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Entrevistas

Entrevista com Kimberly Brubaker Bradley, autora de A Guerra Que Salvou a Minha Vida

Débora Costa
30 de abril de 2017 30/04/2017 5 Comentários

A Guerra Que Salvou A Minha Vida foi uma das leituras mais emocionantes que fiz nos últimos tempos.  O livro conta a história da Ada que é uma menina por volta dos dez anos que nasceu com o pé torto. Por conta dessa sua “deficiência”, ela acabou sempre recebendo muitos maus tratos da mãe, ficando presa dentro de casa para esconder “a sua vergonha das pessoas”. Quando a 2° Guerra Mundial começa e as crianças começam a ser evacuadas de Londres, Ada vê nisso uma oportunidade de fugir da sua realidade e, junto com seu irmão mais novo, os dois partem para uma aventura no interior da Inglaterra que, com toda a certeza, mudaria a vida de Ada para sempre.

Para que vocês possam conhecer mais um pouco da história do livro e tudo o que existe por trás dele, o La Oliphant resolveu compartilhar com vocês uma entrevista da Darkside Books com a autora do livro, Kimberly Brubaker Bradley. Confira abaixo:

A Segunda Guerra Mundial foi um período muito triste na história da humanidade, mas algumas pessoas conseguiram encontrar uma maneira de se animar nesse momento. A Ada parece ser uma dessas pessoas. Você pode nos contar um pouco sobre a personagem e como foi o processo de criação da voz da Ada?

A voz da Ada foi a parte mais difícil de acertar no livro e me tomou muito tempo. Os leitores precisavam perceber que enquanto as circunstâncias pelas quais a Ada estavam passando eram horríveis, ela em si era uma pessoa muito forte, inteligente e engenhosa. Foram muitas tentativas de reescrevê-la – algo em torno de seis rascunhos para a primeira apresentação do primeiro capítulo.

Você escreveu A Guerra que Salvou a Minha Vida para crianças, mas é muito fácil encontrar resenhas em blogs e sites especializados em literatura de adultos que foram tocados pela história. Por que você acha que a história de Ada conseguiu emocionar leitores de idades tão variadas?

Eu não sei ao certo. Eu concordo que é verdade, muito mais do que qualquer um dos meus livros anteriores, este também tem um apelo com os adultos. Talvez seja porque todos nós ansiamos por amor, reparação e família.

A protagonista do livro é uma criança com deficiência. Você tem recebido retorno de pessoas com deficiência? Elas se identificaram com Ada de alguma forma?

Sim, de fato, nos Estados Unidos, esse livro ganhou o prêmio Schneider Family Book, por melhor retratar uma criança com deficiência. Dr. Schneider, quem começou a premiação, nasceu cego e cresceu bastante frustrado por ver como pessoas com deficiência eram descritas nos livros. Também soube que muitos leitores com diferentes níveis de restrição física, alguns adultos, outros crianças, e qualquer pessoa que tenha lido acharam [o livro] muito positivo. Eu não minimizo a condição de Ada, mas também não deixo que a defina.

Naquela época e ainda hoje muitas pessoas com deficiência não totalmente são integradas na comunidade em que vivem por ignorância, omissão ou preconceito das pessoas ao seu redor, mas por que você escolheu retratar isso na mãe de Ada?

Eu queria que Ada fosse libertada pela guerra, o que significava que eu precisava começar com ela em uma prisão. Se ela tivesse uma família que a amasse, ela não sentiria necessidade de escapar.

Além da Segunda Guerra Mundial, quais histórias você leu, conheceu ou procurou que lhe ajudaram a construir a trajetória de Ada, sua família, sua condição física e emocional?

Eu passei um longo tempo lendo sobre crianças de lugares difíceis – de refugiados a vítimas de abuso a crianças adotadas em orfanatos internacionais – para entender o coração de Ada. Eu também li bastante sobre pé torto. As informações sobre os cavalos eu já meio que sabia.

Em geral, quando falamos de guerra, associamos com dor, com morte. Como essa associação entre guerra e salvar a vida de uma pessoa aconteceu?

A evacuação das cidades inglesas foi uma grande empreitada; eles deslocaram 3 milhões delas para o interior, em dois dias. Foi imensamente traumático para a maioria delas, pois diziam, essencialmente, que elas estariam em segurança – ainda que com completos estranhos – enquanto seus pais ficavam em casa para serem bombardeados. Mas comecei a pensar: e se o oposto acontecesse? E se a evacuação fosse a melhor coisa a acontecer na vida de uma criança? Quem seria ela?

Você acha que autores de grandes séries como J.K. Rowling e Rick Riordan abriram portas para mais crianças e adolescentes se interessarem por livros e literatura?

Eles foram ótimos, mas o que eu acho que eles realmente fizeram foi abrir a possibilidade de escrever livros maiores. Antigamente as editoras diziam “isso é muito grande para essa faixa etária, eles não vão ler”. Bom, depois de Harry Potter e Rick Riordan… os livros são bem grandes e as pessoas lêem tudo e isso nos ajudou muito, como autores. A Guerra que Salvou Minha Vida é um livro grande e talvez ele não fosse publicado antes por causa do tamanho, mas eu não poderia ter contado a mesma história em menos páginas. Então, sim, eu sou bem grata à eles por isso.

Seu primeiro livro foi publicado em 1998, certo? E você sempre escreveu para um público jovem. Você sentiu uma mudança ou diferença nos últimos 5-10 anos no jeito que os autores se conectam com os leitores – especialmente os jovens?

Sim e eu acho isso incrível. Uma vez, uma escola de inglês da Mongólia me ligou no Skype para conversar sobre meu livro. Eles só tinham uma cópia e ficavam passando de mão em mão – foi algo muito legal – e aqui mesmo nos EUA, graças à Internet, eu consigo conversar com escolas e lugares que eu não conseguiria visitar. Eu gosto muito e acho ótimo para as crianças. Eu adoraria ter tido essa chance quando eu era criança.

Nós leitores sempre aprendemos muito com os livros que lemos. Às vezes somos tão tocados por um livro que esquecemos que o autor muito provavelmente também aprendeu com ele. O que A Guerra que Salvou a Minha Vida lhe ensinou durante o processo de escrita?

Eu achava que já entendia o poder transformador do amor, mas aprendi mais sobre ele enquanto escrevia essa história – não só isso, mas também o quão satisfatório é ver outra pessoa se curando e florescendo.

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Débora Costa

Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de Steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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