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Resenhas

A Casa no Lago por Thomas Harding

O livro no Skoob e no Goodreads.

Editora: Rocco
Ano de Publicação: 2017
Número de Páginas: 408
Código ISBN: 978-85-69474-18-0

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Sinopse: Na primavera de 1993, Thomas Harding foi a Berlim levando sua avó em visita a uma casa à beira de um lago. A avó dizia que ali era seu “lugar da alma”, um santuário que ela fora obrigada a abandonar quando os nazistas tomaram o poder. A viagem era uma chance de ver a casa pela última vez, de recordar como era. Mas estava muito diferente. Vinte anos mais tarde, Thomas voltou a Berlim. A casa estava abandonada, deteriorada, em vias de ser demolida. Uma pista de concreto cortava o jardim, deixando a marca de onde existira por quase três décadas o Muro de Berlim. Por toda parte se escondiam sinais do que tinha sido belos azulejos azuis decorados cobertos por um papel de parede, fotografias antigas caídas entre as tábuas do chão, entulhos cobrindo os caminhos de pedras do jardim. Vestígios das cinco famílias que tinham morado ali num período tumultuado. Começando no final do século XIX e entrando pelos dias atuais, passando pela devastação de duas guerras mundiais, pela divisão e reunificação de uma nação, A casa no lago traz relatos de união e alegria em família, de terríveis sofrimentos e tragédias, e de um ódio perpassando gerações. É mais uma obra importante do aclamado autor de Hanns & Rudolf.

29 de junho de 2017 29/06/2017 6 Comentários

A Casa No Lago é um livro escrito por Thomas Harding, escritor e jornalista britânico. Finalista de prêmios de como o Costa Biography Award e o Orwell Prize, o livro é um lançamento da Rocco. Antes de qualquer coisa, é importante frisar de que o livro não se trata de um romance, mas sim de jornalismo literário. A história começa quando o autor é instigado pela avó a buscar a história da família, e o mais importante, a história da casa onde eles passavam as férias de verão. Localizada em Groß Glienicke, a casa foi testemunha de toda a história da Alemanha, passando pela primeira guerra, o holocausto, o muro de Berlin até os dias de hoje.

Durante todo livro, Thomas busca remontar a história da propriedade que começa em 1890, com Otto Wollank. Foi só em 1927 que a família Alexander adquiriu terras para construir sua casa de férias. Groß Glienicke era considerada um refúgio, mesmo sendo próxima a Berlin. Com seus bosques, fauna e o grande lago, a paisagem paradisíaca atraia novos e velhos ricos, dispostos a ter uma casa de verão. A família Alexander, de origem judaica, prosperava nos negócios, e Alfred, patriarca da família, era um médico de prestígio. Atendia atores, cantores, poetas e diversas personalidades como, por exemplo, Albert Einstein. Muitos destes amigos eram convidados a passar o fim de semana na Casa do Lago, proporcionando bons encontros e festas.

A Alemanha passava por uma boa fase, finalmente se recuperando da primeira guerra e vendo a economia florescer. Neste cenário as artes prosperavam, teatros e óperas eram sempre lotados por um público culto e ávido por entretenimento. A vida da família Alexander era prospera, até que a Grande Crise chegou em 1929, com a queda da bolsa de Nova York.

Com a economia ruindo, os partidos conservadores alemães começaram a despontar, dentre eles o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, um partido conservador de direita mais conhecido por nós como o Partido Nazista. É importante levar em conta que o antissemitismo e o nacionalismo encontrado nestes partidos eram uma raridade na Alemanha de 1929. A perseguição dos judeus fazia parte do passado, as leis de 1871 emancipavam o povo judeu e a primeira Constituição Alemã reforçava o direito destas comunidades. Muitos judeus tinham cargos importantes e foram condecorados durante a primeira guerra, inclusive Alfred Alexander.

A história da família Alexander na propriedade veio a se complicar com a morte de Otto. A propriedade passou para o comando de Robert Von Schultz, membro do Stahlhelm, o maior grupo paramilitar da Alemanha, conservador e também atissemita. Com a crise, o povo alemão se voltou contra as minorias. Cartazes como “Alemanha para os alemães” e “Estrangeiros e judeus só tem direitos de visitantes” se espalhavam. Em meio à perseguição e ao caos, a família Alexander só conseguiu fugir por ser rica e ter bons contatos. A propriedade então passava para as mãos da família Meisel.

A Casa do Lago ainda foi o lar de mais duas famílias: Fuhrmann e Kühne; também testemunhou toda a grande guerra, a ocupação, a divisão entre a Alemanha Ocidental e Oriental, a queda do muro e a restauração do país. Todos os fatos foram retratados ao longo do livro de forma magnífica. O conteúdo não é só um retrato da Alemanha, mas também um documento histórico e a prova de como situações extremas podem levar a violência e ao caos.  A família Alexander demorou até 1936 para escapar do país, acreditando que o povo se revoltaria com as medidas do Partido Nazista. Junto deles, diversos alemães recusaram escapar e pereceram nos campos de concentração.

O radicalismo é um ciclo na história na humanidade, se torna presente sempre que crises humanitárias ou econômicas despontam. Ligando a TV não é difícil encontrar algum político usando discursos perigosos. Somos nós que damos ouvido a essas pessoas e as colocamos no poder. É importante olhar a fundo a história, buscando evitar cair nos mesmos erros. Livros como A Casa no Lago são importantes para nos manter alertas.  A crueldade dos governos é um reflexo do seu povo? Fica a dúvida.

O livro não é chato, arrastado nem nada do gênero. O autor tem uma forma de nos contar a história das famílias e da casa de uma forma fluida e acessível. O livro também contém mapas, árvores genealógicas, referências bibliográficas e uma porção de notas para facilitar a leitura. Se você se interessa por história, pela segunda guerra mundial ou quer diferenciar a suas leituras, esse livro é uma boa pedida.

Durante a leitura, fui instigada a estudar e pesquisar mais sobre o assunto, fiz diversas marcações e mergulhei na história da casa. O livro não só foi uma boa companhia como também me fez questionar muito sobre os nossos dias atuais. Comecei a ver os noticiários com outros olhos, talvez seja um caminho sem volta. Isso só o tempo vai dizer. Fica aqui a minha mais do que devida recomendação. Se você leu Resistência ou outro romance que se passe durante o período, melhor ainda.

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Beatriz Kollenz

Queria ser mesmo uma garota mágica, infelizmente não deu nessa vida. Amo borboletas, mangas shoujo, desenhos animados e livros. Quando não estou voando nas nuvens costumo tocar piano, assistir um dorama ou sentar ao ar livre. Apesar de ser leonina sou muito tímida, a vida é assim, repleta de contradições.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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