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Entrevistas

Pam Muñoz Ryan fala sobre as mensagens de “Ecos”

Vinicius Fagundes
18 de outubro de 2017 18/10/2017 0 Comentários

A DarkSide lançou esse ano Ecos, o mais novo livro da premiada autora Pam Muñoz Ryan. Nós do La Oliphant adoramos o livro, e decidimos trazer uma entrevista da autora traduzida para que vocês possam conhecer um pouco mais dessa linda história. A entrevista foi realizada pelo site Publishers Weekly, e nela a autora fala um pouco sobre as mensagens por trás do livro e da importância da música.

No novo livro de Pam Muñoz Ryan, Ecos, uma gaita mágica trás esperança e mudança para três crianças crescendo na sombra da Segunda Guerra Mundial: Friedrich, na Alemanha; Mike, em Nova York; e Ivy Maria, na Califórnia. Ryan também é a autora de Esperanza Rising e Becoming Naomi Leon, além de diversos outros trabalhos para crianças e jovens adultos. Ryan conversou com PW sobre os relacionamentos de seus trabalhos anteriores com Ecos, a importância da arte ao longo da jornada do amadurecimento, e até sobre sua curta carreira de criança violinista.

Você tem esse livro novo saindo, mas esse ano marca o 15º aniversário de um dos seus livros mais conhecidos, Esperanza Rising. Como é olhar para trás disso tudo agora?

É extremamente gratificante. Quando você escreve um livro, você meio que lhe dá um grande abraço e o manda para o mundo, e você realmente não sabe as avenidas que ele vai tomar ou as coisas maravilhosas que vão acontecer com ele. A peça de Esperanza Rising, que foi encomendada pelo Teatro de Crianças de Minneapolis, foi performada em todo o país, e isso é algo que eu nunca sonhei que poderia acontecer. Mas o que significou mais pra mim é a quantidade de cartas que recebo de professores que o livro é tão relevante hoje quanto era quando foi lançado.

Partes de Ecos parecem remeter a aspectos de Esperanza Rising, particularmente a história de Ivy Maria como uma mexicana-americana na Califórnia. Essas similaridades foram intencionais?

Na verdade, não foram intencionais. Quando eu comecei a escrever Ecos, eu estava pesquisando uma história inteiramente diferente sobre o primeiro caso bem sucedido de desagregação em 1931, em Lemmon Grove, Califórnia. Mas quando eu estava pesquisando esse caso, encontrei uma foto de um grupo de alunos sentados na escada de uma escola em particular, e cada um deles estava segurando uma gaita. A professora idosa na biblioteca me disse “Sim, esse era o clube de gaita da nossa escola primária. Todo mundo tinha uma durante aquele grande movimento de banda de gaitas.”

Aquela frase – “grande movimento de banda de gaitas” – realmente despertou minha curiosidade, então eu fui pra casa e comecei a pesquisar. Isso me levou aa banda de gaita muito famosa de 60 garotos que tocou na parada de Charles Lindbergh, usando o mesmo tipo de gaita daquela escola de campo. Então eu tinha a premissa bem ali para dois, Ivy e Mike, mas eu precisava de um terceiro. Eu viajei para a Alemanha para aprender mais sobre essa gaita e descobri que eles costumavam ter jovens aprendizes na fábrica. Foi assim que a história de Friedrich começou a se formar.

E você sabia desde o começo que você queria contar essas três histórias conectadas, ou houveram outras estruturas com as quais você brincou? Você abordou esse livro de alguma forma diferente no que se trata do seu processo de escrita?

É engraçado – todo livro é configurando de forma diferente, mas pra esse eu fui e comprei um quadro branco enorme para acompanhar tudo. Eu escrevi o que acontecia em cada mês para cada história, e depois eu também escrevi os temas musicais que atravessavam os três. Quando eu escrevo um livro, eu geralmente sei a cena de abertura ou a estrutura geral, e eu seu a resolução emocional que eu espero atingir, mas eu não sei de verdade aonde os personagens vão me levar no meio.

Então eu tinha essas três histórias principais, mas eu não queria que isso fosse apenas episódico – Eu queria que existisse uma linha mais rica que unisse todas elas. E foi isso que me levou a esse conto de fadas que suporta os três. Escrever contos de fadas é quase como um gênero literário diferente: não tem backstory, e você faz o oposto do que escritores geralmente fazem na narrativa, que é mostrar em vez de contar enquanto o leitor preenche as lacunas completamente. A outra coisa que foi difícil foram as seções terminam em um cliffhanger, então não tem uma resolução para cada seção. Eu tive que deixa-las no ar. Parte do que o conto de fadas faz é prometer que, embora talvez não seja um felizes-para-sempre da Disney, vai haver uma resolução que junte tudo.

Tematicamente, a música tem um papel importante nessa história, e é uma grande parte do que une as três histórias. A música teve um grande papel na sua vida também?

Bom, eu não sou uma musicista, apesar de que um tempo atrás eu quis ser uma. Eu tive aulas de piano e de violino quando era jovem – eu era no máximo medíocre no piano, mas eu era muito apaixonada pelo violino. Eu tinha um professor muito rigoroso na escola primária, e ele nos deu um longo sermão sobre o cuidado que devíamos ter com nossos instrumentos. Um dia a ponte do meu violino soltou quando eu estava praticando, e eu tive tanto medo da sua reação que tentei consertar com um tubo de cola de madeira. Como uma garotinha na terceira ou quarta série, eu realmente achei que ele não ia notar! Então eu arruinei o violino da escola, e esse foi o fim das minhas lições. Elas terminaram em vergonha.

Então eu nunca corri atrás da música, a não ser como parte de uma plateia devotada. Mas eu acho que essa é a melhor coisa: você não precisa ser músico para amar a música; e você não precisa ser escritora para amar livros. Em Ecos, a música se transforma em uma coisa linda e brilhante que permite que as pessoas atravessem uma floresta escura. Para esses personagens, que viveram em tempo tão difícil, eu queria que a música fosse a ressonância emocional nas suas vidas.

Se você pudesse garantir que os leitores tirem apenas uma coisa desse livro, o que você consideraria como a mensagem mais importante?

Ecos é sobre como a música ilumina as vidas dos meus personagens durante um tempo bastante sombrio. Eu acho que a maioria dos meus livros são sobre essas jornadas em que os personagens tem que crescer e mudar drasticamente, seja essa uma jornada emocional ou uma física. E se fosse olhar para Esperanza Rising, até durante a hora mais escura da jornada dela, sempre tem alguma coisa dentro dela lhe dando determinação para continuar. Eu espero que o leitor aprecie o livro pela história, mas também que alguma coisa o lembre que mesmo durante as horas mais sombrias, algo puro e lindo existe. Como a música.

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Ecos, da premiada escritora norte-americana Pam Muñoz Ryan, é uma fábula como há muito não se via – ou se ouvia. Um conto de fadas dark, que resgata o melhor da tradição dos irmãos Grimm, combinado com delicados momentos do século XX, como as duas grandes guerras e a Depressão econômica que assolou os Estados Unidos nos anos 1930. O resultado é uma fantasia histórica repleta de perigos e beleza, emoldurada pelo poder da música. A aventura começa cinquenta anos antes da Primeira Guerra Mundial — “a guerra para acabar com todas as guerras” —, quando o pequeno Otto se perde na Floresta Negra e encontra as três irmãs encantadas, prisioneiras de uma velha bruxa, que conhecia apenas das páginas de um livro, e acreditava ser apenas uma lenda. Como em um passe de mágica, as irmãs ajudam o garoto a encontrar o caminho de casa. E Otto promete libertá-las, levando o espírito das três dentro de uma inusitada gaita de boca. Ao longo dos anos, o instrumento chega à mão de novos donos: um menino que vê o sonho de se tornar músico interrompido pela ascensão do nazismo; um jovem pianista prodígio que vive num orfanato e luta para não ser separado do irmão caçula; uma filha de imigrantes mexicanos que cuidam de uma casa de japoneses enviados a um campo de concentração dentro dos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Personagens com dramas diferentes, mas um amor transformador pela música. Cada um à sua maneira, eles são afetados pela magia das três irmãs. Assim como os leitores do livro em todos os países em que ECOS foi lançado. Prepare-se para também ser arrebatado e enfeitiçado por essa fábula harmônica.

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– A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
– O ganhador terá o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
– O envio do livro será feito pela Editora Darkside no prazo de até 90 dias após o ganhador informar seu endereço;
– O blog e a editora não se responsabilizam por extravio ou atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabilizam por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

Esta entrevista foi originalmente publicada no site Publishers Weekly. O La Oliphant é apenas responsável pela tradução do conteúdo.

Vinicius Fagundes

23 anos. Formado em Publicidade e Propaganda. Viciado em histórias. Desconhecido mundialmente.

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Débora Costa

Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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