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Resenhas 01dez • 2016

Em Um Bosque Muito Escuro, por Ruth Ware

Em um Bosque Muito Escuro me chegou meio que por acaso e por um auto convite descarado. Um belo dia, a  Débora Costa recebe uma caixa da Rocco e eu logo exclamo: é Harry Potter! Não, não era. O que havia dentro da caixa, pasmem, parecia ser até mais interessante do que a saga de J.K.Rowling. Do interior daquela arca de papelão, saíram 3 objetos bem diferentes: Um véu, marcado de vermelho, uma taça de champanhe e um convite para uma despedida de solteira. A união dos 3 artigos, mais a capa do livro, contavam um pouco da história que estava por vir. Como não ficar curiosa quando sua coleguinha recebe a encomenda mais macabra de uma segunda-feira? Como quem não quer nada, perguntei: Dé, quer que eu leia, e quem sabe, resenhe esse livro? E ela topou! Então, após devorar a história em 3 dias, chegou o momento de pagar pelo empréstimo.

O livro Em um Bosque Muito Escuro chama a atenção já na primeira página. Narrado em primeira pessoa, a história se inicia com frases curtas e muita ação. A primeira página apresenta a personagem principal em meio a uma perseguição angustiante, repetindo um nome ainda desconhecido para nós. Um prefácio, se assim posso chamar, que prende a atenção e te convida a virar a página e devorar tudo que vem depois.

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Quem nos conta a história é Leonora (Lee ou Nora), uma escritora de romances policiais que mora na cidade de Londres. Nora vive uma rotina pacata e prática, sem muitas aventuras e com poucos amigos. Sua vida ganha movimento após um convite para a despedida de solteira de Clare Cavendish, uma velha amiga do colegial com quem cortou relações há 10 anos. Clare é dona de uma personalidade forte e imperativa e Lee, fraca e sensível, cresceu em volta da aura carismática que a amiga emanava.

Após um acontecimento traumático, Lee resolve trocar de escola e, posteriormente, abandonar Northumberland, sua cidade natal. Nora, fez questão de esquecer (ou tentar esquecer) seu passado e todos que estavam nele. Manteve contato apenas com uma pessoa do seu antigo círculo de amizades, Nina. Médica, calejada dos tempos que trabalhou com os “Médicos sem fronteiras” e apaixonada por sua namorada Jess, Nina é dona de um humor extremamente sarcástico e negro. Junto com Nora, Nina viaja de volta a sua cidade natal, para um fim de semana na casa da tia de Flo, na isolada Kielder Forest.

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Flo é a atual melhor amiga de Clare, e ficou encarregada de organizar a despedida de solteira e todos os seus pormenores. Irritadiça, Flo, na minha opinião, é a personagem com melhor construção (ou desconstrução) psicológica na trama. Estudou com Clare na faculdade e fez da amiga seu espelho de pessoa, literalmente. Como convidados ainda temos Melanie e Tom. Melanie morou com Flo e Clare, mas seguiu caminho diferente das amigas. Formada em direito, Melanie é casada, tem um filho de 6 meses e resolveu tirar o fim de semana só para ela. Já Tom é um dramaturgo boêmio, casado com um famoso diretor de teatro e que está ali para curtir. Conheceu Clare no trabalho e, para Nora, entre todos os convidados, sua personalidade luxuosa e extravagante era o única que realmente combinava com a noiva.

Escrito por Ruth Ware, Em um Bosque Muito Escuro é um livro de suspense com boas tramas. Dividido em dois cenários principais, o conto me trouxe a sensação de brincar de “vítima, assassino e detetive”. Como se mantém sempre na perspectiva de Leonora, a história alterna entre os acontecimentos na casa da escura Kielder Forest e os acontecimentos no hospital, onde Nora está internada após o fim de semana. Logo no início já percebemos que há uma morte. A casa, muito bem retratada pela autora, já é um bom local para um assassinato ou acontecimento paranormal. Claro que pode parecer clichê, mas o jeito como é descrita, de forma detalhista porém curta e objetiva, fez com que eu me sentisse naquele ambiente e óbvio, alguém ia morrer ali.

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Apesar de ser um bom livro, Em um Bosque Muito Escuro deixa algumas partes fantasiosas demais, o que compromete a leitura dos mais céticos. Além disso, a personagem principal por vezes se mostra extremamente sensível, como uma donzela de romances de época, o que me fez sentir raiva dela. Ainda rolaram umas pontas soltas que podiam ter um desfecho diferente, no entanto simplesmente morreram no meio do livro.

Para que os que gostaram de Garota no Trem e Garota Exemplar, as comparações serão inevitáveis. Em um Bosque Muito Escuro é o primeiro livro de Ware, que foi comparada a Gillian Flynn e Paula Hawkin e, apesar de ser lançado no ano passado,  já foi vendido para o cinema. Recomendo a todos que gostam de suspenses, sem romances e sem finais felizes (meu caso!!). Prestem atenção em todos os detalhes, eles serão importantes para descobrir o assassino. Curtam bastante e leiam sem medo!

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