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Resenhas 22nov • 2017

A Estrela da Meia-Noite, por Marie Lu

ATENÇÃO: Essa resenha contém spoilers dos primeiros livros da série jovens de elite. prossiga com cautela!

Eu estava muito curiosos para a leitura de A Estrela da Meia-Noite. Pra quem não leu a resenha de A Sociedade da Rosa, essa série fez uma coisa que eu nunca tinha visto uma série YA fazer antes: o livro explorou de verdade o lado obscuro de sua protagonista e a transformou em uma vilã. Então eu pelo menos queria que A Estrela da Meia Noite desse continuidade a essa jornada e que eles não tentassem justificar as ações da Adelina. E no geral o livro faz exatamente isso, mas eu não consigo largar da sensação que ficou faltando alguma coisa.

Em A Estrela da Meia-Noite, Adelina Amouretto agora é a Loba Branca, rainha de um exercito que está aos poucos dominando territórios e trazendo dor aos não-marcados. Mas Adelina é atormentada por diversos fatores, como a natureza obscura de seus poderes, a deterioração que os malfettos andam sofrendo e o paradeiro de sua irmã Violetta. Todos esses fatores colidem quando uma nova ameaça força Adelina a unir forças com os Punhais, seus antigos aliados e maiores inimigos.

Ok, vamos por partes. Eu não vou falar muito da escrita da Marie Lu nessa resenha, porque é o terceiro livro da série e o que eu tinha pra falar da escrita, eu falei na resenha de A Sociedade da Rosa. Basta falar que ela é uma ótima escritora e é uma das minhas favoritas nessa cena de distopias YA. Ela consegue passar muito bem as emoções complexas que os personagens sentem, e todo o conflito interno que se passa na cabeça da Adelina. A única coisa que me incomodou na escrita do livro foram os capítulos aleatórios narrados por outros personagens. Por mais que eu entenda a intenção de ampliar o ponto de vista da história, eu achei que os capítulos pareceram espalhados aleatoriamente pelo livro.

– Chegara o dia em que a derrubaremos. Escreva minhas palavras. Vamos assombras seus pesadelos.

Cerro os punhos e lanço uma ilusão da dor através de seu corpo.

– Eu sou o pesadelo.

Esse livro se aprofundou muito mais na mitologia do universo da série do que os outros e eu realmente gostei de como isso foi feito. Talvez os dois primeiros livros da série poderiam ter passado um pouco mais de tempo explorando esse lado da história, já que eles focaram mais nos aspectos políticos e emocionais, mas o que o terceiro livro mostrou já me agradou bastante. Foi muito interessante ver o livro explorando a ideia de que os Jovens de Elite são basicamente o meio termo entre deuses e mortais.

Mas vamos a questão mais importante: O livro continua a exploração da Adelina como vilã? E a resposta é sim, de uma certa forma. Nesse terceiro livro, nós vemos ainda mais do lado sombrio de Adelina, e o livro não tenta justificar as coisas que ela faz. Nós entendemos exatamente o porque dela ter chegado a esse ponto, mas o livro não tenta te convencer que ela é apenas uma vítima. A história não deixa ela se safar sem consequências, e no final você realmente tem a sensação de que ela passa por uma transformação incrível.

Quantas pedras foram jogadas em mim quando criança? Quantas crianças marcadas foram queimadas vivas nas ruas? Como é irônico ver esses soldados vestidos de branco que tanto temi agora obedecendo a todas as minhas ordens.

Por outro lado, a única coisa que eu vou levantar como negativa do livro é o fato de que ele me parece ser curto demais. O ritmo do livro é um pouco bagunçado, como se ele não te desse muito tempo para respirar entre um momento e outro. Quando morre um personagem, você não tem a chance de realmente sentir o impacto que deveria. No fim da leitura, eu fiquei com a impressão de que não tinha lido o livro inteiro, como se a minha edição tivesse vindo com capítulos faltando.

No geral, A Estrela da Meia-Noite não é um livro ruim, mas não é exatamente o que eu esperava da conclusão da série Jovens de Elite. Apesar de gostar muito da evolução da Adelina como personagem e de onde o enredo a leva, quando conclui essa leitura, eu fiquei com a sensação que tinha lido um conto que fazia parte da série, não o capítulo final da trilogia. A série como um todo é ótima, mas essa terceira parte infelizmente deixou a desejar. Mas com certeza recomendo essa e todos os outros trabalhos da Marie Lu que continua sendo uma das minhas autoras favoritas.

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Resenhas 04dez • 2016

A Sociedade da Rosa, por Marie Lu

ATENÇÃO! ESSA RESENHA CONTEM SPOILERS DO PRIMEIRO LIVRO DA SÉRIE! SE VOCÊ NÃO QUER SPOILERS, LEIA COM CUIDADO!

A Sociedade da Rosa é o segundo livro da série Jovens de Elite, da autora Marie Lu, que também escreveu a série Legend. O primeiro livro, Jovens de Elite, nos apresenta Adelina, uma jovem que vive em Kennetra, um país afetado por uma doença que marca os sobreviventes com deformações físicas, e os deixa com habilidades especiais. Os marcados, denominados malfettos, são descriminados pela sociedade, até mesmo por suas famílias, como no caso de Adelina que é maltratada pelo pai. A única pessoa que tem como amiga é sua irmã, Violetta.

Após acidentalmente matar o pai, Adelina é condenada a morte, mas é salva de sua execução por um grupo de malfettos revolucionários, conhecidos como a Sociedade dos Punhais. Adelina se junta ao grupo, e começa a aperfeiçoar seus poderes ilusórios. Adelina se aproxima rapidamente dos membros da Sociedade dos Punhais, principalmente de Rafaelle, um gentil acompanhante, e de Enzo, líder dos Punhais e príncipe exilado de Kennetra.

Mas as coisas não são tão simples quanto parecem. Adelina precisa lidar com a natureza sombria dos seus poderes, alem de precisar fazer um acordo com Teren, o Inquisitor chefe e soldado mais leal da rainha, para salvar a vida de Violetta. Adelina precisa determinar em quem deve depositar sua confiança.

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A descrição do plot que eu fiz ali em cima é focada no primeiro livro, porque seria chato entregar a direção da história logo de cara, sabe? Então achei melhor explicar um pouco da história do primeiro livro no começo, e passar o resto da resenha falando mais da escrita e dos personagens, que são as partes mais importantes do livro, na minha opinião. Essa é a segunda que eu leio da Marie Lu, e pela segunda vez, eu concluo uma leitura completamente satisfeito com o que eu li.

A narrativa é feita na maior parte pela Adelina, excluindo alguns capítulos narrados pelo Rafaelle ou pelo Teren. Os capítulos da Adelina são narrados em primeira pessoa, e os outros são em terceira pessoa. Pra ser totalmente sincero, eu estou um pouco cansado de livros YA narrados em primeira pessoa, porque parece que todos eles são. Mas a escrita da Marie Lu é muito boa, ela consegue passar muito da história só nos pensamentos dos personagens, então não dá pra reclamar muito.

O worldbuilding da série em geral é bem básico, a coisa mais diferente que tem no universo dos Jovens de Elite é a explicação de como os poderes deles funcionam, que é longa demais pra explicar aqui. Eu acho que a série poderia ter usado um pouco mais de originalidade no mundo criado, mas acho que a intenção foi dar maior foco para os personagens, e para as transformações que eles passam ao longo da história. Se a intenção foi essa mesma, deu bastante certo.

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ESSA É A PARTE DA RESENHA QUE VAI TER SPOILER, OK? SE NÃO QUISER SABER DETALHES IMPORTANTES DA HISTÓRIA, PULA PRO PARÁGRAFO DEPOIS DA PRÓXIMA FOTO!

O ponto mais forte da história pra mim é a evolução da Adelina como personagem. No começo do primeiro livro, ela é uma menina reprimida e rejeitada pelo pai. Ao longo do primeiro livro, descobrimos que não só ela tem o poder de criar ilusões, ela teve esse poder reprimido pela irmã, que é uma malfetto sem marcas. Por ter passado a vida com o seu poder contido, quando ela está longe da família, esse poder se liberta e ela se torna cada vez mais sedenta por poder e controle.

Além disso, a rejeição que sofreu pelas mãos do pai, combinado com o que ela pensa ser uma traição pelos Punhais enchem a alma dela de escuridão, e no final do segundo livro, ela é basicamente a vilã principal da história, tendo tomado o trono de Kennetra, e induzido Teren a assassinar a rainha Giullieta. Eu nunca imaginei que uma série YA ia se arriscar transformando a protagonista em vilã, mas fui surpreendido positivamente.

Os outros personagens são bastante interessantes, principalmente Teren, Enzo e Rafaelle, e no segundo livro Maeve, rainha da nação de Beldain, mas eu fiquei simplesmente vidrado da transformação da Adelina. Quero mais livros que se aprofundam mais no lado sombrio dos personagens assim. Mais personagens complexos, com motivações interessantes, e menos personagens básicos, por favor!

OK, ACABARAM OS SPOILERS!

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A Sociedade da Rosa, e a série Jovens de Elite no geral, é mais um exemplo de porque a Marie Lu é uma das minhas autoras de YA favoritas. Ela criou uma história interessante e com personagens bem construídos. Até aí já tava bom, mas ela ainda foi e fez uma transformação incrível com um desses personagens, de um jeito que eu nunca tinha visto em um YA na vida.

Recomendo A Sociedade da Rosa pra todo mundo, sério. E vocês, já leram algum livro da Marie Lu? Conta pra gente nos comentários!

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