.

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Se essa descrição rápida que eu fiz pareceu um pouco confusa, é porque ela é mesmo. O mundo criado por Cassandra Clare é muuuuito complexo, cheio de detalhes complicados, e levaria muito tempo pra conseguir explicar tudo. Acredite, você não teriam paciência. Afinal, são nove livros lançados antes desse, é coisa pra caramba. Sem contar as duas coletâneas de contos, As Crônicas de BaneContos da Academia dos Caçadores de Sombras (que eu quero muito ler).

Mas se você já conhece todo o backstory, esse é provavelmente o melhor livro da Cassandra Clare até agora. Diferente das outras duas protagonistas, Clary e Tessa, Emma já é parte do mundo dos Caçadores de Sombras, então a autora pode passar menos tempo apresentando esse mundo para o leitor, e mais tempo desenvolvendo os personagens, que são todos ótimos, principalmente o relacionamento entre Emma e Julian.

O livro também faz um ótimo trabalho em explorar o quão bagunçando e corrupto o governo dos Caçadores de Sombra realmente é. A autora já havia tocado no assunto nos outros livros, mas nesse fica bastante evidente o quanto a Clave é injusta, e isso é um dos principais elementos da história. Isso fica muito claro quando se trata do personagem Mark, irmão mais velho de Julian que, anos antes da história do livro, é forçado a viver com o povo das fadas por ser fruto da relação entre uma fada e um Nephilim.

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Dama da Meia-Noite é um livro difícil de comentar, porque, como eu já falei, pra chegar nele, você já teria que ter passado por muita história. Quem já acompanha esse universo já conhece bem os personagens, o mundo e a escrita da Cassandra Clare, então eu fico sem ter muito o que acrescentar. Ou você já gosta do estilo dela, ou não gosta, ou quem sabe não conheça ainda. Nesse último caso, seria melhor começar pelo começo, com Cidades dos Ossos, não é?

Mas pros que já são familiarizados com o mundo dos Caçadores de Sombra, Dama da Meia-Noite é, sem dúvida, o melhor volume da série até agora. Eu já tinha como opinião que a Cassandra Clare melhora com cada série que ela escreve, e esse livro só confirmou essa teoria. E isso só me deixa ainda mais animado pra ver as futuras séries que ela já anunciou estar escrevendo, The Last Hours e The Wicked Powers.

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No geral, Dama da Meia-Noite é o ponto alto das Cronicas dos Caçadores de Sombras. Quem já é fã da série, com certeza vai amar o livro. Quem ainda não é, sugiro bastante paciência e muito animo pra ler os outros trocentos livros da saga, porque realmente vale a pena.

 

 

Resenhas 04dez • 2015

A Garota no Trem, por Paula Hawkins

A Garota no Trem é o primeiro romance escrito por Paula Hawkins, que entrou pra lista de mais vendidos do New York Times e, aqui no Brasil, foi publicado pela Editora Record. O livro tem 377 páginas e traz a história de Rachel, uma mulher que faz diariamente o trajeto de ida e volta entre Ashbury e Londres. A rotina é tão normal para ela, que Rachel acabou ficando obcecada pelos habitantes de uma das casas situadas perto da linha do trem, onde vive o casal que ela nomeou de Jess e Jason. Essa é sua rota e visão por dias a fio, até ela tertemunhar uma cena chocante e, dias depois, se ver envolvida no mistério do desaparecimento de Jess, já que ela simplesmente não consegue se manter alheia.

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Conhecemos Rachel, assim como a seus problemas sérios com bebidas, principalmente após o término de seu casamento e da descoberta de que seu ex-marido finalmente se tornou pai, enquanto ela nunca conseguiu ser mãe. Entre todos os seus problemas, sua vida despedaçada, ela parece se agarrar ao sucesso do casamento de Jess e Jason, o casal verdadeiro, porém com informações fictícias criadas por ela, e tudo corre bem até ela descobrir que Jess não é bem quem ela pensou e pode estar colocando toda a sua vida perfeita em jogo. Tudo corre bem até Jess desaparecer e Rachel descobrir que sua Jess é, na verdade, Megan, e decidir se enfiar no meio da investigação a fim de ajudar a encontrá-la, ou provar que “Jason”, ou Scott, não é o culpado.

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A história de Rachel, o entrelace entre sua vida e as de Scott e Megan, com todo o mistério e reviravoltas, são bons ingredientes para um thriller de muito boa qualidade. Principalmente se a narrativa for bem feita, como é o caso de A Garota no Trem. Paula Hawkins sabe conduzir as histórias, os passos de seus personagens, e em seu livro a autora o faz sempre em primeira pessoa, alternando entre Rachel, Megan e até mesmo Anna – a atual do ex de Rachel! A única coisa que me incomodou foi a quantidade de detalhes, de descrições de cada cena, de cada personagem, mas isso foi no início, quando eu ainda estava pegando o ritmo da leitura.

Embarquei no trem das 8hO4, mas não estou indo para Londres. Em vez disso, ressolvi saltar em Witney. Espero que o ato de passar por lá avive minha memória, que eu chegue à estação e veja tudo claramente, e lembre de tudo. Não alimento grandes esperanças, mas não há nada mais que eu possa fazer. Não tenho como ligar para Tom. Estou com muita vergonha, e, de qualquer maneira, ele deixou bem claro: não quer mais saber de mim.

Megan continua desaparecida; ela sumiu faz mais de sessenta horas, e o caso já está sendo noticiado em rede nacional. Estava no site da BBC e no MailOnline hoje de manhã; havia notas mencionando a história em outros sites também.    (p.79)

Quanto aos personagens, achei a construção interessante. As informações e o momento em que elas surgiam foram bem dosados, então, enquanto lia, sempre tinha informações de fundo sobre as personagens, de modo que não fiquei perdida sem saber o que levou àquela cena. A não ser que tivesse sido proposital, obviamente. Rachel foi uma personagem que, de início, não me prendeu a atenção, porque eu simplesmente não a compreendia. Acho que só fui ficar envolvida de verdade lá pela página 80, que foi quando o mistério realmente começou. Outra coisa sobre Rachel, é que ela pode ser bem surpreendente, e a evolução dela durante a leitura é boa: pra quem torcer por ela, seus problemas com álcool às vezes nem surgem enquanto ela se vê envolvida com a resolução do sumiço de Megan.

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Megan e Scott, popularmente conhecidos como Jess e Jason – e eu espero que não esteja te confundindo com essa quantidade de nomes para as mesmas pessoas, afinal, culpa da autora-, são um casal que, olha, sinceramente só me pareceram bonitinhos de longe, vistos do trem e pelos olhos idealizadores da Rachel. Scott é um cara abusivo e controlador, na minha opinião, e Megan tem sérios problemas de ansiedade e depressão – além de ter seus segredinhos sujos. Além disso, lidamos ainda com Tom e Anna, ex de Rachel e sua atual esposa, que possuem uma família e moram na mesma rua em que Megan e Scott vivem. Você fica se perguntando o motivo de eles aparecerem tanto na história, e aí, quando se dá conta, boom, tarde demais.

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De verdade, sinceramente, do fundo do meu coração: esse livro foi um tapa na minha cara – da forma mais positiva possível, porque minha sensação ao descobrir o que aconteceu de nada foi: Sabe de nada, Jon Snow. Na capa está escrito “Se você gostou de Garota exemplar, vai devorar este thriller psicológico.” e eu devia ter dado ouvidos. Só pra contextualizar, Garota Exemplar e outros livros da mesma autora são livros que me deixam de cabelo em pé, vidrada nas histórias, e A Garota no Trem, apesar de ser escrito por outra pessoa, não me deu sensações diferentes. Amei, me surpreendi e a única coisa que comprometeu minha experiência foi o fim do período letivo, a quantidade de textos e trabalhos: não é o tipo de livro que dê pra ficar pausando a leitura, ou você acaba quebrando o clima. No mais, recomendo bastante pra quem gosta de bancar o Sherlock Holmes, de sentir um frio na espinha e de ter alguém mexendo com a sua cabeça.

 

Resenhas 19nov • 2015

172 Horas na Lua, por Johan Harstad

E se você tivesse a sorte de conseguir uma chance de visitar um lugar incrível? Um lugar muito distante do lugar onde vive? Um lugar onde pouquíssimas pessoas já estiveram, muitos anos depois da ultima vez em que alguém esteve lá?  E se, ao chegar lá, você descobrisse que existe um bom motivo pra ninguém nunca mais ter voltado lá? Sinistro, né? Essa é a premissa de 172 Horas na Lua, livro escrito pelo autor norueguês Johan Harstad, e lançado no Brasil pela Novo Conceito.

No livro, a NASA , afim de atrair atenção e consequentemente, dinheiro para a suas missões, decide levar 3 adolescentes para passarem uma semana inteira vivendo na base lunar DARLAH 2. Após receberem milhares de inscrições de jovens do mundo todo, eles selecionam 3 adolescentes para fazerem a viajem: Mia, uma norueguesa rebelde de 16 anos, que sonha em ser famosa com sua banda; Antoine, um jovem francês de 17 anos, deprimido pelo termino de seu namoro; e Midori, uma menina japonesa de 16 anos, que quer mais do que tudo se distanciar da cultura opressora de seu país.

Após passarem pelo treinamento adequado, os jovens e um grupo de astronautas são enviados para a Lua, a bordo do foguete Saturno V. A princípio, tudo vai de acordo com os planos, e o grupo se instala na base lunar. Mas, aos poucos, eles começam a perceber que alguma está muito errada com a missão. E que talvez a viajem para a Lua acabe se tornando uma viajem só de ida.

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Primeiramente, tenho que dar destaque a escrita do Johan Harstad. Esse foi o primeiro livro que eu li dele, e já fiquei completamente impressionado com a narrativa que ele cria. Os momentos mais tensos do livro me deixaram bastante angustiado, e isso é, em boa parte graças a escrita maravilhosa do autor. Eu pessoalmente tenho um medo tremendo do espaço sideral, e esse livro não me ajudou nem um pouco a superar. Em uma história desse estilo, a atmosfera é crucial para envolver o leitor e esse livro não deixa nem um pouco a desejar.

O livro é narrado principalmente pelos 3 jovens, e é interessante ver os acontecimentos do livro do ponto de vista deles. Infelizmente, um dos únicos pontos negativos do livro é a falta de desenvolvimento dos personagens. Eu realmente não senti que nenhum dos personagens mudaram muito comparado ao que eles eram no começo do livro, e isso é porque o livro não nos dá tempo o suficiente para conhece-los.

Alem de ser narrado pelos adolescentes, o livro conta com trechos narrados por outras pessoas envolvidas na missão. Essa forma de contar a história acrescenta bastante ao enredo do livro, e torna a história ainda mais fascinante. A conspiração que é traçada através dos relatos de cada um é realmente incrível, e daria um filme bem interessante. Tomara que, com o sucesso de Perdido em Marte, algum estúdio de Hollywood compre os direitos desse livro.

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Como eu falei, os personagens do livro são um pouco negligenciados. Na minha opinião, é porque o foco principal da história não está nos personagens e sim no que acontece com eles. Não sei se muitos de vocês conhecem, mas o enredo do livro me lembrou muito os episódios de uma série chamada Além da Imaginação. Por ser uma antologia, o que significa que cada episódio conta uma história diferente, os episódios não passam tanto tempo explorando a vida dos personagens, preferindo focar completamente nos fenômenos sobrenaturais que ocorrem ao longo das história.

Foi isso que eu senti ao longo do livro. Que o foco do livro é o que acontece com os adolescentes e com os astronautas. Que o mais importante na história era o medo que eles sentem e não a história de vida de cada um. Em um certo ponto do livro, dois personagens parecem que vão se envolver em um caso amoroso, mas isso abandonado rapidamente quando as coisas começam a dar errado na missão. O foco deles está no que precisa ser feito naquele momento e não nos relacionamentos e problemas pessoais de cada um.

Pode parecer que eu estou criticando o livro nesse ponto, mas não. O autor se dispôs a criar uma história de suspense e terror e é exatamente isso que ele faz. Eu só acho que um pouco mais de tempo explorando a mente de cada um dos personagens não iria depreciar  a atmosfera de terror do livro. Talvez até acrescentasse mais uma camada de tensão ao enredo.

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Por fim, 172 Horas na Lua não é um livro pra quem gosta de histórias focadas em personagens. É uma história pra quem curte sentir medo, medo de verdade. O tipo de medo que você sente quando sabe que tem algo atrás de você, consegue ver alguma coisa no canto do olho, mas não tem coragem de virar pra olhar. O tipo de medo que não te deixa relaxar, nem por um segundo sequer.

172 Horas na Lua é uma ótima história de suspense e de terror, e com certeza, merece estar na estante de qualquer um que goste de uma história que de bastante medo em quem lê. Sem dúvida, é um livro que vai entrar pra minha lista de indicações de livros de terror. Se você, assim como eu, gosta de livros assim, não deixe de conferir.

Resenhas 26out • 2015

A Estrela dos Mortos, por Renan Carvalho

Escrito por Renan Carvalho, e publicado pela Editora Novas Páginas, Supernova – A Estrela dos Mortos é um livro de fantasia nacional, que continua a história das aventuras do jovem Leran, que se iniciaram no primeiro livro da série, O Encantador de Flechas.

ATENÇÃO, como se trata de uma continuação, essa resenha pode conter spoilers sobre o primeiro livro da série. Caso não queira saber o detalhes antes da hora, leia o livro e depois venha aqui ler a resenha, ok? Ok.

Nesse segundo livro, Leran e sua irmã, Luana, são agora fugitivos, tendo deixado sua cidade natal de Acigam, e partido a caminho da metrópole de Sonatri, a procura de alguém que possa ajudar Luana a controlar seus poderes. Como se já não bastasse atravessar quilômetros, sem mais ninguém de sua família pra ajudar, Leran e Luana ainda precisar lidar com um grupo de caçadores que foi colocado em seu encalço.

Enquanto caminho, meus pés, mesmo vestidos com as botas de material leve forjadas pelo senhor Norano, afundam na areia fina, o que dificulta a locomoção neste deserto imenso. De todos os lugares do mundo que eu gostaria de conhecer, certamente este não era o primeiro deles, muito menos nesta situação.

O livro é divido em partes. Algumas delas são narradas por Leran, outras são narradas por Tlavi, uma nova personagem que é general das Forças Paladinas e é a uma das Estrelas, pessoas que possuem dons naturais sobre-humanos.

As partes narradas por Leran são muito legais. Dá pra ver que ele amadureceu desde o final do primeiro livro e que agora é um combatente confiante e habilidoso. O único problema que eu tive foram as interações dele com Luana. Parecia que toda conversa que eles tinham era sobre o fato de Luana querer ser mais independente. Os diálogos entre os dois me pareceram um pouco juvenis, e francamente um pouco irritantes.

A Estrela dos Mortos

As partes narradas por Tlavi, por outro lado, são ótimas! Acho que por ela ser um pouco mais velha e mais madura, as cenas em que ela passa por situações perigosas parecem mais assustadoras do que as de Leran. Os capítulos dela foram os meu favoritos, com certeza.

Além de Leran, Tlavi e Luana, temos outros personagens no livro. Praticamente nenhum personagem do primeiro livro aparece na continuação, mas temos novos personagens muito interessantes.

Os dois mais importantes são Gueth, atleta profissional e irmão de Tlavi e Kheon, um dos caçadores que perseguem Leran e Luana. Os dois são personagens interessantes e muito bem aproveitados na história. Eu espero que eles apareçam ainda mais no terceiro livro.

Enquanto cuido de mim mesma, vejo pelo espelho os olhos cor de mel da jovem mulher. Só os reconheço quando não estou dentro da couraça dourada. Parecem frágeis sem as proteções e guerra. Não me sinto bem assim.

Os outros personagens são bons também, mas nenhum me chamou a atenção quanto os que já mencionei. Como o foco da história é mantido nesse grupo principal, o outros personagens serve apenas como plano de fundo mesmo. Eles fazem o que precisam fazer, que é ajudar a criar a atmosfera geral do livro.

A Estrela dos Mortos

No que se trata de enredo, a continuação do livro é ainda melhor do que o primeiro. A escrita do Renan, que já era boa, está ainda mais trabalhada nessa segunda parte da série. Dá pra ver o quanto o andamento da história foi pensado, e o tanto de cuidado foi colocado nesse livro.

A Estrela da Morte faz exatamente o que o segundo volume de uma série deve fazer. Aumenta os riscos da história e nos aproxima ainda mais de seus personagens. Se você gosta de fantasia e de aventura, não deixe de conferir esse livro e o primeiro livro da série.

Resenhas 18ago • 2015

Os 13 Porquês, por Jay Asher

Os 13 Porquês é um romance infanto juvenil, escrito pelo autor Jay Asher e publicado no Brasil pela Editora Ática. O livro conta a história de Hannah Baker, uma jovem que, inesperadamente, comete suicídio aos 16 anos. Meses após sua morte, Clay Jensen, seu colega de classe e a última pessoa que Hannah beijou, encontra uma caixa que foi deixada na porta de sua casa.

Dentro da caixa, Clay encontra 7 fitas cassetes. Quando coloca as fitas pra tocar, Clay escuta a voz de Hannah, dizendo que nessas fitas, ela iria contar os fatos que a levaram a tirar a própria vida. Hannah diz que existem 13 motivos, 13 pessoas. E que as fitas estão sendo passadas por cada uma das pessoas da lista. Quem recebe as fitas deve escuta-las e após terminar, rebobina-las e passa-las para a próxima pessoa da lista.

Não vou dizer qual fita tem a ver com sua participação na história. Mas, não precisa ter medo. Se você recebeu essa caixinha bonitinha, seu nome vai aparecer…Eu prometo Afinal, uma garota morta não mentiria.

O livro é narrado de duas partes. Através das fitas, Hannah conta todos os pequenos momentos que levaram á sua morte. Enquanto isso, Clay anda pela cidade, visitando todos os locais que Hannah menciona em seu “bilhete” suicida. Esse estilo de narração é ao mesmo tempo intrigante e perturbador.

A dualidade da narração passa a sensação de que, apesar de claramente se importar com Hannah, Clay realmente não sabia nada sobre o que ela estava passando. Eu achei isso um pouco incomodo porque me fez pensar no quanto as pessoas que estão passando por esse tipo de situação, muitas vezes, não revelam o que estão sentido para outras pessoas. Com certeza, essa foi a intenção do autor, retratar o quão agonizante deve ser, sentir esse tipo de depressão e ninguém a sua volta perceber.

Por outro lado, a narração de Hannah é ainda mais agonizante. Ouvir uma menina relatar o fim de sua vida, quase numa contagem regressiva, eu fiquei até meio atordoado. Mais uma vez, com certeza, essa é a intenção do autor. Mas mesmo assim, é um pouco depressivo.

Os 13 Porquês

Eu não posso contar muito da história, porque acabaria revelando detalhes importantes pro desfecho do livro. Então eu vou falar um pouco sobre o tema geral da história, já deixando avisado que ele pode ser um pouco deprimente, e difícil de ler se você é daquelas pessoas muito sensíveis.

Os temas retratados no livro (depressão, bullying, suicídio) são sempre muito difíceis de serem retratados, pela natureza delicada que os cerca. Mas é importante contar esse tipo de história, pois é preciso conscientizar o público geral de que as pessoas passando por esse tipo de problema precisam de ajuda. Depressão é um problema sério, e não é o tipo de coisa que pode ser superada facilmente.

Vocês não sabem o que eu estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passo na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam uma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não da para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga parte da vida de alguém, você estraga a vida toda dessa pessoa.

Apesar de um pouco difícil de aguentar as vezes, Os 13 Porquês é um livro muito importante, pois expõe um problema que muitos jovens enfrentam todo o dia. Se você consegue aguentar uma história intensa, cheia de emoções fortes e até um pouco deprimente, leia esse livro. Garanto que você vai sair dessa leitura enxergando as outras pessoas de uma outra maneira.

Créditos de imagem: http://sobresagas.com/resenha-os-13-porques/

(P.S.: Pra galera que fala inglês e quer entrar ainda mais nessa história, esse canal no Youtube tem uns vídeos incríveis, de uma menina falando como se fosse a Hannah. A voz dela é exatamente como eu imaginei lendo, e ler enquanto ouvia foi uma experiencia interessante.)

 

Resenhas 16ago • 2015

O Sétimo Filho, de Joseph Delaney

O Sétimo Filho é uma fantasia infanto juvenil escrita pelo autor britânico Joseph Delaney, publicada pela Editora Bertrand Brasil. Composto dos dois primeiros livro da saga As Aventuras do Caça-Feitiço, o livro conta a história do jovem Thomas J. Ward, o sétimo filho de um sétimo filho, que tem a habilidade de ver criaturas das trevas e outros seres, que as outras pessoas não conseguem ver.

O Sétimo Filho

Graças a essa habilidade, Thomas se torna aprendiz do Caça Feitiço, um homem frio e distante que tem como missão exorcizar fantasmas, deter bruxas e aprisionar ogros. (Obs: Essa resenha vai ser focada principalmente no primeiro livro da série, O Aprendiz, pois foi o único que eu li até agora.)

— Bem, está livre até cometer outro erro absurdo — acrescentou o Mago. — E não diga que não vai cometer. Aquele que nunca comete um erro nunca chega a lado nenhum. Faz parte do processo de aprendizagem.

Narrado por Thomas em primeira pessoa, o livro é focado principalmente no início da trajetória de Thomas como aprendiz, e nas lições que ele precisa aprender. Através dos olhos de Thomas, somos levados por uma viajem pelo país onde vive, chamado de Condado. Thomas é um narrador interessante, pois apesar de ser relativamente jovem, é bastante maduro, devido a disciplina de trabalho que tem, graças ao fato de ser parte de uma família de fazendeiros.

Um dos elementos mais legais do livro é a mitologia que cerca a história. Nas lições que recebe do Caça Feitiços, Thomas aprende sobre bruxas, fantasmas, ogros e outras criaturas sobrenaturais. Eu sou completamente viciado nesse tipo de coisa, então essa parte me conquistou bem rápido.

Outro aspecto que me atraiu bastante nesse livro é o fato dele ser sútil. Na maioria das vezes, as sagas de fantasia que eu leio tentam demais se apresentarem como histórias épicas, e isso acaba ficando um pouco forçado. O Aprendiz, por outro lado, deixa a história transcorrer de uma forma mais natural, sem forçar. É quase um alívio ver um livro de fantasia que não tenta ser O Senhor dos Anéis.

O Sétimo Filho

Os personagens do livro são bem escritos e bem caracterizados. Thomas é um ótimo protagonista, e o seu amadurecimento fica evidente ao longo da história. Apesar de passarmos o livro inteiro na cabeça de Thomas, os outros personagens são bem aproveitados e são dinâmicos o bastante para serem memoráveis. John Gregory, o Caça Feitiço, é uma figura intimidadora e sombria, mas aos poucos, podemos vê-lo revelando seu lado mais humano.

E Alice, a menina com quem Thomas cria um laço de amizade, é muito intrigante. Não é a toa que mais tarde ela ganha um livro focado somente nela. Sem entregar demais da história, o dilema moral que ela apresenta é uma das partes mais interessantes do livro.

Os outros personagens da história, como a família de Thomas e os outros moradores do Condado, são muito bons e acrescentam bastante ao plot do livro. A mãe de Thomas e sua cunhada, Ellie, principalmente, são ótimas personagens coadjuvantes.

As antagonistas do livro são as bruxas Lizzie Ossuda e Mãe Malkin. Ambas são excelentes vilãs e foram muito assustadoras. Ler as cenas delas foi como ler o roteiro de um filme de terror. A história de como Mãe Malkin se instalou no Condado é simplesmente macabra.

– Se usássemos qualquer dos métodos, não seríamos melhores do que a bruxa que matamos — disse o Mago.

Outro ponto que eu gostei bastante no livro é o fato de que o Caça Feitiço não mata as criaturas que ele encontra. A impressão que eu tenho é que os livros de fantasia são sempre lotados de cenas de ação desnecessárias, como se existisse um número pré-determinado de vezes em que o personagem principal tem que participar de um duelo de espadas.

É revigorante ver uma história de fantasia que não depende das cenas de luta ou dos dragões para se manter interessante. O tom de suspense, os personagens memoráveis, e a escrita excelente de O Aprendiz me conquistaram e eu com certeza vou continuar lendo essa série.

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Resenhas 11ago • 2015

Supernova – O Encantador de Flechas, por Renan Carvalho

Escrito por Renan Carvalho, e publicado pela Editora Novas Páginas, Supernova – O Encantador de Flechas é um livro de fantasia nacional, que combina elementos fantásticos a uma história de revolução empolgante. O livro conta a história de Leran, um jovem arqueiro que, através dos ensinamentos de seu avô, aprende a aperfeiçoar suas habilidades mágicas.

A vida de Leran se torna muito mais complicada, quando ele se vê no meio de uma revolução. Acigam, a cidade onde Leran vive, é controlada por um governo que abomina os magos – os praticantes das ciências mágicas. Por considerarem os magos uma ameaça, o governo emprega o serviço de uma força policial especializada, os chamados Silenciadores. A situação fica ainda mais perigosa quando os magos decidem revidar.

Logo atrás, guardas armados tentam acertá-las com tiros. Enxergo as rajadas passando e fico paralisado. Um dos fugitivos para de correr em meio ao tiroteio, vira-se para os soldados e levanta uma das mãos. Meus olhos permanecem arregalados enquanto um fluxo de energia se forma ao redor de seu braço.

O livro é divido em três partes. A primeira, narrada por Leran, serve como introdução para o mundo em que a o livro é centrado e também como uma forma de introduzir um pouco da história da cidade de Acigam. Leran é um narrador interessante, que oferece muitos detalhes sobre o mundo e a história a sua volta, por mais que as vezes, eu tenha achado a narrativa um pouco dispersa.

Eu não posso falar muito sobre a segunda e a terceira partes do livro, porque não quero dar spoiler pra ninguém. Mas basta falar que a narrativa melhora muito ao longo do livro. A segunda parte, que é narrada por outro personagem, foi a minha favorita.

Tenho que dar destaque para as cenas de ação do livro. Com certeza, foram algumas das melhores cenas de ação que eu já vi em um livro nacional. Empolgantes, cheias de adrenalina, parecia que eu tava lutando junto com os personagens. Sem dúvida, um dos fatores mais legais do livro.

O enredo é bastante envolvente, e é muito legal ver a história se desenrolar ,tanto a evolução pessoal dos personagens quanto a da guerra que ocorre entres os magos e o governo. Eu não consegui largar o livro, de tanto que eu queria saber o que acontecia depois.

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Leran é o personagem principal da história, mas o livro também conta com vários outros personagens legais. Luana, a irmã mais nova de Leran, Judra, uma garota com quem Leran se envolve, e Galek e Boom, jovens magos e membros do grupo que se opõe ao governo, são todos ótimos personagens coadjuvantes.

No ínico do livro, Leran é um pouco entediante. Afinal, até este ponto, ele ainda é só um adolescente normal. Mas ao longo do livro, ele se torna um personagem muito mais marcante, e se transforma no tipo de protagonista que dá vontade de continuar acompanhando.

A minha personagem favorita no livro, sem dúvida, é a Judra. Eu não posso entrar muito em detalhes, porque como eu já disse, sem spoilers, mas ela foi a maior surpresa que eu tive com esse livro. Pela forma que ela é introduzida na história, eu esperava que ela fosse ser apenas o par romântico de Leran, mas ela superou bastante as minhas expectativas.

Os outros personagens, como a família de Leran e os outros magos, são muito legais. Luana e Bretor, avô de Leran, são ótimos personagens de apoio. E Galek, Mael, e Boom, jovens magos e membros do grupo de oposição, são divertidos de acompanhar, e protagonizam algumas das melhores cenas de luta do livro.

Tenho a impressão de que minha mãe sabe sobre a rebelião também. Pior.. quando ela diz “eles”, refere-se aos silenciadores. Como ela sabe disso?

O livro é muito envolvente, e a narrativa, apesar de um pouco confusa em certos pontos, ajuda a transportar ainda mais o leitor para esse mundo fantástico e empolgante. Eu já falei algumas vezes em outras resenhas, mas vale repetir que é sempre muito animador ver que existem livros nacionais com uma proposta mais fantástica.

o encantador de flechas

Supernova: O Encantador de Flechas é uma ótima adição pra essa lista de livros de fantasia nacionais. Espero que o segundo livro não demore muito pra sair, pois já estou me mordendo de ansiedade.

Se você gosta de histórias repletas de magia e de ação, centrados em um ambiente com uma história intrigante e envolvente. não deixe de conferir esse livro. Garanto que não vão se decepcionar.

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Resenhas 20jul • 2015

A Profecia de Samsara, por Leticia Vilela

Escrito por Leticia Vilela e publicado pela editora Gutenberg, A Profecia de Samsara é uma história de fantasia, que combina uma mitologia complexa com um plot de vingança épico. O livro conta a história de Arjuna, o jovem príncipe do clã dos Devas, seres mágicos que se mantem vivos a partir da energia mágica emanada pelos humanos.

Após o assassinato de seu irmão, Arjuna começa uma busca incessante por vingança, e persegue a principal suspeita do crime, que por acaso é Drapaudi, a mestra e mentora de seu irmão. Draupadi, sem ter como se defender das acusações, foge acompanhada de Asti, uma humana que considera como filha, que esconde um segredo que pode abalar completamente o mundo mágico que habitam.

Viu-a depositar com cuidado o envoltório em uma cama, e descobrir os panos que envolviam seu conteúdo. Quando ele foi exposto, Arjuna sentiu um arrepio na espinha. Eram pedaços de uma estátua humana, feita de vidro negro. E ele sabia que era isso que acontecia quando os Devas morriam: eles se transformavam em vidro. Se esse vidro quebrasse, a morte era irreversível.

A narração do livro é compartilhada por três personagens diferentes. Arjuna e Asti passam a maior parte do livro revesando capítulos, e ocasionalmente, um capítulo é narrado por Naguendra, Reguente dos Nagas, raça de criaturas místicas que são metade cobra, e um dos antagonistas da história.

Essa mistura de narração ajuda bastante o enredo do livro. Arjuna, Adris e Naguendra tem vozes bastante distintas, e todos contribuem bastante para o andamento da história. Os capítulos de Adris foram os meus favoritos, pois são neles onde acontece a maior parte da exposição do mundo dos Devas, já que ela é a que menos conhece o mundo. Foi uma experiência legal conhecer esse mundo com ela.

A Profecia de Samsara

A caracterização dos personagens também é muito bem feita. Arjuna é um protagonista envolvente, determinado e orgulhoso, beirando na prepotência as vezes. Sem querer dar spoilers, o personagem dele cresce bastante ao longo do livro, e foi muito interessante acompanhar essa evolução.

Adris também tem uma evolução muito interessante. No início da história, ela é uma menina indefesa e assustada, sempre protegida pela mãe. Ao logo do livro, ela se torna uma moça confiante e poderosa. Gostei bastante da personagem dela, sem dúvida minha favorita no livro.

Refeita, pensou se não deveria ir atrás de Draupadi, mas não tinha a menor ideia de onde ela poderia estar ou mesmo qual era sua aparência agora, sob o disfarce de alguma de suas inúmeras escultura de luz.

A história no geral é bastante elaborada. Eu nunca tinha lido um livro centrado no Oriente Médio antes, e foi super legal conhecer uma história passada nesse ambiente. A mitologia do livro é bastante complexa, as vezes um pouco demais. As primeiras dez páginas do livro são dedicadas a explicar a mitologia e o mundo do livro, com mapas, glossário e linha do tempo da história do pais do Devas.

Outro detalhe super legal do livro é que cada capítulo vem acompanhado de uma ilustração linda e detalhada. A própria autora é uma das artistas creditada pelas ilustrações e ela está de parabéns, ficaram realmente incríveis. As ilustrações ajudam a criar a atmosfera geral do livro.

A Profecia de Samsara
A Profecia de Samsara é um dos livros nacionais mais maneiros que eu já li. É o tipo de livro que eu quero ver mais na literatura nacional, cheio de mitologia e de elementos fantásticos, e centrado em uma terra exótica e intrigante. Com certeza, recomendo pra vocês.

Resenhas 16jul • 2015

Vango – Entre o Céu e a Terra, de Timothée De Fombelle

Vango Entre o Céu e a Terra é uma ficção histórica escrita pelo autor francês Timothée de Fombelle, publicada no Brasil pela Editora Melhoramentos. Primeiro volume de uma duologia, o livro conta a história de Vango, um jovem com um passado misterioso que é acusado de assassinato e forçado a se tornar um fugitivo, no mesmo dia em que se tornaria padre.

Vango havia subido os poucos degraus do palanque. Um bando de crianças do coro se dispersou aos gritos à sua passagem. Os policiais tinham a sensação de atravessar o pátio de uma escola. A  cada passo, tropeçavam numa criança ou recebiam uma cabeçada no estômago.

Centrado nos anos entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais, o livro conta de forma não cronológica, através de flashbacks e narrações, a história de Vango, um garoto de 19 anos, que após ser encontrado nos restos de um barco naufragado quando ainda era um bebê, passa a viver como um nômade, atravessando diversos países do continente europeu. No dia de sua ordenação, Vango se vê acusado de matar seu protetor, o padre Jean.

Vango

O enredo é contado em terceira pessoa, de forma não cronológica, passando por várias décadas das vidas dos personagens, que dividem a narração do livro. Apesar de ser o personagem principal, Vango é um dos que menos aparece na história. Ele serve mais como um ponto de ligação entre os diversos personagens. O livro também conta com a presença de Ethel, uma jovem que teve sua adolescência marcada pela presença de Vango; o Delegado Boulard, policial responsável pela captura de Vango; o Padre Zéfiro, homem que tem uma grande influencia na vida de Vango; entre outros.

Ele notou um pouco de tristeza disfarçada na voz dela. E Boulard, que não conseguia deixar de analisar tudo, viu que ela não mentia. Ela não conhecia aquele seminarista escalador de catedrais – não reconhecia o Vango que se revelara naquele dia – porém Boulard percebeu que certamente ela o conheceu em outros tempos.

A narração do livro é muito interessante, bastante rica em detalhes e cheia de informações históricas sobre o período das grandes guerras mundiais. Eu acho que nunca li um livro de ficção tão rico em fatos históricos. Fica bem óbvio o nível de pesquisa que o autor deve ter feito.

Os personagens são todos incríveis e muito bem escritos. Eu realmente não consegui escolher um favorito, todos são incrivelmente bem caracterizados e realistas. Parecia que cada um poderia ter um livro só pra eles, de tão interessantes que eles são.

O enredo é bastante complexo, e tem muitas reviravoltas surpreendentes. O mistério do passado de Vango, que eu imagino vai ser mais explicado na continuação do livro, é uma ótima forma de agarrar a atenção de leitores mais jovens, enquanto também os informa sobre fatos e acontecimentos históricos. Eu nem quero contar muito sobre a história nessa resenha pra não estragar o suspense pra quem for ler o livro.

O aspecto mais legal do livro é como ele consegue misturar a ficção com a realidade. O enredo do personagem fictício Vango acaba se enrolando com os acontecimentos reais da época em que o livro se passa, inclusive contando com aparições de figuras históricas como Hugo Eckener (capitão do dirigível Graf Zeppelin), Joseph Stalin e até mesmo Adolf Hitler.

Vango

Outro destaque do livro vai para a diagramação, que é muito linda. A ilustração da capa, a cor da fonte e dos detalhes das páginas, o livro todo é visualmente incrível e isso torna a leitura muito mais agradável. A Editora Melhoramentos está de parabéns pela atenção aos detalhes.

O livro é um dos melhores que eu li esse ano, talvez até em toda a minha vida. Como eu já tinha dito, o conteúdo histórico, a escrita formidável e o enredo intrigante colocaram esse livro no topo da minha lista de recomendações. Se você gosta de história e de livros cheios de suspense, não deixe de conferir! Espero ansiosamente a continuação e aproveito pra deixar registrado a minha súplica pelo outros livros do Timothée De Fombelle, que já entrou pra minha lista de novos autores favoritos.

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Resenhas 08jul • 2015

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo, de Rachel Cohn e David Levithan

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo é uma ficção norte-americana co-escrita pelos autores Rachel Cohn e David Levithan e publicada no Brasil pela Editora Galera Record. O livro conta a história de Naomi e Ely, dois adolescentes nova-yorkinos que melhores amigos desde a infância. Naomi é apaixonada por Ely e sonha em ter sua primeira vez com ele. Mas, infelizmente pra ela, Ely é gay.

Para evitar possíveis situações desagradáveis e proteger a amizade dos dois, eles montam uma lista de caras que nenhum dos dois pode beijar, não importa o quanto queiram. A lista (que inclui nomes como Gabriel, o porteiro gato do prédio deles), funciona muito bem e Naomi e Ely vivem em perfeita harmonia. Até o dia fatídico em que Ely beija Bruce, o namorado de Naomi. E é aí que as coisas se complicam.

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

Naomi e Ely, que até esse momento, não passavam nem uma hora sem conversar, simplesmente param de falar um com o outro e começam a se evitar completamente. E é nesse momento de silencio mutuo que ambos começar a refletir sobre a amizade dos dois, e sobre si mesmos.

O livro é narrado em primeira pessoa, por vários personagens. Naomi e Ely são os narradores principais, mas o livro também conta com capítulos narrados por Bruce Primeiro (ex-namorado de Naomi), Bruce Segundo (namorado atual de Naomi, aquele que o Ely beijou), e Robin (amiga de Naomi).

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

Os capítulos narrados por Naomi deixam obvio que a razão por ela ter ficado magoada pelo beijo é mais direcionada aos ciúmes que ela tem do Ely, do que pela traição do namorado. Ely, por outro lado, explica nos capítulos dele que os sentimentos que ele tem por Bruce Segundo são mais fortes do que ele jamais teve por nenhum namorado que ele tenha tido antes.

O interessante sobre a variação de narradores é que cada personagem apresenta um elemento diferente a história, pois eles enxergam os acontecimentos do enredo e os personagens envolvidos com pontos de vistas diferentes.

A narração da Robin, por exemplo, resalta ela percebendo que a Naomi não se permite sentir emoções profundas, preferindo guardar tudo pra si. Isso é bastante falado também quando Naomi reflete sobre o divórcio dos pais. É uma forma interessante de explorar os personagens por mais de uma perspectiva, e valoriza bastante os diálogos, que são um dos pontos mais fortes do livro.

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

Os personagens são muito bem escritos, e é legal observar que as características deles são retratas de forma bastante realista. Tanto Naomi quanto Ely apresentam qualidades e defeitos, e ambos são bem explorados no enredo. Naomi começa o livro como uma garota egoísta e emocionalmente fechada. Ao longo da história ela amadurece bastante, e é uma evolução legal de se observar.

Ely, por outro lado, começa a historia um tanto quanto solitário. Nos capítulos dele, ele fala que antes de ficar com Bruce Segundo ele nunca tinha tido um relacionamento sério, somente casos temporários. No fim do livro, ele parece bem mais resolvido emocionalmente.

Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo

É muito bom ver personagens que apresentam defeitos e ver esses defeitos serem explorados no enredo. No fim do livro, dá uma sensação boa ver como os dois amadureceram e, sem dar spoiler, parecem mais felizes. O foco do livro é sem dúvida a amizade de Naomi e Ely. Os casos amorosos dos dois tem destaque também, mas o principal conflito da história é se a amizade dos dois vai sobreviver.

Na minha opinião, quase dá alívio ver um livro direcionado a um público jovem dando uma importância tão grande para um relacionamento entre dois amigos, já que o gênero parece um pouco sobrecarregado de romance. (Não que romance também não seja legal, mas é bom ter uma variedade.)

No geral, Naomi e Ely e a Lista do Não Beijo é mais um ótimo resultado da parceira entre Rachel Cohn e David Levithan. Se você curte livros adolescentes, diálogos divertidos, e personagens fáceis de se identificar, não deixe de ler esse livro.

(P.S.: Quem eu preciso matar pra convencer a Galera Record a lançar Dash and Lily’s Book of Dares, lançar uma edição nova de Nick e Norah, e fazer um Box style, com as capas combinando?)

Resenhas 13fev • 2015

Os Servos do Apocalipse por Cleiton Machado

Os Servos do Apocalipse é um livro nacional, escrito pelo autor Cleiton Machado e publicado no Brasil pela Editora Multifoco. O livro conta a história de dois professores de uma universidade em Paris que descobrem um segredo que pode levar ao fim da humanidade.

O livro nos apresenta ao Dr. Henry Leflour, professor da Universidade de Paris, que tem uma de suas aulas interrompidas quando um rapaz lhe entrega um misterioso envelope que contém um antigo pergaminho. Leflour convoca a ajuda de Vicenzo Marchelli, historiador e seu amigo de muitos anos. O mistério que cerca o papiro se torna muito mais grave quando o rapaz que entregou o envelope a Leflour é encontrado morto nos arredores da universidade.

A primeira coisa que fica óbvia na leitura é que o autor dedicou muito tempo e esforço à pesquisa. O livro é recheado de citações e fatos sobre figuras históricas.

Outro ponto positivo do livro é a teoria que ele apresenta. Não vou entrar em muitos detalhes para evitar spoilers, mas é, com certeza, uma das teorias mais originais e inusitadas que já vi em um livro.

“Quarenta e cinco graus, o céu em chamas,
O fogo próximo da grande cidade nova,
Uma enorme chama irromperá para o alto
Quando se puserem os normandos à prova.”

Infelizmente, o livro deixa a desejar na parte da ficção. Os personagens principais não são desenvolvidos o suficiente para que o leitor se identifique com eles, o que acaba diminuindo o suspense de vê-los correndo perigo.  Talvez fosse diferente se o livro fosse mais comprido.

Outro problema que o livro apresentou foi a escrita em si. A narração é técnica demais, e as descrições dos locais e dos personagens soam mais como uma definição enciclopédica do que o ponto de vista de um personagem. Os diálogos são formais demais, e as falas são interrompidas para dar lugar a mais fatos e explicações, que talvez fossem mais bem utilizadas como notas de rodapé.

Os Servos do Apocalipse apresenta uma teoria intrigante e um conteúdo histórico bastante interessante. Mas, peca em relação aos personagens e na narração geral. O final do livro dá a entender que vá haver uma continuação, mas eu não sei se eu a lerei, principalmente porque o gênero não é um que me atrai. Mas se vocês se interessarem, leiam e tirem suas próprias conclusões.

Resenhas 05dez • 2014

Uma Canção Para A Libélula, por Juliana Daglio

Uma Canção Para a Libélula é um romance nacional escrito por Juliana Daglio e publicado pela Editora Deuses. Neste primeiro volume da história, acompanhamos Vanessa, uma pianista de sucesso que, ao fazer sua viagem de volta para casa, se vê enfrentando os fantasmas de seu passado.

O livro nos apresenta à Vanessa, uma jovem pianista que vive em Londres. A primeira impressão que temos é que a personagem leva uma vida tranquila, morando com os tios e se dedicando a sua carreira. Porém, logo percebemos que por trás de toda essa “tranquilidade” existe um trauma do passado que a consome aos poucos.

Após receber a notícia de que seu pai estava com graves problemas de saúde, Vanessa decide que é a hora de volta para o Brasil e ficar com sua família. Esta decisão faz com que as coisas mudem ao redor de Vanessa, fazendo com que ela seja dominada por sentimentos que ela mesma se recusa a admitir.

“Quando uma dor pede para levar embora suas lembranças ruins, ela também leva a parte boa. Arranca as raízes de tudo que você lembrava ser. Foi isso que aconteceu. A dor me levou a parte boa de minha infância e só deixou um vazio enegrecido para trás.”

Eu tinha vontade de conhecer essa história desde que firmei parceria com a autora aqui no blog (Confira aqui). Quando falamos de depressão, o conhecimento que envolve o tema acaba sendo muito vago, e tendo esse contato com a história da personagem, minha percepção sobre o assunto começou a mudar.

O que mais me chamou atenção no enredo foi a sutileza da autora ao introduzir as mudanças da personagem ao longo da história. Ao contrario do que eu esperava, pude acompanhar todo processo de mudanças de Vanessa, desde o momento em que ela volta para o Brasil, ao momento em que ela vai se fechando dentro de si mesma.

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Tudo na narrativa de Juliana Daglio está em sintonia. Nós temos uma personagem que te instiga a entrar no universo em que ela existe. Temos personagens secundários com personalidades fortes, uma família que está tentando superar a perda de um membro, e no meio de tudo isso há uma sinergia incrível que faz com que o leitor tenha uma imersão completa no enredo.

O relacionamento conturbado com a mãe foi o que mais me prendeu durante todo o enredo. Foi o ponto em que eu consegui entender melhor a personagem e tudo o que estava acontecendo a sua volta, e acho que essa relação foi o ponto principal para que a personagem se entregasse a todos aqueles sintomas que caracterizam a depressão.

“O lado obscuro dentro de mim odiava ser subestimado. Ele me levara até ali, e me manteria assim, do jeito que julgasse melhor me conduzir.”

A autora escolheu um tema extremamente complexo de ser abordado, e conseguiu inserir toda essa complexidade de uma forma tão simples e envolvente, que não há maneira de se terminar a leitura sem aquela sensação de “nó no estômago”. Confesso que passei alguns dias refletindo muito sobre tudo o que li desde a primeira página até a última, e mesmo assim eu ainda não consegui encontrar a descrição certa para o que é esse enredo.

É uma leitura completamente diferente do que eu estou acostumada a trazer para o blog. Acredito que tenha sido uma leitura completamente diferente para mim, principalmente pelo “efeito” que o livro me causou quando eu cheguei na ultima página. Acredito que a autora tenha um grande potencial, e eu mal posso esperar para ler outros livros dela.

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