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Projetos 02fev • 2018

SOSELIT #1 – Minha visão sincera sobre a blogsfera em 6 pontos importantes

Eu tive que pensar muito antes de começar esse texto porque eu blog desde os meus 15 anos e, de lá para cá, eu colecionei muitas histórias, experiências e amizades que eu nunca vou esquecer. Quando o Eu Insisto surgiu com esse projeto, eu sabia que seria uma boa oportunidade para mostrar que a blogsfera literária pode ser muito mais acolhedora do que competitiva, porque foi assim que ela me foi apresentada, sabe? Minha primeira resenha, final de 2013, foi uma ideia de uma amiga que era blogueira de livros e sabia que o meu velho e bom blog de textos poderia ser muito mais do que apenas uma desculpa para eu me esconder. E ela não estava certa?!

O SoSeLit é um projeto maravilhoso que eu estou desenvolvendo com o Eu Insisto, o Bela Psicose e o My Dear Library com o foco em espalhar um pouco de amor no mundo da “galera dos livros”, afinal estamos em época de parcerias com editoras e é sempre bom lembrar que tem muito mais em um blog do que simplesmente “ganhar livros”. E é assim que chegamos no meu primeiro ponto positivo sobre a blogsfera que eu conheço há dez anos, e amo. Leia mais

Literaría 24mar • 2017

Autores nacionais só devem escrever livros ambientados no Brasil

Mais um para a série de assuntos desconfortáveis que não deveríamos estar discutindo, mas estamos. Recentemente eu vi uma discussão sobre autores nacionais que escrevem personagens e enredos ambientados em outros países. Apesar de eu ter tido a esperança de que fosse uma discussão saudável, as pessoas realmente estavam criando uma polêmica em torno do assunto como se autores nacionais desvalorizassem seu trabalho ao usar outras culturas para criar seus enredos.

Primeiro de tudo: vamos parar com isso?

Eu fico nauseada só de pensar que eu preciso escrever um texto para que algumas pessoas possam entender que ninguém é obrigado a nada. Digo, quer dizer que por eu ser brasileira eu automaticamente não posso escrever nenhum livro ambientado nos EUA porque isso é uma desvalorização da minha cultura? É sério isso?! Será que vocês não perceberam que a literatura nacional já é desvalorizada o suficiente para vocês ficarem limitando os nossos autores?

Mas tudo bem, se nós vamos falar sobre isso, vamos do começo.

Nós estamos falando de livros, o maior instrumento de liberdade de expressão que existe no mundo em que conhecemos. O ato de escrever um livro é colocar no papel todo o ápice da sua criatividade, da sua imaginação. É explorar mundos, criar novas possibilidades. O que seria de nós se alguém tivesse dito a Julio Verne ou H.G. Wells que eles eram obrigados a se ater as próprias realidades? Não teríamos Viagem ao Centro da Terra ou A Máquina do Tempo nas estantes.

Agora só porque estamos falando do Brasil as regras da criatividade mudam? A literatura nacional já sofre grandes dificuldades. Nossos autores já têm diversas barreiras no mercado editorial para conseguir ter o seu trabalho publicado e agora vocês querem limitar também a criatividade deles? Isso só não soa mais absurdo se não viesse de leitores que leem livros de autores norte-americanos ambientados na França, Alemanha, Escócia etc. Ou vocês ficam fazendo textão mandando eles escreverem sobre o próprio país também?

É revoltante pensar que, com todos os problemas que o mercado editorial já enfrenta, a ambientação dos enredos e a nacionalidade dos personagens também são mais um item a acrescentar na lista. Existem publicações e mais publicações de pessoas pedindo por nacionais, por apoio aos autores, mas são essas mesmas pessoas que criticam enredos que não se passam no Brasil porque, por algum motivo agora, ser patriota significa apenas escrever sobre a própria cultura.

Vocês não acham isso cansativo? Durante o dia vocês batem no peito pedindo por literatura nacional, mas durante a noite vocês apedrejam os autores que desejam deixar sua imaginação voar até Londres no século 18. Conseguem entender como isso não faz sentido? Vocês querem apoiar a literatura nacional, mas ao mesmo tempo querem limitar o que os nossos autores podem ou não explorar. É quase como criar um papagaio em cativeiro, cortando suas assas para que ele não possa voar muito longe.

Por que eu não posso criar uma personagem de nacionalidade francesa, mas que é espiã em terras inglesas? Porque eu não posso deixar minha imaginação viajar até a Escócia e tomar chá com a Mary Stuart antes de ela ser presa pela Elisabeth I? Porque eu tenho que estar limitada ao meu próprio país e a minha própria cultura? O que tem de tão errado em sonhar com todas as possibilidades que vão além do nosso carnaval e feijoada?

Eu não entendo, mas eu preciso entender. Preciso porque os autores “internacionais” não passam por esse tipo de privação. Tessa Dare é uma autora norte americana e seus romances são ambientados na Escócia e na Inglaterra. Stephanie Perkins é americana e seu livro, Anna e o Beijo Francês se passa em Paris. Eu nunca vi nenhum leitor americano reclamando que elas não estavam explorando a própria cultura, pelo contrário, eles abraçaram a aventura e seguiram o fluxo.

Vocês precisam, urgentemente, parar de ser tão exigentes com os nossos autores. E eu falo isso da melhor forma possível. Eles só querem, ao menos, ter a liberdade de colocar a imaginação no papel sem serem criticados gratuitamente por isso. Sejam mais empáticos com nossos autores, sejam abertos as possibilidades que a imaginação deles e, por favor, parem de ser chatos.

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Créditos de Imagem: 1, 2, 3

Literaría 22jun • 2016

É só pelo livro de graça

Recentemente eu li uma publicação no Academia Literária que falava sobre a questão dos livros de graça que me chamou muita atenção. Para aqueles que não sabem, quando um blog conquista algumas parcerias, é comum que ele receba de autores e editoras, livros para serem resenhados e divulgados por ele. Estes são os chamados “livros de graça” que todo mundo acredita que é a melhor coisa do mundo – e talvez seja, depende de você.

Quando eu criei o La Oliphant, eu tinha muito receio em fazer parcerias tanto com autores como com editoras. Eu não me julgava capaz de lidar com a responsabilidade. Eis que me convenceram a tentar pelo menos os autores nacionais e foi assim que eu procurei a Juliana Daglio, a autora de Uma Canção para Libélula e ela se tornou a minha primeira parceira de todas.  Se eu ganhei um livro? Não. Eu pedi um livro? Também não. Porque? Na época o La Oliphant era pequeno demais, não tinha muito a oferecer, não achava justo querer algo que eu não poderia retribuir da mesma forma.

livro de graça

Algum tempo depois eu conquistei outras parcerias com autores e a iniciativa do envio do e-book gratuito partiu deles, não minha. Se eu fiquei feliz? Claro, mas ao mesmo tempo que alguns me enviavam e-books, eu tinha todo um cuidado de deixar claro que eu estava disposta a fazer a compra do exemplar se fosse do desejo deles. E eu já comprei sim, livro de autor parceiro para resenhar no blog sem ver problema nenhum nisso.

Porque eu escolhi me posicionar dessa forma? Existe uma guerra constante no mundo dos blogs literários onde algumas pessoas acreditam que nós, blogueiros, só estamos aqui pelo livro de graça. E, apesar de alguns blogueiros realmente só estarem interessados no livro, outros que escolheram essa vida por amor a leitura, acabam tendo o seu trabalho prejudicado. Por isso pisamos em ovos quando se tratam das parcerias e do envio de livros, entendem?

livro de graça

E agora vocês devem se perguntar: E as Editoras? Bem, no começo eu tinha muita dúvida sobre como era uma parceria com uma editora. Consegui a minha primeira, com a Record, em 2015 e só então eu fui entender como funciona. Para aqueles que nunca fizeram parceria com um selo, as parcerias funcionam de forma simples onde o selo envia um exemplar de um lançamento e você resenha dentro do prazo que ele determinar – assim, bem por alto mesmo.

Parece maravilhoso, não é mesmo? E é, exceto pelo fato de que muitas vezes você irá receber livros que não são do seu interesse de leitura, e mesmo assim você vai ser obrigado a resenhar. Além disso, o livro é a nossa forma de “pagamento” pelo trabalho de divulgação, que não inclui apenas a resenha, mas publicações em todas as nossas redes sociais e etc. E se você acha que os selos estão sendo fofos por nos cederem um exemplar, fiquem sabendo que esses exemplares são o que “sobram” no estoque deles – ou você realmente achou era tudo um grande romance?

livro de graça

O que eu vejo na blogosfera literária hoje é, um bando de gente subestimando o trabalho dos blogueiros, como se o que a gente fizesse, todo mundo pudesse fazer. O que não é verdade. Nós dedicamos um tempo considerável do nosso dia para a leitura de um livro, e depois disso, para a resenha desse mesmo livro. Produzimos conteúdo, divulgamos e fazemos todo o trabalho a uma única mão para que os leitores tenham o sempre o nosso melhor. Você realmente acha que é fácil acordar num sábado de manhã e saber que você precisa gravar um vídeo ou fazer uma resenha porque senão você prejudica um trabalho de anos?

É um comprometimento que a gente faz, que dá mais prejuízo do que lucro. Temos gastos com correios, com layout, hospedagem, domínio, mais correios e no final, tudo o que recebemos em troca é o livro de graça. Aquele sabe? Que as pessoas usam para jogar na nossa cara que somos apenas “interesseiros”.  Se eu for medir tudo o que eu já gastei com o La Oliphant e comparar com o que eu recebi em livros, o saldo continua negativo. E eu não estou reclamando, até porque, eu faço isso por amor e não pelo dinheiro – e acredito que seja assim com muitos blogs que estão por aqui há alguns anos já.

livro de graça

Parece maravilhosamente fácil quando você escuta alguém dizer que ganhou não sei quantos livros de editoras e autores durante o mês, mas você já parou para pensar no trabalho que essa mesma pessoa vai ter para divulgar, ler e resenhar todos aqueles livros? Além disso, existem prazos, e não sobra muito tempo para ler aquele livro que tá na estante há uns dois meses. Quantas leituras eu já não deixei para trás porque eu precisava ler um livro de uma parceria? Ih, perdi a conta.

Eu acho que é muito fácil apontar o dedo e dizer que “fulano só quer o livro de graça” quando não se conhece o processo por trás de ter um blog. É uma rotina interminável que se repete todo mês, que às vezes te deixa frustrado por parecer não dar o resultado esperado. Honestamente? Eu acho que um livro é o mínimo que poderíamos receber pela dedicação que temos na hora da leitura, das resenhas e da divulgação.

livro de graça

É respeito, entende? Nós temos que respeitar o trabalho dos autores e selos editoriais, mas também precisamos ser respeitados da mesma forma pelo nosso trabalho, afinal, nós abrimos mão de uma grande parte do nosso tempo apenas para fazer com que um grande número de pessoas conheça um determinado livro. Existem muitos blogueiros estão na blogsfera porque são apaixonados pela literatura, e eu acho que o trabalho que eles fazem precisa sim, ser mais valorizado.

E o que podemos concluir sobre isso? Não é pelo livro de graça, é pela paixão de fazer parte desse grupo maravilhoso de leitores na internet.

Imagens:  booksarehereforyou, nutmegnovels, cant-im-booked, SurprisePally

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