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Literaría 28nov • 2017

Belo Desastre: parece amor, mas é cilada

Assim como qualquer outro leitor de New Adult, eu também já fui uma completa apaixonada por Travis Maddox. Foi por volta de 2012 a primeira vez que me falaram sobre esse livro e ele ainda nem tinha chegado às livrarias. O frenesi girava em torno do enredo, um badboy tatuado que gostava de entrar em brigas clandestinas se apaixonado por uma “mocinha”, aparentemente indefesa. O conto de fadas da realidade, cheio de paixão, desejo e o OTP que todo mundo gostaria de viver.

E eu amei. A primeira vez que eu li Belo Desastre eu pensei: Travis e Abby são o casal mais perfeito que eu já vi em toda a minha vida. E por meses – ou até mesmo alguns anos – eu acreditava que eles eram o melhor shipp do gênero e que a história dele era a melhor de todas, mesmo quando a autora resolveu lançar aquela série totalmente desnecessária sobre os irmãos Maddox. Na época que eu li Belo Desastre eu tinha acabado de fazer 20 anos, pouca experiência de relacionamentos e a ideia de “príncipe encantado” fixada na mente.

Mas se você for parar para pensar, não chega a ser um verdadeiro conto de fadas, chega?

Eu aprendi muitas coisas durante os últimos 5 anos. Eu li outros romances, conheci novos autores e entrei em discussões literárias que mudaram completamente a forma como eu via certos personagens e livros que eu costumava amar anos atrás. E com Belo Desastre não foi diferente. Depois de reler o livro mais de uma vez. Rever os acontecimentos e dissecar toda a construção de enredo da Jamie Mcguire, a única coisa que eu conseguia pensar era: “Eu não quero estar no lugar da Abby. Eu não quero que ninguém nunca esteja no lugar da Abby”.

Parece exagero, mas vocês alguma vez pararam para analisar como é o desenvolvimento do romance entre Travis e Abby? Eu pensei. Pensei tanto que fiquei me perguntando se eu estava vendo coisas onde não havia nada ou se aquilo era realmente o que era. É engraçado você ter esse tipo de pensamento porque quando se está num relacionamento abusivo, é exatamente essa mesma sensação que você tem.

O comportamento do Travis não é normal. Eu sei que toda a ideia do motoqueiro tatuado com esse ar de perigo deixa os hormônios de qualquer mulher totalmente desregulados, mas vocês perceberam como o temperamento dele é completamente descontrolado? Não é preciso muito para conseguir tirar ele do sério e fazer com que o punho dele esteja contra a cara de alguém. E por mais que a ideia do “macho alfa” defendendo a mocinha ainda seja um grande apelo nos romances – principalmente no new adult – a brincadeira acaba quando você percebe que o “macho” em questão não tem estrutura emocional nenhuma.

E Travis Maddox não tem.

A primeira vez que eu percebi que ele não me parecia muito normal foi quando percebi a forma desrespeitosa com a qual ele tratava as outras garotas com quem ele se envolvia. Isso já era um grande alarme para a personalidade dele que só se agravou quando a Abby começou a rejeitá-lo de todas as formas possíveis. Vocês se lembram da cena da orgia no sofá? Alguns diriam que ele estava apenas colocando as necessidades em dia, eu vejo como um grande sinal vermelho para o psicológico do personagem.

E quando você acha que as coisas iriam melhorar, Abby e Travis se entregam um para o outro, mas ela decide sumir enquanto ele dormia. Então o personagem acha que é uma ótima ideia destruir o quarto dele inteiro, por pura raiva ou frustração. Muitas pessoas acharam essa cena comovente porque ele estava sofrendo, eu já acredito que isso era um grande sinal de que ele precisava procurar um tratamento e de que a Abby deveria ficar o mais longe possível do cara.

Mas ela não ficou. E quando eles finalmente assumiram um relacionamento, as crises de ciúmes vieram na bagagem. Ninguém podia encostar na Abby. Ninguém podia chegar perto da Abby. Era muito fácil tirar o equilíbrio do Travis quando qualquer outro ser do sexo oposto chegava perto da sua namorada. E tudo o que aconteceu depois da primeira crise de ciúmes foi apenas efeito colateral de algo que estava gritando para nós desde o primeiro capítulo do livro.

E eu me pergunto: como é que eu não percebi isso antes? Verdade seja dita, a literatura e o cinema nos fazem acreditar que nós, mulheres, somos mocinhas indefesas que precisam de proteção. Eles vendem uma ideia barata de que a nossa única função no enredo romântico é salvar o personagem masculino da sua própria escuridão. A Abby era, de longe, boa demais para ficar com alguém como Travis Maddox, mas ela ficou porque o único papel que foi atribuído à ela foi transformar o garoto “badboy” em um príncipe encantado.

E não é isso que nos obrigam a acreditar? Que o amor de uma mulher pode mudar um badboy?

Eu não gosto desse tipo de narrativa. Não gosto da ideia de uma heroína ser apenas um bote salva vidas para um personagem totalmente desequilibrado e que não merece o seu tempo. E Belo Desastre é exatamente isso. A Abby se envolve em situações complicadas e perigosas em nome do seu “amor” pelo Travis, mas eu tenho para mim que  ela poderia ter tido um destino muito melhor, considerando o quão inteligente ela realmente é.

Eu sei que eu tenho muitos leitores aqui do blog que realmente amaram a leitura de Belo Desastre e escolheram passar por cima de todas essas evidências de um relacionamento abusivo em prol de um romance que é, sem dúvidas, de tirar o fôlego. Mas até quando nós vamos aceitar esse tipo de narrativa?

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Resenhas 04jan • 2015

Bela Distração, por Jamie McGuire

Bela Distração é o primeiro livro da série Irmãos Maddox, escrita pela autora Jamie McGuire. Esta série de livros se trata de uma spin-off do livro Bela Distração, onde a autora irá contar a história dos irmãos do Travis Maddox, que todas nós amamos muito. O primeiro volume irá contar a história de Trenton Maddox e sobre como ele começou a namorar com Cami, personagem que chegamos a conhecer em Belo Desastre.

Cami Camlin é uma jovem independe que trabalha como bartender no The Red Door. Ainda cursando a faculdade, ela divide o seu tempo entre o trabalho, os estudos e o namorado TJ que nunca está presente por causa do trabalho. Sua vida começa a mudar quando ela se aproxima de Trento Maddox, um dos irmãos Maddox que todas as garotas desejam para si, mas que esconde seus próprios segredos.

“[…] No instante em que Trenton sentou na minha mesa no Red, eu achei que conseguiria lidar com qualquer coisa que ele inventasse, mas ele era como areia movediça. Quanto mais eu lutava, mais afundava.”

A amizade dos dois se desenvolve rápido, e conforme Cami começa a conhecer melhor o novo amigo, um sentimento vai se misturando a essa amizade. Com medo do seu envolvimento com Trenton e um relacionamento mal resolvido com TJ, a jovem precisa aprender a lidar com seus desejos e fazer a escolha que a fará mais feliz.

Desde que li Belo Desastre, me apaixonei pela escrita da Jamie McGuire. Diferente de muitos New Adults que já li, a autora conseguiu me passar toda a intensidade do relacionamento dos seus personagens, e me envolver no seu enredo de uma forma que eu não conseguia largar a leitura. Mas então veio Bela Distração, e as coisas simplesmente mudaram.

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O livro é narrado do ponto de vista da Cami, uma personagem de temperamento forte que não tem nenhum medo de lutar pelos seus ideais. Do meu ponto de vista, Jamie McGuire criou uma personagem feminista, com suas próprias fraquezas e problemas, mas que tem um toque especial de alguém que é perfeita para um Maddox. E então elas nos apresenta Treton, e assim como seu irmão mais novo Travis, acompanhamos o jovem Maddox em suas tentativas desesperadas de conquistar a garota que chamava de amiga, mesmo sabendo que estava completamente apaixonado por ela.

“[…] – Eu só estava aqui pensando que agora seria uma ótima hora pra reconhecer que você é perfeita e que não seria ruim se você se apaixonasse perdidamente por mim em algum momento de um futuro breve.”

Foi quando o livro começou a me decepcionar. Apesar de personagens maravilhosos e uma escrita quase que perfeita, Jamie McGuire não conseguiu ir muito além do romance – quase proibido – entre dois amigos. Passamos boa parte do enredo acompanhando os personagens principais lutarem contra o seus sentimento, mas principalmente, acompanhamos Cami se enrolando cada vez mais em sua história com TJ – personagem que só tem sua importância revelada no final do livro.

Isso me deixou um pouco enjoada com o livro. Apesar de uma boa narrativa, chegou em um ponto que eu simplesmente não aguentava as voltas que o enredo dava. Além disso, a autora deixou Travis e Abby muito presentes em uma história onde o foco não era mais o casal de Belo Desastre. Eu queria ter tido a oportunidade de conhecer um pouco mais do Treton, saber como tinha sido a sua vida antes e depois do acidente de carro, e como ele foi se tornando a pessoa que ele era hoje.

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Mas isso não aconteceu. De certa forma, apesar de ter encontrado todos os elementos que me fizeram amar a leitura de Belo Desastre, o primeiro volume da série dos Irmãos Maddox acabou não atingindo as minhas expectativas. Eu senti falta da conexão entre os personagens, eu queria ter visto mais de Cami e Treton do que ter acompanhado a história da Abby e do Travis acontecendo paralelo a narrativa principal. Achei que a autora podia ter explorado muito mais a personalidade do Treton.

Apesar disso, Bela Distração foi uma boa leitura. Eu consegui aproveitar o pouco que o enredo me deu, e consegui me apaixonar por Treton Maddox tanto quanto eu me apaixonei pelo Travis. Reafirmo que senti muita falta de muitas coisas na histórias, mas ainda assim é uma leitura que eu recomendaria para todo mundo que gosta de um bom New Adult.

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