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Literaría

Porque as heroínas de romances de época são tão importantes?

Débora Costa
13 de abril de 2017 13/04/2017 7 Comentários

Sempre que eu vou falar sobre algum romance de época, eu tenho que começar com “eu simplesmente amo romances de época”, e já que vamos falar de um assunto um tanto quanto importante, acho que repetir essa afirmação é mais do que fundamental para que vocês possam entender o que eu estou querendo fazer aqui. Bem, eu já estive do outro lado. Eu já fui uma das pessoas que teve muito receio de dar uma chance a um romance de época. Eu já critiquei sem ler e já criei vários pontos negativos para o gênero sem nem mesmo experimentar. Até que eu li O Duque e Eu, e as coisas mudaram desde então.

O pronto forte dos romances de época, como todo mundo sabe, são as suas heroínas. Cada uma delas tem uma característica própria de pensar, uma vontade a ser realizada e um pensamento muito à frente do seu tempo. Suas representações variam desde a mocinha inocente em busca do cavalheiro perfeito, até mesmo a moça mais difícil que se recusa a casar por menos do que o amor da sua vida. Apesar de parecer muito água com açúcar, as heroínas de romances de época são muito importantes para que possamos entender os conflitos sofridos pelas mulheres daquela época e como essas moças com “pensamentos diferentes” são importantes para entendermos como a nossa sociedade chegou aonde está hoje.

Sim, eu estou aqui para dizer para vocês que romances de época não são apenas sobre encontrar um Duque ou um Marquês. Muitas pessoas acreditam que o gênero é só mais uma história de amor maravilhosa, mas a verdade é que as suas heroínas escondem nas entrelinhas personalidades cativantes e desejos que vão muito além de uma casa confortável e um marido amável: elas querem a sua própria voz. E é justamente aqui que eu quero começar a mostrar para vocês o porquê é tão importante darmos atenção a esse gênero literário que, muitas vezes, é negligenciado porque as pessoas não gostam mais de um bom romance.

Em Romance com o Duque, a personagem principal Izzy, publicava contos no jornal sob o nome do seu pai que, durante anos ganhou uma fortuna considerável com as histórias escritas pela sua filha. Izzy colocava no papel tudo aquilo que desejava viver na sua pacata vida de moça da sociedade escocesa. Izzy esconde o segredo mesmo depois da morte do pai, porém, quando recebe o incentivo do seu par romântico para continuar a escrever, Izzy recebe uma carta muito interessante do antigo editor de seu pai, dizendo que o seu trabalho talvez não fosse tão bom assim. Acredito que a gente conheça situações bem parecidas nos dias de hoje, não é mesmo?

O mesmo acontece com Minerva, em Uma Semana Para Se Perder. No enredo do segundo livro da série Spindle Cove, Minerva é uma personagem apaixonada por geologia e passa anos atuando como geóloga sem que ninguém suspeite que ela, na verdade, é uma mulher. Bem, até que ela precisa apresentar sua mais recente descoberta em um simpósio e seu trabalho é automaticamente desqualificado por causa do seu sexo. Entendem onde eu quero chegar com tudo isso? Apesar das histórias girarem em torno de paixões avassaladoras, os romances de época retratam através de suas heroínas algumas dificuldades que, infelizmente, ainda vivemos em pleno século 21.

Os romances de época também é um gênero que explora muito da sexualidade feminina de uma forma bastante positiva. Afinal, porque os homens podem abertamente satisfazer os seus desejos e as mulheres precisam ser finas e recatadas, não é mesmo? Vemos isso de forma bem clara em Codinome Lady V, onde a personagem principal vai a um clube chamado Nightingale, criado justamente para que as mulheres possam explorar sua sexualidade sem ter sua identidade revelada. Além disso, outros romances de época, como os de Julia Quinn e Mary Balogh, exploram a sexualidade feminina através do romance, onde o par romântico da heroína apresenta para ela os prazeres da vida conjugal de forma que ela se sinta completamente à vontade ao estar ali.

A verdade é que vivemos em um período onde os autores tem cada vez menos cuidado nos enredos que criam. A ideia de um cara controlador, ciumento e absurdamente possessivo tem tido cada vez mais espaço no mercado editorial e não de uma forma negativa. E os romances de época, querendo ou não, são uma válvula de escape para esses enredos mais “pesados”. Eu gosto da ideia de um enredo onde a minha heroína não abaixa a cabeça com facilidade, onde ela não aceita menos do que ela quer, mesmo por um título de nobreza. Eu gosto de ler sobre mulheres que querem se apaixonar por alguém, mas não querem apenas isso.

As heroínas de romances de época têm uma característica feminista muito forte. Elas estão sempre questionando os costumes da sociedade em que vivem e, mesmo aquelas que querem um casamento, você percebe que o desejo dela é algo pessoal e não algo imposto socialmente. E eu acho que esse contato com personagens de pensamento independente é importante, considerando que vivemos em um mundo que está cada vez mais difícil de ser mulher. Por isso, mais uma vez, eu repito: se você ainda não deu uma chance a um romance de época, essa é a sua chance de começar. Eu tenho certeza que você vai se surpreender.

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Débora Costa

Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de Steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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