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Entrevistas 23ago • 2017

Sophie Kinsella fala sobre a inspiração por trás de “Minha Vida Não Tão Perfeita”

O primeiro livro da série Shopaholic, mundialmente conhecido, Os delírios de consumo de Becky Bloom, apresenta Becky Bloomwood, jornalista financeira cuja “vida perfeita” é supostamente fundamentada pela esmagadora dívida de cartão de crédito. A autora, que está na lista de bestselling, revisitou sua protagonista fascinante no decorrer de mais sete livros e um conto e escreveu vários outros romances, incluindo o livro young adult, A Procura de Audrey. Cada um de seus livros se aprofunda em um tema contemporâneo diferente enquanto acolhe o leitor com seus personagens confiáveis ​​e uma dose liberal de humor.

Em seu último romance, Minha Vida Não Tão Perfeita, Kinsella examina nossa obsessão atual com as mídias sociais e o impulso de projetar uma vida perfeita através de uma presença on-line cuidadosamente administrada. Enquanto Katie Brenner luta para chegar ao fim da busca pela carreira de seus sonhos em Londres, ela cobiça a vida de seu chefe glamouroso e publica fotos perfeitamente editadas de cafes, amigos e uma vida extremamente brilhante que, na verdade, não é dela.

Quando, de repente, perde seu emprego, Katie precisa voltar para a sua terra natal e acabar com a fachada de sua vida perfeita, descobrindo uma visão diferente de seu chefe no processo. Com sede em Londres, Kinsella conversou com o entrevistador Regan Stephens sobre as mídias sociais, o mito da vida perfeita e aprender a ser uma mãe mais relaxada.

Minha Vida Não Tão Perfeita explora o tema da percepção versus a realidade através da lente das mídias sociais. De onde veio a ideia?

Eu sempre escrevi sobre o que vejo à minha volta. Quando comecei a escrever Shopaholic, foi porque vi todo mundo comprando demais, inclusive eu. Eu sempre tive esse radar, seja por vício no trabalho ou qualquer outro tema, e fiquei fascinada com a explosão das mídias sociais. Eu acho que isso trouxe uma parte de nós que sempre existiu. Nós sempre quisemos mostrar a nossa melhor versão e causar uma boa impressão. As pessoas costumavam ter seus retratos pintados – isso não é nada novo, o instinto sempre esteve lá. Mas acho que com as redes sociais você adiciona uma nova dimensão. Você pode se esconder por trás disso, você pode apresentar uma nova frente, e pode ser que as pessoas com quem você está conectado nunca o vejam pessoalmente, então essas pequenas ficções – que todos nós entregamos – nunca são verdadeiras.

Em contraste, somos seres humanos e somos construídos para pegar sinais, então você pode encontrar uma amiga e ela começar dizendo que tudo é maravilhoso, mas você prestar atenção na expressão que ela faz, ou nos olhos dela, ou na risada nervosa, você pode perceber a verdade por trás dessa imagem. Mas com as redes sociais você não tem isso; você apenas tem a imagem. E parece ser algum tipo de convenção essa informações e imagens que colocamos on-line e que ninguém quer quebrar. Então estamos presos neste ciclo de “isso não é ótimo?”. Não há nada de errado com isso, exceto que isso se torna a nossa percepção do que é realidade e eu acho que se você se sente insegura, ao invés de ver as fotos de férias de alguém e pensar: “Bem, esse é apenas um dos lados da história”. Você pode achar que essa é toda a história e isso pode diminuir sua própria autoestima.

Como uma pessoa pública, você sente mais pressão para apresentar uma determinada personalidade aos seus seguidores nas mídias sociais?

Eu acho que há um equilíbrio. Obviamente, se eu postar uma foto online, eu irei postar a melhor foto. Você entende, é sempre décima foto, sempre! Você se torna consciente do que você está projetando. Mas engraçado é que todo mundo agora está colocando pressão em si mesmos como se estivéssemos constantemente vivendo aos olhos do público, simplesmente porque esse público existe. Na verdade, em vez de mais pressão, eu penso que é o contrário. Todo mundo está sentindo mais pressão. E acho que isso não é bom para a psique. Só precisamos relaxar e ser mais honestos.

Acho que a verdade é que todos estamos aprendendo e encontrando nosso caminho com as redes sociais. É tão novo, e acho que todos ficaram um pouco excitados; Era como um brinquedo novo. Ainda não estamos lá, mas vamos encontrar o nosso caminho, vamos encontrar um equilíbrio. E acho que as pessoas vão diferir. Algumas pessoas querem compartilhar, e algumas pessoas não querem compartilhar – isso é outra coisa, esse sentimento que você tem que compartilhar. Vamos encontrar um equilíbrio, mas ainda não chegamos, e acho que houve algumas perdas ao longo do caminho.

Eu notei que o livro inspirou seu próprio feed do Instagram – você está ganhando seguidores? Você já teve seu momento “Minha Vida Não Tão Perfeita”?

Desde que escrevi o livro, quando as coisas dão errado, eu comecei a usar esta frase dentro de casa e isso me animava. Quando algo der errado, eu digo “não tão perfeito”. O que é, você cresce, e você vai à escola, e todos dizem que você deve se dedicar o máximo possível, você deve tentar obter 100%. Você tem esses padrões batendo em você. E, embora seja bom se dedicar para conseguir 100 por cento, nem sempre é possível na vida. É bom ter esse conhecimento e deixar de cobrar tanto de nós mesmos. Porque realmente as pessoas desperdiçam muito tempo preocupando-se com esse tipo de coisa e medindo seus gostos. É uma conexão real com as pessoas? Devemos estar tão preocupados? Eu acho que vamos olhar para trás e ver algumas dessas coisas não são o jeito certo de ser. Nós devemos passar por isso para aprender, de verdade.

O livro está dividido em duas partes: a primeira parte caracteriza Cat em Londres e a segunda parte é Katie em Somerset. Você pode falar sobre essa escolha estrutural?

A ideia é parecer que ela realmente teve duas vidas completamente diferentes. A coisa toda é essa dualidade – ela tem dois locais em sua vida, dois nomes, duas identidades – então, parece ser realmente natural para que ela tivesse uma sensação de viver duas vidas diferentes. Na cópia concluída há um desenho de linha de Londres e um desenho de linha do campo, e é tão lindo. Apenas resume as duas partes da vida da personagem.

Esta é uma garota sentindo, erroneamente, que ela tem que escolher entre as duas e se definir através de uma ou outra. Ela cobra muito de si mesma, ela está tentando lutar por essa vida perfeita de Londres, que é um mito. Ela está sentindo que se ela fizer isso, ela precisa abandonar sua vida antiga e seu antigo nome. Ela está vivendo esta vida de ficção, na verdade. Ela perpetua a perfeição da vida em Londres e consequentemente acaba mentindo para a família sobre sua situação no trabalho porque não pode admitir que as coisas não estão ótimas. Este é um livro amadurecimento para Katie – para ela se sentir feliz em sua própria pele, mergulhar sob a imagem e perceber que ninguém é ou tem a vida perfeita.

Há um romance, obviamente, mas para mim a relação-chave é entre ela e esse chefe, Demeter, que também está vivendo uma espécie de ficção. Ela irradia o quadril perfeito, a vida linda de Londres. Isso é interessante, porque isso não é culpa das mídias sociais. Isso é apenas uma parte, um reflexo do que acontece quando você vive uma vida profissional e projeta uma imagem, enquanto a sua vida real pode ser bastante diferente …. Ao ver que seu ídolo de amor / ódio não é perfeito, Katie é capaz de se tornar mais confiante em si mesma, perceber que nada é ideal e encontrar um lugar mais realista e feliz na vida, que não depende de nenhum tipo de ficção ou mito, mas é real e fundamentado e cheio de grandes valores e pessoas que ela ama. Espero que ela acabe em um lugar muito melhor depois de perceber tudo isso.

Mesmo sabendo que ela criou uma realidade falsa para si mesma, Katie ainda acredita que seu chefe tem a vida perfeita. Por que é tão difícil para nós acreditar que outras pessoas têm problemas e defeitos, quando sabemos que nossa própria mídia social é, pelo menos até certo ponto, fabricada?

Este é um defeito do ser humano. Podemos perder todo senso de lógica por causa da insegurança. Nós pensamos: “eu posso ter uma cozinha desorganizada, mas eu aposto que ela não tem”. A dela é perfeita. Estou ciente disso em mim mesma. Eu vejo alguma impressão de perfeição on-line, vou ver uma família (esse é o calcanhar de Aquiles) e eles estão brincando juntos – jogo criativo – e eu acho, “Oh não. Eles fazem isso o tempo todo e eles são muito melhores do que eu, e eles nunca veem televisão ou brigam um com outro!” E eu não deveria me sentir assim porque, afinal, eu escrevi um livro inteiro sobre isso e eu deveria saber lidar com isso melhor.

Katie imita sua chefe, Demeter, a quem ela imagina ter a vida perfeita. Existe alguém que você imitava quando estava começando? Você já pensou sobre essa pessoa agora com outros olhos?

Não havia ninguém em particular que eu olhasse e desejasse ser igual, mas definitivamente houve gente de quem eu já senti vontade de imitar – havia uma editora no circuito quando eu era jornalista, e ela era conhecida por ter tomado conta de sua revista com a idade de 25. Todos pensaram que ela era incrível, e fiquei um pouco obcecada. Como ela fez isso, e eu como poderia ser como ela? Eu não era nada como ela, o que mostra o quão ridículo é. E nem mesmo queria ser uma editora de uma revista financeira.

Penso que é natural se enquadrar nas pessoas e pensar: “Bem, este é o meu modelo, e vou ver o que fizeram porque você precisa de algum tipo de guia”. Outras pessoas que eu olhei, foram as que tiveram seus filhos antes de mim, e as examinei e pensei: “o que eles fizeram, quais decisões tomaram?” Eu olho para alguém que esteve lá antes de mim e tento me mapear através deles. O que pode ser útil, ou pode ser realmente estúpido ou irrelevante porque a vida deles não é nada como a minha, e eu aprendi isso. Eu acho que tenho uma propensão natural para comparar e contrastar. É um instinto tão natural, e pode ser útil, e pode ser um completo desastre.

Seu primeiro romance foi publicado em 2000. As expectativas dos leitores mudaram, particularmente no que se refere aos interesses e às parcelas românticas?

Eu realmente nunca senti nenhuma mudança ou reação particular. O que meus leitores me falam, acima de tudo, é: “Eu ri. Adoro seus livros porque me fazem rir”. E às vezes eles fazem meus leitores chorar e pensar. E essas são as três reações que eu recebo, e eu suponho que estou sempre tentando equilibrar meus livros. Eu adoro escrever comédia, e mesmo que eu esteja tentando transmitir uma mensagem, eu gosto de fazer isso com humor. Não sei se poderia desistir disso; sou extremamente viciada em uma trama que faz você virar as páginas. Eu acho que os meus leitores gostam de algo para se mexer e pensar.

Esta entrevista foi originalmente publicada no Goodreads. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Resenhas 17ago • 2017

Minha Vida (não tão) Perfeita, por Sophie Kinsella

Uma coisa que todos vocês já devem saber sobre Sophie Kinsella é que ela nunca decepciona. A autora de Os Segredos de Emma Corrigan e Os Delírios de Consumo de Becky Bloom tem um jeito único de criar personagens que se conectam com os seus leitores desde a primeira página de seus romances e, adivinhem? Com Minha Vida (não tão) Perfeita não foi nem um pouco diferente. Com a sua escrita leve e divertida e com personagens maravilhosos, o novo romance de Sophie Kinsella explora os filtros das redes sociais, nossa necessidade de conquistar o mundo antes dos 25 anos, e a verdade por trás de tudo o que colocamos na internet que nem é o que parece, não é mesmo?

Katie quer ter a vida perfeita. Ou pelo menos ela quer fazer com que todo mundo acredite que ela tem a vida perfeita. A realidade? Não chega nem perto disso. Morando em um quartinho apertado em Londres e horas de distância do trabalho, Katie faz tudo o que pode para manter a aparência de que sua vida está ótima e que seu salário não é tão apertado quanto parece, afinal, ela precisa muito encontrar uma forma de fazer sua chefe-super-mega-perfeita notar seu potencial, não é mesmo? O mundo de Katie desaba quando é demitida e se vê sem saída a não ser voltar para a terra natal e ajudar a família em seu novo negócio de glamping. É só quando sua ex-chefe aparece inesperadamente que Katie começa a perceber que as aparências enganam e que ninguém tem uma vida tão perfeita assim.

Eu me apaixonei por esse livro logo no primeiro capítulo onde a personagem faz uma descrição da experiencia de pegar o metrô lotado todos os dias para trabalhar. Foi muito fácil me identificar com ela a parti daí, principalmente porque eu também fui a pobre garota iludida que saiu do interior para a cidade grande acreditando que iria conquistar o mundo em seis meses. Kinsella soube construir muito bem uma personagem que representa todos os anseios dos seres humanos: a necessidade de ser bem-sucedido, de conquistar sua vida dos sonhos, de mostrar para as outras pessoas o quão “cool” você é.

“Ta bom, vou falar logo: eu vivo entrando em cafés caros à procura de fotos dignas de serem postadas no Instagram. Tem algum problema nisso? Não estou dizendo que bebi o chocolate quente. Estou falando que fiz assim: Olha, chocolate queeente! Se as pessoas acharem que era meu… bom, aí é com elas.”

Mas será que isso realmente importa? Minha Vida (não tão) Perfeita é uma narrativa divertida sobre as grandes expectativas da vida combinada com a nossa ideia ilusória de que a grama do vizinho é sempre mais verde. Narrado em primeira pessoa, conhecemos a verdadeira vida de Katie logo no primeiro capítulo e conseguimos sentir na pele todas as suas frustrações e anseios por algo melhor, algo que mostrasse que ela é melhor do que tudo aquilo. E quem nunca se sentiu assim? De todos os enredos de Kinsella que eu li até hoje, acredito que Minha Vida (não tão) Perfeita é o que mais se aproxima da realidade em que vivemos hoje, cheia de filtros e receio de admitir que as coisas não vão tão bem assim.

O livro é dividido em duas partes. Na primeira, conhecemos Cat, a versão super cool de Katie que tenta mostrar para todo mundo que a sua vida em Londres é exatamente o que ela sempre sonhou. Conhecemos seu trabalho, sua chefe perfeita e tudo aquilo que ela deseja para si. Na segunda parte conhecemos a Katie de verdade, a realidade da sua vida, a pessoa que acabou de perder o emprego e não consegue uma entrevista e que está desesperada ao se ver tendo que admitir que nada deu certo como ela esperava. O enredo flui de forma leve e divertida e combinado com a escrita maravilhosa de Kinsella, conseguimos ver a personagem principal de todos os ângulos. Apesar de eu não gostar muito de uma narrativa em primeira pessoa, eu me senti muito bem estando na cabeça de Katie o tempo todo, principalmente porque eu me identificava muito com ela.

“Acho que finalmente descobri como me sentir bem em relação à vida. Sempre que vir alguém muito feliz, lembre-se: essa pessoa também tem seus momentos não tão perfeitos. Claro que tem. E sempre que você vir sua própria situação não tão perfeita, se sentir desesperado e pensar ‘minha vida é isso?’, lembre-se: não é. Todo mundo tem um lado brilhante, ainda que seja difícil de encontrar, às vezes.”

Os personagens do livro são divertidos e desafiadores. É como se a autora estivesse provocando o leitor com todas aquelas situações, nos obrigando a perceber que todo mundo tem um pouco de Katie dentro de si. O relacionamento de Katie e Demeter é muito interessante de acompanhar, principalmente porque, no começo do livro, você acaba tendo a mesma opinião de Katie sobre ela, acreditando na vida perfeita e muito bem-sucedida. E então vem aquele soco na boca do estômago onde você passa a conhecer Demeter um pouco melhor e todo aquele pensamento se esvai e você passa a gostar dela tanto quanto você gosta de Katie.  Minha Vida (não tão) Perfeita é a perfeita montanha russa do amadurecimento e a gente só pode agradecer Sophie Kinsella por isso.

Ah, e é claro que não podia faltar aquele bom e velho romance que tanto amamos nos livros da Sophie, não é mesmo? Mas, apesar de termos um mocinho maravilhoso e que tem tudo a ver com a Katie, o foco de Minha Vida (não tão) Perfeita realmente não é sobre encontrar o par perfeito, mas sim aceitar que a vida é um grande processo de aprendizado e que você não é e nunca será obrigado a saber todas as regras ou a vencer todas as batalhas e que está tudo bem se você ainda não conseguiu conquistar tudo o que sonhava. A jornada é longa, mas com certeza vale muito a pena.

Eu amei cada minuto que passei com esse livro. Os personagens são maravilhosos, o enredo é leve e muito divertido e a verdade é que Sophie Kinsella escreveu uma longa carta de amor para todos nós, para lembrar que não devemos nos apegar aos filtros bonitos do instagram ou aqueles textões do Facebook que as pessoas publicam sempre. Minha Vida (não tão) Perfeita era tudo o que eu estava precisando ler este ano e eu acredito que seja tudo o que você está precisando ler também.

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Lançamentos Notícias 30jul • 2017

Novo livro de Sophie Kinsella chega as livrarias e nós estamos comemorando!

Desde A Procura de Audrey que os fãs de Sophie Kinsella vem ansiando pelo próximo romance da autora de chick-lit mais amada desse país. Autora de livros como Os Segredos de Emma Corrigan e Fiquei Com Seu Número, Kinsella entrega para os seus leitores enredos divertidos e personagens apaixonantes que sempre tem uma boa lição para nos passar no final da leitura.

Parte romance e parte drama pessoal, o novo livro de Sophie Kinsella é uma crítica espirituosa dos falsos julgamentos que fazemos em um mundo completamente obsessivo pelas redes sociais. E a nossa autora bestseller do New York Times não poderia ter escolhido um enredo mais oportuno, não é mesmo? Os temas de amizade, amor e a realidade sobre as nossas vidas jogam esse enredo para o topo das comédias românticas.

Sophie Kinsella é famosa por seus personagens vibrantes e confiáveis ​​e sua habilidade inegável de criar uma narrativa que prende o leitor do inicio ao fim. Agora ela retorna com toda a inteligência e a sabedoria que são as características mais marcantes de seus bestsellers para girar esta história moderna e fresca sobre a apresentação da vida perfeita quando a realidade está longe da verdade.

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Cat Brenner tem uma vida perfeita mora num flat em Londres, tem um emprego glamoroso e um perfil supercool no Instagram. Ah, ok… Não é bem assim… Seu flat tem um quarto minúsculo sem espaço nem para guarda-roupa , seu trabalho numa agência de publicidade é burocrático e chato, e a vida que compartilha no Instagram não reflete exatamente a realidade. E seu nome verdadeiro nem é Cat, é Katie. Mas um dia seus sonhos se tornarão realidade. Bom, é nisso que ela acredita até que, de repente, sua vida não tão perfeita desmorona. Demeter, sua chefe bem-sucedida, a demite. Tudo o que Katie sempre sonhou vai por água abaixo, e ela resolve dar um tempo na casa da família, em Somerset. Em sua cidadezinha natal, ela decide ajudar o pai e a madrasta com a nova empreitada do casal: os dois planejam transformar a fazenda da família em um glamping, uma espécie de camping de luxo e estão muito empolgados com o novo negócio, mas não sabem muito bem por onde começar. E não é justamente lá que o destino coloca Katie e sua ex-chefe cara a cara de novo? Demeter e a família vão passar as férias no glamping, e Katie tem a chance de, enfim, colocar aquela megera no seu devido lugar. Mas será que ela deve mesmo se vingar da pessoa que arruinou sua vida? Ou apenas tentar recuperar seu emprego? Demeter – a executiva que tem tudo a seus pés – possui mesmo uma vida tão perfeita, ou quem sabe, as duas têm mais em comum do que imaginam? Por que, pensando bem, o que há de errado em não ter uma vida (não tão) perfeita assim?

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Resenhas 13set • 2015

Uma Pitada de Amor, por Katie Fford

Uma Pitada de Amor é um chick-lit escrito pela autora Katie Fford e publicado no Brasil pela Editora Record. Katie é autora de diversos romances, sendo este, vencedor do prêmio de melhor romance contemporâneo da Romantic Novelist’s Association. Além disso, a autora é fundadora da Katie Fford Bursary que visa apoiar jovens escritores.

Zoe Harper adora cozinhar e, como todo bom cozinheiro, sonha em ter a sua própria cozinha e encantar seus clientes com suas receitas. Quando ela consegue uma vaga num importante programa de TV sobre culinária, Zoe tem a chance de finalmente se provar como cozinheira e ainda tornar o seu sonho realidade. Não demora muito e Zoe percebe que a competição vai muito mais além do que o talento na cozinha e que os concorrentes estão dispostos a tudo para conseguir vencer.

Uma Pitada de Amor

Seu caminho acaba se cruzando com o de Gideon Irving, um homem incrivelmente sexy e muito difícil de resistir. O único problema é que ele é um dos jurados do concurso, o que – tecnicamente – impediria Zoe de se envolver com ele. Isto é, se ela não tivesse se apaixonado. Quanto mais ela se envolve em seu romance com Gideon, mais risco ela corre dentro do concurso. Será que vale a pena correr o risco de colocar tudo a perder por uma paixão?

Esta foi a minha primeira leitura da Katie, e eu confesso que o que me atraiu nesse livro foi o universo dele, a competição de culinária e o que a autora estava propondo para o romance. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da Zoe, o que me agradou bastante porque a autora conseguiu criar uma personagem que, apesar de ter uma certa ingenuidade, acaba sendo fofa e divertida, não deixando que a leitura se tornasse cansativa.

Uma Pitada de Amor

O que mais me encantou foi o enredo. Eu senti que eu estava acompanhando o Master Chef por de trás das câmeras, e isso foi muito divertido. Foi muito legal ver o preparo dos personagens e a forma como eles se desenvolviam ao longo do concurso. Queria só que eles tivessem dado mais foco no programa em si e não só nos bastidores. Em alguns pontos eu sentia que não estava acontecendo uma competição, apesar de estar.

A escrita da Katie é muito gostosa. Não foi nem um pouco difícil me conectar com a personagem e conseguir me imaginar dentro daquele enredo. A única coisa que me incomodou um pouco foi o desenvolvimento da história. Até um certo ponto eu estava gostando muito de como as coisas estavam acontecendo, mas de um certo momento para frente, o livro deu uma estagnada e ficou um tanto chato. Fiz várias pausas até que a história finalmente voltasse a ter um ritmo.

Uma Pitada de Amor

Gostei muito da Zoe como personagem, mesmo esperando não gostar tanto dela assim. Me encantei com o fato de ela ser uma personagem com um coração enorme, sempre tentando ajudar todo mundo a sua volta, sempre sendo solicita. Acho que esse foi o grande diferencial dela dentro da história: o seu grande coração. Acho que a única coisa que faltou nela foi um pouco de atitude, mas isso faz parte da personalidade que a autora queria trabalhar. Não é um ponto negativo.

Gideon foi o personagem que mais me incomodou dentro da história. Senti que ele era apenas uma “peça” para compor o enredo, mas não conseguia sentir que ele era realmente relevante, mesmo sendo o par romântico da personagem principal. Queria ter tido a chance de conhecer um pouco mais dele ou vê-lo com Zoe em momentos de maior intimidade, onde eles compartilhassem coisas sobre si.

Uma Pitada de Amor é uma leitura divertida para quem está procurando ler apenas por distração. A escrita de Katie é muito gostosa, leve e flui muito bem durante os capítulos do livro. Os personagens são interessantes, apaixonantes e o universo construído em torno deles da aquele toque final que faz a gente se apaixonar por uma história. É a leitura perfeita daqueles eternos apaixonados por um bom romance com uma pitada de comédia.

Resenhas 31ago • 2015

Sem Clima Para o Amor, por Rachel Gibson

Sem Clima para o Amor é um chick-lit escrito pela autora Rachel Gibson e publicado no Brasil pelo selo Jardim dos Livros. A autora é conhecida por outras publicações como Daisy Está na Cidade, Loucamente sua e Simplesmente Irresistível, já resenhadas aqui no blog.

Clare Wingate é uma escritora de romance para mulheres. Jovem e com sonhos de formar uma família, ela vê seu mundo desabar quando pega o noivo em flagrante em uma traição. O mais chocante mesmo, era que o marido a estava traindo com o técnico da máquina de lavar roupa. Mesmo querendo ficar em casa curtindo a sua tristeza, Clare acaba indo ao casamento de sua melhor amiga.

Sem Clima Para o Amor

O que ela não esperava era reencontrar uma paixão da infância, Sebastian, que acabou de transformando em um jornalista muito conhecido e bastante sexy. Sebastian está determinado a ter Clare para si, mas depois de tudo o que passou no seu último relacionamento, a última coisa que ela quer é se envolver com alguém e ter seu coração partido novamente. É assim que ambos partem em uma aventura de paixão, desejo e auto descobrimento.

Sem Clima para o Amor é um dos poucos livros da Rachel que eu ainda não tinha lido. Não é novidade pra ninguém dizer que eu sou completamente apaixonada pelos enredos dessa autora, mas este livro em particular me conquistou em vários aspectos. Narrado em terceira pessoa, alternando o ponto de vista da história entre os personagens principais, Clare e Sebastian.

Sem Clima Para o Amor

O enredo não é muito diferente do que eu já tinha visto nos outros livros dela, porém, em Sem Clima para o Amor, o cenário é um pouco diferente. A personagem principal, Clare, apesar de querer formar uma família, resolve dar um tempo de relacionamentos sérios depois de sua última decepção amorosa. E assim, acompanhamos todo o seu processo de cura do relacionamento anterior e da descoberta de um novo amor: Sebastian.

Eu senti um pouco de falta no desenvolvimento da história. Achei que as cenas do livro foram um tanto corridas e que a autora podia ter explorado um pouco mais do universo que ela estava criando. Porém, depois de tantos livros da autora que eu já li, percebi que talvez essa seja uma característica da escrita dela. Cenas curtas, com personagens engraçados e uma história leve e envolvente.

Sem Clima Para o Amor

Gostei muito de como a autora construiu a Clare ao longo da história. Depois eu o seu relacionamento termina, ela tira um tempo para sentir o luto de ter que se acostumar a estar solteira novamente, antes de entrar em um novo relacionamento. O mais interessante de tudo é que, quando Sebastian entra em sua vida, ela está determinada a manter esse tempo para si e a paixão entre os dois é construída a cada capítulo.

Sem Clima Para o Amor

A autora me surpreendeu muito com Sebastian. Foi o primeiro personagem masculino dela que eu realmente consegui identificar uma sensatez. Ao contrário dos outros livros, neste, o personagem principal masculino não é um pegador enlouquecido por sexo, mas um cara que quer se envolver mas não quer ter que se comprometer por conta da sua agitada vida profissional. Gostei muito dela ter tirado um pouco desse estereótipo de que todo o cara sexy é pegador, ou quer ser.

Sem Clima para o Amor foi uma leitura muito divertida. Não demorei mais do que um dia para terminar, e não me decepcionei com a escrita da Rachel, pelo contrário, achei muito criativa, bem desenvolvida e com personagens que me conquistaram ao longo de cada capítulo.

Resenhas 03ago • 2015

Você Não é o Homem da Minha Vida, por Alexandra Potter

Você Não é o Homem da Minha Vida é um chick-lit escrito pela autora Alexandra Potter e publicado no Brasil pela Editora Record. A autora possui 11 livros publicados atualmente, estes traduzidos para mais de 14 países.

Aos 19 anos, enquanto fazia uma viagem de intercambio em Veneza, Lucy Hemmingway se apaixonou perdidamente por Nathaniel. O único problema para esse amor dar certo era o fato de que Lucy é inglesa enquanto Nate é americano. Sem querer se separar um do outro, o casal aposta em uma antiga lenda veneziana que dizia que, as duas pessoas que se beijasse numa gôndola sob a Ponte dos Suspiros ouvindo os sinos da Igreja de São Marco, ao pôr do sol, ficariam juntas para sempre.

Você Não é o Homem da Minha Vida

Dez anos se passam desde a ultima vez que o jovem casal se viu. O relacionamento a distancia acabou não dando certo e ambos seguiram caminhos separados. Lucy jamais esqueceu sua paixão por Nate, e quando se muda para Nova York para trabalhar em uma galeria de artes, ela acaba encontrando novamente o seu primeiro amor. Acreditando que é o destino dizendo que eles pertencem um ao outro, Lucy começa a acreditar que Nate é realmente a sua alma gêmea.

O problema é que depois de dez anos os dois se tornaram pessoas completamente diferentes. E o que era para ser o momento mais feliz da vida de Lucy acaba se tornando um verdadeiro pesadelo. Para piorar, parece que o universo realmente não quer que os dois se separem, porque quanto mais Lucy tenta se afastar de Nate, mais coisas estranhas acontecem para que os dois fiquem juntos. Será que é possível ignorar os sinais do universo?!

Você Não é o Homem da Minha Vida

Dizer que eu sou completamente apaixonada por chick-lits não é nenhuma novidade, e quando a Record anunciou o lançamento do livro de estreia da Alexandra Potter, eu realmente não podia perder a oportunidade de conhecer um pouco do trabalho dessa autora. Narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de Lucy, a autora nos convida a conhecer um enredo que fala sobre almas gêmeas e o desejo de encontrar a pessoa perfeita.

Eu sempre fico com um pouco de receio quando se trata de narrativas em primeira pessoa, principalmente quando é necessário ficar o tempo inteiro vendo as coisas do ponto de vista de um único personagem. Porém, Potter tem um talento absoluto para a construção de um enredo e fez com que a narrativa da história fosse leve e muito divertida, de forma que o leitor ficasse cada vez mais envolvido com os acontecimentos do livro.

Você Não é o Homem da Minha Vida

O enredo vai falar muito sobre o desejo que temos de encontrar nossa alma gêmea, a pessoa que consideramos perfeita, a nossa metade da laranja. O que eu mais gostei foi que a autora escolheu falar disso de uma forma divertida, com um toque de humor leve, mas sem perder o foco principal da história. Além disso, ela caprichou bastante no cenário do livro e nos personagens secundários, fazendo com que todos os elementos do enredo se encaixassem.

Claro, por ser um livro com um tema um tanto “clichê”, o desenrolar da história é bastante previsível. Desde o começo do livro você já consegue prever exatamente como a história vai se desenvolver e quais os papéis que cada personagem que compõe aquele universo vai desempenhar. Isso não me incomodou na história, principalmente porque a autora compensou nos diálogos bem construídos e nos personagens mais divertidos.

Você Não é o Homem da Minha Vida

Lucy é uma personagem que consegue representar todas as mulheres. Ela é jovem, mas também é cheia de inseguranças e sonhos que ainda não foram realizados. Apesar disso, ela consegue viver a vida com o pé no chão, deixando os sonhos um pouco de lado, mas sem deixar de esperar por aquela oportunidade. Quando finalmente reencontra o amor do passado, ela começa a perceber que talvez estivesse tão focada em uma história que já tinha acabado não teria perdido tantas outras oportunidades.

Há outros personagens apaixonantes em Você Não é o Homem da Minha Vida . Robyn, a colega de quarto de Lucy é extremamente peculiar e dona dos melhores diálogos do livro. Para mim, ela é aquela melhor amiga que está do seu lado mesmo quando você tem ideias malucas e praticamente impossíveis. Já Nate foi o personagem que mais me irritou. Não gostei nem um pouco da forma como ele tratava Lucy no pouco tempo em que eles se reencontraram. Houve momentos no livro que eu realmente quis socar a cara dele, sério!

Você Não é o Homem da Minha Vida

Você Não é o Homem da Minha Vida é um livro que vai te fazer refletir um pouco sobre estar apaixonado, ou simplesmente sobre procurar sua alma gêmea. Algumas vezes estamos tão focados em buscar a pessoa perfeita que esquecemos de olhar a nossa volta, e talvez essa pessoa perfeita esteja bem ao nosso lado, só que cheia de defeitos e manias que ainda não percebemos que podemos amar. Eu gostei muito da forma como a autora constriu esse enredo, e se você é apaixonado por chick-lits, com certeza vai adorar essa leitura!

 

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Resenhas 31jul • 2015

Um milhão de motivos para casar por Gemma Townley

Gemma Townley nos traz Um milhão de motivos para casar – e ela é muito convincente, hein? – por meio da editora Record. É um chick-lit delicioso de se ler, narrado em primeira pessoa: a história contada é a de Jessica Wild, uma jovem dedicada a seu trabalho e suas ambições no mesmo nível em que tinha praticamente asco de romance e relacionamentos. Isso, porque ela cresceu escutando a avó dizendo que homens não prestam, que não se pode nunca depender deles ou mudar o rumo de sua vida por eles. Para ajudar, a avó ainda atribuía a morte de sua mãe a um homem, assim como à sua fraqueza causada por ele, e todas essas coisas ajudaram Jess a se manter solteira por muito tempo.

Isso muda quando Jess conhece Grace na casa de repouso em que sua avó morava. Grace, uma senhorinha totalmente oposta à avó de Jess, acredita piamente em romances, adora uma história de amor e acaba se tornando a única pessoa próxima quando a avó de Jess morre. A determinação de Grace em saber da vida amorosa da amiga mais nova e suas decepções incessantes a cada vez que ela responde não ter nenhuma novidade acaba por fazer com que Jess invente uma pequena mentira: ela se casou. Em segredo. Com o chefe inalcançável dela. E virou Sra. Milton.

Um milhão de motivos para casar

Óbvio que a vida não é linda assim e algo dá errado: Grace falece, deixa Jess triste – e rica. O testamento da senhorinha romântica deixa quatro milhões de libras para Jessica Milton. E isso tudo é muito incrível, tirando a parte em que Jessica não tem o sobrenome Milton, mas Wild. Agora, ela tem cinquenta dias para mostrar o quão wild ela realmente consegue ser e fisgar o bonitão, charmoso e inalcançável chefe, Anthony Milton, para finalmente colocar a mão em toda aquela grana. Será que ela consegue?

Como dito anteriormente, Um milhão de motivos para casar é narrado em primeira pessoa, e uma coisa legal é que a passagem de tempo na história é marcada, majoritariamente, como se fosse uma contagem dos dias remanescentes no projeto Casamento. A definição que a Sophie Kinsella deu foi perfeita: comédia espirituosa, brilhante e encantadora. Foi exatamente isso o que eu senti enquanto lia.

A Gemma teve uma ideia boa, divertida, e conseguiu passar o que queria. Ela até mesmo conseguiu trazer à tona a morte de duas velhinhas (mesmo que a avó da Jess não seja minha velhinha favorita da vida) sem me deixar triste, ha. Não posso esquecer de mencionar que os personagens utilizados na história são bem explorados e construídos, e, ah, os altos e baixos do projeto são simplesmente perfeitos, na medida certa. Eu realmente queria dar muitos spoilers aqui, porque o livro me encantou e eu queria que vocês soubessem a sensação que eu tive ao ler determinados trechos – e quero que vocês as tenham, também!

A respeito dos personagens, vamos lá: vou começar falando do Anthony, porque não quero ninguém com o coração despedaçado. O cara é rico, é bonito, é todo galã… mas não vale as ações da empresa que tem. Nem metadinha! Ele faz umas coisas que são de arrancar cabeço com a pinça e eu, apesar de saber que a Jess também não tinha boas intenções, afinal, ela estava enganando-o, tive bastante pena dela.

Um milhão de motivos para casar

Shipei-a desde o início com o Max, que é um cara super legal e centrado no trabalho e que combina com ela, e que é tão ou mais bonito que o sócio e amigo, Anthony, e a minha vontade era de pegar o Max e colocar no bolso, para não deixar nada de ruim acontecer a ele, que, coitado, gostava da Jess!

Jess, por sua vez, foi evoluindo bastante durante o livro, mas é visível que ela só conseguiu isso por ajuda do Sean e da Ivana – o melhor casal da vida!!!- e da Helen, que é sua melhor amiga e colega de apartamento. O problema da Jess é que ela se prende muito à ideia de que ela não precisa de uma pessoa ao lado dela. Tá certo que isso não é obrigatoriamente necessário, mas também faz mal você se obrigar a não deixar acontecer algo que é natural, ué. O processo dela deixando de ser Jess e mostrando a Jessica é bem legal, e acaba sendo a parte mais proveitosa do projeto.

Sobre o final, queria dizer que foi fofo pra caramba, muito inesperado por mim em determinados aspectos e foi amor total. Um milhão de motivos para casar é um livro que eu recomendo completamente, porque eu sei que quem gosta de chick-lit, ou de romance, ou mesmo de comédia vai adorar. E não posso deixar de falar da capa: a Record acertou em cheio, pois a capa é muito mais bonita que a original, e quando vi o livro na livraria, imediatamente fui fisgada pela capa!

A sensação que tive quando a Débora me emprestou o livro para resenhar, antes mesmo dela ler, foi de ter recebido a herança de quatro milhões!!! Foi realmente paixão à primeira vista, e foi amor correspondido, o que é melhor ainda. De qualquer modo, leiam, é uma leitura rápida e deliciosa. Vocês não vão se arrepender!

Resenhas 03jun • 2015

Ninguém Transa às Terças-Feiras, por Tracy Bloom

Ninguém Transa às Terças-Feiras é um chick-lit escrito pela autora Tracy Bloom e publicado no Brasil pela Editora Bertrand Brasil. O livro está entre os e-books mais vendidos no Reino Unido em 2013 e também é o romance de estreia da autora.

Depois de uma grande decepção amorosa quando ainda adolescente, Katy se fechou completamente para relacionamentos com medo de se machucar novamente. Quase com quarenta anos, ela se envolve com Ben, um professor de Educação Física bem mais novo que ela em uma relação aberta. Para Katy, sua relação com Ben era perfeita já que não tinham os dramas de uma relação comum.

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Exceto quando Katy descobre que está grávida. Ser mãe nunca esteve nos seus planos, mas o que também não estava nos seus planos era não ter certeza quem era o pai do seu bebê. Acontece que algumas semanas antes de descobrir a gravidez, Katy reencontrou com um ex-namorado do passado e esse encontro acabou revivendo mais do que as memórias dos bons tempos.

“Choraram de rir recordando coisas que foram capazes de fazer. Havia naquilo um certo prazer com culpa, ambos sabendo que, na verdade, não deveriam estar falando sobre aquelas intimidades.”

Com um bebê a caminho, completamente despreparada e sem saber quem é o pai, Katy precisa encarar o fato de que talvez não esteja pronta para ser mãe e que, apesar do seu relacionamento com Ben ser ótimo, talvez ele não esteja preparado para ser pai. Mas, pior que isso, é como enfrentar as aulas de pré-natal com o ex-namorado e sua esposa grávida de gêmeos?

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Ninguém Transa às Terças-Feiras é narrado em terceira pessoa, alternando os pontos de vista entre Katy e Matthew – o ex-namorado. Durante todo o enredo a autora foca em mostrar como a vida dos dois se desenvolveu depois do término do namoro, destacando que Katy se fechou para o amor, enquanto Matthew se casou com outra pessoa.

Particularmente, eu senti um pouco de foco da narrativa nos outros personagens do livro, como o Ben – namorado da Katy. Como ela focava sempre na questão de Katy e Matthew não saberem se ele era o pai ou não do bebê, muitos outros elementos foram deixados de lado na narrativa. E como era em terceira pessoa, achei que teria sido legal ver um pouco mais do Ben, ou mesmo da Alison, esposa do Matthew.

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O enredo é divertido, mas não é impressionante. Eu senti um pouco de falta de foco da autora em relação ao envolvimento dos personagens. Durante todo o livro nós tínhamos questões mais importantes, como o relacionamento de Ben e Katy em relação ao bebê, mas isso pareceu completamente ignorado durante todo o livro. Não me agradou muito que a autora tenha focado tanto num relacionamento passado e ignorado tanto o presente.

“Ele se encostou na cadeira. Então era aquilo. Não havia volta. O chão sumira num segundo para ser substituído por algo tão instável, desconhecido e inesperado que nenhum dos dois sabia como dar o próximo passo.”

Senti falta de um enredo mais explorado, até mesmo mais engraçado. Por mais que ela tentasse dar um tom de humor, o enredo se desenvolvia de forma muito linear, sem muitas expectativas do que iria acontecer nos capítulos seguintes. O que você lê na sinopse do livro é o que acontece no enredo, não tem muita novidade ou algo que eu possa destacar.

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Não consegui me conectar muito com os personagens, principalmente com Katy. Durante todo o livro ela parecia querer ignorar o fato de que ela estava grávida e que um bêbe ia mudar completamente a vida dela. Isso me incomodou. Ela não tinha nenhuma preparação – fora o pré-natal para ser mãe – e até certo ponto do livro isso não pareceu ter a menor importância.

“Ali estava na vida de Matthew. A vida que vivera sem Katy, mas com Alison. Resumida em meia dúzia de imagens que a encaravam, emolduradas em discretos porta-retratos cromados que combinavam entre si.”

O mesmo vale para Ben, apesar de que ele parecia estar animado com a história toda. Durante o livro achei que ele fosse um moleque, mas a verdade é que ele simplesmente não sabia como se comportar dentro de tudo o que acontecia, e a narrativa do livro fazia parecer que ele não estava se importando, quando na verdade, ele estava.

Matthew foi o que mais me irritou. Ele não tinha ideia do que estava fazendo com a vida dele, e de quebra estava bagunçando a vida de todo mundo a sua volta. Parecia um cara novo numa grande crise de meia idade porque não estava feliz com alguns acontecimentos. Houve momentos em que eu senti muita vontade de socar ele – o que foi quase o livro todo.

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Ninguém Transa às Terças-Feiras não foi o livro mais impressionante que eu já li, principalmente se tratando de chick-lit. Apesar de tudo, Tracy Bloom tem uma escrita gostosa de se acompanhar, mas eu não posso negar que eu esperava ao menos que fosse uma leitura divertida, e que eu pudesse dar ao menos algumas gargalhadas, o que não aconteceu.

Por fim, acho que é um livro que vale a pena ser lido se você só está com vontade de ler alguma coisa. Não é um chick-lit que você vai se apaixonar, mas vai te distrair numa tarde de domingo. Espero muito que a Editora lance outro livro dessa autora para que eu possa ter uma segunda impressão dela.

Resenhas 06maio • 2015

Younger, por Pamela Redmond Satran

Younger é um Chick-Lit escrito pela autora Pamela Redmond Satran e publicado no Brasil pela Editora Record. Recentemente o livro foi adaptado para a televisão em uma série de mesmo nome, estrelando Hillary Duff e Sutton Foster.

Há um ano atrás o marido de Alice contou à ela que queria se divorciar. Saiu de casa, deixando-a desempregada com uma casa enorme para manter e uma filha de vinte e poucos anos arrumando as malas para ir trabalhar como voluntária na África. Um ano depois, ela estava basicamente no mesmo lugar, vivendo na mesma casa, esperando que a filha ligasse para dar notícia e sendo rejeitada em todas as entrevistas de emprego que fazia. Apesar de estar na casa dos quarenta, Alice tem um rosto muito jovem, podendo facilmente convencer as pessoas de que ainda não chegou nem aos 30.

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Na noite de Ano Novo, sua amiga Maggie resolve fazer um projeto com ela, vestindo-a com roupas e acessórios que a iram fazer ter a aparência de uma jovem de vinte e poucos anos. Porém, o que era para ser apenas uma brincadeira de uma noite, acaba se tornando algo permanente. Com a nova identidade, Alice consegue um emprego na Editora que havia trabalhado quando mais nova, sem que ninguém saiba que, na verdade, ela não é uma recém-formada em Literatura Inglesa. Além disso, ela acaba conhecendo Josh, um jovem de 25 anos, que apesar de mais novo, faz com que Alice comece a sentir coisas que ela acho que não tinha mais idade para poder sentir.

“Podia sentir alguma coisa palpitando em meu peito de novo, perigosamente perto do coração. Quando desviei de seu olhar, mirei em seus lábios, e quando tirei meus olhos dos lábios dele, eles se fixaram em seus ombros, os quais eram muito fáceis de se imaginar nus.”

Narrado em primeira pessoa durante todos os capítulos, acompanhamos a história do ponto de vista da Alice. Para mim, que nunca fui muito fã de enredos narrados em primeira pessoa, fiquei simplesmente encantada com essa escolha de narrativa. Apesar de a história ter muitos personagens interessantes, a autora consegue fazer com que a narrativa explore todos os elementos da história, não focando apenas na personagem principal e convidando o leitor a se envolver no livro como um todo.

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O desenvolvimento do enredo é simplesmente perfeito, não deixando nenhuma ponta solta durante os capítulos e prendendo o leitor em um drama que você não consegue ter a menor ideia de como vai terminar. O que mais me chamou atenção foi o fato da autora não ter pressa de nos mostrar a Alice transformada em uma jovem de vinte e poucos. Ela deu passos pequenos no livro, fazendo com que a gente participasse do processo e pudesse ter uma compreensão mais profunda da personagem.

“Sabia que Maggie estava certa. Se eu fosse ter sucesso, teria que engolir minha ansiedade e jogar com Teri o seu próprio jogo. Eu, finalmente, terei que ser corajosa o suficiente para agir como uma adulta.”

Alice foi uma personagem que me fez rir ao mesmo tempo que fez com que eu me emocionasse. Durante toda a leitura foi possível conhecer todas as suas inseguranças, os seus medos, e também os sonhos que ela ainda queria ter a oportunidade de realizar. Como mãe e dona de casa, Alice sempre colocou sua vida pessoal em segundo plano, priorizando os desejos do marido e da filha e deixando sua vontade de construir uma carreira no mundo editorial de lado.

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Parando para pensar, isso é basicamente o que acontece com a maioria das mulheres na casa dos quarenta que, acabaram deixando de se realizar profissionalmente para cuidar da família, ou mesmo se casar. Muitas delas, depois de um certo tempo, sentem vontade de voltar para a vida profissional e encontram todo o tipo de barreira que a própria Alice encontra durante o enredo do livro.

“E então, me tornando mais jovem, eu tinha, de alguma forma, amadurecido. eu me tornara o meu real eu adulto.
A pessoa que agora pegava a mão de Josh na sua.”

Os personagens secundários são ativos e presentes durante todo o enredo, cada um contribuindo para que a história fique ainda mais interessante. Maggie, a amiga lésbica de Alice, chama muita atenção da amiga por sempre estar se colocando em segundo plano, incentivando-a a sair da sua zona de conforto e obrigando-a a enfrentar o mundo de peito aberto. Lindsay, por outro lado, representa a classe das mulheres preocupadas em constituir uma família. Sem foco nenhum na sua carreira profissional, ela investe todas as suas energias em um relacionamento que não é nem um pouco saudável, apenas para garantir um futuro estável que inclua marido e filhos.

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O que mais me fascinou foi o fato da autora não abordar apenas a questão do mercado de trabalho para pessoas que estão acima dos trinta anos, mas também o relacionamento entre pessoas de idades muito diferentes e o desejo de uma mulher de querer ser mãe após os quarenta. O relacionamento entre Josh e Alice não foi escrito de forma leviana, apenas para incluir um romance no enredo, mas sim de forma que você conseguia perceber o envolvimento dos personagens e perceber que eles realmente estavam apaixonados um pelo outro. Gostei muito de como a autora tratou o desfecho dos dois nos últimos capítulos do livro.

Eu já esperava achar Younger um livro ao menos divertido de se ler, mas confesso que depois dessa leitura eu fiquei simplesmente apaixonada pela Pamela Redmond. Younger não é apenas um Chick-Lit que você vai desejar muito ter na sua estante, mas um livro que também te faz pensar sobre as coisas que você está deixando de fazer seja por medo ou insegurança. E podem acreditar quando eu digo que essa é a sua próxima ressaca literária.

Resenhas 11mar • 2015

Simplesmente Irresistível, por Rachel Gibson

Simplesmente Irresistível é um Chick-Lit, escrito pela autora Rachel Gibson e publicado no Brasil pelo selo Jardim dos Livros.

No dia de seu casamento com um homem bem mais velho que ela, Georgeanne decide que não está pronta para dar um passo tão importante sem estar apaixonada, e deixa seu noivo no altar. Em sua fuga da igreja, ela acaba esbarrando em John Kowalsky, jogador de hóquei famoso que, sem saber o que está acontecendo ajuda a noiva a escapar da igreja.

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Ao descobrir que a mulher em questão é ninguém menos que a noiva de seu chefe, John fica enfurecido com Georgeanne, mas acaba concordando em ajudá-la, levando-a para bem longe do seu ex-noivo, mesmo sabendo que se descoberto, isso poderia custar muito mais do que apenas a sua carreira de jogador.

Mesmo possuindo personalidades diferente, os dois acabam se envolvendo, mas na manhã seguinte, John deixa Gerogie para trás e o caminho deles nunca mais se cruzam. Sete anos depois, John descobre que seu envolvimento com Georgie gerou uma filha, Lexi, mas convencer a mãe da pequena a deixá-lo fazer parte da vida de sua filha não vai ser fácil, além disso, como ele iria conseguir resistir aos seus sentimentos por Georgie, que nem mesmo ele sabia que tinha?

“— Mas Sissy não gosta de Virgil. Pensa que é um velho sujo.
John sentiu arrepiar os cabelos da nuca e teve um pressentimento muito, mas muito ruim.
— Mas Sissy não é a noiva?
Ela cravou os olhos grandes e verdes nele e sacudiu a cabeça.
— A noiva sou eu.
— Não tem graça, Georgeanne.
— Sei — gemeu—. Não posso acreditar que deixei Virgil plantado no altar!”

Simplesmente Irresistível é narrado em terceira pessoa, onde a autora tenta inserir o leitor em uma visão bem ampla da história. Não há um foco especifico nos personagens, deixando a leitura se desenvolver entre John e Georgie de forma que o leitor não se perca na história. Há momentos em que o foco da leitura se volta para os personagens secundários, e embora eu tenha achado um pouco irrelevante para o enredo, isso não afeta a leitura.

Uma das poucas coisas que me incomodaram na narrativa foi a passagem de tempo do enredo. Acho que a autora não conseguiu definir muito bem o ritmo que a história deveria acontecer, então em alguns capítulos as coisas aconteciam rápido demais, enquanto em outros você demorava para chegar na conclusão da cena. O próprio prólogo da história foi uma informação que eu achei bem desnecessária, a intenção era que ele contribuísse para a construção da personagem principal, mas do meu ponto de vista, não teve grande importância para a história.

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A escrita da Rachel Gibson me agradou muito. Gostei da forma como ela construiu o enredo, mesmo que a proposta da história tenha sido um pouco clichê. Mesmo que eu soubesse como o livro ia terminar, a escrita dela me fazia querer continuar a leitura até o final. Me surpreendi bastante com a autora em relação a isso.

“Nenhum outro homem que conhecera, mesmo antigos namorados a quem julgara amar, tinha feito ela se sentir do mesmo modo que John fizera.
Nenhum homem a fizera sentir-se tão desejável. E nenhum homem a deixara tão destroçada por dentro.”

Os personagens principais foram uma incógnita pra mim durante a história. Apesar de eu ter gostado muito da personalidade da Georgeanne, principalmente quando ela decidiu superar as próprias dificuldades e não seguir o caminho mais fácil, não tinha muita coisa nela que fizesse com que ela se destacasse tanto na história, ou que fizesse com que eu criasse algum tipo de laço com ela. John, por outro lado, é um personagem interessante, mas ao mesmo tempo não tem nada nele, além do corpo másculo e do apetite sexual que o torne o meu próximo amor literário.

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Do meu ponto de vista, a autora deu muito foco no desenvolvimento do enredo e esqueceu de focar um pouco mais nos próprios personagens. Eu sei que John é um cara lindo demais, mas também acho que ele tinha muito mais a mostrar do que suas habilidades de ganhar 6 milhões por ano como jogador de Hóquei. E mesmo Georgie, com seu problema de dislexia e tentando ser uma empresária de sucesso, tinha muito mais potencial como personagem do que apenas uma garota bonita que tem uma filha com um cara famoso.

Eu gostei de Simplesmente Irresistível. A leitura do livro, de um ponto de vista geral, foi bem agradável, embora não tenha sido impressionante. Rachel Gibson é uma escritora com talento, e isso eu não posso negar, e como foi a minha primeira leitura dela, acredito que os próximos livros tenham enredos diferentes, talvez mais elaborados.

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