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Resenhas 02out • 2017

A Menina Que Não Acreditava em Milagres, por Wendy Wunder

Eu realmente não sabia o que esperar desse livro. Sick-lit é um gênero literário que nunca me atraiu, e pra ser sincero, continua não atraindo, então eu não tinha nenhuma ideia do que esperar dessa leitura. Mas A Menina Que Não Acreditava em Milagres até que foi uma surpresa agradável. Não que o livro não tenha seus problemas, e ele com certeza tem, mas foi uma leitura bem mais agradável do que eu achei que seria, apesar de ser um tanto quanto mediana.

A Menina Que Não Acreditava em Milagres conta a história de Cam, uma jovem que há anos batalha uma forma terminal de câncer. O último exame feito revela que não há mais nada que a medicina possa fazer por Cam, e que a única forma de salvá-la seria um milagre. A mãe de Cam decide então que a família deve se mudar para a cidade de Promise, uma pequena cidade no Maine que tem a reputação de ser o local de vários acontecimentos milagrosos.

Em primeiro lugar, vamos falar da protagonista. Como o livro é centrado completamente em tordo dela, se a Cam fosse uma personagem ruim, o livro em si seria ruim. Mas a narração de Cam, foi provavelmente a minha parte favorita do livro. Sempre que eu vejo uma personagem sendo descrita como sendo “sarcástica”, eu já me preparo para não gostar dela, já que geralmente “sarcástica” significa “grosseira e desagradável”. Mas eu acabei gostando bastante de Cam. Talvez porque ela realmente tem motivos para ser uma pessoa, digamos assim, negativa, então o sarcasmo dela pareceu mais justificável. E mesmo assim, ela também tem seus momentos mais sentimentais durante a história.

E os elementos do backstory dela todos eram bastante interessantes. O lance de crescer basicamente dentro do parque da Disney World, o fato de ela ser polinésia, e claro o câncer, tudo isso somado fez dela uma personagem muito interessante. E tudo isso ficou dez vezes melhor quando ela interagia com outro personagem e os diálogos dela eram realmente engraçados. Teria sido muito decepcionante se o sarcasmo dela se manifestasse de uma forma mais negativa, mas ainda bem que as observações dela me fizeram rir.

O relacionamento da Cam com o par romântico dela, o Asher, até que é legalzinho, mas não é nada que tenha feito o livro ser mais marcante. Eles têm alguns momentos bonitinhos, alguns diálogos divertidos, mas no geral, é um romance bastante esquecível. Com certeza nada que eu chamaria de um romance épico. Eu estava mais interessado no relacionamento da Cam com a mãe e a irmã, principalmente com a irmã. Eu queria de verdade ver mais cenas das duas juntas, porque fiquei com a sensação de que elas não interagiram tanto quanto eu gostaria no livro.

Infelizmente, a história em si não me saltou aos olhos como sendo tão especial. Talvez porque se trata de uma história sobre uma personagem com câncer terminal, o livro todo me pareceu uma contagem regressiva para o momento em que tudo ia pro fundo do poço. Apesar dos momentos mais leves serem bem divertidos, e até bonitinhos, eu passei pela leitura com aquela sensação de “ok, chega logo na parte importante”. E esse é o meu problema com Sick-lit em geral, eu não consigo aproveitar a história porque estou sempre esperando o momento em que a situação vai de mal a pior.

Eu não saberia comparar A Menina Que Não Acreditava em Milagres com outros livros do mesmo estilo, mas como um livro em geral, ele não foi nada que eu chamaria de ótimo. A narração da Cam foi praticamente o único ponto marcante do livro, além de algumas cenas mais divertidas, e pra ser sincero, esse realmente foi um caso em que o todo não foi maior que a soma das partes. Não é uma leitura que eu me arrependo de ter feito, mas não diria que é uma que eu farei novamente.

As imagens do livro utilizadas nesta resenha foram retiradas do blog Sai da Minha Lente.

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