Resenhas 03fev • 2018

Brumas do Tempopor Karen Marie Moning

O livro no Skoob e no Goodreads.

Título Original: Beyond the Highland Mist
Gênero do Livro: Romance de época, viagem no tempo, fantasia
Editora: Verus Editora
Ano de Publicação: 2017
1º livro da série Highlander
Número de Páginas: 308
Código ISBN: 9788576866145

Obs: Este livro foi cedido em parceria com a editora para resenha.

Comprar: SubmarinoLivraria CulturaAmazon

Sinopse: Um sedutor lorde escocês... Ele é conhecido no reino como Falcão, o lendário predador nos campos de batalha e na cama. Nenhuma mulher resiste ao seu toque, mas nenhuma jamais conseguiu mexer com o coração dele — até uma fada vingativa tirar Adrienne da Seattle dos dias de hoje e transportá-la para a Escócia medieval. Presa em um século que não é o seu, ousada demais, franca demais, Adrienne representa um desafio irresistível para esse conquistador do século XVI. Forçada a se casar com Falcão, Adrienne jura manter distância do marido — mas o poder de sedução dele vai destruir lentamente a determinação dela. Uma prisioneira no tempo... Adrienne tem o “não” na ponta da língua para o notório lorde escocês, mas Falcão jura fazê-la sussurrar seu nome com desejo, implorando que ele a incendeie de paixão. Nem mesmo as barreiras do tempo e do espaço o impediriam de conquistar o amor dela. Apesar das incertezas sobre seguir seu coração apaixonado, a hesitação de Adrienne não é páreo para a determinação de Falcão de mantê-la a seu lado.

Lembra aquele papo que o primeiro livro nunca é tão bom quanto o segundo em séries de romance de época? Vocês lembram também que eu amei ler Guerreiro Domado e que ele era o segundo livro da série Highlanders, porque eu consegui ler os livros na ordem errada?! Bem, eu queria começar essa resenha dizendo que a minha teoria estava errada, mas não está. Apesar de eu ter adorado toda a fantasia de Brumas do Tempo, o enredo tem vários pequenos problemas que me incomodaram bastante e fizeram com que a sua leitura fosse um pouco mais complicada do que eu estava esperando.

Não vou mentir, eu realmente amei a parte histórica e fantasiosa do livro. A ideia de trabalhar a “viagem do tempo” e misturar isso com a cultura folclórica das fadas que, pelo menos naquela época, era algo muito forte nas terras escocesas, foi simplesmente sensacional. Eu amei que Moning tenha focado em explorar a liberdade da cultura da época, fugindo muito do enredo engessado dos britânicos e seus salões de baile. Vocês acham que já viram de tudo em um romance de época, mas a verdade mesmo é que o mundo só é revelado a você depois de se apaixonar por um bom escocês – e de raiz, viu? Com um clã enorme e kilt.

O problema de Brumas do Tempo está no desenvolvimento do enredo, o que em romances de época é bastante comum no primeiro livro. Eu tenho para mim que, quando Moning começou essa série, ela estava muito impactada com o universo mágico da Escócia e acabou colocando mais plots no livro do que ele realmente precisava. O começo de Brumas do Tempo é confuso, cheio de informações que não se conectam e coisas mal explicadas. Você não entende bem o que está acontecendo até a metade do livro e mesmo depois disso, é difícil da história te prender, por mais que os personagens principais sejam muito bons.

“Mas ela não conseguia. As palavras venenosas de acusação despencaram rápidas e furiosas contra o único homem que já tinha feito seu sangue pagão cantar, o homem que, entre as coxas dela, naquela noite mesmo, tinha o tédio gravado na face perfeita. Na verdade, já fazia muitas noites.”

Mas Moning usou esse romance de época para falar de coisas importante e, apesar de eu não gostar nada de Adrienne, eu me identifiquei com ela. Adrienne é uma heroína que viveu toda a sua vida em 1997 e antes de viajar no tempo e conhecer Falcão, ela estava metida em um relacionamento abusivo que fez com que ela ficasse traumatizada em relação aos homens e relacionamentos em geral. Em parte, eu acho que a autora poderia ter lidado com esse “trauma” de uma forma mais cuidadosa, mas isso não impede que você se identifique com a personagem ou não sinta a sua dor. Mesmo que essa parte do enredo não tenha sido melhor trabalhada, eu fiquei feliz com o resultado final dentro de todas as limitações que o livro tinha.

O romance do livro não é o ponto forte da história, ou o ponto que eu mais gostei. Verdade seja dita, eu acho que Falcão apenas se apaixonou por Adrienne porque ela o desprezava e o fez acreditar que ela estava interessada em outro homem. Foi como uma grande batalha de egos onde nem Adrienne e nem Falcão iriam ganhar. Ela estava completamente apaixonada por “aquele homem bonito detestável” e ele só queria ter nos braços aquela mulher de língua afiada. Por mais que eu acredite no amor dos dois e veja como são bons um para o outro, o processo de “se apaixonar” deles foi meio conturbado e não me envolveu tanto quanto o romance do segundo livro dessa série.

“Uma moça que não queira você. Que seja adorável; não, que seja linda de causar terremotos e ainda se mostre espirituosa e sábia. Uma de rosto perfeito e de corpo perfeito e que tenha nos lábios um “não” perfeito para você, meu amigo tão perfeito. E eu também desejo poder assistir à batalha. Falcão deu um sorriso presunçoso. — Isso nunca vai acontecer.”

Para não dizer que eu me incomodei com tudo no livro, o envolvimento feérico no enredo foi algo que me atraiu bastante. Eu sou uma grande leitora de fantasia e adoro quando os autores colocam uma pitada de impossível na leitura e ver como Falcão lidava com o povo do mundo das fadas brincando com o seu destino sem a menor vergonha era bem interessante. Eu realmente acho que o fato de ele ser um homem muito bonito que todas as mulheres querem, no caso dele, era mais uma maldição mesmo do que uma bênção. E antes que eu me esqueça, nós temos uma cigana nesse livro que se chama Esmeralda – e ela nem é importante, mas eu gostei muito de saber que ela existe.

Brumas do Tempo não vai ser a leitura favorita de muita gente, inclusive a minha – mas por motivos diferentes. Eu acredito que sair dos enredos vitorianos e salões de baile polidos deva ser um choque de realidade para muitos leitores de romances de época. Ir de 1800, onde os homens eram verdadeiros cavalheiros e as mulheres vestiam seda, para 1500 onde a cultura folclórica escocesa ainda não tinha sido destruída e as mulheres tinham um temperamento forte e ainda não controlado pela etiqueta é sair totalmente da zona de conforto literária de muita gente, o que dependendo do leitor poder ser algo muito ruim ou muito bom.

Já está rolando TOP COMENTARISTA de Fevereiro, tá? Não esquece de se inscrever para participar!

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

Posts relacionados

Comente com o Facebook

Comente pelo WordPress

13 Comentários

  • Daiane Araújo
    18 fev 2018

    Oi, Débora.

    Antes de tudo, deve ter sido difícil para a Adrienne ter que se adaptar a um ‘novo’ século… E de repente, se apaixonar. E com isso, se se entregar e dá uma nova chance para o amor e mostrar o amor para o Falcão.

  • Devido à minha carga de romances de banca, o mundo escocês está na minha vida de romances de época desde muito cedo, e eu confesso que é meu universo preferido dentro do gênero. Como tu, eu adoro esses elementos fantasiosos e folclóricos dentro do enredo, acho que eles enriquecem a história e deixam tudo mais envolvente. A questão da batalha de egos no início de romance é bem comum a esse tipo de livro, por conta inclusive do comportamento indomado de ambos os lados que tu mesma mencionou. Apesar de ser um pouco diferente daquilo a que estamos acostumados, nunca me incomodei com esse aspecto. Mas também não posso julgar como reagiria a isso dentro desse enredo, porque não sei como a autora desenvolveu esse aspecto. Não conhecia essa série, mas ela me pareceu ser bastante atraente.

  • Bianca Melo
    15 fev 2018

    Apesar das críticas sobre “sair da zona de conforto”, acho que isso pode não ser de todo ruim. Na minha opinião, já estamos encharcados de romances de época que descrevem os belos bailes, as regras de etiqueta, mulheres em belos vestidos de seda só esperando ser resgatadas por um cavalheiro valente, na literatura. Acho que Brumas do tempo pode ser interessante por oferecer uma proposta diferente. Já quanto ao romance deles ser convincente ou não… sempre tenho um pé atrás com isso (mas aí só lendo pra descobrir!)

  • Michelli Prado
    13 fev 2018

    Apesar de já ter visto essa capa por ai, é a primeira resenha que leio sobre ele, e achei uma historia bem diferente, e não sei se me cativa ou não para realizar a leitura. Gosto da proposta, mas por se tratar de uma série, creio que teria que pesquisar mais sobre as continuações antes de querer ler,

  • Catarine Heiter
    07 fev 2018

    Eu gosto muito de romance histórico e acho que iria me encantar com este contexto mais antigo e diferenciado que a autora escolheu. Porém, considerando a sua resenha, acredito que eu teria impressões bem parecidas com as suas! Sem contar que, ultimamente, ando meio preguiçosa de livros que trabalham com muitos detalhes/descrições desnecessariamente. Esse aqui não vai para minha lista não…

  • Oi Débora! Eu gosto de romances de época da época da Inglaterra Vitoriana. Mas, quando li Um amor para Lady Johanna, me apaixonei totalmente pelos enredos que se passam na Escócia. Estava super curiosa sobre esse livro, quando vejo um Kilt já fico doida rsrsrs. Apesar das pequenas ressalvas, fiquei com vontade de ler, beijokas

  • Jaqueline Braquini
    07 fev 2018

    Acho frustrante quando o livro não atende as nossas expectativas!
    Pelo menos o livro não.segue exatamente a fórmula dos romances de época (não que eu me importa em ler histórias clichês).
    Parabéns pela resenha e pelos pontos apresentados.

  • Alison de Jesus
    07 fev 2018

    Olá, apesar de algumas semelhanças com a série Outlander, esse toque de magia que a autora deu à obra com certeza a torna mais original e interessante, com personagens bem caracterizados e fáceis de criar empatia. Beijos.

  • Aléxia Macêdo
    06 fev 2018

    Olha, confesso que o enredo não me atraiu muito – e nem a capa. Mas de uma coisa tem razão: é ótimo quando um livro de época sai de dentro dos salões de baile, rs. A maioria que vejo é sempre aquela formula pronta (que nao quer dizer que eu não goste, mas as vezes cansa). Mas esse livro realmente nao me chamou a atenção…

  • Vitória Pantielly
    06 fev 2018

    Oi Débora!
    Mais uma vez: lembra muito Outlander, acho que autores andam investindo no tema por conta do sucesso que a série bem fazendo, e sinceramente, acho incrível… Gostei bastante da parte das fadas, não me lembro de ler nenhum romance de época que falava delas, diferente, pena que o romance não parece fazer tanto sentindo, não sei, não gostei tanto desse envolvimento do casal.
    Não vou mentir, quero mto ler, talvez por curiosidade, só espero não me decepcionar tanto.
    Beijos

  • Sarah Augusto
    05 fev 2018

    Aaaaaa tenho uma relação de amor e ódio com romances de época, o principal motivo você chegou até a citar no texto: a forma como os personagens se apaixonam. A maior parte dos livros que peguei para ler de romances de época os personagens se apaixonavam após uma disputa de egos e acho que para amar é bem mais do que isso, sabe?
    Eu leria esse pela cultura que ele aborda e fantasia, mas ainda sim não entrou para as prioridades de leitura aisduia

  • Lynn Prado
    04 fev 2018

    Essa série me chama muita atenção, a cultura folclórica escocesa e a fantasia me deixam bem curiosa.
    Que pena que esse livro não foi tão bom quanto o segundo.

  • Ludyanne Carvalho
    04 fev 2018

    Lembro. Lembro.
    Pena que o primeiro livro não tenha sido tão prazeroso quanto o segundo, mas apesar de todos os pontos negativos (que eu tenho a certeza que me incomodariam também) eu tenho vontade de conhecer essa história. Quero conhecer a cultura escocesa, e esse mundo fantasioso que a autora criou. E pelo visto preciso me apaixonar por um escocês.

    Beijos

  • Siga o @laoliphantblogInstagram