La Oliphant

La Oliphant

Literaría

Como construir universos fantásticos

Débora Costa
09 de maio de 2017 09/05/2017 0 Comentários

Então, você está pronto para escrever uma ficção científica ou livro de fantasia. Mas por onde começar? Muitos escritores começam criando um mapa, ou pesquisando algum corpo celestial distante. Seis romances em minha especulada carreira de ficção, descobri que crio meu melhor trabalho quando começo a construir meus mundos fantásticos, começando não com sistemas mágicos ou geografia, mas com um único personagem. E aqui está o porquê desse método ser tão bem-sucedido para mim.

Faça as perguntas certas.

Quando você começa seu processo de construção de mundo, criando primeiro um personagem e, em seguida, perguntando que tipo de mundo criou esse personagem, você se concentra nas partes do mundo que mais importam para as pessoas nele. Isso significa gastar menos tempo na pesquisa que você não vai usar. Eu olho para o meu worldbuilding e criação de personagens como processos interligados. Eles não – na verdade, não podem! – existir de forma independentemente um do outro.

Conforme eu vou dando forma ao meu personagem, o mundo, também, começa a ganhar um foco mais nítido. Se eu criar um assassino do governo qualificado que tem a tarefa de trazer desertores de uma guerra de séculos, eu tenho que me perguntar o que é a guerra. Se é sobre a falta de recursos, como é esse mundo? Seco, empoeirado, baixo em metais? Se um planeta é baixo em metais, como sua tecnologia avançaria? O que eles usam para alimentar seus veículos? Se o seu grande navio tivesse colidido? Qual seria a possibilidade deles voltarem para casa? Isso mudaria suas crenças?

Superando o desafio.

A maioria das abordagens para construir novos mundos pede que você preencha longos questionários sobre geografia, sistemas de magia e níveis de tecnologia, estruturas sociais, governos, como as pessoas se cumprimentam, as línguas que usam…A lista é infinita. Mas quanto você realmente vai usar no seu romance? Quanto disso tudo é realmente relevante?

As primeiras cinquenta páginas de uma ficção científica ou romance de fantasia são o que um dos meus editores chama de “o Desafio“. É nestas primeiras páginas vitais que os leitores devem orientar-se para um novo mundo, completo com sociedades e ecologias únicas. Jogar todas essas informações para os leitores em longos pedaços de narrativa logo no começo do enredo esmaga a maioria dos leitores. Poucos serão capazes de passar as primeiras cinquenta páginas.

Para dissuadir essa tendência de despejar informações sobre o meu leitor logo no começo da história, eu faço um mapa bastante detalhado do meu mundo antes de começar a escrever; Eu sabia que os mundos seriam habitados inteiramente por mulheres, cujos corpos dependiam de partes da nave para sobreviverem. Eu queria que as duas sociedades primárias fossem habitantes da superfície que se organizassem em estados autoritários. Mas os detalhes nítidos de como as pessoas comiam, o que usavam e como os navios funcionavam era algo que deixei para eu descobrir durante o processo de escrita.

Ação sobre exposição

Centralizar seus personagens em seu processo de construção de mundo irá ajudá-lo a obter todos os detalhes de como o mundo funciona sem muita exposição. Em The Stars are Legion, eu me concentrei em descrever o que meus personagens estavam fazendo e o que estava guiando suas histórias, em vez de confiar em longas descrições expositivas sobre seus arredores. Mostrando como elas interagem com a nave dá ao leitor informações sobre seus arredores sem parar a dinâmica da história.

Considere esta passagem, quando Zan, que despertou sem memória entre estranhos, foge de seus captores para explorar o navio e encontra-se em um hangar cheio de veículos:

“O veículo olha para mim com um olho laranja. Eu sinto pena dele, bufando aqui sozinho no hangar, vazando fluido vital. Caminho até a bancada de trabalho e, assim como na sala de treinamento, minhas mãos se movem por vontade própria com alguma memória latente. Eu sei como consertar esse veículo triste, e esse conhecimento me dá um prazer muito maior do que saber como bater em alguém.

Eu corto e costuro e esfrego o bálsamo através de um comprimento longo da tubulação do veículo. Tem uma textura e consistência em algum lugar entre o intestino e o cordão umbilical; O conhecimento de que eu conheço a textura de ambos é sóbrio. Há um monte de tubos em uma caixa quente na bancada. Eu sei onde tudo está, e eu sei os nomes das ferramentas: bisturi, haystitch, speculum, forebear.”

Essas observações nos mostram muitas informações sobre o mundo e o passado nebuloso de Zan. Aprendemos que esses veículos são orgânicos: eles têm olhos e vazamento “fluido vital”. Zan descobre que esteve presente em nascimentos e mortes violentas, porque sabe o que sentem tanto os intestinos como as cordas umbilicais. Observe também como as palavras inventadas que eu introduzo neste mundo são dadas dentro do contexto para torná-las mais fáceis de entender. Sabemos que “haystitch” e “forebear”, como usados aqui, referem-se a tipos de ferramentas, sem explicitamente descrever exatamente o que eles parecem ou o que fazem.

Ligando os Pontos.

Pode ser tentador deixar que os personagens caiam na sensibilidade do mundo moderno em seu mundo cuidadosamente construído. Resista a tentação! O que seus personagens acham estranho – ou normal – lhe dirá muito sobre o mundo ao seu redor. Se o seu personagem comenta como é estranho para a água sair de uma torneira, mas não bate um olho quando um inseto cruza a estrada à frente deles, ele lhe diz algo sobre seu mundo.

Ao longo de seu processo de escrita, também tenha em mente que as sociedades que você cria e a geografia que habitam afetarão um ao outro profundamente. Se você criar um mundo onde as mulheres vão à guerra ao lado dos homens em números iguais, você precisará responder à pergunta de quem está em casa fazendo o trabalho duro de alimentar esses exércitos, fazer suas armas e dar à luz aqueles soldados. Se você criar um planeta de gelo aquecido por uma estrela distante, você precisará responder à pergunta de como essas pessoas se alimentam e se aquecem. Quanto mais conectado estiver seu mundo, mais provável será que o leitor se envolva  a longo prazo com o seu enredo.

Créditos de Imagem: Imagem, Imagem, Imagem, Imagem,

Esta publicação foi escrita por Kameron Hurley e originalmente publicada no site Writers Digest. Hurley é a autora da coleção “The Geek Feminist Revolution”, bem como a premiada Trilogia “God’s War” e a saga “The Worldbreaker”.

Débora Costa

Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

ver todos os artigos »



Deixe seu Comentário


Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

O que eu estou lendo?

Ligeiramente Perigosos
Mary Balogh

Compre com desconto

@laoliphantblog

Colaboradores

Vinicius Fagundes

ver todos os artigos »

Beatriz Kollenz

ver todos os artigos »

Paac Rodrigues

ver todos os artigos »

Editoras Parceiras

Assine nossa Newsletter

Últimos Vídeos