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Resenhas 11dez • 2017

Eleanor Oliphant Está Muito Bem, por Gail Honeyman

Vocês vão me julgar muito por isso, mas o motivo de eu ter escolhido Eleanor Oliphant Está Muito Bem foi porque sempre que eu escrevo uma personagem na minha cabeça, ela se chama Eleanor e Oliphant é o nome do blog. Meio que me pareceu destino esse livro surgir na minha vida e talvez tenha sido. Gail Honeyman tem o tipo de escrita que faz com que o leitor se sinta abraçado e acolhido durante todo a leitura e de todos os pontos positivos de Eleanor Oliphant Está Muito Bem, esse foi o que fez com que eu me apaixonasse ainda mais pela história. Com uma personagem peculiar e cheia de vida, esse livro chegou para aquecer o coração da gente e nos fazer chorar que nem crianças.

Eleanor Oliphant é uma personagem bastante peculiar. Você percebe isso porque o livro inteiro é narrado do ponto de vista dela e as suas observações e diálogos são algo um tanto fora do comum, que fazem o leitor se questionar bastante com que tipo de personagem está lidando. Mas Eleanor é maravilhosa, entende? Ela é uma personagem que está descobrindo novas coisas, que está explorando uma nova rotina e saindo da sua zona de conforto e a cada nova aventura que ela encontra, o leitor aprende algo novo junto com ela. Eu não esperava encontrar uma personagem principal tão frágil, mas ao mesmo tempo tão corajosa e não forte. Viramos melhores amigas, claramente.

Eleanor Oliphant Está Muito Bem é um livro complexo, com uma personagem principal diferente e um enredo bem mais profundo do que eu estava antecipado. A escrita de Honeyman exige paciência do leitor e um cuidado muito grande entre um capítulo e outro. A história tem um ritmo lento, mas isso acontece porque a nossa narradora (Eleanor) não é uma pessoa que tem pressa – e eu gostei muito disso nela. Um dos grandes encantos de ler Eleanor Oliphant Está Muito Bem foi descobrir a minha paciência no desenvolvimento do enredo, porque Honeyman me pediu na sua escrita que eu respeitasse o tempo da personagem e isso foi lindo.

“Há cicatrizes em meu coração, tão grossas e desfigurantes quanto as do meu rosto. Sei que estão ali. Espero que reste algum tecido ileso, uma área através da qual o amor possa entrar e fluir para fora. Espero.”

Meu maior encanto com esse livro, no entanto, foi a personalidade da Eleanor e na forma como ela costuma lidar com as coisas ao seu redor. Ela realmente me passou a sensação de que estava tudo bem, mesmo quando as pessoas faziam comentários maldosos pelas suas costas. Isso não a afetava, não a deixava triste. Mas o seu passado era algo que eu não estava preparada para lidar. O relacionamento com a mãe e todas as coisas que ela vivenciou até aquele momento, tudo contribuiu para que a personagem fosse ainda mais maravilhosa. Eu senti um aperto no peito lendo esse livro que confesso não sentir há muito tempo.

 

Os personagens secundários do livro se encaixam tão perfeitamente na história que eu realmente não soube lidar com a minha satisfação nesse aspecto. Eu tenho muita dificuldade em encontrar autores que desenvolvam bem os seus personagens secundários e Gail Honeyman consegue fazer isso com maestria no seu enredo. Além disso, eu gostei muito do cuidado que ela teve para desenvolver a relação de Eleanor e Raymond, respeitando o espaço e o tempo dos personagens e não criando situações que soassem forçadas durante a leitura. É muito maravilhoso quando você encontra um livro com um enredo amarrado, com personagens bem desenvolvidos e com uma escrita tão deliciosa e desafiadora. Estou nas nuvens.

“Quando o silêncio e a solidão caem sobre mim e a minha volta, esmagando-me, me cortando como gelo, às vezes preciso falar em voz alta, nem que para provar que estou viva.”

Eu amei cada minuto da minha leitura de Eleanor Oliphant Está Muito Bem.  E se você está preocupado que esse livro seja um romance, fique tranquilo, não é. Acho que um dos pontos mais “elegantes” desse livro, é que Honeyman conseguiu tratar vários assuntos no livro, criar várias relações e desenvolver os personagens sem precisar de uma grande história de amor por trás. Na verdade, o “romance “ é utilizado de forma que faz com que a personagem saia do seu casulo e evolua como pessoa, encarando os seus medos, seu passado e encontrando um novo caminho para si própria. Eu achei essa escolha de romance muito original, inclusive, nunca tinha visto nenhum autor trabalhar isso em um enredo.

Eleanor Oliphant Está Muito Bem é uma obra encantadora e eu me sinto muito aliviada por ter tido essa experiência de leitura. Eleanor Oliphant é, de fato, uma das melhores personagens que eu já conheci. Seu desenvolvimento ao longo dos capítulos é sensacional, os diálogos criados são engraçados e, ao mesmo tempo, emocionantes. Eu estou muito feliz de ter me envolvido nessa montanha russa emocional que é essa leitura e eu mal posso esperar para conseguir ler outras coisas da Gail Honeyman.

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Resenhas 29nov • 2017

O Urso e o Rouxinol, por Katherine Arden

O Urso e o Rouxinol é um dos lançamentos da Rocco de 2017. Escrito pela americana Katherine Arden e lançado pelo selo Fábrica231, a história se passa em uma Rússia medieval muito antes dos Czares. O livro é o primeiro de uma trilogia que busca recontar os primórdios da Rússia por meio do folclore e da expansão do cristianismo. Durante a leitura vemos várias referências aos contos de fadas russos, entre eles o meu favorito: Vasilisa, a bela.

Como fã de literatura russa e apaixonada por alguns contos folclóricos, assim que eu botei meus olhos na sinopse de O Urso e o Rouxinol mal pude esperar para ler. A história tinha de tudo para me prender, uma narrativa fantástica, uma protagonista forte, apesar de não ser tudo o que eu esperava o livro saiu melhor do que a encomenda. O livro começa antes mesmo de nossa pequena Vasilisa nascer, vemos um inverno rigoroso atingindo uma família de ricos fazendeiros e uma ama contando histórias ao pé da lareira.

Logo no começo, sabemos que a avó de Vasilisa era uma mulher misteriosa que surgiu um dia no castelo do príncipe e encantou-o de tal maneira que ele se apaixonou. Como uma mulher amante da liberdade e da natureza, a avó de Vasilisa causou raiva e espanto aos olhos da corte. Entre as acusações de bruxaria e reprimendas, ela acabou definhando até perder sua essência. Sua filha, Marina, foi prometida a Pyotr Vladimirovich, um rico senhor de uma família do interior sem fama ou tradição. Maria e Pyotr vivem um relacionamento feliz até que ela engravida e morre no parto. Antes de partir ela pede que Pyotr cuide de sua filha, mesmo que ela seja igual à avó.

A noite caia e Vasya tiritava enquanto caminhava. Seus dentes batiam. Os dedos dos pés entorpecidos apesar das botas pesadas. Uma pequena parte sua tinha pensado —  esperado —  que haveria alguma ajuda na floresta, algum destino, alguma magia. Esperava que o pássaro de fogo viesse, ou o Cavalo de Crina Dourada, ou o corvo, que, na realidade, era um príncipe… Menina tola para acreditar em contos de fadas. A mata no inverno era indiferente a homens e mulheres; os chyverty dormiam no inverno, e não havia tal coisa como um príncipe corvo.

Nossa protagonista cresce então entre as florestas de Rus’ e seres encantados, sem seguir muito os padrões e ideais da comunidade cristã. Toda essa liberdade começa a gerar boatos, Pyotr se vê obrigado a arrumar uma mãe adotiva na esperança que isso refreie os impulsos selvagens da filha. Para o azar de Vasilisa sua nova mãe é uma mulher perturbada que vê os seres mágicos como servos do demônio, seu fanatismo religioso leva ao enfraquecimento dos espíritos da floresta e ao fim de muitas das antigas tradições. Nada disso seria perigoso se não fosse uma ameaça cada vez mais próxima, para evitar que ela destrua toda a vila e sua família, Vasilisa deve resgatar o poder dos antigos guardiões, mesmo que isso a transforme numa bruxa aos olhos da cidade.

O livro começa com um tom mais infantil, à medida que a protagonista cresce os assuntos abordados vão ficando cada vez mais pesados. Acabei achando a transição um pouco brusca, isso foi o que mais me incomodou. Entretanto, ver Vasilisa crescer e florescer como uma grande mulher foi gratificante. Não posso dizer o mesmo de grande parte dos coadjuvantes. Torcia pra muita gente bater as botas, tanto o Padre como a Anna me causavam um ódio tão grande que não me importaria se o algum Upyr levasse eles logo. Todo o plot religioso me lembrou muito de As Brumas de Avalon, Anna inclusive me soou muito como a Guinevere, quem conhece essa versão das narrativas Arturianas vai perceber as influencias rapidinho.

“Me dizem como vou viver e como devo morrer. Tenho que ser a criada de um homem e uma égua para seu prazer, ou tenho que me esconder entre muros e render minha carne para um deus silencioso e frio. Eu entraria nas malhas do próprio inferno, se fosse um caminho da minha própria escolha. Prefiro morrer amanhã na floresta a viver cem anos a vida que me é indicada.”

Eu simplesmente adorei as várias criaturas que apareciam no decorrer da história, queria um Domovoi e um Dvornik na minha vida, o último inclusive ensina Vasilisa a falar com os cavalos, tem coisa mais legal que isso? O livro conta com um glossário ensinando muitos dos termos em russo utilizados pela autora. Até pegar direito quem era o quê, me vi indo varias vezes ao fim do livro me consultar, acabei aprendendo bastante sobre outra cultura durante a leitura, isso é o que mais me encanta na literatura. Estou ansiosa para ler a continuação, espero que a história não caia para um romance bobo, a magia é o que mais encanta no livro da Katherine.

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Resenhas 26jun • 2017

Melodia Mortal, por Pedro Bandeira e Guido Carlos Levi

Poucas coisas são mais tristes do que pegar um livro de um autor cujo trabalho você admira, e o livro simplesmente não atingir as suas expectativas. Os livros do Pedro Bandeira, especialmente a série dos Karas foram alguns dos meus favoritos na época da minha adolescência, então eu estava muito animado para fazer a leitura de Melodia Mortal. Infelizmente, não foi o que eu esperava.

Melodia Mortal é um livro de suspense, seguindo o famoso detetive Sherlock Holmes, e seu companheiro, o Dr. John Watson, enquanto eles investigam diversos de seus misteriosos casos. Holmes, que além de mestre da dedução, é também um amante da música, aplica seu talento para investigação afim de determinar exatamente o que foi que matou grandes mestres da música clássica, como Beethoven, Mozart, e Tchaikovsky. Muitos anos no futuro, a Confraria dos Médicos Sherlockianos, um grupo de profissionais da medicina fãs do detetive, se reúne para discutir as façanhas de Sherlock Holmes.

Fora o fato de ser um livro do Pedro Bandeira, a ideia por trás do livro foi o que mais me chamou a atenção. Sherlock Holmes investigando a morte do grandes gênios da música clássica. É o tipo de plot que não vemos com tanta frequência. Mas na verdade, não é isso que acontece no livro. O que acontece é que Sherlock e Watson investigam algum caso qualquer, e Sherlock comenta que o caso o lembra da morte de um dos músicos. Aí a história muda de direção, e a Confraria dos Médicos Sherlockianos discute a morte do músico em questão.

Esse é o maior problema do livro. Todos os capítulos parecem ser praticamente iguais. O livro não tem um começo, meio e fim. São alguns contos, que apesar de serem até divertidos, não são longos o suficiente para fazerem alguma impressão duradoura. Nenhum deles é memorável o suficiente, e todos tem a mesma fórmula. Não tem nada que possa ser apontado como sendo marcante em nenhum deles.

A narração em si é provavelmente o melhor ponto do livro. As partes que seguem Sherlock são narrados pelo Dr. John Watson, e as que seguem a Confraria dos Médicos Sherlockianos. A narração de Watson é divertida, e os momentos de humor que ele injeta na história me fizeram rir, mas as partes da Confraria dos Médicos Sherlockianos são massantes e não tem nada que grave nenhum dos personagens na mente do leitor. O livro passa muito pouco tempo explorando esses personagens e, além de alguns traços de personalidade bem rasos, nada sobre eles se destaca como interessante.

Outro ponto positivo do livro é o conteúdo histórico dele. Pra quem se interessa por história, ou especificamente pelas figuras históricas do mundo da música, Melodia Mortal é um prato cheio. Em 240 páginas, eu aprendi mais sobre esses músicos clássicos do que já tinha aprendido em toda a minha vida. O livro pode entrar no território de infodump as vezes, mas isso é o tipo de coisa que já é esperado em uma história de Sherlock Holmes.

Talvez eu tenha entrado nessa leitura esperando demais, mas Melodia Mortal foi realmente uma decepção. A narração divertida e os fatos interessantes sobre a história não foram o suficiente para salvar esse livro e ele acaba sendo desconexo e insípido. Eu realmente esperava mais de um autor que foi responsável por alguns dos livros que me ensinaram a gostar de ler, mas infelizmente não foi dessa vez.

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Resenhas 02maio • 2017

Resistência, por Affinity Konar

Resistência é o primeiro livro publicado da autora Affinity Konar e conta a história de duas irmãs gemas: Pearl e Stasha. O livro começa quando as irmãs são levadas de um trem de carga para Auschwitz, enquanto tentavam escapar junto da mãe e do avô. Ambas são meninas muito inteligentes e curiosas, Pearl se destaca por suas aptidões artísticas enquanto Stasha pela sua animação e eloquência. O romance se passa a em 1944 e é centrado no Zoológico de Mengele. Misturando fatos reais ao mundo ficcional, o livro é um retrato doloroso dos horrores da segunda guerra mundial.

Pearl é responsável pela tristeza, pela bondade e pelo passado. Stasha é responsável pela diversão, pelo futuro e pelo mal. Essa divisão de responsabilidades entre as duas logo no início do livro retrata muito bem o caminho que seguirão, e o que um campo de concentração é capaz de fazer. A inocência das meninas é tomada muito cedo, bem como a esperança de um futuro melhor. Ao longo das páginas vemos uma degradação física e emocional das irmãs que são obrigadas a enfrentar sessões e mais sessões de testes e experimentos científicos, sem nenhum embasamento. A parte mais cruel disso tudo, é que foi real.

Josef Mengele realizava experimentos com gêmeos, albinos, anões, ciganos, judeus, deficientes e a lista não para.  Suas experimentações iam desde tentar criar gêmeos siameses costurando pessoas até injetar substâncias e vírus para “testar” as reações. Gêmeos eram os seus preferidos, e por mais terrível que pareça, pertencer ao Zoológico era um destino muito melhor que o dos demais dentro de Auschwitz. Lá ainda existiam mais chances de você ser alimentado, de ter algum conforto e de sobreviver.

Affinity Konar se inspirou na vida das irmãs Eva e Miriam Mozes que viveram no campo de concentração e sofreram com os experimentos de Mengele. Apesar de terem sobrevivido carregaram seqüelas pelo resto da vida. Elas tiveram várias doenças como câncer, tuberculose, falência dos rins, além de Eva sofrer com diversos abortos espontâneos, tudo conseqüência dos experimentos.

Vemos alguns fatos reais presentes no livro: as irmãs Mozes aparecem em um ponto da narrativa, observamos cenas de injeções de substancias nos olhos bem como de vírus, uso de água fervente como tortura, vivisseções, alguns dos vários horrores causados pelo conhecido Anjo da Morte. Além das irmãs temos a presença de uma família anã, provavelmente inspirada na família Ovitz que viveu no campo de concentração.

O próprio Mengele é um ator central da trama. Famoso por ser um dos principais médicos nazistas, curiosamente ele possui uma ligação com o Brasil. Mengele fugiu para o Paraná depois de uma operação do Mossad em Buenos Aires que capturou Adolf Eichmann. Josef morreu em 1979, vítima de um afogamento em São Paulo.

A autora não nos poupa em nenhum momento da história. Pearl e Stasha perdem todo seu orgulho e humanidade nas mãos dos médicos de Auschwitz, personagens coadjuvantes também fazem parte dessa sinfonia macabra que não perdoa ninguém aos olhos do nazismo. A esperança é tomada a cada tortura, no final não sobra muito de ninguém. A escrita da autora é muito bela. Ela consegue dar uma voz diferente para cada uma das irmãs.

Percebemos isso ao longo dos capítulos que são intercalados, hora narrados por Pearl que é mais realista, hora narrados por Stasha que vive em um mundo próprio, repleto de magia e que se torna mais assustador a cada página. Outros personagens também se destacam como Bruna uma albina russa que protege as meninas da sua maneira, o Pai dos Gêmeos que trabalha no campo na seleção de gêmeos, Feliks um gêmeo que sofre nas mãos de Mengele e Peter, um menino que trabalha como garoto de recados no campo. Cada personagem tem sua cor e sua voz e o mais importante, tem seu crescimento dentro da trama.

Apesar de possuir uma história forte, considero Resistência um livro muitíssimo recomendado. Minhas expectativas não só foram atendidas como também superadas. Infelizmente não foi um livro que eu consegui ler rápido, senti a necessidade de digerir aos poucos o que acontecia e de também pesquisar mais sobre o assunto. Ler sobre pessoas sendo torturadas pode ser perturbador, mas encarar isso como um fato da nossa história é importante para evitar que isso ocorra no futuro.

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Resenhas 23mar • 2017

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo, por Iain Reid

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo é um livro de suspense, escrito pelo autor canadense Ian Reid, e lançado pela Fábrica 231 em 2017. No livro, acompanhamos a viagem de carro de um jovem casal, que consiste de Jake e sua namorada, que é quem narra a história. A viagem tem como destino a pequena cidade onde fica a fazenda da família de Jake, a quem sua namorada vai conhecer pela primeira vez.

O que Jake não sabe é que sua namorada está planejando terminar o relacionamento dos dois assim que a viagem acabar. Pior ainda, ela não contou pra ele que anda recebendo telefonemas misteriosos de alguém que parece estar vigiando ela de longe. Ao chegar na fazenda dos pais de Jake, porém, ela acaba descobrindo que Jake também tem mais segredos do que ela imaginava.

Uma viagem que imaginavam ser absolutamente tranquila se transforma então em uma experiência repleta de tensão e de suspense.

eu estou pensando em acabar com tudo

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo me agarrou logo pelo nome. Adoro um livro com um título comprido assim. E a sinopse só me agarrou ainda mais, principalmente pela simplicidade. Um casal que faz uma viagem de carro para a casa da família de um deles. É o tipo de plot que apesar de ser simples, dá espaço para um autor talentoso fazer muita coisa sinistra. E é exatamente isso que Iain Reid faz. Transforma uma ideia simples em um livro assombroso.

O maior ponto forte do livro é a atmosfera dele. Você passa o começo todo do livro completamente angustiado, só esperando a hora que as coisas vão desandar pros personagens. E quando elas começam, essa angustia só piora.  A sinopse no site da editora fala que “a história toda corre com a sensação de que estamos todos só aguardando o inevitável” e é exatamente isso que eu tirei da leitura.

Além disso a narração passa muito bem o suspense da história. Eu não quero falar muito da história, pra não dar spoiler sem querer, mas o jeito que a namorada do Jake (o nome dela nunca é revelado) conta a história é envolvente pra caramba, e eu me senti como se estivesse com ela a cada momento do livro. Em alguma partes eu realmente fiquei sem fôlego de tão nervoso que eu fiquei.

eu estou pensando em acabar com tudo

Os protagonistas do livro são Jake e a namorada, afinal nós passamos o livro todo com eles. Como eu já falei, a narração da namorada do Jake é muito boa, dá pra conhecer bastante da vida dela, dele e do relacionamento dos dois. O jeito que ela conta a história estabelece bem como são as personalidades dos dois, então quando as coisas começam a acontecer, dá pra ver bem como os acontecimentos afetam os dois.

Os outros personagens do livro não são personagens, na verdade. Eles são elementos da história que servem pra aumentar ainda mais esse clima de suspense. Todos eles cumprem muito bem o papel deles, e puxam a gente ainda mais fundo no mistério do livro. O livro todo é assim na verdade, um grande mistério recheado de detalhes que te agarram um pouco mais a cada página.

Uma coisa que eu preciso sugerir é que se você for ler esse livro, leia ele mais de uma vez. O final da história apresenta um jeito diferente de enxergar tudo o que acontece e te entrega uma leitura totalmente diferente da segunda vez. Eu inclusive estou pensando em reler mais uma vez, porque tenho certeza que ainda devem ter alguns detalhes importantes da história que eu perdi.

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Quanto mais eu falo sobre Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo, mais eu percebo que falar demais vai acabar estragando a história pra quem vai ler. É o tipo de leitura que a pessoa tem que simplesmente entrar sem saber nada da história. Se vocês gostam de um terror psicológico bem sutil, eu recomendo pra caramba esse livro. Só não vão ler esse livro a noite pelo amor de Deus.

E vocês, ficaram afim de ler Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo? Conta pra gente nos comentários!

 

Resenhas 21jan • 2017

Fellside, por M.R.Carey

Imaginem alguém que gosta muito de histórias de terror? Esse alguém sou eu! Porém, devido ao meu ceticismo com coisas místicas, não é qualquer fantasminha que me convence. Daí, escolhi Fellside exatamente por passar uma ideia de um terror “realista”.

Fellside inicia sua narração contando a história de Jessica Moulson. Jess acorda em um hospital, sem saber ao certo como foi parar lá e com lembranças bem confusas de tudo que aconteceu. A partir desse ponto, vamos acompanhando a história de Jess, antes e depois de dar entrada no hospital. Jess morava com John Street, e os dois abusavam do uso de entorpecentes. No prédio em que morava, no subúrbio de Londres, Jess só conheceu um vizinho, Alex Beech, um menino de 10 anos. Tudo que sabemos sobre Alex, é que ele era maltratado pelos pais e passava boa parte do seu tempo sentado na escada do hall.

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A história começa a tomar forma logo nas primeiras página quando Jess Moulson descobre que colocou fogo no apartamento, matando Alex Beech. Jess é condenada por homicídio doloso, quando se tem intenção de matar, já que, segundo o depoimento de John, Jess o queria morto. Essa parte da condenação foi um pouco difícil para mim, assumo. No livro o primeiro julgamento passa muito corrido, e eu ficava me perguntando: como uma pessoa que havia acabado de usar heroína, não respondia bem pelos seus atos e não sabia ao menos o que havia acontecido, podia ser considerada culpada por homicídio doloso?

A trama segue bem confusa e detalhista (contraditório, né?). Quase todos os personagens que interagem com Jess são meticulosamente detalhados. O físico e psicológico de cada um vai sendo apresentado durante os capítulos, chegando a ser um capítulo para cada personagem. No final, todos os capítulos voltam para Jess. Com isso, estamos no meio do livro, Jess está presa no complexo de Fellside, já temos um fantasma transeunte, criamos várias dúvidas sobre várias questões, mas a história não anda. Muitos personagens, muita história e nenhum desenvolvimento.

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Com toda a cara de roteiro de filme, Fellside entrega um terror bem fraco (nhé), sem emoções, sem tensão e, mais importante, sem terror. Os personagens são tão caricatos que renderiam uma série mainstream sobre a vida de uma presidiária (já existe essa, né?). O fantasma, que não nos assusta nem com “bu”, pode ser encarado claramente como um surto esquizofrênico de Jess. E tudo é tão confuso e tão sem fim que quando achamos que acabou, ainda faltam mais uns dois capítulos.

Escrito por M.R.Carey, colaborador em quadrinhos famosos como X-men e Quarteto Fantástico e roteirista em Hollywood, Fellside é um livro bem maçante e pouco estimulante. Sua escrita e estrutura não cria o suspense esperado em um livro de terror e não nos leva a querer virar a página. Não recomendo, a não ser que você realmente goste de livros com carinha de roteiro hollywoodiano.

Resenhas 14out • 2016

Eu Estou Aqui, por Clélie Avit

Faz algum tempo que eu não me aventuro em livros dramáticos, mas quando eu vi a capa de Eu Estou Aqui, simplesmente soube que eu precisava dar uma chance a esse enredo. O livro conta a história de Elsa, uma montanhista que está em coma há cinco meses sem grandes esperanças de melhora. Elsa consegue ouvir o que as pessoas falam ao seu redor, mas não consegue reagir, não consegue acordar. É quando Thibault, um homem sofrendo com o fato de seu irmão bêbado ter matado duas pessoas, entra em sua vida.

Thibault passa a visitar Elsa todos os dias e encontra nela um conforto que jamais encontrou em outras pessoas. Aos poucos, o envolvimento dos dois vai tendo efeito sob Elsa, e a cada visita, Thibault procura incentivar cada vez mais os sentidos da moça, e aos poucos, seus sentimentos por ela vão se transformando em algo que ele jamais poderia imaginar. Tudo fica ainda mais complicado quando a família da moça começa a discutir a possibilidade de desligar seus aparelhos, e a sobrevivência de Elsa passa estar nas mãos da única pessoa que ela conhece apenas a voz.

Eu Estou Aqui Clélie Avit

Meu coração está completamente destruído depois de ler esse livro. Completamente diferente do que eu estava esperando para um enredo tão simples e ao mesmo tempo tão cheio de emoção. Eu Estou Aqui é narrado em primeira pessoa, e tem o ponto de vista dividido entre os personagens principais, Elsa e Thibault, de forma que é impossível o leitor não se envolver com as emoções dos personagens e com o que acontece entre eles ao longo do enredo.

Clélie Avit tem uma escrita tão emocionante que meu coração chega a doer. O enredo do livro não é complexo, a leitura flui muito rápido e os capítulos também não são muito longos. No começo eu achei que, por ser uma leitura rápida, eu não iria me envolver tanto com a história. E como eu estava enganada sobre isso. A cada capítulo, seja de qual ponto de vista fosse, eu me via mais envolvida com a história de ambos os personagens do livro. Sem perceber, a autora foi criando em mim um desespero para que Elsa acordasse e finalmente pudesse olhar nos olhos de Thibault que eu não consigo colocar em palavras.

Eu Estou Aqui Clélie Avit

Eu Estou Aqui é um livro que traz personagens com dores reais, principalmente Thibault, que estava enfrentando o conflito familiar de ter um irmão no hospital que, por culpa da bebida, atropelou e matou duas adolescentes de quatorze anos. Além disso ele enfrentava seu divórcio, o vício no trabalho para esconder suas dores e também o vazio da solidão que ele sentia em sua vida. No começo do livro eu o achei muito grosseiro, mas conforme o conheci melhor, entendi que a raiva era um reflexo da dor que ele sentia no peito.

Elsa, por outro lado, me deixou desesperada desde o primeiro capítulo. O fato de ela só conseguir descrever seus próprios pensamentos e as poucas coisas que sabia sobre o que ouvia era desesperador, ainda mais quando entravam na discussão sobre desligar ou não os aparelhos. Eu sabia que ela queria acordar, eu via o seu desespero, as suas tentativas, aquele grito que ela não conseguia dar, mas o fato de que as pessoas no livro não podiam ouvi-la me deixava muito nervosa.

Eu Estou Aqui Clélie Avit

Eu Estou Aqui foi uma montanha russa emocional que me pegou de surpresa. Clélie Avit criou um enredo simples, de leitura fácil, mas que ao mesmo tempo questiona nossa crença na vida, nos nossos familiares, nos médicos e nos obriga a ter esperança de que as coisas vão melhorar. Até mesmo os personagens secundários desempenharam um papel importante no enredo para nos obrigar a pensar que 2% de chance é melhor do que 0%, e que não podemos abrir mão da esperança sem ao menos esgotar todas as nossas alternativas.

A verdade é que esse livro em si já vale muito a pena só pela a escrita de Clélie Avit, mas é importante dizer que o enredo em si, mesmo com seu desenvolvimento corrido, tem uma carga emocional que nenhum leitor espera encontrar num enredo. Eu normalmente não me interesso por livros tão dramáticos assim, mas  Eu Estou Aqui me conquistou desde a primeira página, e é uma leitura que eu recomendo demais para quem quer muito sair da sua zona de conforto literária.

Resenhas 10set • 2016

Respire, por K. A. Tucker

Respire é um romance new adult, escrito por K. A. Tucker, publicado pela Fábrica 231 em 2016. É o primeiro livro da série Ten Tiny Breaths, que conta com 4 livros, todos com protagonistas diferentes. O primeiro livro conta a história de Kacey, uma jovem que, anos atrás, passou por um momento traumático quando um acidente de carro, causado por um motorista bêbado, levou a morte de seus pais, sua melhor amiga, e seu namorado, deixando apenas Kacey e sua irmã Livie vivas. Kacey e Livie precisam então ir morar com os tios delas.

Infelizmente, isso não torna a vida de Kacey mais fácil. A tia religiosa de Kacey não aprova os hábitos auto-destrutivos dela, e o tio perde o dinheiro que ela e a irmã tinha guardado numa mesa de póquer. Depois que o tio tenta abusar sexualmente de Livie, Kacey decide fugir com a irmã para Miami, afim de começarem uma vida nova sozinhas. As duas acabam achando uma nova casa num complexo de apartamentos, onde conhecem figuras excêntricas, como a stripper Storm, e o misterioso Trent, que complica ainda mais a vida de Kacey.

Kacey, que não se permite se aproximar de ninguém por medo de perde-los, acaba se deixando levar pela atração que sente por Trent. Mas o que ela não sabe é que Trent também tem um trauma em seu passado. E quando esse trauma é revelado, ele tem o poder de destruir completamente o relacionamento que Kacey e Trent conseguiram criar.

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Pra começo de conversa, eu sou provavelmente a ultima pessoa do La Oliphant, que deveria estar resenhando esse livro, afinal, eu não tenho o costume de ler romances, principalmente romances new adult. Mas como eu já vinha querendo variar um pouco as minhas leituras, acabou que eu fui o responsável por essa resenha. Mas já deixando claro que o meu gosto pessoal acaba afetando a minha opinião sobre o livro, e talvez ele seja mais bem recebido por alguém que curta mais romance.

Apesar da minha falta de afinidade pelo gênero, Respire foi uma surpresa agradável. A escrita de K. A. Tucker é boa,e e eu gostei da história que ela criou. Excluindo aqueles clichês que todo romance tem, ela conseguiu contar uma história realmente emocionante sobre trauma e luto, sem sacrificar os momentos mais leves e divertidos. A amizade entre Kacey, Livie e Storm, e a filha de Storm, Mia em especial, foram alguns dos momentos mais legais do livro.

A melhor coisa sobre o livro é que ele não trata o romance como a cura para os problemas de Kacey. Apesar de estar mais feliz por estar com Trent, ela ainda precisa lidar com o trauma de uma forma mais direta, através de terapias e tratamentos. Ela não está completamente curada de seus problemas de saúde mental porque arrumou um namorado, o que é bom, porque é uma representação mais fiel a vida real, onde esse tipo de problema é bem mais complicado do que os romances costumam mostrar.

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Os personagens do livro são legais, mas acho que poderiam ter sido mais bem explorados. Kacey é uma boa protagonista, mas eu gostaria de ter visto mais do relacionamento dela com os pais, a amiga, e o namorado antes do acidente, pois isso tornaria o trauma de te-los perdido mais impactante. O relacionamento dela com Livie é bem legal, e eu adorei a amizade dela com Storm, já que livros assim costumam colocar personagens mulheres em competição umas com as outras. Foi legal ver uma amizade tão sincera entres as personagens.

Trent, por outro lado, acabou me incomodando um pouco. Não vou entregar muito da história dele, porque é um dos pontos mais importantes do livro, mas o relacionamento dele com a Kacey realmente me incomodou. O livro tenta vender o namoro dos dois de uma forma positiva, e ele realmente não é aquele estereotipo de protagonista abusivo de livro de romance, mas o jeito como eles ficam juntos simplesmente não me desce. Acho que parte de cada um, mas eu não conseguiria imaginar um relacionamento feliz, levando em conta as circunstancias que levam os dois a ficarem juntos.

Outra coisa que eu quero levantar como positiva é a forma em que o livro retrata os tratamentos que Kacey passa para tentar superar o trauma que ela passou. É muito legal ver uma protagonista admitindo que os problemas com que ela lida são pesados demais pra ela carregar sozinha, e pedindo ajuda de um terapeuta. Isso é bom porque é necessário apagar esse estigma negativo que os tratamentos psicológicos tem na nossa sociedade, já que eles ajudam muitas pessoas a conviverem com problemas enormes.

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No geral, Respire foi uma surpresa positiva. Foi o primeiro romance new adult que eu li, e apesar daqueles probleminhas que todo livro tem, superou minhas expectativas. Uma história interessante, bem escrita, que aborta temas importantes. Se não fosse o fato dos personagens não serem tão bem explorados, e de eu pessoalmente não curtir o romance dos protagonistas, teria ganhando uma nota maior. Mas enfim, pelas expectativas que eu tinha, Respire acabou me surpreendendo.

E você, já leu Respire? Curte romances New Adult? Conta pra gente nos comentários!

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