La Oliphant

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Resenhas

Só os Animais Salvam por Ceridwen Dovey

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Darkside
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 240
Código ISBN: 978-85-9454-032-4

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Sinopse: Nós, humanos, achamos que somos o máximo. Mas o que temos feito com o nosso mundo? SÓ OS ANIMAIS SALVAM é um livro que tenta responder a essa pergunta de maneira inusitada. Cada um de seus contos é uma fábula moderna — narrada pela alma de um animal envolvido em mais um dos incontáveis conflitos e guerras humanas ao longo do último século — e suas espantosas e formidáveis histórias de vida e morte.

28 de julho de 2017 28/07/2017 22 Comentários

Só os Animais Salvam é um lançamento da Darkside, escrito pela Ceridwen Dovey e parte do selo Darklove. O livro é uma coletânea de dez fábulas modernas contadas por animais que conviveram com escritores famosos, viveram os horrores da guerra e sofreram com o egoísmo humano. Tentei ao máximo conter minha euforia com esse livro, não quis criar muita expectativa em cima da obra, mas creio que isso vai ser difícil.

“Mas para quê? Carreguei aquela coisa de beleza todo o caminho em meu dorso, com as cordas cortando até os ossos, para que alguém fizesse tinir as notas no bar da Alice, para bêbados no meio do dia. Era aquilo que partia o coração de Zeriph. Que a música do piano não significasse nada sem o falso profeta da bebida.”

Cada fábula possui seu estilo, seja emulando algum escritor, como é o caso do Mexilhão que evoca Jack Kerouac em seu excelente On The Road, seja pelo momento. Temos animais narrando sua história da África, da Polônia, da França e até do espaço. Cada um tem a sua voz na hora de contar sobre a vida e a sua visão do mundo.

Confira: “Empatia e Imaginação: O que os animais podem nos ensinar”

Não sei para vocês, mas para mim é muito difícil falar de um livro quando eu gosto muito da história, provavelmente a dificuldade vem do fato de eu ficar tão animada que passo o tempo todo pulando e abraçando o livro ao invés de expressar o meu amor de uma maneira mais clara. Quem gosta de literatura, quem ama ler, não tem como não gostar desse livro. A felicidade que temos quando entendemos quem a autora está tentando emular, quando compreendemos as referências ou deparamos com algum escritor favorito figurando de coadjuvante é indescritível. Claro que se você não entender de onde vem a referência pode consultar no final as fontes utilizadas pela a autora.

“Virgínia acompanhava nos jornais a perversão que era o comércio de tartarugas: milhões de nós importadas a cada ano do norte da África, chegando com patas e cascos fraturados por terem sido encaixotadas umas em cima das outras; mil tartarugas gregas descobertas mortas na praia de Barking. Dificilmente alguma sobrevivente da jornada conseguiu resistir ao primeiro inverno inglês.”

Outro ponto muito positivo é como a autora usa os animais para criticar a nossa hipocrisia e mesquinhez humana. Isso fica mais forte nos cenários de guerra. Era comum durante a primeira guerra animais habitarem as trincheiras, eles caçavam os ratos e serviam de companhia aos soldados. Os animais sofriam ainda mais fora dos campos de batalha. Cidades sitiadas pereciam com a falta de alimento e a população chegava ao ponto de caçar ratos, gatos e pombos em busca de comida.

Os ricos eram um caso a parte, graças ao seu poder aquisitivo e influências chegavam ao ponto de comer carnes dos animais ‘exóticos’ do zoológico quando todos os pombos já tinham se extinguido. O preço era caro, mas isso não era um problema. Humanos não hesitaram em abandonar seus animais de estimação na hora de escapar, muito menos se preocuparam com a destruição as florestas e com as famílias dos animais. Há uma fábula em que essa questão se inverte, temos humanos incrivelmente preocupados com a situação dos bichos, o que seria excelente se as pessoas em questão não fossem nazistas e tivessem convertido a energia em exterminar membros da própria espécie.

“Encarcere-se outra vez, negue-se qualquer coisa que deseje, até que o prazer venha da negação mesma, não da consumação do desejo. Apenas assim será verdadeiramente livre, e próxima do humano.”

No meio de tantas fábulas fica difícil encontrar a minha favorita. Talvez as que mais fizeram meus olhinhos brilharem foram as vozes da Gata, do Chimpanzé e da Tartaruga. Eu chorei como se não houvesse amanhã lendo esse livro. Me via profundamente tocada pelo amor inocente e pelo coração dessas criaturas ao ponto de precisar parar a leitura e refletir sobre o que tinha acontecido. Todos nós somos culpados de alguma forma. Fazemos parte deste planeta, contribuímos com a poluição, com o desmatamento e com tantas outras coisas egoístas. A fauna e a flora perecem a cada dia, deixamos que governos e empresas se afastem da sua responsabilidade em troca de lucro.

Recentemente tivemos todo o problema com o Acordo de Paris e a recusa de alguns governos em cumprir as metas estabelecidas, a justificativa é o progresso, mas até que ponto podemos permitir isso? O aquecimento global não afeta só os animais, nós sofremos com as conseqüências e como seres pensantes nos dedicamos a outras tarefas ao invés de proteger nosso planeta. Todo mundo já deve ter visto imagens das calotas polares derretendo e os ursos polares sofrendo com a escassez de alimento. Por que isso não causa empatia nos que estão no poder?

“Amor tem cheiro de morte, era nisso que eu pensava estando enterrada nas ruínas.”

É claro que o livro caminha muito longe da militância, tudo isso são pensamentos que desenvolvi percorrendo as páginas. Você não vai se sentir atacado em nenhum momento, os animais são melhores do que nós até nisso. Talvez suas conclusões ao final da leitura sejam diferentes, quem sabe? A narrativa da Ceridwen é gostosa e ela é muito talentosa, espero que a Darkside traga outros livros da autora porque eu quero ler muito mais. Se você ainda não se sentiu motivado a embarcar nessa leitura eu não sei mais o que fazer, só posso te pedir que leia o livro. Deixo aqui também um protesto para meu labrador, Luke, por não querer posar em nenhuma foto e por tentar comer o livro.

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– A promoção é válida até 14/08/2017, tendo seus ganhadores anunciados na fanpage dos blogs;
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– O envio do livro será feito pela Editora Darkside no prazo de até 90 dias após o ganhador informar seu endereço;
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Beatriz Kollenz

Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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