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Resenhas

Esqueça o Amanhã por Pintip Dunn

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Galera Record
Ano de Publicação: 2017
1º livro da série Esqueça o Amanhã
Número de Páginas: 384
Código ISBN: 9788501077462

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Em uma sociedade onde jovens recebem uma visão de seu futuro quando completam 17 anos, todos têm uma carreira a qual dedicar seus esforços. Um campeão de natação, um renomado cientista, um chef de sucesso... ou, no caso de Callie, uma assassina. Em sua visão, a garota se vê matando a própria irmã. Antes que ela possa entender o que aconteceu, Callie é presa – e a única pessoa capaz de ajudá-la é Logan, uma paixonite de infância com quem não fala há cinco anos. Agora, Callie precisa descobrir uma forma de proteger sua irmã da pior das ameaças: ela mesma.

Débora Costa
15 de novembro de 2017 15/11/2017 0 Comentários

Eu tinha todas as esperanças do mundo quando comecei a leitura de Esqueça o Amanhã. Mesmo com algumas resenhas negativas, eu me mantive firme e forte na leitura dessa distopia porque acreditava que toda a ideia de uma sociedade construída em cima de “memórias” poderia ser uma aventura e tanto. E, até certo ponto, eu não estava errada. De um modo geral, o enredo de Esqueça o Amanhã é interessante e desafiador, mas a autora peca em pontos importantes na construção do universo e o foco constante no romance entre os personagens principais foi um deslize do qual ela não conseguiu se recuperar.

É um erro comum dos autores de distopia falharem na ambientação do universo e com Esqueça o Amanhã não foi muito diferente. Nos primeiros dez capítulos do livro eu consegui me manter interessada na história, porém, a autora não me dava as informações que eu precisava para entender o universo no qual a história se passava. Como aquela sociedade começou? Quando chegamos naquele ponto? Como funcionava o sistema de memórias? Essas foram perguntas que ficaram na minha cabeça por quase toda a leitura e boa parte delas ainda não foram respondias.

O enredo de Pintip Dunn tem um ritmo lento, demorando mais de vinte capítulos para você poder dizer que a história realmente havia começado. Além disso, o ponto mais fraco do livro está na apresentação vaga dos personagens. Dunn insere uma quantidade infinita de novos personagens a cada capítulo, mas não apresenta de forma descente nenhum deles. Em certos pontos do livro eu senti muita dificuldade de lembrar com quem a personagem principal estava falando e porquê. A falta de organização na construção do enredo é outro detalhe gritante das falhas de Esqueça o Amanhã.

“Gostaria de viver num mundo onde o amor conquista tudo. Mas talvez tenhamos aberto mão deste privilégio quando o Boom Tecnológico alterou nossa sociedade. Talvez, quando construímos um mundo com base em imagens do futuro, tenhamos barganhado nossos sonhos em troca. Pagamos com a paixão de nossas almas, a paixão que arde de esperança, desejo e possibilidades.”

Para um enredo que promete “thriller” na contracapa, Esqueça o Amanhã está mais para um grande livro de romance do que qualquer outra coisa. É claro que o enredo trabalha seus momentos de tensão muito bem, mas prometer um thriller foi um pouco exagerado demais. Além disso, o foco do enredo é confuso, dificultando demais dizer para onde que essa história vai caminhar nos próximos três volumes da série que estão para serem lançados aqui no Brasil. Se vamos ter uma melhora de enredo ou de personagens é muito difícil de dizer.

Callie foi uma personagem que eu gostei nos primeiros capítulos do livro, mas conforme ela vai se deixando envolver pelos seus sentimentos por Logan, a personagem se torna um verdadeiro “pé no saco”. Depois de um certo ponto a leitura pode se resumir na personagem falando constantemente sobre o quanto está apaixonada por seu par romântico e mesmo quando você acha que as coisas vão começar a andar, Pintip Dunn te jogar novamente no looping emocional que é o relacionamento dos dois. Isso não é só cansativo, como matou completamente a minha vontade de continuar essa série.

“Uma garota que procura o sol, como uma flor se banhando em seus raios. Uma garota que ama sua família com todo seu coração. Uma garota tão corajosa que falará qualquer coisa para salvar a irmã . – Ele se aproxima. E chega mais perto ainda. – Você fez tudo o que eu devia ter feito por Mikey, mas não fiz. Sempre vou respeitar isso.”

Esqueça o Amanhã tenta trazer uma distopia pesada para os leitores, mas falha miseravelmente em todos os aspectos que provavelmente deveriam tornar o livro algo bom. Todos os personagens apresentados têm uma história um tanto “macabra” como background, mas isso não é trabalhado de forma inteligente pela autora ao longo dos capítulos. Aliás, passei boa parte do livro com a certeza de que Dunn não tinha a menor ideia de como usar todos os elementos que ela mesma tinha criado para o seu enredo.

Tirando toda a parte do enredo óbvio e das falhas grotescas de enredo, a escrita de Dunn não é ruim, mas apenas confusa. Se você tem disposição para encarar um enredo que não cumpre o que promete, mas que entrega pelo menos um dos romances mais melosos que vocês vão encontrar, então pode ser que Esqueça o Amanhã seja uma leitura muito melhor para você do que foi para mim. Eu comecei esse livro esperando entender uma sociedade com uma forma de governo que eu nunca tinha visto antes, mas me deparei com uma personagem principal passiva e um romance que não convence ninguém.

Esqueça o Amanhã é o primeiro livro de uma tetrologia (aparentemente isso é uma coisa) que eu não pretendo continuar. Distopia é um gênero que vem sendo muito difícil para mim desde o final de Divergente e acho muito difícil encontrar um autor que consiga construir um universo completamente novo, com a quantidade de romance necessária para manter o autor interessado, sem mudar completamente o foco do enredo – se vocês conhecerem um, por favor, me apresentem.

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Débora Costa

Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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