Posts arquivados em: Tag: Galera Record

Resenhas 08fev • 2018

Nicola e o Visconde, por Meg Cabot

Meg Cabot é uma autora que sempre tem um jeito único de surpreender os seus leitores. Quando essa série de YA de época começou a ser lançada no Brasil, eu não coloquei muita fé. Eu li Victoria e o Patife e até achei o enredo divertido, mas com muitos pontos que me incomodaram. Mesmo assim, resolvi dar uma segunda chance a Cabot e ver o que ela entregava em Nicola e o Visconde, e adivinha? Eu tive uma leitura muito divertida, com diálogos maravilhosos e uma personagem principal que é impossível de você não se apaixonar.

O ponto forte de Nicola e o Visconde é, justamente, Nicola. Eu gostei muito da forma como Cabot construiu a personagem como uma jovem independente financeiramente, que não está em busca de um marido, mas sim de amor. E é justamente o que ela pensa que acontece quando ela conhece o Visconde, um homem tão lindo que ela chama de “Deus”. Mas Nicola ainda é adolescente, conhece pouco sobre o amor e apesar do seu temperamento forte, ela também consegue julgar mal algumas situações. E quem nunca fez isso na vida, não é mesmo? Leia mais

Recebidos do Mês 06fev • 2018

Os livros que chegaram no blog em Janeiro/18

Vamos falar sobre os recebidos do mês? Eu sei que esse é o post favorito de muita gente – e acho que é até o meu. Tem muito tempo que eu não sento aqui para escrever sobre os meus recebidos, na verdade, faz mais ou menos 1 ano que eu comecei a gravar esse tipo de conteúdo e colocar no canal do blog. Porém, como vocês devem ter percebido a ausência de vídeos, eu resolvi dar mais uma chance ao conteúdo escrito e ver o que eu consigo fazer. 🙂

Janeiro eu não recebi muita coisa, não vou mentir. A maior parte dos livros que chegaram foram lançamentos de final de ano das editoras, então eu tenho muita leitura acumulada para colocar em dia – imagina alguém em pânico… pois é. O bom disso tudo é que eu recebi uma quantidade de leituras variadas e enredos que eu realmente estava curiosa para explorar como, por exemplo, Uma Sombra Ardente e Brilhante, o primeiro livro da série Kingdom On Fire – se você achou o título bom, espera até ver a sinopse.

Eu resolvi dar uma segunda chance para Abbi Glines, achei que vocês deviam saber disso. Eu não gostei muito de O Último Adeus, mas acho que não dá para julgar um autor só com a leitura de um livro e, dessa vez eu vou estar apostando minhas fichas em Sem Fôlego. Espero que o enredo seja tão bom quanto o título do livro, não é mesmo? E antes que eu me esqueça, tem livro novo da Julia Quinn na estante e eu estou muito ansiosa para ver o que esse romance tem de especial. Leia mais

Resenhas 05fev • 2018

Senhor das Sombras, por Cassandra Clare

É praticamente impossível falar dos livros mais novos da Cassandra Clare sem entregar nenhum spoiler dos outros livros dela. Afinal de contas, Senhor das Sombras é o décimo primeiro livro dentro do universo dos Caçadores de Sombras (sem contar com os 2 livros de contos e o Códex dos Caçadores de Sombras, é muito livro, gente), então se você não quer saber detalhes dos outros livros da série, talvez seja melhor parar de ler essa resenha por aqui. Mas se você já é veterano no universo dos livros da Cassandra Clare, ou se não liga para spoilers, fico muito feliz em te contar exatamente porque Senhor das Sombras manteve o nível que Dama da Meia Noite estabeleceu.

Senhor das Sombras continua a história de Emma Carstairs, Julian Blackthorn e os outros moradores do Instituto de Los Angeles. Emma e Julian precisam lidar com o fato de que os sentimentos que tem um pelo outro não são apenas proibidos, mas também podem levar a destruição dos dois. A única solução para este problema é o Volume Negro dos Mortos, um livro de magia negra de terrível poder cujo paradeiro é desconhecido. Além disso, a relação entre Nefilins e membro do submundo se torna cada vez mais tensa, surge um grupo de Caçadores de Sombras movidos pelo ódio contra qualquer um que viole os Acordos.

Eu sou fã assumido dos livros da Cassandra Clare, e essa trilogia só está confirmando as opiniões que eu já tinha sobre as histórias dela. A vantagem que esses livros tem é que se você já leu todos os outros livros da série (e eu li), você já conhece muita coisa sobre o universo e os elementos dele. Então a autora não precisa gastar muito tempo explicando como o mundo funciona e pode se concentrar bem mais no desenvolvimento dos personagens e na exploração dos relacionamentos entre eles, além de se aprofundar mais em aspectos políticos e sociais do mundo dos Nefilim. Leia mais

Resenhas 23jan • 2018

Treze, por FML Pepper

A melhor coisa que pode acontecer com um blogueiro é quando ele encontra aquele livro nacional que é tão maravilhoso que ele fica horas na frente do computador tentando encontrar a maneira certa de falar sobre o livro na resenha. É o que está acontecendo comigo neste exato momento. A mudança de editora fez muito bem para a FML Pepper, eu tenho que admitir. Sua escrita amadureceu muito desde de a série Não Pare! e, mesmo o livro ainda tendo alguns pontos que eu não gostei, a leitura de Treze foi muito divertida. Eu realmente não estava esperando ser tão impactada por esse enredo como eu fui e a gente precisa muito conversar sobre ele!

A primeira coisa que eu gostei na leitura de Treze foi encontrar um New Adult que foge muito dos outros livros do gênero que eu li por aí. Apesar da autora trabalhar muito bem as cenas quentes do livro, a leitura não fica desconfortável em nenhum momento, o que geralmente acontece quando eu leio outros enredos do gênero. Pepper também escolheu um desenvolvimento diferente para os seus personagens, trabalhando na sua narrativa dividia entre os dois personagens, suas personalidades completamente opostas. Enquanto Karl é um herói que se entrega demais aos seus sentimentos, Rebeca é uma heroína completamente apavorada com a ideia de sentir.

Eu gosto muito de livros de romance, mas o que me atraiu mesmo em Treze foram os plots individuais de cada personagem. Rebeca leva uma vida perigosa, sem nenhum tipo de fé, enquanto Karl é um lutador completamente focado no MMA que acaba negligenciando as pessoas que estão perto dele. Cada um desses personagens carrega uma carga emocional que agrega demais ao enredo que FML Pepper criou e eu adorei a forma como ela explorou a personalidade deles até o último capítulo. Ver ambos deixar a sua própria zona de conforto para viver todo o sentimento que estava surgindo entre eles talvez tenha sido, pelo menos para mim, o ponto forte dessa leitura.

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Resenhas 20jan • 2018

Olá, Adeus e Tudo Mais, por Jennifer E. Smith

Eu já contei para vocês que Jennifer E. Smith nunca decepciona os seus leitores? Porque ela nunca decepciona. Até mesmo Ser Feliz É Assim, que nem é um dos melhores livros que eu já li da autora tem os seus pontos fortes e, eu não consegui não me apaixonar ainda mais por ela quando li A Geografia de Nós Dois no ano passado. Smith tem um jeito único de criar personagens adolescentes realistas e ainda assim com aquele tom “apaixonado” que todo mundo adora encontrar em um YA, e com o enredo de Olá, Adeus e Tudo Mais, não foi nem um pouco diferente.

Olá, Adeus e Tudo Mais acabou de se tornar o meu livro favorito da Jennifer E. Smith. Primeiro de tudo, a narrativa do livro é em terceira pessoa e organizada em “paradas” que os personagens principais fazem ao longo da sua última noite juntos. Cada uma dessas paradas traz à tona um sentimento ou uma memória que os dois compartilharam juntos durante os dois anos de namoro que tiveram, o que os deixa ainda mais perdidos em relação ao que deve ser feito quando eles forem para a faculdade: terminar ou continuar o relacionamento a distância?

Smith construiu esses personagens com cuidado, dando total atenção aos detalhes que tornam cada uma das palavras ditas e decisões tomadas reais para quem está lendo. Eu gostei do fato de ela não precisar usar flashbacks para que eu pudesse conhecer o relacionamento dos personagens e porque aquela decisão era tão importante e tão difícil para eles. Clare e Aidan são personagens que, ao longo do período que estiveram juntos, construíram uma relação muito bonita, que não envolvia apenas o amor que sentiam um pelo outro, mas também a amizade e a confiança que cultivaram. Leia mais

Cinema 12jan • 2018

Disney anuncia o cast de Artemis Fowl e eu não estou bem!

É real, pessoal! Vamos ter uma adaptação de Artemis Fowl, a tão aclamada série do Eoin Colfer, publicada no Brasil pela Galera Record – caso você ainda não conheça essa série maravilhosa e perfeita! Só quem cresceu lendo esses livros sabe o quão ansiosos estávamos por esse momento e, sendo bem honesta, eu nunca achei que ele fosse acontecer.

Os primeiros rumores de uma adaptação surgiram em 2015 pela Disney e eu acreditei que ainda em 2016 nós teríamos o filme nos cinemas, o que não aconteceu. Depois foram longos três anos de espera por alguma notícia ou posição da Disney a respeito da minha querida adaptação, e esse dia finalmente chegou!

Foram 1200 candidatos para o papel de Artemis (aka. amor da minha vida) e o irlandês Ferdia Shaw foi escolhido para assumir o papel do jovem herdeiro do clã Fowl, que é uma lendária família de trapaceiros do submundo (quero ser adotada por eles até hoje!). Quando esse pequeno gênio do crime descobre o mundo das fadas, decide roubá-lo, tornando-se uma espécie de anti-herói, após o desaparecimento do pai.

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Resenhas 10jan • 2018

Lock & Mori, por Heather W. Petty

Às vezes você encontra um livro que chama a sua atenção pelo título. Você olha pra ele, lê a sinopse, mas não consegue largar a sensação estranha que aquele título te dá. Lock e Mori foi assim pra mim. A ideia de uma versão adolescente de Sherlock Holmes não é exatamente original, e a sinopse parece com várias fanfics que existem por aí na internet. Mesmo assim, eu encarei essa leitura com a esperança de que ele me surpreendesse. E de uma certa forma, ele surpreendeu, mas não sei se foi da maneira que eu queria.

Sherlock Holmes, um adolescente brilhante desafia sua colega de escola, a igualmente inteligente James Moriarty a um jogo muito interessante: vence o primeiro a desvendar a série de assassinatos que assombra a cidade de Londres. O jogo só tem uma regra, os dois devem compartilhar um com o outro todas as informações que conseguirem sobre o caso. Mas o que começa como um jogo se transforma em algo muito mais assustador quando Mori descobre que o assassino pode estar ligado ao seu passado

Começando pela escrita, Lock e Mori não é nem um pouco ruim. A narração, feita em primeira pessoa pela Mori, é muito eficaz em entregar os detalhes da história, e ao mesmo tempo passar as emoções e conflitos da história. Outra coisa que a narração consegue fazer muito bem é passar a personalidade da Mori e até mesmo do Lock nas cenas em que eles interagem. Esse livro conseguiu fazer uma coisa que muitos outros livros não conseguem: apresentar dois personagens inteligentes, arrogantes, que ainda assim conseguem ser simpáticos o suficiente para o leitores se afeiçoar a eles. Leia mais

Resenhas 27dez • 2017

O Ódio Que Você Semeia, por Angie Thomas

O Ódio Que Você Semeia é o livro de estreia da Angie Thomas, e foi publicado ainda no início desse ano, 2017. De lá pra cá, o livro foi parar na famosa lista do New York Times, em primeiro lugar, e de lá pra cá, ele também chamou minha atenção. Muito. Por razões mil, criei e alimentei altas expectativas pelo que encontraria no livro, graças à sinopse e à capa – passei o ano inteiro querendo lê-lo. Angie Thomas tocou em uma ferida bem feia e aberta dos Estados Unidos, e, talvez sem saber, tocou também em ferida brasileira – universal, talvez -, pois o livro aborda, dentre várias coisas, a alta taxa de mortalidade de jovens negros pela polícia em situações em que, normalmente, não fosse um negro na situação, a morte não ocorreria, e foi exatamente aí onde minhas expectativas encontraram abrigo. A Galera ainda fez uma playlist no Spotify, baseada no livro, mas eu adicionaria outras, mencionadas no livro, como fez a própria Angie Thomas, nessa playlist.

A capa do livro, com uma garota negra segurando um cartaz no qual se lê o título do livro em letras imensas, com apenas seus olhos a mostra, já me deu uma sensação de que eu sentiria um impacto, me lembrou protesto. A contracapa, com o jovem negro sem rosto, abaixo da frase “A justiça é cega?”, já me deu outra sensação, a de que eu precisaria ler com calma, sabendo que teria algum impacto, grande ou pequeno. Minhas expectativas se misturaram com o frio na barriga e eu soube que esse livro poderia ser bem significativo pra mim – não se tornaria uma bíblia ou algo do tipo, mas me tocaria de algum modo, me passaria alguma mensagem. Meu medo? A Angie Thomas ter me enganado com a sinopse e me deixar chupando dedo.

Logo nos primeiros capítulos foi possível compreender bem o contexto da Starr, a protagonista: moradora do gueto, negra, que se divide entre fragmentos de si mesma de acordo com o ambiente onde estiver: Starr de casa e dos amigos negros de Garden Heights, a Starr de Williamson, a escola privada de classe média-alta, no subúrbio, em que estuda, onde tem seus amigos brancos e seu namorado Chris. Em casa, Starr pode ser ela mesma, enquanto na escola, ela deve agir de forma neutra para não incorporar nenhum estereótipo de negra do gueto – e esses mundos não se misturam. Até aí, nada se mistura e ela consegue manter essa linha divisória perfeitamente. Em uma trágica noite, Starr testemunha o assassinado a sangue frio de seu melhor amigo, Khalil, por um policial. Ela tem dezesseis anos. Ele toma três tiros nas costas, estando desarmado. Leia mais

Notícias 26dez • 2017

Wink Poppy Midnight é o novo YA da Galera Record

Um thriller que traz narradores nada confiáveis que vão fazer você duvidar até da sua própria moral. Indicado pela YALSA e pela TeenVogue como um dos melhores livros de ficção jovem-adulta de 2016.

Wink é a nova vizinha esquisita e misteriosa, com seus cachos ruivos rebeldes, suas sardas e suas roupas estranhas. Poppy é a rainha do ensino médio, com seu cabelo loiro perfeito, sua beleza estonteante e sua grande habilidade para a manipulação e crueldade. Midnight é o menino doce e inseguro que se vê entre as duas. Wink sabe contar muitas histórias de cor. Ela está ciente de que todas elas precisam de um herói para derrotar o vilão. Poppy não acredita em histórias. Ela acredita acima de tudo em si mesma e acha que pode conquistar e derrotar qualquer coisa. Midnight até acredita em histórias, mas ele está certo de que nunca vai ser protagonista de nenhuma, mesmo que Wink pense o contrário. Ele não é bom em nada. Leia mais

Resenhas 22dez • 2017

Confesse, por Colleen Hoover

Eu me apaixonei pela escrita da Colleen Hoover quando li Métrica e acredito que, muitos leitores que adora a autora também começaram com esse livro.  Desde então minha relação com a autora tem sido uma constante montanha russa emocional onde, às vezes ela acerta no enredo, outras vezes não. Confesse é um dos meus “nãos”. Eu estava louca para ler esse livro desde que ele foi anunciado e, seguido de muitas resenhas positivas, eu estava ansiosa para conhecer o casal principal. Mas verdade seja dita, o enredo não entrega uma história de amor envolvente e nem personagens maravilhosos. Com capítulos arrastados e uma trama muito fraca, Confesse é mais um livro que entrou na estante para ocupar espaço.

Eu peguei Confesse para ler com a expectativa bem alta, principalmente porque eu não vi uma alma falando mal desse enredo. Todo mundo só tecia elogios, ou seja, vamos confiar na galera né? O problema é que o livro traz muito daquele enredo de drama forçado, um amor “impossível” que na realidade não é nem tão impossível assim e um casal principal que tem uma “tensão sexual’ que não faz o menor sentido, mas que a autora insiste em reafirmar no livro através de cenas e diálogos que, não só são arrastados, como também não se encaixam bem na evolução do enredo.

Particularmente, eu achei um grande desperdício ela ter divido a narrativa do livro entre os dois personagens. Primeiro porque isso fez com que os capítulos fossem corridos e todo o “romance” fosse explorado pelas canelas, e segundo porque a autora acabou não explorando os personagens de uma maneira mais profunda, prologando demais o mistério pessoal de cada um para que, de uma hora para a outra, ela jogasse tudo na cara do leitor que nem mãe obrigando a gente a comer jiló, sabe?! Fiquei bastante chateada, Colleen Hoover, esperava mais da senhora.

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Entrevistas 08dez • 2017

Uma conversa com Ray Tavares, autora de Os 12 Signos de Valentina

Eu nem preciso dizer que aqui no La Oliphant, eu e os colabs, estamos completamente apaixonados pelo livro “Os 12 Signos de Valentina”. Além da Ray ter uma escrita maravilhosa, a sua personagem Isadora é uma garota de quem todo mundo ia gostar de ser melhor amiga. O livro foi lançado sob selo Galera Record, mas a verdade é que ele veio diretamente do Wattpad, o que só faz tudo ser mais incrível ainda, não é mesmo?

Os 12 Signos de Valentina é o livro perfeito para os leitores que adoram um mapa astral, viu? O livro vai contar a história da Isadora, uma garota que, depois de ter o seu coração partido por um pisciano, resolve criar um blog anônimo para contar as suas experiências com os boys de cada signo. E assim nasce “Os 12 Signos de Valentina”. Para saber mais sobre essa história que de perfeita tem TUDO, eu conversei com a Ray Tavares sobre seu livro de estreia e se você está interessado nesse enredo, essa entrevista vai te convencer a colocar o livro na estante.

Entrevista completa com Ray Tavares:

La Oliphant: Oi Ray! Primeiro eu queria muito te agradecer por conversar comigo sobre o seu livro. Eu não sei se muitas pessoas sabem que, inicialmente, você escrevia fanfics – eu lia Gossip Boys, viu?!  Como que foi esse processo de você sair de uma escrita de fanfic e começar a trabalhar na construção do seu próprio universo? Você teve que mudar muita coisa na forma como você desenvolvia o seu enredo e personagens?

Ray Tavares: Eu que agradeço pela oportunidade e por estar me ajudando tanto com a divulgação do livro – eu amei a resenha do blog. <3 Menina, parece até que faz uma vida que eu comecei a escrever Gossip Boys! Eu inclusive estou repostando ela no Wattpad, e parece outra Ray escrevendo, uma com menos técnica, mas muito mais sonhos impossíveis. É esquisito, porque a maior transição não foi passar de fanfics para histórias originais, mas sim o amadurecimento pessoal, que me levou a não querer mais falar sobre os carinhas da minha banda favorita, mas sim contar histórias que poderiam muito bem se passar no nosso dia-a-dia. Acho que a grande diferença foi parar de sonhar com coisas impossíveis e começar a encontrar inspiração em histórias reais, em narrativas que poderiam acontecer comigo, com você, com qualquer pessoa.

La Oliphant: Todo mundo sabe que ser autor nacional no Brasil não é uma tarefa muito fácil. Exige muito trabalho, dedicação e graças ao Wattpad, muitos acabam conseguindo chamar a atenção das editoras, não é mesmo? Como que foi, para você, a experiência de sair do Wattpad e ir trabalhar com a Galera Record?

Ray Tavares: É incrível, né? Poder ter a estrutura necessária para conhecer outras cidades do Brasil em sessões de autógrafo, uma equipe editorial impecável, uma equipe de marketing incrível, pessoas lá dentro que se tornaram minhas amigas de verdade! Foi a melhor experiência da minha vida! Mas a gente também precisa abrir os olhos de quem acha que é fácil, ou rápido, ou “vou acumular um número X de leituras e todas as editoras vão me querer”, porque não é assim. Eu escrevo desde os 13 anos, foram 11 anos online em site de fanfics, sites próprios e, eventualmente, no Wattpad. Eu sempre me dediquei de corpo e alma. De Wattpad mesmo foram 4 anos antes de conseguir chamar a atenção de uma editora grande! Então se a pessoa não está disposta a se dedicar verdadeiramente à escrita, se ela não tem paciência nem estrutura para lidar com a rejeição (porque serão muitas), ela vai acabar se frustrando, porque as coisas são lentas, você precisa criar uma base de leitores que curtem suas histórias, escrever pra caramba, produzir conteúdo de boa qualidade sempre… não é fácil. Ainda mais quando não vivemos disso, escrevemos de graça e temos que conciliar com faculdade, estágio, emprego, etc.

La Oliphant: Falando um pouco sobre “Os 12 Signos de Valentina”, de onde veio a ideia de criar a Isadora e todos os personagens maravilhosos que estão nesse livro?! Você sempre teve essa vontade de inserir o universo astrológico dentro do enredo?Ray Tavares: Foi uma ideia muito mais generalista do que específica – eu não acordei um dia e pensei “eureca, tenho um enredo inteiro na minha cabeça!”, eu só imaginei como seria divertido misturar romance com astrologia, e as partes do todo vieram aos poucos, depois de muito quebrar a cabeça no roteiro. A Isa é muito parecida comigo, o Andrei foi criado em base nas características que eu considero legais em um cara, a Marina é uma mistura de todas as minhas amigas e o Rodrigo é um apanhado dos meus amigos nerds. “Os 12 Signos de Valentina” foi muito mais construção e trabalho contínuo do que uma super inspiração que eu tive no chuveiro! Claro que eu tinha os meus momentos, e, no meio da história, tive uma desilusão amorosa, então contribuiu para conseguir chorar as pitangas de maneira tão realista! Hahaha.

La Oliphant: O livro quando é publicado por uma editora acaba sempre passando por algumas mudanças. Como que foi para você ter que adaptar “Os 12 Signos de Valentina” do formato Wattpad para o formato de publicação? Teve muitas mudanças da versão original ou você conseguiu manter muito do que os leitores já conheciam?

Ray Tavares: Cara, eu estava um pouco receosa com as coisas que teria que mudar, porque eu sou muito apegada com o plot de “Os 12 Signos de Valentina”, mas, no final das contas, a minha editora é tão maravilhosa que acabou deixando o livro muito melhor do que o original sem mudar nada em sua essência. Eu só cortei pequenos detalhes, coisas que não condiziam muito bem com a realidade, e adicionei cenas importantes para contextualizar o antigo relacionamento da Isa e explicar melhor o porquê dela ter ficado tão mal com o término. O livro ficou muito bom depois desse processo!

La Oliphant: Nós sabemos que “O 12 Signos de Valentina” não fala apenas sobre a experiência da Isadora conhecendo todos os signos do zodíaco, mas também aborda questões sobre política e feminismo. Você sentiu alguma rejeição por parte dos seus leitores ao escolher abordar esses temas na história?

Ray Tavares: Olha, por parte dos meus leitores não, porque quem me acompanha há bastante tempo sabe que eu sou muito apegada a questões sociais; eu sou formada em gestão de políticas públicas, então meu apego à questões que impactam o Brasil é muito grande. Eu tenho as minhas ideologias e não tenho nenhuma vergonha em mostra-las, porque eu acho que o pior que uma pessoa que tem um público pode fazer é ficar em cima do muro em questões que esbarram na sociedade em que está inserida – eu acho que todo mundo que tem o poder de influenciar alguém deveria fazer algo benéfico com isso, tentar mudar alguma coisa. Por que eu vou ficar quieta quando sei que existem adolescentes que podem ler o meu livro e se sentir mais empoderadas? Ou, não sei, ler o meu livro e repensar questões ultrapassadas, como homofobia ou machismo. Então eu falo mesmo, cutuco mesmo, e tive uma ou duas reclamações em resenhas do livro sobre misturar romance e política, mas acho que essas pessoas claramente não me conhecem! Isso não me incomoda, porque é o meu estilo de escrita, faz parte da minha essência como escritora, então, se a pessoa não curte mesmo ser provocada com algum tema polêmico enquanto lê um romance, os meus livros não vão fazer muito o gosto dela.

La Oliphant:  Todo o autor tem o seu próprio processo de escrita e criação dos seus personagens. Como foi que a Isadora surgiu para você e como que você soube qual seria a história dela?

Ray Tavares: A Isadora é uma versão mais corajosa de mim mesma! A criação dela foi fácil, porque ela faz parte de mim, e as atitudes que tomou ao longo da história fazem sentido na minha cabeça; é fácil construir um personagem que parece bastante com a gente, difícil é construir um que seja completamente diferente, como está sendo a minha próxima heroína. Agora, a história da Isa foi um pouco mais complicada, porque é bem difícil você passar a mensagem de que todos nós temos que ser felizes sozinhos antes de encontrar alguém no meio de um livro de romance, né? Hahahaha. Mas depois de muito quebrar a cabeça, acho que eu consegui construir algo que se assemelhe com essa mensagem.

La Oliphant: Vamos falar um pouquinho de signos?! Eu sei que tem muita informação sobre o zodíaco por aí. No Facebook mesmo temos diversos grupos e muita gente disposta a interpretar o seu mapa. Você teve que fazer uma pesquisa muito longa sobre cada signo para poder desenvolver seus personagens? E qual foi o signo que você mais gostou de escrever?!

Ray Tavares: Eu sempre me interessei por astrologia, leio sobre o assunto desde pequena, porque a minha mãe curte muito e passou esse hobby pra mim. Eu pesquisei bastante, claro, mas muita coisa foi meio que intuitiva dos perfis que eu já havia criado na minha cabeça! Acho que o mais divertido foi o sagitariano, porque são pessoas bem peculiares e a cena ficou bem engraçada!

La Oliphant: Muitos leitores ainda tem uma certa resistência aos livros nacionais. Em algum momento você sentiu rejeição por parte dos leitores? E o que você diria para os autores iniciantes que ainda estão tentando conquistar o seu espaço no meio editorial?

Ray Tavares: Eu não senti propriamente uma rejeição, do tipo “isso eu não vou ler porque é nacional”, mas sempre rola o famoso “eu tenho um monte de livro gringo pra comprar, mas assim que conseguir dinheiro eu compro o seu!”, hahaha. Mas sabe que eu sinto que isso vem mudando? Eu via tanta gente com livro nacional embaixo do braço na Bienal que fiquei esperançosa que esse cenário se reverta nos próximos anos! E se a gente for ver, a lista com os mais vendidos das grandes editoras na Bienal do Rio desse ano tinha muito título nacional. Acho que o negócio é continuar incentivando autores nacionais que você admira, porque isso abre portas para que, daqui algum tempo, o nosso “market share” seja de 50% pra 50%. Não adianta a gente ficar puto porque determinado autor conseguiu publicar pela editora dos nossos sonhos, ou porque determinada autora vende que nem água – eles estão trilhando o caminho quando ele ainda é de terra, porque daqui a pouco serão capazes de pavimentar tudo e mais escritores vão poder seguir suas carreiras em uma estrada asfaltada! Nossa, que metáfora, eim? Hahahahaha.

La Oliphant: Para a gente finalizar, eu gostaria de saber se nós temos outros projetos seus vindo por aí. Eu sei que você tem outros livros no Wattpad e os leitores do blog gostariam muito de saber se podemos esperar outras publicações vindo por aí. Diz que sim!

Ray Tavares: Siiiim! Tenho dois projetos pra 2018, um sai logo no primeiro semestre, e vai ser um livro de contos com heróis do imaginário popular transformados em mulheres e com cenários atuais. A Fernanda Young ficou com o Zorro, a Laura Conrado com os Três Mosqueteiros, a Pam Gonçalves com Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda e eu fiquei com o Robin Hood! E no segundo semestre tem meu segundo livro solo, em que eu vou ensinar todo mundo a sair da friendzone! 😀

 

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Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano… Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?

 

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Resenhas 15nov • 2017

Esqueça o Amanhã, por Pintip Dunn

Eu tinha todas as esperanças do mundo quando comecei a leitura de Esqueça o Amanhã. Mesmo com algumas resenhas negativas, eu me mantive firme e forte na leitura dessa distopia porque acreditava que toda a ideia de uma sociedade construída em cima de “memórias” poderia ser uma aventura e tanto. E, até certo ponto, eu não estava errada. De um modo geral, o enredo de Esqueça o Amanhã é interessante e desafiador, mas a autora peca em pontos importantes na construção do universo e o foco constante no romance entre os personagens principais foi um deslize do qual ela não conseguiu se recuperar.

É um erro comum dos autores de distopia falharem na ambientação do universo e com Esqueça o Amanhã não foi muito diferente. Nos primeiros dez capítulos do livro eu consegui me manter interessada na história, porém, a autora não me dava as informações que eu precisava para entender o universo no qual a história se passava. Como aquela sociedade começou? Quando chegamos naquele ponto? Como funcionava o sistema de memórias? Essas foram perguntas que ficaram na minha cabeça por quase toda a leitura e boa parte delas ainda não foram respondias.

O enredo de Pintip Dunn tem um ritmo lento, demorando mais de vinte capítulos para você poder dizer que a história realmente havia começado. Além disso, o ponto mais fraco do livro está na apresentação vaga dos personagens. Dunn insere uma quantidade infinita de novos personagens a cada capítulo, mas não apresenta de forma descente nenhum deles. Em certos pontos do livro eu senti muita dificuldade de lembrar com quem a personagem principal estava falando e porquê. A falta de organização na construção do enredo é outro detalhe gritante das falhas de Esqueça o Amanhã.

“Gostaria de viver num mundo onde o amor conquista tudo. Mas talvez tenhamos aberto mão deste privilégio quando o Boom Tecnológico alterou nossa sociedade. Talvez, quando construímos um mundo com base em imagens do futuro, tenhamos barganhado nossos sonhos em troca. Pagamos com a paixão de nossas almas, a paixão que arde de esperança, desejo e possibilidades.”

Para um enredo que promete “thriller” na contracapa, Esqueça o Amanhã está mais para um grande livro de romance do que qualquer outra coisa. É claro que o enredo trabalha seus momentos de tensão muito bem, mas prometer um thriller foi um pouco exagerado demais. Além disso, o foco do enredo é confuso, dificultando demais dizer para onde que essa história vai caminhar nos próximos três volumes da série que estão para serem lançados aqui no Brasil. Se vamos ter uma melhora de enredo ou de personagens é muito difícil de dizer.

Callie foi uma personagem que eu gostei nos primeiros capítulos do livro, mas conforme ela vai se deixando envolver pelos seus sentimentos por Logan, a personagem se torna um verdadeiro “pé no saco”. Depois de um certo ponto a leitura pode se resumir na personagem falando constantemente sobre o quanto está apaixonada por seu par romântico e mesmo quando você acha que as coisas vão começar a andar, Pintip Dunn te jogar novamente no looping emocional que é o relacionamento dos dois. Isso não é só cansativo, como matou completamente a minha vontade de continuar essa série.

“Uma garota que procura o sol, como uma flor se banhando em seus raios. Uma garota que ama sua família com todo seu coração. Uma garota tão corajosa que falará qualquer coisa para salvar a irmã . – Ele se aproxima. E chega mais perto ainda. – Você fez tudo o que eu devia ter feito por Mikey, mas não fiz. Sempre vou respeitar isso.”

Esqueça o Amanhã tenta trazer uma distopia pesada para os leitores, mas falha miseravelmente em todos os aspectos que provavelmente deveriam tornar o livro algo bom. Todos os personagens apresentados têm uma história um tanto “macabra” como background, mas isso não é trabalhado de forma inteligente pela autora ao longo dos capítulos. Aliás, passei boa parte do livro com a certeza de que Dunn não tinha a menor ideia de como usar todos os elementos que ela mesma tinha criado para o seu enredo.

Tirando toda a parte do enredo óbvio e das falhas grotescas de enredo, a escrita de Dunn não é ruim, mas apenas confusa. Se você tem disposição para encarar um enredo que não cumpre o que promete, mas que entrega pelo menos um dos romances mais melosos que vocês vão encontrar, então pode ser que Esqueça o Amanhã seja uma leitura muito melhor para você do que foi para mim. Eu comecei esse livro esperando entender uma sociedade com uma forma de governo que eu nunca tinha visto antes, mas me deparei com uma personagem principal passiva e um romance que não convence ninguém.

Esqueça o Amanhã é o primeiro livro de uma tetrologia (aparentemente isso é uma coisa) que eu não pretendo continuar. Distopia é um gênero que vem sendo muito difícil para mim desde o final de Divergente e acho muito difícil encontrar um autor que consiga construir um universo completamente novo, com a quantidade de romance necessária para manter o autor interessado, sem mudar completamente o foco do enredo – se vocês conhecerem um, por favor, me apresentem.

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