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Resenhas 23dez • 2017

Ninguém Nasce Herói, por Eric Novello

Assim que soube do lançamento de Ninguém Nasce Herói eu fiquei com muita vontade de ler o livro. Já escutava muitos elogios ao Eric Novello e, se tratando de uma distopia brasileira, não pude deixar a oportunidade passar. Lançado pela Seguinte em 2017, o livro conta a história de Chuvisco e seus amigos em um Brasil fundamentalista religioso. Os jovens já não podem viver a liberdade que antes usufruíram, as minorias são perseguidas e mortas a esmo, um mundo tão surreal acaba parecendo bem próximo, plausível, nas mãos do autor. Resta a nós leitores apenas o medo.

Qualquer um que acompanha as notícias pode perceber o extremismo tomando forças no mundo inteiro. Eric aproveita da inspiração dos protestos de 2013 e da situação política atual para criar um futuro distópico incrivelmente realista. O governo é controlado pelo Escolhido e apoiado por um congresso extremamente conservador. Nas ruas existem os Guardas Brancos, grupos paramilitares formados por cidadãos de bem que lutam contra o que é “errado” aos seus olhos.  Além disso, ainda temos mais duas forças: A Força Tática dos Gladiadores, tropa do governo e a Santa Muerte, grupo de resistência que luta pela volta da democracia.

Chuvisco e seus amigos distribuem livros banidos como protesto e tentam viver a vida como podem. Apesar de o racismo e a homofobia serem aceitos publicamente, o grupo tenta se manter unido e protegido das ameaças que parecem vir de todos os lados. Temos gays, negros, lésbicas, bissexuais, pessoas de todas as crenças, corpos e formas unidas por um mundo mais justo e livre. Todo o amor e união que aflora desses jovens é inspirador, principalmente em um cenário tão negativo.

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Entrevistas 14nov • 2017

Conheça a autora por trás de O Beijo Traiçoeiro

Não é segredo para ninguém que O Beijo Traiçoeiro é o meu novo amorzinho literário – a não ser que você não siga o blog nas redes sociais. Se for o caso, você perdeu um fangirling muito intenso em cima desse livro. Rolou até mesmo uma troca de tweets com a autora, viu? Enfim, eu queria compartilhar o máximo que fosse possível com vocês sobre esse livro maravilhoso e por isso procurei na internet algumas entrevistas que ela tenha feito e que fossem interessantes para os leitores brasileiros.

E não é que eu encontrei? A Erin Beaty é uma autora nova no mercado editorial lá fora e por se mudar tanto, acaba ficando complicado nós termos muitas entrevistas e encontros com ela ( eu realmente espero que aconteça um encontrão no Brasil, viu @editoraseguinte). Mas o blog LILbooKlovers conseguiu fazer uma entrevista bem completa com a autora e eu resolvi traduzir para vocês.

Considerem isso parte do processo de doutrinação que eu estou fazendo com vocês, ok? Se você ainda não leu O Beijo Traiçoeiro, você pode conferir a resenha do livro clicando aqui. Confira abaixo a entrevista:

Nas suas palavras, como você descreveria O Beijo Traiçoeiro?

Quando eu estava apresentando a história para os agentes literários e depois para os editores, eu costumada dizer que era algo como “Jane Eyre conhece Mulan”. Trata-se de uma garota que vive em uma sociedade onde a grande maioria dos casamentos é feita através de um sistema de casamenteiras. Sage é completamente inadequada para o casamento, mas ela é contratada como aprendiz de casamenteira, e uma grande parte do trabalho é espionar as pessoas. Eles estão indo para uma conferência nacional de casamento com um grupo de noivas especialmente selecionadas quando Sage se envolve romanticamente com um dos soldados de sua escolta cerimonial. O problema é que ela tem que mentir sobre quem ela é, mas também ele. No meio de todo esse segredo que se mantém entre ambos, eles descobrem uma traição que ameaça mergulhar todo o reino em uma guerra civil.

Por que você ama escrever? Quando foi a primeira vez que você se viu apaixonada pela escrita e como isso se formou na sua primeira história?

Até muito recentemente, a escrita era algo que eu só fazia por diversão. Crescendo, sempre adorei ler, mas eu era tudo sobre ciência e matemática, e escrever era apenas mais uma habilidade para dominar. Meu pai era bastante insistente em se comunicar com clareza, e muitas vezes eu lia 15 rodadas de vários jornais de história e inglês com ele – e isso era bem antes do Microsoft Word! Eu estudei engenharia na faculdade, mas eu fiz muito bem em minhas aulas de humanas, alguns professores sugeriram que eu mudasse de curso. E, de alguma forma, sempre limitava com os estudos em nossos projetos de grupo. Eu gostei de escrever? Algo assim. Na maior parte do tempo, fiquei apenas satisfeita com os nossos resultados de laboratório apresentados de forma clara.

Anos depois eu tinha um blog, mas era principalmente para manter a família atualizada sobre nossas vidas enquanto nos movíamos pelo país. As pessoas que leram sempre me diziam que deveria escrever um livro. Eu pensei que era estranho até um dia eu ter sido atingida com uma ideia tão difícil que eu realmente sentei e comecei a digitar. Agora eu gosto, por que demorou tanto tempo para perceber que a escrita é incrível?

Na verdade, no entanto, olho para trás em anos de entradas de blog, e vejo muitas melhorias na minha narração de histórias. Eu não estava pronta até agora, então não me sinto muito mal por esperar tanto tempo para começar.

Quem são seus autores favoritos, e quais foram os impactos em você? Quem mais afetou seu estilo de escrita?

Eu realmente amo Jane Austen, porque ela tem essa sagacidade seca e observacional e suas heroínas não comprometem o que é importante para elas. Adoro a precisão de Michael Crichton e Robert Heinlein (e sua ciência) e as narrativas históricas de Michael e Jeff Shaara. Quando adolescente, eu era tudo sobre Tamora Pierce, mas sua influência era mais em viver do que em escrever. Eu tenho sido bastante eclética em minhas leituras, no entanto, não sei se realmente posso identificar onde meu estilo vem. Mesmo agora, quando leio livros, sinto que estou aprendendo algo de artesanato. Eu acho que sempre estarei evoluindo.

Quais são seus gêneros favoritos para ler e escrever? Quais são seus livros favoritos?

Eu leio tudo o que parece interessante, e geralmente o contemporâneo é mais baixo na lista – acho que nunca senti como se eu fosse do meu tempo. Você pode estar bastante certo de que nunca vou escrever uma novela contemporânea. Eu gosto de ficção científica e fantasia, mas eu posso ser exigente sobre isso, especialmente se eu acho que vai demorar muito para entender o mundo. Adoro ficção histórica, mas tem que ser preciso.

Meu livro favorito de todos os tempos é Timeline de Michael Crichton, porque a física quântica e a história medieval deixam o meu coração nerd batendo rapidamente. Outros livros que eu li repetidamente são todos da Jane Austen, The Cannery Row de Steinbeck e Sweet Thursday, The Killer Angels de Michael Shaara, The Hero e The Crown e The Blue Sword de Robin McKinley e Starship Troopes de Robert Heinlein, The Moon is a Harsh Mistress, e sua breve antologia The Past Through Tomorrow. Todos aqueles tiveram enorme influência em mim na adolescência e aos vinte anos, e eu volto para eles sempre que posso.

O que você faz quando não está escrevendo? Escrever é um trabalho de tempo integral ou um trabalho de meio período?

Ah, deus. Eu tenho cinco filhos e sou casada com um homem da Marinha, então minha vida gira principalmente em torno de administrar uma casa e se mudar a cada dois anos. A única razão pela qual eu tenho tempo para escrever é porque sou antissocial. Eu diria que é meio tempo, mas eu não tenho nenhum outro trabalho remunerado real, embora eu dê aulas em um centro de escrita local. Até que nos mudemos novamente, é isso.

Você gostaria de ser uma espiã? Caso sua resposta seja sim, qual seria o seu codenome? E qual seria a missão dos seus sonhos?

Eu acho que eu seria uma espiã terrível – até mesmo falar com pessoas no telefone me faz hiperventilar, mas eu poderia ser capaz de lidar com o tipo de espionagem que a Sage faz. Ela estuda pessoas como um naturalista estuda formigas. Meu codinome seria Mama Bear, e a melhor missão que eu poderia lidar seria onde eu tenha um trabalho de fachada, mas na verdade estou realmente procurando sinais de tráfico ou abuso de seres humanos.

Antes de começar sua carreira de escritora, você trabalhou na Marinha dos EUA como um oficial de armas. Como estava na Marinha? Como suas experiências a ajudaram a escrever este livro?

Havia tantas coisas boas e coisas ruins, mas, honestamente, não acho que a maioria das coisas ruins fossem tão singular para os militares. Babacas e incompetência existem em todos os lugares. Havia sexismo, sim, mas também um apoio incrível e capacitação. Eu aprendi muito sobre mim mesma – o que eu era capaz, quais eram meus pontos fracos e o que, em última instância, era importante para mim na minha vida. Aprendi a priorizar e a fazer coisas. Houve momentos miseráveis, mas lidei com eles e saí mais forte. Eu não trocaria isso por nada.

Não há nada específico em O Beijo Traiçoeiro que se relaciona com as lições que aprendi, mas há um tema subjacente ao que significa ser um líder, especialmente um militar.

Seu livro é “Jane Austen com um toque de espionagem!”. Qual personagem Jane Austen você se identifica mais? E qual personagem você identifica mais com Sage Fowler, a personagem principal de O Beijo Traiçoeiro?

É inútil dizer Lizzie Bennet para mim? Ela vê o absurdo em tudo e, assim, se distanciou um pouco do mundo. Sage é realmente mais como Jane Eyre do que qualquer outro personagem literário – ela começa com amargura e perda, e ela provavelmente é mais difícil de lidar do que qualquer um dos personagens de Austen. Definitivamente, não tem nenhum dos seus modos refinados.

Na sua opinião, qual é a sua frase favorita do seu livro?

Aquele que sempre me faz sorrir é quando Sage vai pedir desculpas à casamenteira e diz: “Veja, a maneira como isso funciona é, eu peço desculpas pelas coisas horríveis que eu disse, e então você diz que sente muito pelas coisas horríveis que você me disse. Então sorrimos e fingimos que acreditamos uma na outra”.

Se o seu livro fosse transformado em um filme, quem deseja como diretor e elenco?

Eu amo Kenneth Branaugh como diretor (e ator, mas não vejo um papel para ele). Sempre imaginei Duke D’Amiran como Richard Armitage, o que é interessante porque acho que ele é um pouco sensual demais e o personagem é o vilão do livro. Majel Barrett teria sido um excelente parceiro, mas isso não é possível. Há uma atriz chamada McKenna Knipe, que tem a aparência de Sage, mas não tenho ideia se sua atuação é boa. Todos os caras que posso pensar são muito velhos. Não importaria de ficar olhando os candidatos o dia todo, no entanto.

Você poderia descrever sua reação quando descobriu que você seria publicada?

Quando meu agente pediu para dizer que eu estava indo para uma proposta de aquisição na Macmillan, eu estava passando um monte de camisas para ir a um casamento. Eu cuidadosamente coloquei o ferro ao lado e sentei no sofá atrás de mim e disse: “O quê?” Então comecei a tremer.

Uma semana depois, eu estava deitada em uma cama na casa dos meus parentes, olhando para o teto e aguardando os resultados proposta. Quando meu agente me ligou para dizer que eu tinha uma oferta oficial, acabei de fechar os olhos e abaixei minha cabeça por cerca de dez minutos. Então eu me levantei, vesti todas as crianças para o ensaio de casamento, onde eu bebi muito.

O que você faz para curar o seu bloqueio criativo?

Eu folheio cadernos antigos. Escrever as coisas à mão desbloqueia a parte criativa da minha mente. Mas se meu cérebro estiver cansado ou estressado, vou assistir a um filme ou ler um livro que eu goste. O livro ou o filme tem que ser algo com o qual já estou familiarizada, portanto, não há nenhum esforço real para entender o que está acontecendo.

Como uma autora recém publicada, tem alguma coisa que você queria que alguém lhe tivesse dito antes de começar a escrever e publicar?

Eu fico um pouco feliz por não saber o quanto seria difícil ou talvez estivesse desistido. Ouvi muitas vezes que cada nível de sucesso só traz um novo (e muitas vezes pior) tipo de estresse, que eu experimentaria ciúmes horríveis sobre os sucessos de outros escritores, e que eu deixaria algumas das minhas primeiras escritas para trás – então eu esperava que isso acontecesse, mas não estava preparada.

Quais são seus planos atuais com sua carreira de escritora?

Eu acho que vou continuar escrevendo livros, desde que seja divertido e as pessoas queiram lê-los. Eu tenho várias histórias que eu quero desenvolver, mas agora a vida (as mudanças) está ficando no caminho, e a prioridade da escrita está em terminar o que agora se tornou uma trilogia. Ainda assim, deixo o gênio da escrita fora da garrafa e não acho que possa colocá-lo de volta.

Você tem alguma sugestão para todos os aspirantes a escritores?

Critique o trabalho de outras pessoas (em uma parceria), e aprenda como fazê-lo bem (não é fácil). Essa foi a melhor coisa para encontrar os problemas na minha própria escrita. E escreva o que você gostaria de ler. Acredite ou não, há muitas pessoas que também gostariam disso.

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Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.

Esta entrevista foi originalmente publicada no blog LILbooKlovers. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Resenhas 11nov • 2017

O Beijo Traiçoeiro, por Erin Beaty

O Beijo Traiçoeiro chega às livrarias brasileiras pelas mãos da editora Seguinte e traz para os leitores de romance tudo aquilo que estávamos sentindo falta no mundo literário. Elevando as expectativas dos leitores apaixonados de Jane Austen e conquistando o leitor desde o primeiro capítulo do livro, a escrita de Erin Beaty não deixa a desejar e entrega muito mais do que um romance maravilhoso e personagens que roubam a cena a cada capítulo. O primeiro livro da série de mesmo não é brincadeira, promete o que cumpre e ainda deixa com um gostinho de “quero mais”.

O Beijo Traiçoeiro não é uma leitura com a qual eu esteja sabendo lidar, confesso. Comecei o livro achando que ia me deparar com mais um clichê romântico como todos os outros, mas terminei completamente destruída, desejando conseguir apagar a memória da leitura apenas pelo prazer de ter essa primeira experiência de novo. Erin Beaty definitivamente me pegou de surpresa com essa escrita envolvente, mas principalmente com um enredo que tem uma reviravolta atrás da outra para deixar o leitor preso até a última página.

O livro é narrado em terceira pessoa, alternando o foco entre os personagens principais do livro. Erin tem uma escrita muito leve, mas que consegue te envolver desde o primeiro capítulo. Isso acontece porque a autora trabalha muito bem os seus diálogos, jogando o leitor de um parágrafo para o outro apenas pela curiosidade de saber o que a heroína deste livro, Sage Fowler, irá fazer a seguir.  As falas são inteligentes e acompanhadas das descrições de Erin Beaty, eu consegui me sentir dentro do livro, sentada ao lado da personagem principal, participando de tudo o que estava acontecendo.

“- Ser casamenteira é basicamente um trabalho de interpretar pessoas, coletar informações e tentar entendê-las, e você tem talento para isso. Além do mais, não é uma rejeição de verdade se você não pretendia se casar. Pense nisso como um jogo que ganha quem tiver a pontuação mais baixa.”

Sendo o primeiro livro da autora a ser publicado, tanto aqui no Brasil quanto lá fora, eu tenho que dizer que Erin Beaty sabia muito bem o que estava fazendo quando escreveu O Beijo Traiçoeiro. O enredo do livro se desenvolve em um ritmo gostoso, as cenas não são corridas demais ou lentas demais e a autora nos dá a quantidade de informação necessária para entendermos o universo em que estamos e os personagens que estamos acompanhando. Eu gostei muito de não ter nenhum tipo de exagero e de não ir muito além do que é necessário – um erro que muitos autores iniciantes cometem.

O Beijo Traiçoeiro tem um enredo com reviravoltas que fariam Jane Austen levantar do túmulo apenas para aplaudir Erin Beaty. Não tem nada que eu ame mais em um livro do que quando o autor consegue me enganar direitinho e eu termino um capítulo com a sensação de “eu nunca conseguiria prever isso”.  E Beaty entregou isso com tanta maestria que eu não conseguiria colocar em palavras nessa resenha. Quando eu achei que tinha pegado todo o plot do livro, ela jogou bem na minha cara quem era a rainha dessa leitura, e eu só podia louvar essa mulher maravilhosa!

“Representamos vários papéis durante ao longo da vida… Isso não faz com que todos sejam mentira.”

Sage Fowler é a melhor heroína que eu poderia querer em um livro de romance. Ela não só é independente como não deixa ninguém a diminuir por ser mulher. Inteligente, corajosa e até mesmo um pouco teimosa, Sage prova desde o primeiro capítulo que não está disposta a deixar de ser quem é para conseguir um marido e isso é o que fez com que eu me apaixonasse por ela. Fazia muito tempo que eu não lia uma personagem feminina que mantinha sua independência sem perder seu coração, por isso, quando o romance do livro acontece, você tem a plena certeza de que Sage vai fazer a melhor escolha possível.

E eu nem preciso falar sobre Ash Carter, não é mesmo? Roubou meu coração no minuto em que ele e Sage se conheceram e eu achei ótimo que a autora tenha trabalhado o romance entre eles em cima da amizade que eles foram construindo ao longo dos capítulos. Eu gosto da forma como eles respeitam a opinião um do outro e tentando encontrar uma solução que esteja boa para os dois. Além disso, eu gosto muito da forma como Ash respeita e apoia as decisões de Sage, mesmo quando ele não concorda com ela. Ele a deixa livre para ser ativa nas decisões, para dar ideias e fazer as escolhas que ela julga serem melhores para ela. Como é que esse não vai ser o OTP mais lindo do mundo?! Não tem como.

O Beijo Traiçoeiro foi uma leitura que eu não só amei como já estou me preparando para começar novamente. É o tipo de livro que você coloca na estante para ler mais uma vez – ou ler sempre que pude, se você for como eu. Erin Beaty acertou demais nesse romance de estreia, conquistou meu coração e eu mal posso esperar para que a editora Seguinte lançar a continuação dessa história.

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Resenhas 14jun • 2017

O Ceifador, por Neal Shusterman

O Ceifador é um romance de ficção científica YA, e é o novo lançamento do autor Neal Shusterman, que escreveu também a série Fragmentados. O livro, lançado pela Seguinte em 2017, se passa em um futuro em que a ciência evoluiu a um ponto em que as doenças, as guerras, a fome, a miséria, e até mesmo a morte são coisas do passado. Para garantir o controle da população em um mundo pós-morte, existem os ceifadores, pessoas que tem o papel de determinar quem deve ser “coletado”.

Citra e Rowan são dois adolescentes selecionados para serem aprendizes do respeitado Ceifador Faraway. Apesar de não quererem ser ceifadores, os dois sabem que isso garantiriam imunidade de coleta para suas famílias. Os dois precisam então dominarem a “arte” de matar, enquanto tomam cuidado de não se aproximarem demais um do outro. Mas eles ainda vão descobrir que o mundo dos ceifadores é bem mais obscuro do que parece.

Eu entrei nessa leitura com algumas expectativas, afinal eu gostei bastante do último livro que eu li do Neal Shusterman. É sempre complicado pegar o novo livro de um autor que você gosta, porque você já começa a leitura esperando o mesmo nível de qualidade dos outros livros dele. Então apesar de estar bem animado pela sinopse do livro, eu estava um pouco apreensivo sobre o livro.

Apesar das minhas expectativas, eu curti bastante O Ceifador. O Neal Shusterman continua sendo um dos autores que eu mais gosto de ler, principalmente por causa da escrita dele. Ela é muito boa de ler, e o ritmo dos livros dele são sempre muito ágeis, a gente lê umas 100 páginas sem nem perceber. A narração dos dois protagonistas é distinta o bastante para que os dois tenham vozes bem definidas, e ambos são fáceis de o leitor se identificar.

Citra e Rowan são personagens distintos, com personagens e motivações diferentes, mas com o mesmo objetivo e as interações dos dois são alguns dos momentos mais legais do livro. A química entre eles é ótima, e eu realmente estava torcendo pros dois durante o livro. Sem querer dar spoilers, a backstory de cada um acrescenta várias camadas a caracterização deles, principalmente Citra, e explica muito bem o porque de eles estarem no treinamento para se tornarem ceifadores, apesar de nenhum dos dois realmente quererem esse papel.

O único problema que eu tive com o livro foi o mundo dele. Apesar do autor tentar, o futuro que ele criou no livro simplesmente é perfeito demais. Um mundo sem guerra, sem pobreza, sem fome, sem morte. Parece utópico demais, então o conflito que o livro precisa criar pra ser uma distopia parece que é jogado de qualquer jeito. E isso acontece em alguns momentos da história também. Quando as coisas começam a se acertar, o plot vai e joga um elemento só pra deixar as coisas mais complicadas.

Outra coisa que eu gostaria de ter visto mais no livro é uma explicação de como exatamente a ciência chegou a essa tecnologia que evita a própria morte. Eu sei que é meio tenso o autor explicar uma tecnologia que não existe de verdade, mas seria muito interessante ver como exatamente nós chegamos a um mundo sem governo e sem guerras. Imagino que o autor esteja guardando isso para um futuro livro, mas teria sido legal ver um pouco disso em O Ceifador.

O Ceifador, na minha opinião, não é tão bom quanto Fragmentados, mas é uma leitura que vale a pena. A escrita do Neal Shusterman, os personagens, e a questões que o livro levanta são todos pontos positivos, apesar do mundo pouco explorado e do enredo um pouco bagunçado. Eu com certeza vou ler o segundo livro da série quando ele for lançado, e espero que ele explore um pouco mais do mundo do livro, principalmente como foi que a humanidade chegou a esse mundo pós-morte.

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Resenhas 18maio • 2017

A Rebelde do Deserto, por Alwyn Hamilton

O deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfã e mulher. Foi assim que A Rebelde do Deserto se apresentou a mim. Até então, o livro estava na minha estante a algum tempo, e eu preciso dizer que bateu um arrependimento muito grande de não ter feito essa leitura assim que o livro foi lançado. Com um enredo cheio de reviravoltas emocionantes, personagens maravilhosos e a escrita viciante de Alwyn Hamilton, A Rebelde do Deserto entrou para minha lista de leituras favoritas deste ano.

A Rebelde do Deserto vai contar a história da Amani Al’Hiza, uma atiradora talentosa que, tem como maior desejo conseguir escapar da Vila da Poeira, um lugar completamente isolado onde a única opção que ela tem como futuro é o casamento arranjado. Quando seu caminho se cruza com o de um forasteiro, Amani vê a oportunidade de escapar diante dos seus olhos, mas nem ela poderia prever que fugir galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola poderia mudar para sempre a sua vida.

O ponto forte de A Rebelde do Deserto é, com certeza, a escrita da Alwyn Hamilton. Eu gostei muito de como a história é narrada em primeira pessoa e você não fica cansado de estar na cabeça da Amani o tempo todo, pelo contrário. Hamilton desenvolve o enredo de uma forma muito interessante, nos dando as informações necessárias sempre no momento certo e explicando os ganchos de cada capítulo quando ele realmente precisa ser explicado.

O enredo de A Rebelde do Deserto te prende do começo ao fim. Primeiro porque o ambiente onde a história se passa é muito interessante. Quando os djinnis foram citados pela primeira vez, eu fiquei muito curiosa e quando toda a situação política do país foi melhor explicada, o enredo foi tomando uma complexidade muito gostosa de se acompanhar e os diálogos criados pela Alwyn Hamilton deram o toque final para que o livro fosse uma experiência de leitura maravilhosa pra mim.

O universo do livro é certamente um dos lugares no qual eu escolheria viver. E eu sei, o deserto não é lugar para uma mulher, mas depois que você se torna melhor amiga de Amani Al’Hiza é quase impossível você se acovardar. Amani tem uma personalidade única. Eu gosto da forma como ela lida com as situações a volta dela, e como ela manipula tudo de acordo com a sua necessidade. O background da personagem é muito bem construído e, conforme ela vai revelando mais coisa sobre si, é impossível você não se apaixonar por ela.

Eu gostei muito do romance de Amani e Jin, principalmente porque desde o começo eles se mostram um casal que tem bastante química. Não é uma relação forçada. O interesse de ambos vai crescendo aos poucos, através das situações difíceis que eles enfrentam juntos. Foi muito legal, pela primeira vez, ler um livro de fantasia que não me enfiou um triângulo amoroso e onde o casal principal tem uma relação que onde eu consigo sentir o envolvimento deles quando estou lendo.

A atmosfera de A Rebelde do Deserto é muito gostosa. Os personagens secundários são tão maravilhosos quanto os principais e eu gostei muito que a autora não tenha deixado de dar um background para cada um deles. Eu gosto muito quando o autor usa os personagens que cria e não os deixa de lado depois que uma situação foi resolvida. Eu não consegui nem mesmo escolher meu favorito até agora porque ainda estou na fase de amar todos. Até mesmo aqueles que eu ainda não sei se a Amani pode confiar totalmente.

A Rebelde do Deserto foi uma leitura maravilhosa. Cheio de fantasia e aventura, o livro me deu aquela sensação de “quero ficar aqui para sempre”. Seus personagens são maravilhosos, o enredo se desenvolve muito bem e a escrita da autora é o toque final que a gente precisa em todos os livros de fantasia. Se você adora livros com aventura e magia, A Rebelde do Deserto vai ser uma leitura ótima para você.

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Resenhas 15maio • 2016

A Coroa, por Kiera Cass

Eu sou apaixonada por A Seleção desde o primeiro livro. Sofri muito quando A Escolha foi lançado porque eu realmente não queria me despedir do universo que tinha me conquistado. Kiera Cass tinha conseguido criar uma distopia romântica que conquistou todos os nossos corações e ensinou muita gente a não ser “querida” e sempre ficar pela comida, não é mesmo? O problema é que o mundo editorial é ambicioso e uma história que, no começo, era dividia em três maravilhosos livros, acabou ganhando uma sequência de dois livros para contar uma história que, honestamente falando, não precisava ser contada.

Não vou mentir, eu gostei de A Herdeira. Gostei porque eu queria ver como tinha sido a vida de America e Maxon depois de tudo que passaram em A Seleção. Gostei dos filhos, gostei de como os personagens se desenvolveram depois do último livro. Eu até mesmo gostei de Eadlyn porque eu tinha a sensação de que havia muito da America nela, principalmente na atitude. Mas se tem uma coisa que eu sou obrigada a admitir, por mais que me doa, é que A Herdeira não tinha uma história, assim como A Coroa também não tem. E, na minha opinião, a Kiera Cass acabou metendo muito os pés pelas mãos quando quis criar esse final “alternativo” para uma história que já tinha tido um final.

A Coroa

Mas vamos falar de A Coroa primeiro, não é? O livro continua exatamente de onde parou A Herdeira, continuamos acompanhando Eadlyn e sua busca pelo “pretendente” perfeito para se tornar seu marido e seus conflitos em relação a sua posição em relação ao povo. Por conta dos acontecimentos finais de A Herdeira, Eadlyn resolve reduzir sua seleção para A Elite, assim como Maxon fez e com isso ficamos com apenas cinco pretendentes para conquistar seu coração. E é apenas isso.

Não estou brincando, é apenas isso mesmo. Conflitos irrelevantes surgem ao longo do livro, e como a história é narrada do ponto de vista da Eadlyn, continuamos presos aos seus pensamentos e não conseguimos chegar a lugar algum, mesmo sabendo que muita coisa está acontecendo em segundo plano no enredo. Eu me senti completamente perdida nessa narrativa, principalmente porque eu não sabia onde a autora queria chegar com todos aqueles diálogos sem fundamento e conflitos que faziam você pensar “Ah, isso não é importante”.

A Coroa

Este enredo não tinha nada de importante para apresentar ao leitor. Kiera Cass quis complementar a história inserindo novos personagens, tentando transformar uma história que já não tinha nada demais em algo que realmente instigasse os leitores, mas tudo o que ela realmente conseguiu como resultado foram diálogos medíocres, personagens mal construídos, desfechos que, quando não faziam sentido eram totalmente previsíveis e um conflito final que me fez pensar “Sério que eu comprei esse livro pra isso?”.

Como leitura e fã dessa série eu me senti absurdamente decepcionada com a leitura de A Coroa. Primeiro porque a Eadlyn foi de “personagem interessante” para “eu não aguento mais você” no primeiro capítulo do livro. E depois, com tudo o que acontecia ao longo da história, eu realmente começava a me questionar se valia mesmo a pena levar essa leitura até o fim, afinal, Kiera não conseguiu entregar nesse enredo nem a metade da emoção que ela colocou nos três livros da trilogia.

A Coroa

Criar uma seleção pra Eadlyn pode ter parecido uma ideia maravilhosa no começo, e talvez tivesse sido interessante de acompanhar se esse aspecto da história fosse desenvolvido direito. Em nenhum momento eu consegui sentir que ela realmente estava se esforçando. Os pretendentes estavam lá, mas aos mesmo tempo, não estavam. Dava um pouco de preguiça ler as cenas em que ela tentava se aproximar de um deles e criar um diálogo porque as cenas ficavam forçadas e no fundo você sabia que a personagem nem queria estar ali.

E o desfecho de tudo? Preguiça. Eu acho que a Kiera não precisava se dar ao trabalho de escrever 300 páginas de um livro se ela iria fechar essa história de qualquer maneira. Um final previsível, com um conflito que não valia a pena receber a atenção do leitor. Honestamente? Escrever A Herdeira e terminar a trilogia com A Coroa foi um erro. Duas histórias que não honraram nem de longe o universo criado e ainda deixaram vários buracos na história com informações que não faziam sentido combinadas com acontecimentos totalmente desnecessários.

Sim, eu estou revoltada com o A Coroa, mas isso não quer dizer que você vá sentir a mesma gama de decepções que eu senti lendo o livro. Temos sempre que nos manter positivos em relação a um livro, mesmo quando a resenha dele é negativa, certo? No mais, eu li em algum lugar que Kiera está querendo mais um livro dentro desse universo, então vamos torcer para que isso não aconteça porque, não é? Já deu. Deu até demais!

Resenhas 01mar • 2016

A Rainha Vermelha, por Victoria Aveyard

Quando A Rainha Vermelha foi lançado, eu estava completamente obcecada por esse livro. Não era minha culpa, juro. Todos os canais e blogs que eu acompanho estavam falando maravilhas sobre o enredo, e mesmo com um pouco de medo de não ser tudo o que eu estava esperando, eu acabei comprando o livro. Demorei um pouco para ler, confesso. Eu queria ler num momento em que eu não estivesse me sentindo tão “influenciada” a gostar do enredo, entendem? Para que eu conseguisse criar minha própria opinião do livro, sem me deixar levar muito pelo o que estavam comentando. E eu nunca acertei tanto ao fazer isso.

A Rainha Vermelha é uma distopia Young Adult onde a sociedade é dividia entre pessoas de sangue vermelho e pessoas de sangue prateado. Os prateados, por terem certas habilidades especiais, dominam os vermelhos, obrigando-os a servi-los de acordo com as regras impostas.  Uma destas regras impõe que os vermelhos que completarem uma determinada idade e não tiverem uma ocupação, serão obrigados a servir ao seu país na guerra. É assim que conhecemos a jovem Mare Barrow que está prestes a ser convocada para servir ao exército prateado como seus irmãos.

A Rainha Vermelha

Mare acredita que não há esperança para ela, até que, de uma hora para outra, seu destino muda completamente e ela se vê como uma criada da família real prateada. Cercada por pessoas que ela abomina, Mare acaba descobrindo que – assim como os prateados – ela também tem as habilidades que fazem dos prateados diferentes. Para que as pessoas não descubram a verdade sobre a origem de Mare, os prateados a declaram uma princesa pedida, criada por vermelhos sem saber sua verdadeira identidade. Mesmo sabendo que qualquer deslize pode causar a sua morte, Mare decide se arriscar para ajudar a resistência conhecida como “Guarda Vermelha” a destruir de vez o governo dos prateados.

Tudo parece muito lindo e maravilhoso quando você lê a sinopse de A Rainha Vermelha, mas o livro em si não é tão surpreendente quando promete ser. O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Mare que, apesar de tentar, não é uma personagem tão interessante assim – mas, calma, eu vou chegar nessa parte, certo? Meu primeiro incomodo com A Rainha Vermelha foram os prateados que, na minha concepção, são a versão da autora para o que conhecemos como X-Men. Basicamente, dá para explicar o enredo de A Rainha Vermelha dizendo que os X-Men dominaram o mundo e escravizaram os humanos normais, ou algo do tipo.  Não é muito criativo se a gente parar para pensar, não é mesmo?

A Rainha Vermelha

E então temos Mare, que é a mais nova versão da Katniss, só que sem nenhuma qualidade inspiradora ou características que te faça pensar nela como heroína da história. Mare é uma personagem tão fora do lugar que, sempre que ela acha que está fazendo alguma coisa muito esperta, na verdade ela está estragando tudo e colocando a vida de todo mundo em risco. E não satisfeita, ela ainda resolve engatar em um triangulo amoroso com dois prateados, e isso me faz perguntar: Se você não gosta de prateados, porque está se envolvendo com eles, moça?! O romance entre ela e Cal, que por um acaso é o príncipe herdeiro dos prateados – porque tinha que ser um príncipe, não é mesmo? – tira completamente o foco da personagem das preocupações que ela deveria estar tendo, tipo com o povo dela sendo massacrado e coisa e tal. Katniss ficaria decepcionada com esta pessoa.

O enredo de A Rainha Vermelha, em si, não é ruim, mas também não é tudo isso que eu andei lendo na internet durante os últimos meses. A história flui, mas os personagens não têm nada que nós já não vimos em outros enredos do gênero. Não houve nenhum acontecimento, do início ao final do livro que eu não conseguisse prever. E mesmo os diálogos, que são uma parte importante para manter o leitor interessado no livro, não me convenceram. Até agora eu não consegui entender qual a necessidade que ela tinha de colocar um triangulo amoroso para “tentar deixar o livro mais interessante”, quando ela tinha uma revolução acontecendo, uma guerra, pessoas morrendo e gente com habilidade de ler mentes. Sério, o que pode ser mais interessante que isso?

A Rainha Vermelha

Os personagens não fazem sentido e são completamente clichês dentro do livro. Nós temos o Cal, que é lindo, maravilho, quase perfeito e herdeiro do trono. Nós temos Evangeline que é a “prometida” do Cal, com uma personalidade agressiva e que, sem motivo nenhum, resolve ficar implicando com a Mare como se ela fosse a Regina George de Meninas Malvadas – até agora eu não entendi qual é dessa garota nesse livro, sério! Nós temos o Maven, que é o irmão mais novo do Cal, com aquela personalidade de pobre coitado, sofrido, filho que se sente rejeitado pelo pai, e o nosso outro pedaço do triangulo amoroso da história. E é isso. Ah, nós também temos a mãe do Maven que é uma mulher mal-amada, revoltada e que quer fazer da vida da Mare um inferno enquanto ela tenta se fazer de interessante na história. Claro, nós temos outros personagens, mas nenhum que realmente acrescente alguma coisa ao enredo ou que deixe o livro mais interessante.

O romance de A Rainha Vermelha é completamente desnecessário, como eu já tinha mencionado. Logo quando Cal e Mare se aproximam, fica meio óbvio que a autora vai tentar forçar o leitor a querer que os dois fiquem juntos, mas isso não foi o suficiente para mim. Ambos acreditam em coisas diferentes, tem visões diferente e, sendo bem sincera, eu acho que o Cal é muito mais interessante do que a Mare e ele não deveria ficar com ela porque ela não consegue, de forma alguma, se igualar a ele na forma de pensar. Ele é estratégico, ela é uma maria vai com as outras que se deixa levar por qualquer um que tenha uma história de fragilidade convincente. É isso aí!

A Rainha Vermelha

Eu não vou mentir, consigo entender perfeitamente o porquê de as pessoas falarem tão bem desse enredo. Se eu não estivesse numa fase onde eu quero, desesperadamente, ser surpreendida, provavelmente eu não ia ligar para as falhas do enredo, para os personagens sem graça e nem para essa coisa de X-Men que rola nesse livro. Mas eu também não posso negar que foi bem decepcionante ler um livro que não me apresentou nada de novo, nada que eu já não tenha visto em outro livro. Normalmente distopias fazem alguma crítica social, alguma coisa que impacta o leitor, e eu não consegui ver isso em A Rainha Vermelha.

Talvez o que tenha estragado o livro foi o fato de eu estar esperando algo que não foi entregue, eu não sei. Eu queria um livro que me deixasse de queixo caído, que me fizesse devorá-lo em 24 horas ou que pelo menos me despertasse o desejo de ler o segundo volume. E não foi isso que aconteceu. A Rainha Vermelha para mim foi uma leitura de passar o tempo, com umas aventuras aqui e ali, mas sem grande impacto literário, e acho que se você é um leitor que realmente quer terminar uma leitura com o coração na mão e aquela ressaca literária gostosa, talvez esse não seja o livro pra você.

Resenhas 23nov • 2014

Mentirosos, por E. Lockhart

Escrito pela autora americana E. Lockhart e publicado no Brasil pela Editora Seguinte, Mentirosos é, sem dúvida, a leitura mais intensa e devastadora da minha estante. O enredo nos leva a acompanhar a amizade de quatro jovens Cadence, Johnny, Mirren e Gat. Todos os verões os jovens que se intitulam como “Mentirosos” se reúnem na ilha particular da família Sinclair como manda a tradição. Mas tudo muda quando, no verão dos Quinze, Cadence sofre um estranho acidente, seguido de uma amnésia que a persegue pelos dois anos que se seguem depois do ocorrido.

De volta à ilha para tentar recuperar sua memória, Cadence mergulha nas verdades obscuras de uma família corrompida pela ambição. Irmãs brigando uma com as outras por uma parte maior na herança, um avô entregue a tristeza da perda da esposa e um manipulador sem escrúpulos, e Gat, o garoto por quem era completamente apaixonada desde os Quinze, mas que por motivos desconhecidos simplesmente desapareceu de sua vida depois do acidente.

“Não importa se o divórcio retalha os músculos do nosso coração a ponto de mal conseguir bater sem esforço. Não importa se o dinheiro do fundo de investimento está acabando, se as faturas do cartão de crédito não são pagas e se acumulam sobre a bancada da cozinha. Não importa se tem um monte de frascos de comprimidos sobre a mesa de cabeceira. (…) Somos Sinclair. Ninguém é carente. Ninguém erra.”

A primeira coisa que vocês precisam saber sobre Mentirosos é que se trata de uma leitura extremamente perturbadora. A narrativa é feita todo do ponto de vista da Cadence, o que nos leva a mergulhar nos conflitos internos da personagem em relação a sua família e aos Mentirosos. E isso é o que torna o livro ainda mais perfeito.

Ao primeiro contato pensei que a narrativa se desenvolveria apenas sobre a amnésia e ao relacionamento conturbado com Gat. Mas E. Lockhart me surpreendeu com uma narrativa que se aprofunda no drama familiar e explora a amizade do grupo de garotos, revelando todas as suas falhas e mentiras sem nenhum pudor.

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É um livro realista, eu diria. Ao contrário do que eu esperava, Cadence não é uma personagem perfeita e seus conflitos internos deixam isso cada vez mais claro conforme o enredo se desenvolve. Ela é uma personagem real, com dores e sofrimentos tão reais, que não há meios de não se envolver com a história. De tudo, isso foi o que mais me encantou na história.

O romance também se desenvolve de uma maneira complexa, mas ao mesmo tempo encantadora. O fato de Gat ser quem era, despertava ainda mais os piores defeitos da família de Cadence, e se tornava um grande empecilho para que os dois pudessem ficar juntos. Mas mesmo isso era muito mais profundo na narrativa. Os sentimentos de cada personagem, principalmente os de Cadence estavam ligados de uma forma complexa e intensa que, pra mim, é todo o trunfo do livro.

“A vida parece bela nesse dia.
Nós quatro, os Mentirosos, sempre fomos.
Sempre seremos.
Independentemente do que acontecer quando formos para a faculdade, ficarmos mais velhos, construirmos nossas vidas; independentemente de eu e Gat estarmos ou não juntos. Independentemente de onde estivermos, sempre poderemos nos reunir no telhado de Cuddledown e olhar para o mar.
Essa ilha é nossa. Aqui, de certo modo, somos jovens para sempre.”

A todo o momento somos envolvidos por metáforas que nos impactam de alguma forma. As emoções são simplesmente colocadas ali para que possamos absorver, e a escrita de E. Lockhart não deixa a desejar em nenhum ponto. Nós somos envolvidos uma teia de problemas familiares, mentiras e um mistério que permanece intacto enquanto somos levados para dentro das memórias da personagem principal.

Chega a ser poético de tão triste.

E. Lockhart é, definitivamente, uma das minhas autoras favoritas. O seu talento é inegável. Quando dizem que Mentirosos é um livro “Inesquecível”, falam sério. É um livro que com certeza está na minha lista de leituras prediletas e que irá encantar qualquer leitor que tenha o desejo de mergulhar em um enredo tão profundo que deixa aquela sensação de vazio no peito quando termina.

Resenhas 15nov • 2014

Aritóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo é um drama adolescente, escrito pelo autor Benjamin Alire Sáenz e publicado no Brasil pela Editora Seguinte. O livro conta a história de dois adolescentes com um jeito muito peculiar de ver o mundo, tentando descobrir os segredos do universo, mas principalmente, tentando descobrir a si mesmos.

Aristóteles passa parte da manhã ouvindo a programação do rádio. Quando toma coragem para se levantar, tem uma de suas conversas peculiares com sua mãe e então vai dar uma volta na piscina pública de El Paso. Sempre sozinho, ele não demonstra nenhum interesse em se relacionar com outras pessoas, e vive imerso em seus próprios pensamentos.
Então ele conhece Dante Quintana. Diferente, intenso, com um ódio incomum por sapatos e que acaba se tornando seu melhor amigo. Conforme a amizade dos dois vai crescendo, Aristóteles começa a questionar muitas coisas sobre sua família e sua vida, e de repente o mundo deixa de ser o mesmo de antes.

“Fiquei surpreso. O livro era interessante; não era idiota, bobo, pedante nem intelectual demais… nada do que eu pensava que poesia era. Alguns poemas eram mais fáceis que outros. Alguns eram inescrutáveis. Comecei a achar que talvez soubesse o significado dessa palavra.
Fiquei pensando que poemas são como pessoas. Algumas pessoas você entende de primeira. Outras você simplesmente não entende… e nunca entenderá.”

Intenso é a única palavra que vem a minha cabeça quando penso em descrever esse livro. Narrado pelo ponto de vista de Aristóteles, acompanhamos toda a evolução do personagem, desde os seus primeiros conflitos pessoais sobre o mundo em geral, a sua necessidade de tentar se conectar com a sua família.
Ari, como gosta de ser chamado, tem um relacionamento bom com os pais. Com seu comportamento bastante racional, ele não tem o costume de compartilhar seus sentimentos, principalmente quando estes estão relacionados ao seu pai e ao seu irmão mais velho.
Então somos apresentados a Dante, um personagem que só coloca em evidência as peças que faltam em Ari. Comunicativo, sincero e até um pouco agitado, Dante desafia Aristóteles a sair de sua zona de conforto durante todo o livro, e a cada passo para essa amizade, Ari começa a perceber os conflitos dentro de si e a procurar uma maneira de lidar com tudo aquilo que ainda não entende.

“Certa noite de verão, caí no sono desejando que o mundo fosse diferente quando eu acordasse. Quando abri os olhos de manhã, estava tudo igual.”

Benjamin Alire Sáenz me pegou de surpresa com um enredo que, definitivamente, não era o que eu esperava. Durantes vários momentos eu me vi obrigada a fazer uma pausa na leitura para poder absorver toda a complexidade e beleza dos personagens e enredo, antes de seguir ao próximo capítulo.
Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo é uma leitura que vai te levar para dentro da alma de uma pessoa que, até certo ponto, se encontra completamente perdido de si mesmo. É uma leitura intensa, que vai muito além do relacionamento dos personagens principais, que busca mostrar como a mente as vezes nos prega peças e que nos esconder dentro de nós mesmos às vezes pode nos impedir de viver.

“- Foi divertido, não foi? A forma como ele pronunciou essas palavras. Como se soubesse que jamais voltaríamos a jogar aquele jogo. Ficamos velhos demais para isso. Perdêramos algo, e nós dois tínhamos consciência disso.”

O enredo é simplesmente fantástico. A narrativa se completa e não deixa a desejar quando se trata de impressionar o leitor. Os personagens possuem características individuais fortes, e apesar da falta do ponto de vista de Dante, e alguns personagens saindo de cena de uma hora para outra, o livro continua sendo tão impressionante que esses fatores chegam a serem insignificantes perto de toda a arquitetura do enredo.

Estou simplesmente apaixonada por esse livro. Simples assim. De todas as leituras que eu tive até hoje, nenhuma me forçou tanto a conexão com um personagem, como este enredo. Benjamin Alire conseguiu construir um universo para falar de um assunto tão debatido como homossexualismo, de uma forma tão discreta, sutil e, principalmente, poética que ficou bem claro pra mim o que ele queria passar ao leitor com esses personagens.

Não é um livro que eu recomendaria para qualquer leitor, principalmente por causa da temática e do enredo. É um livro que requer toda uma compreensão do universo apresentado, então se você está buscando uma leitura que irá te pedir uma imersão total naquele universo, esse com certeza é o livro certo.

Literaría 11out • 2014

Livros com defeito

Livros Com Defeito

Ao comprar um livro na livraria e perceber que esta com defeito, geralmente, você não compra. Caso perceba somente depois, você vai com a nota fiscal ou o selo de troca, em caso de presente.

Uma vez, fui comprar o primeiro livro da saga Feios, era edição de bolso e era vira-vira, não havia na loja então fiz a encomenda na loja mesmo, fui na loja duas vezes, e nas duas o livro que comprei estavam sujos de café, falei com a funcionária da loja que não queria aquele livro e por conta do desgaste, queria um vale-troca, recebi o vale troca numa boa e até hoje, quando vou na livraria, elas são muito atenciosas comigo.

Mas, e se você comprou em algum lugar que não tem como você trocar, por exemplo, a Bienal? É sobre isto o post de hoje: O que fazer, quando você ganha/compra um livro com defeito e não sabe como trocar?

Na Bienal de São Paulo que a Débora foi (Confiram os posts 1 e 2 dela na Bienal), ela me trouxe dois livros: Fangirl e Cartas de Amor aos Mortos. Acontece que o meu Carta de Amor aos Mortos veio descolando e não sabia o que fazer. Não havia loja física – porque foi comprado no stand da editora – e não tinha como eu ir lá trocar.

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Após pensar bastante, me foi sugerido entrar em contato com a Editora e relatar o problema. Através do Fale Conosco do site, entrei em contato com o setor responsável da editora. Abaixo, seguem as fotos dos e-mails que troquei com eles:PRINT-2B2Ao responder, ela não me solicitou, mas mandei duas fotos do livro com a capa descolando, só para mostrar que não estava mentindo (as fotos la do inicio do post). E sim, vocês leram certo, era para eu rasgar o livro para retirar a capa, foram dois e-mails perguntando se era sério mesmo o que ela estava pedindo.

Post--Imagem2Tecnicamente, eu não tive coragem de retirar as capas e pedi para a minha amiga Rebecca fazer isto, não olhei muito (mentira, assisti ao assassinato e aos gritos de dor do livro, e da Rebecca porque ela quase chorou ao fazer isto, dei para ela o que restou).
Enviei as capas para a editora, paguei um pouco mais caro para colocar o código de rastreio, para caso as capas se perdessem. E queria saber, quando chegassem, o que não adiantou muito, porque pedi para que a atendente me avisasse.
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No dia 13/09,pela manhã, enviei um email perguntando se meu livro já havia sido postado, e a mesma me respondeu que demorava até 10 dias úteis para chegar e que o livro havia saído da editora dia 10/09, os correios fizeram uma tentativa dia 12/09, mas não havia ninguém em casa, ao chegar em casa, o livro havia sido entregue na parte da tarde. Ainda recebi alguns marcadores, poucos, porque eles não estão fazendo envio de marcadores.
Enfim, fiz este post mais mesmo para que vocês leitores saibam o que fazer caso isto ocorra com vocês, tentem entrar em contato com a editora, que eles irão analisar a situação para que não saia ninguém prejudicado, porque as vezes alguns erros acontecem.
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