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Internet 15fev • 2018

Princesa de Papel: do slut-shaming a glamorização do relacionamento abusivo

Uma vez eu tinha feito um vídeo no canal falando de Princesa de Papel. Foi logo quando eu liberei a resenha do livro e eu senti uma vontade desesperadora de expressar o quanto eu estava incomodada com esse livro. Foi um vídeo bem corrido, não vou mentir. Eu não tinha feito roteiro e provavelmente deixei de levantar pontos muito importantes quando gravei. Por fim, o tal do vídeo acabou indo embora na leva de vídeos que eu excluí do canal do blog e o assunto “Princesa de Papel” passou a ser mencionado sempre que alguém perguntava um livro que eu não gostava.

Então por que voltar neste assunto? Eu tenho sentido uma falta muito grande de me expressar por aqui. Nas minhas últimas conversas com pessoas da blogsfera eu percebi que eu tenho muito a dizer sobre muitas coisas e, por que não compartilhar tudo isso com vocês, não é? Para começar, Princesa de Papel foi uma leitura que mexeu muito comigo, e de uma forma muito negativa. Me levou de volta a um período da minha vida que foi bem ruim e é um livro sobre o qual eu tenho uma lista enorme de coisas para discutir com vocês. Então por que não começar com ele, não é mesmo?

Não me aprofundando muito na sinopse do livro, mas esclarecendo um pouco do enredo para quem nunca passou perto de Princesa de Papel, o livro conta a história da Ella Harper, uma garota órfã que descobre que seu pai é milionário e que deixou a tutela dela nas mãos de seu melhor amigo, um Royal. O mundo da jovem vira de cabeça para baixo quando ela se muda para a mansão de seu tutor e passa a conviver com os seus cinco filhos que, obviamente, acreditam que Ella é mais uma pessoa com interesse em tirar vantagem da família. Não preciso dizer que a convivência deles não é nada fácil, né?

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Resenhas 20jun • 2017

Garota em Pedaços, por Kathleen Glasgow

Garota em Pedaços é um romance young adult, e é o livro de estréia da americana Kathleen Glasgow. O livro, lançado em março de 2017 pela Planeta Brasil, conta a história de Charlotte, uma adolescente que passou por momentos difíceis em sua vida. Além de sofrer bullying na escola, Charlotte acaba perdendo seu pai, e sua melhor amiga. Por causa de tudo isso, Charlotte se auto mutila e isso a leva a ser internada em um hospital psiquiátrico.

Quando o plano de saúde de sua mãe suspense seu tratamento, Charlotte se vê forçada a deixar sua cidade natal de Minneapolis, e ir morar na ensolarada Tucson. Completamente sozinha pela primeira vez em sua vida, Charlotte precisa se virar sozinha para conseguir um emprego e um lugar para morar. Para ocupar sua mente e evitar o círculo vicioso da dor, Charlotte se foca no seu talento para o desenho, e nas pessoas que conhece em sua nova cidade.

Eu tenho que admitir que Garota em Pedaços é um tipo de livro que eu não leio. Histórias sobre saúde mental, que mostram personagens passando por situações difíceis e lutando por suas recuperações são com certeza importantes, e completamente necessários para desconstruir o estigma que a sociedade ainda tem com as pessoas neuroatípicas. Mas histórias assim realmente não se encaixam nos meus gostos, já que eu tenho uma tendência a gostar mais de histórias fantásticas.

Mesmo com a minha predisposição a não curtir livros desse estilo, Garota em Pedaços acabou me surpreendendo. O livro segue Charlotte por vários momentos de sua recuperação, e é impossível não torcer para que as coisas acabem bem pra ela. Esse tipo de enredo pode ser arriscado, pois depende muito da afinidade que o leitor tem com o personagem. Vi algumas resenhas falando que não gostaram tanto da personagem e, consequentemente do livro, mas pra mim, tudo funcionou bem.

Apesar de ter gostado do livro, ele tem alguns pontos que me incomodaram. A narração do livro, feita pela própria Charlotte, é um pouco dispersa demais pro meu gosto. Não existe uma divisão de capítulos, somente trechos dos pensamentos de Charlotte, como se o livro fosse o diário dela. Imagino que existem pessoas que gostem desse estilo de narração, mas infelizmente eu não sou uma delas. Essa narração acabou deixando o livro um pouco desconecto, e em alguns momentos, eu tive que reler certas partes pra entender quanto tempo passou entre um trecho e outro.

Outro problema que eu tive com o livro é o fato de que ele tenta explorar coisas demais. A história da Charlotte já é uma história pesada por se tratar de saúde mental e de automutilação. Mas o livro ainda tenta falar sobre anorexia, drogas, alcoolismo, estupro, relacionamentos abusivos, entre outras coisas. Acaba ficando um pouco lotado demais, e em partes tira a atenção do que devia ser o foco da história: Charlotte e sua recuperação.

Tendo dito isso, Garota em Pedaços tem uma mensagem importante sobre recuperação, e mostra com bastante sinceridade como é a experiência de alguém que vive esse tipo de coisa. A jornada de Charlotte é emocionante, quando é mais focada nela e nos seus problemas, e a escrita da autora é efetiva em passar as emoções da protagonista.

Garota em Pedaços me parece ser um livro para um tipo específico de público. Se você gosta de histórias pesadas, focadas em saúde mental e em temas como suicídio e abuso, deve gostar de Garota em Pedaços. Se você for mais como eu, alguém que prefere uma história fantasiosa e menos realista, não sei se esse é pra você. Mas eu recomendaria para todos simplesmente pela mensagem de saúde mental que o livro passa.

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Resenhas 05maio • 2017

O Guardião Invisível, por Dolores Redondo

O Guardião Invisível é um mistério policial, escrito pela autora espanhola Dolores Redondo, e publicado pela Editora Planeta em 2017. O livro se passa na região norte da Espanha, mais especificamente num povoado em Navarra onde, nas margens do rio Baztán, o corpo de uma adolescente é encontrado. As circunstancias do crime levam a polícia a acreditar que um seria killer pode estar agindo na região, e a investigadora Amaia Salazar é convocada para a região, que também é sua terra natal.

Amaia precisa então aplicar todo o seu conhecimento de investigadora para desvendar esse terrível mistério. Mas o que ela não imagina é que existe muito mais escondido na pacata região de Navarra do que ela imagina e que essa investigação vai ser muito mais difícil do que o esperado.

O Guardião Invisível foi um livro que eu entrei sem muitas expectativas. Não sei se dá pra perceber olhando as resenhas que eu já fiz, mas eu não tenho o costume de ler livros policiais. Gosto mais de livros mais fantasiosos, mas a sinopse me pareceu interessante e as críticas que eu vi do livro foram positivas, então achei que seria uma leitura interessante. E realmente foi, apesar de alguns problemas.

O primeiro problema do livro é que ele demora pra entrar no tranco. A história só começa a ficar realmente interessante lá pela metade do livro, e eu imagino que vai ter gente desistindo bem antes de chegar nessa parte. E a história em si é boa, ela só leva um bom tempo pra realmente começar, o que acabou me desanimando bastante da leitura.

Outro problema que me incomodou com o livro foram os diálogos. Algumas das falas dos personagens são longas e isso deixa alguns dos diálogos mascantes. Mais uma vez, isso melhora lá pra metade do livro, quando a investigação fica mais séria, mas demora um pouco. Eu acho que demorei mais no primeiro terço do livro do que nos outros dois terços. A leitura realmente fica melhor quanto mais perto do climax você chega.

Por outro lado, o livro também tem pontos positivos. Começando pela protagonista. Amaia é uma personagem forte e complexa, que passa por vários momentos durante o livro que mostram muito bem o tipo de mulher e de detetive que ela é. Com uma protagonista menos fraca, o livro poderia ter sido bem menos interessante, mas ela conseguiu carregar a história muito bem. Infelizmente, os personagens de apoio acabam sendo menos marcantes já que a Amaia e o mistério em si são os pontos mais importantes do livro.

O próprio mistério foi outro aspecto do livro que eu gostei bastante. A trama das adolescentes assassinadas parece algo de algum filme de Hollywood, e eu achei muito interessante como a autora misturou isso com o folclore e os costumes da região onde acontece a história. Eu tinha comentado com a Débora o quanto a gente tá acostumado com histórias centradas nos Estados Unidos ou na Inglaterra, então foi muito legal ler uma história que se passa em um país diferente.

E a própria escrita da autora foi outro ponto bem legal do livro. Apesar do problema que eu tive com os diálogos e com o começo do livro, a narração da Dolores Redondo é bastante eficaz, principalmente em momentos mais dramáticos, por exemplo nas cenas de autopsia do livro. Ela conseguiu passar muito bem aquelas emoções mais tensas e perturbadoras.

No geral, O Guardião Invisível foi uma leitura um tanto quanto mediana. Um enredo interessante, uma protagonista forte e uma escrita agradável acabam sendo prejudicados por diálogos tediosos e por um ritmo lento, pelo menos no começo. Acho que para alguém que gosta de livros de mistério policial, seria uma boa indicação, mas pessoalmente não faz o meu estilo.

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Resenhas 17mar • 2017

Princesa de Papel, por Erin Watt

Princesa de Papel um dos casos clássicos onde eu estava muito animada para fazer a leitura, mas acabei sendo decepcionada pela história e personagens. Honestamente? Eu consigo fazer uma lista muito longa de coisas que estão erradas com esse livro, começando com a ideias expressadas na história e indo até o desenvolvimento do enredo e personagens – prometo que eu vou fazer essa lista em vídeo para vocês em algum momento. Mas antes de começar a esculhambar a história, vamos primeiro entender do que se trata o enredo.

Princesa de papel é o primeiro livro da série The Royals e conta a história de Ella Harper, uma garota órfã que trabalha como stripper numa casa noturna para conseguir juntar dinheiro suficiente para pagar seu aluguel e bancar seus estudos.

Eis que, um dia, Callum Royal aparece na sua vida alegando ser melhor amigo do seu falecido pai e, oficialmente seu responsável legal. Sem ter muito para onde correr, Ella vai morar com Callum e seus cinco – maravilhosos, fortes, gostosos, livros – filhos na mansão Royal. O único problema é que nenhum dos garotos parece aceitar muito bem a presença de uma nova moradora naquela casa, principalmente Reed – e Ella começa a se perguntar se ele não está certo.

A primeira vez que eu li essa sinopse, pensei ter encontrado um romance adolescente que realmente iria conquistar meu coração e, se eu soubesse naquela época o quanto eu me enganaria com esse livro, não o teria colocado na minha lista de leitura.

Para começar, Princesa de Papel é uma perpetuação do machismo em cada página. Desde o momento que Ella coloca os pés dentro da mansão Royal, ela sobre todo o tipo de comentário ofensivo/agressivo dos irmãos Royals e, de alguma forma, a autora do livro coloca essas agressões de maneira tão constante que parece ser algo “normal” dentro do universo do livro – o que não deveria ser.

E vocês acham que para por aí? A escola nova de Ella é governada pelos Royals – e ninguém estava esperando por esse cliché, não é mesmo? Sendo assim, tudo o que eles dizem é lei e adivinha quem foram os fofos a pintarem a nova integrante da família como uma “vadia” para todo mundo? Isso mesmo, os Royals. A partir daí o livro se resume a uma guerra de ofensas onde a personagem principal tenta desesperadamente viver um único dia de aula sem ouvir xingamentos como “puta”, “piranha”, “vadia”, “vagabunda”, “lixo” e ainda especulações de que ela possui todo o tipo possível de DST.

Talvez eu conseguisse deixar isso passar se o enredo me trouxesse algo a mais, mas sendo bem honesta, Princesa de Papel não vai muito além de uma discussão interminável sobre o fato de Ella ser ou não ser uma puta.

O livro traz um slut shaming muito forte para o enredo, onde a personagem principal é constantemente agredida por outras garotas dentro do livro, tendo uma cena em que ela se vê obrigada a fazer um teste de líder de torcida usando apenas um lingerie barata. E se isso já não é revoltante o suficiente para vocês, a autora ainda faz comentário depreciativos a certas características físicas, como cabelos cacheados e estar acima do peso.

As coisas nunca melhoram no enredo, sendo bem honesta. A autora – por algum motivo – acho que era uma boa ideia construir um relacionamento entre Ella e seu principal ofensor, Reed, dando a ideia de que quanto mais o garoto te ofende, te chama de vadia e espalha por aí que você tem DST, mais forte é a atração que ele tem por você. Porque é exatamente isso que acontece durante o romance entre esses dois personagens. Reed está constantemente agredindo Ella verbalmente, ameaçando a integridade física e moral dela e, mesmo assim, eles acabam se entregando a uma “paixão” avassaladora – que é deixado claro pela autora que surgiu de todas essas “provocações”, segundo a mesma.

Princesa de Papel é um grande saco de bullying, onde os personagens principais estão sempre agredindo alguém fisicamente só porque eles não seguiram o “decreto Royal”. Eu realmente não sei de onde Erin Watt tirou que seria uma boa ideia escrever um livro com adolescentes ricos e completamente depravados, como se o fato de eles terem dinheiro e serem de uma “elite” fosse justificativa para ter um comportamento desumano. Confesso que eu fiquei completamente enjoada com todas essas ideias erradas sendo propagadas como se fosse algo “comum”.

Infelizmente, por mais que a escrita da Erin Watt não seja ruim, nós avaliamos aqui uma experiência de leitura, um enredo e também os personagens de uma história. Seria muito errado da minha parte dar uma nota diferente da que eu estou dando para esse livro, quando todo o conjunto da obra me deixou completamente enjoada e chocada com a forma como o universo de Princesa de Papel foi construído.

Eu realmente espero que, por ser um primeiro livro, a autora tenha tido a chance de repensar a história e construir algo melhor no segundo livro da série.

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Resenhas 25fev • 2017

Ruído Branco, por Ana Carolina

Ruído Branco me chegou como um presente e uma sugestão. Presente, pois se trata do primeiro livro de uma das cantoras que mais admiro, Ana Carolina. Sugestão, porque foi uma chamada para voltar a ler poesias, poemas, prosas e afins, hábito que tive no início da adolescência mas se perdeu com o tempo.

“O homem que há em mim, se apaixonou perdidamente pela mulher que eu sou”

Composto por pensamentos poéticos passados para o papel, Ruído Branco é um livro totalmente autobiográfico. Nele você encontra histórias da vida da autora, às vezes em forma de poesia, às vezes em forma de prosa e muitas vezes em forma de desabafo. Ana Carolina desfia sua vida de tal maneira, que em muitos momentos é possível viver exatamente o sentimento que está sendo apresentado.

Dor, amor, raiva, angústia, prazer são tão presentes nos textos e imagens de Ruído Branco, que quase podemos assistir os acontecimentos descritos. Apesar de envolvente, alguns versos podem parecer superficiais. Precisei ler novamente para encaixá-los no contexto do livro.

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No livro encontramos também algumas obras gráficas criadas por Ana Carolina e uns versinhos escritos na infância da cantora. Achei até alguns versinhos melhores que os escritos na fase adulta (Sorry!!). O interessante é ver como se deu o amadurecimento da autora e como eram seus pensamentos durante a infância/adolescência.

Ruído branco é uma experiência de música, literatura e artes visuais, que inspirou a nova turnê de Ana Carolina, que leva o mesmo nome. Super recomendo para quem curte poesias e poemas (prosas, crônicas,…) modernos (com cara de “textão”). Além disso, ele é lindo fisicamente falando! Curtam bastante!

Resenhas 17out • 2016

Azeitona, de Bruno Miranda

Azeitona é um romance nacional, e é o livro de estréia de Bruno Miranda, criador dos canais Bubarim e Minha Estante. O livro foi lançado em Abril pela Editora Planeta, e conta a história de Ian, um adolescente que vive sozinho com sua irmã desde que sua mãe morreu e seu pai foi embora. Ian e Íris vivem bem sozinhos, mas as coisas se complicam quando Iris descobre que está grávida de seu namorado, e a situação financeira deles fica mais complicada.

Enquanto espera por Íris na sala de espera do consultório médico, Ian conhece Cassandra, produtora de um reality show sobre jovens que vão ser pais. Cassandra, achando que Ian está esperando sua namorada, o convida para fazer parte do programa. Ian, vendo uma chance de ganhar o dinheiro que precisa para ajudar sua irmã, cria um plano para entrar no programa, e convida sua colega de escola, Emília, para fazer parte.

Emília, que quer muito sair de casa e não ter mais que lidar com sua mãe, aceita fazer parte do plano. Mas é lógico que não vai ser tão fácil assim enganar não só a produção do programa, quanto suas famílias. Principalmente quando o namorado de Emília, Gael, decide se envolver na história.

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Pra começo de conversa, vamos falar sobre a escrita do livro. Quem já viu algum dos vídeos do Bruno, sabe que ele é bastante engraçado, sempre com roteiros divertidos. E esse humor também está presente em Azeitona. A narração em terceira pessoa, principalmente nas partes do Ian, são bem divertidas, e dá pra ver que o autor se empenhou em equilibrar as partes sérias com as mais leves, e todas funcionam bem.

O enredo é bem legal, a ideia de fingir uma gravidez para participar de um reality show sobre gravidez é maluca o suficiente pra resultar em uma história super divertida. O desenrolar da história é bem interessante, e é bem fácil de se mergulhar no plot, tanto que eu li o livro super rápido. Não é daqueles livros que você demora pra ler. Quando você começa, não quer parar.

O livro se aprofunda em temas mais sérios, como abandono e abuso sexual, e a abordagem desses temas é feita de uma forma bem inteligente. Sem querer entregar demais do enredo, é uma abordagem que eu geralmente não vejo em livros desse tipo. O autor conseguiu retratar esses assuntos mais pesados sem sacrificar o ar bem-humorado do livro, o que é bem legal.

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Os protagonistas do livro, Ian e Emília, são bem escritos, e carregam bem a história. Eu gostaria de ter visto um pouco mais de interação entre eles, porque as cenas deles juntos foram bem divertidas, já que eles tem uma química bem legal. A irmã de Ian, Iris, é uma ótima personagem de apoio, e as interações dela com Ian são algumas das partes mais emocionantes da história, principalmente mais pro final do livro.

O namorado de Emília, Gael, é um personagem interessante. Foi legal observar como ele foi se transformando basicamente no antagonista da história ao longo do livro, e os momentos dele foram bastante efetivos pra movimentar a história. Lisa, uma das participantes do programa que também era amiga de infância de Emília, também se torna importante pro desenrolar da história, e é bastante desenvolvida ao longo do livro. Eu gostei bastante das cenas dela com a Emília.

Os outros personagens estão lá como coadjuvantes mesmo. Cassandra, produtora do programa, é muito divertida, morri de rir lendo as falas dela. O namorado de Iris, Leo, é muito fofo, assim como Caio, aluno de tênis do Ian. A mãe de Emília é aquela personagem que te dá raiva de ler, da melhor forma possível. Todos muito bem escritos e cumprem o seu papel dentro da história.

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Eu sei que existe muita controvérsia cercando os livro de youtubers, e eu entendo de onde vem as críticas. Mas, quando me perguntarem o que eu acho desses livros, eu já tenho um exemplo positivo pra citar! Azeitona foi uma surpresa super agradável. Um livro muito divertido, com momentos emocionantes e diálogos bem-humorados e bem escritos. Tenho certeza que os próximos livros do Bruno vão ser ainda melhores do que esse, e eu já quero ler todos.

E vocês, ficaram afim de ler Azeitona? Já leram? Gostam dos vídeos do Bruno? Conta pra gente nos comentários!

Resenhas 10out • 2016

Nerve, por Jeanne Ryan

Não tenho vergonha de admitir que o meu maior incentivo para ler Nerve foi o trailer do filme com a Emma Roberts e o Dave Franco. Acho que isso aconteceu com muitas pessoas que resolveram ler esse livro nos últimos meses. Mas, sendo bem honesta, se a sua vontade de ler esse livro se baseia apenas no trailer do filme, fique sabendo que um não tem nada a ver com o outro. Sim, é verdade. Esse é mais um caso de filme “baseado” no livro, mas sendo bem honesta, se o livro tivesse se baseado no filme, talvez fosse um pouco melhor.

Nerve é um jogo de verdade e desafio, mas sem a parte da verdade. Ao entrar no jogo você pode escolher ser um espectador ou um jogador. Como espectador você desafia as pessoas a fazerem coisas em troca de dinheiro ou outros prêmios. Como jogador, você precisa cumprir esses desafios. Toda a plataforma do jogo é baseada em vídeos, ou seja, para considerar um desafio completo, você precisa filmá-lo. É dentro desse universo que conhecemos Vee, uma garota do ensino médio tímida e que não tem medo de se arriscar. Para provar para os amigos e a si mesma que consegue sair da sua zona de conforto, Vee começa a jogar Nerve, mas o que ela não esperava era que logo o seu primeiro desafio fosse viralizar entre os espectadores do jogo.

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O enredo do livro, pelo menos na sinopse, é bem atrativo. O problema é que a história não cumpre o que promete na contracapa. Narrado em primeira pessoa, no ponto de vista da Vee, Nerve acaba sendo um livro com menos atrativos do que eu estava esperando. Nossa personagem principal é completamente obcecada pela melhor amiga, Sidney, sempre preocupada com o que os outros vão pensar dela, mas principalmente o que a melhor amiga vai pensar dela. E tudo isso se torna a motivação real para que ela tome a decisão de entrar no jogo, o que chega a ser bem idiota, se você for parar para pensar.

Os desafios não são lá essas coisas, o que fica muito mais chato combinados com o drama que Vee faz o tempo todo para completa-los. Sim, nossa personagem principal é um grande bebê chorão. Acho que o mais idiota foi o desafio em que ela tinha que pedir camisinha para dez pessoas e depois cantar uma música. Eu fiquei tipo: “Sério isso”? Achei a maioria dos desafios bem infantis e nenhum deles justificava toda a atenção que Vee estava recebendo, nem mesmo sua dupla dinâmica, Ian, um cara que ela conhece durante um dos seus desafios e que acaba virando seu “par” dentro no jogo.

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A escrita da autora não é ruim, principalmente porque a leitura consegue fluir de uma maneira bastante aceitável. O problema está no enredo e na forma como ele foi construído, assim como os seus personagens. Para mim não foi nem um pouco interessante ver Vee atacar sua melhor amiga por causa de um desafio, muito menos vê-la se envolver com seu parceiro de jogo, mesmo quando o enredo não pedia isso da personagem. A ideia por trás do jogo Nerve era proporcionar verdadeiros desafios, mas ainda assim, eu só via coisas idiotas acontecendo, por prêmios que nem valiam tanto a pena assim.

O livro tem vários pontos completamente desnecessários. Acredito que a autora escolheu ir por um caminho clichê que a história não precisava, como o romance entre Vee e Ian. Tudo bem, eu realmente entendo que ele era um cara bonito do lado de uma garota bonita, mas eles também eram parceiros de jogo e a relação deles não tinha a menor necessidade de ir além disso. Mas foi, e eu não gostei nem um pouco porque não me pareceu algo real, não me pareceu algo com o qual eu conseguiria me relacionar na história.

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Ainda assim, mesmo com todos os outros pontos negativos do livro, acho que o maior pecado da autora foi deixar a história em si girar em torno da amizade de Vee e Syd. Sinceramente? Eu achei ridículo quanto Vee era completamente dependente da melhor amiga, mesmo quando ela estava querendo se “rebelar”. A sensação que eu tinha era que a tudo o que a personagem fazia era para provar para a melhor amiga que ela era tão boa quanto e que merecia o mesmo tipo de atenção. O problema é que desde o começo do livro ficou claro que elas eram completamente diferentes e que Vee simplesmente não conseguia aceitar que ela não era a “descolada” da dupla.

Nerve acabou sendo mais sobre qualquer outra coisa do que sobre o jogo em si. Acho que por isso, mesmo com a leitura fluindo, eu não conseguir ver o livro com bons olhos. Me senti bastante entediada boa parte da leitura, e queria que a autora tivesse se dedicado mais na construção do jogo em si, do que em trazer à tona uma personagem com uma personalidade tão fraca e tão desinteressante. Por isso, vale a pena lembrar mais uma vez, que se você quer ler esse livro por causa do filme, aviso de antemão que ambos são completamente diferentes e provavelmente você vai gostar mais do filme do que do livro.

Resenhas 14set • 2016

As Letras dos Beatles, por Hunter Davies

The Beatles sempre foi uma das minhas bandas favoritas desde a infância. Ainda me lembro, nos meus sete anos, do meu pai me colocando no colo e fazendo dormir ao som de Hey Jude, quando eu estava com saudade da minha mãe porque ela viajava à trabalho. Era uma das melhores sensações do mundo, e talvez a minha melhor lembrança relacionada a banda britânica que balança o coração de muita gente até hoje. Por isso, quando a Editora Planeta lançou As Letras dos Beatles, eu sabia que precisava trazer a banda aqui para o blog.

O livro de Hunter Davies é um copilado de informações sobre o processo criativo da banda e como cada uma das músicas que gostamos foram criadas, gravadas e se tornaram um grande sucesso mundial. Apesar de ter achado a escrita do autor um tanto cansativa e muito formal, o livro me trouxe informações sobre a banda que eu, como fã, ainda não sabia. Achei muito interessante ter um momento para conhecer melhor a história e entender o verdadeiro impacto que a banda teve no mundo.

Letras dos Beatles

Hunter começa nos lembrando do fenômeno que envolve a banda. Quanto mais nos afastamos no tempo, maior é o sucesso e a sua influência no mundo. Quando alguma “velharia” da banda é relançada, tem um impacto muito maior no mercado musical, do que quando ela foi lançada, anos antes. A Apple, uma organização criada pelos Beatles por volta de 68, segundo Davies, nunca teve mais do que 50 funcionários. Hoje, a fundação conta com pelo menos 5 mil escritores, músicos etc tirando seu sustento dos Beatles.

As informações que o autor escolheu para o livro são realmente interessantes de saber. Mesmo com a escrita um pouco cansativa, o livro é gostoso de se folhear, e ao mesmo tempo, em cada música, encontramos um mistério por trás daquela letra que ainda não sabíamos. A minha favorita foi a Penny Lenny, que eu descobri que quase não foi grava por eles, e se tornou uma das melhores músicas já lançadas. São curiosidades que, para aqueles que gostam da banda, acaba sendo simplesmente maravilhoso.

Letras dos Beatles

Até hoje eu fico me perguntando porque não temos o “nosso Beatles”. Eu realmente queria viver numa época onde uma banda pudesse ter essa influência tão grande em como as pessoas pensam.  O interessante em ler As Letras dos Beatles é perceber como a banda funcionava na época, como as músicas eram escolhidas, como as carreiras eram administradas e principalmente, a transição entre uma fase e outra. É realmente um “por trás das canções”, como o livro promete na capa.

Acredito que, se você não é um leitor que se incomode um pouco com uma leitura densa, e tenha o interesse em conhecer mais sobre a história da banda, As Letras dos Beatles é realmente um livro que você precisa ter na estante. E, considerando que normalmente eu não me aventuro em leituras de não-ficção, acho que vale muito a pena conhecer mais sobre essa banda e a forma como ela influenciou uma geração inteira.

Eventos 03ago • 2016

Fomos conferir o lançamento de Traços do Eduardo Cilto

Eduardo Cilto

Ontem, dia 2 de Agosto, foi o lançamento de Traços, o primeiro romance do – agora – autor, Eduardo Cilto. Mas antes de começar essa publicação dizendo o quão legal foi conhece-lo pessoalmente e conseguir autografar um livro com ele, quero tirar esse primeiro parágrafo para falar sobre a literatura nacional e de como é bom ver autores jovens ganhando espaço no mundo literário. Sério, essa conquista do Eduardo é uma conquista para todos nós que desejamos ter um livro publicado um dia. Não tem mais essa desculpa de ser “novo demais”, “velho demais”, “não tenho tempo”, “as editoras não dão oportunidade”. Sim, elas dão. E assim como o Eduardo teve a oportunidade dele com Traços, a sua pode estar bem próxima. Então não desanimem, ok?

Agora vamos falar sobre o lançamento de Traços?

A primeira vez que eu ouvi falar do livro foi quando o próprio Eduardo anunciou no seu canal do YouTube. O pouco que ele me falou do livro já me deixou bastante animada com a leitura, principalmente porque o meu fraco nessa vida são os romances, principalmente os adolescentes – Olá livros do John Green na minha estante. Confesso que com essa demanda enorme de Youtubers lançando livros biográficos, me dá um certo alívio ver alguns canais que eu acompanho, como o Perdido nos Livros, apostando em romances e outros gêneros literários, não é mesmo?  Mas vamos deixar o próprio autor contar um pouco do livro no vídeo abaixo:

O lançamento ocorreu na Livraria da Travessa, em Botafogo, também conhecido como o melhor lugar do mundo – pelo menos para mim. Antes mesmo das 19h já tinha uma quantidade considerável de pessoas aguardando para a sessão de autógrafos. Não sei como funciona a organização das outras livrarias onde eles irão fazer uma sessão de autógrafos, mas na Travessa nós fomos orientados a comprar o livro no caixa e então seguir para a fila dos autógrafos. Gostei dessa organização porque já íamos para a fila com o nome da dedicatória no livro, além disso, serviram até água e refrigerante para nós. Achei atencioso da parte deles, principalmente porque ficamos uns bons 20 minutos esperando por causa do transito no Rio de Janeiro – Olímpiadas? É, pois é.

Quando o Eduardo chegou foi um alvoroço. Eu sei que ele queria parar e falar com cada um na fila, mas infelizmente não dava. Ainda assim, foi muito legal ver a expressão dele de felicidade ao ver todo mundo esperando para comemorar o lançamento de Traços junto com ele. A fila não demorou muito também. Não sei se porque eu havia chegado consideravelmente cedo, mas ficamos por volta de 40 minutos esperando – considerando que eu já esperei quase 2h30min numa fila de autógrafos, considerei rápido.

Eduardo Cilto

Agora vamos contar a parte embaraçosa: eu tremi muito. Não sei o motivo, sério. Eu sempre tento colocar na minha cabeça que não tem nada demais em autografar um livro e tirar uma foto com o autor, mas eu sempre fico meio nervosa na hora, tanto que foi o próprio Eduardo que teve que tirar a nossa foto porque eu estava tremendo muito. Aliás, vamos tirar esse parágrafo para agradecer a ele e a equipe da Editora Planeta por esse lançamento no Rio de Janeiro. Foi muito bacana poder participar desse momento junto com vocês e nós do La Oliphant estamos torcendo pelo sucesso de Traços.

Gostei demais de ter participado desse evento. Além de conhecer algumas pessoas bem legais enquanto eu esperava a minha vez de autografar Traços, foi muito emocionante ter a oportunidade de conhecer o Eduardo pessoalmente e ainda poder compartilhar desse momento incrível que é poder lançar o seu primeiro livro. E se você ainda não conhece Traços, acho bom correr para a livraria mais próxima e garantir o seu exemplar!

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Resenhas 07abr • 2016

Aprendendo a Seduzir, por Patricia Cabot

Uma das coisas que mais me impressiona na escrita da Meg Cabot é o fato dela conseguir explorar praticamente todos os gêneros literários e envolver o leitor em qualquer coisa que ela publique. A mulher é rainha mestra da literatura, e por isso, quando a editora Planeta anunciou o lançamento de Aprendendo a Seduzir, eu não podia deixar de fazer essa leitura, afinal, eu amo romances de época e Meg domina esse gênero de uma forma maravilhosa.

Em Aprendendo a Seduzir, Meg Cabot assina o livro com o seu pseudônimo Patrica Cabot e traz para nós personagens divertidos e um  enredo um pouco fora do comum – pelo menos para aqueles que já estão bem ambientados com o gênero. O livro é narrado em terceira pessoa e vai contar a história de Caroline Linford, uma jovem bem criada da alta sociedade inglesa que acaba encontrando o seu noivo, o Marquês de Winchilsea, em uma situação comprometedora com outra mulher.

a prendendo a seduzir

O certo, é claro, seria desfazer o noivado e expor o comportamento sórdido do noivo a sociedade, mas ao invés de ter esta atitude, Caroline decide que a melhor forma de lidar com a situação, é conquistar de volta o afeto de seu noivo. Para isso, ela resolve procurar um dos libertinos mais famosos de Londres, Braden Granville, e propõe um acordo onde ele a ensinaria a seduzir e conquistar novamente seu noivo.

Não tem como descrever o quão divertido é o enredo desse livro. A autora escolheu trazer uma personagem que, ao invés de desistir do seu casamento, resolve procurar maneiras de conquistar a atenção e o afeto do seu noivo. Tudo bem que, nos dias de hoje, isso não seria o mais aconselhável, mas para a época eu achei interessante ver até onde a personagem estava disposta a ir para ter aquilo que desejava.

a prendendo a seduzir

Os diálogos são muito bem construídos e o enredo se desenvolveu muito melhor do que eu estava esperando. Acho que o grande atrativo do livro é ver uma personagem como Caroline, inocente, que não tem a menor ideia de como é um relacionamento entre um homem e uma mulher, completamente determinada a ganhar conhecimento no assunto e se envolvendo em situações que ela mesma jamais aprovaria.

Gostei muito de como o relacionamento entre os personagens principais – Caroline e Braden – se desenvolveu ao longo da história. Logo nos primeiros momentos do livro você percebe que eles tem um “pré-julgamento” um do outro, mas conforme vão se envolvendo em suas lições, ambos percebem que são muito mais do que a sociedade diz deles, e assim começa a nascer o romance – que é muito bem explorado pela autora, vale dizer.

Aprendendo a Seduzir

Aprendendo a Seduzir foi uma leitura muito prazerosa, principalmente porque todo o drama que envolve o enredo realmente me prendeu. Apesar de no começo achar a Caroline um pouco chata, eu conseguia me identificar com as inseguranças e desejos da personagem e acho que se eu me encontrasse numa situação como a dela, talvez tivesse a mesma atitude.

A grande diferença de Aprendendo a Seduzir para outros livros de romances de época que eu já li, é que ele não conta a história de uma jovem com personalidade forte, ele narra sobre uma personagem insegura e que não concorda com o fato da sociedade deixa-la no completo escuro em relação as coisas que vão fazer parte do dia a dia dela, como o sexo, por exemplo.  E a autora explorou muito bem isso dentro do enredo, conseguindo me envolver dentro desse drama todo.

Por fim, Aprendendo a Seduzir foi uma leitura muito divertida e que eu não queria que tivesse terminado. Uma das coisas que eu mais gosto da escrita da Cabot é a forma que ela conta uma história, sempre de forma leve, com personagens que fogem do comum e com um enredo que sempre acaba encantando o leitor.

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