Resenhas 03mar • 2017

Desintegradospor Neal Shusterman

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Novo Conceito
Ano de Publicação: 2017
2º livro da série Fragmentados
Número de Páginas: 416
Código ISBN: 8581638104

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a Editora para resenha.

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Sinopse: A Fragmentação tornou-se um grande negócio com poderosos interesses políticos e corporativos em jogo. O governo não quer apenas continuar com ela, como também expandi-la. Cam foi feito inteiramente com as melhores partes de fragmentados e, tecnicamente, ele é um garoto que não existe. Um verdadeiro Frankstein do futuro, que luta para encontrar sua identidade e se questiona se um ser como ele pode ter alma. Quando as ações de um sádico caçador de recompensas ameaçam a causa de Connor, Lev e Risa, o destino de um deles é ligado ao de Cam. A aguardada sequência de Fragmentados desafia a suposição de onde começa e termina a vida e o que realmente significa viver.

Desintegrados é o segundo livro da série Fragmentados, que vem sendo publicada no Brasil pela Editora Novo Conceito desde 2015. A série se passa num futuro em que os conflitos em relação aos direitos reprodutivos escalaram a ponto de ser tornarem uma verdadeira guerra.

Afim de pôr um fim a esse conflito, o governo aprova uma lei que determina que a vida é intocável a partir da concepção até o momento em que a criança atinge 13 anos de idade. Dos 13 aos 18 anos, os pais têm o direito de enviarem a criança para ser “fragmentada”, ou seja, desmembrada por procedimentos cirúrgicos e ter seus órgãos disponíveis para transplantes.

Os protagonistas do livro são 3 jovens que são enviados para a fragmentação. Connor, um jovem problemático que foge de casa para escapar da fragmentação; Risa, uma pianista prodígio que vive sobre a tutela do Estado que é mandada para um dos campos de fragmentação graças a um corte no orçamento; E Lev, cuja família faz parte de uma religião em que o costume é oferecer o décimo filho para a fragmentação como uma espécie de dizimo para Deus.

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Os caminhos de Connor, Risa e Lev se cruzam em um momento caótico em uma estrada, e os três se tornam fugitivos. Agora, o caminho que precisam cruzar para conquistarem o direito de viverem vai ser bem mais complicado do que qualquer um deles jamais imaginou.

A descrição aqui em cima é mais focada no primeiro livro da série, pra evitar spoilers e tal, mas essa resenha é sobre o segundo livro. Então caso não queria saber nada sobre a série antes de ler Fragmentados, eu sugiro ler o livro antes da resenha, ok? Vocês só precisam saber que Desintegrados foi uma leitura que me impactou muito e superou muito as expectativas que eu tinha sobre essa série.

Fragmentados é um daqueles livros que a gente vê nas livrarias ou nos sites, e sempre pensa que parece ser legal, mas não chega a comprar, por algum motivo qualquer. Eu até comentei com a Débora que eu fiquei surpreso quando soube que Fragmentados foi lançado em 2015, porque jurava que tinha visto o livro muito antes disso. Mas finalmente peguei pra ler, e olha, devia ter lido muito antes.

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A série mostra muito bem como um sistema terrível se estabelece quando a população simplesmente não se manifesta. O conceito geral do livro pode parecer um pouco viajado, e é mesmo, mas o autor sabe explorar o universo que ele criou de uma forma que a ideia não parece tão absurda. E ele consegue trabalhar a ideia da fragmentação maravilhosamente, e mostra a fragmentação como um fenômeno cultural complexo, explorando tanto o lado moral, quanto o religioso e até o econômico de um processo desse tipo.

Os personagens são muito bem construídos, todos os 3 protagonistas são introduzidos de uma forma que estabelece bem a jornada que cada um deles vai passar. Tanto Connor, quanto Risa e Lev sofrem uma transformação incrível ao longo dos livros e é muito bem ver o quanto eles crescem e evoluem com os acontecimentos da história. Até os personagens secundários, por exemplo Hayden, Roland, e no segundo livro, Cam, são bem escritos pra caramba, e acrescentam muito para a história.

Um dos pontos mais legais do livro é como ele liga pontos diferentes da história. O autor introduz detalhes no começo do primeiro livro que acabam sendo significantes só no final do segundo. Isso não só força o leitor a prestar ainda mais atenção do que o normal na história, mas também lembra a gente de que nessa história, todas as ações têm consequências.

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Mas o maior elogio que eu posso dar para esse livro é que ele trata de um assunto complicado sem simplificar ele demais. O autor apresenta os diversos pontos de vista sobre a fragmentação (e consequentemente sobre o aborto) sem parecer que ele está forçando as próprias opiniões no leitor. Além disso, ele mostra o que acontece quando deixamos nossas opiniões sobre esse tipo de discussão sair do controle. É um tipo de nuance que eu não vejo sempre em literatura distópica YA.

Porque eu demorei tanto para ler Desintegrados, e a série Fragmentados como um todo, eu não sei. Só sei que superou toda e qualquer expectativa que eu tinha e que eu já estou aguardando o próximo livro (Novo Conceito, por favor, não espera dois anos pra lançar o próximo livro não, tá?)

Já leram a série Fragmentados? Conta pra gente nos comentários!

Não conhece a série? Leia a resenha de Fragmentados.

Vinicius Fagundes ver todos os artigos
24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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4 Comentários

  • […] entrei nessa leitura com algumas expectativas, afinal eu gostei bastante do último livro que eu li do Neal Shusterman. É sempre complicado pegar o novo livro de um autor que você gosta, porque você já começa a […]

  • Valéria
    09 mar 2017

    eu tô muito a fim de ler essacontinuação…o anterior me agradou bastante,pretendo comprar assim que possível…
    bjs 😀

  • Aline Belloni
    06 mar 2017

    Olha, eu não conhecia o livro, para ser sincera, nunca ouvi falar. Mas pela resenha, parece ser muito bom. Cheguei a me assustar com essa coisa de “fragmentar” alguém, é doentio.
    Valeu pela dica.

  • Marijleite
    04 mar 2017

    Olá, gostei muito da sua resenha! Eu tenho uma vontade enorme de ler Fragmentados desde o lançamento, e fico contente ao saber que o segundo livro também é bom.

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