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Resenhas 22jul • 2015

Ela Não É Invisível, por Marcus Sedgwick

Ela Não É Invisível é um thriller escrito pelo autor Marcus Sedgwick e publicado no Brasil pela Galera Record. Este é o primeiro livro do autor publicado no Brasil e também a minha primeira experiencia de leitura com ele.

O pai de Laureth é um escritor muito famoso. Depois de lançar vários livros de sucesso, ele resolve se concentrar em outro tipo de escrita, mas esta acaba não agradando muito ao público. Obcecado por escrever um livro sobre coincidências, ele parte de uma viagem para a Suíça e deixa Laureth responsável por seus e-mails – como sempre.

Ela Não É Invisível

Um dia Laureth recebe um e-mail de um cara chamado Michael dizendo que ele havia encontrado o caderno de rascunhos do seu pai em Nova York. Imediatamente ela tenta entrar em contato com seu pai, mas não consegue nenhum retorno. Preocupada, e sem o apoio da mãe, ela toma uma decisão muito importante: ir procurar pelo seu pai em Nova York.

O único problema é que Laureth é cega desde que nasceu e, para ter sucesso nessa aventura, ela precisa levar consigo o seu irmão Benjamin, de 7 anos que, apesar de ser bem novo, é bastante esperto. Tentando se convencer de que não está sequestrando seu irmão, ambos partem em sua busca para recuperar o caderno do pai e tentar descobrir onde ele realmente está.

Ela Não É Invisível

Quando fiquei sabendo do lançamento desse livro, eu realmente não sabia o que esperar da leitura. Não sou acostumada a ler thrillers, mas achei o enredo tão diferente e interessante que não consegui resistir. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Laureth, o livro nos faz acompanhar toda a aventura dos dois irmãos, não deixando de mostrar um pouco como era a relação com os pais e a vida deles em si.

Fiquei completamente apaixonada pela escrita de Marcus Sedgwick. Quando me decidi por ler este livro, fiquei horas me preparando para uma escrita pesada e complexa, mas foi exatamente o contrário. Sedgwick escolheu uma narrativa simples, fluida, que faz com que o leitor mergulhe de cabeça no universo que ele criou e não deseje sair de lá nem mesmo quando o livro termina.

Ela Não É Invisível

O enredo é maravilhoso, criativo. Apesar de Laureth ser cega, o autor buscou não utilizar isso como ponto chave para a história se desenvolver. É apenas uma informação a mais sobre a personagem, mas não algo que a defina dentro da história. Alias, acho que o fato de uma história ser contada por uma personagem cega deixou tudo muito mais interessante, porque durante a leitura eu conseguia ver as coisas pelos olhos dela, mesmo sabendo que – tecnicamente – eu não estava vendo nada.

Os personagens são peculiares, diferentes, interessantes. Mesmo tendo apenas 16 anos, Laureth tem uma compreensão fascinante sobre o mundo em que vive, sempre se mostrando completamente capaz de andar por aí sem precisar colocar uma placa dizendo que é cega para que todo mundo entenda. Na verdade, durante toda a história ela tenta transformar a sua cegueira em algo completamente irrelevante, não só para ela, mas também para as outras pessoas.

Ela Não É Invisível

E Benjamin? Nunca pensei que um personagem de 7 anos fosse me deixar tão encantada. Mesmo sendo quieto, Benjamin tem uma personalidade incrível e um jeito de lidar com as situações que eu não esperava de uma criança. É um personagem calmo, observador, que sabe o momento certo de falar ou de contar alguma coisa. Mesmo estando ali apenas para ser os olhos da irmã, Benjamin se revela um personagem que vai muito além de um garotinho.

Ela Não É Invisível faz com que você veja o mundo através dos olhos de uma menina de 16 anos que não enxerga. É um universo completamente novo, onde você precisa tatear a leitura para entender onde está indo durante todos os capítulos. Uma experiência de leitura que te deixa arrepiada a cada minuto e te faz desejar, constantemente, ser parte daquele universo tanto quanto seus personagens.

Quando este livro entrou na minha estante, eu estava buscando me arriscar em um gênero literário novo. Pra mim, essa era minha aventura e posso dizer que não me decepcionei nem um pouco. Além de uma história fascinante e personagens incríveis, Marcus Sedgwick criou um universo que te obriga a refletir não apenas sobre si mesmo, mas também sobre o mundo lá fora.

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