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Resenhas 11fev • 2018

Robopocalipse, por Daniel H. Wilson

Essas são as expectativas que eu tinha para a leitura de Robopocalipse, baseadas unicamente na sinopse e na capa: Vai ser uma história de ficção científica interessante, sobre uma inteligência artificial que decide exterminar a raça humana, e vai ser bem estranha, afinal tem uma recomendação do Stephen King na capa. E pra ser sincero, foi exatamente isso que a leitura me entregou, mas eu não explicar porque eu tenho a sensação de que falta alguma coisa nesse livro.

Em Robopocalipse, uma inteligência artificial chamada Archos que através de uma rápida análise de dados, decide que a raça humana representa uma ameaça grande demais para o planeta e decide exterminá-la. O livro segue, através de vários pontos de vistas diferentes, a ascensão de uma força de resistência determinada a impedir que os planos de Archos se concretizem. Pela primeira vez na sua história, a humanidade consegue fazer o inimaginável: se unir por um objetivo comum. Leia mais

Recebidos do Mês 06fev • 2018

Os livros que chegaram no blog em Janeiro/18

Vamos falar sobre os recebidos do mês? Eu sei que esse é o post favorito de muita gente – e acho que é até o meu. Tem muito tempo que eu não sento aqui para escrever sobre os meus recebidos, na verdade, faz mais ou menos 1 ano que eu comecei a gravar esse tipo de conteúdo e colocar no canal do blog. Porém, como vocês devem ter percebido a ausência de vídeos, eu resolvi dar mais uma chance ao conteúdo escrito e ver o que eu consigo fazer. 🙂

Janeiro eu não recebi muita coisa, não vou mentir. A maior parte dos livros que chegaram foram lançamentos de final de ano das editoras, então eu tenho muita leitura acumulada para colocar em dia – imagina alguém em pânico… pois é. O bom disso tudo é que eu recebi uma quantidade de leituras variadas e enredos que eu realmente estava curiosa para explorar como, por exemplo, Uma Sombra Ardente e Brilhante, o primeiro livro da série Kingdom On Fire – se você achou o título bom, espera até ver a sinopse.

Eu resolvi dar uma segunda chance para Abbi Glines, achei que vocês deviam saber disso. Eu não gostei muito de O Último Adeus, mas acho que não dá para julgar um autor só com a leitura de um livro e, dessa vez eu vou estar apostando minhas fichas em Sem Fôlego. Espero que o enredo seja tão bom quanto o título do livro, não é mesmo? E antes que eu me esqueça, tem livro novo da Julia Quinn na estante e eu estou muito ansiosa para ver o que esse romance tem de especial. Leia mais

Resenhas 20dez • 2017

A Torre do Terror, por Jennifer McMahon

Poucas experiências na vida de um leitor são mais frustrantes do que quando ele encontra um livro que acerta em quase todos os detalhes, exceto por um. Aquela leitura que atinge quase todas as expectativas, menos uma, e essa uma acaba estragando o resto da leitura. Acabou que A Torre do Terror foi exatamente esse tipo de livro. A leitura de A Torre do Terror me agradou bastante mas poderia ter agradado ainda mais, se não fosse por um ou dois pontos que deixaram um gosto ruim na minha boca.

As irmãs Piper e Margot cresceram junto com a melhor amiga Amy, brincando nos corredores do hotel da família de Amy. Anos depois, já adultas, Piper e Margot não falam com Amy a anos. Mas numa noite sombria, Amy supostamente assassina seu marido e seu filho, deixando apenas sua filha Lou viva. Piper e Margot são então trazidas de volta para dentro das paredes do Hotel da Torre, e precisam lidar com o fato de que talvez algo que habita o hotel ainda assombra suas vidas.

O primeiro ponto positivo do livro é a escrita da Jennifer McMahon, que transporta a gente direto pra dentro da história. Nas mãos de um escritor menos capaz, o enredo que pula entre três momentos diferentes da história dos personagens poderia ter sido confuso, mas a autora soube balancear muito bem os três pontos da história. Principalmente a história de Rose e Syvie, que foi realmente a minha favorita, em grande parte por causa da narração da Rose.

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Entrevistas 19dez • 2017

Inteligente e sensual: conheça mais sobre a escrita Elizabeth Hoyt

Vocês têm um momento para a gente conversar sobre a Elizabeth Hoyt? Bom, não é segredo para ninguém que acompanha o blog que o primeiro livro da Trilogia dos Príncipes não é um dos meus romances de época favorito. E eu não vou mudar a minha opinião sobre isso, ok? Mas, eu li o segundo livro dessa série e, para a minha surpresa, eu AMEI o livro do começo ao fim. Por isso que eu sempre digo que vocês têm que dar mais de uma chance para os autores, eles podem sempre te surpreender.

Enfim, não amo O Príncipe Corvo, mas eu amo a Elizabeth Hoyt e agora somos melhores amigas. E como uma boa amiga, eu andei dando uma vasculhada na internet, procurando saber mais sobre a história da autora e como ela se tornou esse grande sucesso dos romances de época que é hoje. E eu descobri umas coisas INCRÍVEIS sobre a autora como, por exemplo, o primeiro rascunho de O Príncipe Corvo era um completo desastre!

Como eu gosto que vocês também conheçam mais dos autores, eu traduzi uma entrevista da Hoyt de 2007, quando a Trilogia dos Príncipes tinha acabado de começar a fazer burburinho lá fora e ela já estava trabalhando no terceiro livro, O Príncipe Serpente. É muito interessante ver como, dez anos depois, o livro ainda é um grande sucesso entre os leitores do gênero. Leia mais

Resenhas 09dez • 2017

O Príncipe Leopardo, por Elizabeth Hoyt

Eu sempre tive essa teoria de que o segundo livro de uma trilogia é melhor que o primeiro e o terceiro livro e, para a minha felicidade, essa teoria se tornou realidade novamente – bom, pelo menos no que se diz respeito ao primeiro livro. O Príncipe Leopardo foi uma leitura muito deliciosa, com personagens divertidos e diálogos que eu quero revisitar mais de uma vez. Elizabeth Hoyt me provou que também é capaz de criar uma heroína forte e dona de si mesma. E o que mais eu poderia pedir em um romance, não é mesmo?

Diferente de O Príncipe Corvo, neste segundo livro da Trilogia dos Príncipes, a autora conseguiu desenvolver melhor os seus personagens mas, principalmente, a sua narrativa. O Príncipe Leopardo tem uma leitura bem mais leve que o primeiro livro, os capítulos se desenvolvem num ritmo que prende o leitor e ainda temos um mistério a ser solucionado que com certeza vai deixar todo mundo no mínimo curioso para saber a verdade no final.

A escrita de Hoyt neste livro não é tão pesada. O foco está todo no desenvolvimento dos personagens e acho que isso fez com que a autora tomasse um pouco mais de cuidado no desenrolar da história, evitando deixar tantas pontas soltas – coisa que eu reclamei demais durante a leitura de O Príncipe Corvo. Além disso, os diálogos neste segundo livro estão muito mais trabalhados e divertidos. Os personagens principais tem uma personalidade marcante e mesmo ainda tendo pequenas falhas, eu consegui me diverti muito com essa leitura.

“Quando descobrira que o proprietário das varias terras que administraria era uma mulher, Harry ficara surpreso. Mulheres, em geral, não eram donas de terras. Normalmente, quando uma mulher possuía uma propriedade, havia um homem – filho, um marido ou um irmão – por trás de tudo, o verdadeiro mandante, a pessoa que decidiria como as terras seriam administradas. Mas, embora Lady Georgina tivesse três irmãos, era a própria dama que estava no controle.”

Georgina é sem dúvida uma heroína muito melhor do que Anna foi. Talvez por ela ser dona de sua própria fortuna e não precisar de um casamento, isso a tenha feito ter uma personalidade com a qual eu tenha facilidade de me identificar. Eu sou uma apaixonada por heroínas de romance que escrevem sua própria história e não ficam esperando o cavalheiro para salvá-la e Georgina foi exatamente essa personificação para mim. Inclusive, se ela fosse uma pessoa de verdade, nós seríamos melhores amigas, sem dúvida.

O romance de O Príncipe Leopardo também foi outro ponto que eu gostei muito nesse segundo volume da trilogia. Harry e Georgina se encaixavam perfeitamente como um casal. Ambos tinham suas inseguranças em relação ao que estavam sentindo e navegaram pelo relacionamento no seu próprio tempo, sem ceder às pressões da família ou da sociedade. Hoyt conseguiu trabalhar muito bem esses aspectos do relacionamento romântico deles e eu achei muito importante que ela tenha construído essa relação respeitando as limitações de ambos.

“O Sr. Pye, lutando com a rolha de uma garrafa de vinho branco, ergueu o olhar e sorriu para ela. Por um momento, Georgina se perdeu naquele sorriso, o primeiro sorriso de verdade que vira no rosto dele.”

Uma das poucas coisas que realmente me incomodaram nesse livro é que a autora insiste em criar personagens que não vão ser realmente utilizados na história e não dar um final apropriado para eles. Ela cometeu esse mesmo erro em O Príncipe Corvo e o repetiu em O Príncipe Leopardo. Eu realmente fico muito frustrada quando os personagens secundários não ganham um final apropriado para o seu arco, mesmo que ele seja completamente irrelevante para a história principal.

E se você gosta de um crossover em romances de época assim como eu – vide a minha obsessão pelos livros da Sarah MacLean – fique feliz em saber que o Conde de nome quase impronunciável, que é personagem principal de O Príncipe Corvo, faz uma breve e relevante aparição neste segundo livro, o que eu julguei bastante pertinente reunir todos os príncipes em uma cena, embora eu ache que isso também poderia ter acontecido no primeiro livro, mas já estabelecemos que eu e Hoyt discordamos em muitas coisas não é mesmo?

Eu só posso dizer, e isso com um alívio enorme no peito, que O Príncipe Leopardo foi uma leitura que valeu muito a pena para mim. Eu me diverti com os diálogos e me apaixonei junto com os personagens. Eu ri e me envolvi na relação de Harry e Georgina, consegui me conectar com ambos os personagens e ainda fiquei meio triste que o livro tinha acabado. Acho que de todas as experiências de leitura que podemos ter, essa sensação de “satisfação” é a melhor delas.

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Resenhas 09nov • 2017

Os 12 Signos de Valentina, por Ray Tavares

Os 12 Signos de Valentina é um livro escrito pela brasileira Ray Tavares e publicado em 2017. Ray começou sua carreira no Wattpad, após ganhar o prêmio Wattys de voto popular e alcançar mais de 2 milhões de leitores na plataforma, a autora foi convidada a publicar na Record pelo selo editorial Galera.

Os 12 Signos é um livro extremamente engraçado, é impossível não se divertir e dar umas boas risadas com a Isadora, nossa protagonista. A história toda gira após Isadora ser traída pelo namorado de 6 anos e resolver passar o rodo no zodíaco, palavras da própria. Na verdade ela só está com o coração partido, a autoestima carcomida e sem muito animo para nada, mas sua prima, Marina, obriga Isadora a dar a volta por cima. Depois de um encontro hilário com a faxineira de uma boate na Augusta, Isadora resolve juntar o útil ao agradável e criar para um projeto da faculdade o blog 12 Signos de Valentina, como proposta investigativa ela promete sair com cada um dos 12 signos do zodíaco e narrar a sua experiência com cada um deles.

–  Boa noite, Isadora  –  cumprimentou ele, falando o meu nome daquele jeito quase maldoso e característico dele.  –  Nem te vi chegar.
–  Ah, pois é, eu aparatei até aqui  –  comentei.
Andrei ria, mas o resto dos engenheiros não entendeu a piada, e eu me senti a coisinha mais estúpida da face da terra.
– Por isso que não nos encontramos – continuou ele, sem perder o sorrisinho divertido – , usei o pó de flu.

Uma coisa muito boa em Os 12 Signos de Valentina é a enxurrada de referencias. Você encontra de tudo, desde música brasileira até Harry Potter. Não posso negar que como uma Potterhead isso já era o suficiente para ganhar meu coração. A autora não deixa nada jogado, um erro que muita gente comete por aí, as referências fluem e fazem parte da comédia do livro. Isadora é nerd e é muito engraçada, é óbvio que ela não pode deixar de fazer piada com tudo. Não é só de risos que vivemos. O enredo do livro também é muito bom. De um lado temos uma universitária tentando superar um pé na bunda, do outro temos um monte de alunos da faculdade cada vez mais desesperados com o blog, querendo descobrir de qualquer maneira quem é a Valentina.

Outro ponto que se destacou para mim durante a leitura foi o posicionamento da autora, ela não foge de questões sociais, de inclusão e discussões políticas, ato que julgo extremamente corajoso. Vemos o posicionamento de diversos personagens discutindo igualdade de gênero, questões sociais e política. Independente no que você acredite, o livro abre um leque de assuntos que merecem ser colocados em pauta. Também temos muito da corrente feminista e do Girl Power no decorrer das páginas. Discussões sobre slut-shaming, empoderamento feminino, privilégios sociais, é uma porção de assuntos que fazem parte da vida de qualquer ser humano e que estão ali para moldar os personagens e trazer á tona assuntos que são vistos como desconfortáveis.

(…) ando recebendo algumas críticas e julgamentos de gente que, a meu ver, não tem muito que fazer e fica regulando a vida amorosa dos outros (…), dizendo que eu deveria “me dar ao respeito”, ou que eu não sou “exemplo para outras mulheres”, e até que eu vou “acabar sozinha se continuar vagabundeando por aí”, e para essas pessoas eu tenho um recadinho: eu não sou menos ou mais mulher porque decidi curtir um pouco a minha solteirice, mas você é menos humano e inteligente por querer ditar o que eu devo ou não fazer da minha vida.

A escrita da Ray é muito gostosa, as páginas vão passando e tudo que você quer saber é até quando Isadora vai continuar com essa loucura. Os diálogos são bem construídos e os personagens cativantes. Além da Isadora, eu gostei muito do Andrei. Ele se mostrou um par romântico condizente com a nossa protagonista forte e bem resolvida. Meu maior medo no início da leitura era rolar um dramalhão envolvendo o blog e os vários experimentos antropológicos, tive uma grata surpresa.  Super recomendo a leitura de Os 12 Signos de Valentina, principalmente se você quer se divertir após um dia estressante. Livros como este só mostram o quanto temos bons autores no Brasil. Para finalizar, Leão é o melhor signo do zodíaco.

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Resenhas 27out • 2017

Um Acordo de Cavalheiros, por Lucy Vargas

Romances de época dominam a minha estante desde que o primeiro livro da Julia Quinn, O Duque e Eu, se tornou popular entre os leitores brasileiros. Além de heroínas independentes e determinadas, o gênero aborta do romance em sua forma mais pura, algo que eu gosto muito e que não consigo encontrar em outros gêneros literários.

Quando a Record anunciou o lançamento de Um Acordo de Cavalheiros, eu não podia deixar passar a oportunidade de ler um nacional do meu gênero favorito, não é mesmo? Infelizmente, a escrita de Lucy Vargas não me conquistou tanto quanto eu gostaria e, com um enredo muito lento e cheio de informações confusas, Um Acordo de Cavalheiros, acabou não sendo tudo aquilo que eu estava esperando.

Um Acordo de Cavalheiros conta a história de Dorothy Miller, uma jovem dama de companhia que acaba se envolvendo com o infame Tristan Thorne, também conhecido como o conde de Wintry. Por mais avisada que Dorothy estivesse sobre não se envolver com o homem em questão, nossa heroína sempre esteve determinada a manter a sua independência e, assim, ela acaba envolvida em um acordo com o conde que pode mudar para sempre seus planos.

“- Eu não podia matá-lo, Dot. Não porque subitamente me arrependi de meus pecados. Foi só por você. Não podia mágoa – lá assim. Não aguentaria vê – lá machucada e saber que eu causei isso. Não importa o quanto ele mereça, só você importa para mim. Não quere que ele seja meu presente, quero que seja você. E só posso tê-la em meu futuro se abrir mão de todo resto.”

Eu tinha todas as expectativas para esse livro, principalmente por ser um nacional e, apesar de ter um começo envolvente, Um Acordo de Cavalheiros não entrega tudo o que promete. Meu primeiro problema com o livro foi a quantidade de informação que a autora joga em cima do leitor ao longo dos capítulos intermináveis. Conhecemos diversos personagens que não tem nenhum tipo de função na história e somos apresentados a dois personagens principais com diversas complicações que parecem ser resolvidas de um capítulo para o outro sem nenhuma explicação.

Apesar de eu gostar da escrita de Vargas, Um Acordo de Cavalheiros tem muito mais páginas do que realmente precisa. Em menos de 100 páginas eu já tinha acompanhado diversos dramas entre os personagens principais e secundários e nenhum deles caminhava para a conclusão da história ou ajudava na construção da personagem. Com isso, a leitura foi ficando cansativa demais, como se a história fosse ficar dando volta naquela brincadeira de gato e rato de Dorothy e Tristan que, no começo era até engraçado, mas depois de um certo ponto começou a ser mais do que irritante.

“— Às vezes a vida é mais do que queremos, querida. Temos certos deveres.
— Eu só tenho visto os deveres. Às vezes, as pessoas também precisam conseguir o que querem.
— E para ter o que querem, precisam sacrificar algo.”

Dorothy tinha tudo para ser uma personagem interessante, mas ela acabou se revelando uma heroína bastante sem graça. Dorothy é uma personagem bastante passiva, embora eu tenha tido a impressão de que essa não era a intenção da autora. Todo o drama que ela cria em torno de Tristan Thorne não me parece uma atitude de uma heroína independente e que sabe o que quer. E acreditem, a última coisa que Dorothy sabe durante todo o enredo é o que ela realmente quer. Eu me senti cansada demais acompanhando as idas e vindas dela e Tristan, o que acontece muitas vezes antes mesmo de você chegar na metade do livro.

O romance não me convenceu, mesmo eu tendo todo o tipo de expectativas nele. O último suspiro que poderia me salvar do tédio que era essa história sem fim. Mas Dorothy e Tristan são um casal muito chato, com problemas sérios de comunicação e com a falta daquela boa e velha química. Por mais que eu conseguisse imaginar os dois juntos, nunca os vi como um casal que pudesse realmente se completar. A parte emocional do relacionamento dos dois foi muito pouco trabalhada e talvez isso tenha sido o maior erro da autora quando se trata do romance do livro.

Eu queria muito gostar de Um Acordo de Cavalheiros, mas acho que o enredo não entregou o que eu mais gosto em romances de época. Eu senti falta da emoção da leitura e de personagens fervorosamente apaixonados um pelo outro, mas ainda assim, a escrita de Lucy Vargas tem muito potencial e eu espero ver mais do trabalho dela sendo publicado pelo selo Record em breve.

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Notícias 20out • 2017

Guia para futuros escritores é inspirado na obra da venerada autora inglesa Jane Austen

Rebecca Smith é sobrinha-neta de quinto grau de Jane Austen. Isso não diz grande coisa, já que, como a própria Rebecca conta na introdução de “O clube de escrita de Jane Austen”, os irmãos da escritora inglesa tiveram trinta três filhos ao todo. E, passados exatos 200 anos de sua morte, o número de descendentes já deve chegar à casa dos milhares.

Mas Rebecca também escreve. E, entre 2009 e 2010, foi escritora residente na Casa Museu de Jane Austen, em Chawton, na Inglaterra. Durante um ano, ela releu toda a obra da tia-avó, promoveu clubes de leitura e inspirou-se ao “caminhar por onde ela caminhou e ter a mesma vista que ela ao abrir as janelas”. Daí surgiu a primeira ideia para este livro, que chega às prateleiras pela Bertrand Brasil agora no fim de setembro.

“O clube de escrita de Jane Austen” é um guia de inspirações e dicas para aspirantes a escritores, além de ser uma fonte de curiosidades deliciosas para os fãs da inglesa. Usando cartas escritas por Austen e destrinchando trechos de alguns de seus clássicos romances, Rebecca revela algumas de suas lições valiosas, além dos principais deslizes a serem evitados.

Logo no começo, com base em diversas cartas enviadas a sua irmã Cassandra e a sobrinhos que queriam tornar-se escritores, o livro oferece algumas dicas básicas de Austen para quem está começando a planejar um romance. São sugestões como: “Leia”, “Escreva sobre coisas que você entende”, “Seja preciso nas informações ou seus leitores deixarão de confiar em você”, “Conheça bem os seus personagens”, “Não sobrecarregue sua obra com detalhes desnecessários: corte e edite” e “Pode ter acontecido na vida real, mas isso não significa que funcionará num romance”.

A partir daí, Rebecca divide os capítulos por temas: a criação de personagens, a construção de cenários, o desenvolvimento de pontos de vista e a escrita de diálogos são alguns deles, e trechos de obras como “Emma”, “Orgulho e preconceito”, “Razão e sensibilidade” e “Mansfield Park”ajudam o leitor a compreender os ensinamentos. O texto mergulha ainda em características marcantes de Austen, como a ironia e o humor, além de também contar alguns de seus rituais de escrita.

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Neste maravilhoso livro, Rebecca Smith analisa vários aspectos da escrita de ficção como enredo, caracterização de personagens, diálogos, cenários e técnicas de escrita, dividindo também com os leitores os conselhos que Jane Austen escreveu em cartas a seu sobrinho e sobrinhas aspirantes a romancistas. Repleto de exercícios úteis e citações esclarecedoras, este livro ensinará métodos, dicas e truques, usando como exemplos a obra de Austen. Seja você um entusiasta da escrita criativa às vésperas de publicar seu primeiro romance, um professor em busca de mais inspiração para suas aulas, ou um curioso à procura de informações sobre os rituais diários de Austen, este é um companheiro essencial, garantido para satisfazer, informar e deliciar.

Este conteúdo foi originalmente publicado no blog oficial da Editora Record. O La Oliphant é apenas responsável pela reprodução do mesmo.

Clube Nacional 16out • 2017

Precisamos falar de preço (de livro)

Preço do livro: um assunto velho, mas que sempre precisa ser discutido, não é mesmo? Buscando por novidades literárias para vocês, acabei me deparando com um texto muito interessante de Carlos Andreazza, editor-executivo de ficção nacional e não-ficção da Record, onde o mesmo dá sua opinião direta sobre a questão do valor monetário dos livros no Brasil.

Resolvi trazer a discussão para o blog e ouvir a opinião dos leitores. Vocês acham que o preço que pagamos pelos livros hoje, é um preço justo? Ou vocês acreditam que o valor monetários das obras literárias deveria ser muito menor do que o que pagamos hoje?

Antes de dar sua opinião, confira abaixo o texto de Carlos Andreazza:

Nos últimos cinco anos, tudo no Brasil ficou mais caro. O preço do livro, não. Ao contrário: todos os custos aumentando, os insumos inflacionados, e, no entanto, as editoras ainda baixando os preços.

Nem me aprofundarei na questão conceitual acerca de valor. O editor também é um educador. Insisto nisso. Tem, pois, a obrigação de tornar pública, de disseminar a complexa cadeia produtiva que resulta no livro. Diversamente do que manifestam livros a vinte reais ou mesmo menos (e ainda antes dos eventuais descontos dos livreiros), o nosso produto não é fruto de milagre de repente materializado nas livrarias.

Paga-se sessenta, setenta reais por muita porcaria efêmera neste país, e nós entretanto com medo de cobrar quarenta, cinquenta reais por algo de caráter permanente. Por quê? Não tenho a resposta, mas seu mais mínimo esboço passará obrigatoriamente pela constatação de que ou se compreende mal o ambiente editorial brasileiro ou pouco se preocupa com sua saúde.

Livros desvalorizados não formam consumidores, muito menos – é mentira – popularizam o livro. Em uma palavra: deformam. Outra: viciam. E ainda: vulgarizam. Aí vem a Bienal e então virão as variantes da pergunta: “Tem livro de dez reais?” Não é a procura pelo livro, por aquele livro desejado, mas pelo preço – com o qual não se paga hoje nem picolé.

Que um ou outro título seja agressivamente barato, isso é estratégia comercial legítima. É preciso estudar e compreender a natureza do que se publica e a que público se destina. Mas que a baratização do preço de capa do livro seja política, prática indiscriminada, independentemente do caráter da obra editada, isso significa – ainda que inconscientemente – investir contra o processo editorial que deságua em produtos cada vez melhores e mais bonitos.

Faz pouco, a título de exemplo, publicamos, do historiador Antony Beevor, o já clássico A segunda guerra mundial, obra cuja pretensão é simplesmente a de esgotar o assunto, um volume de 951 páginas, com encarte de fotos, editado e produzido ao longo de pelo menos dois anos, com tradução de excelência, revisões técnicas detalhadas, inúmeros tratamentos de texto, e isso sem falar no adiantamento de direitos autorais, em dólares, pago ao autor – um livro pelo qual cobramos, sem dúvida ou remorso, justíssimos 98 reais.

Retorno, então, ao tema da educação; do papel pedagógico do editor. Mais do que abrigar todo esse encadeamento de valor objetivo, o preço do livro precisa representar – evidenciar – a importância, a complexidade, a grandeza da empreitada ali concretizada. O indivíduo que lê, que consome livros, precisa ser informado – e preço informa – do conjunto valioso de ofícios que se consolida naquele produto. Porque esse mesmo sujeito sairá da livraria para comprar – por cem reais, e sem reclamar, consciente de que paga o quanto leva – um bom vinho francês. Há toda uma tradição a fundamentar isso, a embasar essa percepção. Precisamos criar a nossa.

Precisamos também pensar no livreiro. A cada ano, afinal, sobem-lhe o aluguel, os salários, a conta de luz. Para que seu negócio sobreviva, não há mágica possível: ou o preço do livro é corrigido ou ele terá de aumentar o número de exemplares vendidos. Como a base consumidora de livros não cresce, as livrarias fecham. Quantas outras terão de quebrar até que se considere e encontre um equilíbrio entre preço de venda e custo da operação?

Preço fixo não é a solução. Preço é instrumento do livre mercado. Sou a favor de que livrarias deem desconto. E quero – desejo mesmo – que a cultura competitiva no mercado editorial se desenvolva livre de artificialismo, tendo por origem uma base real: um preço de capa consistente com todo o valor agregado na cadeia de que o livro é produto final. Simples assim.

Há nisso tudo – na resistência a que se aumente o preço de capa do livro – um grande engano sobre o que seja uma editora, francamente compreendida como a exploradora, como aquela que espolia autores, livreiros etc., quando, na verdade, e cada vez mais, é a única (repito: a única) a correr riscos em todo o processo, e isso tendo margens de lucro progressivamente menores, para o que muito contribui esse auto-boicote, essa deturpação que impõe, ainda pior que o congelamento, o rebaixamento de preços. Não é aceitável que armemos a forca contra nossos próprios pescoços.

Este conteúdo foi originalmente publicado no blog oficial da Editora Record. O La Oliphant é responsável apenas pela reprodução do mesmo.

Resenhas 09out • 2017

O Príncipe Corvo, de Elizabeth Hoyt

Eu tinha todas as expectativas possíveis em cima de O Príncipe Corvo, principalmente por causa do hype em cima da autora, Elizabeth Hoyt, quando o livro foi anunciado no Brasil pela Record. Eu sou completamente apaixonada por romances de época, então não é preciso muito para me convencer a entrar de cabeça em um romance, e O Príncipe Corvo logo se tornou uma das leituras que eu mais queria fazer este ano. O problema? Elizabeth Hoyt conseguiu reunir em um único enredo uma boa parte de todas as coisas que eu menos gosto num enredo e isso causou um grande desapontamento com o livro.

O Príncipe Corvo vai contar a história da Anna Wren, uma viúva respeitável que consegue o emprego de secretária do conde. O conde em questão não é bem a pessoa mais simpática que Anna iria conhecer em sua vida. Com uma personalidade grosseira e um jeito mais do que retraído, Anna tenta de todas as formas se aproximar do seu novo patrão e quebrar as barreiras que ele colocou em torno de si. Porém, não demora muito para que a atração entre eles se torne cada vez mais irresistível. Seria o conde capaz de olhar para Anna com outros olhos e ela capaz de ver aquele conde rabugento além das aparências?

Ah, o enredo de O Príncipe Corvo tinha tudo para ser uma das minhas melhores leituras este ano, juro! Não tem nada que eu ame mais do que uma leitura que explora a beleza além das aparências e personagens cheios de conflitos internos e inseguranças. Porém, por mais que eu tenha gostado do enredo em geral e achado a história mais do que interessante, acredito que a autora tenha pecado demais na construção do enredo em si, principalmente no que se trata do desenvolvimento dos personagens e do enredo como um todo.

Raiva. Anna sentiu raiva. A sociedade poderia não esperar o celibato do conde, mas certamente esperava isso dela. Ele, por ser homem, poderia ir a casa de má reputação e aprontar por toda a noite com criaturas sedutoras e sofisticadas. Enquanto ela, por ser mulher, deveria ser casta sem nem ao menos pensar em olhos escuros e peitos cabeludos. Simplesmente não era justo. Nem um pouco justo.

O enredo de O Príncipe Corvo se desenvolve tão rápido que a sensação que eu tive era de estar correndo uma maratona. Todos os plots criados pela autora são apresentados de supetão e resolvidos de uma página para a outra sem muita explicação. Há tanta coisa acontecendo na história além do romance principal, que você não sabe exatamente no que focar a sua atenção primeiro. O mesmo acontece em relação ao romance dos personagens principais que, apesar de ser muito bonito de se acompanhar, não tem profundidade e o leitor não consegue sentir que realmente existe amor além do desejo e da atração física que obviamente eles sentem um pelo outro.

Felicity foi o meu maior problema o livro inteiro. Uma personagem secundária que é apresentada aleatoriamente, que não tem nenhum tipo de influência na história e que é simplesmente descartada sem nem ao menos ter a chance de justificar o porquê da sua existência. Dado aos motivos pelos quais ela supostamente estava no livro, eu realmente esperava que ela fosse muito mais “vilã” do que ela realmente. Eu esperava que ela se destacasse ou que fizesse alguma coisa que me chocasse ou pelo menos me prendesse o suficiente na história. Mas não foi isso que aconteceu, não é? Felicity que tinha muito o que contribuir para O Príncipe Corvo, foi mais um plot desperdiçado pela autora, infelizmente.

Dreary ficou por ali por mais um tempo e então deve ter ido embora, porque, depois de alguns instantes, Edward descobriu que estava sozinho. Ele se sentou diante do fogo apagado em seu quarto, sozinho.
Mas era assim que, até muito recentemente, ele estava acostumado a viver.
Como um homem sozinho.

Apesar de inúmeros pontos negativos, eu tenho que admitir que os personagens principais realmente formam um bom casal romântico. Eu gostei muito da Anna enquanto heroína, ainda mais por ela não ser passiva e não ficar esperando que as coisas simplesmente acontecessem com ela. Acho que o fato de ela ter dado o primeiro passo para conquistar Edward, considerando a época em que o livro se passa, foi uma das cenas mais “empoderadas” do livro. E Edward, por ser um personagem inseguro e cheios de traumas pessoais, onde cabe a Anna mostrar para ele que sim, ele merece ser amado profundamente como qualquer outro ser humano, torna essa inversão de papéis ainda mais perfeita. Hoyt acertou muito quando resolveu apostar nesse casal.

Não vou dizer que O Príncipe Corvo foi uma experiência de leitura ruim, porque não foi. Minha maior preocupação em romances desse tipo é em como a autora vai desenvolver as cenas de sexo e em como o sexo em si vai influenciar na relação dos personagens principais. E eu gostei bastante de como a autora não usou o sexo como “algo a mais” na história, mas fez com que o ato tivesse suma importância no enredo em si e trouxesse consequências para o casal principal.  Eu gostei muito do envolvimento físico dos dois, acho que fez com que eles se tornassem um pouco mais real para mim.

Eu tenho muita esperança que no segundo livro da série, O Príncipe Leopardo, as coisas sejam um pouco diferentes, até porque o enredo tem uma “pegada” completamente diferente. Elizabeth Hoyt tem uma boa escrita, consegue construir boas cenas de sexo e traz heroínas apaixonantes e independentes, porém, a autora peca demais no desenvolvimento da história, deixando várias pontas soltas pelo caminho e personagens que tinham tudo para trazer um “a mais” para a história, mas que acabaram sendo esquecidos ou ofuscados pelo romance. Confesso que, com todo o hype em cima do livro e todos os comentários positivos que eu vi sobre o livro, esperava terminar essa leitura com uma sensação diferente. Foi uma boa leitura? Foi. Mas poderia ter sido muito melhor.

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Resenhas 30set • 2017

O Sorriso da Hiena, por Gustavo Ávila

O Sorriso da Hiena é um livro de literatura policial escrito pelo brasileiro Gustavo Ávila. Primeiramente lançado de forma independente, Gustavo conseguiu alcançar o público chamando atenção da editora Record, suas vendas e a críticas lhe renderam uma republicação em 2017 sob o selo Verus. Centrado em uma série de assassinatos envolvendo crianças, o livro é uma viagem pelas questões de ética profissional e a moral humana.

“A mulher encarou o filho, tentando fazê-lo se acalmar, aquele olhar materno com efeito sedativo, tranquilizador, quase como um abraço. Piscou com força para fazer cessar as lágrimas, como quem tenta dizer que vai ficar tudo bem, que vai acabar logo. E foi assim que os olhos de sua mãe, que sempre conseguiram dizer tudo sem precisar de uma palavra sequer, silenciaram para sempre ao som de uma arma de brinquedo.”

Eu simplesmente adorei a leitura de O Sorriso da Hiena, a trama criada pelo Gustavo conseguiu ser eletrizante do início ao fim, os cliffhangers deixados ao final dos capítulos me levaram a não querer largar o livro. A ambientação foi o que eu mais gostei. A descrição das cenas foi extremamente vívida, era como se eu fosse transportada para dentro do livro, alguns lugares me lembravam minha cidade, andando na rua eu sentia que podia cruzar com o Artur ou o William a qualquer segundo. Toda a trama que cerca David, e o motivo para ele cometer tais assassinatos, possui uma profundidade muito boa para quem quiser explorar, o maior mérito do livro em minha opinião.

“E a dor, Sr. William, ela é contagiosa feito uma doença. Lá dentro a única coisa que eu aprendi foi a passar a minha pra frente, na esperança de que ela sumisse de vez. Mas ela não sumiu. E, não importava quantas vezes eu machucasse alguém, a minha dor continuava em mim.”

A moralidade é posta em prova durante toda a leitura. David tem um objetivo ‘nobre’ para realizar os assassinatos, ele precisa saber qual a origem do mal. Até que ponto a dor empregada na infância faz com que a criança se torne um agente da violência mantendo esse ciclo sem fim? Para descobrir a resposta ele entra em contato com um prestigioso psicólogo, William, seu doutorado analisava casos reais de crianças que passaram por situações violentas na infância, levantando perguntas sobre a relevância de eventos violentos no desenvolvimento de traumas e na moldação do caráter. David comete os assassinatos e encaminha as crianças para o psicólogo na busca de entender se ele é um monstro insensível por conta do que passou na infância, ou se o é por natureza.

Todas as famílias são diferentes, o ritual é sempre o mesmo e as vítimas são os pais. As crianças, amarradas em uma cadeira, se vêem obrigadas a assistir a morte dos pais. William é um exemplo de profissional e de cidadão, é atencioso com os pacientes, realiza trabalhos voluntários, é amado pela noiva e amigos, e tudo isso começa a ruir quando ele vê a chance de realizar o seu estudo, mesmo que os caminhos que o levaram a essa chance sejam sujos de sangue.

– Por que fica escuro de noite?

–  Por que você acha que fica escuro à noite, Luiza?

–  Eu perguntei primeiro.

Então eu expliquei, inclusive com desenhos, que era quando o sol estava do outro lado da Terra. Que ele dava a volta para iluminar o outro lado.

Ela me chamou de mentiroso.

Eu perguntei por quê.

Ela me disse que Felipe, um dos seus pais, tinha lhe dito outra coisa.

Em suas palavras:

–   A noite é escura porque é quando as cores dormem.”

Gustavo também soube trazer a narrativa policial para a realidade do nosso país. A dificuldade que a polícia encontra durante a investigação, a falta de intercambio entre as polícias de zonas afastadas e os interesses econômicos interferindo no processo, são exemplos de como a história cabia em nossa realidade. Em tempos onde muitos escritores vivem tendo a literatura americana como base, saber adaptar o gênero para a nossa cultura é essencial. O livro também é corajoso em matar personagens e descrever cenas mais sangrentas, senti o nervoso da situação na pele em diversos trechos.

A minha única crítica negativa é que o autor foi um pouco explicativo demais em algumas partes, o autismo do detetive Artur é um exemplo. Caberia deixar subentendido ao leitor, o escritor já havia deixado pistas o suficiente, uma coisa ínfima perto da qualidade do livro. Se você é fã do gênero, ou está a fim de se aventurar nesse tipo de literatura, O Sorriso da Hiena é uma ótima pedida. Você vai se deparar com um livro excelente, e o melhor de tudo? É literatura nacional.

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Entrevistas 23ago • 2017

Sophie Kinsella fala sobre a inspiração por trás de “Minha Vida Não Tão Perfeita”

O primeiro livro da série Shopaholic, mundialmente conhecido, Os delírios de consumo de Becky Bloom, apresenta Becky Bloomwood, jornalista financeira cuja “vida perfeita” é supostamente fundamentada pela esmagadora dívida de cartão de crédito. A autora, que está na lista de bestselling, revisitou sua protagonista fascinante no decorrer de mais sete livros e um conto e escreveu vários outros romances, incluindo o livro young adult, A Procura de Audrey. Cada um de seus livros se aprofunda em um tema contemporâneo diferente enquanto acolhe o leitor com seus personagens confiáveis ​​e uma dose liberal de humor.

Em seu último romance, Minha Vida Não Tão Perfeita, Kinsella examina nossa obsessão atual com as mídias sociais e o impulso de projetar uma vida perfeita através de uma presença on-line cuidadosamente administrada. Enquanto Katie Brenner luta para chegar ao fim da busca pela carreira de seus sonhos em Londres, ela cobiça a vida de seu chefe glamouroso e publica fotos perfeitamente editadas de cafes, amigos e uma vida extremamente brilhante que, na verdade, não é dela.

Quando, de repente, perde seu emprego, Katie precisa voltar para a sua terra natal e acabar com a fachada de sua vida perfeita, descobrindo uma visão diferente de seu chefe no processo. Com sede em Londres, Kinsella conversou com o entrevistador Regan Stephens sobre as mídias sociais, o mito da vida perfeita e aprender a ser uma mãe mais relaxada.

Minha Vida Não Tão Perfeita explora o tema da percepção versus a realidade através da lente das mídias sociais. De onde veio a ideia?

Eu sempre escrevi sobre o que vejo à minha volta. Quando comecei a escrever Shopaholic, foi porque vi todo mundo comprando demais, inclusive eu. Eu sempre tive esse radar, seja por vício no trabalho ou qualquer outro tema, e fiquei fascinada com a explosão das mídias sociais. Eu acho que isso trouxe uma parte de nós que sempre existiu. Nós sempre quisemos mostrar a nossa melhor versão e causar uma boa impressão. As pessoas costumavam ter seus retratos pintados – isso não é nada novo, o instinto sempre esteve lá. Mas acho que com as redes sociais você adiciona uma nova dimensão. Você pode se esconder por trás disso, você pode apresentar uma nova frente, e pode ser que as pessoas com quem você está conectado nunca o vejam pessoalmente, então essas pequenas ficções – que todos nós entregamos – nunca são verdadeiras.

Em contraste, somos seres humanos e somos construídos para pegar sinais, então você pode encontrar uma amiga e ela começar dizendo que tudo é maravilhoso, mas você prestar atenção na expressão que ela faz, ou nos olhos dela, ou na risada nervosa, você pode perceber a verdade por trás dessa imagem. Mas com as redes sociais você não tem isso; você apenas tem a imagem. E parece ser algum tipo de convenção essa informações e imagens que colocamos on-line e que ninguém quer quebrar. Então estamos presos neste ciclo de “isso não é ótimo?”. Não há nada de errado com isso, exceto que isso se torna a nossa percepção do que é realidade e eu acho que se você se sente insegura, ao invés de ver as fotos de férias de alguém e pensar: “Bem, esse é apenas um dos lados da história”. Você pode achar que essa é toda a história e isso pode diminuir sua própria autoestima.

Como uma pessoa pública, você sente mais pressão para apresentar uma determinada personalidade aos seus seguidores nas mídias sociais?

Eu acho que há um equilíbrio. Obviamente, se eu postar uma foto online, eu irei postar a melhor foto. Você entende, é sempre décima foto, sempre! Você se torna consciente do que você está projetando. Mas engraçado é que todo mundo agora está colocando pressão em si mesmos como se estivéssemos constantemente vivendo aos olhos do público, simplesmente porque esse público existe. Na verdade, em vez de mais pressão, eu penso que é o contrário. Todo mundo está sentindo mais pressão. E acho que isso não é bom para a psique. Só precisamos relaxar e ser mais honestos.

Acho que a verdade é que todos estamos aprendendo e encontrando nosso caminho com as redes sociais. É tão novo, e acho que todos ficaram um pouco excitados; Era como um brinquedo novo. Ainda não estamos lá, mas vamos encontrar o nosso caminho, vamos encontrar um equilíbrio. E acho que as pessoas vão diferir. Algumas pessoas querem compartilhar, e algumas pessoas não querem compartilhar – isso é outra coisa, esse sentimento que você tem que compartilhar. Vamos encontrar um equilíbrio, mas ainda não chegamos, e acho que houve algumas perdas ao longo do caminho.

Eu notei que o livro inspirou seu próprio feed do Instagram – você está ganhando seguidores? Você já teve seu momento “Minha Vida Não Tão Perfeita”?

Desde que escrevi o livro, quando as coisas dão errado, eu comecei a usar esta frase dentro de casa e isso me animava. Quando algo der errado, eu digo “não tão perfeito”. O que é, você cresce, e você vai à escola, e todos dizem que você deve se dedicar o máximo possível, você deve tentar obter 100%. Você tem esses padrões batendo em você. E, embora seja bom se dedicar para conseguir 100 por cento, nem sempre é possível na vida. É bom ter esse conhecimento e deixar de cobrar tanto de nós mesmos. Porque realmente as pessoas desperdiçam muito tempo preocupando-se com esse tipo de coisa e medindo seus gostos. É uma conexão real com as pessoas? Devemos estar tão preocupados? Eu acho que vamos olhar para trás e ver algumas dessas coisas não são o jeito certo de ser. Nós devemos passar por isso para aprender, de verdade.

O livro está dividido em duas partes: a primeira parte caracteriza Cat em Londres e a segunda parte é Katie em Somerset. Você pode falar sobre essa escolha estrutural?

A ideia é parecer que ela realmente teve duas vidas completamente diferentes. A coisa toda é essa dualidade – ela tem dois locais em sua vida, dois nomes, duas identidades – então, parece ser realmente natural para que ela tivesse uma sensação de viver duas vidas diferentes. Na cópia concluída há um desenho de linha de Londres e um desenho de linha do campo, e é tão lindo. Apenas resume as duas partes da vida da personagem.

Esta é uma garota sentindo, erroneamente, que ela tem que escolher entre as duas e se definir através de uma ou outra. Ela cobra muito de si mesma, ela está tentando lutar por essa vida perfeita de Londres, que é um mito. Ela está sentindo que se ela fizer isso, ela precisa abandonar sua vida antiga e seu antigo nome. Ela está vivendo esta vida de ficção, na verdade. Ela perpetua a perfeição da vida em Londres e consequentemente acaba mentindo para a família sobre sua situação no trabalho porque não pode admitir que as coisas não estão ótimas. Este é um livro amadurecimento para Katie – para ela se sentir feliz em sua própria pele, mergulhar sob a imagem e perceber que ninguém é ou tem a vida perfeita.

Há um romance, obviamente, mas para mim a relação-chave é entre ela e esse chefe, Demeter, que também está vivendo uma espécie de ficção. Ela irradia o quadril perfeito, a vida linda de Londres. Isso é interessante, porque isso não é culpa das mídias sociais. Isso é apenas uma parte, um reflexo do que acontece quando você vive uma vida profissional e projeta uma imagem, enquanto a sua vida real pode ser bastante diferente …. Ao ver que seu ídolo de amor / ódio não é perfeito, Katie é capaz de se tornar mais confiante em si mesma, perceber que nada é ideal e encontrar um lugar mais realista e feliz na vida, que não depende de nenhum tipo de ficção ou mito, mas é real e fundamentado e cheio de grandes valores e pessoas que ela ama. Espero que ela acabe em um lugar muito melhor depois de perceber tudo isso.

Mesmo sabendo que ela criou uma realidade falsa para si mesma, Katie ainda acredita que seu chefe tem a vida perfeita. Por que é tão difícil para nós acreditar que outras pessoas têm problemas e defeitos, quando sabemos que nossa própria mídia social é, pelo menos até certo ponto, fabricada?

Este é um defeito do ser humano. Podemos perder todo senso de lógica por causa da insegurança. Nós pensamos: “eu posso ter uma cozinha desorganizada, mas eu aposto que ela não tem”. A dela é perfeita. Estou ciente disso em mim mesma. Eu vejo alguma impressão de perfeição on-line, vou ver uma família (esse é o calcanhar de Aquiles) e eles estão brincando juntos – jogo criativo – e eu acho, “Oh não. Eles fazem isso o tempo todo e eles são muito melhores do que eu, e eles nunca veem televisão ou brigam um com outro!” E eu não deveria me sentir assim porque, afinal, eu escrevi um livro inteiro sobre isso e eu deveria saber lidar com isso melhor.

Katie imita sua chefe, Demeter, a quem ela imagina ter a vida perfeita. Existe alguém que você imitava quando estava começando? Você já pensou sobre essa pessoa agora com outros olhos?

Não havia ninguém em particular que eu olhasse e desejasse ser igual, mas definitivamente houve gente de quem eu já senti vontade de imitar – havia uma editora no circuito quando eu era jornalista, e ela era conhecida por ter tomado conta de sua revista com a idade de 25. Todos pensaram que ela era incrível, e fiquei um pouco obcecada. Como ela fez isso, e eu como poderia ser como ela? Eu não era nada como ela, o que mostra o quão ridículo é. E nem mesmo queria ser uma editora de uma revista financeira.

Penso que é natural se enquadrar nas pessoas e pensar: “Bem, este é o meu modelo, e vou ver o que fizeram porque você precisa de algum tipo de guia”. Outras pessoas que eu olhei, foram as que tiveram seus filhos antes de mim, e as examinei e pensei: “o que eles fizeram, quais decisões tomaram?” Eu olho para alguém que esteve lá antes de mim e tento me mapear através deles. O que pode ser útil, ou pode ser realmente estúpido ou irrelevante porque a vida deles não é nada como a minha, e eu aprendi isso. Eu acho que tenho uma propensão natural para comparar e contrastar. É um instinto tão natural, e pode ser útil, e pode ser um completo desastre.

Seu primeiro romance foi publicado em 2000. As expectativas dos leitores mudaram, particularmente no que se refere aos interesses e às parcelas românticas?

Eu realmente nunca senti nenhuma mudança ou reação particular. O que meus leitores me falam, acima de tudo, é: “Eu ri. Adoro seus livros porque me fazem rir”. E às vezes eles fazem meus leitores chorar e pensar. E essas são as três reações que eu recebo, e eu suponho que estou sempre tentando equilibrar meus livros. Eu adoro escrever comédia, e mesmo que eu esteja tentando transmitir uma mensagem, eu gosto de fazer isso com humor. Não sei se poderia desistir disso; sou extremamente viciada em uma trama que faz você virar as páginas. Eu acho que os meus leitores gostam de algo para se mexer e pensar.

Esta entrevista foi originalmente publicada no Goodreads. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

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