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Lançamentos 19fev • 2018

VOCÊ: Qual é o limite entre amor e obsessão?

Qual é o limite entre amor e obsessão? Você, suspense que marca a estreia de Caroline Kepnes na literatura, conta a história de Joe Goldberg, funcionário de uma livraria em Nova York que se apaixona por Guinevere Beck, uma jovem aspirante a escritora. Para ter a amada ao seu lado, Joe não medirá esforços e afastará qualquer um que atravessar seu caminho. Invasão de privacidade, violência e manipulação fazem parte da trama, que mistura momentos de ternura com trechos assustadores.

Era um dia comum na Mooney Books, livraria no Lower East Side, em Nova York, quando Joe Goldberg viu entrar a cliente que mudaria sua vida: baixinha, sorriso tímido, sem esmalte nas unhas e usando jeans e um suéter, ela disse “olá” e foi direto para as prateleiras onde estavam os livros de ficção. Mais tarde, no caixa, Joe descobriria que ela se chamava Guinevere Beck, mas preferia ser chamada de Beck. Depois de uma rápida conversa, ela se despediu e deixou a loja, sem dar margem a um segundo encontro. Mas Joe estava convencido de que o destino deles era formar um casal. Leia mais

Entrevistas 25jan • 2018

Naomi Novik conta sobre universo fantástico de Enraizados

Se você leu a minha resenha de Enraizados, provavelmente sabe que eu estou completamente apaixonada pela escrita e universo criados pela Naomi Novik. E o que a gente faz quando gosta muito de um autor? Você procura tudo o que pode sobre a vida dele. E foi isso o que eu fiz. Descobri que além de escritora, Novik também desenvolve jogos de computador e é a geek que todos nós desejamos ter como melhor amiga. Isso não poderia ficar melhor, não é mesmo?

Enraizados foi lançado no exterior sob o título de Uprooted em 2015, então eu consegui encontrar muitas informações e entrevistas da autora sobre esse livro. Uma delas, e a minha favorita, foi um bate papo que a autora teve com o site Porter Square Books, quando ela ganhou o prêmio de livro do ano do site. Ou seja, Enraizados é um grande sucesso lá fora e estamos batalhando para que seja um grande sucesso no Brasil também!

Como já é um pouco de praxe do blog, eu resolvi fazer a tradução da entrevista que o PSB fez com a autora para que, assim como eu, vocês se apaixonem ainda mais por ela. Eu sou muito boa tentando convencer vocês a ler um livro, não sou?!

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Resenhas 08jan • 2018

Vulgo Grace, por Margareth Atwood

Relançado em 2017 com um novo projeto gráfico, Vulgo Grace é um romance histórico escrito com maestria por Margaret Atwood. A escritora, conhecida principalmente pelo Conto da Aia, ganhou o mundo em 2017, não era de se esperar menos. Nascida no Canadá e vencedora de diversos prêmios, Margaret Atwood chegou a inclusive entrar na lista dos possíveis ganhadores do Nobel de Literatura do ano passado.

“Na palma da minha mão há uma desgraça. Devo ter nascido com ela. Carrego-a comigo onde quer que eu vá. Quando ele me tocou, a má sorte transferiu-se para ele.”

Vulgo Grace é baseado na história real de Grace Marks, uma empregada acusada de assassinato no século XIX. Toda a história envolta da morte de Thomas Kinnear e de Nancy Montgomery é obscura. Os motivos que levaram Grace a participar do assassinato, ao lado do outro empregado, James McDermott, nunca ficaram claros. Existiam especulações maliciosas, criadas por jornais sensacionalistas e fomentadas pelos depoimentos contraditórios que ela deu. No final, James foi condenado à forca e Grace a prisão perpétua.

Grace era uma jovem de 16 anos quando foi colocada atrás das grades. Imigrante Irlandesa, o fato de ser protestante foi uma das coisas que a salvou da forca. Ser jovem e bela também contribuiu. A sociedade extremamente patriarcal via como uma obrigação a proteção das mulheres, a igreja dizia que todas elas eram puras por natureza, o fato de uma mulher participar de um assassinato era um escândalo. Grace teve sorte e um bom advogado. Apelando para a inocência, loucura e o que mais pudesse, ele conseguiu livrar Grace da pena capital. Apesar de escapar da forca, ela passou grande parte da vida atrás das grades. Infelizmente, Grace não pode ser deixada em paz.

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Resenhas 17dez • 2017

O Gabinete Paralelo, por Maureen Johnson

Atenção: Esta resenha contém spoilers da série Sombra de Londres! Leiam por sua própria conta, tá?!

É sempre difícil falar sobre um livro que não atinge as suas expectativas, mas que também não é tão ruim assim. Principalmente quando esse livro faz parte de uma série que até então vinha te agradando. Eu  não sei dizer exatamente o que eu esperava de O Gabinete Paralelo, mas depois de dois livros que me impressionaram, o terceiro volume da série Sombras de Londres não conseguiu manter o nível que eu me acostumei a receber da série. E eu realmente ainda não consegui definir exatamente porque.

O Gabinete Paralelo continua a história de Rory Deveaux, uma jovem americana que se muda de sua pequena cidade nos Estados Unidos para ir estudar em um colégio interno em Londres. Lá, Rory acaba se envolvendo com uma organização dedicada a investigar atividades paranormais e descobre a habilidade de enxergar fantastas. Agora, após passar por algumas tragédias traumáticas, Rory está diante de uma ameaça ainda maior que todas que já enfrentou. Rory e seus amigos vão precisar mergulhar ainda mais fundo nas sombras de Londres.

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Vamos começar pelos pontos positivos. A escrita da Maureen Johnson continua tão boa quanto esteve nos dois primeiros livros da série. Ela consegue passar muito bem o conteúdo emocional da história e sabe manter um equilibro legal entre as partes mais sérias e as mais divertidas, apesar de eu sentir falta da atmosfera de mistério primeiro livro. E os diálogos são sempre muito bem escritos, principalmente porque fica muito claro que cada personagem tem uma voz característica. Você realmente acaba a história tendo a sensação que conhece cada um dos personagens bem, e isso acrescenta bastante para a história.

“Ouvi um tinir de trincado, e quando me virei, vi a janela  se congelar. Quer dizer, ao menos era o que parecia, como se o gelo tomasse conta do vidro a partir de baixo, mas na verdade, como percebemos um segundo depois, era uma rachadura se expandindo em formato de teia de aranha.”

Rory continua sendo uma boa protagonista e os outros personagens continuam sendo um ótimo elenco de apoio. A única personagem que me incomodou foi Freddie, a nova personagem. Apesar de gostar dela, ela meio que aparece do nada com todas as respostas que os personagens estavam procurando, como se tivesse caído do céu. Mas Bu, Callum e Stephen continuam sendo todos ótimos, e Thorpe acabou sendo bastante agradável como personagem de apoio também.

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Mas infelizmente o livro tem seus pontos negativos. O maior deles, e eu não sei se vou conseguir explicar isso direito, é que ele não parece ser o suficiente. Eu realmente acho que esse livro poderia ter sido uma novella ou uma metade de um ultimo volume mais extenso. O plot vai do ponto A ou ponto B, introduz um ou dois detalhes, emas ada do que ele faz realmente parece importante o bastante para justificar o seu status como terceiro livro da série. Eu vou ter que entrar no território dos spoilers para explicar o porque, então se você não quer spoilers, pule para o fim da resenha.

“Deixei o telefone no balcão de granito e peguei um guardanapo para secar as lágrimas. Tomei um longo gole da garrafinha d’água e a amassei na mão. O silêncio que se instalou sobre nós três depois desse ruído foi um dos mais profundamente perturbadores que já vivenciei.”</div

O que esse livro fez de importante para o enredo da série? Ressuscitou o Steven, ou nem isso já que ele não estava exatamente morto, e introduziu os vilões Sid e Sadie. Só isso. De resto, os personagens estão exatamente no mesmo lugar; Inclusive, estão um pouco pior já que Rory aprende informações importantes durante o livro mas que são basicamente esquecidas no final. Se o livro fosse lançado como uma novella mosrando apenas a história de Sid e Sadie, eu realmente não sentiria tanta diferença. O que mais ele fez? Explicou que Rory é especial porque ela é basicamente um terminal? NÓS JÁ SABÍAMOS DISSO!!!

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O maior problema do livro é o fato de que fica muito claro que ele está apenas fazendo uma ponte até a conclusão da série. Teria sido muito simples concluir a história nesse terceiro livro, mas a autora preferiu introduzir plots novos e esticar essa saga um pouco mais. O resultado é uma tentativa frustrante e cansativa, com um final vago que me deixou com aquela pergunta de “É sério que o livro acaba assim?” na cabeça. E isso nunca é o tipo de reação que você quer ter como final de um livro.

Enfim, é muito estranho chegar ao terceiro livro da série e ter a impressão de que o enredo está enchendo linguiça. O livro inteiro se passa em torno de alguns dias e é realmente essa a sensação que a leitura passa. Apesar de gostar da escrita da Maureen Johnson e dos personagens, O Gabinete Paralelo é o tipo de livro que eu realmente não vou me lembrar daqui a alguns dias. É aquele livro que você precisa ler porque quer chegar ao final da série, mas não te dá aquele suspense de querer muito saber aonde a história vai chegar. Realmente decepcionante.

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Resenhas 15dez • 2017

Virgem, por Radhika Sanghani

“A todas que já sentiram a dor de uma depilação a cera”. Se você já não sentiu vontade de ler esse livro apenas por causa dessa frase, eu não sei mesmo o que tem de errado com você. Virgem é o primeiro livro de uma série – ou – trilogia de mesmo nome que caiu no meu colo graças a editora Rocco. Eu confesso que não sabia o que esperar da leitura, mas o título e a sinopse foram mais do que suficientes para me instigarem. E não é que valeu a pena? Radhika Sanghani é dona de uma escrita divertida e sua personagem Ellie reúni TODAS as inseguranças que uma garota pode ter na vida, inclusive sobre perder a sua virgindade.

Eu não esperava me divertir tanto com uma leitura, muito menos conseguir me identificar tanto com Ellie mas, a magia da escrita de Sanghani está nos diálogos e situações maravilhosas que ela cria para o seu enredo, tornando a Ellie uma personagem real, muito parecida com qualquer garota que, um dia, se sentiu insegura sobre qualquer coisa na vida. O enredo tem um desenvolvimento rápido, mas não chega a ser corrido a ponto de incomodar o leitor. Além disso, a autora compensa as pequenas falhas do livro com situações inusitadas e diálogos que não tem como você segurar o riso.

Queria muito chamar atenção para o fato de que Virgem é um livro sobre inseguranças e a necessidade que nós temos de ser aceitos por outras pessoas. Ellie é a personificação de todas as inseguranças que nós mulheres tivemos ou ainda vamos ter na vida e talvez seja por isso que eu me identifiquei tão rápido com ela. Radhika Sanghani criou uma personagem que deseja ter o controle da sua própria sexualidade, porém, seus medos e receios são tantos que ela acaba metendo os pés pelas mãos mais de uma vez tentando acertar. E quem nunca errou não é mesmo?

“- Pare já de se sentir mal com você mesma, Ellie Kolstakis – ela disse, imitando uma mãe, antes de apoiar a caneca e me olhar nos olhos. – Quando você não está reclamando de como sua vida é medíocre,  você é engraçada e muito divertida. Por isso acho que você deveria tomar um banho e sentar comigo no sofá para assistir aquela nova série pela qual todos estão obcecados e depois nos arrumarmos para a festa. Que tal?!”

O ponto forte do livro é perceber como a Ellie sofre com os padrões, com as coisas que ela acredita que devem ser o certo e a forma como a rejeição a afeta. Eu gostei muito da construção da personagem ao longo do livro. Sanghani teve todo um cuidado para manter a personagem o mais real possível, fazendo-a passar por experiências que todas nós, mulheres, já passamos um dia e aprendendo a ganhar sua própria autoconfiança. Quando você acha que o enredo é apenas sobre “perder a virgindade”, Sanghani faz você perceber que as inseguranças de Ellie são muito mais profundas do que ela mesma – a personagem – percebe.

Eu tenho muitos problemas com narrativas em primeira pessoa, não vou mentir. Ficar na cabeça de Ellie o tempo todo às vezes era um pouco cansativo, mas a autora compensa muito com os diálogos do livro, que são ótimos. Os personagens secundários também não deixam a desejar, e a autora não perde tempo em explorar o relacionamento de Ellie com suas amigas e também com o “boy” por quem ela acaba se interessando na história. Eu gostei que ela não tenha deixado ser algo superficial, focando a penas na virgindade em si, mas também dando um background emocional para o interesse romântico e as amigas de Ellie.

“- Desculpe, Ellie – ele balbuciou e parou. Respirou fundo e continuou. – Eu acho que sou gay.
– O QUE? – Soltei um grito agudo. – Você é gay? E acaba de me beijar? Porque? Ai meu deus! Eu fiz isso?”

Virgem foi uma das experiências de leitura que eu mais gostei este ano. Essa escrita leve com diálogos que me fizeram rir até a barriga doer eram tudo o que eu estava precisando ultimamente. Radhika Sanghani pegou um tema “complicado” e o desenvolveu com uma maestria sensacional, envolvendo o leitor de tal forma que você não consegue largar esse livro de jeito nenhum. Mal posso esperar para que o segundo livro chegue logo no Brasil para que eu possa descobrir o que essa personagem vai aprontar a seguir.

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Resenhas 11dez • 2017

Eleanor Oliphant Está Muito Bem, por Gail Honeyman

Vocês vão me julgar muito por isso, mas o motivo de eu ter escolhido Eleanor Oliphant Está Muito Bem foi porque sempre que eu escrevo uma personagem na minha cabeça, ela se chama Eleanor e Oliphant é o nome do blog. Meio que me pareceu destino esse livro surgir na minha vida e talvez tenha sido. Gail Honeyman tem o tipo de escrita que faz com que o leitor se sinta abraçado e acolhido durante todo a leitura e de todos os pontos positivos de Eleanor Oliphant Está Muito Bem, esse foi o que fez com que eu me apaixonasse ainda mais pela história. Com uma personagem peculiar e cheia de vida, esse livro chegou para aquecer o coração da gente e nos fazer chorar que nem crianças.

Eleanor Oliphant é uma personagem bastante peculiar. Você percebe isso porque o livro inteiro é narrado do ponto de vista dela e as suas observações e diálogos são algo um tanto fora do comum, que fazem o leitor se questionar bastante com que tipo de personagem está lidando. Mas Eleanor é maravilhosa, entende? Ela é uma personagem que está descobrindo novas coisas, que está explorando uma nova rotina e saindo da sua zona de conforto e a cada nova aventura que ela encontra, o leitor aprende algo novo junto com ela. Eu não esperava encontrar uma personagem principal tão frágil, mas ao mesmo tempo tão corajosa e não forte. Viramos melhores amigas, claramente.

Eleanor Oliphant Está Muito Bem é um livro complexo, com uma personagem principal diferente e um enredo bem mais profundo do que eu estava antecipado. A escrita de Honeyman exige paciência do leitor e um cuidado muito grande entre um capítulo e outro. A história tem um ritmo lento, mas isso acontece porque a nossa narradora (Eleanor) não é uma pessoa que tem pressa – e eu gostei muito disso nela. Um dos grandes encantos de ler Eleanor Oliphant Está Muito Bem foi descobrir a minha paciência no desenvolvimento do enredo, porque Honeyman me pediu na sua escrita que eu respeitasse o tempo da personagem e isso foi lindo.

“Há cicatrizes em meu coração, tão grossas e desfigurantes quanto as do meu rosto. Sei que estão ali. Espero que reste algum tecido ileso, uma área através da qual o amor possa entrar e fluir para fora. Espero.”

Meu maior encanto com esse livro, no entanto, foi a personalidade da Eleanor e na forma como ela costuma lidar com as coisas ao seu redor. Ela realmente me passou a sensação de que estava tudo bem, mesmo quando as pessoas faziam comentários maldosos pelas suas costas. Isso não a afetava, não a deixava triste. Mas o seu passado era algo que eu não estava preparada para lidar. O relacionamento com a mãe e todas as coisas que ela vivenciou até aquele momento, tudo contribuiu para que a personagem fosse ainda mais maravilhosa. Eu senti um aperto no peito lendo esse livro que confesso não sentir há muito tempo.

 

Os personagens secundários do livro se encaixam tão perfeitamente na história que eu realmente não soube lidar com a minha satisfação nesse aspecto. Eu tenho muita dificuldade em encontrar autores que desenvolvam bem os seus personagens secundários e Gail Honeyman consegue fazer isso com maestria no seu enredo. Além disso, eu gostei muito do cuidado que ela teve para desenvolver a relação de Eleanor e Raymond, respeitando o espaço e o tempo dos personagens e não criando situações que soassem forçadas durante a leitura. É muito maravilhoso quando você encontra um livro com um enredo amarrado, com personagens bem desenvolvidos e com uma escrita tão deliciosa e desafiadora. Estou nas nuvens.

“Quando o silêncio e a solidão caem sobre mim e a minha volta, esmagando-me, me cortando como gelo, às vezes preciso falar em voz alta, nem que para provar que estou viva.”

Eu amei cada minuto da minha leitura de Eleanor Oliphant Está Muito Bem.  E se você está preocupado que esse livro seja um romance, fique tranquilo, não é. Acho que um dos pontos mais “elegantes” desse livro, é que Honeyman conseguiu tratar vários assuntos no livro, criar várias relações e desenvolver os personagens sem precisar de uma grande história de amor por trás. Na verdade, o “romance “ é utilizado de forma que faz com que a personagem saia do seu casulo e evolua como pessoa, encarando os seus medos, seu passado e encontrando um novo caminho para si própria. Eu achei essa escolha de romance muito original, inclusive, nunca tinha visto nenhum autor trabalhar isso em um enredo.

Eleanor Oliphant Está Muito Bem é uma obra encantadora e eu me sinto muito aliviada por ter tido essa experiência de leitura. Eleanor Oliphant é, de fato, uma das melhores personagens que eu já conheci. Seu desenvolvimento ao longo dos capítulos é sensacional, os diálogos criados são engraçados e, ao mesmo tempo, emocionantes. Eu estou muito feliz de ter me envolvido nessa montanha russa emocional que é essa leitura e eu mal posso esperar para conseguir ler outras coisas da Gail Honeyman.

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Resenhas 07dez • 2017

Os Romanov: O fim da dinastia, por Robert K. Massie

Lançado no ano de 2017, Os Romanov: O fim da Dinastia é escrito pelo biografo Robert K. Massie autor de Catarina, a Grande e Nicolau e Alexandra. O livro busca remontar o capítulo final da dinastia que governou a Rússia por mais de 300 anos.

Nesse ano completamos o centenário da Revolução Russa, conseqüentemente também se aproxima o aniversário do massacre da família Romanov. Em 1917 a família imperial se encontrava exilada em Ecaterimburgo, a revolução já tinha começado e o descontentamento da população com o czar Nicolau era evidente. Em 17 de julho de 1918 todos os membros da família foram acordados a meia noite e levados para o porão com a desculpa de protegê-los caso ocorresse algum tiroteio nas ruas. Chegando lá pediram que se posicionassem de costas para a parede para tirarem uma foto, quando terminaram de se preparar Yurovsky, agente da polícia secreta russa, não chamou um fotógrafo, mas sim doze soldados que atiraram a queima roupa em todos os presentes. A família imperial não se encontrava sozinha no exílio, junto deles também existiam três empregados e um médico que acompanharam a família por todos os dezesseis meses de detenção. Todos eles foram executados. Após o massacre os corpos foram colocados em um caminhão e despejados em um poço na floresta.

O livro se inicia com a história da descoberta dos corpos. A primeira parte, intitulada Os Ossos, conta como os cadáveres foram encobertos e como o governo escondeu o massacre. Foi só em 1991 que os restos da família imperial foram desenterrados, os corpos então se encontravam terrivelmente mutilados. Os crânios estavam destruídos e várias partes das carcaças estavam bem corrompidas devido à queima e ao uso de ácido. Não havia dúvidas que o assassinato da família tinha sido cruel.

Os capítulos então se seguem com o trabalho de diversos cientistas tentando desvendar se os restos encontrados realmente pertenciam à família, como também quais eram os membros presentes. Os relatos sobre a pesquisa são muito interessantes, vemos a dificuldade que os médicos e geneticistas tiveram em identificar os corpos. O autor relata muito bem as diversas etapas do processo bem como os diferentes métodos utilizados. Achei um pouco triste perceber que a pesquisa virou uma grande briga de egos. O governo da cidade de Ecaterimburgo e o de Moscou brigavam pelo direito sobre os Romanov, as equipes responsáveis pela pesquisa escondiam os dados e se dividiam tentando provar quem era melhor, todo o trabalho gerava uma publicidade ingrata que, na maioria das vezes, importava mais do que a família assassinada. Toda essa batalha acabou fazendo com que os Romanov não tivessem sossego.

“Acho que é bem típico desse tipo de assassinato. Ele despersonaliza a vítima, faz dela um símbolo, algo diferente de um ser humano. Está matando o regime, o czar, acabando com todo o passado odioso e criando uma nova ordem mundial. Assassinos seriais fazem a mesma coisa. Em geral, eles compartimentalizam e desumanizam totalmente as vítimas, e então podem cometer atrocidades que uma pessoa normal é incapaz de imaginar.”

Se não bastasse o circo gerado entorno da descoberta dos corpos, outro fato incendiou ainda mais o mundo: o desconhecimento do paradeiro de dois membros da família, o czarevich Andrei e uma das princesas. Desde o desaparecimento diversas pessoas alegavam serem da família. Depois da notícia de que Alexei e uma das meninas ainda estavam desaparecidos, as histórias ganharam ainda mais força. A mais conhecida de todas é a Anna Anderson, uma mulher de origem polonesa que alegava ser a Anastasia. Anna ganhou fama ao contar como sobreviveu e passou a maior parte da vida vivendo de favores por conta do seu alegado nome. Algumas investigações contradiziam a sua história e a própria imperatriz viúva, Maria, se negou a receber Anna Anderson. A luta foi até os tribunais e nunca ficou comprovado se ela era ou não quem dizia ser.

Em 2007 foram encontrados em uma cova os restos dos outros membros faltantes, as diversas especulações da sobrevivência de Anastasia e de Alexei chegaram ao fim. Infelizmente a publicação do livro é anterior a essa descoberta então não temos mais detalhes sobre o processo de reconhecimento. Durante os últimos capítulos do livro vemos a história de diversos impostores e também dos sobreviventes. O massacre da família imperial não parou no ramo do czar, nos meses seguintes milhares de membros foram perseguidos e assassinados, alguns conseguiram escapar e vivem no exterior mantendo o nome da família até os dias de hoje.

O livro pode ser muito interessante ou incrivelmente chato dependendo do leitor. Eu sou uma entusiasta da família russa desde que assisti Anastasia, ler sobre detalhes mínimos me interessa, então posso afirmar para quem gosta da história da família Romanov que o livro é excelente. Já para quem está esperando um romance ou uma história sobre os últimos dias da família está indo de encontro ao livro errado, aqui temos relatos posteriores ao assassinato, detalhes científicos tomam conta até a metade do livro. O livro também possui algumas fotografias lindíssimas da família imperial e é necessário na coleção de qualquer amante da dinastia russa. Leitura recomendada para você que está procurando informação sobre o fim dos Romanov ou que se interessa pelas histórias de sobrevivência da família.

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Resenhas 05dez • 2017

O Coletor de Espíritos, por Raphael Draccon

No começo desse ano, quando eu estava detalhando as minhas metas de leitura, um dos objetivos que eu coloquei para mim mesmo era de ler mais livros nacionais. E como sempre, eu não consegui ler todos os livros que gostaria, mas eu fiquei realmente feliz de ter a oportunidade de finalmente conhecer o trabalho do Raphael Draccon. Apesar de ter ouvido falar muito das séries Dragões do Éter e Legado Ranger, O Coletor de Espíritos foi a minha introdução aos livros do Raphael Draccon. E olha, foi uma introdução bem positiva.

O livro se passa em Véu-Vale, um pequeno vilarejocercado de lendas sombrias que assombra os moradores em dias de chuva. Gualter Handman, um famoso psiquiatra achou que tinha conseguido escapar das histórias de Véu-Vale quando deixou a cidade na sua juventude, mas ainda ouve os gritos da cidade. Quando recebe a notícia de que sua mãe sofreu um infarto, Gualter precisa retornar a Véu-Vale e encarar de frente todas as figuras sombrias que habitam os cantos do vilarejo, assim como as sombras de seu passado.

Vamos direto ao ponto, O Coleto de Espíritos foi uma leitura muito boa. Eu não tenho como comparar com os outros livros dele, mas se a escrita do Raphael Draccon for tão boa neles como foi nesse livro, eu vou agora mesmo para a livraria. Em cada momento do livro, a narrativa entrega um impacto emocional que fica com o leitor depois de um bom tempo. E consegue fazer isso sem se tornar uma leitura difícil.O livro mantem o equilibro entre os dois extremos muito bem.

Frio. Sussurros. Silêncio. Em Véu-Vale sempre foi assim.

Sem dúvida o maior acerto do livro é a atmosfera. A escrita passa muito a sensação de que alguma coisa está sempre se esgueirando nas sombras de Véu-Vale, e você passa a leitura inteira esperando alguma coisa acontecer, e quando acontece, você sente o impacto. Me lembrou muito os livros do Stephen King, aquela sensação de que você não pode relaxar nem por um segundo, porque alguma coisa vai aparecer para te assurtar. O livro não tem um momento chato, ou lento, todas as partes desempenham muito bem as suas funções.

Os personagens são bem construídos, apesar de a maioria servir mais como apoio para Gualter, que é um ótimo protagonista. O fato de ele ser um terapeuta, e se recusar a largar do lado mais cético da sua mente funciona muito bem, porque nós temos a chance de observar os acontecimentos de Véu-Vale através dos olhos de alguém que está sempre procurando a resposta mais lógica. Então quando ele encontra algo que não consegue explicar, nós sentimos o quanto isso o assusta.

— E o que os monstros fazem nos dias de chuva? Aparecem e perseguem os andarilhos?
— Também, mas essa não é a parte mais assustadora.
— E qual é a parte mais assustadora?
— Quando eles gritam.

A única coisa que eu apontaria como negativa no livro são os diálogos. Apesar de nenhum ser exatamente ruim, alguns deles não me pareceram naturais, e acabaram me tirando um pouco da história. Os melhores momentos do livro são realmente as partes em que a narração carrega o leitor pela história, o livro quase não precisa de diálogos para passar o quanto a cidade de Veu-Vale é aterrorizante. Mas isso pode ser uma questão de gosto mesmo, e não foi o bastante para me desanimar dessa leitura.

No geral, O Coletor de Espíritos foi uma ótima introdução a bibliografia do Raphael Draccon. Essa leitura só reforçou ainda mais o meu desejo por consumir mais literatura nacional, principalmente os outros livros do Draccon, e eu recomendo fortemente esse livro para todos que estão procurando por uma leitura impactante. Não deixem de conferir esse livro porque ele realmente é muito, muito bom.

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Resenhas 03dez • 2017

Enraizados, por Naomi Novik

Conhecer a escrita de Naomi Novik se provou ser um desafio muito maior do que eu imaginava. Ainda agora, mesmo depois de ter terminado de ler Enraizados e estar completamente dividida sobre ter apenas “gostado” ou realmente amado esta leitura. Novik é uma autora que não brinca em serviço quando se trata de entregar uma boa história para os seus leitores. Conhecida pela sua série Temeraire, o universo criado por Naomi Novik em Enraizados não deixa a desejar. Quebrando todos os clichês que uma história pode quebrar, Enraizados foi uma leitura que me deixou entorpecida e completamente apaixonada por todos os seus personagens.

Acho que o grande trunfo de Enraizados é toda a questão que envolve o “sacrifício” de uma jovem da vila. Existem várias histórias sobre o que realmente acontece quando a garota é levada para a torre do Dragão e, assim como a nossa personagem principal, Agnieskza, nós somos movidos pela curiosidade de tentar entender quem é o Dragão de verdade e o que acontece com as moças que ficam presas a ele por dez anos. Confesso que nos primeiros capítulos desse livro eu me senti um pouco perdida na história, mas conforme Novik foi contextualizando os acontecimentos, o universo criado por ela foi tomando vida diante dos meus olhos e eu fui me apaixonando cada vez mais por essa leitura.

Não vou mentir. Até mais da metade do livro, Enraizados foi uma leitura bastante complicada para mim. Novik tem uma escrita pesada, lenta e carregada de detalhes que eu não estava esperando. Demora muito para que o enredo realmente comece a se desenvolver. Na verdade, eu diria que as primeiras 250 páginas do livro são uma longa introdução para o que vai acontecer a seguir. Mas, tendo um ponto de vista bem otimista, esse longo desenvolvimento é interessante para que o leitor possa conhecer e explorar melhor os personagens criados pela autora. Eu, particularmente, adorei me envolver mais na amizade de Kasia e Agnieskza.

“Mas havia algo anormal no seu rosto: um ninho de corvo formado por rugas perto dos olhos, como se os anos não conseguissem alcança-lo, mas o uso, sim. Mesmo assim não era um rosto feio, mas a frieza o tornava desagradável: tudo nele dizia ‘Não sou um de vocês e também não quero ser.”

Eu gostei mais de Agnieskza do que realmente pensei que fosse gostar – no começo do livro eu achei que ela fosse ser uma personagem passiva, mas ainda bem que eu estava enganada. Sua personalidade é algo desafiador de ler porque, mesmo se mantendo firme diante dos desafios e dos medos que sente, ela ainda tinha uma parte bastante sensível, de uma pessoa que foi tirada da sua própria “vida”, destinada a se tornar algo muito maior do que ela mesma acreditava ser capaz. A forma como é construída a evolução da personagem é interessante, principalmente a parte em que ela narra a sua relação com o Dragão e os caminhos que trilharam juntos ao longo do enredo.

Tenho certeza de que muitas pessoas não conseguiriam encarar essa leitura por causa do enredo pesado e do desenvolvimento demorado. Eu mesma pensei várias vezes que ia acabar abandonando a história e fazendo a resenha mais negativa da minha vida. Porém Novik tem esse talento de construir algo maravilhoso diante dos nossos olhos e não deixar que a gente perceba. Enraizados é um enredo cheio de magia, mistério, um universo convidativo e cheio de detalhes. Detalhes esses que, em meio a todos os acontecimentos, passam despercebidos, mas que no final se encaixam de uma forma maravilhosa.

“Todas essas histórias devem ter acabado desse mesmo jeito, com alguém cansado saindo de um campo cheio de morte e indo para casa, mas ninguém jamais cantava essa parte.”

Eu me surpreendi e me emocionei demais com a leitura de Enraizados. Apesar dos altos e baixos do enredo, Naomi Novik conseguiu me tirar da minha zona de conforto e me apresentou a um universo que talvez eu ainda não estivesse preparada para conhecer. Eu gostei demais da forma como a autora quebrou todos os tipos de padrões dentro desse livro e deu voz a personagens que, normalmente, são deixados de lado. Se você é um leitor capaz de deixar de lado a lentidão do enredo para ter uma aventura inesquecível, então eu acho que enraizados é a leitura perfeita para você.

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Resenhas 02dez • 2017

Os Saqueadores, por Tom Cooper

Se tem uma coisa que eu aprendi em relação a leituras esse ano, foi que os livros sobre os quais eu sabia menos foram os que mais me surpreenderam. Eu literalmente nunca tinha ouvido falar sobre Os Saqueadores quando comecei essa leitura, então eu realmente não tinha expectativa nenhuma para a história. E isso acabou sendo a melhor coisa que eu poderia ter feito, porque Os Saqueadores me agarrou inteiramente pela força da história e dos personagens.

Os Saqueadores se passa em uma pequena cidade da Louisiana, anos após a passagem do Furacão Katrina. Quando uma plataforma de petróleo explode no Golfo do México, a vida dos habitantes da cidade de Jeanette, que dependem em grande parte a pesca de camarões para se sustentarem, acaba sendo muito afetada. O livro segue alguns dos habitantes dessa cidade enquanto eles tentam lidar com os efeitos do derramamento de óleo, além de outras coisas como tesouros enterrados e tráfico de drogas.

A escrita do Tom Cooper é simplesmente maravilhosa. O livro tem um ritmo incrível, e a leitura dele é realmente uma delícia. O livro é narrado por alguns personagens diferentes, e todos eles tem vozes bastante distintas, e todos conseguem passar muito bem todos os conflitos e emoções da história. Apesar de eu ter gostado mais de algumas partes do que outras, eu não consigo separar nenhuma delas como sendo realmente ruim. O livro como um todo é inteiramente ótimo

Eles saíram como espectros da boca escura do bayou, primeiro uma luz fantasmagórica na névoa, depois o ronco de um motor: uma lancha de alumínio deslizando sobre água preta como laca.

O enredo em si é talvez um pouco simples demais para o meu gosto, mas o desenvolver da história é bem mais interessante do que parece. Foi por isso que eu fiquei tão feliz de ter entrado nessa leitura sem saber nada sobre o livro. Se eu soubesse alguma coisa sobre o enredo antes de ler o livro, eu provavelmente não teria escolhido esse livro, simplesmente porque não é o tipo de livro que eu gosto de ler. E olha, fomos surpreendidos novamente. O livro me agarrou bem rapidinho e não me soltou até chegar no final.

E por falar no final, esse provavelmente é o único ponto que eu levantaria como sendo negativo. Eu tive a sensação que o livro meio que larga alguns dos pontos da história chegando no final, o que é um pouco decepcionante. Eu entendo que alguns dos personagens são mais importantes que outros, no caso Wes, Lindquist e Cosgrove são os principais, mas os outros acabam ficando apagados no final do livro. É uma pena, porque todas as histórias são interessantes, mas eu não diria que isso é o suficiente para me desgostar dessa leitura.

Então, Wes ficou sozinho na escuridão do bayou, silencioso, a não ser pelas ondas batendo no barco. Olhou para o norte, onde as luzes do porto de Jenette cintilavam tão longe e fracas no horizonte que bem poderiam ser uma miragem. Ele ligou o motor.

E falando nos personagens, como eu já disse, todos muito bem construídos e trabalhados, exceto pelo final que eu já mencionei. O meu favorito foi o Wes, e eu realmente adorei observar o relacionamento dele com o pai, foi a minha parte favorita do livro. E mesmo Wes tendo roubado a maior parte da minha atenção, Lindquist e Cosgrove também são muito bons. Ao longo da leitura, você realmente tem a sensação de que conhece esses personagens e se envolve emocionalmente com eles.

Sinceramente, Os Saqueadores foi mais um exemplo do universo me agarrando pelos ombros e me ensinando que eu preciso sair da minha zona de conforto das leituras. Ótimos personagens, escrita maravilhosa, e apesar do problema do final, uma história que me deixou bastante satisfeito. Os Saqueadores é o livro de estreia do Tom Cooper e eu já estou aguardando ansiosamente o próximo livro dele. Se você está procurando uma leitura diferente do que geralmente aparece nas listas de mais vendidos, Os Saqueadores é uma ótima sugestão.

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Resenhas 29nov • 2017

O Urso e o Rouxinol, por Katherine Arden

O Urso e o Rouxinol é um dos lançamentos da Rocco de 2017. Escrito pela americana Katherine Arden e lançado pelo selo Fábrica231, a história se passa em uma Rússia medieval muito antes dos Czares. O livro é o primeiro de uma trilogia que busca recontar os primórdios da Rússia por meio do folclore e da expansão do cristianismo. Durante a leitura vemos várias referências aos contos de fadas russos, entre eles o meu favorito: Vasilisa, a bela.

Como fã de literatura russa e apaixonada por alguns contos folclóricos, assim que eu botei meus olhos na sinopse de O Urso e o Rouxinol mal pude esperar para ler. A história tinha de tudo para me prender, uma narrativa fantástica, uma protagonista forte, apesar de não ser tudo o que eu esperava o livro saiu melhor do que a encomenda. O livro começa antes mesmo de nossa pequena Vasilisa nascer, vemos um inverno rigoroso atingindo uma família de ricos fazendeiros e uma ama contando histórias ao pé da lareira.

Logo no começo, sabemos que a avó de Vasilisa era uma mulher misteriosa que surgiu um dia no castelo do príncipe e encantou-o de tal maneira que ele se apaixonou. Como uma mulher amante da liberdade e da natureza, a avó de Vasilisa causou raiva e espanto aos olhos da corte. Entre as acusações de bruxaria e reprimendas, ela acabou definhando até perder sua essência. Sua filha, Marina, foi prometida a Pyotr Vladimirovich, um rico senhor de uma família do interior sem fama ou tradição. Maria e Pyotr vivem um relacionamento feliz até que ela engravida e morre no parto. Antes de partir ela pede que Pyotr cuide de sua filha, mesmo que ela seja igual à avó.

A noite caia e Vasya tiritava enquanto caminhava. Seus dentes batiam. Os dedos dos pés entorpecidos apesar das botas pesadas. Uma pequena parte sua tinha pensado —  esperado —  que haveria alguma ajuda na floresta, algum destino, alguma magia. Esperava que o pássaro de fogo viesse, ou o Cavalo de Crina Dourada, ou o corvo, que, na realidade, era um príncipe… Menina tola para acreditar em contos de fadas. A mata no inverno era indiferente a homens e mulheres; os chyverty dormiam no inverno, e não havia tal coisa como um príncipe corvo.

Nossa protagonista cresce então entre as florestas de Rus’ e seres encantados, sem seguir muito os padrões e ideais da comunidade cristã. Toda essa liberdade começa a gerar boatos, Pyotr se vê obrigado a arrumar uma mãe adotiva na esperança que isso refreie os impulsos selvagens da filha. Para o azar de Vasilisa sua nova mãe é uma mulher perturbada que vê os seres mágicos como servos do demônio, seu fanatismo religioso leva ao enfraquecimento dos espíritos da floresta e ao fim de muitas das antigas tradições. Nada disso seria perigoso se não fosse uma ameaça cada vez mais próxima, para evitar que ela destrua toda a vila e sua família, Vasilisa deve resgatar o poder dos antigos guardiões, mesmo que isso a transforme numa bruxa aos olhos da cidade.

O livro começa com um tom mais infantil, à medida que a protagonista cresce os assuntos abordados vão ficando cada vez mais pesados. Acabei achando a transição um pouco brusca, isso foi o que mais me incomodou. Entretanto, ver Vasilisa crescer e florescer como uma grande mulher foi gratificante. Não posso dizer o mesmo de grande parte dos coadjuvantes. Torcia pra muita gente bater as botas, tanto o Padre como a Anna me causavam um ódio tão grande que não me importaria se o algum Upyr levasse eles logo. Todo o plot religioso me lembrou muito de As Brumas de Avalon, Anna inclusive me soou muito como a Guinevere, quem conhece essa versão das narrativas Arturianas vai perceber as influencias rapidinho.

“Me dizem como vou viver e como devo morrer. Tenho que ser a criada de um homem e uma égua para seu prazer, ou tenho que me esconder entre muros e render minha carne para um deus silencioso e frio. Eu entraria nas malhas do próprio inferno, se fosse um caminho da minha própria escolha. Prefiro morrer amanhã na floresta a viver cem anos a vida que me é indicada.”

Eu simplesmente adorei as várias criaturas que apareciam no decorrer da história, queria um Domovoi e um Dvornik na minha vida, o último inclusive ensina Vasilisa a falar com os cavalos, tem coisa mais legal que isso? O livro conta com um glossário ensinando muitos dos termos em russo utilizados pela autora. Até pegar direito quem era o quê, me vi indo varias vezes ao fim do livro me consultar, acabei aprendendo bastante sobre outra cultura durante a leitura, isso é o que mais me encanta na literatura. Estou ansiosa para ler a continuação, espero que a história não caia para um romance bobo, a magia é o que mais encanta no livro da Katherine.

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Resenhas 23nov • 2017

Do Outro Lado, por Carrie Hope Fletcher

Fui com muita sede ao pote, eu devo admitir. É muito difícil você não criar todo o tipo de expectativa quando uma das Youtubers que você mais gosta lança um romance e ele, por um milagre de Deus, acaba sendo publicado no Brasil. Mas, infelizmente, Do Outro Lado acabou não sendo nada do que eu estava esperando. Apesar da Carrie ser uma narradora maravilhosa da sua própria história, quando se trata da construção de personagens e diálogos, a sua escrita se prova bastante amadora.

Do Outro Lado tinha todos os elementos perfeitos para se tornar um romance interessante, que prendesse o leitor, mas a falta de experiência de Fletcher mostra que nem sempre uma boa ideia dá bons frutos. A narrativa do livro é gostosa, a escolha de palavras e a forma como elas soam bem juntas engana o leitor a seguir na história mesmo quando o enredo parece se tornar cada vez mais confuso. Consigo ver um traço muito fiel da personalidade da Carrie na forma como ela resolveu contar essa história.

Meu maior problema com esse enredo foram os diálogos vazios e sem sentido. De tudo o que me incomodou nesse enredo, não ter bons diálogos realmente foi decepcionante. Era como se eu tivesse lendo a fanfic de alguém que nunca havia escrito nada na vida. Imagine você ler um texto com diálogos forçados, previsíveis e que, no final, não levam o leitor a lugar algum – essa foi a minha sensação lendo Do Outro Lado, e quando eu cheguei na metade do livro, confesso que estava mais do que saturada.

“− Nossa alma é muito delicada e existem certas coisas que podem pesar sobre elas. Quando sentimos culpa, reprimimos sentimentos, não falamos o que queremos, guardamos segredos – isso coloca um grande peso sobre a alma frágil. Esses pesos artificiais se grudam sobre nosso espírito e começam a nos arrastar para baixo.”

O enredo não é ruim. A ideia por trás do livro é interessante e instiga o leitor a continuar ali para saber quais são os segredos de Evie e porque a sua alma está pesada. Porém, o desenvolvimento da personagem em si é fraco e vazio. Eu – e digo isso da forma mais particular possível – não consegui encontrar a voz de Evie dentro do livro. Era como se ela fosse mais uma personagem igual a todas as outras personagens clichês que eu já li – e não consegui me identificar. Além disso, todos os motivos pelos quais a alma dela estava pesada não deixam a história mais interessante.

Fletcher não teve muito tato quando escreveu esse livro. Você consegue ver isso quando ela tenta inserir a diversidade sexual dos seus personagens dentro da história. Um assunto como esse, que deve ser tratado de forma que o leitor consiga compreender o personagem, foi jogado de qualquer forma, apenas para provar que a autora tem um pensamento desconstruído. Confesso que isso me incomodou muito, principalmente porque o assunto não foi realmente abordado, ele só foi colocado ali para preencher as lacunas de uma história que já era vazia por si só.

“− Penso nisso o tempo todo: no que faz as pessoas serem quem são e, se voltássemos no tempo e mudássemos alguma coisa, se isso faria diferença ou não. Isso nos tornara melhores ou piores ou simplesmente continuaríamos iguais porque sempre fomos destinados a ser assim, não importa o que acontecesse durante a vida?”

Outro ponto que me chamou atenção foi que, por algum motivo, Carrie achou que seria uma boa ideia inserir no sobrenome dos personagens tudo que fosse possível relacionar com as estações do ano. Snow. Winters. Summer. Autumn. Mais uma prova de que os editores desse livro confiaram demais no talento que a Carrie tinha para outras coisas e deixaram passar esses pequenos detalhes que, combinados com a narrativa fraca e os personagens acabam só contribuindo para que a história se torne ainda mais incomoda para quem está lendo.

Eu esperava muito mais da Carrie em relação a esse livro dela. Talvez por eu gostar muito dela ou talvez por eu acreditar que a escrita dela fosse um pouco mais do que ela realmente chegou a entregar nesse livro. Eu acho que se você gosta de um romance água com açúcar e não se incomoda com uma escrita amadora, talvez Do Outro Lado seja uma leitura muito melhor para você do que foi pra mim.

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