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Resenhas

Tartarugas Até Lá Embaixo por John Green

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Editora Intrínseca
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 269
Código ISBN: 9788551002001

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Sinopse: A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.

Débora Costa
13 de novembro de 2017 13/11/2017 2 Comentários

Tartarugas Até Lá Embaixo foi um livro muito esperado para aqueles que são leitores inquestionáveis dos livros do John Green. É difícil escolher as palavras certas para descrever a minha experiência de leitura com esse livro quando anos atrás o autor havia se tornado um dos meus favoritos. Publicado no Brasil pela editora Intrínseca, Tartarugas Até Lá Embaixo não chega nem perto de ser uma experiência de leitura agradável. Com uma personagem principal passiva e uma narrativa lenta e cansativa, o livro acaba não entregando tudo o que se espera de “o autor de A Culpa é das Estrelas”.

Meu primeiro problema com Tartarugas Até Lá Embaixo começou logo na parte “sick-lit” do livro. Acredito que nós devemos, supostamente, entender que a Aza tem TOC e que ela vem sofrendo com a doença há algum tempo. O problema é que o autor não desenvolve o quadro dela de uma forma inteligente, deixando o leitor preso nos sintomas e nas crises de ansiedade sem entender muito bem o que está acontecendo. Eu mesma demorei algum tempo para me ambientar no que a personagem estava dizendo quando se tratava do distúrbio que ela tinha.

A narrativa em primeira pessoa, do ponto de vista da Aza, é bastante claustrofóbica. A personagem tem divagações profundas sobre a sua doença e faz com que o leitor fique preso dentro do seu redemoinho de preocupações. Em geral, para um livro onde a ansiedade é um dos temas principais, isso não é ruim. O problema começa quando a personagem principal não tem nenhum tipo de evolução durante mais da metade do livro e você se vê preso a um enredo que não caminha para lugar nenhum, e isso torna Tartarugas Até Lá Embaixo um dos livros mais cansativos que eu já li este ano.

“É muito estranho: sabemos que a nossa cabeça é doida, mas mesmo assim não conseguimos fazer nada em relação a isso, entende? Não é que a gente se iluda achando que comportamentos desse tipo são normais. A gente sabe que tem um problema. Só não consegue descobrir o que fazer para consertá-lo.”

Comparado com outros livros do John Green, o enredo de Tartarugas Até Lá Embaixo é muito fraco e pouco desenvolvido. O autor faz referências excessivas a Star Wars e, tudo bem, eu sou muito fã da franquia também, mas iniciar diálogos intermináveis sobre o universo de Star Wars sem que o assunto agregasse de alguma forma ao enredo foi um verdadeiro tiro no pé. Eu sei que a ideia era ajudar na construção da Daisy, a melhor amiga da personagem principal, mas já ficou claro que ela era muito fã de Star Wars no começo do livro, não precisava forçar tanto.

Aliás, para uma personagem secundária, Daisy roubou completamente o livro para mim. Na verdade, eu queria que Tartarugas Até Lá Embaixo fosse sobre ela e não sobre a Aza. Os diálogos da Aza eram cansativos, ainda mais quando eu já estava na cabeça demais por mais tempo do que é saudável para alguém e os diálogos com a Daisy foram o meu bote salva-vidas nesse livro. Eu sei que provavelmente Green não tinha a intenção de que uma personagem secundária tirasse o foco dos problemas da personagem principal, mas Daisy era um alívio para mim sempre que ela aparecia no livro.

“O verdadeiro terror não é ter medo, é não ter escolha senão senti-lo.”

Eu passei boa parte de Tartarugas Até Lá Embaixo achando que o livro não ia chegar a lugar nenhum – e não chegou. Mesmo quando conhecemos Davis e devemos acreditar que ele e Aza se entendem de uma forma única, eu sentia que alguma coisa não estava muito certa nesse “romance”. O relacionamento parecia muito fora de contexto se você juntasse com tudo o que estava acontecendo, em segundo plano, na vida do Davis. E, no final, as coisas ficaram quase que “por isso mesmo”. É como se o livro tivesse terminado de uma forma bem abrupta e vários pontos soltos foram deixados, embora eu possa afirmar que John Green tentou dar um final aos seus personagens.

Tartarugas Até Lá Embaixo foi uma leitura um pouco torturante para mim. Eu esperava compreender melhor a Aza de alguma forma, mas quando eu cheguei ao final do livro eu só consegui sentir raiva dela. Eu conseguia visualizar os seus problemas e entender todas as suas crises, mas no final eu só conseguia vê-la como uma garota egoísta que só pensava nos próprios problemas. Digo, como pode uma pessoa que diz querer melhorar não fazer o mínimo de esforço para tomar ao menos os medicamentos? Eu não consegui me conectar com isso.

Eu esperava algo muito mais desafiador do que cansativo quando eu li Tartarugas Até Lá Embaixo, mas John Green conseguiu me desapontar em todos os quesitos em que, anos atrás, fez com que eu me apaixonasse pela escrita dele. Os personagens são fracos e vazios, o enredo não prende e não faz com que você queira levar a leitura até o final e a história em si é uma forçação de barra atrás da outra. Definitivamente, Tartarugas Até Lá Embaixo não é o livro pra mim – e digo isso porque nem o título do livro eu consegui entender muito bem.

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Débora Costa

Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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