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Resenhas

Lembra Aquela Vez por Adam Silvera

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 336
Código ISBN: 8579802806

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Finalista na categoria romance juvenil do Prêmio Lambda, o mais tradicional do segmento de literatura LGBT do mundo, e celebrado por veículos como The New York Times (“lindo romance de estreia”) e Chicago Tribune (“comovente”), entre outros, Lembra aquela vez conta a história de um garoto do Bronx (re)descobrindo sua sexualidade. Aos 16 anos, Aaron carrega no pulso uma cicatriz que registra a dor pelo suicídio do pai, mas, com o apoio da mãe e da namorada, Genevieve, está determinado a seguir em frente. Quando a garota viaja para um acampamento, porém, Aaron se aproxima de Thomas, e acaba encontrando nele mais do que um melhor amigo. Confuso, Aaron considera recorrer ao LETEO, um instituto que realiza procedimentos científicos para apagar memórias indesejáveis, na tentativa de esquecer lembranças ruins e, principalmente, quem ele é. Mas será possível encontrar a felicidade fugindo de si mesmo? Com uma narrativa pungente e sincera, Adam Silvera fala sobre bullying, homofobia, medo, incertezas, ética, amizade, amor, aceitação e a procura pela felicidade.

Vinicius Fagundes
18 de novembro de 2017 18/11/2017 6 Comentários

É sempre uma surpresa agradável quando um livro consegue te surpreender. Eu tinha ouvido falar muito sobre os livros do Adam Silvera, e baseado nos comentários que eu tinha lido, eu entrei nessa leitura esperando uma coisa, e acabei encontrando outra completamente diferente. Lembra Aquela Vez foi aquele livro em que você acha que entende aonde a história está indo, o livro vem e te dá um tapa na cara, da melhor forma possível. Mas vamos começar do começo.

Lembra Aquela Vez segue o adolescente Aaron Soto, que está tentando se recuperar de uma tentativa de suicídio após encontrar o seu pai morto com a própria navalha de barbear. Aaron tem o apoio de sua mãe e de sua namorada Genevieve (além de a possibilidade de passar pelo tratamento no Leteo, um instituto que remove memórias dolorosas), mas isso não parece ser suficiente. Então Aaron conhece Thomas, um garoto do conjunto habitacional vizinho ao seu. Logo, se torna muito obvio para as pessoas ao seu redor que Aaron está se apaixonando por Thomas. Quando seus colegas de bairro decidem lhe ensinar uma lição dolorosa, isso acaba desencadeando lembranças em Aaron, que talvez já tenha passado pelo tratamento.

Eu realmente não quero entregar muita coisa da história, porque as surpresas acrescentam demais para o enredo. Vou apenas dizer que Lembra Aquela Vez em agradou de uma maneira completamente diferente do que eu estava esperando. Eu achei que ia encontrar um YA contemporâneo sobre um garoto que descobre estar se apaixonando por um amigo, e acabei encontrando uma história muito mais complexa. Esse é o tipo de surpresa mais legal que você pode ter em relação a um livro. Eu realmente não estava esperando a quantidade de socos emocionais que esse livro ia acabar me dando.

“A primeira vez que vi um cartaz no metrô divulgando o instituto capaz de fazer as pessoas esquecerem as coisas, pensei que se tratasse de uma campanha de marketing para um novo filme de ficção cientifica. E quando vi a manchete “Aqui hoje, esquecido amanhã” na capa de um jornal, pensei que a matéria falasse de algo sem graça, como a cura para um novo tipo de gripe.”

Aaron funciona muito bem como protagonista. Ele é um garoto inteligente, criativo, sensível, e que consegue carregar muito bem a narrativa da história. Desde o primeiro momento do livro, é possível perceber o peso emocional que ele está carregando, e é bem legal ver o quanto as pessoas ao redor dele, principalmente a mãe e a namorada, Genevieve, são empenhadas em apoiá-lo. É ótimo ver um livro que mostra o quanto é importante explorar e expressar seus sentimentos, principalmente quando se trata de um personagem homem, já que vivemos em uma sociedade que reprime o desenvolvimento emocional dos homens.

A escrita do Adam Silvera é tão boa quanto eu achei que seria. Ele consegue falar muito bem a linguagem de um adolescente confuso que ainda está se descobrindo, em mais de uma maneira. E os diálogos e pensamentos de Aaron nunca parecem forçados ou falsos. Eu já tinha ouvido falar muito dos livros dele, e essa leitura só me animou ainda mais para conhecer o resto da bibliografia dele. Tomara que as editoras tragam os outros livros dele logo, porque eu mal posso esperar.

“Thomas também corre o dedo sobre a cicatriz depois cutuca meu pulso duas vezes. Seus dedos estão sujos do ioiô e de outras coisas do telhado. Mas agora eu entendo; ele desenhou olhos, com duas impressões digitais sujas sobre a cicatriz.”

Mas a maior força de Lembra Aquela Vez é a forma que ele tem de te dilacerar completamente com as suas reviravoltas. Eu obviamente não vou entregar nenhum dos momentos importantes, mas tiveram partes desse livro em que eu literalmente fiquei sem ar lendo. Eu tive que parar para respirar porque estava tão completamente envolvido com a história e os personagens. Fazia tempo que eu não me perdia assim em um YA contemporâneo, e eu estava realmente sentindo falta disso.

No geral, Lembra Aquela Vez foi uma surpresa muito agradável. Eu entrei nessa leitura esperando achar uma história bonitinha e divertida, e sai dela com o meu emocional completamente destruído, o que é sempre uma coisa boa numa leitura. Recomendo sinceramente esse livro para todos vocês, e peço encarecidamente para as editoras: Tragam logo os outros livros do Adam Silvera porque eu já estou me coçando de vontade de conhecer mais do trabalho dele.

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Vinicius Fagundes

24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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