La Oliphant

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Resenhas

O Urso e o Rouxinol por Katherine Arden

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Fábrica231
Ano de Publicação: 2017
1º livro da série The Winternight Trilogy
Número de Páginas: 320
Código ISBN: 978-85-9517-023-0

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Nas distantes terras do norte da Rússia, quase engolidas por uma extensa e milenar floresta, o inverno rigoroso dura a maior parte do ano, maltratando pessoas e animais. Órfã de mãe e filha caçula do rico e generoso senhor feudal daquela região, a pequena Vasya cresce sob a proteção de seus irmãos mais velhos, alimentada pelos fascinantes contos de fadas que a ama conta às crianças ao redor do forno. Essas histórias trazem personagens como o temido Rei do Inverno, considerado a própria Morte, e seu irmão gêmeo, o Urso, que se fortalece com o medo e as guerras. Para Vasya, a única que vê os seres mágicos da floresta e os espíritos guardiões que protegem sua casa, os gêmeos podem ser reais e uma ameaça aterrorizante. Livro de estreia da norte-americana Katherine Arden e lançamento do selo Fábrica231, O urso e o rouxinol mergulha no folclore russo para nos apresentar uma aventura mágica que valoriza a força do amor, denuncia o alcance devastador dos discursos de ódio e ainda questiona o limitante papel da mulher numa sociedade medieval. Temas atuais abordados com a delicadeza e o encanto eterno dos contos de fadas.

29 de novembro de 2017 29/11/2017 5 Comentários

O Urso e o Rouxinol é um dos lançamentos da Rocco de 2017. Escrito pela americana Katherine Arden e lançado pelo selo Fábrica231, a história se passa em uma Rússia medieval muito antes dos Czares. O livro é o primeiro de uma trilogia que busca recontar os primórdios da Rússia por meio do folclore e da expansão do cristianismo. Durante a leitura vemos várias referências aos contos de fadas russos, entre eles o meu favorito: Vasilisa, a bela.

Como fã de literatura russa e apaixonada por alguns contos folclóricos, assim que eu botei meus olhos na sinopse de O Urso e o Rouxinol mal pude esperar para ler. A história tinha de tudo para me prender, uma narrativa fantástica, uma protagonista forte, apesar de não ser tudo o que eu esperava o livro saiu melhor do que a encomenda. O livro começa antes mesmo de nossa pequena Vasilisa nascer, vemos um inverno rigoroso atingindo uma família de ricos fazendeiros e uma ama contando histórias ao pé da lareira.

Logo no começo, sabemos que a avó de Vasilisa era uma mulher misteriosa que surgiu um dia no castelo do príncipe e encantou-o de tal maneira que ele se apaixonou. Como uma mulher amante da liberdade e da natureza, a avó de Vasilisa causou raiva e espanto aos olhos da corte. Entre as acusações de bruxaria e reprimendas, ela acabou definhando até perder sua essência. Sua filha, Marina, foi prometida a Pyotr Vladimirovich, um rico senhor de uma família do interior sem fama ou tradição. Maria e Pyotr vivem um relacionamento feliz até que ela engravida e morre no parto. Antes de partir ela pede que Pyotr cuide de sua filha, mesmo que ela seja igual à avó.

A noite caia e Vasya tiritava enquanto caminhava. Seus dentes batiam. Os dedos dos pés entorpecidos apesar das botas pesadas. Uma pequena parte sua tinha pensado —  esperado —  que haveria alguma ajuda na floresta, algum destino, alguma magia. Esperava que o pássaro de fogo viesse, ou o Cavalo de Crina Dourada, ou o corvo, que, na realidade, era um príncipe… Menina tola para acreditar em contos de fadas. A mata no inverno era indiferente a homens e mulheres; os chyverty dormiam no inverno, e não havia tal coisa como um príncipe corvo.

Nossa protagonista cresce então entre as florestas de Rus’ e seres encantados, sem seguir muito os padrões e ideais da comunidade cristã. Toda essa liberdade começa a gerar boatos, Pyotr se vê obrigado a arrumar uma mãe adotiva na esperança que isso refreie os impulsos selvagens da filha. Para o azar de Vasilisa sua nova mãe é uma mulher perturbada que vê os seres mágicos como servos do demônio, seu fanatismo religioso leva ao enfraquecimento dos espíritos da floresta e ao fim de muitas das antigas tradições. Nada disso seria perigoso se não fosse uma ameaça cada vez mais próxima, para evitar que ela destrua toda a vila e sua família, Vasilisa deve resgatar o poder dos antigos guardiões, mesmo que isso a transforme numa bruxa aos olhos da cidade.

O livro começa com um tom mais infantil, à medida que a protagonista cresce os assuntos abordados vão ficando cada vez mais pesados. Acabei achando a transição um pouco brusca, isso foi o que mais me incomodou. Entretanto, ver Vasilisa crescer e florescer como uma grande mulher foi gratificante. Não posso dizer o mesmo de grande parte dos coadjuvantes. Torcia pra muita gente bater as botas, tanto o Padre como a Anna me causavam um ódio tão grande que não me importaria se o algum Upyr levasse eles logo. Todo o plot religioso me lembrou muito de As Brumas de Avalon, Anna inclusive me soou muito como a Guinevere, quem conhece essa versão das narrativas Arturianas vai perceber as influencias rapidinho.

“Me dizem como vou viver e como devo morrer. Tenho que ser a criada de um homem e uma égua para seu prazer, ou tenho que me esconder entre muros e render minha carne para um deus silencioso e frio. Eu entraria nas malhas do próprio inferno, se fosse um caminho da minha própria escolha. Prefiro morrer amanhã na floresta a viver cem anos a vida que me é indicada.”

Eu simplesmente adorei as várias criaturas que apareciam no decorrer da história, queria um Domovoi e um Dvornik na minha vida, o último inclusive ensina Vasilisa a falar com os cavalos, tem coisa mais legal que isso? O livro conta com um glossário ensinando muitos dos termos em russo utilizados pela autora. Até pegar direito quem era o quê, me vi indo varias vezes ao fim do livro me consultar, acabei aprendendo bastante sobre outra cultura durante a leitura, isso é o que mais me encanta na literatura. Estou ansiosa para ler a continuação, espero que a história não caia para um romance bobo, a magia é o que mais encanta no livro da Katherine.

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Beatriz Kollenz

Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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