Resenhas 02maio • 2016

Encrencapor Non Pratt

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Verus
Ano de Publicação: 2016
Número de Páginas: 307
Código ISBN: 9788576864103

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

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Sinopse: Quando o colégio inteiro descobre que Hannah Sheppard está grávida, ela tem um verdadeiro colapso. E quem está ao seu lado é Aaron Tyler, um aluno novo e o único garoto que não parece ter segundas intenções em relação a ela. Desejando compensar seus erros do passado, Aaron toma uma difícil decisão: ele se oferece para fingir ser o pai do bebê. E, temendo revelar quem é o verdadeiro pai, Hannah aceita. Encrenca é a história de dois jovens que estendem a mão um para o outro quando todas as demais pessoas parecem lhes dar as costas. Em um período marcado por perdas, arrependimentos e esperança, os dois vão descobrir que nada se compara a encontrar o seu primeiro melhor amigo de verdade. Este livro inteligente, por vezes comovente, por vezes engraçado, mostra que crescer pode ser complicado, mas é assim que se descobre o que realmente importa na vida.

O assunto “gravidez na adolescência” sempre foi muito polêmico na época em que eu estava no auge dos meus 14/15 anos. Minha mãe sempre me dizia que se eu fizesse uma “escolha ruim” eu iria ter que arcar com as consequências. Sempre me perguntei qual era essa tal escolha ruim. Seria transar muito nova ou ter um filho muito nova? Seja como for, as pessoas na minha época tratavam a gravidez como o pior erro que você poderia cometer e, na minha opinião, se tivessem conversado mais e criticado menos, muitas das minhas amigas talvez tivessem feito escolhas diferentes.

Mas porque eu estou falando disso? Recebi da Editora Verus um livro que me chamou muita atenção justamente por falar da gravidez na adolescência de uma forma completamente diferente. Encrenca, da Non Pratt conta a história de Hannah, uma garota de apenas 15 anos que é vista como uma “vadia” pelas pessoas da escola em que estuda. Um dia, Hannah descobre que está grávida e sem querer revelar o pai do seu filho, ela acaba arcando sozinha com o bullying na escola e o fato de que daqui há alguns meses ela seria responsável por outro ser humano.

encrenca

É no meio de toda essa confusão que aparece Aaron Tyler, um novo aluno na escola de Hannah que, por vontade própria, decide assumir – mesmo que de mentira – a paternidade do filho de Hannah para ajudá-la a passar por esse momento. Mas Aaron também tem seus próprios demônios para enfrentar e, junto com Hannah, ele embarca em um período de lembranças, decisões, perdão e principalmente autoconhecimento.  Com a narrativa em primeira pessoa dividida entre estes dois personagens, Non Pratt nos convida a conhecer a história de dois adolescentes que tem muito a nos fazer sentir.

A narrativa dividida entre dois personagens é algo muito perigoso, mas Non Pratt conseguiu – e de uma forma brilhante – dar vozes únicas para cada um dos seus personagens, criando uma montanha russa emocional deliciosa para os seus leitores. Confesso que, no começo do livro, eu achei que não fosse me envolver com a história, mas acompanhar a história de Hannah contada do ponto de vista dela foi muito mais intenso do que eu poderia prever. Foi um desafio para mim, como leitora, estar na cabeça de uma garota de 15 anos, grávida, sendo obrigada a tomar decisões de adulto, sofrendo com bullying e lidando com as mudanças do seu próprio corpo, tudo de uma única vez.

encrenca

Non Pratt tem uma escrita impecável. Quando você passa muito tempo dentro da cabeça de um personagem, chega um ponto que a história começa a ficar cansativa, mas em Encrenca, Non conseguiu desenvolver a história na medida certa, de forma que a cada capítulo eu estivesse mais e mais envolvida com Hannah e Aaron. Além disso, o enredo foi construído de forma que eu conseguisse conhecer Hannah. Quando toda a “bomba” da gravidez aconteceu, eu conseguia visualizar bem as possíveis decisões que a personagem poderia tomar e o tipo de pessoa que ela era ou viria a ser.

Tanto Hannah quanto Aaron foram personagens que me conquistaram, porém, eu quero tirar um parágrafo para falar sobre a Hannah. A construção dessa personagem me deixou completamente destruída por dentro. Num primeiro momento, nós temos apenas uma menina de 15 anos, influenciada pelo grupo de amigos, com conflitos com a mãe, e uma atitude que claramente não condiz com quem ela realmente é. E então a sua vida muda completamente com a gravidez e você começa a perceber que ela não é só uma menina boba de 15 anos, mas alguém que entende muito bem a sua situação e como isso vai afetar o seu futuro.

encrenca

Eu acho que Hannah é uma personagem que faz cair por terra a ideia de que só porque uma pessoa tem pouca idade, significa que ela não tem noção do que está fazendo. Apesar da situação ser muito complicada, de um determinado ponto do livro, Hannah se mostrou muito mais madura, muito mais preparada para tudo aquilo do que eu esperava dela. E Aaron? Ele te surpreende com o seu modo de pensar, com a capacidade que ele tem de ir além dos rótulos e do julgamento dos outros. É um personagem que se constrói nas suas atitudes, na forma como ele consegue se colocar no lugar do outro.

Agora vamos falar um pouco sobre a gravidez? Engana-se quem acha que esse livro vai focar apenas neste assunto. Pelo contrário, a gravidez de Hannah é só uma ponta do iceberg que é o enredo de Encrenca. Non Pratt tomou esse tema apenas como uma desculpa para ir mais além, nos mostrando como nós, seres humanos temos uma facilidade absurda para julgar os outros sem conhecer sua história por completo. Além disso, ela nos leva a questionar quem são nossos verdadeiros amigos, porque essa necessidade absurda de diminuir o outro para se tornar maior?

encrenca

Encrenca é um livro que tem personagens com personalidades diversas, e a autora joga com essas personalidades, nos fazendo pensar isso ou aquilo de vários personagens e depois nos surpreende com situações que, só quem ler este livro vai ser capaz de entender o que eu quero dizer aqui. Eu me surpreendi muito com o desenvolvimento dessa história, principalmente porque eu comecei pensando várias coisas, sobre várias pessoas e no final, a minha visão das coisas era completamente diferente.

Eu fiquei encantada com esse livro, honestamente. A escrita da Non Pratt é muito leve, muito simples e ao mesmo tempo dura, marcante. Quando eu peguei Encrenca para ler, achei que seria algo leve, com um pouco de drama, mas ainda assim leve. Mas não é só isso. Ler esse livro me fez pensar na forma como eu vejo e trato as pessoas, na facilidade que temos de julgar aparências, de julgar pessoas e em como fazemos isso de forma inconsciente. Eu me envolvi com o enredo desse livro, e acho que qualquer leitor que esteja procurando uma nova ressaca literária, também irá se envolver.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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10 Comentários

  • Andréa Bistafa
    09 maio 2016

    Olá!

    Gostei da trama e da capa.
    Acho que um livro com essa temática precisa obrigatoriamente levar uma mensagem. Expor essa coisa de julgar sem conhecer é de grande importância. Coisas das quais qualquer um está sujeito, erros e as pessoas julgam sem perdão. Apesar dos pesares eu leria esse livro sim, gosto do proposto.

    Bjus

  • Ana
    09 maio 2016

    Quando saiu a news, pensei que o enredo seria bem clichê, mas fico feliz ao ler a sua resenha e perceber que tô absolutamente errada! Pretendo ler de forma digital o livro.
    http://www.belapsicose.com

  • Jéssica Melo
    06 maio 2016

    Olá Débora, eu não conheci o livro e nem a autora, mas gostei de saber que ela trouxe temas bem “polêmicos” e soube como trabalhos usando uma narrativa alternada, que eu amo *–* Enfim adorei a dica e sem duvida vou querer lê-lo em breve.

    http://meumundo-meuestilo.blogspot.com.br/

  • Gislaine Oliveira
    06 maio 2016

    Olá, tudo bem?
    Em primeiro lugar, quero dizer que amei a resenha. Ela foi bastante intensa e deu para ver que você gostou muito do livro e foi muito surpreendida, o que é um ponto bem positivo 🙂
    Mas confesso que fiquei meio pé atrás 😛 Na verdade, gravidez na adolescência é muitooooo complicado. Vi minha irmã, aos 17 anos engravidando e sei a barra que é. Claro, não li o livro, mas fico com a sensação de que ele meio que romantizou isso sabe? Que surgiu um cara bonzinho para ajudar. Mas a verdade, é que quase nunca há esse cara. As vezes nem o pai, de verdade, que sabe de tudo, quer assumir a criança, então…
    Mas como eu disse, isso é só o que me pareceu, não sei se é isso de fato.
    Mas a capa é linda e o tema em si me interessam. Talvez um dia eu leia 🙂
    Beijos
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

  • Catharina
    05 maio 2016

    Oie
    eu recebi o livro e estou mega ansiosa para ler justamente por tratar de um tema mega polêmico e espero adorar a leitura, minhas expectativas estão altas e adorei a sua resenha

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

  • Karla Samira
    04 maio 2016

    Olá! Eu já havia lido algo sobre esse livro e gostei bastante. Mas saber que o livro é narrado em primeira pessoa pela adolescente grávida (revezando com o garoto que assume a paternidade) foi um ponto muito positivo para que eu leia logo o livro. Isso porque adoro histórias fortes, sobretudo as com o tema bem polêmico.
    Beijos!
    Karla Samira
    http://www.pacoteliterario.blogspot.com.br

  • Carolina Valério
    03 maio 2016

    Oi Débora.
    Eu ainda não tinha lido nada sobre esse livro e a história me interessou bastante.
    É uma temática polêmica e a abordagem da autora parece ser original, vou colocar na minha lista de desejados.

    Beijos
    http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br

  • Sandra
    03 maio 2016

    Oi, Deéborah!

    Eu não conhecia esse livro, mas sua resenha já me ganhou. Quero ler!
    Na minha adolescência também era muito difícil quando uma menina engravidava. Nossa, era a vergonha da escola, do bairro, da cidade… rs. E é como você disse mesmo: mais conversa e menos ameaças certamente teriam surtido mais efeito.
    Foi assim comigo. Minha mãe sempre conversou muito comigo e nunca me proibiu de nada. E nunca tive nenhum tipo de problema por falta de juízo… rs.

    Enfim, amei a resenha e o livro já foi para a lista de desejados.

    Beijos!

  • Maiara Vieira
    03 maio 2016

    Oi Debora, tudo bem?
    Tive oportunidade de solicitar esse livro a editora mês passado, mas não me interessei tanto e acabei não pedindo, agora lendo sua resenha me arrependo completamente de não ter solicitado.
    O livro tem uma trama com temática adolescente que é algo que gosto e aborda um tema bem polêmico até hoje que é a gravidez na adolescência.
    Acredito que seja bem interessante acompanhar o ponto de vista da personagem e ver o quanto a gravidez afeta a vida dela.
    Gosto de livros que nos fazem refletir e repensar nossas ações, então pretendo realizar essa leitura o mais breve possível.

    Beijos :*
    http://livrosesonhos.com/

  • Amor Literário
    03 maio 2016

    Eita, que resenha show! Sério, sua resenha me conquistou e não conhecia o livro, mas agora já quero. E que capa linda é essas? Ps: Seu blog é muito amor!

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