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Resenhas

O Sorriso da Hiena por Gustavo Ávila

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Verus
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 266
Código ISBN: 9788576865940

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Sinopse: É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem? Uma trama complexa de suspense e jogos psicológicos. Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitado psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém a proposta, feita pelo misterioso David, coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é um homem cruel por ter testemunhado o brutal assassinato de seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a sua, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma no desenvolvimento delas. Mas até onde William será capaz de ir para atingir seus objetivos? Em “O sorriso da hiena”, o leitor ficará fisgado até a última página enquanto acompanha o detetive Artur Veiga nas investigações para desvendar essa série de crimes que está aterrorizando a cidade.

30 de setembro de 2017 30/09/2017 4 Comentários

O Sorriso da Hiena é um livro de literatura policial escrito pelo brasileiro Gustavo Ávila. Primeiramente lançado de forma independente, Gustavo conseguiu alcançar o público chamando atenção da editora Record, suas vendas e a críticas lhe renderam uma republicação em 2017 sob o selo Verus. Centrado em uma série de assassinatos envolvendo crianças, o livro é uma viagem pelas questões de ética profissional e a moral humana.

“A mulher encarou o filho, tentando fazê-lo se acalmar, aquele olhar materno com efeito sedativo, tranquilizador, quase como um abraço. Piscou com força para fazer cessar as lágrimas, como quem tenta dizer que vai ficar tudo bem, que vai acabar logo. E foi assim que os olhos de sua mãe, que sempre conseguiram dizer tudo sem precisar de uma palavra sequer, silenciaram para sempre ao som de uma arma de brinquedo.”

Eu simplesmente adorei a leitura de O Sorriso da Hiena, a trama criada pelo Gustavo conseguiu ser eletrizante do início ao fim, os cliffhangers deixados ao final dos capítulos me levaram a não querer largar o livro. A ambientação foi o que eu mais gostei. A descrição das cenas foi extremamente vívida, era como se eu fosse transportada para dentro do livro, alguns lugares me lembravam minha cidade, andando na rua eu sentia que podia cruzar com o Artur ou o William a qualquer segundo. Toda a trama que cerca David, e o motivo para ele cometer tais assassinatos, possui uma profundidade muito boa para quem quiser explorar, o maior mérito do livro em minha opinião.

“E a dor, Sr. William, ela é contagiosa feito uma doença. Lá dentro a única coisa que eu aprendi foi a passar a minha pra frente, na esperança de que ela sumisse de vez. Mas ela não sumiu. E, não importava quantas vezes eu machucasse alguém, a minha dor continuava em mim.”

A moralidade é posta em prova durante toda a leitura. David tem um objetivo ‘nobre’ para realizar os assassinatos, ele precisa saber qual a origem do mal. Até que ponto a dor empregada na infância faz com que a criança se torne um agente da violência mantendo esse ciclo sem fim? Para descobrir a resposta ele entra em contato com um prestigioso psicólogo, William, seu doutorado analisava casos reais de crianças que passaram por situações violentas na infância, levantando perguntas sobre a relevância de eventos violentos no desenvolvimento de traumas e na moldação do caráter. David comete os assassinatos e encaminha as crianças para o psicólogo na busca de entender se ele é um monstro insensível por conta do que passou na infância, ou se o é por natureza.

Todas as famílias são diferentes, o ritual é sempre o mesmo e as vítimas são os pais. As crianças, amarradas em uma cadeira, se vêem obrigadas a assistir a morte dos pais. William é um exemplo de profissional e de cidadão, é atencioso com os pacientes, realiza trabalhos voluntários, é amado pela noiva e amigos, e tudo isso começa a ruir quando ele vê a chance de realizar o seu estudo, mesmo que os caminhos que o levaram a essa chance sejam sujos de sangue.

– Por que fica escuro de noite?

–  Por que você acha que fica escuro à noite, Luiza?

–  Eu perguntei primeiro.

Então eu expliquei, inclusive com desenhos, que era quando o sol estava do outro lado da Terra. Que ele dava a volta para iluminar o outro lado.

Ela me chamou de mentiroso.

Eu perguntei por quê.

Ela me disse que Felipe, um dos seus pais, tinha lhe dito outra coisa.

Em suas palavras:

–   A noite é escura porque é quando as cores dormem.”

Gustavo também soube trazer a narrativa policial para a realidade do nosso país. A dificuldade que a polícia encontra durante a investigação, a falta de intercambio entre as polícias de zonas afastadas e os interesses econômicos interferindo no processo, são exemplos de como a história cabia em nossa realidade. Em tempos onde muitos escritores vivem tendo a literatura americana como base, saber adaptar o gênero para a nossa cultura é essencial. O livro também é corajoso em matar personagens e descrever cenas mais sangrentas, senti o nervoso da situação na pele em diversos trechos.

A minha única crítica negativa é que o autor foi um pouco explicativo demais em algumas partes, o autismo do detetive Artur é um exemplo. Caberia deixar subentendido ao leitor, o escritor já havia deixado pistas o suficiente, uma coisa ínfima perto da qualidade do livro. Se você é fã do gênero, ou está a fim de se aventurar nesse tipo de literatura, O Sorriso da Hiena é uma ótima pedida. Você vai se deparar com um livro excelente, e o melhor de tudo? É literatura nacional.

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Beatriz Kollenz

Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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