La Oliphant

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Entrevistas

A autora por trás de A Herdeira do Mar

Débora Costa
12 de novembro de 2014 12/11/2014 3 Comentários

Olá leitores!

Hoje nós vamos conhecer um pouco mais de uma das autoras parceiras do blog. Conheci a Ize através de outros blogs literários, e depois que descobri a temática do seu livro A Herdeira do Mar, não pude deixar de trazer essa parceria para o La Oliphant.

Faz um tempo que eu li A Herdeira do Mar (confira aqui) e não tenho palavras para descrever o quanto esse livro é perfeito. E para que vocês conheçam um pouco mais da Ize e do seu livro, confiram essa pequena entrevista:

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La Oliphant: Quando você decidiu que iria começar a escrever A Herdeira do Mar?

Ize Chi: Eu não creio que tenha sido um momento exato. Eu já era escritora de fanfics (histórias baseadas em um universo literário já existente) há anos, e sempre fiquei pensando na possibilidade de criar uma história original. Quando bateu a ideia de sereia e seu guardião, foi do nada, enquanto eu tomava banho (e posso jurar que sonhei com algumas cenas na noite anterior, mas pode ter sido só imaginação). A partir daí, escrevi um briefing, uma versão de teste pouco elaborada da história. Deixei passar alguns meses para olhar a história com mais calma e, por fim, reescrevi tudo desde o início, completando as lacunas de informações e elaborando melhor o enredo (o que dobrou o número de páginas do livro).

La Oliphant: Você teve muitas influências literárias quando estava escrevendo?

Ize Chi: Estaria mentindo se dissesse que não fui influenciada, mas posso afirmar que a influência foi inconsciente. Enquanto escrevia eu não pensei “vou fazer igual o autor fulano de tal”, mas hoje, quando olho minha obra de forma mais técnica, vejo que acabei pegando um pouco da forma de escrita do Bernard Cornwell, um dos meus autores favoritos. Uma pena que não consegui replicar o estilo do Sidney Sheldon, que é quem mais admiro rsrs

La Oliphant: Quais são as principais dificuldades de uma autopublicação?

Ize Chi: I-nú-me-ras. Tentando resumir em um parágrafo (escrevi um artigo inteiro sobre o tema, disponível no site do livro), seriam as seguintes: 1) Publicidade: você, como autor, também deve ser seu próprio publicitário e agente de marketing; precisa encontrar o público-alvo, convencê-lo de ler seu livro e, gostando, indicar no boca-a-boca para os amigos. Isso sem falar em gastar do próprio bolso com a impressão do livro físico e material para divulgação, como marcadores de página personalizados. 2) Distribuição: não há como um autor autopublicado ser vendido nas grandes livrarias; no máximo, ele consegue um acordo com as livrarias pequenas de sua cidade, mas tudo na camaradagem, pois não terá emissão de nota fiscal e nem recolhimento de imposto (para isso, o autor teria que abrir uma empresa). Por último: 3) Desconfiança: os leitores, mesmo os que curtem literatura nacional (público difícil de achar!), olham com desconfiança para um autor autopublicado, pois existe essa ideia de que, se não foi publicado por uma editora, é porque não é bom o suficiente. Quem dera se fosse assim! A realidade é outra no mercado editorial brasileiro, mas a maioria dos leitores desconhece e cria um preconceito com os autores autopublicados… O que é uma pena, infelizmente.

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La Oliphant: O que te levou a escolher sereias como temática principal do seu livro?

Ize Chi: Sou sincera em afirmar que… Não faço a menor ideia! rsrs Claro, eu gostava do filme da Disney “A Pequena Sereia”, mas nunca aprofundei meus pensamentos a respeito. No caso do meu livro, simplesmente aconteceu. Quando bateu a ideia de sereia, comecei a pesquisar mitologias, e a história simplesmente foi se formando na minha cabeça. Me apaixonei mais e mais pelo universo subaquático, e hoje sou completamente fã dessas personagens mitológicas.

La Oliphant: Como foi o processo criativo de A Herdeira do Mar? E quando podemos começar a sonhar com uma continuação?

Ize Chi: Partiu da ideia central de uma princesa sereia e seu guardião, com um amor proibido entre os dois. A partir disso, eu quis um bom motivo para essa proibição, e não apenas uma questão “moral” de “não devo ficar com ele”. Foi quando desenvolvi a estrutura da sociedade do povo do mar, de forma que fizesse sentido que os dois não deveriam ficar juntos, mas não conseguem conter essa vontade. O resto… Bom, simplesmente surgiu.
Sobre a continuação, a história é outra. Tenho tudo elaborado na minha mente, mas me falta tempo para escrever. Isso porque esse segundo livro será muito mais profundo em termos políticos, e quero escrever os capítulos com calma e concentração, de forma que não fique pesado para quem não conheça, e nem superficial demais para quem conhece bem o tema. Fiz o mesmo com o 1º volume; foram 4 meses rescrevendo a partir do meu briefing (resposta da pergunta nº 1), me dedicando somente a isso: eu havia saído do meu estágio e aproveitado a greve das universidades federais para me dedicar ao livro.
Tenho medo de escrever de qualquer forma e entrar na superficialidade, quando eu consegui colocar tão bem nesse primeiro volume a discussão de governo e soberania, de forma que mesmo os mais leigos conseguissem entender.

La Oliphant: Quando li o livro, me apaixonei pelo Morgan no capítulo em que ele apareceu. O que te inspirou a escrever o personagem?

Ize Chi: Hum… Acho que a minha concepção de “homem perfeito” rsrs
Os “sr. Perfeitos” da literatura atual são sempre ricaços poderosos que, de certa forma, dominam a mulher. Para mim, um homem perfeito não precisa de nada disso, mas sim, de ser atencioso com sua parceira.
Morgan seguiu essa linha: é extremamente belo (tinha que ser, né?), mas não é humano e, portanto, não tem dinheiro. Ao invés de “dominar” ou se “impor” para a Cordélia, ele busca compreende-la e realizar suas vontades.
Isso, pra mim, é o essencial em um homem. Lógico, como mulher, você também deve ser compreensiva, mas esse papel não é só da mulher, mas também de seu parceiro. Logo, Morgan é um rapaz atencioso e amoroso, mas que não perde sua essência macho men, sendo corajoso e forte ao mesmo tempo rsrs

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La Oliphant: Se A Herdeira do Mar se tornasse um filme, quem você escolheria para interpretar os personagens principais?

Ize Chi: Ih, nem ideia. Pra mim é impossível pensar em qualquer ator conhecido e visualizá-lo no papel dos meus personagens. Como autora deles, tendo a “personalizar” demais meus personagens e, por isso, é muito difícil pra mim vê-los com o rosto de uma pessoa real, quando eles existem na minha imaginação de outra forma. Mas acredito que a melhor saída fosse com atores desconhecidos, ou que nunca tivessem interpretado nenhum papel principal importante 🙂

La Oliphant:  Como é a sua vida hoje, depois do lançamento do livro? Sua família te apoia?

Ize Chi: Minha vida atual é bem mais corrida do que antes do lançamento. Tive que perder minha timidez em relação ao livro; entendam, não é questão de ser tímida, mas de compartilhar algo extremamente pessoal seu. São seus personagens e sua história, e agora, até sua vizinha sabe o que se passa na sua mente! Essa foi, definitivamente, a parte mais difícil de me assumir como escritora. A segunda parte é quando as pessoas querem debater sua história com você, o que consegue ser ainda pior rs
Já da minha família, eu só tenho a agradecer. Não só meu marido foi meu primeiro leitor (não sei o que eu faria sem ele), como também compreendia meus momentos de introspecção, quando eu passava horas olhando pra tela em branco do computador. E meus pais… Como agradecê-los? Podem não ser ricos, mas com o pouco que tinham, me apoiaram financeiramente para fazer a impressão de minha primeira tiragem. Não teria nem lançado o livro se não fosse pelo apoio deles!

La Oliphant: Quando você estava escrevendo o livro, já esperava que ele fosse ser exatamente como é hoje? Ou a ideia foi sendo alterada conforme você escrevia?

Ize Chi: Sou fã da citação “na natureza nada se cria, tudo se transforma”. E o mesmo se aplica às ideias: você começa com um pensamento fixo, mas ele vai se transformando com o decorrer da história, tornando impossível manter a ideia original. A essência permanece, mas a forma muda. Eu imaginei dezenas de cenas onde o Morgan e a Cordélia trocam seu primeiro beijo, e acabou saindo de uma cena quase cômica (capítulo 13), pois não tinha como eu manter o planejamento inicial que tive, uma vez que toda a história se transformou até aquele momento. Então, sim, tudo foi sendo alterado na medida em que eu escrevia ^^

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La Oliphant: Como é a relação com os fãs do livro?

Ize Chi:  Acho muito gratificante quando um leitor entra em contato comigo, seja para perguntar da continuação, seja só para elogiar. Gosto de manter contato e costumo responder rápido, uma vez que vivo conectado às redes sociais pelo meu celular. No geral, diria que sou próxima dos meus leitores.

La Oliphant: O que podemos esperar para os próximos anos? Teremos mais livros publicados?

Ize Chi: Nesse meio tempo, estou rescrevendo outro livro meu, que passou pelo mesmo processo de AHdM: já tinha ele pronto em uma versão simples, e agora, estou repassando a história a limpo. Ele é, de certa forma, mais fácil de ser escrito, pois toda a primeira parte dele não exige grandes pesquisas, só organização de ideias. Quando ele estiver mais avançado, possivelmente terei que parar, pelo mesmo motivo da continuação de AHdM: falta de tempo para uma dedicação total em não fazer burrada com a história rsrs
Mas o enredo desse livro é segredo, até que ele esteja em sua versão final. Só posso prometer que teremos um concorrente para o Morgan em relação à gostosura, e uma personagem principal muito mais bad girl que a Cordélia ;P

Débora Costa

Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de Steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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