La Oliphant

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Resenhas

Nossas Horas Felizes por Gong Ji-Young

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Record
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 280
Código ISBN: 9788501096678

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a Editora para resenha.

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Sinopse: Uma história emocionante de amor, crime, punição e perdão no corredor da morte, da autora considerada o Paulo Coelho da literatura oriental. Yujeong é uma jovem da alta sociedade coreana que, indiferente a tudo e a todos e incapaz de se entender com a própria família, não consegue encontrar um sentido para sua vida. Depois de três tentativas frustradas de suicídio, ela acaba definhando entre o álcool e o desespero. Seus familiares, por outro lado, não se esforçam para entendê-la, a não ser sua tia, a irmã Mônica, com quem sempre teve uma ligação especial. Disposta a fazer o que for preciso para que Yujeong volte a sentir vontade de viver, a freira sugere à sobrinha que as duas façam semanalmente uma visita a um preso no corredor da morte. E então elas conhecem Yunsu, um homem que anseia deixar este mundo por acreditar que só assim conseguirá se redimir de seus pecados. Apesar de sua origem humilde, ele e Yujeong têm algo em comum: um triste passado de abusos físicos e psicológicos. Aos poucos, durante os encontros na prisão, os dois jovens atormentados revelam um ao outro seus segredos mais obscuros e seus traumas do passado, criando uma conexão inesperada, que gradualmente desperta nessas duas pobres almas o desejo de viver. Mas as mãos de Yunsu estão sempre algemadas, os guardas estão constantemente por perto, e Yujeong sabe que aquelas horas felizes juntos podem ser tragicamente curtas.

26 de maio de 2017 26/05/2017 8 Comentários

Nossas Horas Felizes é um livro escrito pela Gong Ji-Young, autora sul coreana. A história se passa na década de 80 e é narrada por dois personagens: Yujeong que é uma jovem de família rica e que tentou o suicídio várias vezes, e Yunsu um jovem presidiário no corredor da morte. Ambos se cruzam graças à tia de Yujeong, uma freira voluntária na prisão de Seul.  A partir daí a vida dos dois começa a mudar.  O livro é um bestseller coreano e já conquistou diversos prêmios, entre eles o Korean Novel Prize.

Conheci Nossas Horas Felizes pela adaptação em mangá, Watashitashi No Shiawase Na Jikan, que é um quadrinho muito conhecido e bem avaliado no Mangaupdates. Como a pessoa lenta que sou, não me liguei que o livro do qual o mangá se baseava era o que eu tinha em mãos. Quando percebi fiquei muito feliz e tratei de começar a leitura o mais rápido o possível.

Vejo que a obra tem três temas principais: o primeiro seria a questão da pena de morte, o segundo o suicídio e o terceiro a violência. Este último não é só discutido em cima de Yunsu, mas também é tratado em Yujeong que foi abusada aos quinze anos. Aqui vale parabenizar a autora que tratou muito bem a culpabilização da vítima e o quanto isso é destrutivo.  O maior mérito do livro, na minha opinião, é discutir o assunto da pena capital. Notamos o quão doloroso é para os presos, os guardas e até para os condenadores. Num certo momento temos a reflexão: “Será que pagar um crime com a morte do assassino é a melhor solução?”, não estaríamos cometendo assassinato do mesmo jeito? Por que uma pessoa que faz justiça com as próprias mãos é condenada e o Estado não? Durante a leitura, citações de diversos autores e personalidades aumentam ao debate. Essas se encontram nos capítulos narrados por Yunsu, onde ele nos conta a sua história.

No primeiro momento achei meio clichê o passado do protagonista – pobre, abandonado pela mãe, sofre abuso do pai, obrigado a roubar para sustentar o irmão – mas a autora tem um objetivo com isso. Muito mais do que mostrar o papel do Estado na formação dos jovens, ela quer deixar bem claro que violência só gera mais violência. Crianças criadas sem afeto são mais propensas a virarem delinquentes e mais tarde criminosos. O tio de Yujeong, médico psiquiatra, discorre sobre o assunto e mostra a presença do abuso físico e moral em todas as classes, enfatizando o quanto isso é maléfico na formação do indivíduo. Mal sabe ele o quanto a sobrinha sofreu. Yujeong não só precisa aceitar o que ocorreu com ela, como também deve aprender a perdoar a mãe que era abusiva. Na busca para fugir da dor ela acaba vivendo uma vida precária, abusando do álcool e recorrendo ao suicídio, o qual ela tenta três vezes.

A tia Mônica, freira e figura materna importante na obra, cuida da parte religiosa do livro. Aqui vale ressaltar que mesmo sendo católica, ela nos mostra algo comum em todas as religiões: o perdão movido pela empatia. O perdão se mostra importante para todos. Desde as famílias destruídas pelos criminosos, até os próprios condenados que se vêem na dura posição de se perdoar. Yunsu mesmo acredita que merece morrer e não tem o direito de ser feliz após ter causado tanta dor. Tia Mônica também humaniza muito os condenados. Pelos olhos clementes da coadjuvante, conseguimos ver a humanidade e com isso simpatizar com os presos. É pelo olhar bondoso dela que acabamos vendo o quanto é cruel a pena capital.

A pena de morte ainda é realidade em mais de 50 países. A Coréia do Sul teve uma restrição aprovada na década de 90, mas em 2010 ela voltou a ser praticada. Desde a sua instauração na Coréia, mais de 900 pessoas foram executadas. Em 2015 um levantamento mostrou que cerca de 23 mil pessoas se encontravam no corredor da morte. No ano de 2013 1.925 pessoas foram condenadas em 57 países. No Brasil a pena só é permitida em caso de crime de guerra, se tornando o único país de língua portuguesa a ter a pena capital presente na constituição. A última vez que a pena foi utilizada em nosso país foi em 1876. Uma pesquisa do datafolha de 2008 apontou que cerca de 60% da população brasileira era a favor da pena capital.

Como uma pessoa que se posiciona contra, acredito que livros como esse são deveras importante para a conscientização da população. Não é a primeira nem a última vez que escritores utilizam da literatura para combater a pena de morte. Victor Hugo escreveu O Ultimo Dia de um Condenado como protesto, se posicionando contra a pena até sua morte. Dostoievsky também é um bom exemplo

Contudo, o livro apresenta alguns pontos fracos. Alguns diálogos são bem vazios e também temos coadjuvantes bem estereotipados. A própria Yujeong é meio clichê em alguns momentos, mas não acho que isso invalide o livro. É uma leitura fácil e interessante, principalmente quando vemos o quanto o livro tem de potencial para iniciar debates. Uma leitura bem recomendada para quem gosta de drama, de romance ou está a fim de conhecer mais sobre pena de morte e o sistema prisional. O mangá também é muito bom, mas não é encontrado no Brasil. Pra quem curte dorama, há uma adaptação bem aclamada pelos coreanos. Nem preciso dizer que gostei da leitura e indico-a caso esteja procurando algo para ler.

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Beatriz Kollenz

Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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