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Resenhas 27set • 2017

Time Humanos, por Justine Larbalestier

Faz um tempo que eu ando um pouco traumatizada com livros sobrenaturais ou que retratam vampiros de uma forma muito distorcida. Eu sempre acabo me decepcionando com essas séries por causa do rumo que o enredo toma e, querendo ou não, essa ideia de “se apaixonar por um vampiro” sempre me deixou bastante incomodada muito antes de Crepúsculo. Por isso, quando Time Humanos foi lançado no Brasil, eu queria muito saber onde Justine Larbalestier e Sarah Rees Brennan iriam chegar com esse enredo e, apesar de não ter sido um dos melhores livros que eu li, Time Humanos é um Young Adult que vale muito a pena ser lido por aqueles que adoram um livro sobrenatural.

Time Humanos se passa em uma realidade onde humanos e vampiros coexistem em sociedade e é nesse universo que conhecemos a Mel, uma humana que não é a maior fã de vampiros que você vai encontrar. Na verdade, Mel acha a ideia de se tornar um vampiro algo muito absurdo, afinal, quem gostaria de perder todas as suas emoções e nunca mais poder andar no sol? As coisas começam a ficar complicadas quando Francis, um vampiro legítimo, começa a frequentar sua escola e sua melhor amiga, Cathy, se vê completamente apaixonada por ele. Mas Mel está convencida de que Francis tem um segredo e cabe a ela proteger sua melhor amiga dessa ameaça ao Time Humanos.

Com um enredo bem simples, Time Humanos está muito longe de ser um enredo assustador. No enredo de Justine e Sarah, ser um vampiro é uma questão social, algo que precisa de acompanhamento médico, mas totalmente aceitável se você está realmente decidido a passar pelo processo de transformação. Eu, particularmente, não gostei muito dessa realidade. O fato de você construir toda uma sociedade que aceita vampiros entre eles “numa boa” entra em conflito com o que são vampiros de verdade. O fato de você fazer com que eles tenham acompanhamento médico, um banco de sangue e todo esse apoio social tirou completamente a parte “assustadora” do livro. Em Time Humanos, vampiros não são predadores como em outras histórias, eles só são algo “diferente”, mas nada impressionante.

Um dos poucos vampiros que permitiu ser entrevistado sobre o tema descreveu a transformação como sendo renascer em um mundo sombrio, onde nada é real de verdade e nada possa realmente afetá-los. O vampiro pareceu achar isso uma coisa boa. (Viu? Que tipo de pessoa quer se tornar vampiro?).

A narrativa em primeira pessoa não chega a ser muito ruim, apesar de eu achar a Mel uma personagem muito chata de se acompanhar. Por mais que eu entenda que ela quer proteger a melhor amiga e desvendar todo o mistério por trás de Francis, eu acho que a personagem passa de todos os limites e coloca muito do que ela acredita acima da vontade das pessoas a volta dela e, por mais que eu consiga entender que isso faz parte do crescimento dela ao longo do livro, as autoras fizeram essa parte do enredo se bastante cansativa e chata de acompanhar. Eu realmente quis muito socar a cara da Mel em vários pontos do livro, principalmente quando ela era mal-educada por puro preconceito.

Apesar de não ter a melhor personagem principal que a gente poderia pedir em um livro supostamente sobrenatural, a leitura de Time Humanos não é a pior experiencia que você vai ter em um livro sobre vampiros. Eu gostei muito que as autoras tenham brincado com a questão da imortalidade, de abrir mão da sua humanidade para ter a vida eterna e principalmente da questão do “amor verdadeiro”, já que a forma como Cathy e Francis se apaixonam não podia ser mais sarcástica possível dentro da história e eu fico me perguntando se eles não vão se arrepender das escolhas que fizeram no futuro.

Quando você deixou de ter opinião? Desde que você conheceu esse cara tem sido “Francis disse isso! Francis disse aquilo! Fracs disse que eu devo morrer agora!”. Quando foi que você parou de pensar por si mesma?

Time Humanos é um Young Adult divertido, mas não sei se a proposta do livro agradaria a todos os tipos de leitor. Primeiro por causa da forma como as autoras do livro resolveram trabalhar com vampiros, mudando algumas coisas básicas sobre a transformação e outros detalhes e talvez porque a personagem principal não seja a mais legal que vamos conhecer. Ainda assim, Time Humanos é uma leitura divertida, com um plot interessante de conhecer e uma válvula de escape para quem já está muito cansado dos tradicionais livros de “mocinha-se-apaixona-por-vampiro”.

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