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Resenhas 19nov • 2017

Longa Viagem a um planeta pequeno e hostil, por Becky Chambers

Eu não me interesso por um livro de sci-fi desde que eu comecei a ler a série Sky Chasers da Amy Kathleen Ryan – e olha que muitos outros já passaram pelas minhas mãos. Como toda boa leitora, existe uma certa preocupação quando se trata de livros ambientados no espaço da minha parte. Começa com a ambientação da história, o período em que se passa a história, todo o background que irá envolver os personagens e, não menos importante, a narrativa do livro. Por isso, quando eu escolhi Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil, eu sabia que precisava fazer essa leitura no momento certo. E apesar do enredo de Becky Chambers ter as suas falhas, a sua escrita é inegavelmente maravilhosa.

Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil foi uma leitura completamente diferente do que eu estava esperando, até porque a sinopse do livro não revela muito sobre o que vamos encontrar. Mas não se intimide, tá? Chambers tem uma escrita bastante fluída e dá para perceber o cuidado que ela teve em criar todos os personagens e suas histórias. A construção do universo desse enredo é tão bem feita que você consegue se imaginar dentro da Andarilha sem a menor dificuldade e isso foi o que eu mais amei em todo o universo do livro.

O problema é que o desenvolvimento da história é lento e as apresentações dos personagens longas demais. Eu já estava bem longe da página 100 do livro e ainda estava sendo apresentava aos personagens e nada de muito impressionante havia acontecido na história. Mesmo com a escrita maravilhosa da autora, eu tive muita dificuldade em me manter concentrada no livro porque eu não sentia que a história estava chegando a lugar algum, o se realmente havia uma história ali – calma, existe uma história e é ótima, mas demora muito para acontecer. O maior pecado da autora, neste ponto em questão, foi tentar focar muito na relação dos personagens e deixar de lado a viagem que estava em curso.

“O simples fato de usarmos a expressão sangue-frio para denominar alguém pouco emotivo mostra o nosso preconceito inato de primata em relação aos répteis. Não julguem outras espécies pelas suas próprias normas sociais.”

Lentidão do enredo a parte, os personagens desse livro são maravilhosos. Desde Sissix, uma aandriskana impossível de você não amar até Rosemary, uma humana criada numa colônia em Marte, todos são extremamente apaixonantes a sua forma. Becky Chambers focou todos os seus esforços no livro em construir o relacionamento entre esses personagens e em ir muito além de uma amizade, mas explorar tudo o que pode da parte emocional de cada um deles – e eu me maravilhei cada momento dessa construção, até porque ela consegue escapar de todos os clichês que, eu confesso, achei que fossem acontecer.

 

Nós temos todos os relacionamentos em primeiro plano no livro, talvez por isso a escrita em terceira pessoa tenha se encaixado tão bem. Mas eu quero chamar atenção mesmo para a forma como a autora cria os laços entre espécies e prova por A mais B que o amor não tem uma regra, ele apenas é. E eu amei isso nesse livro. Mais do que focar em um único personagem, Chambers nos deu uma nave inteira de diferentes exemplos de amor e diferentes formas de se construir uma relação com alguém, e a forma sutil que ela faz isso, é maravilhosa.

“Acho que, em geral, as pessoas decidem passar por uma cirurgia antienvelhecimento porque têm baixa autoestima e sentem que não são boas o suficiente com sua aparência atual. Só que tudo que fiz com meu corpo foi por amor. É sério. As tatuagens são uma recordação de vários lugares e lembranças específicas, mas, no fundo, tudo o que fiz foi o meu jeito de dizer que este é o MEU corpo. Que não quero o corpo que todos me diziam que eu deveria ter (…) Nem fodendo. Se vou mudar o meu corpo, as mudanças têm que vir de mim.”

A única coisa que me incomodou bastante no livro foi a falta de aprofundamento dos personagens, e nesse ponto eu vou ter que atribuir a culpa a narrativa em terceira pessoa. Como o narrador do livro é apenas um observador, ele não tem como nos mostrar o que está no íntimo de cada personagem, mas apenas o que ele vê e eu senti falta dessa intimidade no enredo. Sabe quando você conhece tão bem um personagem que pensa: “Nossa, fulano teria adorado isso…”, em Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil infelizmente eu não consegui ter essa sensação e foi algo que eu senti falta durante a leitura.

Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil é um livro que tem um universo muito amplo. Chambers no leva para conhecer várias partes da galáxia e se você, assim como eu, adora poder sair um pouco do planeta terra, esse livro vai ser a sua passagem de ida para um universo que você jamais imaginou que poderia conhecer – e a Andarilha fosse a sua nave, a melhor nave, viu? Chambers tem um jeito muito acolhedor de te envolver no universo que ela cria e isso, por si só, já torna a leitura maravilhosa.

Eu adorei a leitura de Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil, mesmo com todos os altos e baixos do enredo. Foi um livro que me levou para viajar e que me apresentou a personagens maravilhosos que me deixaram com aquela vontade de ficar. E quem acompanha esse blog sabe que é muito difícil hoje em dia eu ter essa sensação tão boa sobre um livro. Becky Chamber ganhou meu coração com seus personagens, com a forma como ela aborda alguns assuntos e principalmente com o seu universo.

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