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Mangás & Animes Resenhas 21fev • 2017

Helter Skelter, por Kyoko Okazaki

“Uma palavra antes de começarmos: risos e gritos soam muito parecidos”

A frase de abertura já mostra o clima e o tom do mangá Helter Skelter, talvez um dos quadrinhos mais controversos dos últimos tempos. Com uma arte crua e uma história pesada, pode acabar incomodando muita gente durante a leitura. Vencedor de vários prêmios, entre eles o Tezuka de 2004, Helter Skelter é bem recebido e aclamado pela crítica. A arte de Kyoko Okazaki é proposital. Ao desenhar um quadrinho sobre a cultura da beleza com uma arte ‘feia’ ela já deixa bastante reflexão.

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Helter Skelter teve a sua publicação na revista josei  Feel Young em 2003. A narrativa parte em dois pontos: um narrado por Lilico, uma Idol que chegou ao topo da carreira e agora tem que lidar com a sua decadência conforme envelhece; o outro narrado por um detetive que investiga estranhas mortes ligadas a uma clínica de estética. Lilico não suporta ver que depois de várias intervenções cirúrgicas e sacrifícios, sua carreira está acabando. Enquanto as ovações do público cessam, Lilico é obrigada a escutar os gritos no seu interior, tudo num clima bem perturbador.

Durante todo o quadrinho a autora coloca em xeque o culto às celebridades, ao padrão de beleza e os sacrifícios para alcançar um ideal irreal, que leva muita gente ao túmulo.

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Outra crítica já mais tangente ao público japonês (e quem sabe até a nós no ocidente) é o culto as Idols. Garotas são treinadas desde jovens para saber cantar, dançar e atuar, obrigadas a manter uma imagem inocente e pura, tudo para o prazer da audiência. Alguns anos atrás todo mundo de chocou com a notícia de uma integrante do AKB48 que teve de raspar a cabeça como castigo. Ela cometeu o incrível crime de ter um namorado, algo impensável para seus fãs.

A adaptação para live action de Helter Skelter (excelente por sinal) segue por caminhos bem curiosos. A escolha da atriz para viver Lilico foi ninguém menos que Erika Sawajiri, uma atriz bem odiada pelos japoneses, envolvida em diversos escândalos e problemas com droga.

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Helter Skelter é uma excelente indicação para quem gosta de discutir padrões de beleza e a cultura do corpo. Completo em um volume ele traz diversos momentos bem interessantes. Em determinado ponto Lilico comenta que “os cosméticos são como drogas”, em outro ponto ela reflete “Celebridades são freqüentemente julgadas como sendo extremamente fascinantes… Porque celebridade é como um câncer; um tipo de deformidade”.

O mangá abre nossos olhos para a estranheza que é adorar uma pessoa apenas por ela ser bela e famosa, e desejar mudar a forma física para entrar em uma estética impossível. Lilico mesmo é um Frankenstein, as únicas partes do corpo que realmente são suas são os cabelos, os lábios e a vagina. Nada é real nesse mundo da beleza e, envelhecer, pode ser o seu maior crime.

Aliás, por que temos tento medo da idade? Tudo isso é muito bem discutido e retratado nas páginas desse maravilhoso mangá e eu deixo aqui a minha humilde indicação. Antes de ler só aviso que o quadrinho é forte, temos várias cenas de nudez, abuso, drogas e drama psicológico, leia preparado.

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