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Entrevistas 19dez • 2017

Inteligente e sensual: conheça mais sobre a escrita Elizabeth Hoyt

Vocês têm um momento para a gente conversar sobre a Elizabeth Hoyt? Bom, não é segredo para ninguém que acompanha o blog que o primeiro livro da Trilogia dos Príncipes não é um dos meus romances de época favorito. E eu não vou mudar a minha opinião sobre isso, ok? Mas, eu li o segundo livro dessa série e, para a minha surpresa, eu AMEI o livro do começo ao fim. Por isso que eu sempre digo que vocês têm que dar mais de uma chance para os autores, eles podem sempre te surpreender.

Enfim, não amo O Príncipe Corvo, mas eu amo a Elizabeth Hoyt e agora somos melhores amigas. E como uma boa amiga, eu andei dando uma vasculhada na internet, procurando saber mais sobre a história da autora e como ela se tornou esse grande sucesso dos romances de época que é hoje. E eu descobri umas coisas INCRÍVEIS sobre a autora como, por exemplo, o primeiro rascunho de O Príncipe Corvo era um completo desastre!

Como eu gosto que vocês também conheçam mais dos autores, eu traduzi uma entrevista da Hoyt de 2007, quando a Trilogia dos Príncipes tinha acabado de começar a fazer burburinho lá fora e ela já estava trabalhando no terceiro livro, O Príncipe Serpente. É muito interessante ver como, dez anos depois, o livro ainda é um grande sucesso entre os leitores do gênero. Leia mais

Entrevistas 08dez • 2017

Uma conversa com Ray Tavares, autora de Os 12 Signos de Valentina

Eu nem preciso dizer que aqui no La Oliphant, eu e os colabs, estamos completamente apaixonados pelo livro “Os 12 Signos de Valentina”. Além da Ray ter uma escrita maravilhosa, a sua personagem Isadora é uma garota de quem todo mundo ia gostar de ser melhor amiga. O livro foi lançado sob selo Galera Record, mas a verdade é que ele veio diretamente do Wattpad, o que só faz tudo ser mais incrível ainda, não é mesmo?

Os 12 Signos de Valentina é o livro perfeito para os leitores que adoram um mapa astral, viu? O livro vai contar a história da Isadora, uma garota que, depois de ter o seu coração partido por um pisciano, resolve criar um blog anônimo para contar as suas experiências com os boys de cada signo. E assim nasce “Os 12 Signos de Valentina”. Para saber mais sobre essa história que de perfeita tem TUDO, eu conversei com a Ray Tavares sobre seu livro de estreia e se você está interessado nesse enredo, essa entrevista vai te convencer a colocar o livro na estante.

Entrevista completa com Ray Tavares:

La Oliphant: Oi Ray! Primeiro eu queria muito te agradecer por conversar comigo sobre o seu livro. Eu não sei se muitas pessoas sabem que, inicialmente, você escrevia fanfics – eu lia Gossip Boys, viu?!  Como que foi esse processo de você sair de uma escrita de fanfic e começar a trabalhar na construção do seu próprio universo? Você teve que mudar muita coisa na forma como você desenvolvia o seu enredo e personagens?

Ray Tavares: Eu que agradeço pela oportunidade e por estar me ajudando tanto com a divulgação do livro – eu amei a resenha do blog. <3 Menina, parece até que faz uma vida que eu comecei a escrever Gossip Boys! Eu inclusive estou repostando ela no Wattpad, e parece outra Ray escrevendo, uma com menos técnica, mas muito mais sonhos impossíveis. É esquisito, porque a maior transição não foi passar de fanfics para histórias originais, mas sim o amadurecimento pessoal, que me levou a não querer mais falar sobre os carinhas da minha banda favorita, mas sim contar histórias que poderiam muito bem se passar no nosso dia-a-dia. Acho que a grande diferença foi parar de sonhar com coisas impossíveis e começar a encontrar inspiração em histórias reais, em narrativas que poderiam acontecer comigo, com você, com qualquer pessoa.

La Oliphant: Todo mundo sabe que ser autor nacional no Brasil não é uma tarefa muito fácil. Exige muito trabalho, dedicação e graças ao Wattpad, muitos acabam conseguindo chamar a atenção das editoras, não é mesmo? Como que foi, para você, a experiência de sair do Wattpad e ir trabalhar com a Galera Record?

Ray Tavares: É incrível, né? Poder ter a estrutura necessária para conhecer outras cidades do Brasil em sessões de autógrafo, uma equipe editorial impecável, uma equipe de marketing incrível, pessoas lá dentro que se tornaram minhas amigas de verdade! Foi a melhor experiência da minha vida! Mas a gente também precisa abrir os olhos de quem acha que é fácil, ou rápido, ou “vou acumular um número X de leituras e todas as editoras vão me querer”, porque não é assim. Eu escrevo desde os 13 anos, foram 11 anos online em site de fanfics, sites próprios e, eventualmente, no Wattpad. Eu sempre me dediquei de corpo e alma. De Wattpad mesmo foram 4 anos antes de conseguir chamar a atenção de uma editora grande! Então se a pessoa não está disposta a se dedicar verdadeiramente à escrita, se ela não tem paciência nem estrutura para lidar com a rejeição (porque serão muitas), ela vai acabar se frustrando, porque as coisas são lentas, você precisa criar uma base de leitores que curtem suas histórias, escrever pra caramba, produzir conteúdo de boa qualidade sempre… não é fácil. Ainda mais quando não vivemos disso, escrevemos de graça e temos que conciliar com faculdade, estágio, emprego, etc.

La Oliphant: Falando um pouco sobre “Os 12 Signos de Valentina”, de onde veio a ideia de criar a Isadora e todos os personagens maravilhosos que estão nesse livro?! Você sempre teve essa vontade de inserir o universo astrológico dentro do enredo?Ray Tavares: Foi uma ideia muito mais generalista do que específica – eu não acordei um dia e pensei “eureca, tenho um enredo inteiro na minha cabeça!”, eu só imaginei como seria divertido misturar romance com astrologia, e as partes do todo vieram aos poucos, depois de muito quebrar a cabeça no roteiro. A Isa é muito parecida comigo, o Andrei foi criado em base nas características que eu considero legais em um cara, a Marina é uma mistura de todas as minhas amigas e o Rodrigo é um apanhado dos meus amigos nerds. “Os 12 Signos de Valentina” foi muito mais construção e trabalho contínuo do que uma super inspiração que eu tive no chuveiro! Claro que eu tinha os meus momentos, e, no meio da história, tive uma desilusão amorosa, então contribuiu para conseguir chorar as pitangas de maneira tão realista! Hahaha.

La Oliphant: O livro quando é publicado por uma editora acaba sempre passando por algumas mudanças. Como que foi para você ter que adaptar “Os 12 Signos de Valentina” do formato Wattpad para o formato de publicação? Teve muitas mudanças da versão original ou você conseguiu manter muito do que os leitores já conheciam?

Ray Tavares: Cara, eu estava um pouco receosa com as coisas que teria que mudar, porque eu sou muito apegada com o plot de “Os 12 Signos de Valentina”, mas, no final das contas, a minha editora é tão maravilhosa que acabou deixando o livro muito melhor do que o original sem mudar nada em sua essência. Eu só cortei pequenos detalhes, coisas que não condiziam muito bem com a realidade, e adicionei cenas importantes para contextualizar o antigo relacionamento da Isa e explicar melhor o porquê dela ter ficado tão mal com o término. O livro ficou muito bom depois desse processo!

La Oliphant: Nós sabemos que “O 12 Signos de Valentina” não fala apenas sobre a experiência da Isadora conhecendo todos os signos do zodíaco, mas também aborda questões sobre política e feminismo. Você sentiu alguma rejeição por parte dos seus leitores ao escolher abordar esses temas na história?

Ray Tavares: Olha, por parte dos meus leitores não, porque quem me acompanha há bastante tempo sabe que eu sou muito apegada a questões sociais; eu sou formada em gestão de políticas públicas, então meu apego à questões que impactam o Brasil é muito grande. Eu tenho as minhas ideologias e não tenho nenhuma vergonha em mostra-las, porque eu acho que o pior que uma pessoa que tem um público pode fazer é ficar em cima do muro em questões que esbarram na sociedade em que está inserida – eu acho que todo mundo que tem o poder de influenciar alguém deveria fazer algo benéfico com isso, tentar mudar alguma coisa. Por que eu vou ficar quieta quando sei que existem adolescentes que podem ler o meu livro e se sentir mais empoderadas? Ou, não sei, ler o meu livro e repensar questões ultrapassadas, como homofobia ou machismo. Então eu falo mesmo, cutuco mesmo, e tive uma ou duas reclamações em resenhas do livro sobre misturar romance e política, mas acho que essas pessoas claramente não me conhecem! Isso não me incomoda, porque é o meu estilo de escrita, faz parte da minha essência como escritora, então, se a pessoa não curte mesmo ser provocada com algum tema polêmico enquanto lê um romance, os meus livros não vão fazer muito o gosto dela.

La Oliphant:  Todo o autor tem o seu próprio processo de escrita e criação dos seus personagens. Como foi que a Isadora surgiu para você e como que você soube qual seria a história dela?

Ray Tavares: A Isadora é uma versão mais corajosa de mim mesma! A criação dela foi fácil, porque ela faz parte de mim, e as atitudes que tomou ao longo da história fazem sentido na minha cabeça; é fácil construir um personagem que parece bastante com a gente, difícil é construir um que seja completamente diferente, como está sendo a minha próxima heroína. Agora, a história da Isa foi um pouco mais complicada, porque é bem difícil você passar a mensagem de que todos nós temos que ser felizes sozinhos antes de encontrar alguém no meio de um livro de romance, né? Hahahaha. Mas depois de muito quebrar a cabeça, acho que eu consegui construir algo que se assemelhe com essa mensagem.

La Oliphant: Vamos falar um pouquinho de signos?! Eu sei que tem muita informação sobre o zodíaco por aí. No Facebook mesmo temos diversos grupos e muita gente disposta a interpretar o seu mapa. Você teve que fazer uma pesquisa muito longa sobre cada signo para poder desenvolver seus personagens? E qual foi o signo que você mais gostou de escrever?!

Ray Tavares: Eu sempre me interessei por astrologia, leio sobre o assunto desde pequena, porque a minha mãe curte muito e passou esse hobby pra mim. Eu pesquisei bastante, claro, mas muita coisa foi meio que intuitiva dos perfis que eu já havia criado na minha cabeça! Acho que o mais divertido foi o sagitariano, porque são pessoas bem peculiares e a cena ficou bem engraçada!

La Oliphant: Muitos leitores ainda tem uma certa resistência aos livros nacionais. Em algum momento você sentiu rejeição por parte dos leitores? E o que você diria para os autores iniciantes que ainda estão tentando conquistar o seu espaço no meio editorial?

Ray Tavares: Eu não senti propriamente uma rejeição, do tipo “isso eu não vou ler porque é nacional”, mas sempre rola o famoso “eu tenho um monte de livro gringo pra comprar, mas assim que conseguir dinheiro eu compro o seu!”, hahaha. Mas sabe que eu sinto que isso vem mudando? Eu via tanta gente com livro nacional embaixo do braço na Bienal que fiquei esperançosa que esse cenário se reverta nos próximos anos! E se a gente for ver, a lista com os mais vendidos das grandes editoras na Bienal do Rio desse ano tinha muito título nacional. Acho que o negócio é continuar incentivando autores nacionais que você admira, porque isso abre portas para que, daqui algum tempo, o nosso “market share” seja de 50% pra 50%. Não adianta a gente ficar puto porque determinado autor conseguiu publicar pela editora dos nossos sonhos, ou porque determinada autora vende que nem água – eles estão trilhando o caminho quando ele ainda é de terra, porque daqui a pouco serão capazes de pavimentar tudo e mais escritores vão poder seguir suas carreiras em uma estrada asfaltada! Nossa, que metáfora, eim? Hahahahaha.

La Oliphant: Para a gente finalizar, eu gostaria de saber se nós temos outros projetos seus vindo por aí. Eu sei que você tem outros livros no Wattpad e os leitores do blog gostariam muito de saber se podemos esperar outras publicações vindo por aí. Diz que sim!

Ray Tavares: Siiiim! Tenho dois projetos pra 2018, um sai logo no primeiro semestre, e vai ser um livro de contos com heróis do imaginário popular transformados em mulheres e com cenários atuais. A Fernanda Young ficou com o Zorro, a Laura Conrado com os Três Mosqueteiros, a Pam Gonçalves com Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda e eu fiquei com o Robin Hood! E no segundo semestre tem meu segundo livro solo, em que eu vou ensinar todo mundo a sair da friendzone! 😀

 

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Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano… Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?

 

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Entrevistas 14nov • 2017

Conheça a autora por trás de O Beijo Traiçoeiro

Não é segredo para ninguém que O Beijo Traiçoeiro é o meu novo amorzinho literário – a não ser que você não siga o blog nas redes sociais. Se for o caso, você perdeu um fangirling muito intenso em cima desse livro. Rolou até mesmo uma troca de tweets com a autora, viu? Enfim, eu queria compartilhar o máximo que fosse possível com vocês sobre esse livro maravilhoso e por isso procurei na internet algumas entrevistas que ela tenha feito e que fossem interessantes para os leitores brasileiros.

E não é que eu encontrei? A Erin Beaty é uma autora nova no mercado editorial lá fora e por se mudar tanto, acaba ficando complicado nós termos muitas entrevistas e encontros com ela ( eu realmente espero que aconteça um encontrão no Brasil, viu @editoraseguinte). Mas o blog LILbooKlovers conseguiu fazer uma entrevista bem completa com a autora e eu resolvi traduzir para vocês.

Considerem isso parte do processo de doutrinação que eu estou fazendo com vocês, ok? Se você ainda não leu O Beijo Traiçoeiro, você pode conferir a resenha do livro clicando aqui. Confira abaixo a entrevista:

Nas suas palavras, como você descreveria O Beijo Traiçoeiro?

Quando eu estava apresentando a história para os agentes literários e depois para os editores, eu costumada dizer que era algo como “Jane Eyre conhece Mulan”. Trata-se de uma garota que vive em uma sociedade onde a grande maioria dos casamentos é feita através de um sistema de casamenteiras. Sage é completamente inadequada para o casamento, mas ela é contratada como aprendiz de casamenteira, e uma grande parte do trabalho é espionar as pessoas. Eles estão indo para uma conferência nacional de casamento com um grupo de noivas especialmente selecionadas quando Sage se envolve romanticamente com um dos soldados de sua escolta cerimonial. O problema é que ela tem que mentir sobre quem ela é, mas também ele. No meio de todo esse segredo que se mantém entre ambos, eles descobrem uma traição que ameaça mergulhar todo o reino em uma guerra civil.

Por que você ama escrever? Quando foi a primeira vez que você se viu apaixonada pela escrita e como isso se formou na sua primeira história?

Até muito recentemente, a escrita era algo que eu só fazia por diversão. Crescendo, sempre adorei ler, mas eu era tudo sobre ciência e matemática, e escrever era apenas mais uma habilidade para dominar. Meu pai era bastante insistente em se comunicar com clareza, e muitas vezes eu lia 15 rodadas de vários jornais de história e inglês com ele – e isso era bem antes do Microsoft Word! Eu estudei engenharia na faculdade, mas eu fiz muito bem em minhas aulas de humanas, alguns professores sugeriram que eu mudasse de curso. E, de alguma forma, sempre limitava com os estudos em nossos projetos de grupo. Eu gostei de escrever? Algo assim. Na maior parte do tempo, fiquei apenas satisfeita com os nossos resultados de laboratório apresentados de forma clara.

Anos depois eu tinha um blog, mas era principalmente para manter a família atualizada sobre nossas vidas enquanto nos movíamos pelo país. As pessoas que leram sempre me diziam que deveria escrever um livro. Eu pensei que era estranho até um dia eu ter sido atingida com uma ideia tão difícil que eu realmente sentei e comecei a digitar. Agora eu gosto, por que demorou tanto tempo para perceber que a escrita é incrível?

Na verdade, no entanto, olho para trás em anos de entradas de blog, e vejo muitas melhorias na minha narração de histórias. Eu não estava pronta até agora, então não me sinto muito mal por esperar tanto tempo para começar.

Quem são seus autores favoritos, e quais foram os impactos em você? Quem mais afetou seu estilo de escrita?

Eu realmente amo Jane Austen, porque ela tem essa sagacidade seca e observacional e suas heroínas não comprometem o que é importante para elas. Adoro a precisão de Michael Crichton e Robert Heinlein (e sua ciência) e as narrativas históricas de Michael e Jeff Shaara. Quando adolescente, eu era tudo sobre Tamora Pierce, mas sua influência era mais em viver do que em escrever. Eu tenho sido bastante eclética em minhas leituras, no entanto, não sei se realmente posso identificar onde meu estilo vem. Mesmo agora, quando leio livros, sinto que estou aprendendo algo de artesanato. Eu acho que sempre estarei evoluindo.

Quais são seus gêneros favoritos para ler e escrever? Quais são seus livros favoritos?

Eu leio tudo o que parece interessante, e geralmente o contemporâneo é mais baixo na lista – acho que nunca senti como se eu fosse do meu tempo. Você pode estar bastante certo de que nunca vou escrever uma novela contemporânea. Eu gosto de ficção científica e fantasia, mas eu posso ser exigente sobre isso, especialmente se eu acho que vai demorar muito para entender o mundo. Adoro ficção histórica, mas tem que ser preciso.

Meu livro favorito de todos os tempos é Timeline de Michael Crichton, porque a física quântica e a história medieval deixam o meu coração nerd batendo rapidamente. Outros livros que eu li repetidamente são todos da Jane Austen, The Cannery Row de Steinbeck e Sweet Thursday, The Killer Angels de Michael Shaara, The Hero e The Crown e The Blue Sword de Robin McKinley e Starship Troopes de Robert Heinlein, The Moon is a Harsh Mistress, e sua breve antologia The Past Through Tomorrow. Todos aqueles tiveram enorme influência em mim na adolescência e aos vinte anos, e eu volto para eles sempre que posso.

O que você faz quando não está escrevendo? Escrever é um trabalho de tempo integral ou um trabalho de meio período?

Ah, deus. Eu tenho cinco filhos e sou casada com um homem da Marinha, então minha vida gira principalmente em torno de administrar uma casa e se mudar a cada dois anos. A única razão pela qual eu tenho tempo para escrever é porque sou antissocial. Eu diria que é meio tempo, mas eu não tenho nenhum outro trabalho remunerado real, embora eu dê aulas em um centro de escrita local. Até que nos mudemos novamente, é isso.

Você gostaria de ser uma espiã? Caso sua resposta seja sim, qual seria o seu codenome? E qual seria a missão dos seus sonhos?

Eu acho que eu seria uma espiã terrível – até mesmo falar com pessoas no telefone me faz hiperventilar, mas eu poderia ser capaz de lidar com o tipo de espionagem que a Sage faz. Ela estuda pessoas como um naturalista estuda formigas. Meu codinome seria Mama Bear, e a melhor missão que eu poderia lidar seria onde eu tenha um trabalho de fachada, mas na verdade estou realmente procurando sinais de tráfico ou abuso de seres humanos.

Antes de começar sua carreira de escritora, você trabalhou na Marinha dos EUA como um oficial de armas. Como estava na Marinha? Como suas experiências a ajudaram a escrever este livro?

Havia tantas coisas boas e coisas ruins, mas, honestamente, não acho que a maioria das coisas ruins fossem tão singular para os militares. Babacas e incompetência existem em todos os lugares. Havia sexismo, sim, mas também um apoio incrível e capacitação. Eu aprendi muito sobre mim mesma – o que eu era capaz, quais eram meus pontos fracos e o que, em última instância, era importante para mim na minha vida. Aprendi a priorizar e a fazer coisas. Houve momentos miseráveis, mas lidei com eles e saí mais forte. Eu não trocaria isso por nada.

Não há nada específico em O Beijo Traiçoeiro que se relaciona com as lições que aprendi, mas há um tema subjacente ao que significa ser um líder, especialmente um militar.

Seu livro é “Jane Austen com um toque de espionagem!”. Qual personagem Jane Austen você se identifica mais? E qual personagem você identifica mais com Sage Fowler, a personagem principal de O Beijo Traiçoeiro?

É inútil dizer Lizzie Bennet para mim? Ela vê o absurdo em tudo e, assim, se distanciou um pouco do mundo. Sage é realmente mais como Jane Eyre do que qualquer outro personagem literário – ela começa com amargura e perda, e ela provavelmente é mais difícil de lidar do que qualquer um dos personagens de Austen. Definitivamente, não tem nenhum dos seus modos refinados.

Na sua opinião, qual é a sua frase favorita do seu livro?

Aquele que sempre me faz sorrir é quando Sage vai pedir desculpas à casamenteira e diz: “Veja, a maneira como isso funciona é, eu peço desculpas pelas coisas horríveis que eu disse, e então você diz que sente muito pelas coisas horríveis que você me disse. Então sorrimos e fingimos que acreditamos uma na outra”.

Se o seu livro fosse transformado em um filme, quem deseja como diretor e elenco?

Eu amo Kenneth Branaugh como diretor (e ator, mas não vejo um papel para ele). Sempre imaginei Duke D’Amiran como Richard Armitage, o que é interessante porque acho que ele é um pouco sensual demais e o personagem é o vilão do livro. Majel Barrett teria sido um excelente parceiro, mas isso não é possível. Há uma atriz chamada McKenna Knipe, que tem a aparência de Sage, mas não tenho ideia se sua atuação é boa. Todos os caras que posso pensar são muito velhos. Não importaria de ficar olhando os candidatos o dia todo, no entanto.

Você poderia descrever sua reação quando descobriu que você seria publicada?

Quando meu agente pediu para dizer que eu estava indo para uma proposta de aquisição na Macmillan, eu estava passando um monte de camisas para ir a um casamento. Eu cuidadosamente coloquei o ferro ao lado e sentei no sofá atrás de mim e disse: “O quê?” Então comecei a tremer.

Uma semana depois, eu estava deitada em uma cama na casa dos meus parentes, olhando para o teto e aguardando os resultados proposta. Quando meu agente me ligou para dizer que eu tinha uma oferta oficial, acabei de fechar os olhos e abaixei minha cabeça por cerca de dez minutos. Então eu me levantei, vesti todas as crianças para o ensaio de casamento, onde eu bebi muito.

O que você faz para curar o seu bloqueio criativo?

Eu folheio cadernos antigos. Escrever as coisas à mão desbloqueia a parte criativa da minha mente. Mas se meu cérebro estiver cansado ou estressado, vou assistir a um filme ou ler um livro que eu goste. O livro ou o filme tem que ser algo com o qual já estou familiarizada, portanto, não há nenhum esforço real para entender o que está acontecendo.

Como uma autora recém publicada, tem alguma coisa que você queria que alguém lhe tivesse dito antes de começar a escrever e publicar?

Eu fico um pouco feliz por não saber o quanto seria difícil ou talvez estivesse desistido. Ouvi muitas vezes que cada nível de sucesso só traz um novo (e muitas vezes pior) tipo de estresse, que eu experimentaria ciúmes horríveis sobre os sucessos de outros escritores, e que eu deixaria algumas das minhas primeiras escritas para trás – então eu esperava que isso acontecesse, mas não estava preparada.

Quais são seus planos atuais com sua carreira de escritora?

Eu acho que vou continuar escrevendo livros, desde que seja divertido e as pessoas queiram lê-los. Eu tenho várias histórias que eu quero desenvolver, mas agora a vida (as mudanças) está ficando no caminho, e a prioridade da escrita está em terminar o que agora se tornou uma trilogia. Ainda assim, deixo o gênio da escrita fora da garrafa e não acho que possa colocá-lo de volta.

Você tem alguma sugestão para todos os aspirantes a escritores?

Critique o trabalho de outras pessoas (em uma parceria), e aprenda como fazê-lo bem (não é fácil). Essa foi a melhor coisa para encontrar os problemas na minha própria escrita. E escreva o que você gostaria de ler. Acredite ou não, há muitas pessoas que também gostariam disso.

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Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.

Esta entrevista foi originalmente publicada no blog LILbooKlovers. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Entrevistas 18out • 2017

Pam Muñoz Ryan fala sobre as mensagens de “Ecos”

A DarkSide lançou esse ano Ecos, o mais novo livro da premiada autora Pam Muñoz Ryan. Nós do La Oliphant adoramos o livro, e decidimos trazer uma entrevista da autora traduzida para que vocês possam conhecer um pouco mais dessa linda história. A entrevista foi realizada pelo site Publishers Weekly, e nela a autora fala um pouco sobre as mensagens por trás do livro e da importância da música.

No novo livro de Pam Muñoz Ryan, Ecos, uma gaita mágica trás esperança e mudança para três crianças crescendo na sombra da Segunda Guerra Mundial: Friedrich, na Alemanha; Mike, em Nova York; e Ivy Maria, na Califórnia. Ryan também é a autora de Esperanza Rising e Becoming Naomi Leon, além de diversos outros trabalhos para crianças e jovens adultos. Ryan conversou com PW sobre os relacionamentos de seus trabalhos anteriores com Ecos, a importância da arte ao longo da jornada do amadurecimento, e até sobre sua curta carreira de criança violinista.

Você tem esse livro novo saindo, mas esse ano marca o 15º aniversário de um dos seus livros mais conhecidos, Esperanza Rising. Como é olhar para trás disso tudo agora?

É extremamente gratificante. Quando você escreve um livro, você meio que lhe dá um grande abraço e o manda para o mundo, e você realmente não sabe as avenidas que ele vai tomar ou as coisas maravilhosas que vão acontecer com ele. A peça de Esperanza Rising, que foi encomendada pelo Teatro de Crianças de Minneapolis, foi performada em todo o país, e isso é algo que eu nunca sonhei que poderia acontecer. Mas o que significou mais pra mim é a quantidade de cartas que recebo de professores que o livro é tão relevante hoje quanto era quando foi lançado.

Partes de Ecos parecem remeter a aspectos de Esperanza Rising, particularmente a história de Ivy Maria como uma mexicana-americana na Califórnia. Essas similaridades foram intencionais?

Na verdade, não foram intencionais. Quando eu comecei a escrever Ecos, eu estava pesquisando uma história inteiramente diferente sobre o primeiro caso bem sucedido de desagregação em 1931, em Lemmon Grove, Califórnia. Mas quando eu estava pesquisando esse caso, encontrei uma foto de um grupo de alunos sentados na escada de uma escola em particular, e cada um deles estava segurando uma gaita. A professora idosa na biblioteca me disse “Sim, esse era o clube de gaita da nossa escola primária. Todo mundo tinha uma durante aquele grande movimento de banda de gaitas.”

Aquela frase – “grande movimento de banda de gaitas” – realmente despertou minha curiosidade, então eu fui pra casa e comecei a pesquisar. Isso me levou aa banda de gaita muito famosa de 60 garotos que tocou na parada de Charles Lindbergh, usando o mesmo tipo de gaita daquela escola de campo. Então eu tinha a premissa bem ali para dois, Ivy e Mike, mas eu precisava de um terceiro. Eu viajei para a Alemanha para aprender mais sobre essa gaita e descobri que eles costumavam ter jovens aprendizes na fábrica. Foi assim que a história de Friedrich começou a se formar.

E você sabia desde o começo que você queria contar essas três histórias conectadas, ou houveram outras estruturas com as quais você brincou? Você abordou esse livro de alguma forma diferente no que se trata do seu processo de escrita?

É engraçado – todo livro é configurando de forma diferente, mas pra esse eu fui e comprei um quadro branco enorme para acompanhar tudo. Eu escrevi o que acontecia em cada mês para cada história, e depois eu também escrevi os temas musicais que atravessavam os três. Quando eu escrevo um livro, eu geralmente sei a cena de abertura ou a estrutura geral, e eu seu a resolução emocional que eu espero atingir, mas eu não sei de verdade aonde os personagens vão me levar no meio.

Então eu tinha essas três histórias principais, mas eu não queria que isso fosse apenas episódico – Eu queria que existisse uma linha mais rica que unisse todas elas. E foi isso que me levou a esse conto de fadas que suporta os três. Escrever contos de fadas é quase como um gênero literário diferente: não tem backstory, e você faz o oposto do que escritores geralmente fazem na narrativa, que é mostrar em vez de contar enquanto o leitor preenche as lacunas completamente. A outra coisa que foi difícil foram as seções terminam em um cliffhanger, então não tem uma resolução para cada seção. Eu tive que deixa-las no ar. Parte do que o conto de fadas faz é prometer que, embora talvez não seja um felizes-para-sempre da Disney, vai haver uma resolução que junte tudo.

Tematicamente, a música tem um papel importante nessa história, e é uma grande parte do que une as três histórias. A música teve um grande papel na sua vida também?

Bom, eu não sou uma musicista, apesar de que um tempo atrás eu quis ser uma. Eu tive aulas de piano e de violino quando era jovem – eu era no máximo medíocre no piano, mas eu era muito apaixonada pelo violino. Eu tinha um professor muito rigoroso na escola primária, e ele nos deu um longo sermão sobre o cuidado que devíamos ter com nossos instrumentos. Um dia a ponte do meu violino soltou quando eu estava praticando, e eu tive tanto medo da sua reação que tentei consertar com um tubo de cola de madeira. Como uma garotinha na terceira ou quarta série, eu realmente achei que ele não ia notar! Então eu arruinei o violino da escola, e esse foi o fim das minhas lições. Elas terminaram em vergonha.

Então eu nunca corri atrás da música, a não ser como parte de uma plateia devotada. Mas eu acho que essa é a melhor coisa: você não precisa ser músico para amar a música; e você não precisa ser escritora para amar livros. Em Ecos, a música se transforma em uma coisa linda e brilhante que permite que as pessoas atravessem uma floresta escura. Para esses personagens, que viveram em tempo tão difícil, eu queria que a música fosse a ressonância emocional nas suas vidas.

Se você pudesse garantir que os leitores tirem apenas uma coisa desse livro, o que você consideraria como a mensagem mais importante?

Ecos é sobre como a música ilumina as vidas dos meus personagens durante um tempo bastante sombrio. Eu acho que a maioria dos meus livros são sobre essas jornadas em que os personagens tem que crescer e mudar drasticamente, seja essa uma jornada emocional ou uma física. E se fosse olhar para Esperanza Rising, até durante a hora mais escura da jornada dela, sempre tem alguma coisa dentro dela lhe dando determinação para continuar. Eu espero que o leitor aprecie o livro pela história, mas também que alguma coisa o lembre que mesmo durante as horas mais sombrias, algo puro e lindo existe. Como a música.

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Ecos, da premiada escritora norte-americana Pam Muñoz Ryan, é uma fábula como há muito não se via – ou se ouvia. Um conto de fadas dark, que resgata o melhor da tradição dos irmãos Grimm, combinado com delicados momentos do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos nos anos 1930. O resultado é uma fantasia histórica repleta de perigos e beleza, emoldurada pelo poder da música. A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial — “a guerra para acabar com todas as guerras” —, quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda. Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: um menino que vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. Assim como os leitores do livro em todos os países em que ECOS foi lançado. Prepare-se para também ser arrebatado e enfeitiçado por essa fábula harmônica.

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Regulamento do Sorteio

– A promoção é válida até 4/11/2017, tendo seus ganhadores anunciados na fanpage dos blogs;
– Este sorteio é realizado através da plataforma Rafflecopter;
– Para validar o prêmio o ganhador deverá cumprir com todas as solicitações do Rafflecopter;
– Ao fim da promoção será sorteado apenas 01 ganhador para todos os prêmios cedidos neste sorteio;
– A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
– O ganhador terá o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
– O envio do livro será feito pela Editora Darkside no prazo de até 90 dias após o ganhador informar seu endereço;
– O blog e a editora não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

Esta entrevista foi originalmente publicada no site Publishers Weekly. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Entrevistas 05set • 2017

Nossas Noites é um presente deixado por Kent Haruf

Quando fiz a leitura de Nossas Noites, um livro completamente fora da minha zona de conforto, eu fiquei completamente surpresa com o enredo criado por Kent Haruf. Nossas Noites não apenas um romance, mas uma carta de amor para todos aqueles que já envelheceram e todos aqueles que ainda vão envelhecer. Um enredo simples, poético, capaz de envolver o leitor da primeira até a última linha.

Pensando nisso, o blog resolveu traduzir uma entrevista com a esposa de Kent contando um pouco sobre o processo de escrita de Nossas Noites e o que significou para o autor conseguir terminar esse último trabalho.

Qual foi a inspiração de Nossas Noites?

Kent me disse no final de abril: “Eu vou escrever um livro sobre nós”. O seu momento favorito era quando nos deitávamos na cama durante a noite, dávamos as mãos e conversávamos sobre tudo – viver, morrer, nossos espíritos, nossos adoráveis filhos, nossos queridos amigos, esta história, meu trabalho em um hospício, acontecimentos engraçados, nossos anos juntos, frustrações, ressentimentos, nossos sentimentos um pelo outro e o que quer que acontecesse naquele dia. (Foi muito importante para Kent e para mim que ficássemos atualizados um com o outro sobre tudo.)

Ele disse que queria escrever sobre a idéia de duas pessoas idosas conversando à noite. Nossas Noites é uma história de amor sobre um homem e uma mulher que decidem viver a sua verdade e autenticidade diante da crítica e do julgamento.

Você pode falar um pouco sobre o processo de escrita?

Kent estava um pouco melhor por volta de abril de 2014 e ele precisava fazer algo. Ele tentou escrever uma pequena história e disse: “Isso não foi a lugar nenhum”. Então, um dia, ele disse: “Eu vou escrever um livro sobre nós”. Na manhã do dia 1 de maio, ele se levantou e levou seu tanque de oxigênio para o galpão de escrita e escreveu um capítulo por dia durante 45 dias. Ele sentiu uma grande satisfação. Ele estava tão satisfeito e todos os dias ele vinha almoçar e dizia: “Outro capítulo!” Geralmente ele demorava seis anos para escrever um livro e ele ficou absolutamente impressionado com a possibilidade de escrever um capítulo todos os dias. Mas ele sabia que ele tinha um prazo e ele estava determinado a terminar o livro antes de morrer.

Ele digitou tudo em uma velha máquina de escrever. Quando ele terminava o primeiro rascunho de cada capítulo, ele puxava a touca sob os olhos e escrevia sem enxergar para que não fosse distraído pela ortografia, sintaxe ou pontuação. Ele, então, escreveu anotações sobre o primeiro rascunho e o reescreveu em dois lugares em seu papel amarelo antigo favorito. Em meados de agosto, ele disse que estava pronto para eu lê-lo. Eu li o manuscrito, entrei no computador e, no próximo mês, fiz as mudanças que ele queria. E revisando repetidamente. Em setembro de 2014, nós enviamos um email para o editor nos EUA, Gary Fisketjon, em Knopf, com uma nota, ‘Caro Gary, Aqui é uma pequena surpresa para você. Amor, Kent. O manuescrito foi e voltou por várias semanas e três dias antes de morrer, Kent disse que eu teria que fazer a cópia final. Então dois dias depois que ele morreu, ele foi terminado e enviado.

O que a publicação de Nossas Noites significa para você?

O mais importante para mim foi que Kent esteve bastante tempo para escrever esse livro e que ele conseguiu terminá-lo antes de morrer. Trabalhou nisso o tempo que precisava, até o último minuto. Ele foi apaixonado por escrever e terminar e enviar a seu editor, Gary Fisketjon – como uma surpresa. E certamente foi uma surpresa para Gary.

Kent e eu passamos um bom tempo discutindo a história. Ele não queria que ninguém soubesse que ele estava escrevendo no caso de ele não conseguir terminar – e ele realmente queria estar por perto para ver como o livro foi recebido. Acho que Kent provavelmente está ciente de tudo isso. Nossas Noites é um excelente presente para mim.

Como você descreveria os personagens de Kent?

Como qualquer um que leu os livros de Kent sabe, seus personagens vêm em todas as variedades. Os protagonistas estão em camadas. Nenhum personagem é bom ou ruim. Todos são humanos, comportando-se da maneira que todos nós fazemos – com medos, amor, miséria, alegria, tristeza.

O próprio Kent sentiu fortemente a dor e a tristeza do mundo. Ele era uma pessoa muito terna, amorosa e sensível, que, claro, sai em seus personagens.

As famílias são sempre um tema recorrrente nos livros de Kent. Qual foi a sua compreensão da palavra?

Em Plainsong e suas sequencias, Kent escreveu sobre a família como espíritos afins; Pessoas que se amam, se ajudam e se apoiam – aquelas que escolhemos para incluir e abraçar como família, além das que estamos biologicamente relacionados. Foi assim que ele sentiu e viveu.

Além de escrever seus próprios livros, Kent ensinou escrita criativa. Que conselho ele deu aos alunos?

Kent dizia a seus alunos de escrita criativa: “Não há falta de talento para a escrita. Mas há uma falta de talento para o trabalho árduo. Leia tudo o que você puder. Ler ler ler. (O próprio Kent admirava muito Faulkner, Hemingway e especialmente Chekhov.) Escreva e escreva e escreva. Todo dia. Seja preto no branco. Escreva o que você conhece. Não permita que outras pessoas influenciem excessivamente sua própria voz. Ouça instrutores ou professores, mas então deixe tudo fluir e seja fiel à sua própria visão e voz.

Kent não acreditava na “inspiração” quando se tratava de escrever um livro. Foi sempre trabalho duro; Ele sentava  todos os dias em sua mesa mesmo que ele não quisesse; Ele não queria perder a chance de aproveitar alguma coisa muito boa.

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Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, ele aceita o convite. Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida – que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.

Esta entrevista foi originalmente publicada no site Panmacmillan. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Entrevistas 01set • 2017

Dinah Jefferies comenta a inspiração por trás de O Perfume da Folha de Chá

Nesta entrevista feira pelo blog Book Browse, Dinah Jeffries discute O Perfume da Folha de Chá, e como suas experiências pessoais – crescendo na Malásia, vivendo em muitas partes do mundo – inspiraram e efetuaram sua escrita.

O Perfume da Folha de Chá é o segundo livro da autora Dinah Jefferies e foi publicado no Brasil em 2017 pela editora Paralela. O Romance se passa entre as décadas de 20 e 30 no Ceilão e narra à vida de Gwendolyn, uma jovem de 19 anos que se casa com um dono de uma fazenda de chá. Antes de começar a minha resenha, preciso deixar bem claro que não gostei nenhum um pouco do livro. Pretendo ser o mais parcial o possível, pois impressões de leitura são diferentes e, no geral, vi muitas avaliações boas deste livro.

Nas suas próprias palavras, você pode apresentar os leitores à premissa da O Perfume da Folha de Chá?

O enredo do livro se passa em uma plantação de chá ao lado de um lago enevoado no Ceilão dos anos 20. É quase o fim da era colonial, e todas as certezas da vida britânica estão mudando. Gwendolyn Hooper, de 19 anos, é a nova noiva do proprietário da plantação, Laurence, um viúvo rico e encantador. Mas seus sonhos de casamento são abalados por ecos do passado – um velho bafú de vestidos mofados, uma pedra de sepultura escondida no terreno e portas trancadas. Seu novo marido parece assombrado pelo passado. Quando Gwen entra em trabalho de parto, com Laurence longe da casa, ela é apresentada com uma escolha terrível – ela sente que deve fazer sem o conhecimento de seu marido. Ela pode manter um segredo tão poderoso? Caso contrário, Laurence talvez perdoe o que ela fez? À medida que todos os segredos se desenrolam, seu casamento com Laurence está ameaçado, assim como estilo de vida colonial. Em última análise, O Perfume da Folha de Chá é sobre o que sentimos que devemos esconder das pessoas que amamos e o que acontece quando fazemos.

Você pode nos contar sobre a sua infância na Malásia e como essas memórias afetaram sua escrita? Como você lidou com a transição para a vida na Inglaterra?

Minha mais amável lembrança de crescer na Malásia é do jardineiro brilhando pelas palmeiras em nosso jardim para cortar os cocos. Adorei a Malásia e, quando saímos para vir e viver na Inglaterra, senti como se eu tivesse deixado um pedaço do meu coração nos trópicos. Quando escrevi meu primeiro livro, fiquei surpresa com a quantidade de lembranças da Malásia que vieram à tona: o sorvete amarelo brilhante, o circo chinês e as férias em minúsculas ilhas semi-desertas. Mas, acima de tudo, eram as cores, os aromas exóticos e a sensação do calor na minha pele. Levei muito tempo para terminar com a Malásia, e embora eu ame a Inglaterra agora, certamente não voltaria. Escrever me ajudou a lidar com a questão da perda na minha vida, porém não foi o que me levou a escrever. Você precisa cavar profundamente quando escreve e é o que eu faço, mas o pequeno pedaço de mim que ainda pertence ao Oriente nunca desaparecera. Eu não consigo me ver sempre definindo meus romances em outro lugar.

Você viveu diversos lugares no mundo. Você pode nos contar sobre algumas de suas experiências de vida mais memoráveis?

No final da década de 1960, eu era uma “au pair” para a Condessa Guicciardini Strozzi em San Gimignano, Toscana, Itália. Eu também passei o tempo vivendo em uma comunidade de músicos (que incluiu uma série de primos da rainha Elizabeth), já que eu estava casada com o vocalista de uma banda de rock and roll.

O que motivou você a seguir uma carreira na escrita nesta fase da sua vida?

Eu não tinha planos de ser escritora, embora eu sempre gostasse de ler e ao longo da minha vida escrevi pequenas histórias. Um romance inteiro parecia uma coisa muito vasta para empreender. Mas quando estávamos vivendo em uma pequena aldeia de montanhas no sul da Espanha, eu tinha tempo nas minhas mãos e estava muito quente para sair. Foi o momento ideal para pensar em escrever um livro, e então trabalhei um enredo e comecei. Era tão simples quanto este. Eu não esperava me apaixonar por escrever, mas foi o que aconteceu, e a disciplina que você precisa para escrever não é um problema para mim. Se você realmente deseja escrever, você apenas faz isso. Sem desculpas. Se você escreve continuamente, então esqueça.

Onde você encontrou a inspiração para esta história em particular?

Minha falecida sogra nasceu na Índia e sua família incluia plantadores de chá na Índia e no Ceilão. O livro foi inicialmente inspirado em histórias que ela me contou. Depois de terminar a pesquisa para a minha primeira novela, The Separation, que se estabeleceu na Malásia, olhei pela Baía de Bengala e vi uma pequena gota de pérola no oceano da Índia: o Sri Lanka, uma vez uma colônia britânica conhecida como Ceilão, e escolhi como a localização do meu segundo livro. Eu já tinha a idéia da história principal – um segredo que mudava a vida – então era apenas uma questão de ir para o Sri Lanka.

Você visitou uma plantação de chá colonial como parte de sua pesquisa para este romance. Você pode nos contar sobre essa experiência imersiva?

No Sri Lanka, eu me apaixonei por uma plantação de chá enevoada com vista para um lago no planalto central. Com as noites iluminadas por vaga-lumes e tochas flamejantes, em meio a cigarras cantando, era tão deslumbrante que eu não queria sair. Passei meus dias fortificada por infinitas xícaras de chá e com o nariz em um livro de sua extensa biblioteca. Essa leitura me deu o detalhe que faz o livro parecer tão autêntico. Os bungalows coloniais não são o que você pode imaginar, mas são casas incrivelmente luxuosas, algumas vezes com dois andares. Enquanto estava lá, visitei uma fábrica de chá durante seu horário de funcionamento. Quanto aos alimentos, lembro-me de abanadores de ovos – copos de biscoito finos e estranhos com um ovo por dentro. Também o requeijão de búfalo – um iogurte maravilhosamente grosso, que você come com jaggery, um xarope que nunca tinha ouvido antes.

O mais excitante foi quando uma monção feroz começou dois dias antes de partir, intensificada por um ciclone mais ao norte. Foi fantástico; você não conseguia ver sua mão na frente do seu rosto e lavou a estrada. Os jardineiros carregavam nossa bagagem em suas cabeças! Tivemos que sair para voltar ao Reino Unido em duas canoas de estabilizador – bem, pelo menos até o ponto em que a estrada não havia sido destruída – uma empilhada com a nossa bagagem e outra para o meu marido e para mim.

O Perfume da Folha de Chá aborda a questão do racismo em vários níveis. Como você incorporou este tópico no enredo, e como você conseguiu escrever dos dois lados dessa questão complexa?

Eu revelei através dos personagens menores, em parte porque minha heroína, Gwen, achou o racismo muito difícil de entender, e em parte porque seu marido, Laurence, é mais progressista que os outros colonos britânicos. É um aspecto crucial do enredo e afeta a vida de Gwen da maneira mais trágica. Enquanto eu queria mostrar o racismo colonial que existia naquela época, eu tinha que torná-lo real para um público moderno. Então, você sempre está equilibrando diferentes necessidades: a necessidade de ser fiel ao passado, as necessidades de um leitor moderno e as necessidades da própria história.

Como suas experiências como esposa e mãe influenciaram seu retrato da dinâmica familiar dentro do enredo?

O Perfume da Folha de Chá é sobre por que nós sentimos que temos que manter segredos das pessoas que amamos e o que acontece quando fazemos. Também é sobre amor e perda, e tirei da impressionante morte acidental do meu filho adolescente para escrever esta parte do livro. Você sempre se baseia em seus próprios sentimentos e experiências quando escreve e, de certa forma, foi bastante catártico. E, no entanto, embora meu próprio filho tenha morrido, senti que é pior não saber o que aconteceu com seus filhos, então desenhei essa tensão e emoção para o romance.

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Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurencek no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.

Esta entrevista foi originalmente publicada no blog Book Browse. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Entrevistas 12ago • 2017

V. E. Schwab e o universo mágico de Um Tom Mais Escuro de Magia

Sentindo vontade de fazer uma viagem a um mundo mágico? Deixe que o Kell, personagem de V.E Schwab, seja o seu guia. Ele é um Antari, o que significa que ele pode viajar entre mundos paralelos, todos os quais estão conectados por versões alternativas de Londres. As viagens de Kell começaram em Um Tom Mais Escuro de Magia, onde conheceu uma ladra chamada Lila – que também é a melhor personagem que você vai conhecer na sua vida, eu juro. A série Tons de Magia chegou ao Brasil em 2016 pela Record e a editora já nos prometeu a continuação dessa aventura.

Não vou mentir para vocês, estou completamente apaixonada por essa série e não vou deixar passar nenhuma oportunidade de ser fangirl de V.E. Schwab a essa altura. Por isso, eu vasculhei a internet atrás de conteúdos que eu pudesse trazer para vocês sobre o livro, afinal, conhecimento é poder, certo? Então se você ainda não está convencido de que Um Tom Mais Escuro de Magia é a leitura perfeita para você, confira essa entrevista da Schwab que traduzimos para vocês.

Confira abaixo a entrevista de V.E. Schwab no site Unbound Worlds:

Pode contar para os nossos leitores sobre o que se trata esse novo universo?

Um Tom Mais Escuro de Magia é sobre um jovem chamado Kell, um mágico com a rara capacidade de se mover entre as versões alternativas de Londres. Oficialmente, ele é um mensageiro, e não oficialmente ele é um traficante, transportando valiosas bugigangas. Mas quando ele entra em posse de um objeto que poderia destruir os mundos, apenas para ter seu bolso roubado por uma ladra de rua chamada Lila, tudo começa a dar terrivelmente errado.

Eu adoro a ideia de viajantes. Mas ter várias versões de Londres? Impagável! Como você chegou com essa ideia e como você distinguiu o que cada Londres seria ou representaria?

A maioria dos meus livros envolve, de alguma forma, a ideia de portas. Portas entre vida e morte, naturais e sobrenaturais, conhecidas e desconhecidas. UTMEDM foi finalmente a minha chance de usar a ideia de portas entre mundos. Eu escolhi Londres porque é um lugar inerentemente mágico, uma cidade com diferentes camadas, com o mundano e o extraordinário lado a lado, apenas uma riqueza de história e mistério.

Provavelmente eu estava mais entusiasmada com a chance de não projetar um, mas TRÊS versões de Londres, cada uma com uma atmosfera e estilo muito diferente. A Londres Cinza é baseada na história de Londres, em torno de 1819, enquanto a Londres Vermelha tem uma influência muito mais oriental, uma fusão de Marrocos e Istambul e Moscou. Londres Branca inspira-se na estética germânica e escandinava, com um clima mais severo e uma paleta mais austera. Os desenhos não eram aleatórios, mas inspirados pelo relacionamento de cada lugar com a magia.

Kell é um personagem intrigante, jogando dos dois lados – antes de ser pego. Que outros canalhas você ama na ficção científica / fantasia?

Um dos meus vilões favoritos agora é Locke Lamora da série Nobres Vigaristas de Scott Lynch. Locke é grosseiro, mas incrivelmente rápido, e uma alegria contagiante. Também não tenho certeza se ele é um “canalha”, mas Kaladin de “Way of Kings” de Brandon Sanderson é um dos meus favoritos absolutos.

A ladra Delilah Bard é um lado diferente da moeda. Quão importante era ter um personagem feminina que não só desafia Kell, mas também o leitor?

Eu acho que é incrivelmente importante ter personagens que não se sentem como metades de um todo, especialmente quando eles são do sexo feminino. Lila não é ums colega, ela é a heroina de sua própria história. Ela não é um interesse amoroso, e ela não é um dispositivo do enredo. Seu propósito não é apenas agradar o leitor ou Kell, é ser verdadeira consigo mesma, e isso faz com que ela seja totalmente badass.

Um Tom Mais Escuro de Magia é, definitivamente, a leitura perfeita para os fãs de Fantasia. Acreditem quando eu digo que obrigaria todos vocês a lerem se eu pudesse, vocês me agradeceriam muito depois. Não esqueçam de conferir a nossa resenha do primeiro livro dessa série que já está disponível no blog e vocês também podem comprar o livro nos links abaixo:

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Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez… a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela.

Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto.

Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade. Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.

Esta entrevista foi realizada por Shawn Speakman no site Unbound Worlds. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Entrevistas 09mar • 2017

A experiência feminina no mercado editorial

Para deixar a #SemanaDasMinas ainda mais completa, não poderíamos deixar de dar voz ao principal motivo de estarmos fazendo essa semana especial, não é mesmo? Por isso, hoje eu venho compartilhar com vocês uma entrevista que eu fiz com a autora Bianca Sousa, conhecida por suas publicações Eterna e, a mais recente, Laços.

Nessa entrevista, a Bianca vai contar um pouco sobre como é ser escritora em um mercado que ainda acredita que as autoras nacionais só são capazes de escrever livros de romance ou erótico. É importante falarmos sobre esse assunto, principalmente porque existem muitas autoras nacionais ou não que passam por esse preconceito ao explorar outros gêneros, o que não deveria acontecer, não é mesmo?

Confiram a entrevista abaixo:

Como foi pra você publicar um livro num meio que é, em sua maioria, masculino?

Olha, para te falar a verdade, eu não pensei muito a respeito disso quando comecei. Sabe aquela coisa do “não sabendo que era impossível, foi lá e fez?”. Foi bem assim no meu caso! Risos. Acho que a melhor resposta contra o machismo em qualquer área é ir lá e fazer. (Desculpe o palavrão!) Foda-se que acha que a gente não consegue. Vamos lá fazer e mostra o serviço bem feito! Confesso que já sofri MUITO preconceito no ramo empresarial/corporativo do que no editorial como autora.

Já vivenciou algum preconceito por ser mulher no meio editorial? Se sim, qual?

Não.

Você já recebeu críticas por trabalhar com o ponto de vista de um personagem masculino?

Não. Mas o contrário já aconteceu! Por exemplo, no conto “O dia que o Sol não nasceu” a protagonista, uma moça de 17 anos, resolve aproveitar as últimas horas de vida na Terra para ir atrás de um crush. Algumas pessoas acharam isso machismo e outras acharam que ela deveria ter ficado em casa com a família e não ido atrás de um menino. Porque, né… a menina não pode ir atrás da própria felicidade! A menina tem de ficar em casa e se sacrificar pelo bem de todos, ainda que isso custe a felicidade dela. O que nem o primeiro grupo, nem o segundo perceberam é que esse papel normalmente é masculino, é o do príncipe – aquele que larga tudo, reino e posses para ter com a princesa seus último momentos. Isso é considerado *lindo* quando um homem faz, quando o cara passa pro todos os obstáculos para ter o que ou quem quer. Já se a mulher faz isso, ela é irresponsável e egoísta de ter deixado a família para trás, e, inclusive, erroneamente confundido com machismo. A mulher ir atrás do cara que ela quer, na minha opinião, é algo empoderador e não machista.

Qual a visão que você acha que o mercado editorial tem das autoras?

Atualmente, depois de tantos best-sellers produzidos por mulheres em todo o mundo, acho que o mercado editorial enxerga nas autoras de erótico uma promessa de mina de ouro. Risos. Não é uma coisa bonita, mas é a realidade quando se fala em business.

Qual é a maior dificuldade para mulher quando ela inicia no meio editorial?

Você automaticamente é categorizada como autora de romance água com açúcar ou erótico! Como se fossem sinônimos! Haha! Dá para escrever erótico em um conto, novela… não precisa ser um romance (em tamanho) e nem um romance (em um relacionamento romântico), uma vez li um erótico que era putaria pura, sem amor algum! Foi um bom livro. Mas enfim, eu escrevo romance e fantasia, e, às vezes gosto de escrever fantasia sem romance. (Tenho histórias aqui guardadas! rsrs) A questão é: enquanto mulher posso escrever romance, mas também posso escrever outra coisa fora disso se assim eu quiser.

Receba uma amostra do livro “Laços” no seu e-mail.

Gostaram da entrevista? Para conhecer mais do trabalho da Bianca Sousa, vocês podem estar curtindo a sua página do Facebook e acessando o site para saber mais sobre os livros. Ah, e se você se interessou por Laços, não se esqueça de participar do nosso sorteio para concorrer a um Ebook do livro, certo?

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Entrevistas 13jul • 2016

Uma entrevista antiga com a autora Juliana Daglio

Vamos falar um pouco sobre Juliana Daglio? Para aqueles que estão chegando no blog por agora, precisam saber que essa moça bonita da foto abaixo foi a primeira parceria oficial do La Oliphan há uns dois anos atrás. Com todo o amor e dedicação, Juliana Daglio acolheu esse blog e de lá para cá eu tenho acompanhado de perto essa moça realizar os seus sonhos, lançar mais livros e se tornar uma autora nacional muito amada pelos seus leitores.

Autora de livros como Uma Canção para a Libélula e Lago Negro, Juliana tem uma escrita que envolve os seus leitores e conquista logo nas primeiras páginas. Atualmente ela é publicada pela Editora Arwen, e a entrevista publicada abaixo foi realizada há algum tempo, quando Lago Negro ainda estava para ser lançado. Mas, não é porque fiz essa entrevista há algum tempo que eu vou perder essa oportunidade de compartilhar com vocês, leitores do La Oliphant, o amorzinho que é Juliana. Certo?

Juliana Daglio

Quando você decidiu que queria escrever um livro?
Acredito que eu tenha tomado essa decisão muito cedo, de uma forma muito inocente. Quando eu aprendi a ler, foi através de livros de Conto de Fadas, então minha paixão pela literatura logo nasceu. Aos oito anos, eu disse para minha mãe que queria ser escritora, e já dei início à composição de uma história de princesa. Encapei com caderninho e fiz até umas ilustrações, que não ficaram nada bonitas.
Sinto que decidi naquele dia, e que essa decisão veio comigo pelo resto dos dias, até que eu tive o sonho que inspirou, definitivamente, Uma Canção para a Libélula.

De onde veio a inspiração para Uma Canção para a Libélula?
Passei por várias etapas até tomar a coragem de começar a escrever, mas minha maior inspiração foi a teoria psicanalítica, de Freud. Eu tive um sonho durante o período em que cursava a matéria de Psicanalise na faculdade, e esse sonho culminou tudo. Era sobre uma garota que estava presa em uma casa, e ela não podia permitir que ninguém entrasse, e quem entrasse uma vez, ficaria preso para sempre, ou morreria.
Eu dei um nome para essa garota: Vanessa. E um nome para essa casa: A Depressão.
E daí em diante as coisas foram tomando forma e mais forma, até se tornar o livro.
Posso dizer que foi um processo incrível. Me diverti, chorei, apaguei, reescrevi… É meu coração colocado em palavras.

Como funciona seu processo criativo?
Depois de UCPAL, já dei início a vários projetos. Alguns acabei, outros não. Mas tem uma coisa que acontece em todos eles: um sonho.
Eu tenho um sonho que me marca, e quando acordo anoto ele em um arquivo. Dessa anotação nasce um rascunho, e daí por diante.
Se esse sonho vira um roteiro, eu sempre ouço alguma música que me faz lembrar esse roteiro, e começo a montar uma playlist. Então eu ouço essa playlist seguidamente, e isso aumenta ainda mais minha inspiraçãos.
Sonhos e músicas são meus gatilhos criativos.

Juliana Daglio

Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas pra ter o seu livro publicado?
A grande falta de oportunidades e o alto custo foram as dificuldades iniciais.
As editoras ainda preferem investir em nomes internacionais, ou já muito conhecidos, e isso é uma grande barreira. Contudo, acredito que, aos poucos, isso esteja mudando, graças ao esforço e talento de muitos novos escritores.
Hoje em dia ainda existe obstáculos, mesmo com o livro publicado… Divulgação, aceitação e valorização por parte dos leitores, mais divulgação e etc.
Porém, posso dizer que todos esses obstáculos tem contribuído para que eu me sinta mais forte e mais engajada nessa luta, além do que – não estou sozinha. Tenho amigos, leitores, blogueiros e outros autores que me fazem sentir parte de um todo, e esse TODO é lindo demais.

O seu livro aborta do tema “depressão” de uma forma diferente, como você chegou a conclusão de que essa seria a melhor forma de imergir o leitor no tema?
Há muita leitura a respeito de depressão e muitas pessoas deprimidas.
Livros técnicos, aos montes, que são ótimos, aliás. E livros de enredos com personagens depressivos, mas que não giram ao redor do tema, especificamente.
Quando você está deprimido, ler uma lista de sintomas e um compendio psiquiátrico não vai te ajudar. Mas ler o ponto de vista de alguém que está na mesma situação que você, pode acarretar numa coisa muito importante: IDENTIFICAÇÃO.
Quando você encontra uma pessoa com a qual se identifica, você não se sente mais sozinho. Vai ouvir o que ela diz, se colocar no lugar dela, tentar se unir a ela para juntos resolverem o problema, ou conviver com o problema. Eu queria que a Vanessa fosse esse alguém, para muitos. Quero que ela faça companhia a outras pessoas que sentem o que ela sente, e que ela ajude essas pessoas a saírem da crise.

Juliana Daglio

Se você fosse convidada para tomar um café com um dos seus personagens, qual seria?!
Eu queria poder sentar e conversar com pouco com a Valéria, viu!
É muito difícil entender alguém que se mostra como a vilã de uma história, ainda mais vendo tudo do ponto de vista da Vanessa. A verdade é que a Vanessa não teve a oportunidade de conhecer a Valéria de verdade, de entender como ela se tornou uma pessoa tão amarga e com atitudes tão insanas, mas ela tem uma história que merece ser contada, independentemente de haver ou não perdão.
Eu queria poder sentar com ela e ouvir tudo, pra dar uns conselhos e dizer para ela se esforçar um pouquinho pela filha, ao menos uma vez.

Depois do lançamento do seu primeiro livro, quais são os seus novos projetos?
O Lago Negro, primeiro livro de uma séria, será lançado agora no segundo semestre de 2015 ela Arwen, e é um projeto muito querido para mim. Acredito que vocês vão curtir a Verônica tanto quanto a Vanessa.
Fora OLN, estou escrevendo um livro Terror/Fantasia, que está me deixando com um pouco de medo. Ele fala de demônios, possessões e tudo o que uma história de terror tem direito. Susto, mitologia, e mais ainda. Porém, a pessoa aqui é um pouco medrosa, então está com dificuldades de prosseguir. Mas ele vai sair. hahahah

Sua vida mudou muito depois que se tornou escritora?
Muito!
Eu sempre fui tímida e muito quieta, com poucos amigos e bem discreta.
Hoje, eu falo em vídeos, tenho amigos em todos os cantos do Brasil, e não tenho medo de contar a vocês como está sendo tudo isso. Acredito que meu potencial de comunicação estava adormecido todos esses anos, esperando a publicação do livro para emergir.

Juliana Daglio

Como é seu relacionamento com os fãs do livro?
Pensar em fãs é uma coisa… Surreal! Hahahhaha
Meu relacionamento com eles é de amizade mesmo. Gosto de conversar com cada leitor, saber o que ele achou, mesmo que seja uma crítica, e poder ouvir abertamente o que ele tem a dizer.
Penso que somos amigos, compartilhando um pedaço do meu coração.

Se você pudesse escolher uma música para definir Uma Canção para Libélula, qual seria?
A parte I eu acredito que seria Lost in Paradise, da banda Evanescence. A música é melancólica demais, dá um aperto no peito, e fala sobre alguém acompanhado de uma dor que está perdida no paraíso. É bem o que acontece com a Vanessa, em meio a uma carreira promissora, um talento incrível, mas que carrega esse peso como uma bomba com uma data prevista para e explosão.
A parte II, seria Skinny Love, da Birdy. Mas se eu contar muito sobre isso, vou dar Spoiler a respeito da continuidade da história. Mas, para aumentar o mistério, a letra a música diz:

“Vamos, amor frágil, o que aconteceu aqui?
Alimente-se com a esperança do seu peito
Meu, meu, meu, meu, meu, meu Deus
A carga está cheia; então vá com calma”

Por que será que escolhi essa música? Hahahhaha

Já pensou em trabalhar com livros de outros gêneros? Como livros infantis, por exemplo.
Já sim. Eu quero trabalhar muito com Terror e Suspense daqui para frente. Ainda estou processando essas ideias, mas além de investir em mais um sick-lit, futuramente, quero estudar mais literatura de terror e tentar inserir nos meus enredos medos comuns com os quais todos possam se identificar, e tornar esses medos figurativos.
Infantis não. Não é minha área. Heheheh

Juliana Daglio

Se você pudesse encontrar com um autor pelo qual é apaixonada, quem seria e o que você iria dizer pra ele?
Seria o espanhol, Carlos Ruíz Zafón. E eu diria: Me deixe ser sua Isabella?
No enredo e O Jogo do Anjo, David é um promissor escritor, e a Isabella é uma garota que deseja muito aprender com ele, por isso ela aceita fazer todo o serviço de casa dele para poder ficar perto e aprender o máximo que puder.

O que você gostaria de dizer para as pessoas que acompanham o seu trabalho como escritora?!
Queria dizer que vocês são minha razão de continuar escrevendo. Antes, eu era só uma garota sonhadora com um manuscrito, sozinha com um monte de folhas e livros. Hoje, eu sou uma escritora com sonhos ainda maiores inspirados em pessoas que tem me dado força e me impulsionado a continuar. Não estou sozinha, e devo a isso a vocês.
É um amor tão grande que não tenho como explicar. Só preciso pedir desculpas por às vezes demorar para responder as mensagens, ou e-mails, mas eu procuro tratar cada um com carinho e conversar com todos, um por um. Tenham paciência com essa atrapalhada aqui, e saibam que todos moram no meu coração.

Entrevistas 27maio • 2016

Bate-Papo com Yorhán Araujo

Yorhán Araujo

Continuando o especial de quadrinhos do La Oliphant, hoje trazemos para vocês um vídeo muito legal, uma entrevista/bate-papo com o ilustrador Yorhán Araujo! Para quem não conhece o trabalho dele, o Yorhán é ilustrador, e criador das tirinhas Devaneios com Sigmund e Freud, que você já deve ter visto circulando pelas redes sociais. Além disso, ele também é o criador da série Universos, que tem como objetivo celebrar a beleza dos cabelos afros naturais. Yorhán também produz tirinhas para o Skoob, com o personagem Blue, e já fez tirinhas para o Cabine Literária.

No vídeo, eu e o Yorhán falamos de vários assuntos, como de onde surgem as idéias das tirinhas, como foi o processo de criação e divulgação da página e das dificuldades que ele encontrou para ter ser trabalho reconhecido na internet. Além disso, ele também fala um pouco sobre suas maiores influências como ilustrador, e recomenda alguns artistas nacionais para gente!

Para quem quiser acompanhar o trabalho do Yorhán, não deixem de seguir a página do Devaneios com Sigmund e Freud, e também a página Yo, onde ele posta outras tirinhas muito maneiras. Sigam também o Instagram e o Twitter dele.

Entrevistas 25abr • 2016

Entrevista com o autor Caio Riter

caio riter

Caio Riter foi um dos primeiros autores de infanto-juvenil com quem eu tive contado depois que o La Oliphant começou a fazer parte da minha vida. Conheci o autor na Feira Nacional de Infanto-Juvenil, mais ou menos em Maio do ano passado, e desde então, eu venho acompanhando o trabalho que o autor realiza com esse público e que acabou me conquistando de uma forma que eu não sei explicar.

Pensando nisso, como estamos falando um pouco sobre Infanto-Juvenil este mês, entrei em contato com o Caio e ele nos cedeu uma entrevista. Queria, de antemão, agradecer ao autor por ter nos cedido um pouco do seu tempo para realizarmos esta entrevista e dizer que é um grande prazer para nós do La Oliphant mostrar um pouco do seu trabalho aqui.

Para aqueles que não são familiarizados com o autor, Caio Riter nasceu em 24 de dezembro, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. É Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, e licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas, pela Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras – FAPA/RS; é Mestre e Doutor em Literatura Brasileira, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professor de Língua Portuguesa e de Redação. Ministra oficinas literárias de narrativa e de Literatura Infantil.

caio riter

Quando você decidiu se tornar escritor, o seu foco sempre foi escrever para o público jovem?

Não. Minha ideia inicial era escrever para adultos. A escrita para crianças veio por acidente. Acidente bom, é claro.

Quais são os elementos que mais lhe atraem ao escrever livros de infanto-juvenil?

Escrever para o público infanto-juvenil é certeza de leitura. Tem-se neste público uma verdade mais sincera, uma crítica mais próxima. E, além disso, a certeza de se estar contribuindo com a construção de seres de futuro.

Quais são os desafios de escrever para o público jovem? Você acha que é um público mais ou menos exigente do que o de outros gêneros?

Acabei respondendo acima. Creio que são exigentes sim. Não sei se mais, ou se menos, que os adultos. O fato é que são viscerais em seus gostares. Daí, o compromisso do escritor de, ao mesmo tempo que vai ao encontro do universo da criança e do jovem, buscar promover alguma ruptura, algum desacomodamentos com seus mundo ficcionais.

caio riter

Na sua opinião, qual a importância das ilustrações em um livro de Infanto-juvenil?

A ilustração, se bem feita, se dialogante com o texto, tem muito a contribuir com o objeto livro. Para a criança, a imagem fala também. E o ideal é que ela não apenas fale o que as palavras já dizem, mas que ela possa, a partir do olhar do ilustrador, contribuir com o texto num diálogo suscitador de reflexão e de entretenimento.

Você acha que o mercado editorial é complicado quando o foco é a literatura infanto-juvenil?

Não. Vejo o mercado bastante dinâmico, bastante ousado. Há, claro, editoras mais resistentes, que acabam por estabelecerem alguns critérios muito presos ao mercado escolar.

Como você enxerga a literatura infanto-juvenil atualmente? Acha que a mesma vendo sendo incentivada o suficiente?

Sempre, e cada vez mais, vemos eventos que têm a literatura para crianças e jovens como centro. Creio que é uma das literaturas mais incentivadas hoje, porém temos que lembrar que ele é definida pelo público e não pelo gênero, como ocorre na literatura feita para adultos, basta ver as modalidades de premiações.

caio riter

O que você acha de adaptações de clássicos como Dom Casmurro voltados para o público juvenil? Você acredita que adaptações assim poderiam incentivar a leitura?

Já fiz algumas adaptações. Acho-as interessantes se bem feitas. Todavia, com a presença de um bom mediador, as adaptações me parecem desnecessárias. Temo apenas aqueles que alteram de forma substancial o original. Creio que isto é um desserviço à literatura, ao clássico.

Para você, é importante que crianças tenham contato com literatura clássica, ou é melhor que eles façam esse tipo de leitura quando for do interesse deles?

Acho de suma importância o contato com os clássicos. Penso como o Calvino: não se pode tirar da criança e do jovem o direito de conhecer os clássicos.

Na sua infância, você teve algum livro do gênero que te marcou de alguma forma?

Sim. Um livro que até hoje coleciono. Possuo quase 90 exemplares distintos de Alice no País das Maravilhas. Mas também li muito Julio Verne.

caio riter

Você acha que os jovens deveriam ter mais liberdade na escolha de suas leituras, ou eles deveriam seguir a faixa etária dos livros, sempre tomando muito cuidado com o tipo de conteúdo que terão contato?

Ler, por vontade própria, tem de ser um ato de liberdade. Ler, na escola, tem de fazer parte de um projeto de formação de leitores. Neste segundo caso, a liberdade de escolha deve ser mais direcionada.

Como foi o processo de iniciação dos seus filhos no mundo da literatura? Foi forçado, natural, induzido?

Foi estimulado. Líamos todas as noites para elas.

Das suas obras publicadas, quais delas você acha que tiveram mais impacto na geração atual?

Difícil um autor julgar seus próprios textos. Mas aqueles de que mais recebo comentários de meus leitores, destaco: Meu pai não mora mais aqui, O outro passo da dança, Um na estrada e Sete patinhos na lagoa.

caio riter

Você já teve a intenção de escrever outro gênero, mas acabou desistindo e voltando para o infanto-juvenil?

Tenho livros de contos publicados. Três.

Para os autores que estão começando a explorar esse gênero, que dicas você daria?

Ler muita literatura infantil e juvenil. Ler os autores que a crítica diz que são bons. Ler os autores que a gurizada está lendo e dizendo que é bom.

Bom pessoal, essa foi a nossa entrevista com o Caio Riter. Abaixo eu vou deixar um vídeo gravado no primeiro evento que tive contato com o autor. Não deixem de conferir o site do Caio para saber mais sobre o seu trabalho, tudo bem?

Entrevistas 12ago • 2015

Ghostwriters – Eles podem estar onde você menos espera.

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Olá, Oliphants! Tá vendo esse livro aí, perto de você? Já parou pra pensar que, talvez, o autor tenha tido uma mãozinha na hora de escrevê-lo? Ou que algum livro que você já tenha lido não foi, necessariamente, escrito por quem você pensa que foi? Mistério…Mas aí, você deve estar se perguntando quem deve ter sido essa ajuda. Acertei?

Não sabe o que é ghostwriting? Vou te explicar rapidinho: o ghostwriter, ou “escritor fantasma”, é aquela pessoa que escreve para outra, sem necessariamente receber créditos autorais por isso. Faz parte do trabalho desenvolver a ideia de quem contratou, assim como deve se certificar de que está fazendo isso de modo coerente e tudo certinho, tal qual o próprio autor faria. Vários autores utilizam os serviços dos escritores fantasmas e, não, isso não significa que eles são fraudes ou algo do tipo, muito menos que a obra não seja dele – mas, aí, já é outro assunto.

Para sanar essa curiosidade enorme que estava nos perseguindo a respeito do tema, decidimos, então, bater um papo com uma ghostwriter bem gente boa, que topou tirar algumas das nossas dúvidas sobre essa profissão não muito conhecida por aí e que adoramos poder compartilhar com vocês!

Entrevista com LeVonda Brown (IG: @vonda_writes)

La Oliphant – Quando e como você descobriu a existência do ghostwriting e o que te fez querer exercer essa atividade?

LeVonda Brown –  Como uma escritora que deseja viver dessa carreira, você tende a se familiarizer com as opções com as quais você pode se arriscar. Bem, eu sempre busquei por pequenos trabalhos de escrita; fosse buscando no craiglist* ou no elance.com. De qualquer modo, o que me inspirou a escrever livros como ghostwriter foi um post escrito por Devin McFly.

La Oliphant – Se eu não estiver errada, ghostwriters não costumam receber créditos por seu trabalho árduo. Como você lida com isso?

LeVonda Brown – Correto, ghostwriters não recebem crédito algum, inicialmente. Isso inclusive é mencionado no contrato que fiz para meu projeto atual e para os futuros também. Na minha situação atual, com o “Art Project”, o Autor que me contratou decidiu que queria que as pessoas soubessem que eu escrevi isso. Então, digamos que se um outro projeto me fosse apresentado e o “autor” não quisesse me dar créditos, eu estaria bem com isso. Não estou me esforçando para entrar na industria da escrita em busca de atenção. Estou entrando na industria da escrita para me desenvolver como escritora.

La Oliphant – Você já passou por algum momento em que quis mostrar às pessoas que quem escreveu tal coisa foi você, mas não pode por causa dessa regra sobre ghostwriters?

LeVonda Brown – Não. Eu vivo sobre um código moral que não vou quebrar, seja escrevendo para alguém ou não.

La Oliphant – Você poderia dizer alguns prós e contras de seu emprego?

LeVonda Brown – Os lado positivo de ghostwriting nesse projeto em que estou trabalhando atualmente foi fazer alguém feliz. Nem todo mundo tem paciência, disciplina ou motivação para escrever e, ainda assim, ter uma boa história para contar. Nessa situação não há contras. Eu já sabia com o que havia me comprometido, então tive de me manter perseverante a todo custo.

La Oliphant – Os autores que pagam pelo seu trabalho dão suas opiniões enquanto você trabalha, pedindo para mudar coisas ou comentando sobre o que não gostam? Você já teve algum problema com isso? Se sim, poderia nos contar?

LeVonda Brown – Sim, opiniões foram dadas, mas porque eu as pedi. Independente da escrita, eu preciso satisfazer o cliente, então é importante confirmer se eles estão felizes com o seu trabalho e mantê-los informados. Com esse projeto não tive problemas; manter tudo às claras nunca foi um problema.

La Oliphant – Você acha difícil ou quase nada fácil achar trabalho na sua área? Como vocês divulgam seu trabalho?

LeVonda Brown – Sim, querida, não tem sido fácil achar trabalhos em minha área. Alguns trabalhos requerem certas credenciais. Eu aprendi muito por meio de leituras e isso não é o suficiente no mundo corporativo; por esse motive, prefiro trabalhar como freelancer.

La Oliphant – É possível viver com o dinheiro adquirido por meio desses trabalhos? (Sinta-se livre para ignorar a pergunta, caso seja ofensiva de alguma forma.)

LeVonda Brown – Não. Mas, acredito que posso começar uma vida com o dinheiro que obtenho deles.

La Oliphant – Quais são suas aspirações a respeito da escrita? Você planeja continuar sendo uma “fantasma”? Como se sente sobre isso?

LeVonda Brown – Pretendo explorer todos os gêneros do mundo literário, especialmente livros infantis. Com esperança de que vou me tornar uma autora bestseller algum dia. Se vou trabalhar como ghostwriter novamente? Sim, eu trabalharia; mas o preço pelo meu serviço subirá, visto que vou melhorando minhas habilidades como escritora. Não me sinto mal sobre ghostwrite, eu amo escrever. Todos nós precisamos de ajuda nessa vida e se eu puder ajudar alguma pessoa em realizar seu sonho, eu vou, porque eles nem imaginam que estarão me ajudando a realizar os meus também.

A LeVonda foi muito legal em ter dedicado um tempinho dela para poder nos responder e somos gratos! Esperamos que tenham gostado do post e aprendido um pouco sobre essa profissão (bem legal, por sinal) que, sinceramente, há pouco tempo nem eu sabia da existência!!! Agora, uma perguntinha: você aí, conseguiria ser um escritor fantasma? Teria coragem?

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