Entrevistas 12ago • 2015

Ghostwriters – Eles podem estar onde você menos espera.

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Olá, Oliphants! Tá vendo esse livro aí, perto de você? Já parou pra pensar que, talvez, o autor tenha tido uma mãozinha na hora de escrevê-lo? Ou que algum livro que você já tenha lido não foi, necessariamente, escrito por quem você pensa que foi? Mistério…Mas aí, você deve estar se perguntando quem deve ter sido essa ajuda. Acertei?

Não sabe o que é ghostwriting? Vou te explicar rapidinho: o ghostwriter, ou “escritor fantasma”, é aquela pessoa que escreve para outra, sem necessariamente receber créditos autorais por isso. Faz parte do trabalho desenvolver a ideia de quem contratou, assim como deve se certificar de que está fazendo isso de modo coerente e tudo certinho, tal qual o próprio autor faria. Vários autores utilizam os serviços dos escritores fantasmas e, não, isso não significa que eles são fraudes ou algo do tipo, muito menos que a obra não seja dele – mas, aí, já é outro assunto.

Para sanar essa curiosidade enorme que estava nos perseguindo a respeito do tema, decidimos, então, bater um papo com uma ghostwriter bem gente boa, que topou tirar algumas das nossas dúvidas sobre essa profissão não muito conhecida por aí e que adoramos poder compartilhar com vocês!

Entrevista com LeVonda Brown (IG: @vonda_writes)

La Oliphant – Quando e como você descobriu a existência do ghostwriting e o que te fez querer exercer essa atividade?

LeVonda Brown –  Como uma escritora que deseja viver dessa carreira, você tende a se familiarizer com as opções com as quais você pode se arriscar. Bem, eu sempre busquei por pequenos trabalhos de escrita; fosse buscando no craiglist* ou no elance.com. De qualquer modo, o que me inspirou a escrever livros como ghostwriter foi um post escrito por Devin McFly.

La Oliphant – Se eu não estiver errada, ghostwriters não costumam receber créditos por seu trabalho árduo. Como você lida com isso?

LeVonda Brown – Correto, ghostwriters não recebem crédito algum, inicialmente. Isso inclusive é mencionado no contrato que fiz para meu projeto atual e para os futuros também. Na minha situação atual, com o “Art Project”, o Autor que me contratou decidiu que queria que as pessoas soubessem que eu escrevi isso. Então, digamos que se um outro projeto me fosse apresentado e o “autor” não quisesse me dar créditos, eu estaria bem com isso. Não estou me esforçando para entrar na industria da escrita em busca de atenção. Estou entrando na industria da escrita para me desenvolver como escritora.

La Oliphant – Você já passou por algum momento em que quis mostrar às pessoas que quem escreveu tal coisa foi você, mas não pode por causa dessa regra sobre ghostwriters?

LeVonda Brown – Não. Eu vivo sobre um código moral que não vou quebrar, seja escrevendo para alguém ou não.

La Oliphant – Você poderia dizer alguns prós e contras de seu emprego?

LeVonda Brown – Os lado positivo de ghostwriting nesse projeto em que estou trabalhando atualmente foi fazer alguém feliz. Nem todo mundo tem paciência, disciplina ou motivação para escrever e, ainda assim, ter uma boa história para contar. Nessa situação não há contras. Eu já sabia com o que havia me comprometido, então tive de me manter perseverante a todo custo.

La Oliphant – Os autores que pagam pelo seu trabalho dão suas opiniões enquanto você trabalha, pedindo para mudar coisas ou comentando sobre o que não gostam? Você já teve algum problema com isso? Se sim, poderia nos contar?

LeVonda Brown – Sim, opiniões foram dadas, mas porque eu as pedi. Independente da escrita, eu preciso satisfazer o cliente, então é importante confirmer se eles estão felizes com o seu trabalho e mantê-los informados. Com esse projeto não tive problemas; manter tudo às claras nunca foi um problema.

La Oliphant – Você acha difícil ou quase nada fácil achar trabalho na sua área? Como vocês divulgam seu trabalho?

LeVonda Brown – Sim, querida, não tem sido fácil achar trabalhos em minha área. Alguns trabalhos requerem certas credenciais. Eu aprendi muito por meio de leituras e isso não é o suficiente no mundo corporativo; por esse motive, prefiro trabalhar como freelancer.

La Oliphant – É possível viver com o dinheiro adquirido por meio desses trabalhos? (Sinta-se livre para ignorar a pergunta, caso seja ofensiva de alguma forma.)

LeVonda Brown – Não. Mas, acredito que posso começar uma vida com o dinheiro que obtenho deles.

La Oliphant – Quais são suas aspirações a respeito da escrita? Você planeja continuar sendo uma “fantasma”? Como se sente sobre isso?

LeVonda Brown – Pretendo explorer todos os gêneros do mundo literário, especialmente livros infantis. Com esperança de que vou me tornar uma autora bestseller algum dia. Se vou trabalhar como ghostwriter novamente? Sim, eu trabalharia; mas o preço pelo meu serviço subirá, visto que vou melhorando minhas habilidades como escritora. Não me sinto mal sobre ghostwrite, eu amo escrever. Todos nós precisamos de ajuda nessa vida e se eu puder ajudar alguma pessoa em realizar seu sonho, eu vou, porque eles nem imaginam que estarão me ajudando a realizar os meus também.

A LeVonda foi muito legal em ter dedicado um tempinho dela para poder nos responder e somos gratos! Esperamos que tenham gostado do post e aprendido um pouco sobre essa profissão (bem legal, por sinal) que, sinceramente, há pouco tempo nem eu sabia da existência!!! Agora, uma perguntinha: você aí, conseguiria ser um escritor fantasma? Teria coragem?

Rafaela Rodrigues ver todos os artigos
Estudante de Letras Port/Inglês/Literaturas, viciada em livros, textos e séries. Português ou inglês? Ah, tá muito ocupada com um desses hobbies pra poder decidir. É prima (bem) distante da Beyoncé e um dia vai ser dona de uma editora e lançar todas as continuações dos livros que gosta, mas que nem os próprios autores quiseram escrever.

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8 Comentários

  • Julia Martins
    17 ago 2015

    Olá!
    Eu já tinha ouvido falar sobre os ghostwrites e eu não me incomodaria em ler algum livro escrito por eles (não sei se já li). A partir do momento que a pessoa se predispõe a isso, não tem motivos para eu ficar chateada ou me sentir enganada pelo suposto autor. É estranho pagar outros para levar todo o crédito do trabalho? Sim. Mas tantos outros profissionais trabalham dessa forma e ninguém reclama.
    Adorei a entrevista e espero que isso tenha esclarecido alguns pontos para pessoas que não entendem essa profissão.

    Beijos
    http://www.breakingfree.blog.br/

  • Déborah Araújo
    14 ago 2015

    Rafaela, que coisa mas interessante.
    Nunca tinha ouvido falar de ghostwrites.
    Adorei a entrevista para saber mais a respeito.
    Mas acho meio tenso você escrever por outra pessoa e não levar os créditos.

    Lisossomos

  • Gabrielly Marques
    14 ago 2015

    Muuuito legal essa entrevista, amei muito e consegui tirar várias dúvidas. Não sei se trabalharia com isso, até porque você trabalha tanto para outra pessoa levar os créditos, fora que os leitores meio que se iludem….
    Bjs

  • Monalisa Marques
    13 ago 2015

    Oi, Rafa!
    Te dizer uma coisa: Também faço freelas como ghost writer. Em trabalhos assim, por todo o caráter de confidenciabilidade (e também porque requer um trabalho de pesquisa e entrevista para que se possa assumir um estilo que seja condizente com o contratante), ganha-se mais do que em trabalhos assinados.
    Para quem tem habilidade com a escrita, considero uma boa opção. Também não vejo problemas nisso. Isso acontece muito com biografias de celebridades, sabia? E recentemente o Umberto Eco publicou um livro bem legal cujo protagonista é um ghost writer: “Número Zero”. Tem resenha lá no Literasutra, caso você se interesse.
    Um beijo grande, e que belo trabalho você fez aqui no blog com essa entrevista! 🙂

  • Amanda
    13 ago 2015

    Rafa, não vou me alongar no comentário, pq eu discordo totalmente de algumas coisas que vc disse sobre o assunto. Até imagino quem sejam alguns dos autores que eu costumo ler que usam ghostwritter, mas eu não acho a prática interessante, e nem bacana.

  • Maiara Vieira
    13 ago 2015

    Oi, tudo bem?
    Tô um pouco em choque pois não fazia ideia da existência de Ghostwriters. Agora tô me questionando se os livros que leio são realmente pelos autores que acho que escreveram.
    Olha, essa deve ser uma profissão meio triste já que você faz o trabalho e outro leva o crédito.

    Beijos :*
    http://www.livrosesonhos.com/

  • Kétrin N. Galvagni
    13 ago 2015

    Oi Rafaela, acredita que eu não sabia da existência de ghostwriters? não fazia ideia que poderia existir os escritores fantasmas que dão uma ajuda, não sei se eu conseguiria criar uma história e dar os créditos a outra pessoa!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

  • Camila Teixeira
    13 ago 2015

    Nossa que legal sua entrevista! Deve ser muito complicado escrever algo e não receber os creditos por isso né? Acho que sou muito egoista para conseguir escrever algo e dar credito para outra pessoa. AHHA

    http://www.livrologias.com/

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