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Resenhas 09nov • 2017

Os 12 Signos de Valentina, por Ray Tavares

Os 12 Signos de Valentina é um livro escrito pela brasileira Ray Tavares e publicado em 2017. Ray começou sua carreira no Wattpad, após ganhar o prêmio Wattys de voto popular e alcançar mais de 2 milhões de leitores na plataforma, a autora foi convidada a publicar na Record pelo selo editorial Galera.

Os 12 Signos é um livro extremamente engraçado, é impossível não se divertir e dar umas boas risadas com a Isadora, nossa protagonista. A história toda gira após Isadora ser traída pelo namorado de 6 anos e resolver passar o rodo no zodíaco, palavras da própria. Na verdade ela só está com o coração partido, a autoestima carcomida e sem muito animo para nada, mas sua prima, Marina, obriga Isadora a dar a volta por cima. Depois de um encontro hilário com a faxineira de uma boate na Augusta, Isadora resolve juntar o útil ao agradável e criar para um projeto da faculdade o blog 12 Signos de Valentina, como proposta investigativa ela promete sair com cada um dos 12 signos do zodíaco e narrar a sua experiência com cada um deles.

–  Boa noite, Isadora  –  cumprimentou ele, falando o meu nome daquele jeito quase maldoso e característico dele.  –  Nem te vi chegar.
–  Ah, pois é, eu aparatei até aqui  –  comentei.
Andrei ria, mas o resto dos engenheiros não entendeu a piada, e eu me senti a coisinha mais estúpida da face da terra.
– Por isso que não nos encontramos – continuou ele, sem perder o sorrisinho divertido – , usei o pó de flu.

Uma coisa muito boa em Os 12 Signos de Valentina é a enxurrada de referencias. Você encontra de tudo, desde música brasileira até Harry Potter. Não posso negar que como uma Potterhead isso já era o suficiente para ganhar meu coração. A autora não deixa nada jogado, um erro que muita gente comete por aí, as referências fluem e fazem parte da comédia do livro. Isadora é nerd e é muito engraçada, é óbvio que ela não pode deixar de fazer piada com tudo. Não é só de risos que vivemos. O enredo do livro também é muito bom. De um lado temos uma universitária tentando superar um pé na bunda, do outro temos um monte de alunos da faculdade cada vez mais desesperados com o blog, querendo descobrir de qualquer maneira quem é a Valentina.

Outro ponto que se destacou para mim durante a leitura foi o posicionamento da autora, ela não foge de questões sociais, de inclusão e discussões políticas, ato que julgo extremamente corajoso. Vemos o posicionamento de diversos personagens discutindo igualdade de gênero, questões sociais e política. Independente no que você acredite, o livro abre um leque de assuntos que merecem ser colocados em pauta. Também temos muito da corrente feminista e do Girl Power no decorrer das páginas. Discussões sobre slut-shaming, empoderamento feminino, privilégios sociais, é uma porção de assuntos que fazem parte da vida de qualquer ser humano e que estão ali para moldar os personagens e trazer á tona assuntos que são vistos como desconfortáveis.

(…) ando recebendo algumas críticas e julgamentos de gente que, a meu ver, não tem muito que fazer e fica regulando a vida amorosa dos outros (…), dizendo que eu deveria “me dar ao respeito”, ou que eu não sou “exemplo para outras mulheres”, e até que eu vou “acabar sozinha se continuar vagabundeando por aí”, e para essas pessoas eu tenho um recadinho: eu não sou menos ou mais mulher porque decidi curtir um pouco a minha solteirice, mas você é menos humano e inteligente por querer ditar o que eu devo ou não fazer da minha vida.

A escrita da Ray é muito gostosa, as páginas vão passando e tudo que você quer saber é até quando Isadora vai continuar com essa loucura. Os diálogos são bem construídos e os personagens cativantes. Além da Isadora, eu gostei muito do Andrei. Ele se mostrou um par romântico condizente com a nossa protagonista forte e bem resolvida. Meu maior medo no início da leitura era rolar um dramalhão envolvendo o blog e os vários experimentos antropológicos, tive uma grata surpresa.  Super recomendo a leitura de Os 12 Signos de Valentina, principalmente se você quer se divertir após um dia estressante. Livros como este só mostram o quanto temos bons autores no Brasil. Para finalizar, Leão é o melhor signo do zodíaco.

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Resenhas 10set • 2017

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras, por Cassandra Clare

ATENÇÃO: ESSA RESENHA PODE CONTER SPOILERS DOS LIVROS DAS CRÔNICAS DOS CAÇADORES DE SOMBRAS

É engraçado quando você não percebe o quanto gosta de uma série até que você pega um dos livros da série e começa a ler. Eu tenho praticamente todos os livros das Crônicas dos Caçadores de Sombras (exceto o Códex), então Contos da Academia dos Caçadores de Sombras era um leitura que eu queria fazer, mas não tinha nenhuma expectativa de me surpreender com a história. E foi exatamente isso que eu consegui.

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras segue Simon Lewis, o mundano que virou vampiro, e depois virou mundano de novo. Após perder a memória em Cidade do Fogo Celestial, Simon vai para a Academia dos Caçadores de Sombras, onde vai passar pelo treinamento para Ascender, ou seja, beber do Cálice Mortal e se tornar um Caçador de Sombras, o que lhe devolveria suas memórias. Enquanto passa pelo seu treinamento, Simon aprende várias histórias sobre Caçadores de Sombras que viveram e lutaram antes dele.

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras é um livro meio complicado de resenhar porque ele faz parte de uma série que consiste de vários outros livros. Então alem de sempre correr o risco de entregar algum spoiler, a gente encontra o problema de que pra chegar nesse livro, você teria que passar por todos os outros dez livros que fazem parte das Crônicas dos Caçadores de Sombras. E esse é o maior problema do livro, o fato de que se você está afim de ler ele, você provavelmente já é fã da série. Se não é fã da série e quer ler o livro mesmo assim, ou vai ter preguiça de ler os outros livros, ou vai pular pra esse e não vai entender nada da história. É um livro que realmente só funciona pra quem já é fã do mundo que a Cassandra Clare criou.

Por outro lado, pra quem já é fã das Crônicas dos Caçadores de Sombras, o livro é um prato cheio. Os contos são escritos pela Cassandra Clare em parceria com algumas de suas amigas autoras: Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson e Robin Wasserman. A única que eu já conhecia é a Maureen Johnson, mas se os livros da Sarah Rees Brennan e da Robin Wasserman forem tão legais quanto os contos dessa coletânea, eu já vou estar incluindo os trabalhos delas na minha lista de leitura. Todos os contos são bastante divertidos, eu não consigo apontar nenhum como sendo ruim.

Cada um dos contos nos mostra a história de um Caçador de Sombras, em vários pontos da história desse universo. O legal desse formato é que temos a participação de personagens de diversos dos livros que fazem parte das Crônicas dos Caçadores de Sombras. Não só vemos Simon, Clary, Isabelle e o resto dos personagens da série Os Instrumentos Mortais, como temos aparições de Will, Tessa e Jem da trilogia As Peças Infernais, e vemos Emma e Julian da atual série Os Artifícios das Trevas. Temos até as aparições de personagens que serão importantes em futuras séries das Crônicas, como os futuros protagonistas da trilogia The Last Hours. É praticamente o MCU da literatura YA.

O único problema que eu tive com o livro é que, por ele ser uma coletânea de contos que foram lançados separados, ele acaba se repetindo um pouco. Entre a publicação de um conto e outro, existe um espaço de tempo, então os contos acabam referenciando coisas que acontecem no conto passado, por exemplo. Mas quando você faz a leitura do livro, é como se o livro estivesse te lembrando de algo que aconteceu apenas a algumas páginas atrás. Mas isso realmente é uma queixa bem pequena, porque a leitura do livro foi divertida demais.

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras realmente parece ser um presente para os fãs das Crônicas dos Caçadores de Sombras. Além de ser narrado por um dos personagens mais carismáticos da série, o livro é cheio de aparições de personagens de todas as outras séries que fazem parte da saga, e é cheio de cenas divertidas e até emocionantes. Assim como foi com As Crônicas Bane, esse livro foi uma coleção muito legal de pequenas histórias de um universo que eu já conheço bem e considero bastante.

Apesar de eu achar que vai ser difícil convencer alguém que não é fã da série a realmente mergulhar nesse universo (estou falando com você, Débora), Contos da Academia dos Caçadores de Sombras me lembrou de como eu gosto do universo da Cassandra Clare. É uma coletânea muito bem construída de dez contos que mostram o presente, o passado e dão um gosto do futuro do que ainda está por vir no mundo dos Caçadores de Sombras. É sem dúvida uma leitura obrigatória para os fãs da série.

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Resenhas 26maio • 2017

Nossas Horas Felizes, por Gong Ji-Young

Nossas Horas Felizes é um livro escrito pela Gong Ji-Young, autora sul coreana. A história se passa na década de 80 e é narrada por dois personagens: Yujeong que é uma jovem de família rica e que tentou o suicídio várias vezes, e Yunsu um jovem presidiário no corredor da morte. Ambos se cruzam graças à tia de Yujeong, uma freira voluntária na prisão de Seul.  A partir daí a vida dos dois começa a mudar.  O livro é um bestseller coreano e já conquistou diversos prêmios, entre eles o Korean Novel Prize.

Conheci Nossas Horas Felizes pela adaptação em mangá, Watashitashi No Shiawase Na Jikan, que é um quadrinho muito conhecido e bem avaliado no Mangaupdates. Como a pessoa lenta que sou, não me liguei que o livro do qual o mangá se baseava era o que eu tinha em mãos. Quando percebi fiquei muito feliz e tratei de começar a leitura o mais rápido o possível.

Vejo que a obra tem três temas principais: o primeiro seria a questão da pena de morte, o segundo o suicídio e o terceiro a violência. Este último não é só discutido em cima de Yunsu, mas também é tratado em Yujeong que foi abusada aos quinze anos. Aqui vale parabenizar a autora que tratou muito bem a culpabilização da vítima e o quanto isso é destrutivo.  O maior mérito do livro, na minha opinião, é discutir o assunto da pena capital. Notamos o quão doloroso é para os presos, os guardas e até para os condenadores. Num certo momento temos a reflexão: “Será que pagar um crime com a morte do assassino é a melhor solução?”, não estaríamos cometendo assassinato do mesmo jeito? Por que uma pessoa que faz justiça com as próprias mãos é condenada e o Estado não? Durante a leitura, citações de diversos autores e personalidades aumentam ao debate. Essas se encontram nos capítulos narrados por Yunsu, onde ele nos conta a sua história.

No primeiro momento achei meio clichê o passado do protagonista – pobre, abandonado pela mãe, sofre abuso do pai, obrigado a roubar para sustentar o irmão – mas a autora tem um objetivo com isso. Muito mais do que mostrar o papel do Estado na formação dos jovens, ela quer deixar bem claro que violência só gera mais violência. Crianças criadas sem afeto são mais propensas a virarem delinquentes e mais tarde criminosos. O tio de Yujeong, médico psiquiatra, discorre sobre o assunto e mostra a presença do abuso físico e moral em todas as classes, enfatizando o quanto isso é maléfico na formação do indivíduo. Mal sabe ele o quanto a sobrinha sofreu. Yujeong não só precisa aceitar o que ocorreu com ela, como também deve aprender a perdoar a mãe que era abusiva. Na busca para fugir da dor ela acaba vivendo uma vida precária, abusando do álcool e recorrendo ao suicídio, o qual ela tenta três vezes.

A tia Mônica, freira e figura materna importante na obra, cuida da parte religiosa do livro. Aqui vale ressaltar que mesmo sendo católica, ela nos mostra algo comum em todas as religiões: o perdão movido pela empatia. O perdão se mostra importante para todos. Desde as famílias destruídas pelos criminosos, até os próprios condenados que se vêem na dura posição de se perdoar. Yunsu mesmo acredita que merece morrer e não tem o direito de ser feliz após ter causado tanta dor. Tia Mônica também humaniza muito os condenados. Pelos olhos clementes da coadjuvante, conseguimos ver a humanidade e com isso simpatizar com os presos. É pelo olhar bondoso dela que acabamos vendo o quanto é cruel a pena capital.

A pena de morte ainda é realidade em mais de 50 países. A Coréia do Sul teve uma restrição aprovada na década de 90, mas em 2010 ela voltou a ser praticada. Desde a sua instauração na Coréia, mais de 900 pessoas foram executadas. Em 2015 um levantamento mostrou que cerca de 23 mil pessoas se encontravam no corredor da morte. No ano de 2013 1.925 pessoas foram condenadas em 57 países. No Brasil a pena só é permitida em caso de crime de guerra, se tornando o único país de língua portuguesa a ter a pena capital presente na constituição. A última vez que a pena foi utilizada em nosso país foi em 1876. Uma pesquisa do datafolha de 2008 apontou que cerca de 60% da população brasileira era a favor da pena capital.

Como uma pessoa que se posiciona contra, acredito que livros como esse são deveras importante para a conscientização da população. Não é a primeira nem a última vez que escritores utilizam da literatura para combater a pena de morte. Victor Hugo escreveu O Ultimo Dia de um Condenado como protesto, se posicionando contra a pena até sua morte. Dostoievsky também é um bom exemplo

Contudo, o livro apresenta alguns pontos fracos. Alguns diálogos são bem vazios e também temos coadjuvantes bem estereotipados. A própria Yujeong é meio clichê em alguns momentos, mas não acho que isso invalide o livro. É uma leitura fácil e interessante, principalmente quando vemos o quanto o livro tem de potencial para iniciar debates. Uma leitura bem recomendada para quem gosta de drama, de romance ou está a fim de conhecer mais sobre pena de morte e o sistema prisional. O mangá também é muito bom, mas não é encontrado no Brasil. Pra quem curte dorama, há uma adaptação bem aclamada pelos coreanos. Nem preciso dizer que gostei da leitura e indico-a caso esteja procurando algo para ler.

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Resenhas 08jun • 2016

Talvez Um Dia, por Colleen Hoover

Eu não sei nem por onde começar essa resenha, de verdade. Colleen Hoover é uma autora que me deixa muito confusa. Hora eu acho que ela é a autora mais incrível do mundo, outrora já não tenho tanta certeza. Comecei a ler Talvez Um Dia sem expectativas, mesmo sabendo que, de todos os livros da autora já lançados no Brasil, esse era o único pelo o qual eu já vinha esperando há uns bons três anos. E sabe o que mais me deu raiva? Era como se eu tivesse lendo Colleen Hoover pela primeira vez e me apaixonando completamente pela sua escrita de novo, como foi com Métrica e Um Caso Perdido.

Sidney é uma jovem que está tentando conquistar sua independência. Aluna do curso de música, ela divide seu tempo entre o trabalho, seu namorado Hunter e ouvir o vizinho do prédio da frente tocar músicas realmente maravilhosas. As coisas começam a ficar complicadas quando, no seu aniversário de 22 anos, ela acaba descobrindo que seu namorado e sua melhor amiga – e colega de quarto – estão tendo um caso há um bom tempo. Sem ter para onde ir e determinada a não voltar para o apartamento, ela acaba aceitando a ajuda de Ridge – o vizinho que tocava as músicas maravilhosas – e se muda temporariamente para um quarto vago em seu apartamento.

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Ridge e Sidney compartilham o mesmo amor pela música, e para ajudar a jovem enquanto ela não encontra outro emprego e nem um lugar para morar, Ridge propõe que ela trabalhe como compositora da sua banda, Sounds of Cedar, como uma forma de pagar o aluguel. É assim que os dois começam a trabalhar juntos, e logo Sidney descobre que ela sente por Ridge muito mais do que um sentimento de amizade. O problema é que Ridge tem uma namorada, e conforme os dois se aproximam cada vez mais, começa a ficar impossível para Sidney esconder seus sentimentos.

De todos os romances que eu já vi Colleen Hoover escrever, Talvez Um Dia é, certamente, o mais próximo da realidade e o mais fácil do leitor se envolver. O livro é narrado em primeira pessoa e tem o ponto de vista dividido entre os personagens principais, Sidney e Ridge, o que para mim foi maravilhoso porque me deu esperanças de que – pelo menos dessa vez – eu não vou me deparar com um segundo volume contando a mesma história, só que do ponto de vista masculino. Ponto positivo pra Colleen? Com certeza.

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Gostei muito da forma como o enredo do livro se desenvolveu. Começamos a história pegando uma personagem completamente desacreditada de tudo. A vida independente de Sidney não estava dando certo, tudo estava saindo o oposto do que ela esperava até ela encontrar Ridge e a história dos dois finalmente começar a acontecer. O interessante dessa narrativa é que tudo acontece em um ritmo bom, nem rápido e nem muito devagar. Os personagens têm seu próprio tempo para se conectar e o leitor consegue sentir que a conexão entre eles é real.

O enredo de Talvez Um Dia é simples, mas Colleen tem um dom para deixar o simples mais interessante. De todos os livros da autora que eu li até hoje, Talvez Um Dia foi o que mais me tocou – emocionalmente falando – porque eu conseguia sentir os personagens e entender suas escolhas na hora de lidar com as situações complicadas do enredo. Me pareceu algo que eu poderia viver, ou qualquer pessoa poderia viver, e foi bom – pela primeira vez – ver Colleen trabalhar em cima de uma ideia que eu realmente conseguia me identificar.

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Eu gostei demais dos personagens desse livro. Cada um deles tinham os seus próprios problemas para lidarem, e eu conseguia me identificar e me envolver com cada um deles de uma forma bem individual. Sidney foi uma personagem muito menos chata do que eu estava esperando, principalmente porque eu tenho péssimas experiências com personagens na posição em que ela se encontrava – apaixonada por um cara comprometido. Mas, diferente do que eu estava esperando, ela lidou com a situação da melhor forma possível, mesmo quando eu achei que não seria possível ela conseguir ser tão madura.

Talvez Um Dia aqueceu meu coração de formas que eu nem mesmo sei explicar. E se não bastasse todo o livro ser um grande amor, ainda pude contar com a playlist do Griffin Peterson feita especialmente para a leitura desse livro. De todos os livros da Colleen – e eu estou incluindo Métrica nesta lista – Talvez Um Dia é o meu favorito, falo sério. Os personagens são encantadores e o enredo ganha você desde o primeiro capítulo. Qualquer leitor um pouco apaixonado por romance vai se entregar completamente à esse livro, pode ter certeza!

Resenhas 03ago • 2015

Você Não é o Homem da Minha Vida, por Alexandra Potter

Você Não é o Homem da Minha Vida é um chick-lit escrito pela autora Alexandra Potter e publicado no Brasil pela Editora Record. A autora possui 11 livros publicados atualmente, estes traduzidos para mais de 14 países.

Aos 19 anos, enquanto fazia uma viagem de intercambio em Veneza, Lucy Hemmingway se apaixonou perdidamente por Nathaniel. O único problema para esse amor dar certo era o fato de que Lucy é inglesa enquanto Nate é americano. Sem querer se separar um do outro, o casal aposta em uma antiga lenda veneziana que dizia que, as duas pessoas que se beijasse numa gôndola sob a Ponte dos Suspiros ouvindo os sinos da Igreja de São Marco, ao pôr do sol, ficariam juntas para sempre.

Você Não é o Homem da Minha Vida

Dez anos se passam desde a ultima vez que o jovem casal se viu. O relacionamento a distancia acabou não dando certo e ambos seguiram caminhos separados. Lucy jamais esqueceu sua paixão por Nate, e quando se muda para Nova York para trabalhar em uma galeria de artes, ela acaba encontrando novamente o seu primeiro amor. Acreditando que é o destino dizendo que eles pertencem um ao outro, Lucy começa a acreditar que Nate é realmente a sua alma gêmea.

O problema é que depois de dez anos os dois se tornaram pessoas completamente diferentes. E o que era para ser o momento mais feliz da vida de Lucy acaba se tornando um verdadeiro pesadelo. Para piorar, parece que o universo realmente não quer que os dois se separem, porque quanto mais Lucy tenta se afastar de Nate, mais coisas estranhas acontecem para que os dois fiquem juntos. Será que é possível ignorar os sinais do universo?!

Você Não é o Homem da Minha Vida

Dizer que eu sou completamente apaixonada por chick-lits não é nenhuma novidade, e quando a Record anunciou o lançamento do livro de estreia da Alexandra Potter, eu realmente não podia perder a oportunidade de conhecer um pouco do trabalho dessa autora. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Lucy, a autora nos convida a conhecer um enredo que fala sobre almas gêmeas e o desejo de encontrar a pessoa perfeita.

Eu sempre fico com um pouco de receio quando se trata de narrativas em primeira pessoa, principalmente quando é necessário ficar o tempo inteiro vendo as coisas do ponto de vista de um único personagem. Porém, Potter tem um talento absoluto para a construção de um enredo e fez com que a narrativa da história fosse leve e muito divertida, de forma que o leitor ficasse cada vez mais envolvido com os acontecimentos do livro.

Você Não é o Homem da Minha Vida

O enredo vai falar muito sobre o desejo que temos de encontrar nossa alma gêmea, a pessoa que consideramos perfeita, a nossa metade da laranja. O que eu mais gostei foi que a autora escolheu falar disso de uma forma divertida, com um toque de humor leve, mas sem perder o foco principal da história. Além disso, ela caprichou bastante no cenário do livro e nos personagens secundários, fazendo com que todos os elementos do enredo se encaixassem.

Claro, por ser um livro com um tema um tanto “clichê”, o desenrolar da história é bastante previsível. Desde o começo do livro você já consegue prever exatamente como a história vai se desenvolver e quais os papéis que cada personagem que compõe aquele universo vai desempenhar. Isso não me incomodou na história, principalmente porque a autora compensou nos diálogos bem construídos e nos personagens mais divertidos.

Você Não é o Homem da Minha Vida

Lucy é uma personagem que consegue representar todas as mulheres. Ela é jovem, mas também é cheia de inseguranças e sonhos que ainda não foram realizados. Apesar disso, ela consegue viver a vida com o pé no chão, deixando os sonhos um pouco de lado, mas sem deixar de esperar por aquela oportunidade. Quando finalmente reencontra o amor do passado, ela começa a perceber que talvez estivesse tão focada em uma história que já tinha acabado não teria perdido tantas outras oportunidades.

Há outros personagens apaixonantes em Você Não é o Homem da Minha Vida . Robyn, a colega de quarto de Lucy é extremamente peculiar e dona dos melhores diálogos do livro. Para mim, ela é aquela melhor amiga que está do seu lado mesmo quando você tem ideias malucas e praticamente impossíveis. Já Nate foi o personagem que mais me irritou. Não gostei nem um pouco da forma como ele tratava Lucy no pouco tempo em que eles se reencontraram. Houve momentos no livro que eu realmente quis socar a cara dele, sério!

Você Não é o Homem da Minha Vida

Você Não é o Homem da Minha Vida é um livro que vai te fazer refletir um pouco sobre estar apaixonado, ou simplesmente sobre procurar sua alma gêmea. Algumas vezes estamos tão focados em buscar a pessoa perfeita que esquecemos de olhar a nossa volta, e talvez essa pessoa perfeita esteja bem ao nosso lado, só que cheia de defeitos e manias que ainda não percebemos que podemos amar. Eu gostei muito da forma como a autora constriu esse enredo, e se você é apaixonado por chick-lits, com certeza vai adorar essa leitura!

 

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Resenhas 03abr • 2015

Dois Garotos Se Beijando, por David Levithan

Dois Garotos Se Beijando é uma ficção-americana, escrito pelo autor David Levithan e publicado no Brasil pela Editora Galera Record. O autor possui outras obras publicadas no Brasil, sendo as mais conhecidas Todo Dia e Will & Will, escrito em parceria com John Green.

Craig e Harry foram namorados durante algum tempo, mas mesmo com o fim do relacionamento, continuaram amigos. Quando o jovem Tariq é agredido na rua por ser homossexual, os dois garotos se compadecem da situação, mesmo sem conhecê-lo e então tem a ideia de criar um protesto contra esse tipo de violência onde eles passariam 32 horas se beijando para quebrar o recorde de beijo mais longo.

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A ideia principal do beijo era mostrar para as pessoas que é perfeitamente normal dois garotos se beijando. Porque não apenas dois garotos. Porém, o próprio enredo do livro nos leva a conhecer outras situações de jovens assim como Tariq, Craig e Harry. Em paralelo com o desafio de 32 horas se beijando, o narrador do livro nos conta a história de outros jovens que vivem situações completamente diferentes, mas que possuem – de certa forma – o mesmo sentimento.

É então que conhecemos Peter, Neil, Avery, Ryan e Cooper, com suas inseguranças particulares, seus medos e também seu desejo de caminhar no mundo lá fora sem ter que esconder quem realmente são. Assim, com todos esses personagens envolvidos direta e indiretamente, acompanhamos o ato simples de um beijo mostrar que somos todos apenas seres humanos.

“Que sensação horrível é essa a de saber que, se a doença tivesse afetado primeiramente presidentes de associações de pais e mestres, ou padres, ou garotas brancas adolescentes, a epidemia teria acabado anos antes e dezenas de milhares, se não centenas de milhares de vidas seriam salvas. Não escolhemos nossa identidade, mas fomos escolhidos para morrer por meio dela.”

A narrativa do livro é simplesmente sensacional. Eu não consigo encontrar outras palavras para descrever. O ponto de vista de todo enredo é dado a partir de um narrador observador que venha a ser todos os homossexuais que faleceram por conta da AIDS anos anos dos personagens principais do livro nascerem. Através desse narrador, conseguimos ter uma compreensão muito mais profunda do que os personagens estão sentindo, pensando e como aquilo afeta o seu dia a dia, a sua família e a maneira como eles veem o mundo.

O enredo do livro é bastante completo. O autor nos apresenta diversas situações, onde não vemos apenas a família que aceita bem a escolha do filho, mas também aquela que se revolta quando descobre e aquela que não sabe bem como agir em relação à situação. Temos as pessoas que aceitam, as pessoas que respeitam e também as pessoas que se revoltam. Mas muito mais que isso, nós temos os envolvidos, as pessoas que sofrem, as pessoas que sentem na pele, e isso torna a narrativa ainda mais intensa.

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A primeira coisa que eu pensei quando comecei a ler este livro foi: eu vou chorar. E isso aconteceu em diversas passagens do livro. Os personagens são tão únicos em suas histórias, em seus medos, que eu não conseguia não amar cada um deles em seu momento de foco na narrativa. Craig e Harry é um casal que, de certa forma, não são mais um casal e ainda assim possuem uma confiança enorme um no outro, e quando decidem fazer o beijo juntos, eu realmente não conseguiria imaginá-los fazendo isso com outra pessoa.

Avery e Ryan estão se conhecendo aos poucos. Simplesmente encontraram um no outro um porto seguro que não tinham encontrado em outra pessoa. Eu conseguia vê-los se entendendo pelos olhos um do outro, compartilhando os seus medos e sendo abertos sobre o que estava por vir. Tariq foi um personagem que me emocionou, principalmente pela sua força de vontade de estar ali para ver o beijo acontecer e por não ter deixado que o incidente abalasse quem ele era.

“Se você se livrar de toda a merda idiota e arbitrária com a qual a sociedade controla a gente, vai se sentir mais livre e, se você se sentir mais livre, vai se sentir mais feliz.”

Mas de todos, o que me emocionou mesmo foi Cooper. Eu não sei. De certa forma eu conseguia me conectar mais com a necessidade que ele tinha de entender o que estava acontecendo com ele, e conforme a narrativa avançava com foco nele, eu tinha um desejo muito grande de poder fazer alguma coisa, mesmo sabendo que não podia.

Dois Garotos Se Beijando foi um dos livros mais intensos que li durante esse ano. Com certeza, o melhor até agora. A maneira como David Levithan escolheu contar essa história, mexeu comigo de formas que eu acho que não conseguiria simplesmente colocar em palavras. Eu me emocionei com esse livro de maneiras diferentes. Eu me senti feliz por Craig e Harry, eu me apaixonei por Neil e Peter, eu entendi os sentimentos de Tariq.

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É uma leitura que tem um combo de sentimentos que a gente simplesmente não consegue ignorar. Você se entrega na leitura nas primeiras páginas e sente seu coração apertar até o desfecho do livro. Foi umas das experiências literárias mais incríveis e emocionantes que eu tive nos últimos tempos e certamente um livro que todo mundo deveria ler, gostando ou não dá temática.

Por fim, acho que vocês deveriam saber que eu demorei dias para escrever essa resenha porque eu não conseguia fazê-la sem me emocionar. Acho que se alguém viesse me pedir um livro que fosse causar a maior ressaca literária da sua vida, com certeza eu indicaria este.

Resenhas 08ago • 2014

Um Caso Perdido, por Colleen Hoover

 
Um Caso Perdido é o primeiro livro da série Hopeless, da autora Colleen Hoover, e foi lançado no Brasil pela Editora Galera Record. O livro gira em torno de Sky, uma jovem de 17 anos que, ao conhecer Dean Holder, vê seu mundo mudar de uma hora para outra.Sky não tem uma fama muito boa, e esta começou quando a jovem começou a deixar que os garotos entrassem no seu quarto pela janela. Junto com sua amiga Six, elas costumavam receber visitas masculinas durante a noite, mas ao contrário do que diziam por aí, tudo não passava de alguns amassos. Sky é adotada, e nunca teve curiosidade em procurar pelos seus pais adotivos. Ao contrário da maioria dos adolescentes, foi educada em casa e nunca teve um celular ou uma televisão, pois sua mãe acreditava que esse tipo de tecnologia só fazia mal.

Então ela conhece Dean Holder e, ao contrário dos outros garotos com quem ela já tinha saído, ele faz com que ela tenha um certo intersse por ele, mesmo que a primeira vista ela não consiga compreender bem o que é. Sem entender o porquê, eles acabam se aproximando e um sentimento forte cresce entre eles, mas os segredos que eles carregam sobre o passado começa a vir a tona, o que pode mudar completamente  a maneira como eles veem um ao outro.

… Nem tudo vai dar certo no meu caminho e nem todo mundo ganha um final feliz. A vida é realista, e, às vezes, as coisas ficam feias e só nos resta aprender a lidar com elas. Vou aceitar isso com uma dose da sua indiferença e seguir em frente.

Sky é uma personagem completamente diferente do que eu esperava. Apesar de ter seus pontos fracos, a garota se mostra sempre forte e decidida, que são características que eu prezo muito em um personagem principal. Apesar de ser adotada, ela aparenta lidar bem com a situação e ser muito feliz na vida que leva com a mãe adotiva, mesmo não tendo acesso aos meios de comunicação que todos os adolescentes normais tem.

E então temos Holder, que é um personagem completamente apaixonável do inicio ao fim do livro. Confesso que as características de badboy me incomodaram um pouco, principalmente por ter uma lista de personagens que possuem as mesmas caracteristicas fisicas e psicológicas que ele. Porém, isso não impediu que eu me apegasse ao personagem e conseguisse compreender os motivos do seu passado.

“Todos casamentos tem limite de tempo se as pessoas se casam pelos motivos errados. O casamento não vai ficando mais fácil com o tempo… só fica mais difícil. Se decidir casar com alguém na esperança de melhorar as coisas, é melhor marcar logo o timer no segundo em que disser “sim”.”

Colleen Hoover me deu uma história de tirar o fôlego. Confesso que esperava alguma coisa muito parecida com Métrica, mas me enganei totalmente. Um Caso Perdido vai muito além do que Colleen mostrou ao escrever a série Slammed, é um livro que te envolve desde as primeiras páginas e clichê não é uma palavra que surge em nossos pensamentos durante a leitura.

O livro é cheio de reviravoltas chocantes, que deixam o leitor desesperado por um pouco mais. É muito difícil conseguir encontrar uma única palavra para definir a perfeição deste enredo e a maneira intensa e cuidadosa que a autora escolheu para conduzir a história.

Um Caso Perdido é um livro de tirar o fôlego de qualquer leitor, mas apesar disso, eu preciso advertir que é uma história um pouco pesada e um pouco chocante, e por isso alguns leitores podem não achar algo tão bom quanto eu achei. Mesmo assim, ainda acredito que seja uma leitura que valerá muito a pena para aqueles que buscam uma experiencia de leitura romantica diferente.

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