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Resenhas 25ago • 2017

O Perfume da Folha de Chá, por Dinah Jefferies

O Perfume da Folha de Chá é o segundo livro da autora Dinah Jefferies e foi publicado no Brasil em 2017 pela editora Paralela. O Romance se passa entre as décadas de 20 e 30 no Ceilão e narra à vida de Gwendolyn, uma jovem de 19 anos que se casa com um dono de uma fazenda de chá. Antes de começar a minha resenha, preciso deixar bem claro que não gostei nenhum um pouco do livro. Pretendo ser o mais parcial o possível, pois impressões de leitura são diferentes e, no geral, vi muitas avaliações boas deste livro.

O Perfume da Folha de Chá é um romance de época que se passa na década de 20, após a primeira guerra mundial em uma colônia inglesa que hoje faz parte do Sri Lanka.  Durante o período narrado na história tivemos movimentos de independência na Índia, guiados por Mahatma Gandhi, busca por melhores direitos dos colonos, propagação dos movimentos de extrema direita na Alemanha e a crise de 29.

Acho importante frisar o período histórico, pois um dos motivos de não gostar do livro foi à forma como tais acontecimentos pouco influenciavam na vida dos personagens. As revoltas tão importantes que aconteciam no Ceilão eram citadas en passant, Gwen tinha lá seus problemas, mas não se importava com nada fora do seu mundo privilegiado e restrito.

“Sabia muito bem que a culpa era capaz de consumir uma pessoa por dentro, e que era uma presença persistente, invisível a princípio, mas que ia crescendo até ganhar vida própria.”

Não me apeguei a nenhum personagem do livro. A protagonista se mostrou uma menina mimada e sem nenhum crescimento ao longo da história. O seu par romântico era ainda menos interessante. As coadjuvantes não passavam de clichês ambulantes se tornando previsíveis e fracas. No final do livro, tive a impressão de que todos os problemas se resolveriam com uma boa conversa após o casamento. A autora tinha na mão um excelente corte histórico, uma fazenda de chá inglesa e resolveu contar a história de uma jovem rica que, se casa e vai morar em outro país sem a mudança afetar sua vida.

De vez em quando a autora soltava que Gwen sentia falta da família, mas em nenhum momento demonstrava isso nas atitudes da personagem. Aqui temos outro ponto que me impediu de apreciar o livro, Dinah não aplicou bem o show don’t tell. Um exemplo claro é Laurence. Ele é descrito como um homem duro e ao mesmo tempo vi o esposo de Gwen chorar diversas vezes. Como um homem que não chora acaba chorando tanto em 400 páginas? Isso torna todos no livro sem credibilidade.

Resolvi ler porque a sinopse me lembrava Jane Eyre, um dos meus livros favoritos. Tratava-se de uma jovem que se envolvia com um homem mais velho e ia morar em um lugar distante e sem conhecidos. Claro que isso tudo caiu por terra logo após o prólogo, quando o ar de mistério que o enredo propunha acabou sendo esquecido. No final, a história da outra esposa de Laurence serviu apenas para justificar a facilidade com que ele encarou o segredo da esposa.

“Nada teria sido capaz de prepará-la para o choque do calor do Ceilão, nem para as cores marcantes, nem para o contraste entre a fortíssima luz do sol e a escuridão profunda das sombras.”

O livro pode ser bom se você relevar vários pontos. A autora tenta discutir depressão, abuso, alcoolismo, depressão pós-parto e uma infinidade de assuntos, infelizmente nenhum é trabalhado com afinco e serve apenas de muleta para o enredo. Tive meus momentos de fúria ao acreditar que um estupro serviria de plot device, pode ser que aí o começo do meu desgosto. Contudo é um livro fácil de ler, se você gosta de romance de época e quer ver a história de um casal apaixonada enfrentando as dificuldades da vida sem muito esforço, pode gostar do livro. Ele foi um bestseller internacional e vendeu muito bem na Inglaterra, pode ser só uma grande implicância minha. Quem sabe?

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Resenhas 10jan • 2017

O Acordo, por Elle Kennedy

Uma das coisas que eu mais gosto em New Adults é que, apesar da maioria dos enredos serem sempre muito parecidos, algumas vezes somos capazes de esbarrar em autores que não tem medo de ousar nas suas histórias e dão vida a personagens com os quais nós realmente conseguimos nos identificar. Foi exatamente isso que aconteceu quando eu li O Acordo, da Elle Kennedy. Uma leitura que eu escolhi mais por curiosidade do que por certeza de que eu iria gostar e, que acabou me conquistando desde a primeira página.

O Acordo é um romance que vai contar a história da Hannah, uma jovem que passou por algumas situações muito difíceis na vida, mas apesar disso, faz o melhor que pode para seguir em frente. Depois de muito tempo sem se envolver com ninguém, Hannah finalmente encontra alguém que lhe interessa, mas apesar de ser muito independente, seus traumas ainda a impedem de tomar certas atitudes.

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Bem, isso até Garrett Graham entrar abruptamente na sua vida.

Garret é o tipo de cara que tem todas as garotas da universidade aos seus pés. A única coisa que ele não consegue é entender a matéria de ética bem o suficiente para garantir uma boa nota para continuar jogando hóquei. Para mudar essa realidade, ele propõe a Hannah – depois de muita insistência – um acordo. Ela o ajuda a conseguir uma nota melhor na matéria e ele vai usar a popularidade dele pra que ela consiga chamar atenção do cara por quem está interessada. Porém, como todo o jogo de interesses, muitas coisas estão em jogo e talvez ambos precisem repensar os termos do acordo.

O Acordo foi um dos melhores livros do gênero que eu li durante 2016. Elle Kennedy tem uma escrita muito inteligente, tomando cuidado para que a história se desenvolvesse de forma envolvente, onde o leitor sempre sentisse vontade de saber o que iria acontecer no próximo capítulo. O enredo se desenvolve num ritmo ótimo, não deixando pontas soltas e nem fazendo com que os acontecimentos sejam rápidos demais para que o leitor se perca. Kennedy soube aproveitar muito bem todos os elementos que inseriu na história, não deixando nenhum ponto do enredo pela metade.

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Uma das coisas que mais me chamou a atenção nesse livro foi ver a autora tratar o enredo da série como um todo. O Acordo é o primeiro livro da série Amores Improváveis e Elle Kennedy não perde tempo para inserir os personagens dos próximos volumes. Logo no começo de O Acordo, nós temos um contato muito interessante com personagens que vamos apenas nos aprofundar em outros volumes, mas que ainda assim, são fundamentais para que possamos nos envolver na trama principal do livro.

Hannah, como personagem principal, foi a minha favorita até então. Ao contrário de muitas heroínas de New Adult, Hannah não é do tipo que se deixa abalar pelos seus traumas, acabando com aquela lenda de que toda a heroína de NA precisa ser “coitadinha” de alguma forma. Gostei muito de ver que Kennedy preferiu desenvolver seu enredo em cima de uma personagem que sofreu muito, mas que não se deu por derrotada. Hannah tem uma personalidade forte e independente que agrega demais ao enredo da autora, deixando a história ainda mais fácil de se apaixonar.

O romance sempre é a parte mais preocupante de um New Adult, principalmente porque eu estou acostumada a pegar livros do gênero que simplesmente me obrigam a aceitar que os personagens principais estão se apaixonando. E O Acordo me surpreendeu bastante nesse aspecto. Eu conseguia sentir que os personagens estavam gostando um do outro antes mesmo que os dois percebessem que estava acontecendo. E foi legal ter essa sensação de que ambos os personagens estavam vivendo e sentindo aquilo, ao invés da informação ter simplesmente imposta a mim pelo autor.

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Claro, O Acordo teve pontos que não foram tão positivos assim, mas nada que tenha abalado a minha experiência de leitura. Os personagens eram completos, cada um em sua forma, explorando suas fraquezas e não deixando de lado o aprendizado dos mesmos ao longo do enredo. Os diálogos foram muito bem construídos, trazendo o humor do livro à tona e deixando a leitura ainda mais gostosa. E, não posso me esquecer de mencionar isso, as cenas de sexo que foram muito agradáveis de ler.

O Acordo é um livro que eu indicaria muito para leitores que não conhecem o gênero New Adult e desejam ter uma boa primeira experiência. Com um enredo leve e um romance que faz a gente suspirar, Elle Kennedy é capaz de conquistar qualquer um com a sua escrita e seus personagens apaixonantes. E se você é um leitor do gênero, tenho certeza que esse livro vai ser uma ótima escolha de próxima leitura.

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