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Resenhas 04nov • 2017

Romance Entre Rendas, por Loretta Chase

Quando eu li o primeiro livro da série As Modistas, lady Clara Fairfax era apenas uma garota mimada que havia sido prometida a um duque. Confesso que durante os três livros da série, achei que Clara não fosse ser muito mais do que isso. Mas Loretta Chase tem essa escrita maravilhosa que vem para nos surpreender e provar que mesmo sendo criada para ser uma duquesa, lady Clara era muito mais do que um rosto bonito com um dente lascado. Pelo contrário, Clara provou em Romance Entre Rendas que ela pode até não ser uma Noirot de sangue, mas com certeza compartilha o mesmo espírito das costureiras que nós amamos tanto.

Depois de terminar de ler Romance entre Rendas, eu só posso dizer que o livro não era nada do que eu estava esperando – e digo isso da melhor forma possível. Loretta Chase tem uma escrita suave e envolvente. Ela criou um romance entre dois personagens que tem pontos de vista completamente diferentes sobre o mundo. De um lado nós temos um jovem advogado tentando ganhar o mundo e do outro lado nós temos uma dama, criada para ser a esposa de um duque, buscando desesperadamente ser mais do que apenas uma bela futura esposa. O conflito entre os dois resulta em um romance de tirar o fôlego, mas é claro que Chase não iria parar por aí.

Em Romance Entre Rendas nós temos o desfecho da série As Modistas com a personagem que deu início a tudo isso: lady Clara Fairfax. Se assim como eu, você acompanhou essa série desde começo, então você sabe que tudo o que nós não poderíamos esperar era que Clara fosse se apaixonar por alguém que não se encaixa nem um pouco dentro do seu mundo. Mas foi exatamente isso o que Chase nos deu. O fato dela ter explorado o lado humano de Clara me deixou cada vez mais apaixonada por esse livro. Foi muito interessante ver a personagem sair de dentro da sua zona de conforto e ir enfrentar o mundo como ele realmente é.

“A boca dele pressionou a dela e coisas estranhas aconteceram na cabeça de Clara, e se espalharam por seu corpo. Ela foi invadida por sensações que desconhecia, e todas as regras de como ser uma dama, descritas de modo específico num grande livro em seu cérebro, desapareceram.”

Apesar de ter uma história envolvente, o desenvolvimento do enredo me incomodou bastante do começo ao fim do livro. Não se enganem, a escrita de Loretta foi tão boa quanto nos três primeiros livros da série, mas confesso que em Romance Entre Rendas, eu senti os acontecimentos um pouco mais lentos do que nos livros anteriores. Em alguns pontos era como se a história não tivesse andando, embora eu tivesse certeza de estar avançando nos capítulos. Isso me deixou um pouco desanimada com o livro, mesmo os personagens e a história em si compensando por essa sensação passiva do livro.

De todos os heróis escandalosos desse livro, Corvo foi o que realmente roubou meu coração. Eu gosto do humor ácido que ele tem e do seu ego inflado. Ele é aquele tipo de herói que caminha com a certeza de que é o melhor no que faz e prova isso todos os dias, para quem ousar dizer o contrário. Além disso, ele é um herói que compreende muito mais do julga, que apoia e desafia a heroína do livro a todo momento. Eu gosto muito do fato de ele proteger Clara, mas não a trata como se ela fosse de cristal, pelo contrário, ele permite que ela explore a pessoa que ela quer ser.

“– A senhorita bateu o pé – assinalou ele – Como uma criança mimada.
– Eu sou uma criança mimada, seu sujeito insuportável. Só estou tentando ser menos mimada e mais útil para alguém.”

Eu amei a forma como a Loretta Chase desenvolveu a história da Clara, tirando aquela personalidade mimada que conhecemos no começo da série. Fiquei feliz que a autora tenha dado oportunidade para que a Clara pudesse crescer e mostrar que era muito mais do que a filha de um marquês e a irmã de um conde. Também gostei de poder vê-la de uma forma completamente nova, disposta a colocar a mão na massa e viver uma vida fora de tudo aquilo que ela já conheceu. Clara se provou uma heroína muito forte e que não tem medo de encarar desafios.

Romance Entre Rendas foi um livro muito mais surpreendente do que eu estava esperando. Apesar do enredo lento, Loretta conseguiu me surpreender com seus personagens e encerrar a série As Modistas com chave de ouro. Se você ainda não conhece essa série, mas está curioso para saber mais sobre o universo criado por Loretta Chase, confira a resenha de Sedução da Seda e Volúpia de Veludo.

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Resenhas 05jul • 2017

Volúpia de Veludo, por Loretta Chase

Depois de muito esperar, a editora Arqueiro finalmente lançou o terceiro livro da série As Modistas, Volúpia de Veludo, o livro que conta a história de Leonie, a terceira e última irmã Noirot. Confesso que eu estava um pouco apreensiva com este livro. Nos enredos anteriores, Leonie fora a personagem que recebera menos destaque no enredo, então não se sabia muito sobre ela. Mas, verdade seja dita, a escrita de Loretta Chase é simplesmente fantástica e Volúpia de Veludo se revelou o meu livro favorito desta série. Seus diálogos eram maravilhosos, os personagens são bem construídos e o romance? Bem, se você não terminar este livro completamente apaixonado por Leonie e Lisbourn, eu realmente não sei o que fazer com você.

Leonie Noirot é a mais nova das irmãs Noirot. Assim como suas irmãs mais velhas, Leonie estava determinada a manter os negócios da família funcionando a todo o vapor, não tendo muito tempo para se dedicar a qualquer outro assunto. Quando descobre que lady Gladys, prima do marquês de Lisburne retorna a Londres para mais uma temporada, Leonie toma para si a missão de transformar a jovem dama em uma das moças mais desejadas daquela temporada. É claro que ela não contava com a interferência do marquês de Lisburne que, obcecado em tentar seduzi-la, acabava menosprezando suas habilidades.

Leonie então decide que o marquês precisa de uma lição e os dois acabam apostando que, em quinze dias, Leonie seria capaz de conseguir para lady Gladys admiradores e até mesmo uma proposta de casamento. Conforme dos dois se aventuram no atêlie da Maison Noirot, fica cada vez mais evidente a atração que existe entre eles. Mas será que aquilo era apenas resultado da competitiva aposta? Ou será que Leonie estava vendo seus sentimentos pelo marquês mudarem diante dos seus olhos?

De todos os enredos desta série, até agora, Volúpia de Veludo foi o que mais me instigou a continuar a leitura até o final. Neste romance, Loretta tirou um momento para explorar muito mais do que o relacionamento do casal principal e mostrar um pouco mais sobre como era a sociedade da época. Eu gostei muito de poder me aprofundar mais nos trabalhos da Maison Noirot e conhecer a personalidade da Leonie. A narrativa do livro, ainda em terceira pessoa como nos volumes anteriores, agregou muito a história. Foi possível ter uma visão muito ampla dos personagens e conhece-los mais a fundo. Loretta Chase não poupou detalhes quando se tratou de construir a personalidade dos seus personagens.

Leonie se tornou a minha irmã Noirot favorita, embora eu não pensasse que alguém pudesse roubar meu coração da esperta Marcelline, personagem principal do primeiro livro desta série. Ao contrário das irmãs, Leonie não tinha nenhum dom criativo, ficando ao encargo dos números da Maison. Num primeiro momento eu pensei que este pequeno detalhe não faria diferença na história, mas a inteligência e perspicácia da jovem para a administração dos negócios realmente deixaram o enredo de Volúpia de Veludo bem mais interessante do que eu esperava.

Os diálogos de Loretta Chase são inteligentes, bem construídos e arrancam boas risadas dos leitores. Eu consegui me envolver com facilidade com a leitura, principalmente quando se tratava das cenas de Lisburne e Leonie. O enredo não é tão corrido como nos livros anteriores, dando tempo ao leitor de conhecer e se envolver com os personagens principais da trama. Loretta também aproveitou personagens já conhecidos de outros livros, como o duque de Clevedon, por exemplo, e também Lady Clara.

O romance flui de uma forma bastante natural neste livro. Apesar de todo o interesse de Lisburne por Leonie ter começado apenas por um capricho do marquês, fica evidente que o interesse dele na jovem começa a ultrapassar as barreiras da sedução conforme ele conhece mais da personalidade da moça. A forma como Leonie lida com as investidas do marquês, não se deixando levar pelo jogo de sedução também é muito interessante de se acompanhar, apesar de sabermos que ambos os personagens estavam apenas tentando evitar o inevitável.

Volúpia de Veludo é definitivamente a leitura mais divertida e intrigante da série As Modistas. Apesar de Loretta Chase ainda não ser uma das minhas escritoras de romance de época favoritas no momento, a autora certamente sabe como criar personagens interessantes, que fogem bastante dos clichês do gênero. A leitura de Volúpia de Veludo foi divertida, envolvente e é certamente um romance que eu vou me pegar relendo quando tiver oportunidade.

Gostou desta resenha? Então não deixe de conferir os outros livros da série As Modistas.

Resenhas 05fev • 2016

O Último dos Canalhas, por Loretta Chase

Eu tenho um grande fraco por romances de época, e eu sempre fico muito entusiasmada quando surge uma autora nova no mercado editorial nacional. Uma das coisas mais interessantes desse tipo de literatura, é poder fugir um pouco dos romances atuais e mergulhar numa época onde as mulheres não tinham tanto poder ou voz. Minha aventura da vez foi um livro da série Scoundrels, O Último dos Canalhas, da Loretta Chase. É preciso frisar que esta série não está sendo publicada na ordem correta, sendo O Príncipe dos Canalhas, o primeiro livro da autora publicado no Brasil, o terceiro livro da série, e O Último dos Canalhas o quarto e último livro.

Se você já leu O Príncipe dos Canalhas, provavelmente está familiarizado com Vere Mallory. Em O Último dos Canalhas, Vere acaba de herdar o título de Duque Ainswood e apesar da honra de representar o título, ele não está nem um pouco interessado em desempenhar o papel com a dedicação que o mesmo exige. É então que seu caminho se cruza com o de Lydia, uma jovem jornalista impetuosa e que não se deixa seduzir por seus encantos. Ao ser nocauteado pela jovem solteirona em público, Mallory decide se vingar destruindo a reputação dela. O que ele não esperava era que isso poderia ser muito mais difícil do que ele pensava.

o ultimo dos canalhas

Loretta Chase me surpreendeu demais com uma personagem que não tem a menor preocupação com o que os outros pensam dela. Apesar das dificuldades de uma mulher na sociedade da época, Lydia trabalhou muito para construir uma reputação respeitada como jornalista. Além de determinada, ela não se deixa abalar com os insultos masculinos e, do meu ponto de vista, além de muito feminista, ela luta sozinha para ajudar outras mulheres que se encontram em situações precárias ou que foram abandonadas grávidas por seus amantes.

O enredo do O Último dos Canalhas tem um toque muito além do romance que sempre nos incentiva a pegar esse tipo de livro para ler. Loretta aproveita seus personagens para explorar as questões sociais da época mostrando que se uma mulher realmente deseja algo, ela precisa conquistar com seu próprio suor e não se deixar abalar pelas regras e convenções. Claro que o enredo nos dá um romance cheio de intrigas e brigas que nos fazem rir e chorar ao mesmo tempo. Ambos, Mallory e Lydia, tem um temperamento forte e são teimosos, e a autora explora isso ao máximo dentro do enredo.

O Último dos Canalhas

Diferente de outros romances de época que eu li, Loretta Chase tem uma escrita mais densa e muito mais detalhista do que eu estava acostumada. Apesar de ter gostado da história em geral, achei o desenvolvimento do enredo um pouco lendo e a escrita da autora um pouco cansativa em certos pontos. Isso me deixou um pouco frustrada e até perdida na história, principalmente porque em alguns pontos eu sentia que o capítulo não estava me levando a lugar algum. Haviam muitos elementos sendo abordados ao mesmo tempo, e muitos personagens que eu senti que só receberam destaque para tapar buracos dentro da história.

Não tenho do que reclamar em relação aos personagens. Apesar de durão e extremamente mal humorado, eu gostei muito da forma como Mallory cresceu dentro do livro, melhorando nos seus defeitos para se tornar o tipo de homem com quem Lydia poderia pensar em se casar. Além disso, a forma como os personagens principais se apaixonam e resolvem se casar foi uma das mais engraçadas que eu já vi na literatura de época e com certeza compensou os pontos que eu não gostei em relação ao desenvolvimento do livro. Loretta Chase mandou muito bem nos elementos que escolheu para compor essa história de amor.

O Último dos Canalhas

Em geral eu me surpreendi bastante com essa série, principalmente por ter encontrado muito de O Príncipe dos Canalhas no enredo. Eu não achei que a autora pudesse dar um tom mais divertido para a história, mas eu realmente gostei das armações de Lydia e os planos malucos que ela inventava para colocar em pratica suas façanhas. São detalhes simples, mas que me fizeram me identificar com a personagem e imaginar ela como alguém que eu realmente gostaria de conhecer pessoalmente, se me entendem.

Eu ainda estou curiosa para entender porque a Editora Arqueiro escolheu lançar os livros em uma ordem diferente e não seguindo a série, mas se você está preocupado com o fato disso afetar a leitura, pode ficar tranquilo. Apesar de estar dentro do mesmo universo, os enredos são bem construídos, de forma que você não precisa se preocupar com qual volume da série você vai ler primeiro.  Por fim, eu fiquei satisfeita com Loretta Chase, apesar dos detalhes que não gostei, e estou ansiosa para conhecer os outros dois livros dessa série!

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