Cinema La Oliphant 29nov • 2015

Uma História Meio Que Engraçada

Uma História Meio que Engraçada

É muito raro pra mim conseguir ler um livro e me identificar muito com um personagem. É um pouco preocupante que em uma das únicas vezes em que isso acontece, é com um personagem que sofre de ansiedade e de depressão.

Uma História Meio que Engraçada é um livro do autor Ned Vizzini, publicado originalmente em 2006, e lançado no Brasil em 2015 pela Editora Leya. O livro conta a história de Craig Gilner, um garoto de 16 anos. Craig, que frequenta um dos colégios mais prestigiados de Nova York, não consegue lidar com a pressão que o trabalho de escola coloca sobre ele e acaba caindo em uma depressão profunda, e eventualmente, tenta se matar.

Percebendo que não vai conseguir sair dessa situação sem ajuda, Craig se interna em um hospital psiquiátrico, achando que sairá de lá em alguns dias. Em vez disso, Craig descobre que deve passar pelo menos uma semana no hospital e só será liberado com a autorização dos médicos. Além disso, ele terá que ficar internado na ala dos adultos, pois a ala dos adolescentes está passando por reformas.

Uma História Meio que Engraçada

A adaptação para o cinema foi produzida em 2010, com o título de Se Enlouquecer, Não Se Apaixone (eu odeeeeeeeeio esse título). O filme foi dirigido pela dupla Anna Boden e Ryan Fleck, e foi lançado aqui no Brasil em Janeiro de 2011. Craig, o protagonista, é interpretado por Keir Gilchrist, mais conhecido pela série United States of Tara. Keir não é um ator ruim, mas eu acho que ele deixou muito a desejar no que se trata de interpretar o Craig. Eu achei que a interpretação dele foi meio que superficial, e em nenhum momento eu senti que ele realmente se aprofundou no que o personagem estava sentindo.

O elenco de apoio conta com Zach Galifianakis (da trilogia Se Beber, Não Case), interpretando Bobby, e Emma Roberts (de American Horror Story e do meu guilty pleasure, Scream Queens), que interpreta Noelle. Emma faz um trabalho legal como Noelle, mas assim como Keir, parece que ela não dá a devida profundidade ao papel. É decepcionante porque a história da personagem no livro é bem marcante, e isso não foi trazido para o filme. Zach, por outro lado, faz um ótimo trabalho como Bobby, um dos pacientes do hospital. O personagem aparece bem mais no filme do que no livro, e ele é uma das melhores partes do filme. Como eu estava acostumado a ver o Zach Galifianakis (eta, nome difícil) em filmes de comédia, foi muito interessante ver ele em um papel mais sério.

Uma História Meio que Engraçada

O maior problema que eu tenho com o filme é o mesmo que eu tive com a adaptação de The Duff. Em vez de aproveitar o enredo do livro, que trata de um assunto sério e um pouco deprimente, o filme prefere simplificar o conflito e apresentar uma resolução fácil no final. Parece que Hollywood não consegue fazer um filme para um público adolescente, focado em um assunto sério, sem uma solução rápida e simples.

Um dos melhores aspectos do livro é o equilíbrio que o autor achou entre os momentos mais divertidos e o fundo mais pesado do enredo. O filme parece ter sido feito mais como uma comédia romântica do que como uma história de um adolescente lidando com um problema muito sério, que afeta muita gente. Eu entendo que isso é porque um filme mais leve vai atrair um público maior, mas eu ainda quero ver filmes para um público jovem que retratem problemas graves sem precisar fechar tudo com um final feliz.

Uma História Meio que Engraçada

Em conclusão, Se Enlouquecer, Não Se Apaixone (sério, eu realmente detesto esse título) é uma adaptação razoável. Não chega a ser o que eu chamaria de perfeita, mas ela mantem a maior parte da história original intacta e passa a mesma moral do livro: de que a vida está aí pra ser vivida da melhor forma possível, seja lá ela qual for.

Como um filme por si só, é uma excelente história, com boas atuações e uma trilha sonora muito legal. Se você gosta de filmes mais indie, com uma proposta meio comédia meio drama, vai gostar desse filme com certeza. Não deixe tambem de conferir o livro, que já se tornou um dos meus livros favoritos.

Vinicius Fagundes ver todos os artigos
24 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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