Resenhas 05jan • 2018

Não Me Abandone Jamaispor Kazuo Ishiguro

O livro no Skoob e no Goodreads.

Títuo Original: Never Let Me Go
Gênero do Livro: Distopia, ficção
Editora: Companhia das letras
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 344
Código ISBN: 9788535926552

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer que o Kazuo Ishiguro é um dos meus autores favoritos. Não Me Abandone Jamais foi o primeiro livro do autor com o qual tive contato. Tudo começou no Tumblr anos atrás, me deparei com uma citação linda e passei a procurar por todos os lados o nome do livro e do autor ao qual pertencia. Depois de umas buscas no Google, descobri que o livro de onde a citação vinha era Never Let Me Go de autoria de um japonês. Naquela época, o livro era difícil de encontrar.

Não achei em nenhuma livraria virtual, sem muitas esperanças fui à livraria da cidade e para minha surpresa eles tinham perdido por lá Não Me Abandone Jamais. Comprei o livro e comecei a ler na hora. Em poucas páginas tive certeza que o Kazuo era um escritor único. Nascido no Japão em 1954, ele se mudou para a Inglaterra aos cinco anos. Escreveu diversos livros, teve obras adaptadas para o cinema e em 2017 foi o ganhador do Nobel de literatura. Aqui em casa, foi uma comemoração imensa.

O livro inicia nos apresentando Kathy, uma mulher de trinta anos que trabalha como cuidadora. Ela possui alguns anos de carreira e está próxima de se aposentar. Kathy trabalha auxiliando doadores, pessoas que doam seus órgãos para quem precisa. O trabalho consiste em acompanhar cada um desses indivíduos e ajudá-los a passar por esse processo. Kathy, por algum motivo, não consegue parar de relembrar de sua infância e de seus amigos Tommy e Ruth. Depois de anos sem terem alguma espécie de contato, ela teve a chance de reencontrá-los no trabalho, quando foi designada para cuidar dos dois durante o processo de doação. Após a morte de seus amigos, e o fim de seu trabalho, Kathy é obrigada a encarar a solidão de sua vida e viver apenas na companhia de suas memórias.

Durante a narrativa, acompanhamos as memórias de Kathy pelos anos em que viveu em Hailsham, vemos sua adolescência e o início do trabalho de cuidadora. Eu tinha duas formas de falar sobre esse livro, uma entregando o plot central e outra não. Acabei escolhendo manter o suspense, o que é uma faca de dois gumes. Não consigo falar muito sobre o livro sem entregar a grande surpresa, entretanto o leitor vai ter a experiência valorosa de desvendar o que existe de errado por detrás desses jovens. A vida de Kathy, Ruth e Tommy não é convencional. Kazuo estava buscando uma maneira de falar sobre as questões da velhice pela óptica dos jovens quando começou a escrever Não Me Abandone Jamais, a saído do autor é magnífica, e ao mesmo tempo cruel.

“Não consigo parar de pensar nesse rio, não sei onde, cujas águas se movem com uma velocidade impressionante. E nas duas pessoas dentro da água, tentando se segurar uma na outra, se agarrando o máximo que podem, mas no fim não dá mais. A corrente é muito forte. Eles precisam se soltar, se separar. É assim que eu acho que acontece com a gente. É uma pena, Kath, porque nós nos amamos a vida toda. Mas, no fim, não deu para ficarmos juntos para sempre.”

O livro não entrega de bandeja o suspense, o leitor precisa ler e enxergar nas entrelinhas até que finalmente entenda quem são esses personagens e o que eles passam. Junto das descobertas vêm diversos questionamentos morais. O livro acaba optando em acompanhar as personagens ao invés de fazer algum julgamento sobre o que é certo e o que é errado. Essa capacidade de se manter neutro, deixando os questionamentos e reflexões por conta do leitor, é uma das características que mais me admira na escrita de Ishiguro. Ele não duvida de inteligência de quem lê em nenhum momento, algo raro em muitos blockbusters de hoje em dia.

É impossível não se emocionar com as lembranças de Kathy. O triângulo amoroso que se forma entre esses jovens e as conseqüências disso também são de partir o coração. Apesar de ser uma história de ficção científica, o livro é mais centrado no crescimento das personagens e nos acontecimentos do dia a dia. A escolha de Ishiguro para contar essa história pode fazer alguns leitores acreditarem que o livro é lento. Não temos reviravoltas mirabolantes, ação ou qualquer espécie de revolta em Não Me Abandone Jamais. Temos apenas a vida como ela é, fria e cruel.

O livro é uma viagem introspectiva sobre o que é a vida e a morte, sobre o que é o amor e a amizade, tudo condensado em uma juventude fugaz. O livro possui grande carga dramática, talvez intensificada pela forma desesperançosa com que Kathy narra sua vida. Se você está procurando uma leitura para se divertir sugiro guardar o livro para um outro momento. Em Não Me Abandone Jamais podemos ver quem é Kazuo Ishiguro e contemplar um pouco o motivo com o qual ele foi agraciado com Nobel de Literatura de 2017. Leitura recomendadíssima para todo mundo.

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Beatriz Kollenz ver todos os artigos
Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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17 Comentários

  • Bianca Melo
    19 jan 2018

    “Ele não duvida de inteligência de quem lê em nenhum momento, algo raro em muitos blockbusters de hoje em dia” – a coisa mais real do mundo!! Confesso que não conhecia bem o trabalho de Ishiguro. Ouvi falar sobre ele quando ganhou o nobel ano passado. Acho q nessa época muitos olhos começaram a se virar para suas obras. Pretendo ler em breve algo dele, e com certeza o primeiro vai ser Não me abandone jamais. Pela resenha parece ser um daqueles livros que vão me deixar acordada a noite toda. Amei ♥

  • Lily Viana
    17 jan 2018

    Olá!
    Gostei do livro, apesar de não ter ouvido fala sobre o autor. Mas a premissa é muito boa, tem uma historia bem envolvente e conhecemos uma personagens que está na solidão, sozinha e bem triste mas o autor faz nós refletir sobre o que aborda no livro. Espero ler em breve!

    Tempos Literários

  • Thuanne Hannah Ramos de Souza
    17 jan 2018

    Eu não sei se esse seria o momento certo para ler o livro, mas parece ser bem interessante, diferente.
    Fiquei curiosa para saber qual o mistério do livro, mas também fiquei com receio de ser muito lento.

  • Brenda Ketellyn
    17 jan 2018

    Primeira vez que leio sobre esse livro, e já teve uma boa primeira impressão.
    Gosto quando tem um triangulo amoroso e ja faz um tempo que não leio nada com muito drama, esse com certeza entra para a minha lista.

  • Lynn Prado
    16 jan 2018

    Ooi Beatriz, ainda não conhecia o livro, fiquei bastante curiosa sobre o livro, não me importo muito se a leitura é lenta.
    Acho bastante interessante os questionamentos morais, que alguns livros fazem o leitor sentir.
    Bjs

  • Camila Rezende
    15 jan 2018

    Olá Beatriz,
    Não conhecia o livro e nunca ouvi falar do autor.
    Vou confessar que a sinopse não me interessou e não sei se vou ler o livro.
    Gostei de saber que o autor meio que mantém a estória neutra e deixa para os leitores se decidirem sobre as personagens e não impõe sobre isso.
    Quem sabe eu não leio outro livro dele

  • Aline Bettú Bechi
    11 jan 2018

    Olá, tudo bom?
    Gostei muito da resenha. Não sabia que o autor era Japonês.
    Gostei de não ter revelado o plot central da história, porque isso me deixou curiosa. Pelo jeito, a narrativa e a construção da obra parecem bem diferente do que estamos acostumados.

    Beijos, Ally.
    Amor Literário

  • Lana Silva
    09 jan 2018

    Tenho lido muitas resenhas a respeito deste livro, e a cada vez me senti mais interessada em ler esta estória, pelo fato de que o autor consegue nos aprofundar nas entrelinhas nos fazendo questionar e refletir sobre o que esta de errado na vida da personagem, e fazendo com que o leitor queria desvendar este mistério, eu mesma me peguei curiosa e entusiasmada por esta leitura.

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  • Pamela Liu
    08 jan 2018

    Oi Beatriz.
    Ainda não li nada do autor, mas achei a sinopse de Não me abandone jamais bem interessante.
    Não me importo de ler livros com narrativas mais lentas, desde que a história seja boa.
    Já fiquei curiosa para saber mais sobre os segredos de Kathy, Tommy e Ruth.
    Parece que esse livro é daqueles que a história não é nada do que aparenta.
    Bjs

  • camila rosa
    08 jan 2018

    Oi, tudo bom?
    Devo iniciar dizendo que eu não conhecia o autor, não tinha ouvido falar dele, mas parece ser muito bom, fiquei curiosa para saber um pouco mais, parece ser um livro um tanto profundo e um pouco triste digamos assim, por causa da solidão vivida pela protagonista apos a perda dos seus amigos.
    Beijos *-*

  • Vitória Pantielly
    08 jan 2018

    Oi Beatriz!
    Apesar de não ser o tipo de livro que eu pegaria para ler sem conhecer nenhuma resenha, só de saber que ganhou um prêmio nobel já da pra ver que ele é mto bom.
    Pela resenha pude perceber que os personagens carregam um certo drama e co certeza emocionaram o leitor, me lembrou um pouco “O doado de memórias”, e parece ter uma mistura de ficção científica com distopia né? Gosto desse tipo de leitura, mas como você mesmo disse, acho que existem “momentos” para ela, espero ter a oportunidade de ler, parece mesmo incrível!
    Bjs

  • Samantha correa
    07 jan 2018

    Não sei bem se me cativei com a história ou não. Achei muito dramática e embora seja bom ler um pouco de livro realista acho que nossas vidas são tão problemáticas e tão difíceis que até evito pois prefiro algo que me faça sonhar com um mundo ideal, mas acho que para aqueles que gostam de drama deve ser um livro maravilhoso.

  • Cristiane de Souza
    06 jan 2018

    Oi Bia…
    Ainda não tive a oportunidade de ler nada do autor, mas sendo vencedor de um prêmio Nobel, com certeza tem uma escrita marcante e diferenciada…. Como deve ser difícil viver sem ter na memória pelo menos um pouco do passado… Com certeza quero ler essa obra que com certeza vai mexer comigo e trazer lições que vou levar para a vida toda…
    Beijinhos…

  • Danielle Gaspar
    05 jan 2018

    Ainda não li esse autor, mas ele é super recomendado nos meus grupos de leitura. Este livro, aparentemente, é daqueles que te faz remoer por dentro, mexe com as entranhas… O tema do livro não tem nada a ver, mas pelo sentimento que vc transmitiu sobre ele, realidade dura e crua, me fez lembrar de “A Hora da Estrela”.
    Você poderia dizer qual a citação que a fez amar Kazuo Ishiguro…
    Fiquei curiosissima!
    Muito obrigada por essa resenha!
    =D

  • Raquel Rodrigues
    05 jan 2018

    é a segunda resenha que vejo sobre o livro e a sua opiniao é diferente da primeira e me mostrou outra visão do livro, eu não curto muito triangulo amorosos, mas o livro parece ser muito bonito, com uma carga emocional bem forte, e acho que eu particularmente acharia o livro com uma narrativa bem lenta, esse assunto sobre clones e para que eles foram criados, é bem cruel. O livro parece ser meio dificil de ler e entender, então não sei se leria.

  • Lili Aragão
    05 jan 2018

    Segunda resenha que leio hoje desse livro e deu pra perceber que a história chega pra cada de uma forma completamente diferente, para alguns de forma não tão boa e para outros de forma emocionada. Ainda não tive a oportunidade de conhecer o autor mas saber que ele já ganhou um prêmio nobel desperta curiosidade. Contudo a narrativa mas lenta e essas viagens através das lembranças entre passado e presente me preocupam um pouco. Ainda assim e apesar de não ser um livro que leria agora, eu curti muito a resenha e pode ser que mais a frente eu resolva ler a história 😉

  • Ludyanne Carvalho
    05 jan 2018

    Gostando muito das resenhas do blog, sempre vem com uma visão diferente das outras resenhas que já li.
    “Não me abandone jamais…” (sempre leio cantando. Haha.
    Acabei de ler uma resenha sobre este livro, e confesso que não me chamou atenção.
    A sua resenha me mostra um pouco mais sobre a história, mas também não senti vontade de ler.
    Gostei de saber da qualidade da escrita do autor, quem sabe ele não escreva outro gênero que me desperte o interesse.
    Porque distopia, ficção científica e suspense não são gêneros que eu gosto.

    Beijos

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