Resenhas 25set • 2017

À Primeira Vistapor David Levithan & Nina Lacour

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Galera Record
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 294
Código ISBN: 8501109347

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a Editora para resenha.

Comprar: SubmarinoLivraria CulturaLivraria SaraivaAmazon

Sinopse: Esqueça amor à primeira vista. Esta é uma história de amizade à primeira vista... ou quase. Mark e Kate são da mesma turma de cálculo, mas nunca trocaram uma única palavra. Fora da escola, seus caminhos nunca se cruzaram... Até uma noite, em meio à semana do orgulho gay de São Francisco. Mark, apaixonado pelo melhor amigo — que pode ou não se sentir do mesmo jeito —, aceita o desafio que mudará sua vida. E sobe no balcão do bar em um concurso de dança um pouco diferente. Na plateia, Kate, fugindo da garota que ela ama a distância por meses e confusa por não se sentir mais em sintonia com as próprias amigas, se encanta pela coragem e entrega do rapaz. E decide: eles vão ser amigos. Em meio a festas exclusivas, fotógrafos famosos, exposições em galerias hypadas, essa ligação se torna cada vez mais forte. E Mark e Kate logo descobrem que, em muito pouco tempo, conhecem um ao outro melhor que qualquer pessoa. Uma história comovente sobre navegar as alegrias e tristezas do primeiro amor... uma verdade de cada vez.

Sabe quando você gosta de um livro, mas não tanto assim? Quando você se divertiu lendo, mas o livro não desencadeou nenhuma emoção forte ou sentimento profundo em você? Então, essa foi a minha experiencia lendo Á Primeira Vista. E isso me surpreendeu porque eu geralmente gosto muito dos livros do David Levithan, e gostei muito do que já li da Nina LaCour, então eu realmente achei que teria uma opinião mais forte sobre esse livro. Mas essa foi uma situação em que, desde o momento em que eu conclui a leitura, eu não voltei a pensar na história do livro.

À Primeira Vista segue dois adolescentes, Kate e Mark. Apesar de serem colegas de classe por um ano inteiro, a primeira vez que os dois se falam é dentro de uma boate gay, quando os dois estão passando por um momento difícil. Kate está fugindo da chance de conhecer a garota por quem ela mantém uma paixão à distância, e Mark está apaixonado pelo seu melhor amigo Ryan, que parece não sentir o mesmo. Quando se encontram na loucura da semana do orgulho gay em São Francisco, eles decidem se tornarem amigos.

A escrita desse livro é realmente boa, e eu não esperava nada menos do David Levithan e da Nina LaCour. O livro segue aquela formula parecida com outros livros do Levithan, em que ele escreve os capítulos do ponto de vista do Mark e a Nina LaCour escreve os capítulos da Kate. Os dois são ótimos escritores então todo o conteúdo emocional do livro é bastante efetivo. O nervosismo da Kate em relação a Violet, a garota que ela gosta, e a ansiedade que ela tem sobre o futuro, a angústia no Mark em relação ao Ryan, tudo isso é muito bem passado pela narração e pelos diálogos.

Outra coisa que eu gostei no livro é a forma que a amizade entre a Kate e o Mark acontece. Os dois se encontram em uma noite meio caótica e decidem que já que os amigos deles não estão sendo muito amigos no momento, talvez seja melhor eles se juntarem. As interações dos dois no livro são bem divertidos, e você realmente acredita que eles se gostem de verdade. Eles se aconselham, se apoiam um no outro, e no geral, agem como amigos de verdade devem agir. O relacionamento dos dois contribui muito para que essa seja uma leitura muito agradável.

Mas esse é o problema do livro. Ele é agradável, só isso. Nada acontece nele que fica muito marcado na memória depois de concluída a leitura. Apesar de ser bem divertido, o livro não tem aquela carga emocional que os outros livros do Levithan, como Garoto Encontra Garoto ou Will e Will tem. Ele me lembra aqueles filmes que passam durante a tarde; você vai assistindo e se divertindo, mas quando o filme acaba, você não lembra quase nada que aconteceu nele.

Outra coisa que me incomodou um pouco é o fato de que o Mark não ter um subplot. A história da Kate é movida por dois pontos, o nervosismo dela com a Violet e o medo que ela tem sobre o futuro dela, e os dois são basicamente dois lados do conflito que ela precisa resolver. O Mark só tem um plotline no livro, o relacionamento dele com o Ryan. Só isso. Teria sido legal ter visto ele passando por alguma outra coisa que não fosse um amor não correspondido, acrescentar uma outra camada para o personagem dele.

Além disso, a história do livro é um pouco fantasiosa demais pro meu gosto. Eu não vou entrar em detalhes pra não dar spoiler pra ninguém, mas em alguns momentos do livro, eu me vi falando “de jeito nenhum que isso aconteceria na vida real”. É claro que a gente espera um pouco de fantasia nos livros, afinal a suspensão de descrença faz parte da maior parte das leituras, mas não de um jeito que te tira da história. Parece que algumas partes da história se desenrolam fácil demais e isso meio que acaba com o ritmo do livro.

À Primeira Vista é uma leitura, e me doí usar essa palavra, mediana. Apesar de gostar dos personagens, e da escrita ser tão boa quanto eu já estou acostumado com o David Levithan e a Nina LaCour, o livro simplesmente não é único o bastante para se destacar entre tantos outros YA contemporâneos. Além disso, o livro tem problemas em relação ao realismo da história, e o fato de que o Mark é meio raso como personagem. No mais, À Primeira Vista é um livro ok. Nem ótimo, nem ruim. Só ok.

Gostou da resenha? Então se inscreve na newsletter do blog para acompanhar os próximos conteúdos!

Vinicius Fagundes ver todos os artigos
24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

Posts relacionados

Comente com o Facebook

Comente pelo WordPress

5 Comentários

  • Oie
    poxa, eu tenho uma relação estranha com os autores pois ao mesmo tempo que gosto tbm sinto que a leitura se torna estranha. Que pena que parece fantasioso demais ou não, as vezes é necessário haha adorei a resenha e pretendo sim ler o livro se eu tiver oportunidade

    beijos
    http://www.prismaliterario.com.br/

  • Ana Paula Medeiros
    01 out 2017

    Oi! Tenho lido ótimos comentários a respeito do David Levithan, pois quando tocam no assunto de literatura LGBT, já lembro do autor, mas ainda não li nada dele. Quanto à Nina Lacour é a primeira vez que vejo comentando.
    Quando vi a obra achei a sinopse bem interessante, uma capa linda, mas pelos comentários de que não conquistou você como esperado, me desanimou um pouco. Estou precisando de leituras marcantes e apaixonantes, pois estou numa ressaca literária terrível rsrs
    Apesar de tudo, fiquei curiosa sobre o desenrolar dessa amizade entre os protagonistas. Se um dia tiver a oportunidade lerei com certeza! 😉

  • Maria Luíza Lelis
    30 set 2017

    Oi, tudo bem?
    Eu nunca li nada de nenhum dos dois, por isso, esse não foi um livro que me deixou muito curiosa para ler. Depois de ler sua resenha, acho melhor começar a conhecer o trabalho de ambos por outros livros.
    Uma pena que, mesmo sendo uma leitura agradável, esse livro não tenha correspondido às suas expectativas. Acredito que seja uma boa leitura para passar o tempo, mas nada além disso.
    De qualquer forma, adorei sua resenha e a forma sincera como falou sobre a obra.
    Beijos!

  • Ariane Pimentel
    29 set 2017

    Eu estou lendo esse livro agora e me sentindo assim. Não sei se gosto, não sei se desgosto. Ainda bem que a leitura é bem rápida. Começou bom, mais depois desceu ladeira abaixo.

  • Aline Nascimento
    25 set 2017

    Olá Vinicius, li e resenhei esse livro recentemente também; foi meu primeiro contato com ambos autores e gostei bastante do que encontrei, gostei muito da construção da amizade criada pelos autores, que pena que foi um livro mediano para você. Quero muito ler outros livros dos autores também.
    Beijos!

    Divagando Palavras
    http://www.divagandopalavras.com

  • Siga o @laoliphantblogInstagram